Atentado contra Jair Bolsonaro

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Atentado contra Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro no momento em que é esfaqueado
Local Rua Batista de Oliveira, esquina com Rua Halfeld
Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil
Coordenadas 21° 45′ 38,6″ S, 43° 20′ 49″ O
Data 6 de setembro de 2018
15:40 (UTC-3)
Alvo(s) Jair Bolsonaro
Arma(s) Faca
Mortes 0
Feridos 1
Responsável(is) Adélio Bispo de Oliveira
Motivo O autor citou teorias de conspiração políticas e disse ter agido a mando de Deus.

Em 6 de setembro de 2018 o então deputado federal Jair Bolsonaro sofreu um atentado durante um comício que promovia sua campanha eleitoral para a presidência do Brasil. Enquanto era carregado em meio a uma multidão de apoiadores, o deputado sofreu um golpe de faca na região do abdômen desferido por Adélio Bispo de Oliveira.[1]

Imediatamente após o ataque, Bolsonaro foi levado à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, onde foi constatado que o esfaqueamento havia causado três lesões no intestino delgado e uma lesão em uma veia do abdômen que gerou uma forte hemorragia.[2] Mesmo com a gravidade dos ferimentos e com uma grande perda de sangue,[3] o presidenciável conseguiu sobreviver. Ao todo, Bolsonaro realizou quatro cirurgias relacionadas aos danos causados no atentado.[4]

Adélio foi preso em flagrante pela Polícia Federal e conduzido para a delegacia central da cidade.[5] Após investigação, a polícia concluiu que Adélio agiu sozinho no crime, sem ser orientado por um mandante.[6] Em junho de 2019, a prisão preventiva de Adélio foi convertida em uma internação por tempo indeterminado na penitenciária federal de Campo Grande no Mato Grosso do Sul.[7] A faca utilizada no atentado foi coletada pela Polícia Federal e atualmente está em exposição no museu da corporação em Brasília.[8]

Contexto político[editar | editar código-fonte]

O país atravessa um período de polarização política. Em 2013, grandes manifestações populares, conhecidas como Jornadas de Junho,foram o cume da crise de representatividade política e despertaram a politização de grande parte da população. O povo estava mais politicamente alfabetizado para a eleição presidencial de 2014. Nesse período de eleição, acirravam-se os ânimos entre petistas e antipetistas, tendo a crise econômica no país como agravante. Novos grupos políticos, com ideologias diversas, entraram no debate, aumentando a polarização.[9]

As redes sociais contribuíram para o aumento da polarização. No final de 2013, a direita se uniu em torno da questão da corrupção. Os que estavam na esquerda se atentaram aos programas sociais e serviços públicos. À medida que os partidos políticos começaram a colocar essas questões na frente e no centro de suas plataformas, a esquerda e a direita se separaram mais ainda. Em agosto de 2016, o impeachment de Dilma Rousseff dividiu as linhas partidárias, tornando a polarização maior ainda.[10]

O professor de ciência política da USP Glauco Peres da Silva disse em entrevista que existe há tempo um clima de violência política no Brasil. Bolsonaro se utilizou de um discurso agressivo, mas não foi o promotor da grande indisposição para o diálogo que se constata. Segundo o especialista, tudo começou com a rivalidade entre o PT e o PSDB, a qual criou jargões como "coxinha" e "petralha", e também houve a inclinação da sociedade de linchar as pessoas mais do que fazer justiça.[11]

Continuando, o cientista político lamentou a forma como se encaram as disputas políticas no Brasil, como se não fossem legítimas, como se não pudesse haver um grupo com um pensamento divergente, partindo-se então para a postura de deslegitimar os adversários. Contudo, o atentado poderia ser uma grande oportunidade de os candidatos pedirem calma e de toda a classe política declarar que a violência é inaceitável. Assim, mesmo os antagonistas de Bolsonaro deveriam ir às ruas para criticar duramente o comportamento vigente.[11]

Apesar da facada e da abrupta mudança de rumos na campanha do candidato, que ficou impedido de ir às ruas e de comparecer a diversos eventos e debates,[12][13] Jair Bolsonaro foi o candidato mais votado no primeiro turno, em 7 de outubro, com 46,03% dos votos válidos, à frente de Fernando Haddad (PT) com 29,28% dos votos.[14] Os dois disputaram o segundo turno em 28 de outubro, no qual Bolsonaro foi eleito Presidente com 55,13% dos votos válidos, contra os 44,87% de Haddad.[15]

Ataque[editar | editar código-fonte]

Antes
Depois
Bolsonaro antes e depois do esfaqueamento.

