Ary Fontoura

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Ary Fontoura
Nome completo Ary Beira Fontoura
Nascimento 27 de janeiro de 1933 (81 anos)
Curitiba, PR
 Brasil
Ocupação Ator e Diretor
Outros prêmios
Troféu Imprensa
1997 Melhor Ator por A Indomada.
Troféu Mambembe
1986 Melhor Ator por Sábado Domingo e Segunda.
1985 Melhor Ator Coadjuvante por Assim É Se Lhe Parece.
1984 Melhor Ator por Rei Lear.
Página oficial
IMDb: (inglês)


Ary Beira Fontoura (Curitiba, 27 de janeiro de 1933[1] ) é um ator e diretor brasileiro[2] , tendo participado em mais de 40 telenovelas, na Rede Globo.

Criou personagens inesquecíveis como o sinistro professor Aristóbolo Camargo de Saramandaia; o avarento Nonô Correia de Amor com Amor Se Paga; o prefeito emblemático Florindo "Seu Flô" Abelha de Roque Santeiro; o autoritário coronel Artur da Tapitanga de Tieta; o deputado corrupto Pitágoras de A Indomada; o misterioso Silveirinha de A Favorita; o prefeito falido Isaías "Zazá" Junqueira de Morde & Assopra; e o seu personagem Dr. Lutero de Amor à Vida. [3] Atualmente, Fontoura está em cartaz no teatro, como Walter Delon, na peça O Comediante, de Joseph Meyer. [4] [5]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ary Fontoura nasceu em Curitiba, no Paraná, no dia 27 de janeiro de 1933[6] . Filho de um professor e de uma dona-de-casa de origem italiana, desde muito cedo manifestou a paixão pela arte de representar: aos quatro anos, já gostava de imitar as pessoas e transformava diversas situações em cenas teatrais. Aos dez, cantava em programas infantis da Rádio Clube Paranaense.

Em 1961 foi "descoberto" pela produção da primeira serie feita para tv no Brasil - "O Vigilante Rodoviário" - da qual participou de um episódio filmado em Curitiba e Vila Velha no Paraná onde residia.

Ser ator naqueles tempos, porém, não era uma escolha bem vista pelas famílias, e a profissão, ainda não regularizada, estava associada à marginalidade. Resolveu, então, cursar faculdade de direito, que abandonou no último ano para seguir sua verdadeira vocação. Por seis meses trabalhou no circo dos Irmãos Queirolo, uma das diversões da capital paranaense entre as décadas de 1940 e 1970. Entusiasmado em seguir carreira, arrendou um imóvel e montou um grupo de teatro amador, a Sociedade Paranaense de Teatro, com amigos que também queriam se dedicar à atividade. Destacou-se em radioteatro. No início dos anos 1960, foi diretor de teledramaturgia na TV Paraná, onde também apresentou shows de televisão.

Buscando novas oportunidades, mudou-se para o Rio de Janeiro, em 31 de março de 1964 – no dia do golpe militar. Entre um teste e outro para integrar o elenco de peças teatrais, conseguiu gravar um LP, com a experiência de quem havia sido cantor de músicas românticas, como boleros e samba-canções, em bordéis de Curitiba. Participou de comédias ligeiras e musicais, atuando em Como Vencer na Vida Sem Fazer Força, com Marília Pêra, Procópio Ferreira e Moacyr Franco, e fez malabarismos para sobreviver e não retornar à cidade natal. Chegou, inclusive, a engraxar sapatos no prédio onde alugava um quarto e conseguiu um emprego de cozinheiro numa lanchonete.

Ainda no ano de 1964, foi escalado para substituir o ator Graça Mello na peça Mister Sexo, de João Bethencourt. Por intermédio do próprio Graça Mello, ganhou seu primeiro papel na TV Globo, no seriado Rua da Matriz (1965), de Lygia Nunes, Hélio Tys e Moysés Weltman. Em seguida, Ary Fontoura trabalhou no humorístico TV0 – TV1 (1966). Sua primeira novela foi Passo dos Ventos (1968), de Janete Clair. A partir de então, fez cerca de 40 novelas na TV Globo.

