Clima do Brasil

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Mapa climático do Brasil de acordo com a classificação climática de Köppen.

O clima do Brasil é diversificado em consequência de fatores variados, como a fisionomia geográfica, a extensão territorial, o relevo e a dinâmica das massas de ar. Este último fator é de suma importância porque atua diretamente tanto na temperatura quanto na pluviosidade, provocando as diferenças climáticas regionais.[1] As massas de ar que interferem mais diretamente são a equatorial (continental e atlântica), a massa tropical (continental e atlântica) e a polar atlântica.

A maior temperatura registrada oficialmente no Brasil foi 44,7 °C em Bom Jesus, Piauí, em 21 de novembro de 2005, superando o recorde também oficial de Orleans, Santa Catarina, de 44,6 °C, de 6 de janeiro de 1963.[2][3] Já a menor temperatura registrada foi de -17,8 °C no Morro da Igreja, em Urubici, Santa Catarina, em 29 de junho de 1996 (registro extra oficial).[4] A menor temperatura registrada oficialmente no país foi de -14,0 °C, no município de Caçador, no mesmo estado, em 11 de junho de 1952.[5][6]

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o maior acumulado de chuva em 24 horas já observado no país foi de 404,8 mm, em Florianópolis, Santa Catarina, no dia 15 de novembro de 1991.[3] Entretanto fontes não oficiais indicam a ocorrência de 622,5 mm na localidade de Itapanhaú, município de Biritiba Mirim, São Paulo, no dia 20 de junho de 1947.[7]

Equatorial[editar | editar código-fonte]

Pequeno afluente do rio Amazonas no Brasil.
Ver artigo principal: Clima equatorial

Ocorre na região Amazônica, ao norte de Mato Grosso e a oeste do Maranhão e está sob ação da massa de ar equatorial continental – de ar quente e geralmente úmido. Suas principais características são temperaturas médias elevadas (25 °C a 27 °C); chuvas abundantes, com índices próximos de 2,000 mm/ano, e bem distribuídas ao longo do ano; e reduzida amplitude térmica, não ultrapassando 3 °C. No inverno, essa região pode sofrer influência da massa polar atlântica, que atinge a Amazônia ocidental ocasionando um fenômeno denominado "friagem", ou seja, súbito rebaixamento da temperatura em uma região normalmente muito quente.

Tropical[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Clima tropical

Abrange toda a região central do país, a porção oriental do Maranhão, grande parte do Piauí e a porção ocidental da Bahia e de Minas Gerais. Também é encontrado no extremo norte do Brasil, em Roraima. Caracteriza-se por temperaturas elevadas (entre 18 °C e 28 °C), com significativa amplitude térmica de (5 °C e 7 °C), e estações bem definidas – um verão quente e chuvoso e inverno ameno e seco. Apresenta alto índice pluviométrico, em torno de 1,500 mm/ano. A estação chuvosa é o verão, quando a massa equatorial continental está sobre a região. No inverno, com o deslocamento dessa massa diminui a umidade e então ocorre a estação seca.

Tropical de altitude[editar | editar código-fonte]

Campos do Jordão é a cidade mais alta do Brasil.
Ver artigo principal: Clima tropical de altitude

É encontrado nas partes mais elevadas, entre 500 m e 1 000 m, do planalto Atlântico do Sudeste. Abrange trechos dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo. Sofre a influência da massa de ar tropical atlântica, que provoca chuvas no período do verão. Apresenta temperatura amena, entre 18 °C e 26 °C, e amplitude térmica anual entre 7 °C e 9 °C. No inverno, as geadas acontecem com certa frequência em virtude da ação das frentes frias originadas da massa polar atlântica.

Tropical atlântico ou tropical úmido[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Clima tropical úmido

Estende-se pela faixa litorânea do Ceará ao extremo leste de São Paulo. Sofre a ação direta da massa tropical atlântica, que, por ser quente e úmida, provoca chuvas intensas. O clima é quente com variação de temperatura entre 18 °C e 26 °C e a amplitude térmica é maior à medida que se avança em direção ao Sul -, úmido e chuvoso durante todo o ano.

Subtropical[editar | editar código-fonte]

Neve no município de Guarapuava - PR em 2013.
Ocorrência de geada no Parque Barigui, em Curitiba.
Ver artigo principal: Clima subtropical

É o clima das latitudes abaixo do trópico de Capricórnio: abrange o sul do estado de São Paulo e a maior parte da Grande São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o extremo sul de Mato Grosso do Sul. Está localizado na faixa de luminosidade temperada, contudo, não apresenta várias características do clima temperado. É influenciado pela massa polar atlântica, que determina temperatura média de 18 °C e amplitude térmica anual elevada para padrões brasileiros, de cerca de 10 °C. As chuvas variam dos 1 000 mm/ano aos 2 000 mm/ano e bem distribuídas anualmente. Há geadas com frequência e eventuais nevadas.

