Waldir Peres

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Waldir Peres
Waldir Peres
Waldir Peres na Copa do Mundo de 1982
Informações pessoais
Nome completo Waldir Peres de Arruda
Data de nasc. 2 de janeiro de 1951 (63 anos)
Local de nasc. Garça, São Paulo,  Brasil
Informações profissionais
Período em atividade Como jogador: 1970-1989 (19 anos)
Como treinador: 1991-presente (22 anos)
Clube atual Brasil Grêmio Maringá
Posição Treinador (ex-goleiro)
Clubes de juventude
1969–1970
Brasil Garça
Brasil Ponte Preta
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1970–1973
1973–1984
1984
1985–1986
1986–1988
1988
1988
1989
Brasil Ponte Preta
Brasil São Paulo
Brasil América-RJ
Brasil Guarani
Brasil Corinthians
Brasil Portuguesa
Brasil Santa Cruz
Brasil Ponte Preta
- (-)
611 (0)
- (-)
- (-)
75 (-)
- (-)
- (-)
Seleção nacional
1975–1982 Brasil Brasil 30 (0)
Times que treinou
1991
1992
1993
1994
1994
1995
1996
1997
1998
1998
1999
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2006
2007
2007
2008
2008
2011–2012
2013–
Brasil São Bento
Brasil Inter de Limeira
Brasil União Mogi
Brasil São Bento
Brasil Inter de Limeira
Brasil União Mogi
Brasil Nacional-SP
Brasil Ferroviária
Brasil Nacional-SP
Brasil Guarulhos
Brasil Itapetininga
Brasil Itabaiana
Brasil Nacional-SP
Brasil Paraguaçuense
Brasil Rio Branco-PR
Brasil Oeste
Brasil Rio Branco-PR
Brasil Império-PR
Brasil Uberlândia
Brasil Real Brasil
Brasil Vitória-ES
Brasil Araguaína
Brasil Inter de Limeira
Brasil Engenheiro Beltrão
Brasil Araçatuba (Sócio Empresário)
Brasil Grêmio Maringá

Waldir Peres de Arruda (Garça, 2 de janeiro de 1951), mais conhecido como Waldir Peres, é um ex-goleiro brasileiro.

É considerado um dos mais importantes goleiros do futebol brasileiro. Defendeu o São Paulo de 1973 a 1984 e a Seleção Brasileira em três Copas do Mundo (1974, 1978 e 1982). Jogou nas décadas de 1970 e 1980, e foi considerado em boa parte desse tempo um dos melhores goleiros do Brasil.[1] Foi reserva nas Copas do Mundo de 1974 e 1978, sendo titular na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, onde era um dos destaques de um time que contava com Zico, Sócrates, Falcão e Oscar. Waldir Peres é o arqueiro com menor média de gols sofridos na seleção brasileira entre os que atuaram em Copas do Mundo.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Waldir Peres começou a carreira como revelação[2] da Ponte Preta, mas foi no São Paulo, aonde chegou em 1973, onde ganhou projeção.[3] Não estava na convocação original do Brasil para a Copa do Mundo de 1974, mas, com a contusão do goleiro reserva Wendel no joelho esquerdo, o titular do São Paulo foi chamado.[4] Entretanto, sua primeira partida pela Seleção só aconteceria mais de um ano depois, em 4 de outubro de 1975, uma vitória por 2 a 0 sobre o Peru, pelas semifinais da Copa América de 1975 — o Brasil perdeu a classificação para a final no sorteio.[5]

Nesse período, ele já tinha conquistado o primeiro título de sua carreira, o Campeonato Paulista de 1975. A final contra a Portuguesa só foi decidida nos pênaltis, e Waldir espalmou as cobranças de Dicá e Tatá. Como Wilsinho chutara para fora e o São Paulo tinha convertido suas três penalidades, o tricolor comemorou o título. A torcida gritou o nome do goleiro e carregou-o em seus braços, já com a faixa de campeão.[6]

Seu segundo título também veio nos pênaltis: o Campeonato Brasileiro de 1977, decidido apenas em 5 de março de 1978. Ele começou o campeonato em um rodízio com Toinho, em que cada um disputava três jogos, mas retomou o posto de titular na reta final.[7] Na final, o São Paulo, que tinha dez pontos a menos que o adversário, o Atlético-MG, empatou por 0 a 0 no Mineirão, tanto no tempo normal como na prorrogação. Nos pênaltis, o goleiro são-paulino manteve-se frio e catimbou bastante, ajudando a deixar nervosos Joãozinho Paulista, Toninho Cerezo e Márcio, que chutaram suas cobranças para fora, dando o título à equipe paulista.[8] Nessa época, foi considerado um dos três melhores goleiros em atividade no Brasil.[9]

Nessa condição ele foi convocado para a Copa do Mundo de 1978, mas, assim como quatro anos antes, não entrou em campo. Só voltaria a ser convocado mais de dois anos depois, e em condições parecidas com a sua convocação em 1974. O técnico da Seleção, Telê Santana, não convocou Waldir para o Mundialito, que se realizaria entre o fim de 1980 e o início de 1981 para comemorar o cinquentenário da Copa do Mundo, mas teve de chamá-lo em 5 de janeiro, depois de o titular Carlos se contundir na primeira partida, contra a Argentina. A convocação de Valdir gerou polêmica, por causa da boa fase de Leão, então no Grêmio.[10] Isso apesar de o goleiro ter acabado de conquistar o Campeonato Paulista de 1980 com o São Paulo. Waldir, no entanto, não entrou em campo nos dois outros jogos da campanha do vice-campeonato. Ele só voltaria a defender o gol do Brasil, pela primeira vez desde 19 de maio de 1976, na partida contra a Venezuela em 8 de fevereiro de 1981, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1982.

