Mesorregião do Vale do Itajaí

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Vale do Itajaí
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregiões limítrofes Norte Catarinense, Serrana e Grande Florianópolis.
Área 13.003,018 km²
População 1.514.312 hab. censo 2010
Densidade 116,0 hab/km²
Indicadores
PIB R$ 51.816,201 IBGE/2011[1]
PIB per capita R$ 34.217,65 IBGE/2011[1]

A mesorregião do Vale do Itajaí é uma das seis mesorregiões do estado brasileiro de Santa Catarina. É formada pela união de 54 municípios agrupados em quatro microrregiões.

Microrregiões[editar | editar código-fonte]

Municípios[editar | editar código-fonte]


As 20 cidades mais populosas do Vale do Itajaí segundo o censo de 2010 do IBGE

Posição Município População
1 Blumenau 309 214
2 Itajaí 186 127
3 Balneário Camboriú 108 107
4 Brusque 107 763
5 Camboriú 62 289
6 Rio do Sul 61 196
7 Navegantes 60 588
8 Gaspar 57 958
9 Indaial 54 794
10 Itapema 45 814
11 Timbó 36 817
12 Pomerode 27 772
13 Penha 25 140
14 Barra Velha 22 403
15 Ituporanga 22 255
16 Guabiruba 18 433
17 Ibirama 17 342
18 Taió 17 265
19 Balneário Piçarras 17 074
20 Porto Belo 16 118

História[editar | editar código-fonte]

O Vale do Itajaí, também conhecido por Vale Europeu, é a região mais alemã do Brasil. Sua colonização foi efetuada principalmente no século XIX por imigrantes alemães. Os alemães começaram a chegar em 1828 e vieram em grande número após 1850. Ali, os imigrantes receberam lotes de terra e passaram a se dedicar à agricultura, fundando colônias que se transformaram em cidades importantes, como é o caso de Brusque, Itajaí e Blumenau, as maiores cidades da região. A influência germânica é sentida em toda a região, desde a arquitetura enxaimel, o idioma (há grandes minorias de língua alemã), a culinária, o artesanato e as festas típicas- com destaque para a Oktoberfest e Fenarreco.

Exercendo menor influência que os alemano, os italianos começaram a chegar à região nas últimas décadas do século XIX e colonizaram cidades como Itajaí, Rodeio (Santa Catarina) e Nova Trento, um dos maiores centros católicos do Brasil.

Contexto Geográfico[editar | editar código-fonte]

O Vale do Itajaí é o sítio no qual foram implantados os 180 quilômetros de extensão da Estrada de Ferro Santa Catarina – EFSC, ligando o porto marítimo à serra, ponto mais afastado do mar (Itajaí), que recebeu a última estação ferroviária – a São João – localizada na atual cidade de Agrolândia. O sentido da ferrovia leste-oeste veio confirmar a afirmativa de Siebert (1996), de que a rede urbana de Santa Catarina, como também no Vale do Itajaí, desenvolveu-se nesse sentido, acompanhando inicialmente a colonização do litoral, seguindo, posteriormente, para o vale e para a serra.

A rede urbana catarinense desenvolveu-se como o restante do País, no sentido leste-oeste, acompanhando, inicialmente, a colonização do litoral, seguindo, posteriormente, para os vales e para o planalto e, finalmente, nas últimas décadas, avançando para a fronteira agrícola do Oeste do Estado. No entanto, diferentemente dos demais Estados, onde ocorre a macrocefalia urbana, a Rede Urbana de Santa Catarina caracteriza-se por não apresentar dominância absoluta de uma única cidade, mas sim uma distribuição multipolarizada de núcleos urbanos de médio porte. Evitam-se, assim, os problemas urbanísticos derivados da existência de apenas uma cidade-pólo com primazia absoluta sobre as demais. (SIEBERT, 1996, p. 28).

