Umbanda

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Origem da Umbanda)

A Umbanda é uma religião brasileira que sintetiza vários elementos das religiões africanas, indígenas e cristãs, porém sem ser definida por eles.[1] Formada no início do século XX no sudeste do Brasil a partir da síntese com movimentos religiosos como o Candomblé, o Catolicismo e o Espiritismo. É considerada uma "religião brasileira por excelência" com um sincretismo que combina o Catolicismo, a tradição dos orixás africanos e os espíritos de origem indígena.[2][3]

O dia 15 de novembro, é considerado pelos adeptos como a data do surgimento da Umbanda,[4][5] e foi oficializado no Brasil em 18 de maio de 2012 pela Lei 12.644.[6]

Em 8 de novembro de 2016, após estudos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a Umbanda foi incluída na lista de patrimônios imateriais do Rio de Janeiro, por meio de decreto.[7]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Umbanda" ou "embanda"[8] são oriundos da língua quimbunda de Angola, significando "magia",[3] "arte de curar".[9] Há também a suposição de uma origem em um mantra na língua adâmica cujo significado seria "conjunto das leis divinas"[10] ou "deus ao nosso lado".[5]

Também era conhecida a palavra "mbanda" significando “a arte de curar” ou “o culto pelo qual o sacerdote curava”, sendo que "mbanda" quer dizer “o Além, onde moram os espíritos”.[11]

Após o Congresso de 1941,[12] declarou-se que "umbanda" vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como "o limite no ilimitado", "Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante".[13]

História[editar | editar código-fonte]

Século XVII - Calundu dos escravos[editar | editar código-fonte]

As primeiras comunidades religiosas afro-brasileiras que se tem documentadas, surgiram ainda no século XVII, mais especificamente o ano de 1685.[14] Praticadas pelos escravos, essas comunidades religiosas e suas práticas de culto ficaram conhecidas como Calundu.[15] Os Calundus surgiram a partir das chamadas rodas de batuques, onde os escravos dançavam, tocavam atabaques em seus momentos de folga ao redor das senzalas.[15] Eram ostensivamente perseguidos pelas autoridades civis e pela Igreja Católica.[14] Existia no Calundu o sincretismo entre as crenças africanas, com Pajelança indígena e Catolicismo.[15]

O Calundu vai se dividir em duas vertentes importantes: a Cabula e o Candomblé angola.[16] A Cabula sincretizava as crenças africanas do Calundu com o Catolicismo, Pajelança indígena - sincretismo já existente no Calundu - e Espiritismo Kardecista.[14] Com o crescimento do número de escravos vindos de diversos lugares, o Calundu passa a ser cultuado de forma mais elaborada, dando início ao Candomblé angola, que manteve o ritualismo banto sincretizado com Catolicismo.[16][17]

Com a chegada dos povos nagôs yorubás, ketu, oyós, ijexá, ijebu odé, ibadan e egbás e os daomeanos fons ou jejes que desejavam preservar com mais intensidade os elementos ritualísticos africanos de seus territórios de origem, mas sem deixarem de utilizar o sincretismo católico como forma de se livrarem das perseguições feitas pela própria Igreja Católica e as elites dominantes, surgem as demais linhas do Candomblé, como o Candomblé ketu e o Candomblé jeje.[18] Com o tempo, os templos de Cabula banto que não aderiram aos sincretismos e as influências jejê-nagô existentes na sua versão fluminense, passam a dar origem aos terreiros de Umbanda Angola e Almas e Umbanda Omolokô.[14]

Século XVII a XIX - A Cabula[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cabula

Muitos estudiosos remontam as origens da Umbanda, de forma prática, nos rituais dos antigos centros de Cabula, conhecidos popularmente como Macumba já existentes desde o século XVIII.[19] Populares no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia, os terreiros de Cabula, tal como a Umbanda, sincretizava rituais africanos com Catolicismo, Espiritismo Kardecista e crenças indígenas.[20] Zélio Fernandino de Morais adaptou os rituais da Macumba sob uma roupagem espírita kardecista.[19] Posteriormente, a Cabula foi absorvida pela Umbanda. Os terreiros de Umbanda das zonas rurais e periferias de zonas urbanas, conhecidas como Umbanda Popular, descendem de tais terreiros de Cabula.[20] Alguns ritos umbandistas como Omolokô, Almas e Angola também surgiram a partir dos terreiros de Cabula apesar de terem uma influência mais forte do Candomblé.[20] A Cabula se dividiu em dois grupos principais:

Cabula bantu[editar | editar código-fonte]

Surgiu no século XIX, em Minas Gerais e na Bahia e é uma das descendentes diretas dos Calundus praticados pelos escravos.[21] Se espalhou pelos estados do Espírito Santo, onde sofreu perseguição da Igreja Católica até o início do século XX.[21] A Cabula banto sincretizava o Calundu, com toda sua raiz africana de origem banto, com elementos do Catolicismo, Espiritismo Kardecista e crenças indígenas.[21]

Macumba popular[editar | editar código-fonte]

Surgiu no final do século XIX, no Rio de Janeiro e se espalhou rapidamente em São Paulo e Espírito Santo.[22][23] Era altamente sincretizada. Era a Cabula, com seu sincretismo de ritualismo africano de origem banto, elementos do Catolicismo, crenças indígenas e Espiritismo Kardecista.[23] A diferença é que no Rio de Janeiro a Cabula recebeu influências do ritualismo e práticas jejê-nagô e do esoterismo europeu através de publicações como O Livro de São Cipriano da Capa Preta.[23] Tanto no Rio de Janeiro, como em São Paulo e no Espírito Santo, a Macumba agregava em si elementos religiosos dos mais variados tipos e origens como as crenças já populares no Brasil, as luso-brasileiras, as árabes, as francesas, as ciganas, as hebraicas e tantas outras oriundas de várias partes do mundo.[23] A Macumba era altamente sincrética ao agregar em si diversas concepções religiosas.[23] A Macumba possuía uma grande diversidade ritualística entre os seus terreiros.[23]

Por conta de seu sincretismo, era frequentada por parte da elite como também pelas classes menos favorecidas e pessoas de diversas religiões e origens.[24][23] O jornalista João do Rio falará a respeito disso:[25]

A Macumba se dividirá em dois grupos principais: um atrelado ao Espiritismo Kardecista, que irá abolir várias práticas consideradas primitivas e selvagens, como o sacrifício de animais e o uso de atabaques e o outro grupo que continuará com o seu curso normal, porém que serão relegados à marginalidade pela classe elitista.[15] O primeiro grupo dará origem à Umbanda branca e demanda, de Zélio Fernandino de Moraes e o segundo grupo será conhecido como sendo Umbanda popular.[15]

Zélio Fernandino e o anúncio da Umbanda[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1907[26]/1908 (15 de novembro de 1908)[5] (as fontes divergem quanto à data precisa), um jovem chamado Zélio Fernandino de Morais, prestes a ingressar na Marinha, passou a apresentar comportamento estranho que a família chamou de "ataques". O jovem tinha a postura de um velho dizendo coisas incompreensíveis, em outros momentos se comportava como um felino.[27] Após ter sido examinado por um médico, este aconselhou a família a levá-lo a um padre, mas Zélio foi levado a um centro espírita. Assim, no dia 15 de novembro, Zélio foi convidado a se sentar à mesa da sessão na Federação Espírita de Niterói,[26][5] presidida na época por José de Souza[5] .