A programação da campanha presidencial de Jair Bolsonaro previu a chegada do candidato a Juiz de Fora, às 11 horas de 6 de setembro. Bolsonaro visitaria o Hospital Ascomcer e participaria de um almoço com lideranças empresariais. Em seguida, faria um ato público em frente à Câmara Municipal da cidade, no Parque Halfeld, de onde iria para a Praça da Estação, onde realizaria seu comício. Assim como os outros candidatos, Bolsonaro era escoltado por agentes da Polícia Federal.[16]

Jair Bolsonaro foi esfaqueado enquanto era carregado nos ombros por simpatizantes, em um evento de campanha na rua Halfeld, uma das mais importantes da região central da cidade mineira de Juiz de Fora. Foi ferido no abdômen, sofrendo uma lesão em uma importante veia abdominal, o que causou uma grave hemorragia.[17]

O deputado federal foi levado prontamente à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, dando entrada na emergência por volta de 15h40min,[18] com uma lesão por material perfurocortante no abdome. O candidato foi submetido a uma laparotomia exploratória.[19]

Autor[editar | editar código-fonte]

Adélio Bispo de Oliveira
Nome Adelio Bispo de Oliveira
Data de nascimento 6 de maio de 1978 (44 anos)
Local de nascimento Montes Claros, MG
Nacionalidade(s) brasileiro
Crime(s) Tentativa de assassinato do presidenciável Jair Bolsonaro
Pena Julgado inimputável[20]
Situação Internado[20]

O autor da tentativa de homicídio foi preso em flagrante pela Polícia Federal e identificado como Adélio Bispo de Oliveira (Montes Claros, 6 de maio de 1978).[21] Adélio Bispo afirmou ter cometido o crime "a mando de Deus". Em seu perfil no Facebook, constam críticas à classe política em geral, ao presidente Michel Temer e teorias da conspiração contra a Maçonaria. O autor do atentado foi filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), entre 2007 e 2014, e já respondia a um processo por lesão corporal, que teria sido cometida em 2013. Uma sobrinha afirmou que Adélio foi missionário evangélico e que tinha se afastado da família, dizendo também que ele "tinha ideias conturbadas".[22]

Adélio esteve no Clube de Tiro 38, em São José, na região da Grande Florianópolis, no dia 5 de julho de 2018, após receber informações de que lá frequentavam dois filhos de Jair Bolsonaro, um deles o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Isso poderia indicar uma possível premeditação de quase dois meses para a execução do atentado.[23]

A Polícia Federal investigou um volume de 2 terabytes de arquivos, sendo 150 horas de vídeo e 1200 fotos.[24]:10,13 Dados do celular de Adélio mostram que sabia da agenda do presidenciável e que filmou e fotografou locais onde o candidato estaria na cidade, como o hotel onde haveria um almoço com empresários, a Câmara Municipal de Juiz de Fora, a FUNALFA e que havia acompanhado Bolsonaro o dia todo.[24] :11 Ele usou uma faca adquirida em Florianópolis, carregou-a envolvida por um jornal e escondida dentro de sua jaqueta.[24] :13 Duas testemunhas afirmaram que Adélio se aproximou do candidato a pretexto de fotografá-lo.[24] :3,4 Após o ataque, uma pessoa capturou a faca e entregou a um vendedor de frutas próximo, que colocou o instrumento em uma sacola plástica e entregou à Polícia Federal.[24] :11,12 Depois a perícia confirmou que o perfil genético do sangue encontrado na lâmina era de Jair Bolsonaro.[24] :12

Imediatamente após o ataque, quatro advogados foram contratados, de forma desconhecida, para a defesa de Adélio Bispo de Oliveira. As versões dadas por eles sobre o financiamento da defesa se divergem.[25] O relatório final da Polícia Federal (PF), no inquérito que investiga o atentado a Jair Bolsonaro, deve apontar que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho ao decidir atacar o presidenciável em Juiz de Fora (MG).

Após ouvir mais de trinta pessoas e quebrar os sigilos financeiro, telefônico e telemático de Adélio, o delegado federal Rodrigo Morais e sua equipe não encontraram nenhum indício de que o autor da facada tenha agido a mando de outra pessoa ou grupo.[26]

Investigações preliminares da PF divulgadas em 18 de outubro de 2018 encontraram laços de Adélio com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais organizações criminosas do Brasil, incluindo a amizade do executor do crime com membros da facção e o histórico de clientes dos advogados de Adélio, que inclui a defesa de integrantes do PCC. Os defensores negaram elo com o grupo.[27][28] Pouco antes do segundo turno das eleições, que ocorreu em 28 de outubro, o(s) financiador(es) dos advogados da defesa deixou(aram) de repassar os valores.[29]

