Art déco

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Art déco
20ans.jpg Lempicka musician.jpg
A Torre da Central do Brasil.jpg
Victoire 2 by Rene Lalique Toyota Automobile Museum.jpg
De esquerda para a direita:
cinema Grand Rex em Paris (1932),
La Musicienne de Tamara de Lempicka (1929),
Torre do relógio da Estação Central do Brasil no Rio de Janeiro (1943)
e "Victoire" de René Lalique (1928).
Período
1910–1939
Região
global

Art déco é um movimento artístico internacional que começou na Europa em 1910, conheceu o seu apogeu nos anos 1920 e 1930 e declinou entre 1935 e 1939.[1] O Art déco afetou as artes decorativas, a arquitectura, o design de interiores e desenho industrial, assim como as artes visuais, a moda, a pintura, as artes gráficas e o cinema.[2]

O pico da popularidade na Europa foi durante os "Felizes anos vinte" e continuou fortemente nos Estados Unidos, após os "Loucos Anos Vinte" através da década de 1930. Embora, na época, muitos movimentos de design tivessem raízes em intenções filosóficas ou políticas, o Art déco, ao contrário, foi meramente decorativo. Na altura, este foi visto como estilo elegante, funcional e ultramoderno.

Representou a adaptação pela sociedade em geral dos princípios do cubismo, do exotismo e do princípio da obra de arte total herdado do Art nouveau. Sem abrir mão do requinte, os objetos têm decoração geometrizada nas arquiteturas, esculturas, joias, luminárias e móveis, mesmo quando são feitos com bases simples; o betão armado (concreto) pode ser paramentado de madeira e outros ornamentos de bronze, mármore, prata, marfim etc. Diferentemente do art nouveau, o Art déco tem mais simplicidade de estilo.

A origem da expressão Art déco[editar | editar código-fonte]

A expressão Art déco provém da Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas (em francês: Exposition internationale des Arts décoratifs et industriels modernes), que foi organizada em Paris de Abril a Outubro de 1925.[3] Na mostra, nus artísticos femininos, animais e folhagens são apresentados em cores discretas, traços sintéticos e formas estilizadas ou geométricas. Muitas peças exibem marcas de civilizações antigas. É o caso de uma escrivaninha de madeira laqueada, marfim e metal que reproduz um templo asteca.

Também em 1925, o arquitecto francês Le Corbusier escreveu a série de artigos Expo 1925: Arts déco sobre as artes decorativas na sua revista L'Esprit Nouveau. Charlotte e Tim Benton consideram que o nome do artigo foi certamente uma maneira de desconsiderar este estilo por parte de Le Corbusier. O nome Art déco foi adoptado definitivamente em 1966 após a exposição Les années '25: Art déco/ Bauhaus/ De Stijl/ Esprit Nouveau organizada no Museu das Artes decorativas de Paris.[4]

Design industrial[editar | editar código-fonte]

Ao lado de objectos industrializados, há peças feitas artesanalmente em número limitado de cópias. Ao contrário do design criado pela Bauhaus, na art déco não há exigência de funcionalidade. Ela pode ser vista como uma tentativa de modernizar a art nouveau. O uso de materiais menos nobres – como o baquelite, concreto (betão) armado, compensado de madeira e aço tubular – e o início da produção em série contribuíram para baixar o preço unitário das obras. É o caso das luminárias de vidro com esculturas de bronze criadas pelo francês René Lalique (1860-1945), vendidas em grandes lojas. Antes designer de joias do estilo art nouveau, ele foi um dos grandes expoentes da art déco.

A art déco possui, nos Estados Unidos, duas fases formais distintas: na primeira, procurou-se inspiração nas máquinas e formas industriais; na segunda, seguiu-se o estilo Hollywood, com inspiração nos figurinos e cenários dos filmes.

Relógio de Paul T. Frankl (fins dos anos 1920). 
Stout Scarab (EUA, anos 1930-1940). 
Sala (11th Art Deco and Design fair, Haia, Holanda, 2009). 

