Reflexoterapia

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Mapa de zonas reflexas nos pés
Este mapa de reflexologia das mãos indica por números áreas que corresponderiam aos diversos órgãos do corpo humano.

Reflexoterapia é a utilização terapêutica da reflexologia. É uma técnica de tratamento por meio de estímulos em uma área reflexa. Reflexologia é o estudo das delimitações destas áreas, assim como as suas funções e ações diante das patologias humanas. É um dos recursos da medicina natural, holística, ou medicina complementar, anteriormente conhecida como medicina alternativa, e também considerada por setores hegemônicos do atual paradigma científico da prática médica como pseudociência.

Escolas e origens[editar | editar código-fonte]

Observe-se que a utilização do termo "reflexo" possui vários significados e diferentes usos na história da medicina, além da clássica e conhecida reflexologia pavloviana ou de origem russa. Identifica-se nas concepções de René Descartes (1596-1650) da fisiologia dos movimentos musculares, uma das mais antigas utilizações deste termo.[1] É comum, também, especialmente nos textos de medicina alternativa, a atribuição ao médico americano William Fitzgerald (1872–1942), que teria iniciado a reflexologia a partir de suas observações no Hospital St. Francis de Connecticut (Estados Unidos), onde ocupou o cargo de chefe do departamento de otorrinolaringologia.[2] [3] O doutor Fitzgerald, juntamente com Edwin F. Bowers, são autores do livro "Zone therapy; or, Relieving pain at home" (publicado em 1917 por I. W. Long, Publisher e disponível na California Digital Library), que, como o nome indica, destacava o efeito analgésico de estimulações em determinadas áreas (zonas) do corpo.

Outra atribuição de origem vem do integrante do Hospital Laennec de Paris da década de 50, Louis Van Steen, que praticava a técnica de estimulação direta da coluna vertebral, tanto influenciado pelas concepções de dermátomos como pela medicina chinesa divulgada na França por G. Soulié de Morant (1878-1955). Este autor nos aponta, como origem, o "Traité de reflexothérapie" de Albert Leprince (1924) e as contribuições do doutor Albert Abrams (1863–1924), autor do livro "Spondylotherapy, physio and pharmaco-therapy and diagnostic methods based on a study of clinical physiology" (publicado pela Philopolis Press em 1918 - disponível na Open Library), pelo que consta, inspirado nas técnicas da osteopatia e quiropraxia.[4]

O Do In, de origem japonesa, e o Tui Na, de origem chinesa, são notavelmente semelhantes aos procedimentos de algumas técnicas também conhecidas como reflexoterapia, embora fundamentem-se em concepções das tradições orientais relativamente próximas entre si e distintas das concepções científicas da medicina ocidental.

Classificação por "áreas reflexas"[editar | editar código-fonte]

As principais áreas reflexas trabalhadas são: as mãos (reflexo palmar); os pés (reflexo podal); as orelhas (reflexo auricular); a coluna (reflexo vertebral); a face (reflexo facial); e o crânio (reflexo cranial); e separadamente reflexos da boca, dentes e nariz.

Na coluna vertebral[editar | editar código-fonte]

A técnica das percussões da coluna vertebral consiste em efetuar suaves golpes (percussões) com o dedo médio fletido, atingindo áreas sobre a apófise espinal de vértebras escolhidas (e/ou nas regiões inter e paravertebrais) com a polpa do dedo médio, estando a unha cortada o mais rente possível. Alguns autores também propõem a estimulação elétrica das mesmas áreas com corrente elétrica sinusoidal. [4]

Nos pés[editar | editar código-fonte]

Os praticantes desta técnica (podorreflexoterapia) acreditam que existem pontos nos pés que refletem a situação da saúde do corpo humano por inteiro. Por isto, estimulam-se estas áreas para aliviar dores, distúrbios orgânicos, emocionais (leves) e de várias partes do corpo, gerando, assim, um grande equilíbrio corporal, da maneira mais simples possível.

Sir William Osler (12 de Julho, 1849 – 29 de Dezembro, 1919), médico canadense, sendo um dos ícones da medicina moderna, chamado por vezes de "pai" dela, era um conhecedor e defensor da reflexologia podal, tendo, um dia, afirmado que: "Quando os nervos dos olhos e dos pés forem corretamente entendidos, haverá menos necessidade de intervenções cirúrgicas".

Áreas reflexas da mão segundo o Himalayan Yoga Center Yerevan

Nas mãos[editar | editar código-fonte]

O mesmo princípio se aplicaria às mãos. Nas mãos e nos pés, a região mais próxima à ponta dos dedos corresponderia à cabeça e a região mais próxima ao pulso e ao tornozelo à região do quadril. Observe-se que recentemente vem se desenvolvendo um sistema equivalente à acupuntura, com aplicações de agulhas na mão (Korio Soo-Ji-Chim). Atribui-se sua origem ao coreano Tae Woo Yoo em 1975.

Nas orelhas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Auriculoterapia

A auriculopuntura é uma da técnicas de estimulação, de origem chinesa, para a qual se tem testado hipóteses quanto ao seu mecanismo de ação através da reflexologia, especialmente por conexões anatômicas, já identificadas, do pavilhão auricular com o sistema nervoso autônomo - SNA, (ver ilustração). Observe-se porém que somente a presença das referidas conexões nervosas não são condição suficiente para uma explicação de seu efeito terapêutico. Requer-se ainda experimentos do tipo duplo-cego avaliando-se modificações autonômicas e/ou clínicas comparando esta estimulação com outras formas de modificação do SNA, e que também ainda não existe um consenso quanto aos pontos auriculares e seus efeitos. A auriculoacupuntura, portanto é uma possibilidade terapêutica que se fundamenta na medicina tradicional chinesa e experiências empíricas com poucos resultados publicados.