Em 14 de junho de 2019, o juiz federal Bruno Savino proferiu a sentença de Adélio, convertendo a prisão preventiva em internação por tempo indeterminado. De acordo com Savino, restou "comprovada a inimputável" do réu, ficando assim "isento de pena." Deste modo, foi determinada sua internação na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, pois transferi-lo para o sistema prisional, segundo a sentença, "lhe acarretaria concreto risco de morte." Savino afirmou, ainda, que Adélio demonstrava que ainda tinha a intenção de assassinar Bolsonaro.[20]

Recuperação[editar | editar código-fonte]

O alto grau de complexidade da cirurgia à qual Bolsonaro foi submetido o impossibilitou de continuar sua campanha nas eleições de 2018 da forma tradicional, por conta do tempo mínimo de um a dois meses de recuperação.[19] Logo após a cirurgia, o senador Magno Malta gravou um vídeo de Bolsonaro, no leito do hospital. Bolsonaro disse que havia sentido apenas uma pancada, mas, depois que percebeu o que havia ocorrido, "a dor era insuportável". Ele também disse que se "preparava para um momento como esse, porque você corre riscos". O candidato questionou: "Como que o ser humano é tão mau assim? Eu nunca fiz mal a ninguém".[30]

De acordo com os médicos da Santa Casa de Juiz de Fora, Bolsonaro perdeu de quarenta a cinquenta por cento do sangue do corpo. “Um homem adulto como ele tem entre cinco e cinco litros e meio", disseram. Ele precisou de quatro bolsas de sangue durante a transfusão. De acordo com a médica e diretora do hospital, por questão de centímetros, Bolsonaro não foi golpeado em “uma região com muitos vasos mais calibrosos”.[3] O ataque lesionou a veia mesentérica superior, além do intestino grosso e delgado.[31] Ainda no dia 7 de setembro, Bolsonaro foi transferido para o Hospital Albert Einstein, por volta das 8h20min (BRT).[32]

Jair Bolsonaro em maio de 2019 mostrando a cicatriz deixada pelo atentado

O primeiro boletim médico após o atentado foi divulgado no dia 9 de setembro. O boletim disse que "o quadro abdominal apresentou melhora nas últimas 24 horas e o paciente persiste em cuidados intensivos e com progresso do tempo de permanência fora de leito e caminhada".[33] O segundo boletim, divulgado no dia 10 de setembro, afirmava que o estado de Bolsonaro era grave e que futuramente seria realizada outra cirurgia, para reconstruir o trânsito intestinal e retirar a bolsa de colostomia.[34] O boletim do dia 11 de setembro disse que Bolsonaro apresentou melhora intestinal.[35] No mesmo dia, Flávio Bolsonaro disse que o pai fez sua primeira alimentação via oral, passando de recuperação intensiva para semi-intensiva.[36]

No dia 12 de setembro, Bolsonaro teve a alimentação oral suspensa devido a uma distensão abdominal.[37] No mesmo dia, Bolsonaro passou por uma cirurgia de emergência para desobstruir a aderência das paredes intestinais.[38] Ele evoluiu bem após a cirurgia.[39] Bolsonaro se manteve em condições clínicas estáveis no dia 14[40] e realizou fisioterapia mais tarde.[41] O candidato também se manteve estável no dia 15.[42] No dia 16 de setembro, Bolsonaro recebeu alta da UTI e foi para a unidade semi-intensiva.[43]

Em 19 de setembro, Bolsonaro iniciou alimentação líquida oral.[44] No dia 20, passou por drenagem após exame de tomografia indicar a presença de líquido ao lado do intestino.[45] Começou a recuperar movimentos intestinais no dia 21, além de começar uma dieta pastosa,[46] recebendo alta da unidade de terapia semi-intensiva no dia seguinte.[47] Bolsonaro teve o dreno de seu abdômen retirado e passou a receber dieta leve a partir do dia 23 de setembro,[48] e iniciou dieta branda a partir do dia 25.[49] Permaneceu internado com boa evolução clínica,[50] mas teve febre no dia 28.[51]

Bolsonaro recebeu alta no dia 29 de setembro.[52] Nas semanas seguintes por recomendação médica permaneceu a maior parte do tempo em casa, mas foram permitidas saídas rápidas.[53] Por causa de suas limitações prosseguiu com sua campanha política concedendo entrevistas e fazendo publicações em suas redes sociais.[54]

Investigação[editar | editar código-fonte]