Incorporou um espírito, se levantou durante a sessão e foi até o jardim para buscar uma flor e colocá-la no centro da mesa, contrariando a regra de não poder abandonar a mesa uma vez iniciada a sessão. Em seguida, Zélio incorporou espíritos que se apresentavam como negros escravos e índios. O diretor dos trabalhos alertou os espíritos sobre seu atraso espiritual, convidando-os a sair da sessão quando uma força tomou conta de Zélio e disse:[28]

Ao ser indagado por um médium ele respondeu:[28]

A respeito de sua missão, assim anunciou:[30][5]

No dia seguinte, na residência da família de Zélio, na Rua Floriano Peixoto, nº. 30, no bairro Neves, reuniram-se os membros da Federação Espírita, visando comprovar a veracidade do que havia sido declarado[31] pelo jovem. Novamente incorporou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que declarou que os velhos espíritos de negros escravos e índios de nossa terra poderiam trabalhar em auxílio do seus irmãos encarnados, não importando a cor, raça ou posição social.[5] Assim, neste dia fundou o primeiro terreiro de umbanda chamado de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.[26]

O espírito estabeleceu normas como a prática de caridade, cuja base se fundamentaria no Evangelho de Cristo e seu nome "Allabanda",[32] substituído por "Aumbanda", e posteriormente se popularizando como "Umbanda".[31]

Período intermediário: tentativas de unificação e rupturas na Umbanda[editar | editar código-fonte]

Ala anti-africanista: a formação da União Espírita de Umbanda do Brasil[editar | editar código-fonte]

No ano de 1918, fundaram-se sete tendas para a propagação da Umbanda: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia, Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, Tenda Espírita Santa Bárbara, Tenda Espírita São Pedro, Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge e Tenda Espírita São Gerônimo. Até a morte de Zélio em 1975, mais de 10.000 templos foram fundados além destes iniciais.[33]

Em 1939 com o objetivo de acabar com polêmicas e na tentativa de uma unificação foi criada a União Espírita de Umbanda do Brasil.[34] A partir desse momento, somente as práticas que seguiam os fundamentos propostos pelo Caboclo Sete Encruzilhadas passaram a ser consideradas como umbandistas.[35]

Em 1940, o escritor Woodrow Wilson da Matta e Silva apresentou a Umbanda como ciência e filosofia, criando então a Escola Iniciática da Corrente Astral do Aumbhandan, a "Umbanda Esotérica" na Tenda Umbandista Oriental, em Itacuruçá, no Rio de Janeiro.[36]

Em 1941 a UEUB organizou sua primeira conferência, o I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda[37] como forma de tentar definir e codificar a Umbanda como uma religião em direito próprio e como uma religião que une todas as religiões, raças e nacionalidades. A conferência também promoveu uma dissociação das tradições afro-brasileira.[12] Os participantes concordaram em fazer uso das obras de Allan Kardec como fundação doutrinária da Umbanda, ao mesmo tempo que se dissociavam das outras tradições religiosas afro-brasileiras.[38] Ainda assim, os espíritos fundadores da Umbanda, os Caboclos e os Preto Velhos ainda foram mantidos como espíritos altamente evoluídos.

Em termos gerais, os participantes do Congresso se esforçaram em legitimar a Umbanda como uma religião altamente evoluída, por exemplo, afirmando que a Umbanda já existia como uma religião organizada há bilhões de anos,[carece de fontes?] estando então à frente de todas as outras religiões. Como parte desses esforços em definir a Umbanda como uma religião original e altamente evoluída, os participantes procuraram remover suas raízes africanas e afro-brasileiras, rastreando a origem da Umbanda até o Oriente,[carece de fontes?] de onde supostamente se espalhara para Lemúria[39] e subsequentemente para a África. No continente africano, a Umbanda teria se degenerado em fetichismo,[38] e nessa forma foi trazida ao Brasil pelos escravos.[40] A influência africana na Umbanda não foi de todo rejeitada. No entanto, a sua importância sofreu devido a percepções de corrupção da tradição religiosa original, como uma fase de retrocesso em sua evolução; a Umbanda foi exposta ao barbarismo na forma de costumes vulgares e praticada por pessoas com "costumes rudes e defeitos psicológicos e étnicos"[41] Outra forma de lidar com o caráter africano da Umbanda foi exposto na compreensão que se originou na África, porém na África Oriental (Egito), sendo então da parte mais "civilizada" do continente.[42]

Um dos objetivos da conferência foi então rastrear as raízes "genuínas" da Umbanda até o Oriente; a invenção das raízes orientais juntamente com a rejeição das africanas foi refletida na definição do termo "umbanda", que é de outro modo geralmente acreditado ser derivada do idioma Banto. Declarou-se que "umbanda" vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como "o limite no ilimitado", "Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante".[13][12].

A partir da década de 1950, os setores mais humildes da população umbandista composta por negros e mulatos começaram a contestar o distanciamento da Umbanda das práticas africanas. A "umbanda branca" se opunha à tendência de recuperar os valores africanos presentes na religiosidade popular.[43]

O segundo congresso ocorreu em 1961 evidenciando o crescimento da religião que teve sua imagem reconstruída pela imprensa, milhares de devotos compareceram ao Maracanãzinho com representantes de vários estados e a presença de políticos municipais e estaduais.[43] O jornal O Estado de S. Paulo noticiou a realização do congresso no Rio de Janeiro afirmando que a "preocupação central do Congresso parece ser a elaboração de um código que orientará a feitura de uma Carta Sinódica da Umbanda". No mesmo ano, o jornal Diário de S. Paulo publicou uma grande reportagem com o título "Saravá meu Pai Xangô, Saravá Mamãe Oxum", onde o jornalista descreve uma "sessão assistida pelos repórteres a convite do deputado gaúcho Moab Caldas".[44]

Ala pró-africanista: a formação da Federação Umbandista de Cultos Afro-Brasileiros[editar | editar código-fonte]

Em 1950, em resposta às perseguições que os terreiros sofriam por parte das autoridades civis bem como em resposta ao projeto de "embranquecimento" da Umbanda pregada pela União Espírita de Umbanda do Brasil, o pai-de-santo Tancredo da Silva Pinto liderou o movimento que deu origem à Federação Umbandista de Cultos Afro-Brasileiros.[45] A federação visava organizar e dar maior representatividade aos terreiros que sofriam preconceito por conta de seus ritos afro-brasileiros.[46][45]

A federação, que nasceu no Rio de Janeiro, promoveu várias ações e eventos religiosos bem como se expandiu para os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco.[47] Defensora tenaz das origens africanas da Umbanda em contraposição ao grupo que pregava uma Umbanda com forte ênfase no kardecismo.[47][45]

Fracasso das tentativas de unificação e os terreiros independentes[editar | editar código-fonte]

Mesmo após as tentativas de unificação, nas décadas de 40, 50 e 60 ainda existiam inúmeros terreiros no Rio de Janeiro não vinculados à União Espírita de Umbanda do Brasil, principalmente por discordarem das normativas propostas pela federação e por serem consideradas atividades isoladas. Também não eram vinculadas à Federação Umbandista de Cultos Afro-Brasileiros. Estes terreiros realizavam práticas ritualistas sob a denominação de Umbanda, por exemplo a Tenda Espírita Fé, Esperança e Caridade e Pai Luiz D'Ângelo, praticante do segmento Umbanda de Almas e Angola.[5]

Consolidação perante a opinião pública[editar | editar código-fonte]

No terceiro congresso realizado em 1973[48] a Umbanda afirmou-se em definitivo como uma religião expressiva no campo das atividades assistenciais, além dos centros onde ocorriam as atividades espirituais, a religião contava com escolas, creches, ambulatórios etc articuladas em torno da missão de promover a caridade e a ajuda.[49]

Na década de 1980 a Umbanda teve seu auge ao ser declarada como religião de muitas personalidades como os cantores Clara Nunes, Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Baden Powell, Bezerra da Silva, Raul Seixas, Martinho da Vila entre outros.[50]

Na década de 1990 a Umbanda e outras religiões de matrizes africanas foram alvo do crescente neopentecostalismo brasileiro. Em 2003, foi fundada a Faculdade de Teologia Umbandista (FTU), mantida pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino[51] fundada em 1970 por Francisco Rivas Neto, na Água Funda, São Paulo.[52]

Discussões a respeito do início da Umbanda[editar | editar código-fonte]

Apesar de a Umbanda ter sido anunciada por Zélio Fernandino de Moraes e seu guia espiritual Caboclo Sete Encruzilhadas, não foi a sua vertente que se tornou popular no Brasil.[53] A Umbanda se popularizou através de sua raiz africanista encontrada na Cabula do Rio de Janeiro, também conhecida como Macumba.[54][53] Muitos estudiosos defendem que a raiz da Umbanda precede ao anúncio de Zélio e que o mesmo teria incorporado elementos das religiões afro-brasileiras à um ritual com características espíritas kardecistas.[54]