Arquitectura[editar | editar código-fonte]

De forma geral, a arquitetura art déco representa uma certa tendência de passagem entre a arquitetura produzida pelos estilos art nouveau e ecletismo e o modernismo. Assim, observam-se elementos de avanço de estilo, com certos comedimentos em relação aos estilos predecessores. Observa-se, por exemplo, uma tentativa de racionalização dos volumes e dos elementos de ornamentação, ainda que houvesse ornamentações pontuais e com materiais que representassem modernidade e que os volumes seguissem a composição tripartite clássica - embasamento, corpo principal e coroamento.

O art déco é marcado pelo rigor geométrico e predominância de linhas verticais, havendo a tendência de tornar, através da percepção, o edifício mais alto. Os volumes arquitetônicos são também marcados pelo escalonamento, pela transposição da ideia do zigurate, aproximação de formas aerodinâmicas.

Como relação ao passado, o art déco faz uso intenso de ornamentação, mas que, é feita com materiais nobres e modernos para sua época. Os motivos, em grande parte são geométricos ou com elementos de povos pré-colombianos - como os maias.

Existem duas principais vertentes do art déco dentro da arquitetura: o estilo usado em Miami e o estilo usado em Nova Iorque e Chicago. O estilo de Miami é marcado por formas mais puras e pouca ornamentação. O outro estilo é marcado fortemente por uma rica ornamentação e o uso de elementos metálicos. Como exemplos, temos, em Nova Iorque, o Empire State Building e o Chrysler Building, além de diversos edifícios de baixo gabarito em Miami.

Destaca-se o uso do concreto (betão) armado, das esculturas com forma de animais, o uso dos tons de rosa e a geometrização das formas. Também pode-se destacar o uso do plástico como elemento estrutural e a pelúcia, muito utilizada como forro para as paredes internas de grandes salões.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a art déco sai de moda no Ocidente, e se populariza na Coreia do Sul, Vietnã e na República da China pré-comunista, mas, no fim da década de 1960, colecionadores do mundo inteiro voltaram a se interessar pelo estilo.

Arquitetura Art Déco pelo mundo
Prefeitura de Los Angeles (1926-1928). 
Nova Iorque vista do Rockefeller Center. Arquitectura art déco
Art déco do Chrysler Building, em Nova York, construído em 1928/1930 pelo arquitecto William Van Alen

Art Moderne[editar | editar código-fonte]

Mais informações: Streamlining

No final da década de 1930, um novo estilo de design e arquitetura derivado do art déco tornou-se comum; conhecido como Art Moderne, Streamline Moderne ou simplesmente Streamline e, na França, Style Paqueboat, ou Ocean Liner. Este estilo tardio foi a última variação do art déco.[5] Caracteriza-se por sua maior simplicidade, apresentando menor ornamentação com linhas mais limpas e austeras.[6] Neste estilo, os edifícios tinham cantos arredondados, linhas horizontais longas e aerodinâmicas; eram construídos de concreto armado e quase sempre eram brancos; por vezes tinham características náuticas, como janelas que se assemelhavam às escotilhas de um navio. O canto arredondado não era inteiramente novo; apareceu em Berlim, em 1923, na Mossehaus, de Erich Mendelsohn e, mais tarde, no Hoover Building, um complexo industrial no subúrbio londrino de Perivale. O Art moderne era também um estilo arquitetônico mais funcional que o art déco "comum".[7] Nos Estados Unidos, tornou-se mais estreitamente associado aos transportes. O "moderne aerodinâmico" era raro em prédios de escritórios, mas era frequentemente usado em rodoviárias e terminais de aeroportos, como o do aeroporto LaGuardia, em Nova York, que fazia os primeiros voos transatlânticos, em hidroaviões da Pan Am; e na arquitetura de beira de estrada, como postos de combustíveis e lanchonetes. No final da década de 1930, uma série de lanchonetes, com linhas inspiradas nas de locomotivas aerodinâmicas, foram construídas em cidades da Nova Inglaterra. Pelo menos dois exemplares ainda permanecem e são agora edifícios históricos registrados.[8]

Exemplos de arquitetura e design Art Moderne / Streamline Moderne
MV Kalakala (EUA, 1926).
 