Entre seus principais papéis, destacam-se o costureiro Rodolfo Augusto, de Assim na Terra Como no Céu (1970), uma das primeiras representações de um homossexual na televisão; o professor de botânica Baltazar Câmara, da novela O Espigão (1974), que compensava sua repressão sexual colecionando mechas de cabelos de várias mulheres – o ator considera este um de seus personagens preferidos; e o professor Aristóbulo Camargo, de Saramandaia (1986), que se transformava em lobisomem nas noites de lua cheia. Todos esses papéis foram em novelas de Dias Gomes.

Em 1975, foi escalado para atuar em Gabriela, novela escrita por Walter George Durst a partir da obra de Jorge Amado. Na trama, viveu o personagem Doutor, que retorna a Ilhéus com planos de escrever sobre a sua família. Mais de 30 anos depois, integraria o elenco do remake de Gabriela, assinado por Walcyr Carrasco, no papel de Coriolano.

Uma de suas personagens mais populares e elogiadas pela crítica, no entanto, saiu das mãos da autora Ivani Ribeiro: o impagável protagonista Nonô Correia, da telenovela Amor com Amor Se Paga (1984). Inspirado em O Avarento, de Molière, Nono era pão-duro e sovina, colocava cadeados na geladeira e nos armários da despensa “para evitar desperdícios” e infernizava a vida dos filhos e da empregada Frosina (Berta Loran). A personagem era humanizada ao longo da trama, após conhecer o órfão Zezinho (Oberdan Júnior). Até hoje Ary Fontoura conta que é chamado pelo nome da personagem.

Outras atuações marcantes, também caracterizadas por seu talento cômico, têm destaque na trajetória do ator. Como o prefeito Florindo Abelha, da telenovela Roque Santeiro (1985), de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, que fazia par com Pombinha Abelha, interpretada por Eloísa Mafalda; o Coronel Artur da Tapitanga, de Tieta (1989) – novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares –, que dava abrigo às meninas pobres da cidade em troca de favores sexuais; e o inesquecível deputado corrupto Pitágoras William Mackenzie, de A Indomada (1997), que, inclusive, voltou ao ar em outra novela, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, Porto dos Milagres (2001). A personagem de A Indomada lhe valeu o prêmio de melhor ator da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

A atuação de Ary Fontoura na TV não se limitou às telenovelas. Ele trabalhou em humorísticos como Faça Humor Não Faça Guerra, na década de 1970, e Sai de Baixo, em 2000, além de fazer participações em diversos seriados e Casos Especiais. O ator teve, ainda, um papel de destaque no programa infanto-juvenil Sítio do Picapau Amarelo, em 2004.

Já nos anos 2000, roubou a cena junto com a atriz Nicette Bruno na novela Sete Pecados (2007), de Walcyr Carrasco: os dois interpretaram as personagens Romeo e Julieta, vivendo um romance na terceira idade que arrebatou o público. Em 2008, estreou no papel de Silveirinha, mordomo da personagem Donatela (Cláudia Raia), em A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro. No ano seguinte, fez uma participação especial na novela Caras & Bocas, de Walcyr Carrasco, como o milionário Jacques, avô da protagonista Dafne (Flávia Alessandra).

Além do trabalho na televisão, Ary Fontoura trabalhou em mais de 20 filmes, desde O Vigilante Rodoviário (1962), de Ary Fernandes, ao longa-metragem A Guerra dos Rocha (2008), de Jorge Fernando. Neste último, interpretou uma mulher, a matriarca octogenária em torno da qual gira a trama.