No ritual de Zélio, alguns elementos mais africanizados como o uso de atabaques, a prática do sacrifício animal ritualístico, manifestações de exus e pomba-giras e outros mais foram suprimidos.[54] Tal processo foi chamado de "embranquecimento" da Umbanda, visto que tal prática tornava a Umbanda mais palatável aos costumes das classes alta e média do Rio.[54] Os terreiros, principalmente os terreiros de Umbanda popular, do ritual Almas e Angola, do Omolokô e da Umbanda traçada, praticados por pessoas de classe baixa e situados nas comunidades, nas zonas rurais e favelas continuaram com as práticas africanas mais próximas às práticas da Macumba antiga e, consequentemente, do Candomblé.[54]

Um dos grandes proponentes ao retorno da Umbanda às suas raízes africanas foi o, já citado, escritor e pai-de-santo Tancredo da Silva Pinto.[54]


Crenças e práticas[editar | editar código-fonte]

Pai Zezinho de Ogum, pai de santo do terreiro Tenda Espírita Vovó Maria Conga de Aruanda, a primeira instituição cadastrada no mapa de terreiros de Umbanda do Rio de Janeiro
Tenda Espírita Vovó Maria Conga de Aruanda, no Estácio, que foi a primeira instituição cadastrada no mapa de terreiros de Umbanda da cidade do Rio de Janeiro

A Umbanda pode ter várias vertentes com práticas diversas, nomeadas de diferentes formas[55] como Umbanda Tradicional, Primado de Umbanda, Umbanda de Nação ou Umbanda Mista, Umbandomblé, Umbanda Esotérica, Umbanda Astrológica, Umbanda Sagrada, Umbanda da Magia Divina, Umbanda Omolocô, Umbanda Crística, etc.[56][57] Essas diferentes vertentes partilham o culto a entidades ancestrais e a espíritos associados a divindades diversas, que podem pertencer ao Catolicismo, a cultos africanos, hindus, árabes entre outros.[56] Apesar de diferentes vertentes existem alguns conceitos encontrados que são comum a todas, sendo estes: [58][59][60]

Também se fundamentam na obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como a fraternidade, a caridade e o respeito ao próximo.[58] Além desses preceitos também estão a necessidade da prática mediúnica como por exemplo servindo de "aparelho" (o medium) para viabilizar a comunicação entre espíritos e Orixás com os seres humanos.[62]

A antropóloga brasileira Patrícia Birman falará o seguinte a respeito da diversidade de crença dentro da Umbanda e a unidade doutrinária na diversidade:[63]

Ritos[editar | editar código-fonte]

Os rituais da Umbanda visam evocar o Orixá ancestral e toda sua hierarquia composta por Orixás menores, Guias e Protetores.[64] Os rituais não têm forma ou modo definido de modo que variam de casa para casa e estão subordinados às decisões de cada Pai-de-santo e cada entidade protetora do terreiro.[65]

O local onde se dá as celebrações e o atendimento do público é geralmente uma casa denominada por tenda que contém um terreiro e um salão apropriado para sessões.[66]

Alguns termos e rituais comumente mencionados:

  • Giras, é como são chamadas as sessões onde se reúnem os espíritos de várias categorias, as giras podem ser festivas, de trabalho ou de treinamento.[67]
  • Bater cabeça, é como é chamado o ato de prostração, a reverência dada ao chefe do terreiro, por exemplo.[68] O contexto desse gesto varia de terreiro para terreiro, sendo unânime que seja feito antes da defumação.[69]
  • Defumação, é usada para purificar o ambiente, através do seu aroma desfaz no ambiente todo o negativo expulsando os espíritos trevosos.[70]
  • Passe, é o gesto de imposição de mãos presente também no kardecismo[71]
  • Pontos riscados são diagramas desenhados no chão como ângulos, retas, símbolos representativos, desenhos geométricos, pontos cardeais, etc representando a assinatura do Guia[72]
  • Pontos cantados são as músicas e cantos entoados como forma de louvor ou invocação.[69]
  • Oferendas são a prática de dispor comida ritual e objetos específicos[69] nos templos ou locais ao ar livre, em dias e para fins especiais. As oferendas são agradecimentos aos Guias e Orixás.[69] As vertentes com mais influência dos cultos africanos como a Umbanda de Nação se utiliza de ebós que são para finalidades próprias como reequilibrar aspectos da vida da pessoa,[73] porém, diferente de alguns cultos africanos, a maioria dos terreiros de Umbanda não se utilizam do sacrifício de animais.[56][74][75] Mesmo assim alguns terreiros de linhas mais africanizadas o fazem, principalmente os dos rituais Almas e Angola e Omolokô, por exemplo.[76][77]
  • Descarrego é o nome dado a rituais para limpeza espiritual ou livrar-se de cargas negativas, podem ser banhos com ervas especiais[78] como a Guiné,[79] Espada-de-ogun[72] etc ou rituais como a Roda de fogo" que usa pólvora.[80]
  • Batismo, como ocorre em muitas outras religiões, só pode ser realizado por líderes religiosos, no caso o Babalorixá ou a Ialorixá.[81]

Entidades[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Linhas de Trabalho na Umbanda

Os espíritos (entidades) que trabalham na Umbanda são organizados em linhas e falanges (legiões) de uma forma quase militar. Cada linha está sob a direção de uma deidade africana ou Orixá ou Orisha, enquanto os nomes e configurações exatas variam dentro da Umbanda, eles são em sua maioria compostos a partir de divisões étnicas, por exemplo, "Povo de Moçambique", "Legião de Tupi-Guarani". Em geral, os espíritos nos rituais da Umbanda se enquadram nas seguintes categorias:[82]

  1. Caboclos, espíritos indígenas, como o Sete Encruzilhadas
  2. Pretos Velhos, os espíritos de velhos escravos brasileiros
  3. Exus, mensageiros dos orixás; entidades mais próximas dos humanos, protegendo as suas estradas, caminhos.
  4. Pomba Giras, entidades da linha da esquerda com hierarquia própria.
  5. Crianças.

Todas os acima são chamados de "espíritos de luz" porque trabalham para o bem, há também os espíritos banidos da Umbanda que são ditos trabalharem para o lado obscuro, dentro da Quiumbanda, um tipo de oposto negativo da Umbanda.[82]

Sincretismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Orixá

Os Orixás, na cultura yorubá, são divindades associadas ao panteão africano. Etimologicamente, em tradução livre, Orixá significa "a divindade que habita a cabeça" (em iorubá, Ori é cabeça e é rei, divindade).[83] Os orixás se relacionam com os elementos da natureza sendo interpretados como manifestações da mesma.[83] São considerados como manifestações e qualidades de Deus.[83] Por conta da diversidade que existe na Umbanda, a interpretação sobre o que significam os Orixás variará de linha doutrinária para linha doutrinária, de terreiro para terreiro.[83]

É de se atentar que alguns terreiros possuem outros tipos de influência. Os terreiros mais próximos doutrinariamente do Espiritismo Kardecista, não cultuam os orixás ou entidades similares.[45] Alguns terreiros, com influência gêge e angola, podem cultuar os voduns e inquices respectivamente. Pode ocorrer a mescla entre os tipos de divindades dependendo da tradição do terreiro.[45]

O número total de entidades pode variar de terreiro para terreiro, de linha doutrinária para linha doutrinária. O sincretismo com os santos católicos passa por grande variação, contudo essa mudança ocorre com mais frequência de região para região. Existem duas grandes vertentes de sincretismo: a da Bahia e a do Rio de Janeiro.[45]

A grande maioria dos terreiros de Umbanda seguem os orixás iorubá de forma semelhante ao Candomblé Ketu[84] e sincretizam os orixás iorubá com os santos católicos traçando as qualidades dos orixás e suas semelhanças com os santos.[84]

