Palácio Nereu Ramos

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Palácio Nereu Ramos
Congresso Nacional
Nomes alternativos Palácio do Congresso Nacional (não oficial, regimental)[1]
Estilo dominante Arquitetura moderna brasileira
Arquiteto Oscar Niemeyer
Engenheiro Joaquim Cardozo
Inauguração 1960 (59 anos)
Local Brasília, DF,
Brasil Brasil
Endereço Praça dos Três Poderes, Brasília, DF

O Palácio Nereu Ramos,[2][3][4] também referido como Palácio do Congresso Nacional,[5][6] é o edifício construído para abrigar o Congresso Nacional do Brasil, inaugurado em 1960. Foi concebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com projeto estrutural do engenheiro Joaquim Cardozo.[7] É um dos três edifícios monumentais que definem a Praça dos Três Poderes, sendo os demais o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, também de autoria de Niemeyer e Cardozo. É considerado como o maior símbolo da capital do Brasil, além de referido frequentemente como o ícone do próprio país, no exterior.

Sobre um bloco-plataforma horizontal encontram-se dispostos uma semiesfera à esquerda (assento do Senado), um hemisfério à direita (assento da Câmara dos Deputados) e, entre ambas, duas torres gêmeas de escritórios (o chamado "Anexo 1"), que se elevam a cem metros de altura. O congresso ocupa também outros edifícios vizinhos, alguns deles interconectados por um túnel.

O edifício é implantado em continuidade ao eixo monumental, a principal avenida da capital brasileira, conforme concebido por Lúcio Costa. À sua frente encontra-se um grande gramado, usado pela população como palco de passeatas, protestos e outras manifestações públicas. Na parte posterior do edifício encontra-se a Praça dos Três Poderes.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Projeto[editar | editar código-fonte]

Croqui de Oscar Niemeyer
Uma das plantas do projeto estrutural de Joaquim Cardozo

Na época em que Brasília estava sendo construí­da, o arquiteto Oscar Niemeyer e o enge­nheiro estrutural Joaquim Cardozo procuravam criar as formas em curvas que hoje compõem a paisagem da capital do Brasil. Niemeyer fez os es­boços do projeto, mostrando formas curvas ao engenheiro, que tinha como tarefa fazer os cálculos matemáticos para que a estrutura em concreto com­portasse as formas suaves. Muitas horas de cálculos e reflexão foram necessárias até que Joaquim Cardozo encontrasse as equações que resolvessem a apresen­tação das tangências adequadas, o que permitiu que as suaves linhas curvas, criadas na mente do arquiteto, pudessem se materializar na construção.[7]

Encontrei a tangente que vai permitir que a cúpula pareça apenas pousada na laje.
— Joaquim Cardozo, para Oscar Niemeyer[7]
O Congresso e sua iluminação noturna
Congresso Nacional à noite

Joaquim Cardozo e Oscar Niemeyer entraram em estado de "vigília criativa". Esse estado mental acontece quando o indivíduo se coloca imerso na busca para dar forma ao que quer criar. Ambos pro­curavam aquilo que consideravam a beleza traduzida em formas curvas, representada tanto em imagens desenhadas nos croquis do arquiteto como nos cál­culos do engenheiro. Esse trabalho colaborativo entre artista e calculista é um exemplo dos processos de criação na parceria entre arte e matemática.[7]

Arquitetura não constitui uma simples questão de engenharia, mas uma manifestação do espírito, da imaginação e da poesia.

No Palácio do Congresso, por exemplo, a composição se formulou em função desse critério, das conveniências da arquitetura e do urbanismo, dos volumes, dos espaços livres, da oportunidade visual e das perspectivas e, especialmente, da intenção de lhe dar o caráter de monumentalidade, com a simplificação de seus elementos e a adoção de formas puras e geométricas. Daí decorreu todo o projeto do Palácio e o aproveitamento da conformação local, de maneira a criar no nível das avenidas que o ladeiam uma monumental esplanada e sobre ela fixar as cúpulas que deviam hierarquicamente caracterizá-lo.