Sua passagem pelo teatro também é fecunda. Teve atuações em comédias clássicas, teatro de revista e passagens pelo Teatro Nacional de Comédia (TNC) e pelo Grupo Opinião. Em 1978, integrou o elenco de A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, dirigida por Luis Antônio Martinez Corrêa. Em 1979, destacou-se na peça Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. Na década de 1980, fez trabalhos memoráveis no elenco fixo do Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, como as peças Rei Lear, de Shakespeare, com direção de Celso Nunes, e Sábado, Domingo e Segunda, de Eduardo De Filippo. Por suas atuações nestas duas últimas peças, recebeu duas vezes o Troféu Mambembe de melhor ator, em 1983 e 1986. Em 2005, comemorou 55 anos de carreira com a peça Marido de Mulher Feia Tem Raiva de Feriado, escrita e dirigida pelo ator, que também atuou, ao lado de Luciana Coutinho.

Em 2011, despontou na trama de Morde & Assopra como o prefeito falido Isaías "Zazá" Junqueira, casado com a fútil Minerva (Elizabeth Savalla) e pai da mimada Alice (Marina Ruy Barbosa) e do divertido homossexual Áureo (André Gonçalves). Além de ter sua atuação muito elogiada, Zazá Junqueira tornou-se um personagem inesquecível e segundo ele mesmo, um dos principais da sua carreira.

Em 2012 interpreta o tradicional Coriolano em Gabriela. No ano seguinte, encarna mais um papel de destaque, desta vez como o solidário médico Dr. Lutero em Amor à Vida.

Trabalhos na televisão[editar | editar código-fonte]

Telenovelas[editar | editar código-fonte]

Especiais na TV Globo[editar | editar código-fonte]

Séries[editar | editar código-fonte]

Trabalhos no cinema[editar | editar código-fonte]

Trabalhos no teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1964 - Mister Sexo - de João Bittencourt, com direção de João Bittencourt [8] [3]
  • 1964 - Caiu, Primeiro de Abriu - de Raul da Matta, com direção de Sadi Cabral
  • 1964 - Como Vencer na Vida Sem Fazer Força - de Frank Loesser e Abe Burrows, com direção de Harry Woolever e Sergio de Oliveira
  • 1966 - Música, Divina Comédia - inspirado em A Noviça Rebelde, de Robert Wise, com direção de Harry Woolever e Sergio de Oliveira
  • 1966 - Onde Canta o Sabiá? - de Gastão Tojeiro, com direção de Paulo Afonso Grisolli
  • 1967 - Rastros Atrás - de Jorge Andrade, com direção de Gianni Ratto
  • 1967 - A Úlcera de Ouro - de Hélio Bloch, com direção de Leo Jusi
  • 1968 - Secretíssimo - de Marc Camoletti, com direção de Fábio Sabag
  • 1968 - Dr. Getúlio, Sua Vida, Sua Glória - de Ferreira Gullar e Dias Gomes, com direção de José Renato
  • 1968 - Jornada de Um Imbecil Até o Entendimento - de Plínio Marcos, com direção de João das Neves
  • 1968 - O Inspector Geral - de Nicolai Gogol, com direção de Benedito Corsi
  • 1969 - Crime Perfeito - de Frederick Knott, com direção de Antonio de Cabo
  • 1969 -  Catarina da Rússia - de Alfonso Paso, com direção de Antonio de Cabo
  • 1969 - Meu Bem, Como Posso Escutar Você com a Torneira Aberta? - de Robert Anderson, com direção de Antonio de Cabo
  • 1970 - Tem Banana na Banda - de Oduvaldo Vianna, Millor Fernandes, José Wilker e outros, com direção de Kleber Santos
  • 1971 - Alice no País Divino, Maravilhoso! - de Paulo Afonso Grisolli, Tite de Lemos e Sidney Miller, com direção de Paulo Afonso Grisolli
  • 1972 - Os Caras de Pau - de Ary Fontoura, com direção de Ary Fontoura
  • 1972 - O Peru - de Georges Feydeau, com direção de José Renato
  • 1973 - Querido, Agora Não - de Ray Cooney, com direção de Sergio Viotti
  • 1974 - O Camarada Miossov - de Valentim Kataiev, com direção de Fabio Sabag
  • 1974 - O Estranho - de Edgar da Rocha Miranda, com direção de João Bittencourt
  • 1974 - A Mulher de Todos Nós - de Henri Becker, tradução de Millor Fernandes, com direção de Fernando Torres
  • 1974 - O Ministro e a Vedete - com direção de Geraldo Queiroz
  • 1975 - Mamãe, Papai tá Ficando Roxo - de Oduvaldo Vianna, com direção de Walter Avancini
  • 1976 - Divórcio, Cupim da Sociedade - de Max Nunes e Hilton Marques, com direção de Gracindo Junior
  • 1976 - Arlequim, Servidor de Dois Amos - de Goldoni, com direção de José Renato
  • 1978 - Ópera do Malandro - de Chico Buarque, com direção de Luís Antônio Martinez Corrêa
  • 1979 - Rasga Coração - de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de José Renato
  • 1980 - Mãos ao Alto, Rio! - de Paulo Goulart, com direção de Aderbal Freire Junior
  • 1983 -  Rei Lear - de William Shakespeare, tradução de Millor Fernandes, com direção de Celso Nunes
  • 1984 - Assim É, Se lhe Parece - de Luigi Pirandello, com direção de Paulo Betti
  • 1986 - Sábado, Domingo, Segunda - de Edoardo de Fellipo, com direção de José Wilker
  • 1988 - Drácula – de Bram Stoker - com direção de Ary Fontoura
  • 1989 - Moça, Nunca Mais - de Ary Fontoura e Júlio Bressane, com direção de Ary Fontoura
  • 1990 - Corações Desesperados - de Flávio de Souza, com direção de Jorge Fernando
  • 1995 - Corra, Que Papai Vem Aí - de Sam Bobrick e Ron Clark, com direção de Ary Fontoura
  • 2001 - A Diabólica Moll Flanders - de Daniel Defoe, com adaptação e direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho
  • 2005 - Marido de Mulher Feia Tem Raiva de Feriado - de Paulo Afonso de Lima e Ary Fontoura, com direção de Ary Fontoura
  • 2014 - O Comediante - de Joseph Meyer, com direção de José Wilker e Anderson Cunha [4] [5]