Orixá Sincretismo católico correspondente
Olorum/Olodumarê Deus
Obatalá Deus-Pai
Oxalá Jesus Cristo
Orumilá/Ifá Espírito Santo
Oxóssi São Sebastião (Rio de Janeiro)

São Jorge (Bahia)

Iemanjá Nossa Senhora da Glória (Rio de Janeiro)

Nossa Senhora dos Navegantes (Bahia)

Logunedé Santo Expedito
Ogum São Jorge (Rio de Janeiro)

Santo Antônio (Bahia)

Obá Santa Joana D'Arc
Exu Santo Antônio
Xangô São João Batista
Nanã Sant'Ana
Oxumaré São Bartolomeu
Ibeji/Yori São Cosme e Damião
Ossaim São Roque
Omulu/Obaluaiê/Xapanã/Yorimá São Lázaro
Iansã Santa Bárbara
Oxum Nossa Senhora da Aparecida
Euá Santa Luzia

Devido a grande diversidade existente na Umbanda, existem alguns terreiros com influência dos cultos mina-gegê e congo que seguem os orixás dessas respectivas culturas.[85] Os cultos de mina-gegê, de forma semelhante do Candomblé Jeje, denominam seus orixás de voduns.[85] Os de rito congo, de forma semelhante ao Candomblé Angola, denominam seus orixás de inquices.[85] Variam-se os nomes dependendo da casa.[85] O sincretismo católico segue o mesmo que os orixás iorubá.[85]

A nação do congo pratica rituais muito parecidos com os de mina-gegê. Apesar de vários de seus orixás serem denominados de forma diferente, as entidades possuem o mesmo nome em algumas ocasiões.[85]

Orixá iorubá Vodum mina-gegê correspondente Inquice congo correspondente
Olorum Zambi
Exu Legbá Bombojira (masculino)

Panjira (feminino)

Ogum Roximucumbi
Oxóssi Aguê Kibuco Motolombo
Omulu/Obaluaiê/Xapanã/Yorimá Azoani/Sakpate Kingongo
Xangô Sobô/Badê Zaze
Oxum Aziri Kissimbi
Oxalá Oliassassa Lemba Di Lê
Iemanjá Dandalunda
Nanã Rodialonga
Yansã Kaoingo
Ossaim Katende
Demais orixás Seguem os mesmos orixás e sincretismo do culto iorubá quando cultuados.

Hino[editar | editar código-fonte]

Originalmente com o título de Refletiu a Luz Divina, tem autoria atribuída a José Manoel Alves. No Segundo Congresso Nacional de Umbanda, em 1961 no Rio de Janeiro, a música foi oficialmente reconhecida como o Hino da Umbanda.[86]


Refletiu a luz divina
Em todo seu esplendor
É do Reino de Oxalá
Onde há paz e amor
Luz que refletiu na Terra
Luz que refletiu no Mar
Luz que veio de Aruanda
Para tudo iluminar
Umbanda é paz e amor
Um Mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
E a grandeza nos conduz
Avante filhos de fé
Como a nossa lei não há
Levando ao mundo inteiro
A bandeira de Oxalá.
[carece de fontes?]

Organização[editar | editar código-fonte]

Espaço físico[editar | editar código-fonte]

Vista de um Congá
Ver artigo principal: Templo de Umbanda

A parte física de um terreiro de umbanda contém seis elementos fundamentais: [87]

  • Assentamento
  • Pegi ou Peji
  • Congá
  • Porteira ou Tronqueira
  • Cruzeiro das Almas ou Casa das Almas[88]

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Maria da Guia, médium do terreiro Tenda Espírita Vovó Maria Conga de Aruanda

A hierarquia na Umbanda pode variar dependendo da quantidade de membros de modo que pode se dividir em um grupo administrativo e grupo espiritual[89][90][91] além de variar de acordo com o tipo de Umbanda (de nação, Esotérica etc).

Os templos de Umbanda não possuem uma uniformidade quanto às hierarquias, pois sendo diversificada tanto quanto na ritualística seus títulos e cargos podem ser variados entre si.[92] A linha de nagô é a mais comum, existindo muitas variações dessa.[92]

Birman vai dizer o seguinte a respeito da fluidez organizacional da Umbanda:[93]

Contudo, segue abaixo as divisões hierárquica catalogadas, registradas e apresentadas por Tancredo da Silva Filho[94]:

Linha de nagô[nota 2][94][editar | editar código-fonte]

  • Sacerdote (Babalorixá/Pai-de-santo)[92] e Sacerdotisa (Yalorixá/mãe-de-santo)[92] : responsáveis por toda a atividade espiritual que ocorre no terreiro, como iniciar, conduzir e encerrar as giras e estabelecer as ordens e doutrinas passadas pelo astral.[92]
  • Yaô (Pai Pequeno e mãe pequena): responsáveis na ausência dos pai ou mãe, têm os mesmos ensinamentos e participam de todos os rituais.[92]
  • Abiã ou assistência: são as pessoas que começam a frequentar o terreiro sem que sejam iniciadas.[92]
  • Yabacê ou cozinheiro(a) de santo: é o/a yaô encarregado de preparar as comidas ritualísticas. Na Umbanda, apesar de ser um cargo não muito comum na maioria dos terreiros, o trabalho é bem mais simples que no Candomblé.[92]
  • Ogãs
    • Ogã Axogum (Ogã de corte ou Mão de faca): é o ogã que tem o poder da mão de faca, ou seja, é quem tem a autorização perante o pai/mãe-de-santo e dos Orixás para realizar qualquer matança (sacrifício de animais).[92] Não são todos os terreiros de Umbanda que possuem tal função, pois muitos deles não aceitam a imolação (sacríficio) animal.
    • Ogã Alabê (Yatabaxê, curimbeiro ou atabaqueiro): responsável pela curimba e instrutor dos toques de atabaques.[95][92] É também responsável por tocar e cantar os pontos cantados nas giras além do ensino a novos ogãs.[92]
  • Filhos de santo (Médiuns)[92]
    • Médium iniciante: médiuns que ainda não incorporam, sendo às vezes colocados como cambonos até adquirirem experiência.
    • Médium em desenvolvimento: médiuns em processo de desenvolvimento.
    • Médium de trabalho: médiuns que prestam consultas nas giras de atendimento e já passaram por todos os preceitos e obrigações (batismo, amaci e coroação).
    • Cambono: médium designado a auxiliar a entidade trabalhando como um intérprete entre a entidade e o consulente.[92]

Linha de angola[94][editar | editar código-fonte]

  • Otata: sacerdote chefe do terreiro.
  • Otata ti inkice: o sacerdote que "faz" o santo.
  • Mamêto: mãe de inkice/mãe-de-santo.
  • Muzenza: filha de santo, no gonzemo (santuário).
  • Sarapabé: cambono.

Linha de Omolokô[94][editar | editar código-fonte]

  • Tata: sacerdote-chefe do terreiro.
  • Ganga: sacerdote.
  • Ginja: sacerdotiza.
  • Macóta: ajudante do ganga.
  • Macamba: filho do terreiro feito.
  • Camba: adepto/assistência.
  • Cóta: zeladora do santo.
  • Ogãs
    • Ogã colofé: ogã de confiança.
    • Ogã de atabaque: ogã de tambor.
    • Ogã do terreiro: ogã responsável pelo terreiro.
  • Samba: dançarina sagrada.
  • Cambone: auxiliar, com os nomes de cambono de ebó e cambono de gira.
  • Iabá: cozinheira ritualística.

Linha de Cambinda[94][editar | editar código-fonte]

  • Ganga: sacerdtore-chefe do terreiro.
  • Tata: sacerdote.
  • O restante: igual a Linha de Omolokô.

Linha de Gêge[94][editar | editar código-fonte]

  • Vodúno: o sacerdote chefe.
  • Vodunci: filha de santo.

Linha de Cáritas[nota 3][94][editar | editar código-fonte]

  • Embanda: o chefe.
  • Cassuêto: médium mais desenvolvido.
  • Tempo-cassuêto: médium a se desenvolver.
  • Cambone: ajudante, que abre e fecha a gira.
  • Ogã: o que canta e tira os "pontos".

