História do Associazione Calcio Milan

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Herbert Kilpin, o primeiro capitão do Milan.

Em 13 de dezembro de 1899, um grupo de torcedores esportivos, reunidos em um quarto do Hotel Du Nord, resolveram discutir suas preferências esportivas e em conseqüência fundar oficialmente o Milan Futebol & Cricket Club.

Frequentado pela nata da sociedade milanesa, e por esportistas ingleses, o clube incentivou inicialmente a prática dos dois esportes que deram origem ao clube. Ao contrário do cricket, o futebol ainda era visto com reservas pela alta burguesia italiana, porém, logo tornou-se o esporte preferido entre os associados. O Milan passou a ser o clube dos trabalhadores da cidade e dos sindicalistas.

Em 1901, com apenas dois anos de idade, o Milan conquistou o seu primeiro Campeonato Italiano, após derrotar a Genoa e a Juventus no playoff final; feito que repetiria outras duas vezes, até a deflagração da Primeira Guerra Mundial.

Apagados anos dezenove a quarenta e nove[editar | editar código-fonte]

No intervalo entre as duas guerras mundiais, o Milan teve um desempenho apagado no Campeonato Italiano. O fato mais marcante no período foi a inauguração, em 1926, do Estádio San Siro, um presente do presidente do Milan, Pietro Pirelli, aos torcedores rubros-negros e à cidade de Milão. Pirelli financiou sozinho a construção do belo estádio, que foi totalmente inspirado na arquitetura dos estádios ingleses.

As origens anglo-saxônicas do Milan, no entanto, não gozavam da simpatia do movimento fascista italiano. Em 1946, o clube perdeu definitivamente o sotaque inglês, passando a se chamar Associazione Calcio Milan. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Itália começou um lento e doloroso processo de reconstrução, e o futebol, à reboque do que acontecia no resto do país, começou a se desenvolver novamente, na medida em que o país se libertava dos fantasmas do fascismo.

Anos cinquenta e o trio "Gre-No-Li"[editar | editar código-fonte]

Nos anos 50, o Milan contratou três espetaculares jogadores suecos: Gunnar Gren, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm, que ficaram mundialmente conhecidos como o trio "Gre-No-Li". Eles eram as estrelas de uma equipe que fez história no clube, dominando boa parte do campeonato italiano daquela década. Gren e Liedholm eram os maestros do meio-campo, e Nordahl, o grande artilheiro da equipe.

Em 1951, o Milan conquistou pela quarta vez o campeonato italiano. Foi o primeiro dos quatro títulos conquistados na década, que contou ainda com a presença de outros dois ilustres estrangeiros: o craque uruguaio Juan Alberto Schiaffino, peça-chave na conquista do sexto scudetto, em 1957, e o centroavante brasileiro Altafini, que chegou ao Milan com o prestígio em alta depois de sagrar-se campeão mundial, em 1958, na Suécia. Com seus gols, Altafini ajudou o Milan a conquistar o sétimo scudetto, em 1959, o último triunfo dos rubro-negros na década de 1950.

A grande lacuna deixada por esta extraordinária equipe foi não ter ganho a Copa dos Campeões da Europa. O Milan chegou à final desta competição pela primeira vez na temporada 1957/58, mas acabou derrotado pelo fortíssimo Real Madrid, da Espanha, por 3 a 2, em Bruxelas.

Anos sessenta e a primeira conquista da Copa dos Campeões[editar | editar código-fonte]

O oitavo scudetto veio três anos depois, em 1962, com uma equipe em que despontavam os jovens Gianni Rivera, Cesare Maldini e Giovanni Trappatoni. O técnico da equipe na época era Nereo Rocco, muito querido pelos jogadores e pela torcida milanesa.

