As Pupilas do Senhor Reitor (1994)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
As Pupilas do Senhor Reitor
Informação geral
Formato Telenovela
Duração 50 minutos
Criador(es) Lauro César Muniz
Baseado em As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Dinis
Desenvolvedor(es) SBT
País de origem  Brasil
Idioma original (Português)
Produção
Diretor(es) Nilton Travesso
Elenco
Tema de abertura "Canção do Mar", Dulce Pontes[1]
Exibição
Emissora de televisão original Brasil SBT
Formato de exibição 480i (SD)
Transmissão original 6 de dezembro de 1994 - 8 de julho de 1995
N.º de episódios 186 (Original)

4 (primeira reprise)
65 (segunda reprise)

Cronologia
Éramos Seis
Sangue do Meu Sangue

As Pupilas do Senhor Reitor é uma telenovela brasileira produzida pelo SBT e exibida de 6 de dezembro de 1994 a 8 de julho de 1995, em 185 capítulos e originalmente às 19h45, substituindo Éramos Seis e sendo substituída por Sangue do Meu Sangue.[2][3]

Escrita por Lauro César Muniz, é uma adaptação do romance homônimo de Júlio Dinis, é com colaboração de Ismael Fernandes e Bosco Brasil, com direção de Nilton Travesso.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A partir de 1993, o SBT começou a investir na produção de folhetins brasileiros. Iniciou as adaptações com Éramos Seis (1994), adaptada de um romance homônimo de Maria José Dupré, por Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho.[4][5][6]

Em 14 de junho de 1994, a direção da emissora decidiu fazer uma nova versão de As Pupilas do Senhor Reitor, romance português escrito por Júlio Dinis em 1867. Esta foi a segunda versão televisiva da obra, já que a primeira foi ao ar em 1970, pela Rede Record.[7]

Produção[editar | editar código-fonte]

Escolha do elenco[editar | editar código-fonte]

A novela contou com vários atores globais. Em agosto de 1994, a atriz Débora Bloch assinou contrato com o SBT para ser uma das protagonistas da novela. A atriz estava longe das novelas desde 1986.[8] Eduardo Moscovis interpretou o protagonista masculino.[9] A atriz Daniela Camargo, advinda de duas novelas globais, estudava em Nova York e largou seu curso para atuar como antagonista na novela.[10]

Gravações[editar | editar código-fonte]

As cidades portuguesas do Porto e de Guimarães, nas regiões do Douro e do Minho, serviram de cenário para as primeiras gravações da trama.[11] Durante dez dias, a equipe formada por Nilton Travesso, gravou várias cenas com três dos protagonistas da trama: Guida (Débora Bloch), Daniel (Eduardo Moscovis) e Amália (Daniela Camargo).[11] Foram produzidos, também, "pack shots" –imagens para serem inseridas durante toda a novela. Travesso percorreu todo o norte de Portugal para encontrar uma aldeia que servisse de locação para a trama, ambientada entre 1860 e 1870 na aldeia portuguesa de Póvoa do Varzim.[11][12] Encontrou o cenário que queria no pequeno vilarejo de Sistelo, a cerca de 25 quilômetros da fronteira com a Espanha,[11] "Foi o único local onde achamos uma aldeia com o estilo romântico preservado", contou Nilton.[11] As sequências gravadas em Portugal foram ao ar nos capítulos de números três a sete da novela[11] Uma das mais complicadas foi a cena de uma briga entre Amália e Daniel, que previa um temporal, sendo que a chuva foi artificialmente criada com a ajuda do corpo de bombeiros da cidade de Guimarães e quase inundou a pousada que servia de cenário.[11] Segundo o diretor, além dos bombeiros, todas as autoridades locais também contribuíram para o sucesso das gravações, "Todos foram muito compreensivos e acho que pesou muito o fato da novela ser uma adaptação da obra de Júlio Diniz, um autor que os portugueses prezam muito e consideram como um dos romancistas mais modernos de sua época", diz Travesso.[11] Porém, a poluição sonora de Porto atrapalhou as gravações. Assim, todas as cenas com som direto previstas para a cidade do Porto tiveram que ser transferidas para Guimarães, "A poluição sonora do Porto é muito grande", explicou um decepcionado Travesso.[11]