Após uma investigação, a Polícia Federal concluiu, em 28 de setembro de 2018, que o agressor do candidato Jair Bolsonaro agiu sozinho. A investigação analisou imagens do atentado no circuito de câmeras de lojas e bancos no local da facada e também verificou que Adélio Bispo de Oliveira tentou atacar Bolsonaro antes. A PF disse também que as quebras de sigilo bancário não indicaram dinheiro suspeito e análises de celulares e chips trouxeram informações irrelevantes, reforçando os indícios de que ele agiu sozinho. No relatório, a polícia diz que: "Adélio fotografou previamente alguns locais onde Bolsonaro estaria na cidade. Em outras fotos e imagens encontradas em seu celular, ficou evidenciado que esteve acompanhando o candidato durante todo o dia, tendo tido inclusive acesso ao hotel em que estava programado um almoço com empresários. Configuram-se, portanto, elementos robustos de que houve uma decisão prévia, reflexiva e arquitetada por parte de Adélio para atentar contra a vida de Bolsonaro".[55]

No entanto, em um segundo inquérito, aberto no dia 25 de setembro de 2018, a PF está a aprofundar as possíveis conexões de Adélio através da análise de mais de seis mil conversas no celular, mais de mil e-mails e dados telefônicos dos últimos cinco anos, além da origem do financiamento da defesa do agressor. Em 23 de janeiro de 2019, o Ministério Público Federal prorrogou por 90 dias esta investigação. No dia 21 de dezembro, a polícia cumpriu dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, responsável pela defesa de Adélio Bispo, que voltou a dizer que o nome de quem o contratou para defender Adélio é sigiloso.[56]

Notícias falsas e teorias conspiratórias[editar | editar código-fonte]

Por um lado bolsonaristas, um documentário chamado A Facada no Mito foi lançado pelo YouTube em 22 de dezembro de 2018 e levanta pontos que contradizem a versão da Polícia Federal, dando a entender que o agressor não agiu sozinho, podendo inclusive ter tido como comparsas a própria equipe de seguranças da então vítima.[57][58] Além disso, várias postagens nas redes sociais apontavam que outros manifestantes seriam coautores do crime, alguns desses passaram a ser insultados, ofendidos e ameaçados nas redes. Estes compareceram à Polícia Federal voluntariamente para prestar esclarecimentos e as hipóteses levantadas não se sustentaram.[24] :7

Por outro lado, opositores de Jair Bolsonaro questionam a existência da facada, chamando o fato de "fakeada" — uma junção das palavras "fake" ("falso", em inglês) com "facada" — tentando propagar a ideia de que o atentado foi uma armação, com o objetivo de dar uma desculpa para Bolsonaro não participar de debates políticos e também para que ele ganhasse mais espaço nos noticiários.[59]

Envolvimento de terceiros[editar | editar código-fonte]

Partido Socialismo e Liberdade e Jean Wyllys[editar | editar código-fonte]

Em 6 de setembro de 2018, o cantor Netinho postou em suas redes sociais que o ataque teria sido ordenado pelo PSOL, junto com um vídeo falso onde Jair Bolsonaro teria levado um soco na barriga após o esfaqueamento. O vídeo chegou a circular por parte da imprensa, e o senador Magno Malta disse haver desconfiança que um dos seguranças do então canditado à presidência teria o traído. A história do soco foi desmentida por Carlos Bolsonaro no Twitter, onde diz que o suposto segurança era um policial federal, que apenas estava abrindo a porta do carro para que Bolsonaro entrasse. Um inquérito da Polícia Federal respalda a informação, dizendo que o policial se chamava Luiz Felipe Félix e que ele precisou ser transferido de estado por causa das hostilidades que estava recebendo por causa da acusação falsa. O PSOL confirmou a filiação de Adélio, mas negou envolvimento no atentado. Em depoimento, é afirmado que Adélio nunca chegou a participar de uma reunião sequer do PSOL. O inquérito da PF conclui que “Os dados constantes dos aparelhos telefônicos, computador, agendas, anotações, e-mails, redes sociais, bem como as informações obtidas em campo, por entrevistas ou por tomada de depoimentos, não permitiram levantar sequer suspeitas em torno da conivência ou participação de membros do PSOL ou do PSD no atentado ao então candidato Jair Messias Bolsonaro”. O assunto entrou em voga novamente em 2022 após o assassinato de Marcelo Arruda, onde Jair Bolsonaro cita a filiação de Adélio para se defender da acusação de violência política.[60] A teoria foi endossada no dia 4 de janeiro de 2022 por Ana Paula Henkel, no programa Pingos nos Is, da Jovem Pan, como sendo um possível falso álibi de Adélio. Na época, Bolsonaro tinha acabado de retirar sua sonda nasogástrica e estava prestes a ter alta do hospital.[61]