Antes da chegada das grandes levas de imigrantes, a região tinha poucas propriedades rurais isoladas ao longo do rio Itajaí-Açu e de seus afluentes. Os primeiros imigrantes chegaram no início da década de 1950 do século XIX, utilizando embarcações fluviais. Aportavam na sede do primeiro núcleo urbano da Colônia Blumenau, no porto da foz do ribeirão Garcia, no rio Itajaí-Açu.

Infelizmente, a Estrada de Ferro Santa Catarina, da Rede Ferroviária Federal, situada, toda ela, nos seus 180 quilômetros de extensão, no território da Bacia do Itajaí e que foi excelente auxiliar no transporte da produção agrícola e industrial da região para o porto de embarque, foi erradicada em 1971, por ter sido considerada deficitária. (SILVA, 1972, p. 9).

Localização[editar | editar código-fonte]

O território do Vale do Itajaí está situado estado brasileiro de Santa Catarina no vale formado pelo rio Itajaí-Açu, Rio Itajai-Mirim e seus afluentes, que formam a bacia do rio Itajaí-Açu e as serras do Mirador, Itajaí e Moema. A região foi povoada por imigrantes europeus, sendo, em sua maioria, alemães e italianos, e durante aproximadamente 80 anos parte de seu território, conhecido atualmente como Alto e Médio Vale do Itajaí era praticamente o território da Colônia Blumenau, que até 1934 ocupava uma área de 10.610 quilômetros quadrados. Mais tarde, em períodos distintos, ocorreram sucessivos desmembramentos, resultando em 38 novos municípios do Vale do Itajaí.

Os primeiros colonizadores efetuavam descrições precisas da região em documentações técnicas, cartográficas, fotográficas e em cartas. Em seus relatos e mapas, é visível a importância que destinavam às localizações dos cursos de água e seus posicionamentos dentro da paisagem natural, com requinte de detalhes.

Condicionantes Físicos[editar | editar código-fonte]

Siebert (1996), afirma que o suporte físico condiciona as atividades humanas de maneira decisiva. De acordo com o mencionado, os primeiros imigrantes e os idealizadores da EFSC também tinham esta compreensão e efetuavam relatórios detalhados dos condicionantes físicos desde o primeiro contato com a região do Vale do Itajaí. Alguns pesquisadores afirmam que não foi de maneira aleatória que o fundador da Colônia Blumenau deu início a ela no último ponto navegável do rio Itajaí-Açu.

De acordo com Lago (1968), os numerosos núcleos criados no interior da colônia mantinham constante articulação com a sede, graças à posição dela na bacia do Itajaí, e destaca três aspectos essenciais.

O primeiro aspecto a destacar é que a bacia do rio Itajaí-Açu, por ser muito grande, facilitava os negócios em curto e médio prazo. Tudo devido à presença de vários tipos de atividades, que exploravam diferentes tipos de terrenos geológicos penetrando nos sedimentos antigos, alcançando a superfície do Planalto Oriental e estabelecendo uma comunicação natural, aproveitada, posteriormente, para a construção da EFSC e, mais tarde, para a construção das rodovias que convergiram para a calha do rio.

O segundo aspecto era o local de implantação da sede da Colônia Blumenau. Um pouco acima da sede, o leito do rio Itajaí se apresenta estrangulado, impedindo a navegação a montante, fundamental para o transporte fluvial. Os núcleos isolados adotavam, então, a sede (Stadtplatz) como um entroncamento obrigatório, com "parada obrigatória" para escoamento de seus produtos ou chegada de encomendas do porto fluvial. O local tornou-se um entreposto comercial do Vale do Itajaí. Isto aconteceu durante praticamente um século, até a construção do trecho da EFSC que chegasse até o porto marítimo, e a melhoria na estrada de caminhantes e depois rodoviária, até o litoral.

O terceiro aspecto é que o rio Itajaí-Açu, após aproximadamente 50 quilômetros a jusante de Blumenau, percorrendo uma planície relativamente ampla, com pequeno desnível, facilitava a navegação vinda do porto flúvio-marinho de Itajaí.

