Spa-Francorchamps

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Spa-Francorchamps
Circuito de Spa-Francorchamps
Spa-Francorchamps of Belgium.svg
Mapa do circuito.
Informações da corrida
Localização Liège - Região da Valônia, Bélgica
Voltas 44
Percurso 7.004 km (4.352 mi)
Total 308.052 km (191.410 mi)
Curvas 20
Pole Austrália Mark Webber
Red Bull-Renault V8
1min 45s 778
2010
Volta mais rápida
na prova
Alemanha Sebastian Vettel
Red Bull-Renault V8
1min 47s 263
2009
Anos disputados 60 (49 oficial)
Primeira disputa 1925 (1950 oficial)
Última disputa 2016
Maior vencedor (pilotos) Alemanha Michael Schumacher (6)
Maior vencedor (equipe) Itália Ferrari (12)
Reino Unido McLaren (12)
Última corrida (2016):
Pole Position
Piloto Alemanha Nico Rosberg
Mercedes V6 Turbo
Tempo 1min 46s 744
Volta mais rápida
Piloto Reino Unido Lewis Hamilton
Mercedes V6 Turbo
Tempo 1min 51s 583
Pódio
Primeiro Alemanha Nico Rosberg
Mercedes V6 Turbo
1h 44min 51s 058
Segundo Austrália Daniel Ricciardo
Red Bull-Tag Heuer V6 Turbo
+14s 113
Terceiro Reino Unido Lewis Hamilton
Mercedes V6 Turbo
+27s 634

O Circuito de Spa-Francorchamps é um autódromo localizado nos arredores das cidades de Spa, Stavelot e Malmedy, na província de Liège. É conhecido pela sua história e importância, sendo uma das grandes catedrais do automobilismo. Recebe a Fórmula 1 e as 24 Horas de Spa anualmente.

A pista[editar | editar código-fonte]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1921, Jules de Their e Henri Langlois Van Ophem idealizaram este circuito, que veio a receber a sua primeira prova em 1922, apesar da inauguração estar prevista para Agosto de 1921, mas na altura só houve um concorrente, por isso, a prova foi cancelada. Dois anos mais tarde realizou-se pela primeira vez as 24 Horas de Spa e em 1950, realizou-se o primeiro Grande Prêmio de Fórmula 1.

Inicialmente, Spa-Francorchamps não era um circuito permanente, usava estradas públicas que passavam pelas colinas Ardennes, entre a vila Francorchamps (situada em Stavelot) e Malmedy. Tinha uma forma triangular e estendia-se por cerca de 15 km. Esta versão do circuito consistia num circuito muito rápido e exigente, o que obrigava a uma pilotagem mais rigorosa do que num circuito de velocidades mediana, sendo mais um factor apelativo que ajudou Spa a ficar muito famoso desde o início.

Naquela época, os belgas se orgulhavam do facto de terem um circuito muito rápido, por isso, removeram o trecho Douane Ancienne, que se situava no início do circuito, dando origem ao famoso conjunto de curvas Raidillon e Eau Rouge, melhorando assim, a velocidade média do circuito. Depois dessas curvas, o circuito continuava subindo até à zona mais alta do circuito, as curvas Kemmel, actualmente transformadas em recta. Esta subida terminava em Les Combes, uma esquerda que iniciava uma descida para Burnenville. Depois passava-se por esta aldeia realizando uma direita muito rápida, sempre em aceleração. Chegando perto de Malmedy, a recta Masta começava e terminava na curva Masta Kink, antes de chegar à cidade de Stavelot. Em seguida, a pista atravessava uma secção em linha recta com algumas curvas chamadas de La Carriere, passando por duas esquerdas rapidíssimas, a primeira sem nome e a segunda chamada de Blanchimont, até que no fim chegava-se à La Source, um gancho para a direita, no qual os carros chegavam com muita velocidade e por isso os pilotos tinham que realizar uma travagem muito forte. Com este layout, a extensão do circuito passou para 14,12 km.

Traçado alterado, com 14,120km

As características de Spa-Francorchamps naquela altura tornavam-no num circuito muito perigoso, no qual se assistiu a muitas mortes. Para diminuir a possibilidade de mortes, em 1970 fez-se algumas alterações que não alteraram muito o layout do circuito, mas diminuíram, como pretendido, as mortes.