Kurhaus Warnemünde (Rostock, Alemanha, 1928). 
Mercury (EUA, 1936).
 
Rádio fabricado por Powel Crosley Jr. (EUA, anos 1930). 

No Brasil[editar | editar código-fonte]

A arquitetura art déco difundiu-se no Brasil entre os anos 1930 e 1940, antecipando elementos da arquitetura moderna das décadas seguintes.[9] Os principais acervos art déco brasileiro concentram-se no Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia. Há, ainda, importantes exemplos como Campo Grande (com a obra do arquiteto Frederico Urlass), Belo Horizonte ou Juiz de Fora (MG) (nos projetos do arquiteto Raphael Arcuri), Porto Alegre, na Avenida Farrapos, entre outros.

O Rio de Janeiro, no entanto, se destaca como a capital do art déco na América Latina, tendo cerca de 400 imóveis nesse estilo, além de várias obras de arte, entre elas, a maior estátua em art déco do mundo, o Cristo Redentor, o monumento nacional do Brasil por excelência. Alguns dos exemplos mais significativo da art déco no Rio de Janeiro são a Torre do Relógio da Estação Central do Brasil, a segunda maior torre de relógio do mundo, e o Edifício A Noite (1929), com 22 andares, que fica na Praça Mauá. Outros espaços importantes são o Teatro Carlos Gomes (1932), o Edifício Mesbla (1934), a Associação Comercial do Rio de Janeiro (1937), o cine Roxy (1938), o Tribunal Regional do Trabalho (1938), o Palácio Duque de Caxias (1942), a Estação Central do Brasil e o Palácio da Fazenda (ambos de 1943). O resgate dos temas indígenas, proposto pela Semana de Arte Moderna de 1922, ocorrido em São Paulo, influenciou tremendamente o movimento art déco no Rio no que diz respeito aos prédios de apartamentos, sobretudo os que se concentram na região do Lido, em Copacabana. Como o Itaoca (1928) ou os edifícios Itahy e Guahy (1932). O Circuito Art Déco das placas azuis do Patrimônio Cultural Carioca inclui alguns dos mais belos exemplos: o Edifício Brasília, na Avenida Presidente Wilson; monumentos, como ao Marechal Deodoro da Fonseca, na Praça Paris; e o Chafariz da Mulher com Ânfora, no Centro. Menos conhecidos, mais igualmente art déco são a Igreja de Santa Terezinha em Botafogo e a Igreja da Santíssima Trindade, no bairro do Flamengo, do arquiteto Henri Paul Sajous.[10]

São Paulo também tem grandes exemplos de prédios art déco, como o edifício do Banco do Brasil, o Edifício Altino Arantes e diversas obras realizadas pelo arquiteto Rino Levi. O edifício-sede da Biblioteca Mário de Andrade e o Estádio do Pacaembu, ambos também em São Paulo, são dois grandes marcos arquitetônicos do estilo na cidade. Outro belo exemplar da art déco na capital paulista situa-se na rua Domingos de Morais.

Goiânia também reúne grande número de exemplares de edifícios art déco, a começar pelo traçado da cidade, realizado pelo arquiteto Attilio Corrêa Lima. Foi o art déco que inspirou os primeiros prédios de Goiânia, nova capital de Goiás, projetada em 1933 por Atílio Corrêa Lima, cujo acervo arquitetônico é considerado um dos mais significativos do país.[11] Ainda no estado de Goiás, no interior, Ipameri tem um grande patrimônio da arquitetura art déco preservado, todo localizado no centro da cidade. Alguns exemplares que mais se destacam são o antigo prédio do Cine Teatro Estrela, prédio da antiga sede do Banco do Brasil, prédio-sede da Câmara Municipal, prédio das antigas Chevrolet e Ford (Edifícios Firmo Ribeiro e Miguel David Cosac respectivamente), para citar alguns.

O estilo influenciou artistas como o escultor Vítor Brecheret (1894-1955), o pintor Vicente do Rego Monteiro (1899-1970), entre outros. Uma obra de Brecheret em estilo art déco é o Monumento às Bandeiras, em São Paulo.