Ramificações[editar | editar código-fonte]

A Umbanda possui algumas ramificações, caracterizadas por diferenças em rituais, métodos, hierarquia, etc. Mesmo pertencendo a um mesmo grupo, estudiosos concluem que a religião é extremamente diversificada sendo quase impossível encontrar um terreiro totalmente semelhante ao outro. Apesar disso, existem algumas ramificações conhecidas.[96] Originalmente, a Umbanda surgiu a partir da Cabula. Simultaneamente surgiram quatro vertentes: Umbanda popular, Umbanda branca e demanda, Umbanda Almas e Angola e Umbanda Omolokô. Todavia, considera-se a vertente iniciada por Zélio Fernandino de Moraes como sendo a primeira.

Entre as vertentes mais conhecidas estão:[97][83]

  • Umbanda branca e demanda:[nota 4] é uma das primeiras vertentes da Umbanda, tendo sido iniciada por Zélio Fernandino de Morais e pela ala elitista da Macumba do Rio de Janeiro que tinha a intenção de retirar da mesma os elementos considerados como primitivos e selvagens.[99] Se baseia nos princípios da caridade e da fraternidade.[100] É fundamentada em três entidades iniciais que são os Caboclos, os Preto-Velhos e as Crianças. Os Exus são tidos como protetores do terreiro.[101] Não há giras de exus e os mesmos não dão consultas.[101] Originalmente, esta vertente não é adepta das práticas africanas, porém usam guias, fumo, defumadores e etc.[102] Vinculada aos princípios espíritas codificados por Allan Kardec. Os pontos são cantados a cappella sem palmas.[101][103] Uma das primeiras vertentes de Umbanda, sendo considerada por muitos como sendo a primeira, é uma reformulação dos rituais da Macumba/Cabula sob uma visão influenciada pelo Espiritismo Kardecista, mas não se atendo a este.[104][105]
  • Umbanda popular:[nota 5] é uma das primeiras vertentes da Umbanda, sendo a mais popular e aberta a sincretismos.[99] Sua origem se encontra nas antigas casas de macumba dos morros e comunidades do Rio de Janeiro que mantiveram seus rituais originais. Utiliza-se de ritos africanos, católicos romanos, espíritas kardecistas e feitiçaria. É a vertente mais flexível em termos ritualísticos e de costumes.[107] Foi relegada à marginalidade pelos umbandistas mais elitistas que rejeitavam os rituais mais africanizados.[99]
  • Umbanda de almas e angola: é uma das primeiras vertentes da Umbanda.[108] Sua origem se encontra nas antigas casas de cabula banto e se utiliza, principalmente, de ritos africanos banto.[83][108]
  • Umbanda omolocô: é uma das primeiras vertentes da Umbanda, tendo seu culto sistematizado através dos ensinamentos de Tata Tancredo da Silva Pinto.[108] Sua origem se encontra nas antigas casas de cabula banto sendo um culto africanista aos Orixás, aos guias e Linhas da Umbanda bem similar e próximo ao Candomblé.[54][53][45][108]
  • Umbanda de cáritas[nota 6][109][94]: possui influência do Espiritismo com doutrinas baseadas na conduta kardecista.[110]Não trabalha com Exús, pombo-giras nem se utilizam de fumo, álcool, pontos cantados e atabaques.[102][83] [110]Nessa vertente não existe culto aos Orixás. O sincretismo com santos católicos são mantidos[110] [102] Tais centros levam esse nome porque abrem as suas reuniões com a Prece de Cáritas.[94]
  • Umbanda de caboclo: tem influência da cultura indígena brasileira, trabalhando com Caboclos. Não trabalha com orixás.
  • Umbanda esotérica: seu maior difusor foi W.W. da Matta e Silva (Mestre Yapacany), considerada como um conjunto de leis divinas.[111]
  • Umbanda iniciática: derivada da Umbanda esotérica, foi fundada por Pai Rivas (Mestre Umbanda Yamunisiddha Arhapiagha), com influência Iniciática oriental,como uso de mantras indianos e do Sânscrito e também do Candomblé Queto.[112][113]
  • Umbanda Sagrada: é a vertente iniciada a partir dos ensinamentos transmitidos por Rubens Saraceni, através de psicografias ditadas por Pai Benedito de Aruanda no início da década de 90.[114] A partir dessa linha surgiu a Associação Umbandista e Espiritualista do Estado de São Paulo e o Curso de Teologia Umbandista (1996). Além das práticas religiosas tradicionais da Umbanda, a vertente também incorpora elementos da espiritualidade oriental.[114] Apesar de ser mais forte no estado de São Paulo, é bem difundida e divulgada no país inteiro através de seus cursos, aulas e vídeos na internet.[114]
  • Umbanda traçada[nota 7]: são terreiros caracterizados pela influência mais acentuada do Candomblé.[115][116]
  • Umbandaime: é o sincretismo entre Umbanda e Santo Daime.[117]

Mesmo pontuando tais linhas, de acordo com estudiosos da área, cada terreiro possui sua tradição com modalidades demasiadamente diferenciadas entre si, correspondendo assim apenas a uma parcela dos participantes dessa religião.[118] A Umbanda é extremamente aberta e diversificada, apesar de ter seus princípios e bases religiosos.[118]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Era Vargas até a década de 1950[editar | editar código-fonte]

Assim como outras religiões afro-brasileiras, a Umbanda sofreu repressão política durante a era Vargas até o início de 1950. Uma lei de 1934 colocava estas religiões sobre a jurisdição do Departamento de Tóxicos e Mistificações da polícia de modo que era preciso um registro especial para funcionarem. Durante esses anos vários grupos se mantinham na clandestinidade ou quando se registravam, procuravam omitir suas ligações ou inspirações africanas se registrando como sendo apenas "espiritistas".[119] Essa omissão ou "desafricanização"[120] que rejeitava as influências das religiões africanas foi estabelecida mais claramente no I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda realizado em 1941, que definiu entre outros aspectos, que a raiz da Umbanda provinha de antigas religiões e filosofias da Índia.[121][122] Roger Bastide argumentou que o Espiritismo "branqueia" ou "europeniza" a Umbanda, distorcendo suas raízes africanas.[123]

Protestantismo neopentecostal[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a Umbanda e demais religiões de matrizes africanas sofrem com a intolerância religiosa,[124] sendo as religiões neopentecostais ditas Renovadas de maior intolerância em relação à Umbanda, ao Candomblé e ao Kardecismo.[125]

Em 1997, o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, lançou seu livro "Orixás, Caboclos e Guias - Deuses ou Demônios?" que se tornou leitura obrigatória para evangelicalistas pentecostais, neopentecostais e até mesmo tradicionais.[126] O livro relaciona a religião ao Satanismo fundamentando as práticas de exorcismo praticado em sua religião.[126]

Em 2005, a Justiça Brasileira determinou a retirada de circulação de todos os exemplares do livro por conta de seu teor preconceituoso contra as religiões afro-brasileiras.[127][128] Mas, um ano depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região liberou a venda com a justificativa de que a proibição contrariava o princípio da liberdade de expressão, garantido pela Constituição Federal Brasileira.[129]

Ala tradicionalista do Candomblé[editar | editar código-fonte]

Alguns candomblecistas radicais criticam a Umbanda por considerá-la superficial e desconhecer os ritos mais profundos dos cultos aos Orixás, além de criticarem a Umbanda por não separar o culto dos espíritos do culto às entidades, já que o Candomblé considera os Orixás e deuses como sendo mais puros e de energia mais primordial e que, desse modo, não podem ser maculados pela energia dos espíritos que viveram na Terra.[56]

Elogios e Honrarias[editar | editar código-fonte]

O Encanto dos Orixás[editar | editar código-fonte]