Auriculotherapyx 2.png

Identidade e Diferenças[editar | editar código-fonte]

Não há consenso entre os reflexologistas sobre como a reflexologia deve funcionar. A ideia relativamente generalizada é a de que algumas áreas no pé, ou da mão etc. correspondem a outras áreas do corpo, e que, manipulando-as, pode-se melhorar a saúde através do "chi", como definido nas concepções chinesas. Uma suposta explicação é que a pressão recebida pelo pé (ou outra parte do corpo) pode enviar sinais que "equilibram" o sistema nervoso ou liberam mensagens químicas como a endorfina, que reduz o estresse e dores.[5] Tal hipótese é, sem dúvida, incipiente quanto à abrangência do total de possibilidades de efeitos fisiológicos que podem ser obtidos por um amplo e mal compreendido conjunto de técnicas tanto originado em sistemas etnomédicos como em teorias baseadas em experiência clínica de distintos profissionais.

Esta e outras hipóteses isoladas (sem compor uma sistema teórico) são rejeitadas pela grande maioria da comunidade médica, que incluem a reflexoterapia e mesmo as tradições orientais como pseudociência, a exemplo dos editores da revista "Nature" (2007).[6] Por outro lado, descartando os limites da aplicação da nossa concepção ocidental de ciência a conhecimentos e práticas fundamentadas em sistemas mítico-religiosos de povos ditos primitivos ou não ocidentais, temos que responder à pergunta/hipótese enunciada por Barros:

[7]

Naturalmente que não obteremos, como ele mesmo apontou, uma só resposta. Na sua revisão conceitual e investigação empírica, identificou três classes de profissionais de saúdeː

  • os exclusivamente fiéis à tradição biomédica;
  • profissionais "convertidos" ao sistema explicativo adotado;
  • profissionais "híbridos", que tentam conciliar sua especialização à prática de outra racionalidade médica.

Contudo, esta ponderação nos permite compreende o complexo sistema de práticas e teorias que podemos designar por reflexologia(s) e reflexoterapia(s).

Críticas[editar | editar código-fonte]

A crítica mais comum contra a reflexologia é a falta de evidências para a afirmação de seus efeitos, ou de qualquer base científica ou demonstrativa para as suas teorias. Assim como outras pseudociências sem qualquer efeito provado além de placebo, se seus pacientes dependerem apenas dela ou até rejeitarem tratamentos médicos efetivos, aumenta o risco de saúde do paciente.

Em 2009, uma revisão sistemática de experimentos aleatórios controlados concluiu que "A melhor evidência existente até o momento não demonstra que a reflexologia é eficaz no tratamento de qualquer condição médica".[8]

Massagem tailandesa ou Nuad Phaen Boran

A afirmação de que a reflexologia pode manipular energia (qi) sempre foi extremamente controversa, já que não há nenhuma evidência científica mostrando a existência dessa energia (Ki ou "meridianos") no corpo.[9]

Commons
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Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. PESSOTTI, Isaias. Pré História do condicionamento. SP, Hucitec, 1976
  2. Modern Institute of Reflexology. History of Dr. William Fitzgerald MD HTML Acesso, Jan. 2015
  3. IIR - International Institute of Reflexology. The History Of Reflexology HTML Acesso, Jan. 2015
  4. a b VAN STEEN, L. O reflexo vertebral, técnica das percussões e terapêutica. SP, Andrei, 1983
  5. «What is Reflexology?». Consultado em 2006-11-26.  (WOT score is marked as dangerous)
  6. Nature (editorial) Hard to swallow, is it possible to gauge the true potential of traditional Chinese medicine? Nature 448, 105-106 (12 July 2007)
  7. BARROS, Nelson Felice. Medicina complementar, uma reflexão sobre o outro lado da prática médica. SP, Annablume: FAPESP, 2000
  8. Ernst E (2009). «Is reflexology an effective intervention? A systematic review of randomised controlled trials». Med J Aust [S.l.: s.n.] 191 (5): 263–6. PMID 19740047. 
  9. Barrett, Stephen (2004-09-25). «Reflexology: A close look». Quackwatch. Consultado em 2007-10-12. 

Bibliografia adicional[editar | editar código-fonte]

  • I Siev-Ner, D Gamus, L Lerner-Geva, A Achiron. Reflexology treatment relieves symptoms of multiple sclerosis: a randomized controlled study. Multiple Sclerosis, Vol. 9, No. 4, 356-361 (2003).
  • Hodgson, H. "Does reflexology impact on cancer patients' quality of life?," Nursing Standard, 14, 31, pp. 33-38.
  • Ji-Eun Han, Master, RN, Young-Im Moon, PhD, and Ho-Ran Park, PhD. College of Nursing, Catholic University of Korea, Seoul, none, South Korea, "Effect of Hand Massage on Nausea, Vomiting and Anxiety of Childhood Acute Lymphocytic Leukemia with High Dose Chemotherapy," Presented at Back to Evidence-Based Nursing: Strategies for Improving Practice, Sigma Theta Tau International, July 21, 2004.