Outra característica atractiva do circuito era o clima da floresta Ardennes, que era muito imprevisível e o circuito era de tal forma extenso que era possível estar a chover numa zona do circuito e noutra a pista estar completamente seca.

Presente desde o início oficial da Fórmula 1 em 1950, ficou ausente entre 1972 à 1982. Neste período, o Grande Prêmio da Bélgica realizou-se em 1972 e 1974 em Nivelles, enquanto que em 1973, 1975 à 1982 e 1984 em Zolder.

A pista foi remodelada e em 1983, Spa-Francorchamps voltou a receber um Grande Prémio, mas nesse ano ele foi apresentado com um novo layout e, embora o novo circuito tivesse a metade do comprimento original, ele manteve muitas das características anteriores. Mesmo com esta redução, o clima foi sempre um factor instável e, embora com menos probabilidade, ainda era possível que chovesse numa zona do circuito e outra zona esteve completamente seca.

No ano seguinte, ainda se realizou um Grande Prémio em Zolder, mas em 1985 voltou definitivamente para a Fórmula 1 e até agora, foi sempre Spa-Francorchamps que abrigou o Grande Prêmio da Bélgica desde essa altura. Ficou ausente, novamente, do calendário em 2003 e 2006, supostamente, por motivos comerciais.

Michael Schumacher foi quem venceu mais corridas em Spa, registando seis vitórias, um record aplicável a todas as versões do circuito.

Eau Rouge[editar | editar código-fonte]

A Famosa Eau Rouge

A Eau Rouge é a mais famosa, e, na opinião unânime dos pilotos de Fórmula 1, a mais traiçoeira, difícil e prazerosa curva do automobilismo. [1] Segundo a revista Mundo Estranho (edição 49), ela é o trecho mais perigoso dos circuitos de F-1[2]. Além disso, por ser uma curva em “S” de alta antecedido por uma generosa descida, ela é a única curva no qual o grande desafio é a força G vertical, e não lateral[3]. Desde sua inauguração, o circuito de Spa-Francorchamps foi modificado várias vezes, com redução do tamanho de 15 para sete quilômetros e reformulações visando maior segurança. A Eau Rouge, entretanto, nunca foi modificada. Em 1994, porém, ela foi transformada em uma chicane usando pilhas de pneus em resposta as mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna em Imola.[4]

O seu nome (Eau Rouge, em francês, quer dizer "Água Vermelha") provem de um pequeno lago junto a pista que tem essa cor[5].

Ela está localizada logo no início da volta. Depois de passar pelo hairpin La Source, os pilotos descem em velocidade máxima até a curva. A Eau Rouge é formada por três curvas em níveis distintos. Primeiro, vira-se para a esquerda, sobre uma leve subida. Depois, vira-se para a direita. Nesse momento, passando sobre uma subida repentina, o piloto precisa aliviar a pressão sobre o acelerador e diminuir um pouco a velocidade. A última curva é feita para a esquerda, de onde se atinge o início de uma longa reta, a Kemmel Straight[5]. O grande problema da curva é a mudança brusca do relevo: primeiro vem uma descida e depois uma curva subindo, o que não permite que o piloto veja onde ela acaba. Para piorar, a curva é longa, o que faz com que quem tira o pé do acelerador no meio dela perca preciosos segundos[2].

"Vitimas" da Eau Rouge[editar | editar código-fonte]

  • 1985: Stefan Bellof - Bellof perseguia Jacky Ickx. Na descida até à aproximação a Eau Rouge, os dois carros se tocaram e Bellof, de 27 anos, bateu de frente contra o muro e morreu.
  • 1999: Jacques Villeneuve - Depois da colisão, Villeneuve descreveu o acidente como "o maior acidente de sua carreira".
  • 1999: Ricardo Zonta, companheiro de Villeneuve na BAR, resolveu imitar o canadense e conseguiu: também bateu forte contra os pneus de proteção, após capotar. O piloto, assim como Villeneuve, nada sofreu.

A Eau Rouge também já fez uma vítima fatal, Stefan Bellof.

