Cervo-do-pantanal
| Cervo-do-pantanal1 |
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| Blastocerus dichotomus (Illiger, 1815) |
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Área de distribuição. Vermelho: original Amarelo: atual
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O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), também chamado cervo, suaçuetê, suaçupucu e veado-galheiro,3 é um mamífero ruminante da família dos cervídeos. É o maior veado da América do Sul. Vive, originalmente, nas regiões pantanosas e ao longo das bordas das florestas do Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Argentina. Os cascos desse animal podem ficar completamente abertos e as duas metades em que eles se dividem se mantém unidas por uma membrana interdigital. Esses cascos evitam que o animal afunde no lodo.
Índice |
Taxonomia e Evolução [editar]
Os cervídeos surgiram na Ásia e chegaram a América do Sul provavelmente pelo estreito de Bering, durante o início do Plioceno, e o cervo-do-pantanal existe no Pantanal desde o Pleistoceno, sendo que na Argentina, por exemplo, ele não foi encontrado antes do início do Holoceno4 . Márquez e colaboradores (2006) mostraram que no Pleistoceno, o cervo estava restrito aos alagadiços do Pantanal, sendo que a partir do momento que o clima ficou mais úmido no centro da América do Sul, ele ampliou sua distribuição geográfica5 . A taxonomia e sistemática de subespécies do cervo-do-pantanal é muito pouco estudada5 .
Estudos moleculares corroboram o monofiletismo da espécie e do gênero e a colocam como grupo-irmão de um clado contendo Mazama gouazoubira e Hippocamelus antisensis.6 7 Entretanto, dados de morfometria de crânio, colocam o cervo-do-pantanal como mais próximo do veado-campeiro (Ozoteceros bezoarticus).8
As relações filogenéticas do cervo-do-pantanal com outros cervídeos está ilustrado no cladograma abaixo, baseado em dados moleculares.6
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Distribuição Geográfica e Habitat [editar]
O cervo-do-pantanal é extremamente dependente de plantas aquáticas, de forma que habita áreas inundáveis com até 60 cm de profundidade e com uma cobertura vegetal baixa, com territórios de até 64 km² para os machos e 33 km² para fêmeas.9 Ambientes ótimos para o cervo-do-pantanal se caracterizam pela presenaça de ciperáceas e gramíneas e é possível que ele se adapte a áreas mais antropizadas, desde que não seja caçado.10 Já habitou extensas áreas do Brasil Central, Bolívia, Paraguai, Peru e Argentina. Entretanto, sua distribuição está reduzida e restrita muitas vezes, a populações isoladas, como o que ocorre no estado de São Paulo (apenas são encontrados no Parque Estadual Aguapeí e Parque Estadual do rio do Peixe).11 No Pantanal, na Ilha do Bananal, no rio Araguaia e no rio Guaporé e em várzeas remanescentes do rio Paraná, essa espécie ainda é relativamente comum.11
Descrição [editar]
É o maior cervídeo da América do Sul, com os machos pesando até 130 kg. Estes, possuem chifres ramificados, com até 6 ramos em cada lado, atingindo até 50 cm de comprimento11 12 . Possui uma pelagem castanho-avermelhada com o focinho e as extremidades dos membros pretas, sendo que os cascos chamam atenção por possuírem membranas interdigitais11 .
Alimentação [editar]
As observações do cervo-do-pantanal sempre foram em regiões que são alagadas durante a estação chuvosa (principalmente onde existe a gramínea Andropogon) e sua dieta constitui-se de pelo menos 35 espécies vegetais, principalmente, plantas aquáticas como a Pontederia cordata13 .
Comportamento e Reprodução [editar]
Pouco se sabe do comportamento dessa espécie na natureza. Costuma não ser ativo à noite, e andar isolado, embora, possa ser avistado em grupos de até 5 indivíduos, sendo que geralmente, tais grupos constituem-se de fêmeas com filhotes, já que não foi constatada a formação de harens10 12 . As fêmeas se reproduzem uma vez por ano, com uma gestação de 271 dias, parindo apenas um filhote por gestação (dificilmente dois). Existe um pico no acasalamento entre outubro e novembro, mas é possível avistar mãe e filhotes o ano todo10 .
Conservação [editar]
A espécie é considerada como Vulnerável pela lista da IUCN e do IBAMA2 14 . Tal categoria se aplica porque os graus de ameaça variam de região para região, sendo que no Pantanal e no Chaco, a espécie ainda é comum. Entretanto, no estado de São Paulo, por exemplo, sua situação é crítica e está restrito a duas populações nativas (Parque Estadual Aguapeí e Parque Estadual do rio do Peixe, com cerca de 200 exemplares somadas) e uma reintroduzida (Estação Ecológica Jataí, com cerca de 20 exemplares)12 15 . Há ainda outras populações, no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e no Parque Nacional de Ilha Grande que somam 1.500 exemplares15 . As principais causas para tal situação alarmante são a caça, a destruição de seu hábitat (no estado de São Paulo, principalmente pela construção de usinas hidrelétricas, que inundaram as várzeas) e doenças transmitidas pelo gado doméstico, como a febre aftosa12 16 . Há tentativas de reintrodução da espécie, como a Estação Ecológica Paulo de Faria e a Estação Ecológica Jataí, mas apenas nesta última houve sucesso17 . A CESP, por conta da construção da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos que inundou uma das maiores áreas de distribuição do cervo no estado de São Paulo, criou o Centro de Conservação do Cervo-do-Pantanal, em Promissão18 .
Referências
- ↑ Grubb, P. In: Wilson, D. E.; Reeder, D. M (eds). Mammal Species of the World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. Capítulo: Order Artiodactyla, 117 p. ISBN 978-0-8018-8221-0 (OCLC 62265494)
- ↑ a b Duarte, J.M.B., Varela, D., Piovezan, U., Beccaceci, M.D. & Garcia, J.E. (2008). Blastocerus dichotomus (em Inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 08 de dezembro de 2012.
- ↑ FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.386
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- ↑ a b Gilbert, C.; Ropiquet, A.; Hassanin, A.. (2006). "Mitochondrial and nuclear phylogenies of Cervidae (Mammalia, Ruminantia): Systematics, morphology, and biogeography". Molecular Phylogenetics and Evolution 40: 101-117. DOI:0.1016/j.ympev.2006.02.017.
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- ↑ a b c d Cervo-do-Pantanal. Parque Estadual do Aguapeí. Página visitada em 31 mar. 2012.
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- ↑ Cervo-do-pantanal. UFSCAR. Página visitada em 29 mar. 2012.
- ↑ Centro de Conservação do Cervo-do-Pantanal agenda visitas monitoradas. Revista Planeta. Página visitada em 29 mar. 2012.