Shows[editar | editar código-fonte]

  • Machado’s Holiday - Boite Fred's, Rio, direção de Carlos Machado
  • It’s a Mad, Mad, Mad Hollywood - Boite Fred’s, Rio, direção de Carlos Machado
  • As Pussy, Pussy, Cats - escrito por Sérgio Porto, Boite Fred’s, Rio, direção de Carlos Machado
  • Festival do Stanislau - escrito por Sérgio Porto, Boite Fred’s, Rio, direção de Carlos Machado
  • Graça do Bonfim - Golden Room do Copacabana Palace, direção de Carlos Machado
  • Deu Bode na TV - Boite Macumba, Rio, direção de Carlos Machado
  • Motel Business - escrito e dirigido por Carlos Machado, Boite Macumba, Rio
  • Os Caras de Pau - escrito por Ary Fontoura, dirigido por Fernando Pinto, excursão por todo o Brasil
  • A Coisa está Preta - escrito por Ary Fontoura para apresentar em Montreal, Canadá

Referências

  1. Menezes, Rogério. Ary Fontoura, Entre Rios e Janeiros, Coleção Aplauso. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006. ISBN 85-7060-448-3
  2. Enciclopédia Itaú Cultural. Página visitada em Setembro 05, 2013.
  3. a b Ary Fontoura. Página visitada em Abril 14, 2014.
  4. a b Sidney Rezende. Página visitada em Julho 02, 2014.
  5. a b G1 Teatro. Página visitada em Julho 02, 2014.
  6. Menezes, Rogério. Ary Fontoura, Entre Rios e Janeiros, Coleção Aplauso. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006. ISBN 85-7060-448-3
  7. Menezes, Rogério. Ary Fontoura, Entre Rios e Janeiros, Coleção Aplauso. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006. ISBN 85-7060-448-3
  8. Menezes, Rogério. Ary Fontoura, Entre Rios e Janeiros, Coleção Aplauso. São Paulo: Imprensa Oficial, 2006. ISBN 85-7060-448-3

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ary Fontoura (em inglês) no Internet Movie Database

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