Steve Jobs

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Steve Jobs
Steve Jobs apresentando um iPhone 4 durante a Apple Worldwide Developers Conference em 2010
Nome completo Steven Paul Jobs
Nascimento 24 de fevereiro de 1955[1]
São Francisco, Califórnia
 Estados Unidos
Morte 5 de outubro de 2011 (56 anos)[2]
Palo Alto, Califórnia
 Estados Unidos[2]
Residência Palo Alto, Califórnia[3]
Nacionalidade Povo dos Estados Unidos norte-americano
Fortuna US$ 7 bilhões * (2011)[4]
Cônjuge Laurene Powell Jobs (1991–2011)[5]
Filho(s) 4[5]
Ocupação Ex-presidente da Apple Inc.
Prêmios Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação (1985)
Assinatura
Steve Jobs signature.svg

Steven Paul Jobs (São Francisco, Califórnia, 24 de fevereiro de 1955Palo Alto, Califórnia, 5 de outubro de 2011)[2] foi um inventor, empresário e magnata americano no setor da informática. Notabilizou-se como co-fundador, presidente e diretor executivo da Apple Inc.[6] e por revolucionar seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicações digitais.[7] Além de sua ligação com a Apple, foi diretor executivo da empresa de animação por computação gráfica Pixar e acionista individual máximo da The Walt Disney Company.

No final da década de 1970, Jobs, em parceria com Steve Wozniak e Mike Markkula, entre outros, desenvolveu e comercializou uma das primeiras linhas de computadores pessoais de sucesso, a série Apple II.[6] No começo da década de 1980, ele estava entre os primeiros a perceber o potencial comercial da interface gráfica do usuário guiada pelo mouse, o que levou à criação do Macintosh.[8]

Após perder uma disputa de poder com a mesa diretora em 1985, Jobs foi demitido da Apple e fundou a NeXT, uma companhia de desenvolvimento de plataformas direcionadas aos mercados de educação superior e administração. A compra da NeXT pela Apple em 1996 levou Jobs de volta à companhia que ele ajudara a fundar, sendo então seu CEO de 1997 a 2011, ano em que anunciou sua renúncia ao cargo, recomendando Tim Cook como sucessor.[9]

Morreu em 5 de outubro de 2011, aos 56 anos de idade, devido a um câncer pancreático.[2]

Currículo de Steve Jobs[10]

"Estou procurando um lugar que necessite de muitas reformas e consertos, mas que tenha fundações sólidas. Estou disposto a demolir paredes, construir pontes e acender fogueiras. Tenho uma grande experiência, um monte de energia, um pouco dessa coisa de ‘visão’ e não tenho medo de começar do zero".

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Steve Paul Jobs nasceu em São Francisco, filho de Joanne Schieble Jandali Simpson, nascida em Wisconsin, e de Abdulfattah Jandali, membro de uma proeminente família síria proprietária de poços de petróleo, empresas e propriedades agrícolas. O casal se conheceu em meados dos anos 50 na Universidade de Wisconsin. Os pais de Joanne, alemães católicos, eram contra o relacionamento[11] . Em 1954, o casal viajou escondido para a Síria. Jandali apresentou sua família a Jeanne, que ficou hospedada na casa do namorado, mas a família dele não aceitou Jeanne, que era americana, e eles queriam que o filho seguisse a tradição e se casasse com uma muçulmana. Ao voltarem para Wisconsin, Joanne se desesperou ao descobrir a gravidez. Comunicou o fato a Jandali, que ficara muito assustado, mas decidido a assumir o bebê, porém foram proibidos de se casarem: As duas famílias eram contra a união. Quando descobriram o bebê, a família de Jeanne e a de Jandali, por ser contra o aborto, queriam que entregassem o bebê para a adoção, ou os dois perderiam a herança da família.[11] . Sem alternativas e nem como se sustentar até arrumar um emprego, Jandali voltou para a Síria, abandonou os estudos e começou a trabalhar, prometendo juntar dinheiro para tentar ter como criar o filho. Joanne viajou para São Francisco sozinha, a mando dos pais, onde ficou em um abrigo, sob proteção de um médico que cuidava de mães solteiras, fazia partos e cuidava de adoções sigilosas. Os meses se passaram e Jandali não mandava notícias. Por mais que quisesse ficar com o bebê, não poderia criá-lo sem um lar e sem um pai presente. Após dar a luz em um parto sofrido, Joanne não quis entregar o bebê, e resistiu muito até ser convencida pelo médico que era o melhor a fazer. Mesmo depressiva, pensava no futuro do bebê, e exigiu que seu filho fosse adotado por um casal com pós-graduação universitária, pois queria um futuro brilhante para ele. Inicialmente, o bebê seria adotado por um advogado e sua esposa que acabaram desistindo da adoção após o parto, pois queriam uma menina[12] .

Após a recusa do primeiro casal, Jeanne criou uma vaga esperança de ficar com o bebê, e ainda aguardava notícias de Jandali, mas as semanas se passaram e um novo casal procurou o abrigo. Sem ter como esperar, já que o seus pais foram buscá-la a força, o bebê foi deixado sob guarda de Paul Reinhold Jobs, mecânico e ex-membro da guarda costeira e Clara Hagopian Jobs, filha de imigrantes armênios. Inicialmente Joanne recusou-se a deixar o abrigo com seus pais, e a assinar os papéis da adoção, pois além de amar o filho, o casal não tinha completado o segundo grau e Jeanne temia um futuro miserável ao filho. O impasse só terminou após Paul assinar um compromisso de criar um fundo para enviar o menino a faculdade e assim, a jovem foi embora com os pais, triste e infeliz, esperançosa de reencontrar Jandali. Após meses, Jandali vai atrás de Jeanne, mas a família dela impede a aproximação. Jeanne sai do país e vai estudar em um internato. Os anos se passam, e após estarem com suas carreiras consolidadas e independentes, se reencontram, e após um tempo de brigas e acusações, não resistem a antiga paixão, e mesmo sem aprovação das famílias, mesmo perdendo a herança, se casam no civil e na igreja. Os dois têm uma menina, Mona Simpson, e passam a investigar o destino do filho dado para adoção.[12]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Em 1955, o casal Jobs adota um menino recém nascido, a quem batizam de Steve Paul Jobs [13] em um loteamento em Mountain View ao sul de Palo Alto[13] . Em seu novo lar, Paul Jobs mergulha em seu hobby de reformar e vender carros usados. As primeiras lições sobre design foram aprendidas durante o tempo que Steve passava na garagem com seu pai, que tentava, infrutiferamente, ensinar sobre os princípios da arte da mecânica automotiva. Dois anos depois, o casal adota uma menina recém-nascida, a quem batizam de Patty Jobs. Clara Jobs havia sido casada com um capitão do exército, que faleceu durante a guerra. Antes, porém, teve uma gravidez ectópica (fora do útero), sofrendo um aborto espontâneo e não podendo mais engravidar. Encontrou em Paul um marido carinhoso e compreensivo, que abdicou de ter filhos biológicos e junto da esposa, compartilhou seu sonho de adoção.[13] .