Os aspectos físicos territoriais definiram as acessibilidades, instalações dos primeiros núcleos e construções dos caminhos rodoviários e, principalmente, do objeto deste estudo, a EFSC.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A bacia hidrográfica do rio Itajaí-Açu é a maior da Vertente do Atlântico, no estado, e seus cursos de água totalizam 24.171 quilômetros de extensão.

O Vale do Itajaí está localizado na vertente do litoral, cujo principal rio é o Itajaí-Açu, formado pelas águas dos rios Itajaí d’Oeste, cuja nascente ocorre nos maciços das serras do Espigão, Mirador e Trombudo; do rio Itajaí do Sul, cujas cabeceiras se encontram no vale situado entre as serras Geral, do Itajaí e do Tijucas; pelo rio Itajaí do Norte, também chamado de Hercílio, que é o mais extenso e nasce na serra do Espigão, entre a Serra do Mar e a do Mirador, e sua bacia hidrográfica abrange uma área de 15.500 km². Os divisores de água desta bacia, que faz parte da Vertente do Atlântico, são a Serra Geral, a sudoeste, fazendo divisa com o Planalto de Lages - as serras da Boa Vista, Faxinais e do Tijucas, a sudoeste; ao norte, as serras do Espigão e Moema, fazendo divisa com o Patamar de Mafra; e a de Jaraguá.

Os rios da bacia hidrográfica do rio Itajaí-Açu apresentam um perfil longitudinal bastante irregular no curso superior, onde a topografia é acidentada. No curso inferior, os rios formam meandros, apresentando perfis longitudinais de baixas declividades, caracterizando-se como rios de planície. Por este motivo, o rio Itajaí-Açu é navegável de sua foz até Blumenau, a partir de onde apresenta saltos e corredeiras.

Cenário Histórico-Social até o início da construção da Estrada de Ferro Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

Milton Santos dizia que a partir da noção de espaço como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações, é possível reconhecer as suas categorias analíticas internas, tais como a paisagem, a configuração territorial, a divisão territorial do trabalho, o espaço produzido ou produtivo, as rugosidades e as formas-conteúdo. "O conteúdo geográfico do cotidiano também se inclui entre esses conceitos constitutivos e operacionais, próprios à realidade do espaço geográfico, junto à questão de uma ordem mundial e de uma ordem local". (SANTOS, 1996, p. 19).

Iniciaremos a abordagem sob o enfoque baseado em uma escala maior, observando o cenário de onde vieram os primeiros imigrantes que chegaram ao Vale do Itajaí em meados do século XIX. Depois, será analisado o cenário da Província de Santa Catarina, no período da chegada do primeiro grupo desses imigrantes à região; e, finalmente, a análise do contexto, em uma escala local, no momento em que chegaram as primeiras famílias de imigrantes em companhia do Dr. Blumenau e após, até o início da construção da ferrovia. Este enfoque é importante para facilitar o entendimento das ações que se desenrolarão antes e durante o processo da efetivação da construção da EFSC.

Europa[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada dos primeiros imigrantes ao Vale do Itajaí, na metade do século XIX, praticamente inexistiam povoações, exceto propriedades isoladas de famílias oriundas do litoral da Província, Planalto e de grupos indígenas nativos.

No século XVIII, sob os questionamentos iluministas e o fortalecimento da pequena burguesia, a Europa acelerou seu processo capitalista e entrou na era moderna.

A renovação das técnicas de transporte com a substituição das forças vitais pelas forças mecânicas iniciou-se no crepúsculo do século XVIII ou, praticamente, nos começos do século XIX, com o carvão-de-pedra e a invenção da máquina a vapor, que inauguram a revolução industrial. (AZEVEDO, 1953, p. 17).

