Serginho Chulapa

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Serginho Chulapa
Serginho chulapa.jpg
Informações pessoais
Nome completo Sérgio Bernardino
Data de nasc. 23 de dezembro de 1953 (60 anos)
Local de nasc. São Paulo (SP),  Brasil
Nacionalidade Brasil Brasileira
Altura 1,95 m
Apelido Serginho, Chulapa
Informações profissionais
Posição Treinador, auxiliar técnico, ex-atacante
Clubes profissionais1
Anos Clubes Jogos (golos)
1973
1973-1982
1983-1984
1985
1986
1987
1988
1988
1989-1990
1991
1991-1993
1993
Brasil Marília
Brasil São Paulo
Brasil Santos
Brasil Corinthians
Brasil Santos
Portugal Marítimo
Brasil Santos
Turquia Malatyaspor
Brasil Santos
Brasil Portuguesa Santista
Brasil São Caetano
Brasil Atlético Sorocaba
 ? (8)[1]
399 (242)
36 (32)
17 (6)
? (?)
5 (4)
5 (1)
? (?)
13 (3)
? (?)
? (?)
? (?)
Seleção nacional3
1979-1982 Brasil Brasil 20 (8)
Times que treinou3
1994
1999
2001
2005
2008
2009
Brasil Santos
Brasil Portuguesa Santista
Brasil Sãocarlense
Brasil Santos (interino)
Brasil Portuguesa Santista
Brasil Santos (interino)

Sérgio Bernardino, mais conhecido como Serginho Chulapa (São Paulo, 23 de dezembro de 1953), é um treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Encerrou a carreira em 1993.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Aos 12 anos, Serginho começou a jogar em times de várzea da zona norte de São Paulo, como o Cruz da Esperança e o Vasco da Gama. "Se não tivesse ido para o esporte, certamente estaria na criminalidade", avalia hoje, em referência ao projeto social desses times.[2] Depois de ser dispensado dos juvenis da Portuguesa, em 1968,[1] , chegou a trabalhar como entregador de leite e ajudando sua mãe colocando etiquetas em cortinas e camisas, Serginho participou, em 1970, de uma peneira na Casa Verde. Sua atuação encantou o técnico dos juvenis do São Paulo,[1] que o chamou para jogar em seu time.

São Paulo[editar | editar código-fonte]

Sua estréia no elenco profissional do São Paulo foi promovida pelo técnico Telê Santana, em um amistoso contra o Bahia, em 6 de junho de 1973. Quatro dias depois, marcou seu primeiro gol como profissional, no empate em 1x1 contra o Corinthians. Naquele mesmo ano, foi emprestado ao Marília, voltando ao São Paulo em 1974.[3]

Pelo São Paulo, jogou, entre 1973 e 1982, um total de 401 partidas (210 vitórias, 113 empates e 78 derrotas) e marcou 243 gols, tornando-se até hoje o maior artilheiro da história do clube. Nesse período, conquistou o Campeonato Paulista de 1975, 1980 e 1981 e o Campeonato Brasileiro de 1977.

Era nome certo para a Copa de 1978,[4] porém acabou perdendo a chance de jogar quando teve que cumprir um ano de suspensão por agredir um bandeirinha. Em 1982, foi convocado para a reserva e acabou se tornando titular na Copa, quando Careca se machucou antes da estreia.

Santos[editar | editar código-fonte]

No Santos, chegou já experiente, com 29 anos, e por isso mesmo evitou o rótulo de "salvador da pátria".[5] O atleta se identificou com o clube ao longo de quatro passagens. A partir de 1983, conquistou a artilharia do Campeonato Brasileiro e a artilharia e o gol do título no Campeonato Paulista de 1984 contra o seu maior rival, o Corinthians, por 1 a 0. Ao todo, marcou 104 gols com a camisa do Santos e, junto do ponta-esquerda João Paulo e do atacante Neymar, é um dos dois maiores goleadores da equipe após a Era Pelé.

Artilharias[editar | editar código-fonte]

Outros clubes[editar | editar código-fonte]

Posteriormente, jogou no Corinthians, Marítimo Funchal (Portugal), Malatyaspor, Atlético Sorocaba,[6] Portuguesa Santista e São Caetano, encerrando a carreira em 1993.

Confusões[editar | editar código-fonte]

Além dos muitos gols, as confusões se tornaram a marca registrada do jogador, como a briga com Mauro num jogo entre Santos e Corintians, a agressão ao goleiro Emerson Leão, após uma expulsão, e aos repórteres que estavam no campo depois do término do jogo final com o Flamengo em 1983, no primeiro vice-campeonato brasileiro do Santos. Mas também contava que não gostava de viajar, e quando o jogo era relativamente longe de São Paulo (São José do Rio Preto, por exemplo), dava sempre um jeito de ser expulso no jogo anterior com o objetivo de receber a suspensão automática de um jogo.

Na final do Campeonato Brasileiro de 1981 entre São Paulo e Grêmio vencido pelos gaúchos em pleno Morumbi, Serginho Chulapa mostrou todo o seu temperamento explosivo e foi expulso, depois de trombar e posteriormente pisar em Emerson Leão.

