Cálculo de variações
O cálculo de variações é um problema matemático que consiste em buscar máximos e mínimos (ou, mais geralmente, extremos relativos) de funções contínuas definidas sobre algum espaço funcional. Constituem uma generalização do cálculo elementar de máximos e mínimos de funções reais de uma variável. Ao contrário deste, o cálculo das variações lida com os funcionais, enquanto o cálculo ordinário trata de funções. Funcionais podem, por exemplo, ser formados por integrais envolvendo uma função incógnita e suas derivadas. O interesse está em funções extremas - aquelas que fazem o funcional atingir um valor máximo ou mínimo - ou de funções fixas - aquelas onde a taxa de variação do funcional é precisamente zero.
Talvez o exemplo mais simples seja o de encontrar a curva com o menor comprimento possível ligando dois pontos. Se não houver restrições, a solução é (obviamente) uma linha reta ligando estes pontos. No entanto, se as possibilidades para esta curva estiverem restritas a uma determinada superfície no espaço, então a solução é menos óbvia e, possivelmente, muitas soluções podem existir. Tais soluções são conhecidas como geodésicas. Um problema relacionado a este é representado pelo princípio de Fermat: a luz segue o caminho de menor comprimento óptico ligando dois pontos, onde o comprimento óptico depende do material de que é composto o meio. Um conceito correspondente em mecânica é o princípio da mínima ação.
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Formulação geral [editar]
Um dos problemas típicos em cálculo diferencial é o de encontrar o valor de
para o qual uma dada função
alcança um valor extremo (máximo ou mínimo). No cálculo de variações, o problema em questão é encontrar uma função
para a qual um funcional
atinge um valor extremo. O funcional
é composto por uma integral que depende de
, da função
e algumas de suas derivadas.
Onde a função
pertence a algum espaço de funções (espaço de Banach, espaço de Hilbert), e tanto ela como suas derivadas podem ter restrições.
Esta fórmula integral pode ser mais complicada permitindo a
ser um vetor, e portanto incluindo derivadas parciais para
.
Em casos mais simples, a resolução do problema pode ser reduzida a resolução da Equação de Euler na forma:
Problemas históricos [editar]
Problema Isoperimétrico [editar]
Qual é a área máxima que pode cercar-se com uma curva de comprimento especificado?
Exemplo: Sejam dois pontos
sobre o eixo x, sendo a distância entre eles estabelecida. Ou seja,
. O problema de haver uma curva que maximize a área entre ela e o eixo x seria:
Haverá uma função
de modo que,
max
com as restrições
(comprimento de arco)
Braquistócrona [editar]
O problema da curva braquistócrona remonta a Johann Bernoulli (1696). Se refere a encontrar uma curva no plano cartesiano que vá do ponto
a origem de modo que um ponto material que desliza sem fricção sobre ela tarda o menor tempo possível em ir de
a origem. Usando princípios de mecânica clássica o problema pode formular-se como,
min
onde g é a gravidade e as restrições são,
,
. Há de se notar que em
existe uma singularidade.
![I[f]=\int_a^b h(x,f(x),f'(x),...)\,dx](http://upload.wikimedia.org/math/f/b/0/fb0b7355fd6a70a2ceea40a196c9b7b6.png)

max
(comprimento de arco)
min