A atmosfera tecnológica adquirida por Palo Alto a partir dos anos 60 inspirou o jovem Steve a se aprofundar no campo da eletrônica, descoberta durante as horas passadas na garagem de casa.[14] . Durante o nono ano do ensino médio, Jobs começa a visitar a garagem do engenheiro Larry Lang, que o introduz no Clube do Explorador da Hewlett-Packard, um grupo de estudantes que reuniam-se semanalmente no refeitório da empresa[15] . Em pouco tempo, Jobs consegue um emprego na empresa[16] e começa a se aprofundar em atividades culturais como literatura e música. Na eletrônica, passa a frequentar as aulas dadas por John McCollum, durante o último ano do ensino médio. Nesse curso conhece Stephen "Steve" Wozniak, cujo irmão mais novo era colega de Jobs na equipe de natação[17] .

A amizade entre os dois Steves mostrou-se frutífera desde o início. Ambos eram apaixonados por eletrônica e por " pregar peças"[18] . Um dos marcos do espirito "brincalhão" da dupla foi a criação de uma versão "Caixa Azul", um dispositivo que permitia a realização de chamadas de longa distância de graça, a partir da emissão de um som com frequência de 2600 hertz. O som com essa frequência servia como "chave de encaminhamento de chamada da rede telefônica". A dupla de amigos começou a vender o equipamento a 150 dólares.

A ideia para a construção do equipamento surgiu de uma reportagem da revista Esquire intitulada “Segredos da pequena Caixa Azul”. “No meio dessa longa reportagem, tive de ligar para meu melhor amigo, Steve Jobs, e ler partes dela para ele”, lembrou Wozniak[19] . A reportagem revelava que outros tons serviam como sinais de frequência única dentro da banda para encaminhar chamadas e que podiam ser encontrados em uma edição do Bell System Technical Journal. Numa tarde de domingo em setembro de 1971, Jobs e Wozniak invadiram a biblioteca do SLAC (Stanford Linear Accelerator Center) para obter a publicação[19] .

Inicialmente a caixa azul era usada apenas para diversão. É folclórica a história em que Wozniak, fingindo ser Henry Kissinger ligou para o Vaticano para tentar falar com o Papa João Paulo II. A brincadeira tornou-se negócio após um estalo de Jobs, que percebeu o potencial do equipamento. O preço de custo para cada unidade era de 40 dólares e o equipamento seria vendido a 150 dólares. Adotando apelidos como Berkeley Blue (Wozniak) e Oaf Tobark (Jobs) a dupla começou a vender os equipamentos. Nas demonstrações, ligavam para Ritz, em Londres, ou um serviço de piadas, na Austrália. Os negócios com a "Caixa Azul" terminaram quando a dupla foi roubada por um cliente armado em uma pizzaria.

O empreendimento seria considerado por Jobs e Wozniak como um marco que permitiu a criação da Apple, pouco tempo depois. “Se não fosse pelas Caixas Azuis, não teria existido uma Apple. Tenho certeza absoluta disso. Woz e eu aprendemos a trabalhar juntos, e ganhamos a confiança de que podíamos resolver problemas técnicos e pôr efetivamente algo em produção.”, afirmou Jobs[20] .

Sobre o curso de Caligrafia[21]

"Aprendi sobre letras com serifas e sem serifas, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia excelente. Era lindo, histórico, artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode captar, e achei fantástico. - Steve Jobs

No verão de 1972, aos 17 anos, Steve sai de casa, contra a vontade dos pais, para morar em uma cabana com sua primeira namorada, Chrisann Brennan. Nesse mesmo período começa a beber, fumar, frequentar espaços budistas de meditação e a tomar ácido, uma droga, junto com LSD[22] . No final do mesmo ano ingressa na universidade Reed College em Portland, Oregon que cursaria formalmente apenas por seis meses. "Desistir foi a melhor coisa que fiz. Pude me dedicar às coisas que eu realmente queria fazer." disse anos mais tarde. Jobs passa 18 meses frequentando o campus da Reed College[21] , onde ganhou permissão para acompanhar as aulas como observador. Entre os cursos assistidos por Jobs estava um curso de caligrafia que anos mais tarde influenciaria na tipografia do Macintosh[21] .

Em seu período acadêmico, Jobs começa a ler livros sobre espiritualidade e iluminação e se torna adepto de dietas compulsivas[23] . Jobs andava descalço pela universidade, não tomava banho e devolvia garrafas de refringente para receber alguns trocados. Aos domingos realizava caminhadas até o centro Hare Krishna para ganhar uma refeição quente[21] . Quando precisava de dinheiro, fazia pequenos reparos eletrônicos nos equipamentos do laboratório de Psicologia.

Em 1974 consegue um emprego na Atari. A empresa serviria de trampolim para que Jobs alcançasse a Europa e depois a Índia, onde faria uma jornada espiritual[11] . No início de 1975 Jobs estava de volta a Palo Alto e ao seu emprego na Atari, onde seria responsável, junto com Wozniak, de uma versão de Pong para um jogador. Jobs havia oferecido metade dos honorários a Wozniak, que na época trabalhava na Hewlett-Packard, se o projeto fosse concluído em quatro dias e com o mínimo de chips possível. A história é famosa porque Jobs pagou apenas metade do honorário e nenhum valor referente ao bônus pago pela economia de cinco chips. Wozniak só descobriria o calote dez anos depois[24] .