Em 2019, uma notícia falsa afirmava que o MPF identificou depósitos de R$ 50 mil de Jean Wyllys para Adélio. Apesar da informação sobre depósitos ser sigilosa, as investigações concluíram que Adélio atuou sozinho, e o nome de Wyllys não é citado em nenhum inquérito.[62]

Ainda em 2019, a candidata a deputada federal pelo Ceará pelo PSL, Regina Villela, postou vídeo fazendo uma série de acusações contra Jean Wyllys. Primeiro, Wyllys teria renunciado ao cargo político pois a nova legislatura não oferecia imunidade parlamentar. Porém, isso é falso, já que a legislatura apenas mexe nas regras de forro privilegiado em crimes cometidos durante o exercício do mandato. Ela também afirma que Adélio contatou Wyllys na Câmara, e que houve uma tentativa de forjar um álibi para afastar suspeitas, pois havia um registro de entrada de Adélio no mesmo dia do atentado.[63] A informação havia sido divulgada originalmente pelo site de notícias O Antagonista, que chegou a publicar que Adélio entrou na Casa duas vezes no mesmo dia antes do atentado.[64] Porém o registro da visita é de 2013 e há outros 432 deputados na mesma casa. A Polícia Legislativa da Casa afirma que essa desinformação surgiu após um recepcionista ter cometido um erro ao consultar o histórico de visitação de Adélio quatro horas após o atentado e adicionou a entrada por engano.[63][65]

Em maio de 2020, o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio Filho acusou o PSOL e Jean Wyllys de serem os mandantes do atentado. Oswaldo também afirmou que havia uma foto de um ativista que se identificava como Mergulhador juntamente com Adélio, e que a PF teria o relacionado com o atentado. Oswaldo afirma que conhece o ativista desde 2016 e que ele estava presente durante a facada. No dia 26 de maio de 2020, o ativista Luciano Mergulhador comprovou que havia uma foto publicada no Facebook de Adélio onde ambos etavam em uma manifestação contra o ex-presidente Michel Temer. Também, afirma ter conversado com Adélio e que ele teria elogiado Wyllys, e sugere que ambos se encontraram na Câmara dos Deputados, acusação similar à feita por Regina Villela. Luciano foi interrogado pela Polícia Federal e admitiu que a foto existe, mas que apenas lembrava que alguém havia mencionado o nome do deputado. Ele também afirma que esteve com Adélio apenas por alguns segundos, e não foi comprovado que Luciano estava presente durante a facada. Luciano foi condenado em 2022 a pagar R$ 20 mil em indenização para Jean Wyllys.[66][67][68] Já Oswaldo foi condenado em fevereiro de 2022 a pagar R$ 10 mil de indenização, além de ter que passar 4 meses e 20 dias em detenção em regime aberto. O juiz Telmo Zaions Zainko afirma que a teoria surgiu em uma distorção de depoimento prestado para a Polícia Federal.[69][70]

Em 2021, notícias afirmam que Jean teria sido intimado a prestar depoimento para a PF em setembro de 2018, e que havia fugido de Barcelona no ano em que o boato surgiu para escapar da justiça. Porém, a afirmação é falsa, pois na época Jean ainda morava na cidade.[71]

Outros que endossam as mesmas teorias da conspiração são Jair Bolsonaro,[72] Marcos Feliciano (condenado a indenizar Jean em R$ 41,8 mil),[73] Marcos do Val (condenado a indenizar Jean em R$ 41,8 mil, e precisará pagar uma multa diária de R$ mil caso não delete as postagens das redes sociais),[74] Olavo de Carvalho (condenado a apagar as mensagens em 48 horas, e indenizar Jean em R$ 10 mil caso não cumpra as ordens judiciais), Carlos e Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis, Bibo Nunes, Frederick Wassef, Ed Raposo e Otávio Fakhoury. Todos eles estão sendo processados por Jean Wyllys. Kicis e Fakhoury também são investigados no STF por envolvimento com as milícias digitais.[75]

Partido dos Trabalhadores[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de setembro de 2018, o engenheiro bolsonarista Renato Henrique Scheidemantel acusou a bancária e sindicalista petista Lívia Gomes Terra em seu Facebook de ter entregue a faca usada no crime para Adélio. A história cresceu com o passar do tempo e passaram a dissecar sua vida nas redes sociais. Descobriram diversas informações suas, incluindo profissão e número de telefone, e ela também recebeu ameaças em mensagens privadas. Por isso, Lívia desenvolveu transtorno de estresse pós-traumático e síndrome do pânico. Ela relata que nos últimos quatro anos, só saía de casa para trabalhar ou acompanhada. Investigações da Polícia Federal e Militar mostram que no dia do atentado ela estava em casa com astestado médico se recuperando de uma doença. Scheidemantel foi condenado a 10 meses e 20 dias de detenção, mas por ser réu primário, acabou tendo pena revertida para uma pena restritiva de direitos e trabalho comunitário.[76][77]