Como o custo da viagem de toda a equipe ficaria muito alto, optou-se por gravar cenas com alguns atores no Brasil. Foram feitas cenas na Catedral da Sé, no centro de São Paulo.[13][14] Para isto, o cenário foi minuciosamente escolhido por um historiador, que procurou locações semelhantes às de Portugal. A catedral da Sé é uma delas.[13] O SBT também aproveitou cenários da antecessora na cidade cenográfica da emissora, o que era a São Paulo dos anos 30, de Éramos Seis, vai se transformando em uma vila portuguesa do século passado. Nos estúdios, a casa de Lola (Irene Ravache) deu lugar à igreja do reitor de Pupilas (Juca de Oliveira).[15]

Também houveram cwnas externas em uma fazenda em Itu. Como se tratava de uma gravação ao ar livre, apenas uma câmera foi utilizada. Os atores, então, tiveram que gravar todas as cenas duas vezes: uma com a câmara instalado lado esquerdo, e outra com ela colocada do lado direito. A seqüência era o encontro de Amália (Daniela Camargo) com Daniel (Eduardo Moscovis) à beira de um lago. Os dois conversavam e, em seguida, se beijavam.[16]

Trama[editar | editar código-fonte]

Na então aldeia de Póvoa de Varzim, região de Entre-o-Douro-e-Minho, em Portugal, o enredo trata dos conflitos dos moradores locais. Após a morte de seu pai, Margarida (Guida) vai viver com sua meia-irmã Clara, filha de sua madrasta. A madrasta morre e confere a educação das meninas ao Padre Antônio, o Senhor Reitor. A partir daí o Reitor começa a cuidar das duas mocinhas. Pedro, um homem simples que trabalha no campo como seu pai, o Sr. José Das Dornas, dono da fazenda mais importante da aldeia, é noivo da ambiciosa Clara. Guida, por sua vez, é a prometida de Daniel, que voltou à aldeia graduado como médico, destituindo o posto do Dr. João Semana. Mas o rapaz não se lembra de Guida, nem da promessa de casamento feita anos antes à jovem, assim como não se acostuma com a vida humilde da pequena aldeia.

O Reitor se inspirará na natureza para proteger e cuidar de suas flores (Guida e Clara), utilizando sua sabedoria para controlar as incríveis confusões que surgirão.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator/Atriz[17] Personagem[17]
Juca de Oliveira Padre Antônio (Senhor Reitor)
Débora Bloch Margarida (Guida)[18]
Luciana Braga Clara
Eduardo Moscovis Daniel das Dornas[19]
Tuca Andrada Pedro das Dornas[20]
Elias Gleizer Sr. José das Dornas
Joana Fomm Eugênia Carlota
Cláudio Fontana Manoel do Alpendre
Daniela Camargo Amália[21]
Luiz Carlos Arutim Dr. João Semana
Elizângela Tereza
Luiz Guilherme General Afonso d'Alencastro
Denise Del Vecchio Joana
Valéria Alencar Francisquinha[22][23]
Roberto Bomtempo Padre José
Jofre Soares Mestre Álvaro
Ana Lúcia Torre Zefa das Graças
Rogério Márcico Pereirinha[24]
Miriam Mehler Rosa
Cláudia Mello Brásia
Oscar Magrini Augusto
Lucinha Lins Magali do Porto[25]
Eduardo Galvão Fernão da Ribeira
Lu Grimaldi Elvira
Olair Coan Padre Emílio[26]
Bri Fiocca Liduína
Philipe Levy Cardeal Joaquim
Sônia Guedes Alice
Ariela Goldman Maria do Porto
Marcos Breda Gama
Lavínia Pannunzio Antonieta
Cláudio Curi Rogério
Lourdes de Moraes Dona Vitória
Renato Borghi João da Esquina[27]
Lulu Pavarin Donana
Roney Facchini Malaquias
Eliete Cigarini Gisela
Fernando Neves Jorge
Fernanda Muniz Marianinha
Caio Blat Henrique
Lúcia Romano Isabel
Paulo de Almeida Antônio
Élida Marques Leonor