O teólogo católico Leonardo Boff, em seu texto "O Encanto dos Orixás", enaltece a religião dizendo que a Umbanda representa a verdadeira brasilidade ao misturar em si as raízes africanas, europeias e indígenas além de colocar em primeiro plano os conselhos dos mais humildes e marginalizados.[130] O teólogo pega emprestado o título do livro escrito pelo diplomata e político brasileiro Flávio Miragaia Perri, que se tornou umbandista após conhecer melhor a religião e sua dinâmica. O diplomata escreveu outros livros acerca do tema.[130]

Comunidade LGBTQIA+[editar | editar código-fonte]

A Umbanda é reconhecida e elogiada pela sua abertura à diversidade sexual. Homens e mulheres homossexuais, bissexuais, heterossexuais, transexuais são acolhidos em suas diferenças sem nenhuma distinção.[131] Nos terreiros com maior influência do Candomblé, homens e mulheres podem exercer papéis diferentes, mas com dignidade e importância igual.[131] Outro ponto importante é o fato de pessoas não-heterossexuais terem a possibilidade de tornarem-se pais ou mães de santo, médiuns, cambonos, ogãs e assim por diante sem nenhuma distinção. Muitos casais homossexuais casam-se religiosamente pelas mãos de sacerdotes umbandistas.[131]

Patrimônio imaterial[editar | editar código-fonte]

Em 2016, após os estudos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a Umbanda se tornou um dos patrimônios imateriais do Rio de Janeiro.[132] O estudo reconheceu a importância da cultura sincrética afro-indígena brasileira, o sincretismo religioso como mola propulsora de vários aspectos sociais de grande impacto socio-cultural.[132]

Além disso, o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) está em processo de reconhecimento de vários terreiros de Umbanda como patrimônios históricos em todo o estado do Rio de Janeiro.[133]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Nos terreiros marcadamente influenciados pelo Catolicismo, Deus continua sendo representado pela Santíssima Trindade. Neste caso, a Trindade é representada por Olorum sendo a comunhão entre o Pai, neste caso Obatalá; o Filho Jesus Cristo, neste caso Oxalá; e Espírito Santo, representado por Ifá.[61]
  2. Essas funções podem variar de acordo com o terreiro, porém funções como a de apetebi (a mulher filha de Oxum que, em muitos terreiros, é a única mulher que pode jogar os búzios), o ialaxé (o que cuida dos "axés" dos orixás, ou seja, todos os objetos e alimentos oferecidos aos oxirás), o babalaô (o que faz o jogo de búzios, obís e outras advinhações), o babalossaim (o homem responsável pela colheita das ervas sagradas e preparação de banhos e remédios naturais), o babaogé (sacerdote responsável pelo culto dos antepassados) são algumas das funções que são praticamente inexistentes na Umbanda, mas que são encontradas nas ramificações do Candomblé.[92]
  3. Em Umbanda: Guia e Ritual para Organização de Terreiros, Rio de Janeiro: Editora Eco, 1972, página 33, o autor Tancredo da Silva Pinto diz: "Essa umbanda não tem organização própria, imita a dos umbandistas, mas usando sapatos brancos em soalhos taqueados. Muito espalhada no Estado da Guanabara, com o rótulo de "Umbanda de branco". Pratica a caridade sinceramente, com muita fé. Constitui a "Ordem de Cáritas da Umbanda", porque abre o centro com a prece de Cáritas, de muita força espiritual,"
  4. A Macumba popular se dividirá em dois grupos principais: um atrelado ao Espiritismo Kardecista, que irá abolir várias práticas consideradas primitivas e selvagens, como o sacrifício de animais e o uso de atabaques e um outro grupo que continuará com o seu curso normal, porém que serão relegados à marginalidade pela classe mais elitista. O primeiro grupo dará origem à Umbanda branca e demanda, de Zélio Fernandino de Moraes e o segundo grupo será conhecido como sendo Umbanda popular.[98]
  5. A Macumba se dividirá em dois grupos principais: um atrelado ao Espiritismo Kardecista, que irá abolir várias práticas consideradas primitivas e selvagens, como o sacrifício de animais e o uso de atabaques e um outro grupo que continuará com o seu curso normal, porém que serão relegados à marginalidade pela classe. O primeiro grupo dará origem à Umbanda branca e demanda, de Zélio Fernandino de Moraes e o segundo grupo será conhecido como sendo Umbanda popular.[106]
  6. Essa vertente também é conhecida como Ordem de Cáritas da Umbanda, Umbanda de mesa, Umbanda Kardecista e Umbanda branca.
  7. Essa vertente também é conhecida como Umbandomblé.