Certa vez, em um jogo contra o Corinthians, no Estádio do Pacaembu, jogando pelo São Paulo, em uma jogada à beira do banco de reservas do Corinthians, ele chutou uma bola no banco propositalmente mas levou azar e se desequilibrou, vindo a cair perto do mesmo e foi atacado pelos jogadores e o técnico Nicanor....Isto gerou um total conflito entre todos os jogadores.O árbitro era José Luis Guidotti, que ao encerramento da briga, chamou Sócrates pelo Corinthians e Valdir Peres pelo São Paulo e pediu para que escolhessem três jogadores de cada time para serem expulsos.

Na Copa do Mundo de 1982, chamou a atenção pelo seu bom comportamento e, diziam, havia jogado mal por ter sido "domesticado em excesso" pelo técnico Telê Santana.

Suspensão de 11 meses[editar | editar código-fonte]

No Campeonato Brasileiro de 1977, Serginho era o vice-artilheiro (com quinze gols, tinha cinco a menos que Reinaldo, do Atlético-MG) e principal jogador do São Paulo.[7] No dia 12 de fevereiro de 1978 (o campeonato de 1977 só terminou em março do ano seguinte), em uma partida em Ribeirão Preto, contra o Botafogo, o São Paulo perdia por 1 a 0, quando Serginho aparentemente empatou, aos 45 do segundo tempo. O árbitro Oscar Scolfaro, entretanto, anulou o gol, seguindo a indicação de impedimento do bandeirinha Vandevaldo Rangel.[8]

O centroavante partiu para cima do auxiliar e, segundo a anotação da súmula da partida, "desferiu-lhe um pontapé na perna esquerda, altura da canela, ocasionando um ferimento de aproximadamente uns 10 centímetros, que sangrava abundantemente".[9] Serginho, contudo, negou a agressão: "Eu não chutei, não. Eu fiquei muito nervoso, lógico. (…) Fui para cima dele para saber por que havia anulado o gol. Aí a torcida do Botafogo começou a jogar pedras e garrafas em mim e nos outros jogadores do São Paulo. Uma delas deve ter atingido o bandeirinha, e ele botou a culpa em mim."[1] As imagens da televisão, no entanto, mostravam alguém chutando a canela do auxiliar.[10]

Em 28 de fevereiro, ele foi condenado a uma suspensão de catorze meses, por agressão.[11] Com isso, ficou de fora do segundo jogo das semifinais e da final do Brasileiro de 1977, em que o São Paulo conquistou o título. A suspensão, entretanto, foi ligeiramente abreviada, e ele voltou aos campos onze meses depois, em 28 de janeiro de 1979, em derrota por 4 a 1 para o Santos, no Morumbi. "Vai ser mais um jogo, nada de especial, apesar de todo o tempo que fiquei parado", garantia. "Estou em boas condições físicas e quero fazer muitos gols, não porque estou voltando, mas porque sou um centroavante."[12] Nesse jogo, ele marcou um gol e demonstrou ter superado a suspensão: ao longo de 1979, marcaria 28 gols em 55 jogos.[13]

Carreira como treinador e auxiliar[editar | editar código-fonte]

No Peixe, já foi auxiliar técnico, técnico e técnico interino no clube, com bons resultados. Todavia, nervoso por uma derrota agrediu um repórter no vestiário, o que praticamente acabou com suas chances de dirigir outros clubes de ponta. Ficou afastado do clube no período em que Emerson Leão foi o treinador (2002-2004), mas retornou após a sua saída, deixando novamente o clube quando o técnico voltou ao clube, em 2008. Assumiu então o comando da Portuguesa Santista, tendo estreado em 2 de março, na vitória sobre o Taquaritinga por 3 a 2.[14] Com a saída de Leão, voltou a ser auxilar técnico e técnico interino em 2009, no Santos. Treinou ainda outros clubes do futebol paulista, como São Caetano e Sãocarlense.

Referências

  1. a b c d "Eu? Eu não chutei ninguém", Jornal da Tarde, 14/2/1978, pág. 18
  2. "Times formaram craques", Fábio Mazzitelli e Humberto Maia Junior, Jornal da Tarde, 22/11/2008, pág. 6A
  3. Alexandre da Costa, Almanaque do São Paulo Placar, Editora Abril, 2005, págs. 167-169
  4. "Em ritmo de seleção", Placar número 408, Editora Abril, 17/2/1978, pág. 12
  5. "Túnel do tempo", Placar número 1195, 4/9/2001, Editora Abril, pág. 7
  6. Jornal Cruzeiro do Sul (6 de dezembro de 1993). Gol de Serginho dá vaga ao Atlético. Página visitada em 21 de fevereiro de 2013.
  7. "O São Paulo vai começar atacando", Jornal da Tarde, 11/2/1978, pág. 11
  8. "São Paulo se complica e dá boa chance ao Grêmio", Placar número 408, Editora Abril, 17/2/1978, pág. 6
  9. "O reserva Édson Fonseca fala da agressão", Jornal da Tarde, 14/2/1978, pág. 18
  10. Coluna de Alberto Helena Júnior, Jornal da Tarde, 15/2/1978, pág. 22
  11. "Condenado", Jornal da Tarde, 1/3/1978, pág. 24
  12. (28 de janeiro de 1979) "Bola com Juari, com Segrinho, gol". Folha de S. Paulo (18 197): 34. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S/A. ISSN 14145723.
  13. Alexandre da Costa, Almanaque do São Paulo Placar, Editora Abril, 2005, págs. 195-196
  14. "Lusinha vence na estréia de Serginho", O Estado de S. Paulo, 3/3/2008, pág. E4

Ligações externas[editar | editar código-fonte]