Primeira Fase[editar | editar código-fonte]

Ator[17] Personagem[17]
Paulo Goulart Dom Arlindo
Rosamaria Murtinho Ressureição
Cristina Bessa Margarida (Guida) (jovem)
Paula Klein Clara (jovem)
Jiddu Pinheiro Daniel (jovem)
Oberdan Júnior Pedro (jovem)
Bruno Gomes Manoel do Alpendre (jovem)
Cristina Padiglione Ana Carolina[28]
Sabrina Beráguas Adelaide
Riba Carlovich Inácio
Alexandre Reinecke Capitão

Exibição e reprises[editar | editar código-fonte]

A estreia esteve prevista tanto para 21 de novembro,[29] ou 28 de novembro de 1994,[15] mas foi adiada para 6 de dezembro já que havia poucas cenas gravadas da novela,[30] substituindo Éramos Seis.[31] Em 5 de dezembro de 1994, após o último capítulo de Éramos Seis, foi exibido pelo SBT um especial reunindo o elenco de Éramos Seis, sua antecessora no horário, com o elenco de As Pupilas do Senhor Reitor. Apresentado ao vivo por Hebe Camargo, o programa foi transmitido diretamente do Palácio das Convenções do Anhembi Parque, em São Paulo.[30]

Foi reexibida pelo SBT entre 11 a 15 de dezembro de 2006, com uma baixa audiência, a primeira reprise foi cancelada e foi dada uma explicação de problemas com direitos autorais das músicas.[32] Um tempo depois, o SBT alegou conseguir reexibir a trama e foi exibida uma segunda reprise, desde o início, entre 7 de maio a 3 de agosto de 2007, compactada em 65 capítulos, substituindo O Diário de Daniela, às 15h15 da tarde.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

Obtendo índices de até 14 pontos de audiência na primeira semana de exibição, As Pupilas do Senhor Reitor conseguiu manter a fatia do público conquistada por Éramos Seis.[33] Na sexta-feira, 9 de dezembro, a trama do SBT registrou 11 pontos no Ibope contra 25 da Rede Globo, que exibia o Globo Repórter.[33] Porém a audiência foi caindo e raramente alcançava índices de audiência maiores que 10 pontos na Grande São Paulo.[34] Éramos Seis, que a antecedeu, tinha melhor desempenho. Registrava médias de 15 pontos.[34] Estabilizada em torno dos oito pontos durante as últimas semanas, a audiência da trama começou a dar sinais de revitalização. A novela já alcançava a média de 10 pontos no primeiro horário de exibição. Segundo o SBT, a baixa audiência está diretamente ligada às férias de verão, época em que muitos paulistanos deixam São Paulo – onde é aferida a audiência.[35] A obra se manteve nos 14, com picos de 20 pontos.[36]