Em 1978 nasce sua primeira filha com Chrisann, uma menina chamada Lisa, porém ele não assume a criança. O caso vai parar nos tribunais, pois Chrisann exige que ele assuma o bebê, e ele pede exame de DNA, já que o casal vivia entre indas e vindas. Nesta épocas Jobs não morava mais com ela, e vivia a alguns anos de casa em casa, de amigos e namoradas, ou dormia as vezes no alojamento da faculdade. Após o teste dar positivo, Jobs levou anos para de fato assumir a menina como sua. Durante sua vida, teve diversas mulheres, não se mantendo relacionamento sério com nenhuma, até que no fim dos anos 80 se apaixonou de verdade e em 1991 casou-se com Laurene, e com ela teve três filhos.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Apple Computer Inc e Apple I[editar | editar código-fonte]

Apple I de 1976

A Apple Computer Inc foi criada em abril de 1976 para comercializar um computador pessoal criado por Wozniak poucos meses antes. A ideia para o equipamento surgiu durante uma reunião do Homebrew Computer Club em 5 de março de 1975. Após ver um folheto sobre microprocessador, Wozniak teve um insight onde visualizou "teclado, tela e computador, todos juntos em um pacote integrado"[24] . Após meses trabalhando no projeto, em 29 de junho de 1975 surgem os primeiros caracteres na tela, em resposta ao digitar das teclas. "Digitei algumas teclas no teclado e fiquei chocado! As letras apareceram na tela. Foi a primeira vez na história que alguém digitou uma letra em teclado e viu aparecer na tela de seu computador, bem na sua frente" afirmou Wozniak[25] .

Fascinado pela funcionalidade do aparelho, Jobs convenceu Wozniak a comercializar o equipamento. Para tanto, decidiram abrir uma empresa. Entre as primeiras sugestões para nome estavam termos da computação como Matrix, neologismos como Executek e nomes "desinteressantes" como Personal Computer Inc. Por fim, Jobs propõe Apple Computers. "Eu estava em uma das minhas dietas frugívoras. Tinha acabado de voltar da fazenda de maçãs. O nome parecia divertido, espirituoso e não intimidante. Apple tirava a aresta da palavra computador. Além disso, nos poria à frente da Atari na lista telefônica", explicou ao amigo Wozniak[25] . A divisão de ações e lucros foi dividido em 45% para Jobs, 45% para Wozniak e 10% para Ron Wayne, um engenheiro da Atari que tivera anteriormente uma empresa de máquinas caça-níquel. Wayne, pouco tempo depois, venderia sua parte aos demais sócios[26] .

O primeiro grande lote, com 50 Apple I foi vendido à Byte Shop. Paul Terell, dono da loja de informática, ofereceu 500 dólares por computador se a Apple os entregassem totalmente montados. Após levantar 25 mil dólares para o empreendimento, Jobs instalou a equipe da Apple na garagem da sua casa, para começar a montar os computadores.

Apple II[editar | editar código-fonte]

O Apple II de 1977

O próximo projeto da Apple Inc se tornaria o computador pessoal mais bem sucedido da história, vendendo quase 6 milhões de unidades em 16 anos[27] . Jobs e Wozniak planejavam um computador com "excelente invólucro, teclado incorporado e ser integrado de ponta a ponta, da fonte de alimentação ao software e ao monitor."[28] . O projeto foi viabilizado graças a Mike Markkula que ofereceu uma linha de crédito de 250 mil dólares em troca de uma participação acionária[29] . Em 3 de abril de 1977 a nova empresa — Apple Computer Co. — foi oficialmente criada e comprou a antiga sociedade que havia sido formada por Jobs e Wozniak nove meses antes[29] .

A fonte de alimentação do Apple II foi outra revolução. Jobs queria evitar a necessidade de um ventilador e encomendou a construção de uma nova fonte ao engenheiro Rod Holt da Atari. Holt construiu uma fonte de energia comutável, que ligava e desligava milhares de vezes o que possibilitava armazenar a energia por muito menos tempo e consequentemente liberava menos calor. “Essa fonte de alimentação comutável era tão revolucionária quanto a placa lógica do Apple II. Rod não recebe muito crédito por isso nos livros de história, mas deveria. Todos os computadores usam agora fontes de alimentação comutáveis, e todos roubam o projeto de Rod”, explicou Jobs mais tarde[30] .

Para o design, Jobs queria um trabalho que se destacasse diante dos computadores em suas caixas cinza metálico. Ele queria invólucro elegante, feito de plástico moldado leve. O trabalho foi encomendado originalmente a Ron Wayne, mas coube ao consultor Jerry Manock produzir a versão final.

O Apple II foi lançado oficialmente em abril de 1977 durante a primeira Feira de Computadores da Costa Oeste em San Francisco. A Apple recebeu trezentas encomendas na exposição, e Jobs conheceu um fabricante de tecidos japonês, Mizushima Satoshi, que se tornou o primeiro revendedor da Apple no Japão[31] .

Apple III[editar | editar código-fonte]

Lançado em maio de 1980, foi um fracasso. Randy Wigginton, um dos engenheiros, resumiu o problema: “O Apple III era uma espécie de bebê concebido durante uma orgia; mais tarde, todos estão com uma dor de cabeça terrível, e lá está aquele filho bastardo, e todo mundo diz: não é meu[32] .

O "assalto" ao Xerox Parc[editar | editar código-fonte]

A visita ao Palo Alto Research Center, mais conhecido como Xerox PARC, durante o verão de 1979, está entre os momentos mais folclóricos da indústria da computação. Coube aos engenheiros Jef Raskin e Bill Atkinson convencer Jobs a conhecer as inovações criadas no centro de pesquisas da Xerox. A Apple negociou duas visitas mediante venda 100 mil ações, ao preço de dez dólares.