Em termos de temperatura, apresenta as quatro estações do ano relativamente bem marcadas. Os verões são um pouco quentes, na maior parte da Região Sul (Cfa, segundo a Classificação climática de Köppen-Geiger), enquanto os verões são amenos nas Serras Gaúcha e Catarinense, além do extremo sul do país, nas partes mais elevadas das Serras de Sudeste (caracterizado por Köppen como Cfb), com média anual de temperatura inferior aos 17 °C. Os invernos são frescos (frios para os padrões brasileiros), com a ocorrência de geadas em toda a sua área de abrangência, havendo a ocorrência de neve nas partes mais elevadas da região. A neve ocorre com regularidade anual apenas acima dos 1.000 metros de altitude (constituindo uma pequena área entre os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina), sendo, nas áreas mais baixas, de ocorrência mais esporádica, não ocorrendo todos os anos.

Nos pontos mais altos do planalto, onde pode ocorrer a neve durante os dias de inverno, estão situadas as cidades mais frias do país: São Joaquim e Urupema, em Santa Catarina, e São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, as três com temperatura média anual de 13 °C. O local mais frio do país é creditado ao cume do Morro da Igreja, no município de Urubici, próximo a São Joaquim, o ponto habitado mais alto da Região Sul do país.

Semiárido[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Clima semiárido
Paisagem de caatinga predominante no semiárido brasileiro.

Típico do interior do Nordeste, região conhecida como o Polígono das Secas, que corresponde a quase todo o sertão nordestino e aos vales médios e inferiores do rio São Francisco. Sofre a influência da massa tropical atlântica que, ao chegar à região, já se apresenta com pouca umidade. Caracteriza-se por elevadas temperaturas (média de 27 °C) e chuvas escassas (em torno de 500 mm/ano), irregulares e mal distribuídas durante o ano. Há períodos em que a massa equatorial atlântica (superúmida) chega no litoral norte de Região Nordeste e atinge o sertão, causando chuva intensa.

O país tem 11% de seu território dentro do polígono das secas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).[8]

Vento[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ventos no Brasil

No Brasil o regime de ventos é bastante complexo, sobressaindo os sistemas de alta pressão dos anticiclones subtropicais do Atlântico Sul e do Atlântico Norte, e a faixa de baixas pressões da depressão equatorial.[9] No Sudeste os ventos sopram de leste a nordeste, com origem no anticiclone subtropical atlântico, que é semifixo, recebendo ainda a influência de diversos outros fatores, como o jato subtropical e o aquecimento continental.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Alvares, Clayton Alcarde; Stape, José Luiz; Sentelhas, Paulo Cesar; de Moraes Gonçalves, José Leonardo; Sparovek, Gerd (2013). «Köppen's climate classification map for Brazil». Meteorologische Zeitschrift (em inglês). 22 (6): 711–728. doi:10.1127/0941-2948/2013/0507 
  2. Terra (26 de novembro de 2005). «Piauí tem a temperatura mais alta em 96 anos». Consultado em 13 de outubro de 2011 
  3. a b Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). «Informações sobre o tempo». Consultado em 13 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2011 
  4. «Sibéria brasileira no sul do Brasil». fantastico.globo.com , Fantástico, 18 de junho de 2006.
  5. «Recordes de frio em SC». EPAGRI/CIRAM. 2011. Consultado em 2 de setembro de 2011 
  6. Vieira H; et al. «CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA PRELIMINAR DE CAÇADOR/SC: ALTERAÇÕES MICROCLIMÁTICAS NO PERÍODO DE 1942-2006» (PDF). Anais 1980-2006. Congressos Brasileiros de Meteorologia. Consultado em 24 de julho de 2011 
  7. Carlos Alberto (15 de outubro de 2010). «Recorde absoluto de maior chuva registrada no Brasil». Meteorologia e Clima. Consultado em 13 de outubro de 2011. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2011 
  8. «Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO». www.fao.org 
  9. institucional (2001). «Regime de ventos sobre o Brasil». Atlas do Potencial Eólico Brasileiro. Consultado em 1 de fevereiro de 2016 
  10. Antônio Carlos de Carvalho Melo Filho (n.d.). «Sistemas de Circulação Atmosférica Atuantes no Sudeste Brasileiro». Guia 4 Ventos. Consultado em 1 de fevereiro de 2016