Referências

  1. Jair Rattner (24 de setembro de 1996). «Dulce Pontes une Portugal, África e Brasil». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  2. «Romance português substitui 'Éramos Seis'». Folha de S. Paulo. 15 de junho de 1994. Consultado em 8 de setembro de 2017. 
  3. «Ravache será princesa Isabel». Folha de São Paulo. UOL. 26 de março de 1995. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  4. Schwartsman, Annette (28 de novembro de 1993). «Osmar Prado vira Hitler e assina contrato com SBT». Folha de S. Paulo. Consultado em 26 de dezembro de 2013. 
  5. Blecher, Nelson (13 de dezembro de 1993). «Vice-líder, SBT parte para a produção de novelas». Folha de S. Paulo. Consultado em 26 de dezembro de 2013. 
  6. Tavares, Helena (4 de dezembro de 1993). «Novela da Tupi é a novidade do SBT». Jornal do Brasil. Consultado em 26 de dezembro de 2013. 
  7. «Romance português substitui 'Éramos Seis'». Folha de São Paulo. 15 de junho de 1994. Consultado em 15 de dezembro de 2017. 
  8. «Débora Bloch está no elenco de "As Pupilas do Senhor Reitor"». Folha de São Paulo. 7 de agosto de 1994. Consultado em 15 de dezembro de 2017. 
  9. «Moscovis vira sedutor comportado em 'As Pupílas do Senhor Reitor'». Folha de São Paulo. 4 de dezembro de 1994. Consultado em 15 de dezembro de 2017. 
  10. «Daniela estará em "Pupilas"». Folha de São Paulo. 13 de novembro de 1994. Consultado em 15 de dezembro de 2017. 
  11. a b c d e f g h i Annette Schwartsman (18 de setembro de 1994). «SBT começa a gravar em Portugal». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  12. «SBT leva sua nova novela para a rua». Folha de São Paulo. UOL. 28 de abril de 1996. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  13. a b Marcelo de Souza (9 de outubro de 1994). «SBT grava `Pupilas' na catedral da Sé». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  14. «Estréia sob névoa de gelo seco». O Globo. TV-Pesquisa. 9 de outubro de 1994. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  15. a b Marcelo de Souza (13 de novembro de 1994). «SBT faz jornada dupla para pôr no ar sua segunda novela». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  16. Ivan Finotti (8 de janeiro de 1995). «Vacas mugem e atrapalham Daniela Camargo». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  17. a b c d «A Pupilas do Senhor Reitor (1994) - Elenco». Teledramaturgia. Consultado em 7 de fevereiro de 2016. 
  18. «Débora Bloch está no elenco de "As Pupilas do Senhor Reitor"». Folha de São Paulo. UOL. 7 de agosto de 1994. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  19. Marcelo de Souza (4 de dezembro de 1994). «Moscovis vira sedutor comportado em 'As Pupílas do Senhor Reitor'». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  20. Ivan Finotti (19 de fevereiro de 1995). «Ex-vilão gosta de interpretar mocinho». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  21. MSZ (13 de novembro de 1994). «Daniela estará em "Pupilas"». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  22. Murilo Gabrielli (18 de dezembro de 1994). «Atriz de "Pupilas" busca inspiração em cinema e poesia». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  23. Ivan Finotti (5 de fevereiro de 1995). «Valéria Alencar não quer mais gravar nua na novela do SBT». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  24. Ivan Finotti (11 de dezembro de 1994). «Vilão de novela esconde um ator poliesportivo». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  25. João Wady Cury (15 de janeiro de 1995). «A perua chega para movimentar o Porto». O Globo. TV-Pesquisa. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  26. LPZ (9 de abril de 1995). «Padre Emílio de "As Pupilas..." atua há 10 anos». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  27. «Ingra e Borghi podem fazer novela do SBT». Folha de São Paulo. UOL. 10 de julho de 1994. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  28. «Repórter da ``FT" será atriz em ``As Pupilas do Senhor Reitor"». Folha de São Paulo. UOL. 9 de outubro de 1994. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  29. Cristiane Barbieri (25 de julho de 1994). «Éramos Seis' abre vaga para 'Reitor'». O Globo. TV-Pesquisa. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  30. a b «SBT homenageia atores com troféus». Folha de São Paulo. UOL. 27 de novembro de 1994. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  31. «Novela supera expectativa de audiência». Folha de São Paulo. UOL. 6 de dezembro de 1994. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  32. Daniel Castro (28 de novembro de 2006). «Revival». Folha Ilustrada. Consultado em 15 de dezembro de 2017. 
  33. a b «Pupilas mantém público». O Globo. TV-Pesquisa. 18 de dezembro de 1994. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  34. a b Armando Antenore (20 de janeiro de 1995). «Novela do SBT pega a onda de 'Pantanal'». Folha de São Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  35. «'Pupilas' recupera audiência perdida». Folha de São Paulo. UOL. 22 de janeiro de 1995. Consultado em 17 de agosto de 2018. 
  36. Helena Tavares (8 de julho de 1995). «Ibope caiu com Pupilas». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. Consultado em 17 de agosto de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]