As exibições da funcionalidade do Xerox Alto impressionaram a equipe de engenheiros da Apple. O computador apresentava três tecnologias revolucionárias: A ligação de computadores em rede. A segunda era que a programação era orientada para objetos e a terceira era a interface gráfica e a tela de bitmap. As inovações só se estabeleceriam no mercado em 1983, com o lançamento do Apple Lisa.

O ataque da Apple ao Xerox Parc é descrito como "um dos maiores assaltos da história da indústria" e isso era endossado por Jobs, com certo orgulho: “Quer dizer, Picasso tinha um ditado que afirmava: ‘Artistas bons copiam, grandes artistas roubam’. E nós nunca sentimos vergonha de roubar grandes ideias.”. Outra avaliação aponta a situação como uma grande trapalhada da Xerox. “Eles estavam com a cabeça em copiadoras e não tinham a mínima ideia sobre o que um computador podia fazer. Eles simplesmente transformaram em derrota a maior vitória da indústria de computadores. A Xerox poderia ter sido dona de toda a indústria de computadores.” disse Jobs a respeito da direção da Xerox.

A Xerox chegou a lançar um computador com as inovações do Xerox Alto. Batizado de Xerox Star, o equipamento foi disponibilizado em 1981 visando o mercado de escritórios em rede. Custando 16.596 dólares no varejo foi um fracasso total, vendendo apenas 30 mil unidades.

Apple Lisa[editar | editar código-fonte]

Apple Lisa de 1983

O Apple Lisa foi concebido inicialmente como uma máquina de 2 mil dólares baseada em um microprocessador de dezesseis bits, em vez dos oito bits usados no Apple II. O projeto nasceu em 1979. Foi o primeiro computador da Apple a utilizar a interface gráfica, baseado na tecnologia do Xerox Alto. Jobs havia adotado o projeto mas foi convidado a se retirar, o que o fez adotar o projeto Annie que mais tarde seria rebatizado de Macintosh.

Embora fosse óbvio, levou anos até que Jobs admitisse que o equipamento foi batizado com o nome de sua primeira filha, Lisa Nicole Brennan-Jobs. Jobs renegou sua filha nos primeiros anos de vida. "Eu não queria ser pai”, explicou certa vez. A relação de pai e filha só se tornou mais próxima quando a menina completou 8 anos. Os engenheiros da Apple acabaram criando o acrônimo de Local Integrated Software Architecture para explicar o nome.

Embora revolucionário - contava com um sistema de proteção de memória aprimorado, sistema multitarefas, um sistema operacional baseado em disco rígido, suporte para 2MB de memória RAM, Slots de expansão, além da interface gráfica e uso de mouse - o Apple Lisa foi um fracasso comercial. Custava 9.999 dólares no varejo. Parte do fracasso comercial deveu-se a própria Apple e Jobs que converteram o Macintosh num concorrente mais barato que o Lisa com agravante do Mac ser mais rápido e totalmente incompatível com predecessor. O Lisa seria descontinuado em 1989 após dois upgrades, o Apple Lisa 2 e o Macintosh XL (um Lisa 2/10 com emulador de Macintosh).

Segundo o livro: Steve Jobs, a biografia autorizada e escrita por Walter Isaacson, o Lisa inicialmente estava sendo desenvolvido pela equipe de Jobs, mas por ordens da diretoria da Apple ele fora afastado, Jobs que estava interessado em desenvolver um computador pessoal que pudesse chamá-lo de sua "criação", nesse caso empenhou-se no desenvolvimento de um computador que revolucionou a indústria da informática, o Macintosh, que tournou-se um sucesso em vendas e em elogios por parte de influentes veicúlos de comunicação da época. Tal foco no Macintosh trouxe prejuízos a fama de Lisa.

Macintosh[editar | editar código-fonte]

Apple Macintosh 512KB. de 1984

O projeto Annie nasceu em 1979, fruto do desejo do engenheiro Jef Raskin de criar um equipamento simples, com tela, teclado e computador numa única peça e vendido por mil dólares. Raskin imaginava o computador pessoal como produto de massa, por isso trabalhava para baratear os custos. O projeto era tocado inicialmente por apenas quatro engenheiros e durante muito tempo esteve a ponto de ser abortado. Raskin considerava machismo batizar computadores com nomes femininos, por isso trocou o nome do projeto para "Macintosh", em homenagem a sua espécie de maçã favorita, McIntosh. A grafia foi modificada para não gerar processos com o fabricante de equipamentos de áudio McIntosh Laboratory.

Jobs começou a ficar fascinado pelas ideias de Raskin para o projeto - uma máquina barata para o grande público, com uma interface gráfica simples e design despojado - mas não concordava com a transgressão na qualidade para manter os custos baixos. Raskin e Jobs começaram uma disputa pela liderança do projeto que terminou com o afastamento de Raskin por ordem de Mike Scott, presidente da Apple na época. Jobs começou a recrutar engenheiros entre os funcionários da Apple e no começo de 1981 já contava com uma equipe de 20 pessoas. A equipe foi transferida para uma casa de dois andares a cerca de três quadras da sede da Apple. Era vizinha de um posto da Texaco e passou a ser conhecida como Texaco Towers.

A equipe retornaria a sede em meados de 1983. Nesse meio tempo, Jobs incitou uma rivalidade, nada saudável, entre as equipes do Mac e do Apple Lisa. No auge da disputa, Steve Capps, engenheiro do Mac hasteou uma bandeira pirata no recém construído prédio da Apple, que permaneceu tremulando por algumas semanas até que membros do Apple Lisa a sequestrassem. Após a ação, enviaram um bilhete a equipe do Macintosh pedindo resgate.

O Mac foi o primeiro produto da Apple a integrar a filosofia de desenvolvimento "de uma ponta a outra". Para Jobs, os melhores produtos eram os aparelhos completos com o software talhado para o hardware, e vice-versa. De acordo com essa linha de pensamento, há um sacrifício nas funcionalidades de um equipamento quando o sistema operacional e os softwares são desenvolvidos de forma genérica, para vários hardwares diferentes, havendo sempre o risco de incompatibilidade. Essa filosofia seria reafirmada anos depois com o iMac, iPod, iPhone e iPad.