Um ano depois, em 1963, o clube conquistou a Copa dos Campeões, derrotando na final o Benfica de Lisboa, com dois gols do brasileiro Altafini. O gol da equipe de Lisboa foi marcado por Eusébio. Na decisão da Copa Intercontinental, os rossoneros italiano não resistiu ao Santos de Pelé, perdendo o título após uma vitória de 4 a 2 em casa e duas derrotas no Maracanã (a primeira pelo mesmo placar e a segunda, no jogo de desempate, por 1 a 0).

O Milan só voltaria a brilhar no cenário europeu na temporada 1967/68, com a conquista de mais um scudetto e com o primeiro título na Recopa Europeia, após derrotar o Hamburgo, da Alemanha, em Roterdã. No ano seguinte, o clube alçou vôos ainda mais altos e sagrou-se campeão europeu e mundial.

Ainda sob o comando de Rocco, e com Rivera no auge de sua forma, goleou o poderoso Ajax, dos Países Baixos, que contava com o craque Johan Cruijff, por 4 a 1, na decisão da Copa dos Campeões, disputada em Madrid. O título na Copa Intercontinental veio alguns meses depois, numa decisão em dois jogos contra o Estudiantes, da Argentina.

Anos setenta e o décimo scudetto[editar | editar código-fonte]

O clube iniciou a década de 1970 quebrando um jejum de quatro anos na Copa da Itália, ao conquistar o bicampeonato em 1972/73. Ainda em 1973, conquistou pela segunda vez a Recopa Europeia, vencendo na decisão os ingleses do Leeds United.

Os anos seguintes, entretanto, não foram fáceis para o Milan. A derrota na final da Recopa Europeia de 1974 para o desconhecido FC Magdeburg, da Alemanha Oriental, foi o estopim de uma grave crise no clube. Enquanto jogadores como Schnellinger, Trapattoni, Hamrim, Sormani e Prati se transferiam para outras equipes ou encerravam suas carreiras, os rivais Juventus e Internazionale investiam em reforços e formavam grandes equipes. Ao Milan só restou o talento de um envelhecido e decadente Rivera e a força de vontade de um grupo de jovens desconhecidos.

Mesmo sem um grande elenco, os rossoneros ainda conquistaram no final da década uma Copa da Itália em 1977, e um scudetto surpresa na temporada 1978/79, devido principalmente ao declínio súbito da Juventus, o grande "papa-títulos" da década de 70 no futebol italiano.

Nils Liedholm, uma das maiores legendas rubro-negras, foi o técnico na campanha, que marcou a despedida de Rivera e o surgimento de um jovem craque chamado Franco Baresi. A partir deste título, o Milan incorporou à sua camisa uma "estrela", que simboliza a conquista de dez scudettos.

Anos oitenta, Serie B e a nova direção[editar | editar código-fonte]

Depois de terminar o campeonato na terceira colocação em 1980, o Milan se envolveu no escândalo da loteria e foi punido com o rebaixamento à Serie B do calcio. Entre os envolvidos no famoso escândalo estavam o goleiro Albertosi e o próprio presidente do clube, Felice Colombo. Depois de cair novamente à Serie B dois anos depois, o clube conseguiu voltar à Serie A em 1984, mas o elenco estava a esta altura em pedaços. O escândalo das apostas e as duas temporadas longe da ribalta mancharam profundamente a imagem do Milan. Em 1985, o novo presidente Giuseppe Farina tentou reconstruir o clube, mas logo envolveu-se em complicações legais, e fugiu do país, desmoralizando ainda mais os rossoneros.

A sorte do Milan só mudaria em 1986, quando o magnata das telecomunicações Silvio Berlusconi assumiu a direção do clube. Além de injetar muito dinheiro, Berlusconi implantou uma nova mentalidade ao Milan. Com o objetivo de formar uma grande equipe, trouxe o treinador Arrigo Sacchi e grandes estrelas do futebol europeu, como os neerlandeses Ruud Gullit e Marco van Basten, que se juntaram a jogadores italianos talentosos, como o líbero Franco Baresi, o lateral-esquerdo Paolo Maldini e o meia Roberto Donadoni.