Outros conjuntos arquitetônicos em art déco significativos estão localizados em Iraí (RS), Florianópolis (SC), Cipó (BA) e Campina Grande (PB).[12]

Arquitetura Art Déco no Brasil
Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, no Brasil. A maior estátua art déco no mundo, construída entre 1922-1931. 
Estação ferroviária em Goiânia, construída em art déco
O Elevador Lacerda, em Salvador, foi reformado em 1930 e constitui um dos principais "cartões-postais" brasileiros em art déco
Viaduto do Chá (1938), importante construção art déco de São Paulo
Coreto da Praça Cívica em Goiânia, no Brasil
Torre do Castelo (1940), um antigo castelo d'água com um mirante no topo, em Campinas, no Brasil
Biblioteca Municipal Félix Araújo, em Campina Grande, no Brasil

Em Moçambique[editar | editar código-fonte]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Art Déco em Portugal
Interior da Casa de Serralves, no Porto

Influência da Art déco no cinema[editar | editar código-fonte]

No cinema, é possível encontrar referências ao art déco. Um filme que pode servir de exemplo é Superman - O Retorno, de 2006. Nele, o estilo arquitetônico da sede do jornal fictício Planeta Diário é explicitamente o art déco.[14]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Escada em caracol do edifício Nebotičnik (Lubliana, Eslovênia, 1931). 
Design industrial art déco de Maurice Ascalon, da Pal-Bell, em 1939-1950. 
Interior do transatlântico SS Île de France (França, 1926). 

Principais nomes ligados à corrente[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BENTON Charlotte, BENTON TIM e WOOD Ghislaine, L'Art déco dans le monde 1910-1939, Bruxelas, Renaissance du Livre, 2010.
  • LABORDIÈRE Jean-Marc, Paris Art déco. L'architecture des années 20, Paris, ed. Massin (Colecção "Reconnaître"), 2008.
  • WEILL Alain, L'Affiche Art déco, Paris, ed. Hazan, 2013.
  • Art déco 1925, Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian, 16 de Outubro de 2009 - 3 de Janeiro de 2010.

Referências

  1. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine (2010). L'Art déco dans le monde 1910-1939. Bruxelas: Renaissance du Livre. p. 13 
  2. Unes, Wolney. Identidade Art Déco de Goiânia. São Paulo: Ateliê, 2003
  3. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine (2010). L'Art déco dans le monde 1910-1939. Bruxelas: Ed. Renaissance du Livre. p. 112 
  4. BENTON, Charlotte; BENTON Tim, WOOD Ghislaine (2010). L'Art déco dans le monde 1910-1939. Bruxelas: Renaissance du Livre. p. 16 
  5. Lucien Lagrange. Autor: Robert Sharoff. Images Publishing, 2008, pág. 193, (em inglês) ISBN 9781864702972 Adicionado em 26/06/2018.
  6. The Boundaries of Modern Art. Autor: Richard Pooler. Arena books, 2013, págs. 31-32, (em inglês) ISBN 9781909421011 Acessado em 26/06/2018.
  7. Historic Indiana. Indiana Department of Natural Resources, Division of Historic Preservation and Archaeology, 1991, (em inglês) (especificar página/ISBN) Adicionado em 26/06/2018.
  8. Art Déco. Autores: Alastair Duncan & Michel Hechter. Thames Hudson, 1989, pág. 197, (em francês) ISBN 9782878110036 Adicionado em 26/06/2018.
  9. CORREIA, Telma de Barros. Art déco e indústria: Brasil, décadas de 1930 e 1940. An. mus. paul., São Paulo, v. 16, n. 2, p. 47-104, 2008. link.
  10. «Art déco no Rio de Janeiro». www.multirio.rj.gov.br. Consultado em 22 de outubro de 2017. 
  11. Barreto, Amanda. Art déco: depoimentos e imagens. Goiânia: RF, 2007
  12. Art Déco Sertanejo - Acessado em 26/06/2018.
  13. Edifício do Clube Ferroviário de Maputo na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
  14. «Superman Returns (Os cinco primeiros desenhos mostrados são do edifício do jornal Planeta Diário)». Consultado em 15 de setembro de 2011. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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