Conhecimento tradicional

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
O uso da cinchona para tratar a malária tem origem em conhecimentos de populações indígenas da América do Sul.[1]

Conhecimento tradicional, também referido como conhecimento local e conhecimento autóctone designa os sistemas de conhecimento incorporados nas tradições culturais de comunidades regionais, indígenas ou locais. O conhecimento tradicional inclui tipos de conhecimento sobre tecnologias tradicionais de subsistência (por exemplo ferramentas e técnicas para caça ou agricultura), obstetrícia, ecologia, medicina tradicional, navegação, astronomia, clima e outros. Esses tipos de conhecimento, cruciais para a subsistência e a sobrevivência, geralmente são baseados em acumulações de observação empírica e na interação com o meio ambiente.

Frequentemente o conhecimento tradicional é passado oralmente de pessoa para pessoa através das gerações. Algumas formas de conhecimento tradicional encontram expressão em histórias, lendas, folclore, rituais, músicas e leis. Outras formas de conhecimento tradicional são expressas de outras formas. 

O saber tradicional como forma inconsciente de conhecimentos práticos de nosso mundo[editar | editar código-fonte]

Poderia também se definir o saber tradicional como todo o trabalho de investigação desenvolvido por diversos povos antes de chegar à industrialização. Em nosso mundo existe uma parte importante de conhecimentos que são o fruto de milhões de experimentos levados a cabo no passado, dos quais temos perdido a memória, mas de cujos lucros nos beneficiamos.Efetivamente, o homem aparece sobre a terra há cerca de 7 milhões de anos. Todos os povos iniciaram seu caminho como caçadores-recolectores.Os que progridem se convertem em agricultores, atingindo finalmente a "moderna fase industrial".

Passar pela fase de agricultores constitui etapa obrigatória para progredir. A agricultura, como é sabido, permite ao homem adquirir melhores níveis de alimentação e gerar tempo livre, o que lhe tem permitido constituir civilizações complexas.

Sabe-se também que muito poucas espécies vivas, tanto animais como vegetais, são comestíveis para o homem, e consequentemente humanos podem utilizar apenas uma fração da biomasa existente no planeta. Ao transformar-se em agricultor, gradualmente o homem passou a selecionar e cruzar plantas e animais com o objetivo de melhorar sua produtividade e adaptar-se a mudanças; um trabalho de tentativa e erro executado ao longo de milhares de anos de dedicação contínua.[2] Por exemplo, estudos mostram que dentre as primeiras plantas domesticadas pelo homem no Crescente Fértil, por volta do ano 8 500 A.C. encontravam-se trigo, vagens e oliveiras, produtos amplamente consumidos até nossos dias e que consistem a base da alimentação de grande parte da população mundial. De fato o homem deve a esse enorme esforço a sua produção agrícola e grande parte dos produtos que utiliza, como no caso das plantas e remédios medicinais.[3]

Embora os conhecimentos ancestrais sejam limitados em sua difusão, pois em geral são exclusivos da cada uma das culturas, existem importantes tentativas de compila-los e divulga-los.

Referências

  1. Castro, Carol (3 de junho de 2013). «Remédio de índio». Superinteressante. Consultado em 3 julho 2017 
  2. Mugabe, John (1999). «Intellectual Property Protection and Traditional Knowledge» (PDF). Intellectual Property and Human Rights (WIPO) (em inglês): 98-99. Consultado em 2 julho 2017 
  3. Diamond, Jared (1998), Guns, Germs, and Steel: The Fates of Human Societies, ISBN 1565115147 (em inglês), Minneapolis: High Bridge