Referências

  1. BARNES, Sandra T. (1997). Africa's Ogun: Old World and New. Indiana University Press. p. 91. ISBN 0-253-21083-6.
  2. HOPKINS 2014, p. 302.
  3. a b FERREIRA 1986, p. 1736.
  4. BARBOSA JR. 2014, p. 68.
  5. a b c d e f g h MARTINS 2007, p. 17.
  6. Coordenação de Comunicação (18 de maio de 2012). «Presidenta institui Dia da Umbanda». Website da Secretaria de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR. Consultado em 27 de junho de 2015 
  7. VIEIRA, Isabela. Umbanda é declarada patrimônio imaterial do Rio de Janeiro, EBC, 08/11/2016
  8. Cabula e Macumba, Valdeli Carvalho da Costa, Síntese nº 41 (1987) - Pag 67. "Os cultos, "trabalhos" ou "mesas" realizavam-se nas matas. Aqui, outra identidade com a Macumba. O mesmo nome "trabalho" é usual na Macumba, para designar os rituais mais secretos, semelhantemente à Cabula, realizados também "nas matas". O chefe de casa "mesa" chamava-se "embanda", que é o nome do sacerdote nas religiões banto. Os chefes dos terreiros de Macumba, em torno de 1934, quando Arthur Ramos descreve o "terreiro" do velho Honorato, chamavam-se também "embandas", "umbandas" ou "pais-de-terreiro" (...). Merece ressaltar que o termo "umbanda" será a designação de um dos ramos da Macumba, após o seu desdobramento, por influência do Espiritismo Kardecista. Na Cabula, com futuramente na Macumba, o "embanda" era o chefe doutrinador da comunidade."
  9. Segundo a "Gramática de Kimbundo" do professor José L. Quintão, citada na obra "O que é a Umbanda", de Armando Cavalcanti Bandeira, editora Eco, 1970
  10. ITAOMAN 1990, p. 100 - 101.
  11. Janaina Azevedo. Tudo o que você precisa saber sobre Umbanda. Vol. I. p. 132. ISBN 978-85-99187-91-3.
  12. a b c SMITH 2004, p. 271.
  13. a b FEDERAÇÃO ESPÍRITA DE UMBANDA 1942, p. 21 - 22.
  14. a b c d COSTA, Hulda Silva Cedro da (2013). Umbanda, Uma Religião Sincrética e Brasileira. Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
  15. a b c d e BASTIDE, Roger (1985). As religiões africanas no Brasil 2 ed. São Paulo: Pioneira 
  16. a b COSSARD, Gisèle Omindarewé (2008). O Mistério dos Orixás 2 ed. Rio de Janeiro: Pallas 
  17. SILVEIRA, Renato da (dezembro de 2005). «Do Calundu ao Candomblé» 5 ed. São Paulo. Revista de História 
  18. RODRIGUES, Raimundo Nina. O animismo fetichista dos negros baianos. Apresentação e notas de Yvonne Maggie e Peter Ffry; Fac-símile de artigos publicados na Revista Brasileira em 1896 e 1897. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional/Editora UFRJ, 2006.
  19. a b Entre a Macumba e o Espiritismo: uma análise do discurso dos intelectuais de umbanda durante o Estado Novo, CAOS - Revista Eletrônica de Ciências Sociais, Número 14 - Setembro de 2009. Pág. 60-85. "A manifestação de espíritos de negros e de índios, tão comuns na umbanda, já ocorria espontaneamente nos rituais da macumba desde meados do século XVIII. Longe de ser um culto organizado, a macumba era um agregado de elementos da cabula bantu, do candomblé  jeje-nagô, das  tradições indígenas e do catolicismo  popular, sem o suporte de uma doutrina capaz de integrar os diversos pedaços que lhe davam forma. É desse conjunto  heterogêneo,  acrescida de elementos egressos do kardecismo, que nascerá a nova religião."
  20. a b c Fernandes Trindade, Diamantino (22 de janeiro de 2018). «O Culto da Cabula». Aldeia de Caboclos. Consultado em 24 de setembro de 2021. Cópia arquivada em 24 de setembro de 2021 
  21. a b c COSTA, Hulda Silva Cedro da (2013). Umbanda, Uma Religião Sincrética e Brasileira. Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
  22. MAGGIE, Yvonne (1986). «O medo do feitiço». Rio de Janeiro. Revista Religião e Sociedade: 60-75 
  23. a b c d e f g COSTA, Hulda Silva Cedro da (2013). Umbanda, Uma Religião Sincrética e Brasileira. Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
  24. RIO, João do (João Emílio Cristovão dos Santos Coelho Barreto). As religiões no Rio. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006: "A mistura na Macumba não estava presente somente nos mitos, ritos e doutrinas, mas também, estava no campo social que era totalmente heterogêneo. Frequentavam seus cultos pessoas de diversos níveis da sociedade, misturando-se no mesmo espaço, grandes empresários, altos funcionários do governo, delegados e policiais, com simples operários, favelados, ladrões, bandidos, assassinos, malandros gigolôs e homossexuais. Senhoras e moças brancas da alta sociedade com as domésticas pretas e as prostitutas".
  25. RIO, João do (João Emílio Cristovão dos Santos Coelho Barreto). As religiões no Rio. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006:
  26. a b c KLOPPENBURG 1991, p. 35.
  27. BARBOSA JR. 2014, p. 20.
  28. a b BARBOSA JR. 2014, p. 21.
  29. BAPTISTA 2008, p. 9.
  30. PINN 2009, p. 392.
  31. a b REIS, Samíramis. A nossa cabana. biblioteca24horas. p. 12. ISBN 978-85-7893-794-2.
  32. BARBOSA JR. 2014, p. 18.
  33. REIS 2010, p. 38.
  34. FONSECA, Alexandre Brasil. Relações e Privilégios: Estado, secularização e pluralismo religioso no Brasil. Editora Novos Diálogos. p. 85. ISBN 978-85-64181-05-2.
  35. MARTINS 2007, p. 18.
  36. REIS 2010, p. 19.
  37. FIGUEIREDO, Luciano (2013). História do Brasil para Ocupados. Leya Brasil, p. 120. ISBN 978-85-7734-434-5.
  38. a b MACLACHLAN, Colin M. (2003). A History of Modern Brazil: The Past Against the Future. Rowman & Littlefield. p. 67. ISBN 978-0-8420-5123-1.
  39. REIS 2010, p. 29.
  40. FEDERAÇÃO ESPÍRITA DE UMBANDA 1942, p. 44 - 47.
  41. FEDERAÇÃO ESPÍRITA DE UMBANDA 1942, p. 116.
  42. FEDERAÇÃO ESPÍRITA DE UMBANDA 1942, p. 114.
  43. a b SILVA 2005, p. 116.
  44. SILVA 2004, p. 235 - 236.
  45. a b c d e f g Pinto, Tancredo da Silva; Freitas, Byron Torres de (1972). Umbanda - Guia e Ritual Para Organização de Terreiros. Rio de Janeiro: Eco 
  46. www.ceubrio.com.br. Tata de Inquice Tancredo da Silva Pinto (PDF). [S.l.: s.n.] Consultado em 9 de novembro de 2018 
  47. a b www.ceubrio.com.br. Tata de Inquice Tancredo da Silva Pinto (PDF). [S.l.: s.n.] Consultado em 9 de novembro de 2018 
  48. MARTINS, Giovani (2006). Umbanda Em Santa Catarina. Clube de Autores. p. 16.
  49. SILVA 2005, p. 117.
  50. REIS 2010, p. 26.
  51. REIS 2010, p. 27.
  52. NEGRÃO 1996, p. 327.
  53. a b c Vídeo-aula: "CABULA: a avó da Umbanda e mãe da Macumba!", canal Tradição - Mário Filho, no Youtube. Postado em 12 de março de 2021.
  54. a b c d e f g Vídeo-aula: "MACUMBA: A mãe da Umbanda", do canal Tradição - Mário Filho, no Youtube. Postado em 16 de abril de 2021.
  55. BARBOSA JR. 2014, p. 200.
  56. a b c d AZEVEDO 2010, p. 95.
  57. AZEVEDO 2010, p. 94.
  58. a b MARTINS 2007, p. 19.
  59. AZEVEDO 2008, p. 9.
  60. PEIXOTO 2009, p. 49-50.
  61. Machado, Sandra Maria Chaves (2003). Umbanda: reecantamento na pós-modernidade?. Goiânia: Universidade Católica de Goiás. p. 56. 135 páginas 
  62. a b RAMANUSH, p. 16.
  63. BIRMAN, Patrícia (1983). O Que é Umbanda. Col: Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense. p. 23-24 
  64. NETO 2002, p. 269.
  65. MELANI 2008, p. 34.
  66. ZESPO, Emanuel (1960). Codificação da lei de Umbanda. Editora Espiritualista. p. 91.
  67. ALMEIDA, Paulo Newton de (2003). Umbanda: a caminho da luz. Pallas. p. 195. ISBN 978-85-347-0357-4.
  68. SCHLESINGER, Hugo; PORTO, Humberto (1983). Crenças, seitas e símbolos religiosos. Edições Paulinas. p. 67.
  69. a b c d RAMANUSH, p. 37.
  70. BAPTISTA 2008, p. 17 - 18.
  71. RAMANUSH, p. 34.
  72. a b RAMANUSH, p. 35.
  73. AZEVEDO 2009, p. 55.
  74. RAMANUSH, p. 12.
  75. MELTON, p. 2935.
  76. Martins, Giovani (2017). Umbanda de Almas e Angola. Ritos, Magia e Africanidade. São Paulo: Ícone Editora. 184 páginas. ISBN 978-8527411844 
  77. da Silva Filho, Mário Alves (2012). «O que é Umbanda Omolokô?». Templo Caboclo Pantera Negra. Templo Caboclo Pantera Negra. Consultado em 25 de abril de 2021. Cópia arquivada em 25 de abril de 2021 
  78. REIS 2010, p. 264.
  79. SILVA, Breno Marques; MARQUES, Ednamara Batista Vasconcelos e. Criatividade E Espiritualidade. Editora Ground, 1997. p. 191. ISBN 978-85-7217-051-2.
  80. REIS 2010, p. 81.