Quase no final do século XVIII, os industriais descobriram uma forma de fundir minério de ferro usando carvão mineral em lugar de carvão vegetal. Outros industriais utilizaram a energia a vapor para mover as máquinas que até então eram movidas manualmente, por tração animal ou por força dos ventos ou das águas. Estas novas tecnologias fizeram com que as pequenas oficinas inglesas dessem lugar a fábricas de produção em massa. A partir da segunda metade do século XIX, o aperfeiçoamento das máquinas, a utilização mais proveitosa da matéria-prima e a adoção de novas tecnologias e processos industriais deram início a um processo de rupturas e mudanças na produção social. Estas mudanças desencadearam a acumulação rápida de bens de capital, interferindo diretamente no espaço das cidades ocidentais e nas suas relações sociais, propiciando o surgimento de novas cidades, inclusive em outros continentes, e o adensamento das cidades existentes.

Até esse momento não existia o Estado alemão, mas um conjunto de estados e cidades de origem germânica. A Prússia foi o reino de origem germânica de maior relevância e influência para a unificação dos estados germânicos, e responsável pela formação do Estado alemão no século XIX. Existia na Prússia uma predisposição latente para a assimilação das novas mudanças na produção social, espacial, econômica e tecnológica. A burguesia local se fortalecia e estava atenta ao que vinha acontecendo na Inglaterra desde o século XVIII. O fluxo imigratório da Europa para outros continentes, iniciado na metade do século XVIII, prosseguiria no século XIX. Entre os vários destinos da imigração europeia (em especial a imigração alemã originária da Prússia), estava o Vale do Itajaí, sítio do objeto de estudo deste livro.

"A tardia chegada da Revolução Industrial, 40 anos após a Inglaterra ter inventado a máquina a vapor, provocou uma grande transformação dos aspectos socioeconômicos até então reinantes na Alemanha. As companhias de oficio que reuniam os artesãos sucumbiam à chegada das máquinas e da produção em larga escala. Este movimento fez com que grande parte dos camponeses e artífices se tornasse assalariada, fazendo surgir o proletariado." (SANTIAGO, PETRY, FERREIRA, 2001, p. 11).

Segundo Vidor (1995), "a construção social do Vale do Itajaí não teve, in loco, nenhum processo econômico anterior ao capitalismo. Não houve, como sugerem alguns autores, o modo de produção feudal, anterior à revolução industrial." No projeto de ocupação do território elaborado pelo Dr. Blumenau estava explícito o modo de produção capitalista com influência da escola iluminista fisiocrática de Quesnay, por meio do desenvolvimento da agricultura, cuja produção seria beneficiada industrialmente.

Inspirado pelo novo ideário que envolvia a Europa, Dr. Blumenau veio para o Vale do Itajaí com planos concretos, e convicto da necessidade de se construir uma ferrovia.

O pesquisador local, Sr. Frederico Kilian, entrevistou, em dezembro de 1957, o Sr. Otto Rohkohl, primeiro diretor da EFSC, e foi informado que, já nos primeiros anos de colonização de Blumenau, o fundador reconhecia a necessidade de construção de uma ferrovia que ligasse o centro da colônia (porto fluvial mais avançado do rio Itajaí-Açu) com o "Hinterland".

Os imigrantes alemães e italianos aportaram à Província de Santa Catarina, onde residiam imigrantes açorianos e seus descendentes submetidos à Igreja Católica de Roma, que ditava regras de boa conduta de acordo com os dogmas da contrarreforma, inspirada na escola jesuítica.

"Os padres pregavam que era pecado mortal dançar, porque eles levavam dinheiro para pagar a cota de entrada e isso fazia falta para eles. Isso era pecado mortal para eles. Em vez de dar dinheiro para a igreja, davam para as festas. Houve lugares onde as famílias tiveram que se mudar. O sujeito que tocava gaita e fazia baile, eles obrigavam o fulano a se mudar do lugar. Cheguei a conhecer dois casos desses. O padre não queria que ele ficasse mais no lugar. Ele fazia o sermão e pedia para o povo não dançar. Quem for dançar no baile daquele fulano lá, que toca, vai para o inferno, vai ser excomungado. O cara então peneirava daquele lugar. E se pagava uma ninharia, uma bagatela para dançar.