Tivesse estudado o Palácio com espírito acadêmico, ou preocupado com as críticas, e ao invés dessa esplanada, que a muitos surpreende pela sua imponência, teríamos uma construção em altura.

… que hoje se estende em profundidade, além do edifício, acima da esplanada, entre as cúpulas, abrangendo a Praça dos Três Poderes e os demais elementos arquitetônicos que a compõem, somando-se plasticamente e tornando, assim, a perspectiva do conjunto muito mais rica e variada.

A cúpula da Câmara dos Deputados demandava um estudo cuidadoso que a deixasse com que apenas pousada sobre a esplanada, isto é, a cobertura do prédio; o mesmo acontecia com esta última, cujo topo é tão fino que ninguém imagina constituir, internamente a galeria do público que liga os dois plenários.

Internamente, o projeto procura criar os grandes espaços livres que devem caracterizar um palácio, para isso utilizando elementos transparentes que evitam transforma-los em pequenas áreas.

A forma arquitetônica - mesmo contrariando princípios estruturais - é funcional quando cria beleza e se faz diferente e inovadora.
— Oscar Niemeyer[8]

Significado[editar | editar código-fonte]

A cúpula côncava, o Senado Federal
A cúpula convexa, a Câmara dos Deputados

Poeticamente, as cúpulas que compõem a marca registrada do edifício não estão posicionadas de tal forma por acaso. O Senado, que encontra-se abaixo da cúpula côncava (virada para baixo, esquerda), pretende transmitir e prevalecer a reflexão, a ponderação, o equilíbrio e o peso da experiência (já que o mandato dos senadores é de 8 anos) àqueles que o seu interior ocupar; também pode representar a mais alta "cúpula" do país, sendo aquela que irá validar as regras e leis da nação. Já a cúpula convexa (virada para cima, direita), localizada acima da Câmara dos Deputados, é maior e mais aberta; seu vértice vasto está aberto a todas as ideias e ideologias, tendências, anseios e opiniões que compõem o povo brasileiro, representados no interior do edifício pelos deputados.

Tombamento[editar | editar código-fonte]

Em 2007, ano em que Niemeyer completou 100 anos, o Iphan tombou o edifício do Congresso Nacional e outras 34 edificações de sua autoria.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Junior, Gabriel Dezen (1 de julho de 2016). Regimento interno do Senado Federal esquematizado em quadros. [S.l.]: Alumnus. ISBN 9788584230884 
  2. «Ponto Turístico: Congresso Nacional de Brasília - Visitação Agendada». melhorespontosturisticos.com.br. Consultado em 30 de agosto de 2016 
  3. «Passeie pelas obras monumentais e charmosas projetadas por Niemeyer - Fotos - UOL Viagem». Consultado em 30 de agosto de 2016 
  4. «História dos pontos turísticos de Brasília - Brasil VIP - Passagens Aéreas». 17 de fevereiro de 2014. Consultado em 30 de agosto de 2016 
  5. «Contato». www2.camara.leg.br. Consultado em 30 de agosto de 2016. Arquivado do original em 13 de setembro de 2016 
  6. «Arquitetura — Visite O Congresso». www2.congressonacional.leg.br. Consultado em 30 de agosto de 2016 
  7. a b c d «A poesia concreta de Joaquim Cardozo». VEJA. Consultado em 19 de janeiro de 2014. Arquivado do original em 20 de agosto de 2013 
  8. «SEDE DO CONGRESSO NACIONAL». Câmara dos Deputados do Brasil. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2008 
  9. Rodrigues, Alexandre (7 de dezembro de 2007). «Iphan tomba 35 obras de Niemeyer». O Estado de S. Paulo. www.cultura.gov.br. Consultado em 30 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 12 de junho de 2008 

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Palácio Nereu Ramos