Em setembro de 2018, Silas Malafaia fez uma série de publicações acusando Adélio de ser acessor de Dilma Roussef, postagem que teve grande repercussão durante as eleições. A assessoria de imprensa de Dilma informou que processaria Malafaia por injúria, calúnia e difamação. Então, no dia 10 de novembro de 2019, o pastor se retratou nas redes sociais, dizendo que postou uma notícia falsa por acidente e que Adélio na verdade tinha laços com o PSOL.[78]

Em setembro de 2018, uma foto circulou nas redes sociais, onde Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Roussef, Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos e Luiz Marinho aparecem com um homem identificado como Adélio Bispo. Porém, ele é João Paulo Rodrigues, líder do MST. A imagem foi originalmente publicada no dia 6 de abril de 2018 no portal de notícias G1, entitulada Lula passa a madrugada no sindicato dos metalúrgicos do ABC após ordem de prisão. Ela voltou a circular em 2020 e 2021.[79][80] Outra foto fora de contexto que circulou foi uma de Gleisi Hoffmann junto com um apoiador, postada nas redes sociais da presidente do partido no mesmo dia do atentado. O apoiador foi indicado como sendo Adélio, porém a foto foi tirada em Curitiba. Os metadados da imagem confirmam sua origem. Esta foto circulou em 2018 e voltou em voga em 2022.[81] Em 2020, duas fotos de Lula com um homem identificado como Adélio Bispo circularam nas redes sociais. Na verdade, esse homem é o médico ortopedista Marcos Heridijanio Moura Bezerra, candidato a deputado federal em 2018.[82]

Ainda em 2018, surgiram boatos que Manuela D'Ávila, participante da chapa do PT durante as eleições de 2018 como vice de Fernando Haddad, ligou de 6 a 18 vezes para Adélio Bispo no mesmo dia do atentado. O boato original surgiu na página do Facebook Partido Bolsonaro. Os boatos voltaram a circular em 2019. A própria Manuela desmentiu a história em entrevista para o Quebrando o Tabu. O ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral Carlo Horbach determinou que o Facebook cedesse o IP e outras informações dos responsáveis da página.[83][84]

Em 2021, Carlos Bolsonaro e outros bolsonaristas compartilharam trecho de entrevista onde José Dirceu disse que atentado contra Bolsonaro "foi erro nosso". Em entrevista para a revista Fórum, Dirceu diz que estava enumerando fatos sobre o governo e o trecho estava fora de contexto.[85]

No dia 14 de fevereiro de 2022, circularam notícias falsas de que o Anonymous teria divulgado novo depoimento de Adélio Bispo, onde teria admitido que foi contratado pelo Partido dos Trabalhadores. A notícia foi espalhada no Twitter pelo perfil @AnonNovidades, suposto membro dos Anonymous. A Polícia Federal nega que o depoimento tenha acontecido.[86] O site de notícias bolsonarista Terra Brasil publicou conteúdo baseado no tweet.[87]

O criador de conteúdo bolsonarista Gustavo Gayer acusou o PT de ter contratado Adélio Bispo e a imprensa de abafar o caso.[87]

Partido da Social Democracia Brasileira[editar | editar código-fonte]

Correu a notícia de que Adélio foi filiado ou tentou se filiar ao PSD. O partido foi investigado, porém o fato nunca aconteceu. Adélio afirma que buscou se desfiliar do partido pois temia que tivesse sido filiado à sua revelia.[60]

Ordem dos Advogados do Brasil e Supremo Tribunal Federal[editar | editar código-fonte]

No dia em que Adélio Bispo foi absolvido por ser inimputável, surgiu o boato de que ele tinha seu sigilo telefônico e bancário protegido pela OAB. Na verdade, o sigilo é de seu advogado, Zanone Manuel de Oliveira. Em 21 de dezembro de 2018, a Polícia Federal recolheu os equipamentos eletrônicos e documentos do advogado para investigar se Zanone tinha ligações com o PCC. No mês seguinte, a OAB de Minas Gerais pediu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região que suspendesse a análise dos materiais por violar o sigilo profissional do exercício da advocacia, pedido que foi atendido. A AGU recorreu, porém na época do surgimento do boato o pedido não havia sido analisado.[88] Também foi publicado um vídeo onde a limiar que proibia a análise dos objetos de Zanone na verdade era de Adélio.[89] Outra entidade que estaria protegendo o sigilo de Adélio Bispo seria o Supremo Tribunal Federal.[90]