A Igreja mandava em tudo, naquela época. Era a principal autoridade. A igreja falava alto, mais alto do que tudo. Eles estavam por trás de tudo." (CASCAES, 1997, p. 34).

Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

O contexto histórico de Santa Catarina do século XVIII nos permite compreender o processo de imigração no Vale do Itajaí, iniciado na metade do século XIX, como também entender o processo de produção social, reflexo das mudanças que já vinham ocorrendo há mais de um século, nos países de origem desses imigrantes. Isto tudo para contextualizar a implantação ferroviária no Vale do Itajaí, que ocorreu 60 anos após a chegada dos primeiros imigrantes alemães à região.

No período que antecede a chegada dos primeiros imigrantes ao Vale do Itajaí, a Europa passou por inúmeras revoluções e pela adoção de novas tecnologias. A Província de Santa Catarina era um caminho que ligava as pastagens do Rio Grande do Sul ao planalto paulista e ao território das povoações de Laguna, de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), e de São Francisco do Sul.

O Governo Imperial, na década de 1940 do século XVII, objetivando assegurar sua soberania na costa sul do país até a embocadura do rio da Prata, fez a partir de São Vicente alguns grupos açorianos. Estes, por sua vez, fundaram, em 1645, o povoamento de São Francisco do Sul; um pouco mais tarde, o de Florianópolis e, em 1676, o povoamento de Laguna. (VIDOR, 1995, p. 16).

Em 1766 foi fundada a cidade de Lages, primeiro núcleo de povoação no interior do Estado, sem comunicação com o litoral. Pode-se afirmar, então, que 84 anos antes da chegada dos imigrantes a Santa Catarina, existiam somente as principais povoações litorâneas.

Após a fundação de Lages, a Câmara da Vila de Laguna determinou a abertura de uma estrada que a ligasse ao Planalto, acompanhando o curso do rio Tubarão, hoje conhecida como Estrada do Rio do Rastro.

No século XVIII, Santa Catarina recebeu 4.612 pessoas em 1748, 1.666 em 1749, 860 em 1750 e 679 em 1753, um século antes da chegada dos primeiros imigrantes alemães ao Vale do Itajaí. As pessoas nessa época viviam da agricultura de subsistência, com base na fabricação da farinha de mandioca, da salga do peixe e da pesca de baleias.

Toda a capitania enfrentou, na segunda metade do século XVIII, um período de estagnação, devido ao desempenho da agricultura e dos inúmeros conflitos de fornecimento de produtos às tropas. Relatos de viajantes que aportavam ao litoral catarinense informam que a situação melhorou um pouco no início do século XIX, meio século antes da vinda dos primeiros imigrantes ao Vale do Itajaí. Enquanto isso, na Europa a Revolução Industrial chegava à Alemanha unificada.

Em Santa Catarina, a primeira presença dos imigrantes alemães é registrada a partir de 1829, na Colônia São Pedro de Alcântara, na região do Vale do Imaruí. No Vale do Itajaí é registrada a presença do imigrante a partir do momento em que as leis provinciais estabeleceram colônias nos rios Itajaí Grande e Mirim, bem como passam a permitir a colonização por empresa particular, companhia brasileira ou estrangeira.

"A marcha da revolução industrial foi muito variável entre os países europeus e, em suas fases iniciais estava muito longe de possibilitar ampliação de serviços urbanos numa proporção equivalente à espetacular procura, alimentada por desequilíbrios na vida rural e pela homogênia velocidade de crescimento populacional observada em todos os países europeus." (LAGO, 1968, p. 95).

"Em que pese a diluição de indivíduos imigrados pelas comunidades envolventes e tradicionais, os grupos imigrantes criaram ambientes próprios, decidindo eles mesmos seus destinos e configuração. Isolados numa vasta região de economia praticamente estagnada, onde núcleos antigos se arrastavam, sem contar com fatores de impulsão localizados nos mercados internos ou externos, os colonos criaram e desenvolveram "colônias"." (LAGO, 1968, p. 97).