  81. APARECIDO 2015, p. 9.
  82. a b PINN 2009, p. 393.
  83. a b c d e f g Ademir Barbosa Júnior (2014). O livro essencial de Umbanda. Universo dos Livros Editora. pp. 35 – 36. ISBN 978-85-7930-765-2.
  84. a b «Sincretismo». Candomblé. 10 de maio de 2008. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  85. a b c d e f PINTO, Tancredo da Silva; FREITAS, Byron Torres de (1957). As Mirongas de Umbanda. Col: Coleção Espiritualista - Nº 4 3ª ed. ed. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Aurora 
  86. do Nascimento Davino, Guilherme (2020). A MÚSICA DE UMBANDA JOSEENSE NO PROCESSO COMPOSICIONAL (PDF) (Dissertação de Mestrado). São Paulo: Universidade Estadual Paulista. p. 21. 142 páginas. Consultado em 16 de agosto de 2021 
  87. ALMEIDA 2003, p. 82.
  88. ASSIS 2015, p. 87.
  89. APARECIDO 2015, p. 37.
  90. APARECIDO 2015, p. 38.
  91. APARECIDO 2015, p. 39.
  92. a b c d e f g h i j k l m n SAPO. «Hierarquia da Umbanda». SAPO Lifestyle. Consultado em 15 de setembro de 2021 
  93. BIRMAN, Patrícia (1983). O Que é Umbanda. Col: Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense. p. 23-24 
  94. a b c d e f g h i Pinto, Tancredo da Silva; Freitas, Byron Torres de (1972). Umbanda - Guia e Ritual para Organização de Terreiros. Rio de Janeiro: Eco. p. 30-33 
  95. PEIXOTO 2008, p. 13-140.
  96. Aguiar, Janaina Couvo Teixeira Maia de. «Umbanda em Aracaju: Uma religião plural» (PDF). Universidade Federal da Bahia. VI ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura. Consultado em 27 de abril de 2021 
  97. Fernando Aparecido (2015). Teologia Básica De Umbanda. Clube de Autores. p. 84.
  98. BASTIDE, Roger (1985). As religiões africanas no Brasil 2 ed. São Paulo: Pioneira 
  99. a b c BASTIDE, Roger (1985). As religiões africanas no Brasil 2 ed. São Paulo: Pioneira 
  100. «Zélio Fernandino de Moraes». Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Consultado em 25 de setembro de 2021 
  101. a b c Vídeo: "A Linha Branca de Umbanda Explicada!", do canal Linha Branca de Umbanda, no YouTube. Aos 2:28 do vídeo a mãe-de-santo Lygia da Cunha, bisneta de Zélio Fernandino de Moraes diz: "Não digo para você que não venha um cigano, um boiadeiro, não sei, mas nós não temos sessão (para tais linhas), como não temos para exu também. Exu para meu avô era aquele que ajudava e que ao chamar na hora que a gente precisasse fazer a descarga, fazer um desfeito, desfazer algumas coisas nas sessões de descarga em que ele vem para organizar, mas não temos sessão de exu. Exu para nós não dá consulta. (o neto de Lygia, Leonardo Cunha interrompe e diz: "Não dá passe!"). Ele não dá passe. Não usamos nenhum enfeite. Adorno pra mim não existe. Para nós." Leonardo Cunha, neto de Lygia e bisneto de Zélio diz, a partir de 3:20: "O que era passado para a gente é que a gente refutasse qualquer tipo de mistificação ou valorização excessiva, as vezes, de coisas materiais, o uso do atabaque também nunca usamos e, ao contrário do que eu já li (...) a polícia foi um problema nos primórdios da Umbanda, mas não se usava atabaque por conta da polícia. É por que o "Chefe" (se referindo ao Caboclo das Sete Encruzilhadas) nunca quis, nunca permitiu e nunca foi interesse de ninguém no momento em que ele foi quem trouxe a Umbanda até nós. Para nós, nesta casa, é ponto cantado. Nem palmas nós usamos por que o "Chefe" não queria."
  102. a b c «Você conhece a Umbanda branca? Aprenda agora as suas diferenças». Blog Astrocentro. 21 de novembro de 2017. Consultado em 2 de maio de 2021 
  103. «PONTOS CANTADOS». Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Consultado em 25 de setembro de 2021 
  104. Entre a Macumba e o Espiritismo: uma análise do discurso dos intelectuais de umbanda durante o Estado Novo, CAOS - Revista Eletrônica de Ciências Sociais, Número 14 - Setembro de 2009. Pág. 60-85. "A manifestação de espíritos de negros e de índios, tão comuns na umbanda, já ocorria espontaneamente nos rituais da macumba desde meados do século XVIII. Longe de ser um culto organizado, a macumba era um agregado de elementos da cabula bantu, do candomblé  jeje-nagô, das  tradições indígenas e do catolicismo  popular, sem o suporte de uma doutrina capaz de integrar os diversos pedaços que lhe davam forma. É desse conjunto  heterogêneo,  acrescida de elementos egressos do kardecismo, que nascerá a nova religião."
  105. ORTIZ, Renato (1999). A morte branca do feiticeiro negro: Umbanda e sociedade brasileira. São Paulo: Brasiliense 
  106. BASTIDE, Roger (1985). As religiões africanas no Brasil 2 ed. São Paulo: Pioneira 
  107. Celete, Lucila (22 de novembro de 2018). «Umbanda Popular». Salto para o Novo. Consultado em 26 de abril de 2021. Cópia arquivada em 25 de abril de 2021 
  108. a b c d COSTA, Hulda Silva Cedro da (2013). Umbanda, Uma Religião Sincrética e Brasileira. Goiânia: Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
  109. Lemos, Daniela Torres de Andrade; Bairrão, José Francisco Miguel Henriques. «Doença e Morte na Umbanda Branca: A Legião Branca Mestre Jesus». Universidade Estadual do Rio de Janeiro / Universidade de São Paulo. Estudos & Pesquisas em Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/8431/6263 
  110. a b c Redação (21 de setembro de 2017). «Vertentes de Umbanda II: Umbanda Kardecista». Umbanda Eu Curto. Consultado em 26 de abril de 2021. Cópia arquivada em 26 de abril de 2021 
  111. Itaoman (1990). Pemba: a grafia sagrada dos orixás. Thesaurus Editora. p. 11. ISBN 978-85-7062-020-0.
  112. «Pai Rivas». OICD - Pai Rivas. Consultado em 11 de junho de 2021 
  113. Vídeo: "Babá Rivas Ty Òsìyàn - Breve Reverência", no canal RIVAS - OICD, no Youtube.
  114. a b c D'Obá, Pirro (9 de dezembro de 2016). «A História de Rubens Saraceni». Umbanda UTHiS!. Umbanda UTHiS!. Consultado em 27 de abril de 2021. Cópia arquivada em 27 de abril de 2021 
  115. Celete, Lucila (21 de novembro de 2018). «Umbandomblé». Salto para o Novo. Consultado em 25 de abril de 2021. Cópia arquivada em 25 de abril de 2021 
  116. «Conhecendo a Umbanda». Jornal Entre Rios. 5 de fevereiro 2021. Consultado em 7 de junho de 2021. Cópia arquivada em 7 de junho de 2021 
  117. Oliveira, Frank (11 de agosto de 2009). «Umbandaime». Umbanda Consciente. Consultado em 26 de abril de 2021. Cópia arquivada em 26 de abril de 2021 
  118. a b Fernandes, Saulo Conde (7 de junho de 2021). «Entre linhas e falanges: A diversidade da Umbanda na contemporaneidade» (PDF). ABESUP – Associação Brasileira de Estudos Sociais de Substâncias Psicoativas. Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos. Consultado em 7 de junho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 7 de junho de 2021 
  119. KLOPPENBURG 1991, p. 38.
  120. NASCIMENTO 2008, p. 298.
  121. KLOPPENBURG 1991, p. 37.
  122. ROCHA 2013, p. 228-229.
  123. TAYLOR 2008, p. 393.
  124. BARBOSA JR. 2014, p. 232.
  125. FERNANDES 1998, p. 82.
  126. a b Santos, Valdelice Conceição dos (11 de março de 2010). «O DISCURSO DE EDIR MACEDO NO LIVRO ORIXÁS, CABOCLOS E GUIAS. DEUSES OU DEMÔNIOS?: IMPACTOS E IMPASSES NO CENÁRIO RELIGIOSO BRASILEIRO». Consultado em 15 de setembro de 2021 
  127. Teor preconceituoso faz Justiça proibir livro de Edir Macedo - OESP, 10 de novembro de 2005
  128. Dono e diretores da Record são processados por descaminho Conjur, 2006
  129. «TRF libera circulação do livro de Edir Macedo». expresso-noticia.jusbrasil.com.br. Consultado em 5 de janeiro de 2012. Cópia arquivada em 2014 
  130. a b TEMPO, O. (24 de abril de 2013). «O encanto dos orixás na raiz da mais genuína brasilidade». Leonardo Boff. Consultado em 15 de setembro de 2021 
  131. a b c «Diversidade Sexual e Umbanda». domtotal.com. Consultado em 15 de setembro de 2021 
  132. a b Rio, Do G1 (8 de novembro de 2016). «Umbanda é declarada patrimônio imaterial do Rio». Rio de Janeiro. Consultado em 15 de setembro de 2021 
  133. «Página - IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional». portal.iphan.gov.br. Consultado em 15 de setembro de 2021 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Literatura umbandista

Ligações externas[editar | editar código-fonte]