Polícia Federal[editar | editar código-fonte]

Em 2021, uma postagem em redes sociais afirmava que a polícia havia recuperado as mensagens deletadas do celular da babá do menino Henry Borel Medeiros, mas ainda não havia periciado o celular de Adélio Bispo. Na realidade, a Polícia Federal analizou 2 terabytes de arquivos de imagens, 350 horas de vídeo, 600 documentos e 700 gigabytes de volume de dados de mídia, além de 1.200 fotos, vindas de aparelhos celulares, um computador e documentos. O celular de seu advogado, Zanone Manuel de Oliveira, é que não foi investigado, por ter limiar que proíbe a análise.[91]

Emissoras de televisão[editar | editar código-fonte]

Entrevistas do advogado de Adélio Bispo, Zanone Júnior, foram cortadas para parecer que emissoras de televisão pagaram os honorários de sua defesa. No corte, uma bolsonarista pergunta: “A quem interessa manter em segredo, esconder quem mandou matar Bolsonaro?” E Zanone Júnior responde: “À pessoa que me pagou”. Em seguida, diz que “tirando aquele primeiro contato em que a pessoa me pagou, eu, Zanone, no interior do meu escritório, a partir daí todas as despesas foram bancadas por algumas emissoras de televisão, não vou citar o nome para você, nem para o Brasil”, e acrescenta que algumas despesas foram pagas pelos próprios advogados. Na realidade, a entrevista foi dada ao Correio Braziliense em tom jocoso, onde Zanone se refria aos gastos relacionados às reportagens que Adélio Bispo estava concedendo, e não aos honorários. Especificamente, o gasto que ele mencionava ocorreu no programa de Roberto Cabrini, do SBT, pois ele e a emissora precisaram viajar para Campo Grande, onde Adélio estava preso. O corte chegou às mãos da Polícia Federal, que chegou na mesma conclusão em seu relatório final.[92]

Sérgio Moro e Marcelo Valeixo[editar | editar código-fonte]

No dia 24 de abril de 2020, o então ministro Sergio Moro saiu do Ministério da Justiça, acusando o presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal. Para justificar a saída do ex-juiz, bolsonaristas como Oswaldo Eustáquio passaram a publicar teorias da conspiração. Em relação à Adélio Bispo, as teorias afirmam que Moro teria interrompido as investigações. Alexandre Ramagem, diretor a ABIN, teria ligado para Bolsonaro afirmando que Moro e Maurício Valeixo estariam escondendo informações sobre o caso. Moro se manifestou dizendo que os boatos são fake news.[68]

Jair Bolsonaro e seus filhos[editar | editar código-fonte]

Os argumentos vêm de um documentário do Brasil 247, Bolsonaro e Adélio - Uma Fakeada no Coração do Brasil, do repórter investigativo Joaquim de Carvalho.[93][94] Ausência aparente de sangue no local da facada após o golpe e a rápida assistência médica e policial seriam indícios de que foi tudo armação, segundo os adeptos dessa teoria,[59] porém Bolsonaro de fato passou por diversas intervenções hospitalares[94] e mostrou sua cicatriz no programa The Noite do Danilo Gentili.[95] Outro ponto levantado é o fato que Adélio frequentou por alguns dias a .38 Clube e Escola de Tiro, regularmente frequentada pelos filhos do presidente. O documentário apresenta o fato como se fosse parte de uma conspitação minuciosa, porém ele foi divulgado pelo próprio Adélio e pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais. Também é apontado um fotógrafo distraído durante o atentado, que na verdade teria se virado para não registrar o fato. Porém, o evento estava sendo amplamente registrado. Além disso, Joaquim argumenta que Adélio estava mais próximo do bolsonarismo do que da esquerda. Ele mostra como argumento uma suposta filiação de Adélio ao PSD em 2016, porém é uma notícia falsa. O documentário também traz várias cenas feitas pelo canal do Youtube True or Not. O canal foi investigado pela Polícia Federal, que afirma que a análise feita é superficial. Outra fragilidade é o número imenso de pessoas que estariam envolvidas no atentado, incluindo "testemunhas, aliados dos Bolsonaro, ex-aliados, seguranças, auxiliares, ex-auxiliares, policiais civis e militares de Juiz de Fora, policiais federais, integrantes do Ministério Público, integrantes do governo de Michel Temer (que tinha Henrique Meirelles como candidato à Presidência, à época), motoristas, funcionários, enfermeiros e médicos de dois grandes e respeitados hospitais (Santa Casa de Juiz de Fora e Albert Einstein, em São Paulo), além de familiares de todas essas pessoas, entre outras." O documentário ainda traz uma suposta cirurgiã que pediu para não ser identificada que afirma que Adélio não teria ponto de apoio para enfiar a faca na barriga de Bolsonaro, e explora o fato que o então canditado à presidência não estava usando um colete a prova de balas. A cirurgia que Bolsonaro passou também seria para a remoção de um tumor previamente conhecido.[96] O cirurgião que operou Bolsonaro, Antônio Luiz de Vasconcellos Macedo, é apontado como um oncologista, porém na verdade ele é especializado em cirurgia geral e gastrocirurgia.[97]