Um dos principais motivos do incentivo da imigração europeia para o Brasil foi a substituição da mão de obra escrava e o interesse do Estado em criar mecanismos para povoar o território e promover economicamente a exploração da terra, com o intuito de tirar a economia da estagnação.

De acordo com a historiadora Petry (2004), o governo brasileiro, para estimular a vinda dos imigrantes europeus, desenvolveu intensa campanha propagandista. O Brasil vivenciava, nesse tempo, as dificuldades de um país recém-declarado independente, que buscava a sua consolidação política. Era necessário colonizar áreas no Sul do Brasil, como também preencher os grandes vazios demográficos nas regiões de fronteiras, as quais assegurariam a manutenção da integridade geográfica do Império.

Nesse contexto de âmbito mundial, nacional e estadual, chegaram, no dia 2 de setembro de 1850, em uma balsa improvisada, pelo rio Itajaí-Açu, 17 imigrantes alemães, acompanhados de Reinold Gaertner, sobrinho do Dr. Blumenau – pouco menos de 59 anos antes da inauguração da EFSC. Esses imigrantes aportaram às margens do rio Itajaí-Açu, na foz do ribeirão da Velha, munidos de novos hábitos, tecnologias e cultura, para fundar a Colônia Blumenau.

Referências

  1. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2011 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 03 janeiro 2013.
  • WITTMANN, Angelina C. R. - A Ferrovia no Vale do Itajaí - Estrada de Ferro Santa Catarina -Blumenau: Edifurb, 2010. - 304 p.:il.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Colonizado por povos germânicos, o vale guarda na gastronomia, na arquitetura, no folclore, nas danças e festas, os hábitos dos seus ancestrais.

Itajaí é a principal cidade da região. É a cidade com maior PIB per capita da mesorregião. A economia de Itajaí é baseada no porto. Sede do maior porto pesqueiro e frios do País, da maior universidade do Estado e do único píer exclusivamente turístico do Brasil, Itajaí além de ser uma locomotiva financeira e cultural tem um povo belo, muita natureza e é uma das principais cidades de Santa Catarina.

Outra face importante da cidade de Itajaí é a da preservação com pelo menos três parques que protegem a Mata Atlântica da região, abertos para passeios. Próxima a Itajaí, Brusque é outro excelente centro de compras com ênfase em roupas, artigos de cama, mesa e banho. Tem também a cultura alemã preservada e a Fenarreco, em outubro, é outra grande festa da região.

Em Nova Trento, de colonização italiana e cidade onde viveu Madre Paulina, primeira santa brasileira, a religiosidade se confunde com as origens e história do povo e do lugar. No mês de julho, a festa em homenagem a Madre Paulina reúne povos de todas as regiões do país. Os caminhos do vale levam também a Timbó, Indaial, Gaspar, Luiz Alves, Rio do Sul, Apiúna, Rio dos Cedros, com seus lagos em meio às montanhas, à caverna de Botuverá e Ibirama, cenário perfeito para esportes radicais. Lagos e montanhas, em abundância na região, e caverna, propiciam a prática de esportes ligados à natureza.

Conhecida como Maravilha do Atlântico Sul, Balneário Camboriú tem a maior concentração urbana do litoral sul do Brasil no verão. Possui belas praias como a de laranjeiras, infra-estrtutura completa, vários hotéis, pousadas, restaurantes e um teleférico.

Situada num dos trechos mais bonitos do litoral catarinense, Itapema é famosa por suas belas praias e pela infra-estrutura hoteleira de primeiro mundo.

Blumenau é sede da Oktoberfest, maior festa de cultura Alemã fora da Alemanha, que atrai centenas de milhares de visitantes à cidade todos os anos. Blumenau é a maior e mais populosa cidade da região, a segunda cidade mais rica, Itajaí é a primeira. Atualmente (segundo CENSO IBGE 2010) tem 309.214 habitantes.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Cicloturismo no Vale Europeu