O primeiro anúncio do Macintosh foi exibido durante os comerciais do Super Bowl XVIII em 22 de janeiro. As três redes nacionais ABC, CBS e NBC além de cinquenta estações locais levaram ao ar notícias sobre o anúncio 1984, que se propagou numa velocidade sem precedentes. A peça de 1 minuto dirigida por Ridley Scott e produzida pela empresa de publicidade Chiat/Day na Inglaterra foi escolhida pela TV Guide e pela Advertising Age como o maior comercial de todos os tempos.

O lançamento oficial do Mac aconteceu em 24 de janeiro de 1984, durante a reunião anual dos acionistas da Apple no auditório do Flint do De Anza Community College. Com capacidade para 2.600 lugares, o local estava lotado por acionistas, jornalistas e Apple maniacos. A apresentação teatral do equipamento deixou o púbico surpreso e entusiasmado. Jobs tirou o Mac de uma bolsa, conectou teclado e mouse e puxou um disquete de 3½ do bolso da camisa colocando-o no drive. Ao som de Carruagens de Fogo o Mac apresenta em sua tela a palavra "MACINTOSH" inicialmente na horizontal e depois descendo na vertical. Em seguida aparecem as palavras "Insanamente grandioso" como se estivessem sendo escritas de forma cursiva. A seguir são apresentadas imagens de captura de tela de softwares do Mac como o QuickDraw.

Uma surpresa no final da apresentação causou ainda mais frenesi ao já impressionado público. O Macintoshi foi o primeiro computador a se apresentar. Com uma voz eletrônica ele se dirigiu ao público da seguinte forma: “Olá. Sou o Macintosh. É ótimo sair daquela maleta, com certeza. Não estou acostumado a falar em público, mas quero compartilhar com vocês uma máxima que me ocorreu quando conheci um IBM de grande porte. Nunca confiem num computador que não consigam levantar. Gosto de falar, claro. Mas agora quero sentar e ouvir. Assim, é com muito orgulho que apresento um homem que tem sido como um pai para mim, Steve Jobs". O final da apresentação gerou cinco minutos de aplausos contínuos descritos pelo jornalista Walter Isaacson como "um pandemônio, com gente na multidão aos saltos e socando o ar num frenesi."

O sucesso do Macintosh inicialmente contribuiu com o aumento da influencia de Jobs sobre a Apple. As divisões do Mac e do Lisa foram unificados sob sua direção, mas o processo foi traumático para ambas as equipes. Jobs mostrava-se cada vez mais impiedoso e extravagante. O desgaste com as equipes acabaria por contribuir com sua saída no ano seguinte.

No segundo semestre de 1984, as vendas do Mac começaram a apresentar queda. A interface bonita e agradável não compensavam a baixa potência, lentidão do equipamento, ausência de disco rígido e pouca memória RAM. Embora fosse um computador deslumbrante não havia publicidade que conseguisse mascarar suas limitações.

Saída da Apple[editar | editar código-fonte]

O sucesso inicial das vendas do Macintosh reafirmaram a personalidade difícil e as excentricidades de Jobs. Inicialmente John Sculley, presidente da Apple, o apoiou entregando-lhe as unidades unificadas do Mac e do Lisa. As exigências extravagantes quanto a design e estética, cobranças cruéis de funcionários e parceiros acabaram desgastando sua imagem no conselho da Apple. As quedas nas vendas do Mac a partir do segundo semestre de 1984 e vendas nulas do Lisa acabaram levando Jobs e Sculley a desentendimentos gerenciais.

Em 24 de maio de 1985, numa reunião entre Jobs, Sculley e o corpo executivo da Apple, todos apoiaram firmemente Sculley. Com a restruturação planejada por Sculley, Jobs não ficaria com o controle de nenhuma divisão e nenhum encargo operacional, mas poderia ficar na empresa com o título de presidente do conselho e no papel de visionário dos produtos. Jobs não aceitou. Ele agora estava fora da Apple.

NeXT[editar | editar código-fonte]

Após sua saída da Apple, Jobs mirou no mercado educacional criando a NeXT. Parte da equipe da nova empresa foi recrutada nas fileiras de engenheiros da Apple, o que gerou revolta em parte da diretoria da empresa. O imbróglio seria resolvido com um acordo extra-judicial no final de 1986. Na NeXT Jobs teve oportunidade de se entregar a seus melhores e piores instintos na área de gerenciamento, design e trabalho coletivo.

O computador NeXT foi considerado caro por conselheiros acadêmicos. No lançamento o equipamento era vendido por 6.500 dólares enquanto as instituições de ensino exigiam preços entre 2 mil e 3 mil. As vendas do computador, lançado em meados de 1989, ficaram em torno de 400 unidades mensais. Número muito abaixo das previsões e da capacidade da NeXT. O fracasso na comercialização dos seus produtos obrigou Jobs a fechar o setor de hardware da empresa. O sistema operacional do NeXT seria, entretanto, responsável pela maior reviravolta na vida de Jobs e da Apple. A Apple precisava com urgência de um novo Sistema Operacional e a opção encontrada foi adquirir a NeXT e levar Jobs junto. O anúncio da aquisição foi feito em 20 de dezembro de 1996.

Retorno à Apple - 1997[editar | editar código-fonte]

Walter Mossberg e Kara Swisher entrevistam Steve Jobs e Bill Gates na conferência 'D5: All Things Digital', no Silicon Valley, em 2007

Em 1996 a Apple, que estava desenvolvendo um novo sistema operacional, comprou a NeXT Computer, de Steve Jobs, para poder usar o NeXTStep como base para o seu novo sistema operacional. Com esta operação, Jobs retornou para a Apple - que estava numa situação financeira frágil e a ponto de fechar - em 1997, como consultor. A companhia foi salva a tempo com a venda de 40% das ações à rival Microsoft, com uma ideia e um produto criativo de impacto, introduzindo o iMac em 1998 com o novo sistema operacional, o Mac OS 9. Com o passar dos anos a Apple readquiriu as ações da Microsoft, o que evitou a sua falência.