Mesmo sem poder contar com van Basten, ausente devido a uma contusão, o Milan conquistou o scudetto e a Supercopa Italiana em 1988. Os rossoneros terminaram o campeonato com um ponto apenas de vantagem sobre o Napoli do craque argentino Diego Maradona, em uma conquista que marcou o início de um dos períodos mais gloriosos da história do clube.

O bilionário Silvio Berlusconi seguiu investindo em contratações. Em 1989, trouxe mais um grande reforço: o neerlandês Frank Rijkaard, um volante de rara habilidade, companheiro de van Basten e Gullit na seleção neerlandesa. Ainda mais forte do que na temporada anterior, o grupo do Milan seguiu encantando a Europa e o mundo, com atuações memoráveis. Na Copa dos Campeões da Europa arrasou nas semifinais o forte Real Madrid com uma goleada histórica: 5 a 0. Na decisão, contra o Steaua Bucareste, deu outro show, e venceu o clube romeno por categóricos 4 a 0. Após conquistarem outro título europeu (a Supercopa Europeia), só faltava aos rossoneros o título mundial, que viria no dia 17 de dezembro de 1989, em Tóquio, com a vitória de 1 a 0 sobre o Nacional de Medellin, da Colômbia.

Anos noventa e o centenário[editar | editar código-fonte]

A década de 1990 teve duas fases: a primeira 1990 a 1994 foi gloriosa para a squadra rossonera, enquanto que os cinco anos seguintes não foram tão bons para o Milan. Nos primeiros anos do decênio, o Milan confirmou sua grande fase. Em 23 de maio de 1990, venceu sua quarta Copa dos Campeões da Europa, em Viena, derrotando o Benfica, de Portugal. Em dezembro do mesmo ano, conquistou pela terceira vez a Copa Intercontinental, com uma vitória incontestável sobre o Olimpia, do Paraguai, por 3 a 0.

Na temporada 1990/91, o Milan foi surpreendido pelo Olympique de Marselha, da França, e acabou sendo eliminado nas quartas-de-final da Copa dos Campeões da Europa. A temporada acabou sem títulos e com a troca de Arrigo Sacchi por Fabio Capello. Com o novo treinador, o Milan iniciou um novo período de conquistas. Na temporada 1991/92, Capello comandou a equipe que fez história, ao conquistar o campeonato italiano de forma invicta, e atingiu a marca de 58 partidas sem derrotas na Serie A do calcio. Neste período, o clube conquistou três scudettos consecutivos (1991/92, 1992/93 e 1993/94) e três Supercopas Italianas (1992, 1993 e 1994). Mas faltava a consagração na Copa dos Campeões, renomeada Liga dos Campeões da UEFA a partir da temporada 1992/93.

Em 1993, o Milan chegou mais uma vez a final da competição, mas perdeu a final para o Olympique de Marselha, por 1 a 0. Mas a equipe francesa envolveu-se em encândalos de corrupção e teve seu título impugnado. Com isso, o Milan ganhou direito de enfrentar o São Paulo Futebol Clube na final do Mundial Interclubes. Favorito, o clube italiano acabou surpreendido pela equipe do técnico Telê Santana, perdendo a final por 3 a 2.

Na temporada 1993/94, o Milan chegou ao seu quinto campeonato europeu, desta vez vencendo o time espanhol do Barcelona, de Romário e Stoichkov, por 4 a 0. Mas na final do Mundial Interclubes, novamente uma derrota, desta vez para o Vélez Sarsfield, da Argentina. Na temporada seguinte, o Milan disputaria sua terceira final consecutiva da Liga dos Campeões da UEFA. Mas a equipe italiana cairia diante dos neerlandeses do Ajax, de Patrick Kluivert, por 1 a 0.

A derrota para equipe neerlandesa colocou fim a uma época de grandiosa da squadra rossonera. Apesar da conquista do scudetto na temporada 1995/96, a equipe milanista caiu vertiginosamente de produção nas duas temporadas seguintes, tendo, inclusive, de lutar contra o rebaixamento. Em 1996/97, terminou na décimo primeiro lugar, e na temporada seguinte, sob o comando de Fabio Capello, fez outra campanha desastrosa, terminando o campeonato em décimo.