O traçado actual[editar | editar código-fonte]

Actualmente, Spa-Francorchamps ainda integra o Campeonato do mundo de Fórmula 1, estando, juntamente com Silverstone, Mónaco, Nürburgring e Monza, na lista dos circuitos clássicos utilizados actualmente. Mesmo passados todos estes anos, Spa ainda é uma pista muito importante. É o circuito preferido da maioria dos pilotos e não é difícil saber porquê.

A maioria das pessoas relacionadas com a Fórmula 1, desde profissionais a fãs, acreditam que quando o circuito diminuiu para metade do seu perímetro, ficou melhor, pois manteve-se um circuito rápido, com curvas rápidas e clima instável. É um circuito bastante completo e variado, com os três sectores bem distribuídos, cada um com suas características.

O primeiro sector começa com a La Source, que continuou a ser um gancho. Interessantemente, esta de última passou para primeira curva, pois a meta passou para a recta de cima. Depois, percorre-se a antiga recta da meta que vai dar à Eau Rouge, percorrida a mais de 300 Km/h por um carro de Fórmula 1, e continua até ao final da gigantesca subida em recta, a chamada recta Kemmel. Concluindo, neste sector só se trava em La Source, depois, está-se sempre em aceleração, até à travagem para a chicane Les Combes, que outrora também era a travagem desta zona, embora fosse uma curva para a esquerda localizada noutra zona.

Enquanto o primeiro sector caracteriza-se por ser rápido, o segundo caracteriza-se por ser técnico. A maior parte das curvas integram este sector, e são curvas médias e rápidas. A curva Bruxelles é a curva mais lenta, sendo um ganho largo que forma uma descida. Este sector técnico termina com a curva stavelot e assim inicia-se o terceiro sector, também caracterizado por ser muito rápido. A única travagem deste sector é para a chicane Bus Stop, localizada na entrada para a recta da meta. Assim como o primeiro sector, só tem uma travagem e ambas as travagens são fortes.

Apesar de seu layout muito alterado, manteve suas características principais e mesmo com curvas mais lentas, 71% deste traçado é percorrido em aceleração total e, exceptuando a curva La Source e a chicane Bus Stop, as curvas deste circuito são realizadas em velocidades superiores a 140 km/h.

A pista ainda tem outra característica apelativa. No calendário actual, Spa-Francorchamps é o circuito com maior diferença de altitude entre a zona mais baixa e a zona mais alta do circuito e também possui o maior trecho em declive. Desde a recta que antecede a curva Rivage até setenta metros depois da curva de Stavelot são percorridos 2,5 km a descer.

Vencedores[editar | editar código-fonte]

O fundo rosa indica que a prova não fez parte do Mundial de Fórmula 1.
O fundo creme indica a prova fez parte do Campeonato Europeu de Automobilismo, anterior à 2ª Guerra Mundial.