Depois do sucesso de vendas dos primeiros iMacs, Jobs preparou uma nova revolução, a de refazer o famoso Mac OS, criando uma nova e poderosa plataforma que uniu o poder e a estabilidade do sistema Unix com a praticidade e elegância do tradicional Mac OS. Em 2000 foi lançado o Mac OS X.

Sob a orientação de Jobs, a Apple aumentou suas vendas significativamente depois destas inovações implantadas por ele e a sua equipe. O iMac foi o primeiro computador introduzido no mercado com várias características avançadas, principalmente pelo seu design inovador e pelo material utilizado, basicamente o plástico translúcido e colorido, o que decretou a morte da cor padrão para PCs (o bege), e a partir de então muitos deles passaram a usar este tipo de material nos produtos de informática em geral. Desde então, Jobs trabalhou muito em ideias criativas deste nível, obtendo sucesso de vendas com elas.

Uma das suas inovações foi ramificar a Apple para além do seu mercado restrito da informática, passando a atuar na área de eletrônica, telecomunicações (iPhone), músicas digitais (AAC e MP3), com a introdução em 2001 do tocador portátil de música iPod, integrado com a loja de venda legal de música pela Internet através do iTunes, um software dedicado para reprodução de áudio, vídeo, CDs e de rádios online. O iPod conquistou o público pela sua leveza, praticidade, modernidade e simplicidade.

Em 2007 a Apple passou a comercializar telefones moveis, chamados de iPhone, com tecnologia de toque (batizada de multi-touch por aceitar toques simultâneos); em 2008 lançou a versão de tecnologia 3G do aparelho, iPhone 3G; em julho de 2009 lançou o iPhone 3Gs (speed), com comando de voz e muito mais rápido que os modelos anteriores.

Em junho de 2010, a Apple lançou o iPhone 4. Uma das maiores novidades de então, muito aguardada pelos usuários das versões anteriores: foi a possibilidade do multitask (execução de vários programas simultaneamente), além da câmera com 5 MP com flash, entre outras mudanças. O iPhone 4 foi alvo de polêmicas, após alguns usuários (0,55%, de acordo com a própria fábrica) constatarem que, se tocado em determinado ponto (onde ficava a antena), o equipamento sofria queda de sinal. Poucas semanas depois, Steve Jobs apresentou-se publicamente em uma conferência, admitindo a existência do problema. Para contorná-lo, os usuários teriam duas opções: receber gratuitamente uma espécie de capa para evitar o toque na antena; ou então ir a qualquer loja da Apple para a devolução do dinheiro.

MacWorld[editar | editar código-fonte]

Steve Jobs fazia anualmente palestras emblemáticas (Keynotes), nas MacWorlds, quando lançava as suas tão esperadas ideias para a Apple (e o público ficava muito frustrado quando não havia novidades convincentes nestes eventos da Apple). Jobs e os seus parceiros apresentavam as novidades que a empresa lançaria em cada temporada. Muitas dessas novidades acabavam tornando-se tendência de mercado. No final de 2008, a Apple declarou que a MacWorld 2009 seria a última em que a empresa iria participar. Nesta edição do evento, Phil Schiller, vice-presidente de marketing de produtos da Apple na época, foi o palestrante oficial.

Rivalidades[editar | editar código-fonte]

A rivalidade de Steve Jobs com Bill Gates, ex-presidente e principal acionista da Microsoft, já é elemento cultural do setor. Essa disputa pode ser verificada no filme produzido pelo canal de TV a cabo TNT, "Pirates of Silicon Valley" (Piratas do Vale do Silício, na versão em português), que aborda a biografia deles e das suas empresas, algumas vezes de forma exagerada. Podemos ver a disputa que existia entre eles e suas respectivas empresas muito antes de serem os ícones e "ídolos" que são hoje.

A relação de Steve Jobs com Bill Gates foi de certa forma balanceada em rivalidade e amizade, ambos firmaram acordos milionários como no caso em que a Apple necessitava de bons editores de textos dos quais a Microsoft possuía o Word, Excell e etc. E quando a Apple após o lançamento do music player mais famoso do mundo, o iPod, disponibilizou seu avançado serviço de música, o iTunes, ao sistema operacional da Microsoft.

Na biografia autorizada de Jobs, Walter Isaacson relata um encontro entre Steve e Bill. Steve Jobs estava debilitado demais para levantar de sua cama, devido ao câncer que foi tratado de maneira tardia, quando recebeu a visita de Bill Gates. Ambos passaram um bom tempo conversando sobre suas famílias e suas vidas. A tal visita aconteceu pouco antes da morte do cofundador da Apple em 2011.

Pixar e Disney[editar | editar código-fonte]

Em 1986, Jobs comprou da Lucasfilm um estúdio de computação gráfica, o Pixar Studios, por 10 milhões de dólares. Com uma parceria estratégica com a Disney criou, produziu e lançou vários filmes em animação 3D de sucesso, tais como o Toy Story, Procurando Nemo, Ratatouille, "Up, Altas Aventuras" e o mais recente "Aviões". Com a compra dos estúdios Pixar pelo grupo de comunicação e entretenimento Walt Disney, Jobs tornou-se o maior acionista individual da Disney, onde deveria ocupar um posto no conselho diretivo, segundo uma nota divulgada pela Disney no dia da aquisição,em 2006.

Stevenotes[editar | editar código-fonte]

No mundo corporativo, foi inegável a habilidade de Jobs de influenciar a plateia a comprar seus produtos. E além disso, em preparar apresentações de forma simples e objetiva. Antes de mais nada, Jobs fazia conforme recomendado pela maioria dos principais designers de apresentação: começava no papel.

De fato, foi inquestionável a presença dessa habilidade nas stevenotes, como eram conhecidas as keynotes de Jobs, transformando a exibição típica de slides, que é tediosa, mecânica e lenta em um evento teatral completo: com heróis e vilões, elenco de apoio e telas de fundo estonteantes. As keynotes de Jobs na MacWorld Expo 2007 e 2008 foram consideradas as melhores apresentações de todos os tempos. O lançamento do Macintosh é considerado uma das apresentações mais impressionantes da história do corporativismo nos Estados Unidos.