No ano de seu centenário, o Milan deu um belo presente à sua torcida, conquistando um inesperado scudetto, o décimo sexto de sua história. Mesmo sem jogar um futebol exuberante, a equipe, que contava com o brasileiro Leonardo, teve o mérito de crescer na hora certa: venceu sete partidas consecutivas até a última rodada, e terminou um ponto à frente da Lazio na classificação final.

Anos dois mil, uma nova era[editar | editar código-fonte]

O jejum de títulos da equipe rubro-negra prosseguiu nos primeiros anos do novo milênio, mas voltou a ser respeitado na Europa. Na temporada 2002/03, alcançou a final da Liga dos Campeões da UEFA, contra a rival Juventus, depois de ter eliminado, nas semifinais, seu outro rival italiano, a Internazionale. A equipe de Milão venceu a disputa nos pênaltis, por 3 a 2, depois de um empate sem gols, e chegou ao seu sexto título continental.

Torcedores milanistas comemoram o 17° scudetto, em 16 de maio 2004.

Na decisão da Copa Intercontinental, enfrentou o Boca Juniors, da Argentina. Mas desta vez, o clube italiano se deu mal nos pênaltis e perdeu a chance de conquistar seu quarto título mundial.

O Milan voltou a ganhar o scudetto na temporada 2003/04, com o brasileiro Kaká sendo um dos destaques. Na temporada seguinte, a equipe rossonera chegou a final da Liga dos Campeões da UEFA como grande favorita diante do Liverpool, da Inglaterra. Após estar vencendo o jogo por 3 a 0, o Milan cedeu o empate e acabou batido nos pênaltis, por 3 a 2.

Na temporada seguinte, novamente o Milan ficou no "quase". Chegou às semifinais da Liga dos Campeões, mas foi derrotado pelo Barcelona, da Espanha. Na Serie A, viu a Juventus sagrar-se bicampeã. Mas o título, assim como o da temporada 2003/04, foi cassado, devido a descoberta de um esquema de manipulação de resultados nesta competição. Um promotor que estuda o caso pediu que a Juventus, o Milan, a Fiorentina e a Lazio fossem rebaixados. Mas apenas a Juve foi para a Serie B. O Milan começou a Serie A com menos 8 pontos. O título de 2004/05 ficou vago e o de 2005/06 foi herdado pela Inter.

Desacreditados, Ancelotti e equipe passaram a ser alvo de críticas da imprensa italiana no início da atual temporada. Com um desempenho irregular no primeiro turno da Serie A, alguns colocaram em dúvida a classificação do Milan entre os quatro melhores do italiano. Mas a equipe recuperou-se ao longo da temporada e garantiu uma vaga na Liga dos Campeões 2007/08. A temporada marcou ainda a despedida do futebol do ídolo Alessandro Costacurta e a contratação de um novo: Ronaldo.

O ano de 2007 serviu para o Milan como um acerto de contas com o passado recente. Além da recuperação no campeonato nacional, os rubro-negros chegaram a sua décima-primeira final na Liga dos Campeões. Após liderar seu grupo na primeira fase, os milanistas superaram o Celtic, da Escócia, o Bayern de Munique, da Alemanha e o Manchester United, da Inglaterra. O time de Milão conseguiu a revanche contra o Liverpool, em Atenas, vencendo o time inglês por 2 a 1, dois anos após os italianos perderem o título nos pênaltis. Com isso, o Milan conquistou o título de campeão europeu pela sétima vez. Também em 2007, o Milan conquistou seu quarto título mundial, em cima do Boca Juniors, da Argentina, por 4 a 2, três anos após perderem o título nos pênaltis, tornando-se assim o maior campeão do torneio. Duas revanches na mesma temporada.

Ver também[editar | editar código-fonte]