Ano Piloto Equipa Detalhes
2016 Alemanha Nico Rosberg Mercedes Detalhes
2015 Reino Unido Lewis Hamilton Mercedes Detalhes
2014 Austrália Daniel Ricciardo Red Bull-Renault Detalhes
2013 Alemanha Sebastian Vettel Red Bull-Renault Detalhes
2012 Reino Unido Jenson Button McLaren-Mercedes Detalhes
2011 Alemanha Sebastian Vettel Red Bull-Renault Detalhes
2010 Reino Unido Lewis Hamilton McLaren-Mercedes Detalhes
2009 Finlândia Kimi Raikkonen Ferrari Detalhes
2008 Brasil Felipe Massa Ferrari Detalhes
2007 Finlândia Kimi Raikkonen Ferrari Detalhes
Não houve em 2006
2005 Finlândia Kimi Räikkönen McLaren-Mercedes Detalhes
2004 Finlândia Kimi Räikkönen McLaren-Mercedes Detalhes
Não houve em 2003
2002 Alemanha Michael Schumacher Ferrari Detalhes
2001 Alemanha Michael Schumacher Ferrari Detalhes
2000 Finlândia Mika Häkkinen McLaren-Mercedes Detalhes
1999 Reino Unido David Coulthard McLaren-Mercedes Detalhes
1998 Reino Unido Damon Hill Jordan-Mugen Honda Detalhes
1997 Alemanha Michael Schumacher Ferrari Detalhes
1996 Alemanha Michael Schumacher Ferrari Detalhes
1995 Alemanha Michael Schumacher Benetton-Renault Detalhes
1994 Reino Unido Damon Hill Williams-Renault Detalhes
1993 Reino Unido Damon Hill Williams-Renault Detalhes
1992 Alemanha Michael Schumacher Benetton-Ford Detalhes
1991 Brasil Ayrton Senna McLaren-Honda Detalhes
1990 Brasil Ayrton Senna McLaren-Honda Detalhes
1989 Brasil Ayrton Senna McLaren-Honda Detalhes
1988 Brasil Ayrton Senna McLaren-Honda Detalhes
1987 França Alain Prost McLaren-TAG Detalhes
1986 Reino Unido Nigel Mansell Williams-Honda Detalhes
1985 Brasil Ayrton Senna Lotus-Renault Detalhes
Não houve em 1984
1983 França Alain Prost Renault Detalhes
Não houve de 1971 a 1982
1970 México Pedro Rodríguez BRM Detalhes
Não houve em 1969
1968 Nova Zelândia Bruce McLaren McLaren-Ford Detalhes
1967 Nova Zelândia Dan Gurney Eagle-Weslake Detalhes
1966 Reino Unido John Surtees Ferrari Detalhes
1965 Reino Unido Jim Clark Lotus-Climax Detalhes
1964 Reino Unido Jim Clark Lotus-Climax Detalhes
1963 Reino Unido Jim Clark Lotus-Climax Detalhes
1962 Reino Unido Jim Clark Lotus-Climax Detalhes
1961 Estados Unidos Phil Hill Ferrari Detalhes
1960 Austrália Jack Brabham Cooper-Climax Detalhes
Não houve em 1959
1958 Reino Unido Tony Brooks Vanwall Detalhes
Não houve em 1957
1956 Reino Unido Peter Collins Ferrari Detalhes
1955 Argentina Juan Manuel Fangio Mercedes Detalhes
1954 Argentina Juan Manuel Fangio Maserati Detalhes
1953 Itália Alberto Ascari Ferrari Detalhes
1952 Itália Alberto Ascari Ferrari Detalhes
1951 Itália Giuseppe Farina Alfa Romeo Detalhes
1950 Argentina Juan Manuel Fangio Alfa Romeo Detalhes
1949 França Louis Rosier Talbot Detalhes
Não houve em 1948
1947 França Jean-Pierre Wimille Alfa Romeo Detalhes
1946 França Eugène Chaboud Delage Detalhes
Não houve de 1940 à 1945
1939 Alemanha Hermann Lang Mercedes-Benz Detalhes
Não houve em 1938
1937 Alemanha Rudolf Hasse Auto Union Detalhes
Não houve em 1936
1935 Alemanha Rudolf Caracciola Mercedes-Benz Detalhes
1934 França René Dreyfus Bugatti Detalhes
1933 Itália Tazio Nuvolari Maserati Detalhes
Não houve em 1932
1931 França William Grover-Williams
Italy Carlo A. Conelli
Bugatti Detalhes
1930 Mónaco Louis Chiron Bugatti Detalhes
Não houve de 1926 a 1929
1925 Itália Antonio Ascari Alfa Romeo Detalhes

Por pilotos, equipes e países que mais venceram1[editar | editar código-fonte]

↑1 (Última atualização: GP da Bélgica de 2016)
Contabilizados somente os resultados válidos pelo Mundial de Fórmula 1

Recordes em Spa-Francorchamps[editar | editar código-fonte]

↑2 Traçado antigo

Referências

  1. lemyrmartins.com.br/ A terrível Eau Rouge
  2. a b mundoestranho.abril.com.br/ Quais são os trechos mais perigosos dos circuitos de F-1?
  3. flatout.com.br/ Os desafios da Eau Rouge
  4. flatout.com.br/ Eau Rouge 1991-2013 - Duas decadas da mais famosa curva da F-1
  5. a b c esporte.ig.com.br/ Grande atrativo de Spa, Eau Rouge é uma das curvas mais temidas pelos pilotos

Ligações externas[editar | editar código-fonte]