Jobs praticou o zen budismo, cujo princípio central é o conceito denominado kanso ou simplicidade[33] . Uma apresentação de Jobs era muito simples, visual e sem marcadores. Pesquisas sobre o funcionamento cognitivo provam que os marcadores são a maneira menos eficaz de transmitir informações importantes. Nos slides de Jobs pôde-se perceber evidências de contenção, simplicidade e uso poderoso, mas sutil, do espaço vazio. Isso dá aos slides um espaço visual pra respirar. Espaço e branco significa elegância, qualidade e clareza.

De forma geral, as grandes apresentações possuem os nove elementos abaixo[34] : Slogan, Declaração de amor, Três mensagens básicas, Metáforas e analogias, Demonstrações, Parceiros, Depoimento do cliente e aval de terceiros, Videoclipes, e Flip charts, suportes e show-and-tell. Em geral, Jobs elaborava um roteiro verbal para sua plateia, esquematizados em grupos de três: uma apresentação pode ser dividida em três atos; a descrição do produto em três recursos; e uma demonstração em três etapas. Para Jobs, a "regra de três" era um dos conceitos mais poderosos da teoria da comunicação.

O fundador da Apple estabeleceu a base de uma história convincente apresentando para sua plateia um antagonista, um inimigo e um problema que precisava de uma solução[35] . Ao introduzir o antagonista (o problema), a plateia se agrupava em torno do herói (a solução). O apresentador tem que criar um espaço no cérebro da plateia para que este retenha a informação que ele esta prestes a transmitir. Se o apresentador oferecer uma solução sem definir o problema isso não vai acontecer. Dessa forma, deve ser criada uma resposta concisa para as perguntas: "O que você faz?", "Que problema você resolve?", "Qual é o seu diferencial?", "Por que devo me interessar?". De acordo com as pesquisas sobre o funcionamento cognitivo, a plateia começa a "morrer" depois de 10 minutos.

As demonstrações ajudam os apresentadores a criar uma conexão emocional com todo tipo de aprendiz da plateia: o visual, o auditivo e o cinestésico[36] . Os aprendizes visuais correspondem a cerca de 40% da plateia, os quais aprendem por meio da visualização. Dessa forma, devem ser elaborados slides com poucas palavras e muitas imagens. Os aprendizes auditivos representam de 20% a 30% da plateia. Devem ser usadas técnicas verbais e retóricas, através de histórias pessoais ou exemplos eloquentes para apoiar as mensagens principais. Os aprendizes cinestésicos são aqueles que aprendem fazendo, movendo-se e tocando. Devem ser usados objetos, exercícios escritos, ou fazendo-os participar das demonstrações.

As palavras usadas em suas apresentações são importantes. Mas, além disso, também é importante a forma como ele as expressa, mantendo uma ligação com os slides. Jobs, quando estava no clímax, fazia três coisas que qualquer um pode e deve fazer para aprimorar as habilidades oratórias e de apresentação: ele estabelecia contato visual, mantinha uma postura aberta e fazia gestos frequentes com as mãos.

A pesquisa científica descobriu que o contato visual está associado à honestidade, confiança, sinceridade e segurança e a falta dele à falta de confiança e de capacidade de liderança[37] . A quebra do contato visual é infalível para perder a conexão com sua plateia. Jobs sabia exatamente o que havia em cada slide e o que ia dizer no momento em que o slide apareceria.

Os sinais não verbais causam maior impacto em uma conversa[38] . O tom de voz, por sua vez, é o segundo fator mais influente e as palavras realmente ditas são o terceiro e o menos importante. As pessoas julgam o apresentador o tempo todo, mas, principalmente, nos primeiros 90 segundos do encontro.

Jobs raramente cruzava os braços ou ficava atrás de um púlpito. Sua postura era aberta, não colocando nada entre si e sua plateia. Ao manter as mãos paradas, o apresentador se mostra rígido e formal. Jobs, por sua vez, enfatizava quase toda frase com um gesto que complementava suas palavras. Além disso, ele diversificava sua expressão verbal para criar suspense, entusiasmo e emoção utilizando quatro técnicas: inflexão, pausas, volume e ritmo[39] .

De fato, Jobs mudou a vida de todo o mundo com seus produtos. Além disso, deixou também um legado sobre como fazer apresentações.

Problemas de saúde[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 2003, Jobs foi diagnosticado com câncer de pâncreas.

Em julho de 2004 ele foi submetido a uma cirurgia de duodenopancreatectomia, para retirada do tumor.

No dia 24 de agosto de 2011, Jobs renunciou à presidência da Apple. Ele esperava permanecer como presidente da mesa de direção da empresa, recomendando em sua carta de demissão que Tim Cook fosse nomeado seu sucessor.[40]

Morte[editar | editar código-fonte]

Steve Jobs morreu no dia 5 de outubro de 2011 na sequência de um câncer pancreático raro que afeta as funções exócrinas do órgão, contra o qual lutava desde 2004.[2] O anúncio foi dado pela família dele, que disse: "morreu em paz hoje". A causa final da morte foi uma parada respiratória.[41] [42] A empresa da qual ele foi fundador e CEO, a Apple Inc., divulgou um comunicado separadamente anunciando a morte de Steve Jobs:[43] [44]

Estamos profundamente tristes ao anunciar que Steve Jobs faleceu hoje.
O brilho de Steve, sua paixão e força foram as fontes de inúmeras inovações que enriquecem e melhoram todas as nossas vidas. O mundo é incomensuravelmente melhor por causa de Steve.
Os grandes amores da sua vida foram a sua esposa, Laurene e sua família. Nossos corações estão com eles e para todos que foram tocados por seus dons extraordinários.
Apple
We are deeply saddened to announce that Steve Jobs passed away today.
Steve’s brilliance, passion and energy were the source of countless innovations that enrich and improve all of our lives. The world is immeasurably better because of Steve.
His greatest love was for his wife, Laurene, and his family. Our hearts go out to them and to all who were touched by his extraordinary gifts.