A teoria da conspiração foi espalhada principalmente por apoiadores do ex-presidente Lula, como o ativista Thiago dos Reis,[94] e parlamentares e dirigentes do PT, como Bohn Gass, Maria do Rosário, Paulo Pimenta e Rogério Correia. O próprio Lula já mostrou dúvidas sobre o atentado, dizendo em entrevista que acha estranho que a inação dos seguranças. Em resposta, Lula disse que “não, eu não disse que não tinha tomado, eu disse que não acreditava".[96] Em setembro de 2021, o deputado federal Alexandre Frota protocolou um pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o caso.[98] Segundo Cabo Daciolo o episódio foi "um espetáculo da maçonaria e da nova ordem mundial".[99]

O documentário do Brasil 247 foi derrubado da plataforma YouTube em 10 de agosto de 2022. O YouTube alega que sua política de discurso de ódio não permitia negação, banalização ou minimização de eventos históricos, incluindo a facada contra Jair Bolsonaro.[100]

Parentes e sósias de Adélio[editar | editar código-fonte]

A Polícia Federal investigou a suposta existência de dois sósias de Adélio. Um dos sósias foi denunciado por carta anônima para a PF, que denunciava a presença de Adélio em Luminárias por volta de abril de 2018. A carta chamou atenção pela quantidade de detalhes. A polícia tinha interesse em reconstruir os passos de Adélio e foi investigar. Foi descoberto que realmente havia um homem que se parecia com Adélio, mas ele não estava envolvido no caso e a PF concluiu que se tratou de um engano. A segunda denúncia foi feita ao Ministério da Educação, onde um primo de Adélio teria se encontrado com ele antes do crime e atualmente trabalhava em Juiz de Fora. A denúncia ainda traz que ele tinha fama de ser parte de uma família perigosa. Porém, o homem não conhecia Adélio. O boato surgiu pela semelhança na aparência dos dois e pelo fato que ambos nasceram no sul de Minas Gerais.[101]

Cúmplices[editar | editar código-fonte]

Sete pessoas foram acusadas de terem facilitado o atentado e passado a faca para Adélio. Suas fotos foram compartilhadas em redes sociais e eles sofreram linxamento virtual. A Polícia Federal descartou suas participações no atentado.[101] Uma dessas pessoas seria Aryane Camos, acusada de ser petista.[102] Em 2 de maio de 2020, o presidente Jair Bolsonaro postou vídeo em redes sociais onde um suposto técnico de informática mostra provas que Adélio teria recebido ajuda, incluindo um momento onde um homem teria dito "calma, Adélio" logo após o atentado. A Polícia Federal, porém, fez análise técnica do vídeo e o descartou, e diz que o que foi dito foi "calma, velho".[103]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Logo após o evento, diversas contas falsas de Adélio foram criadas em redes sociais. O perfil oficial do criminoso no Facebook já colecionava mais de 9,5 mil seguidores duas horas após ter sido preso. No Twitter, o ataque foi mencionado 808 mil vezes em duas horas, segundo a Fundação Getulio Vargas. O assunto foi o mais comentado no site em doze países, da Argentina à Espanha, passando por Estados Unidos e Bahrein.[104]

O presidente Michel Temer classificou o ataque como intolerável, reiterando sua indignação com a impossibilidade de vivência harmoniosa num estado democrático de direito, no qual não seja plausível a realização de uma campanha tranquila.[105] Os demais candidatos à presidência cancelaram suas respectivas agendas para 7 de setembro, dia seguinte ao acontecimento. Todos divulgaram notas de repúdio e cobraram investigações sobre o atentado.[106][107]

Diversos ministros se pronunciaram sobre o incidente. Eliseu Padilha, da Casa Civil da Presidência, disse que a facada atingiu "em cheio" a democracia. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca, também condenou veementemente o episódio.[105] Candidato a vice-presidente na coligação de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão afirmou que a campanha precisava "acabar com vitimização" ligada ao atentado.[108]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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