Seu grande momento na Seleção Brasileira veio um mês e meio depois, em 19 de maio, num amistoso contra a Alemanha. Quando Luisinho cortou um cruzamento de Karl-Heinz Rummenigge com a mão, o árbitro inglês Clive White marcou o pênalti. Faltavam dez minutos para o fim do jogo, e o Brasil vencia por 2 a 1. Paul Breitner, que nunca tinha perdido uma penalidade em sua carreira até ali,[11] partiu para a cobrança, e a bola foi no canto esquerdo, mas Waldir defendeu. O árbitro anulou a defesa, alegando que o goleiro se adiantara.[12] Breitner chutou novamente, desta vez no outro canto, e Waldir defendeu mais uma vez. O Neckarstadion ficou em silêncio.[11]

A atuação serviu de consolo para o goleiro, que tinha perdido no início do mês o Campeonato Brasileiro de 1981, com duas derrotas para o Grêmio. De qualquer maneira, Waldir protagonizou um lance que fez a torcida lembrar da final de três anos antes. Quando Baltazar correu para cobrar um pênalti no primeiro jogo, Waldir partiu em sua direção e impediu a cobrança.[13] O atacante adversário teve de repeti-la, mas, possivelmente nervoso, chutou para fora.

Naquele mesmo ano, conquistou ainda o bicampeonato paulista. Mantendo a posição de titular da Seleção desde o começo do ano, no ano seguinte foi convocado para ser o goleiro titular do Brasil na Copa do Mundo de 1982. Sofreu um frango incrível[14] na primeira partida, contra a União Soviética, mas foi mantido na posição. Curiosamente, foi o único jogador do Brasil em toda a Copa a receber um cartão amarelo.[15] A derrota por 3 a 2 para a Itália, que determinou a eliminação brasileira, foi o único jogo oficial pela Seleção em que Waldir sofreu mais de um gol.[2] Foi também seu último jogo com a camisa amarela.

Deixou o São Paulo no meio de 1984, indo para o America-RJ. Em seguida, foi para o Guarani. No Campeonato Brasileiro de 1985, defendeu três pênaltis em um jogo contra o Flamengo, ajudando a garantir a vaga para a fase seguinte.[16] Dois anos depois, chegou ao Corinthians. Apesar de ter passado doze anos em um dos maiores rivais do clube, teve seu nome cantado pela torcida em várias partidas.[17] No Campeonato Paulista de 1987, foi um dos destaques[18] do time que deixou a lanterna no primeiro turno para chegar ao vice-campeonato. Encerrou a carreira em 1989 na mesma Ponte Preta em que começou, depois de uma passagem pela Portuguesa.


Referências

  1. Alexandre da Costa, Almanaque do São Paulo Placar, Editora Abril, 2005, pág. 451
  2. a b Valmir Storti e André Fontenelle, A História do Campeonato Paulista, Publifolha, 1997, pág. 165
  3. Placar número 1.063, "Quem é Quem no Futebol", setembro de 1991, Editora Abril, pág. 74
  4. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 289
  5. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 299
  6. "Na garra e nos pênaltis, o São Paulo faz justiça", Placar número 282, 22 de agosto de 1975, Editora Abril, pág. 12
  7. "Campeão! São Paulo como sempre: um time de raça e final", José Maria de Aquino, Placar número 411, 10 de março de 1978, Editora Abril, pág. 6
  8. "Waldir Peres, o provocador", Série Grandes Clubes Lance! 2001, Areté Editorial, 2001, pág. 38
  9. "Em campo, treze leões comandados por Minelli", José Maria de Aquino, Placar número 411, 10 de março de 1978, Editora Abril, pág. 10
  10. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 343
  11. a b "Talento acima de qualquer suspeita", Placar número 1.062, agosto de 1991, Editora Abril, pág. 18
  12. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 352
  13. "A bola entre o bem e o mal", Placar número 1.065, novembro de 1991, Editora Abril, pág. 57
  14. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 360
  15. Ivan Soter, André Fontenelle, Mario Levi Schwartz, Dennis Woods e Valmir Storti, Todos os Jogos do Brasil, Editora Abril, 2006, pág. 363
  16. (12 de abril de 1985) "Valdir (sic) defende pênaltis e Guarani garante sua vaga". Folha de S. Paulo (20 463): 26. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A.. ISSN 14145723.
  17. Celso Dario Unzelte, Almanaque do Corinthians Placar, Editora Abril, 2005, pág. 727
  18. Enciclopédia do Futebol Brasileiro Lance!, Areté Editorial, 2001, pág. 368