No mesmo dia, o site corporativo da Apple recebia os visitantes com uma página simples mostrando o nome de Steve Jobs, o seu ano de nascimento e morte e um dos seus retratos mais famosos. Ao ser clicada, a imagem conduzia a uma página com um obituário que dizia:

A Apple perdeu um visionário e gênio criativo, e o mundo perdeu um ser humano incrível. Aqueles de nós que tiveram sorte o bastante para conhecer e trabalhar com Steve perderam um amigo querido e um mentor inspirador. Steve deixa para trás uma empresa que só ele poderia ter construído e seu espírito sempre será a base da Apple.
Apple has lost a visionary and creative genius, and the world has lost an amazing human being. Those of us who have been fortunate enough to know and work with Steve have lost a dear friend and an inspiring mentor. Steve leaves behind a company that only he could have built, and his spirit will forever be the foundation of Apple.

Encontra-se sepultado em Alta Mesa Memorial Park, Palo Alto, Condado de Santa Clara, Califórnia nos Estados Unidos.[45]

Referências

  1. Smithsonian Oral and Video Histories: Steve Jobs. (em inglês) Página acessada em 19 de outubro de 2013.
  2. a b c d e Steve Jobs Dies: Apple Chief Made Early Personal Computer, Created iPad, iPod, iPhone (em inglês) ABC News (5 de outubro de 2011). Visitado em 14 de outubro de 2011.
  3. Clinton stops by Palo Alto for dinner (em inglês) www.paloaltoonline.com (9 de agosto de 1996). Visitado em 14 de outubro de 2011.
  4. Steve Jobs - Forbes (em inglês) Forbes (setembro de 2011). Visitado em 14 de outubro de 2011.
  5. a b Steve Jobs (pg 2) (em inglês) CNNMoney (4 de março de 2008). Visitado em 14 de outubro de 2011.
  6. a b An 'Unknown' Founder Leaves After 20 Years of Glory and Turmoil (em inglês) New York Times (1 de setembro de 1997). Visitado em 14 de outubro de 2011.
  7. Jobs revolucionou seis indústrias, escreve biógrafo; (em português) Folha.com.br (06 de outubro de 2011). Visitado em 08 de novembro de 2011.
  8. "Wired News: We're All Mac Users Now". Wired News
  9. Steve Jobs resigns as Apple CEO (em inglês) The Guardian (25 de agosto de 2011). Visitado em 14 de outubro de 2011.
  10. Folha de São Paulo: acessado em 04 de novembro de 2011
  11. a b c Isaacson, 2011, p.64.
  12. a b Isaacson, 2011, p.65.
  13. a b c Isaacson, 2011, p.24.
  14. Isaacson, 2011, p.25.
  15. Isaacson, 2011, p.28.
  16. Isaacson, 2011, p.34,36.
  17. Isaacson, 2011, p.39.
  18. Isaacson, 2011, p.47.
  19. a b Isaacson, 2011, p.48.
  20. Isaacson, 2011, p.49.
  21. a b c d Isaacson, 2011, p.59.
  22. Isaacson, 2011, p.50.
  23. Isaacson, 2011, p.51.
  24. a b Isaacson, 2011, p.72.
  25. a b Isaacson, 2011, p. 79.
  26. Isaacson, 2011, p.84.
  27. Isaacson, 2011, p.103.
  28. Isaacson, 2011, p.90.
  29. a b Isaacson, 2011, p.96.
  30. Isaacson, 2011, p.99.
  31. Isaacson, 2011, p.100.
  32. Isaacson, 2011, p.111.
  33. Gallo, 2010, p.89.
  34. Gallo, 2010, p.6.
  35. Gallo, 2010, p.62.
  36. Gallo, 2010, p.147.
  37. Gallo, 2010, p.170.
  38. Gallo, 2010, p.177.
  39. Gallo, 2010, p.174.
  40. Steve Jobs Resigns As CEO Of Apple (em inglês) TechCrunch (24 de agosto de 2011). Visitado em 13 de outubro de 2011.
  41. PALO ALTO, Calif (5 de outubro de 2011). Statement by Steve Jobs’ Family Business Wire. Visitado em 6 de outubro de 2011.
  42. Yukari Iwatani Kane; Geoffrey A. Fowler (6 de outubro de 2011). Steven Paul Jobs, 1955-2011 The Wall Street Journal. Visitado em 6 de outubro de 2011.
  43. Apple (5 de outubro de 2011). Statement by Apple’s Board of Directors Apple. Visitado em 6 de outubro de 2011.
  44. Morre Steve Jobs, fundador da Apple (em português) G1. Visitado em 10 de março de 2012.
  45. Steve Jobs (em inglês) no Find a Grave.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Beahm, George "O Mundo Segundo Steve Jobs" (Edição 1). Editora Campus Elsevier, 2011, ISBN 978-85-352-5131-9
  • Elliot, Jay "Steve Jobs - O Estilo de Liderança para uma Nova Geração" (Edição 1). Editora Lafonte, 2011, ISBN 978-85-7635-890-9.
  • Gallo, Carmine "Faça como Steve Jobs E Realize Apresentações Incríveis em Qualquer Situação" (Edição 1). Editora Lua de Papel, 2010, ISBN 978-85-63066-16-9
  • Gallo, Carmine "Inovação: A Arte de Steve Jobs" (Edição 1). Editora Lua de Papel, 2011, ISBN 978-85-63066-56-5
  • Isaacson, Walter "Steve Jobs" (Edição 1). Editora Companhia das Letras, 2011. ISBN 978-85-359-1971-4
  • Kahney, Leander "A Cabeça de Steve Jobs" (Edição 1). Editora Agir, 2008. ISBN 978-85-220-0977-0
  • Moritz, Michael "Fascinante Império de Steve Jobs" (Edição 1). Editora Universo dos Livros, 2010. ISBN 978-85-7930-091-2
  • Price, Davidl "A Magia da Pixar" (Edição 1). Editora Campus Elsevier, 2009, ISBN 978-85-352-3669-9
  • Wozniak, Steve e Smith Gina "iWoz: Computer Geek to cult icon" (Edição 1). Editora Norton, 2006, ISBN 0-393-33043-5

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]