Constelação familiar

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Constelação Familiar também conhecido como Constelações Sistêmicas e Constelações Familiares Sistêmicas, é um método pseudoterapêutico não comprovado e não científico de medicina alternativa que se baseia em elementos da terapia familiar sistêmica, fenomenologia existencial e atitudes dos zulus em relação à família; [1] foi criado pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger.

As constelações familiares divergem significativamente das formas convencionais de psicoterapias cognitivas, comportamentais e psicodinâmicas. O método foi descrito por físicos como misticismo quântico e charlatanismo quântico, e seu fundador incorporou a ideia pseudocientífica de "ressonância mórfica" em sua explicação sobre a abordagem. Resultados positivos da terapia foram atribuídos a explicações convencionais como sugestão e empatia.[2][3][4]

Os profissionais afirmam que os problemas e dificuldades atuais podem ser influenciados por traumas sofridos nas gerações anteriores da família, mesmo que os afetados agora não tenham conhecimento do evento original. Hellinger se referia à relação entre problemas presentes e passados que não são causados pela experiência pessoal direta como "emaranhados sistêmicos", ditos ocorrerem quando traumas não resolvidos atingem uma família através de um evento como assassinato, suicídio, morte de uma mãe durante parto, morte prematura de um dos pais ou irmãos, guerra, desastre natural, emigração ou abuso.[5] O psiquiatra Iván Böszörményi-Nagy referiu a esse fenômeno como "lealdades invisíveis".[6]

Conceitos[editar | editar código-fonte]

A linhagem fenomenológica pode ser traçada através dos filósofos Franz Brentano, Edmund Husserl e Martin Heidegger. Essa perspectiva contrasta com a orientação positivista reducionista da psicologia científica. Em vez de entender a mente, a emoção e a consciência em termos de suas partes constituintes, a fenomenologia existencial abre a percepção para todo o panorama da experiência humana e procura apreender um senso de significado.[7]

As constelações familiares assumem a forma de psicologia de sistemas familiares. Figuras influentes nesse movimento incluem Jacob Moreno, o fundador do psicodrama; Iván Böszörményi-Nagy, pioneiro do pensamento sistêmico transgeracional; Milton Erickson, pioneiro em terapia breve e hipnoterapia; Eric Berne que concebeu o conceito de roteiros de vida ; e Virginia Satir, que desenvolveu a escultura familiar, o precursor das constelações sistêmicas.[7]

O processo parte do misticismo espiritual indígena para contribuir para liberar tensões, aliviar os encargos emocionais e resolver problemas do mundo real. Hellinger viveu como sacerdote católico romano na África do Sul por 16 anos nas décadas de 1950 e 1960. Durante esses anos, ele se tornou fluente na língua zulu, participou de rituais zulu e ganhou uma apreciação pela visão de mundo zulu.[7]

De particular importância é a diferença entre as atitudes tradicionais dos zulu em relação aos pais e antepassados e aquelas geralmente adotadas pelos europeus. Heidegger postulou que ser um humano é encontrar-se jogado em um mundo sem estrutura lógica, ontológica ou moral clara.[8] Na cultura zulu, Hellinger encontrou uma certeza e serenidade que eram as marcas do autêntico e ilusório Self de Heidegger. O povo tradicional zulu vivia e agia em um mundo religioso no qual o ponto focal central eram os ancestrais. Eles são considerados como presenças positivas, construtivas e criativas.[9]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Nos últimos anos, a abordagem tem sido o alvo de escrutínio principalmente nos países de língua alemã, os críticos questionam várias ideias de Hellinger, particularmente aquelas que afetam as constelações de seu trabalho de constelação familiar com indivíduos que procuraram ajuda e os resultados de sua terapia, os críticos manifestaram as seguintes questões:[10]

  • A visão patriarcal do sistema familiar normalmente leva à conclusão de que quaisquer dificuldades matrimoniais são culpa da esposa.
  • Hellinger expressou sua crença de que a homossexualidade é uma "doença" a ser curada, e não um aspecto natural e inalterável da natureza de alguém e afirmava ter curado um indivíduo dessa "doença" com um workshop de constelação familiar.
  • A agência crítica alemã Forum Kritische Psychologie relatou quatro casos de pessoas que procuram tratamento para obsessões que relataram desenvolver como resultado de participar do workshop de constelações familiares de Hellinger, e um psiquiatra holandês relatou outros quatro casos de indivíduos com problemas de saúde mental que disseram ter desenvolvido depois de comparecerem a uma oficina.
  • Um método desenvolvido por Hellinger pretende tratar o trauma resultante do incesto fazendo com que a pessoa que representa a filha se ajoelha-se e agradecesse à pessoa que representava o pai, pela experiência que teve. Isso, segundo Hellinger, restauraria a harmonia dentro da família. Hellinger também expressou a crença de que os pais abusam sexualmente de suas filhas quando as mães rejeitam repetidamente seus avanços sexuais, colocando efetivamente a culpa pelo abuso na mãe/esposa.[11]
  • Hellinger afirmou que os criminosos de guerra não devem ser responsabilizados por seus crimes, pois estavam apenas seguindo ordens de "autoridade superior" e, em sessões de oficinas de constelações familiares, instruíram as vítimas de crimes de guerra a realizar um ritual de gratidão aos representantes daqueles que cometeram crimes contra eles.
  • Os participantes das sessões de Hellinger relataram que suas opiniões anti-semitas são muitas vezes aparentes. Segundo informações, insistiu os participantes judeus a verem sua descendência judaica como um aspecto negativo de suas identidades.
  • Sobre estupro, Hellinger diz: "O estupro e o incesto criam um vínculo; o autor deve receber o "devido respeito" antes que a vítima possa se relacionar com outro."[10]

Regulamentação[editar | editar código-fonte]

Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 2018, no Brasil, o Ministério da Saúde, incluiu a sua prática no Sistema Único de Saúde (SUS), como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).[12]

No Brasil, o processo já foi utilizado na resolução de processos judiciais.[13]


Referências

  1. Cohen, D. B. (2006). «"Family Constellations": An Innovative Systemic Phenomenological Group Process from Germany». The Family Journal. 14 (3). 226 páginas. doi:10.1177/1066480706287279 
  2. Carroll, Robert T. «Bert Hellinger and family constellations». skepdic.com 
  3. Lebow, Alisa (2008). First Person Jewish. [S.l.]: U of Minnesota Press. p. 81. ISBN 978-0-8166-4354-7 
  4. Witkowski, Tomasz (2015). Psychology Gone Wrong: The Dark Sides of Science and Therapy illustrated ed. [S.l.]: Universal-Publishers. p. 261. ISBN 978-1-62734-528-6  Extract of page 261
  5. Hellinger, B., Weber, G., & Beaumont, H. (1998). Love's hidden symmetry: What makes love work in relationships. Phoenix, AZ: Zeig, Tucker and Theisen.
  6. Boszormenyi-Nagy, I., & Spark, G. M. (1973). Invisible loyalties: Reciprocity in intergenerational family therapy. Hagerstown, MD: Harper & Row.
  7. a b c Cohen, D. B. (2006). "Family Constellations": An innovative systemic phenomenological group process from Germany. The Family Journal: Counseling and Therapy for Couples and Families, 14, 226-233.
  8. Heidegger, M. (1962). Being and time (J. Macquarrie & E. Robinson, translators). New York: Harper & Row (original work published 1927).
  9. Lawson, E. T. (1985). Religions of Africa. New York: Harper and Row.
  10. a b «Bert Hellinger and family constellations». Robert T. Carroll. Consultado em 1 de abril de 2020 
  11. Hellinger, Bert. «Hellinger sciencia - Brief lectures at Kyoto - Family constellations and the collective conscience» (em inglês). Bert Hellinger em outubro de 2001 em uma oficina em Kyoto, Japão (Bert Hellinger foi acompanhado por Harald Hohnen). Consultado em 1 de abril de 2020 
  12. Saúde, Ministério da. «Ministério da Saúde inclui 10 novas práticas integrativas no SUS». portalms.saude.gov.br. Consultado em 18 de abril de 2018 
  13. «Constelação pacifica conflitos de família no Judiciário - Portal CNJ». www.cnj.jus.br. Consultado em 6 de setembro de 2018