Frozen (canção de Madonna)

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"Frozen"
Single de Madonna
do álbum Ray of Light
Lado B "Shanti/Ashtangi"
Lançamento 23 de fevereiro de 1998 (1998-02-23)
Formato(s)
Gravação 1997
Estúdio(s) Larrabee Studios North
(Universal City, Califórnia)
Gênero(s) Eletrônica
Duração 6:12
Gravadora(s)
Composição
Produção
Cronologia de singles de Madonna
"Another Suitcase in Another Hall"
(1997)
"Ray of Light"
(1998)
Lista de faixas de Ray of Light
"Shanti/Ashtangi"
(8)
"The Power of Good-Bye"
(10)
Vídeo musical
"Frozen" no YouTube

"Frozen" é uma canção gravada pela cantora estadunidense Madonna, contida em seu sétimo álbum de estúdio Ray of Light (1998). Foi composta pela própria em conjunto com Patrick Leonard, sendo produzida pela dupla juntamente com William Orbit. Desde 1996, Madonna passou por uma série de "experiências de mudança de vida", o que incluiu o nascimento de sua filha Lourdes, seu crescimento no interesse pelo misticismo e a Cabala e a interpretação da protagonista do filme Evita. Inspirada nesses acontecimentos, ela começou a desenvolver seu sétimo disco de inéditas, refletindo sua mudança de perspectiva sobre a vida. Para ele, Madonna trabalhou principalmente com o produtor musical britânico William Orbit, o qual enviou-lhe uma fita digital de treze faixas por sugestão de Guy Oseary, parceiro da cantora na Maverick Records. "Frozen" foi uma dessas faixas e sua composição foi concebida com inspiração no filme ítalo-britânico The Sheltering Sky, pelo qual a cantora estava interessada na época.

Trechos de baixa qualidade de "Frozen" foi divulgada ilegalmente na Internet em janeiro de 1998, após uma rádio da Singapura tocá-la e disponibilizá-la antes de seu lançamento oficial. Rádios dos Estados Unidos e da Europa também reproduzira a canção, tendo sido também usada em um desfile de moda da coleção primavera-verão da Versace, e uma série de downloads digitais ilegais foram feitos no período precedente à sua comercialização oficial, em 23 de fevereiro daquele ano, o que fez a Warner Bros. Records excluir estas versões da rede após acionar o programa anti-pirataria da Recording Industry Association of America (RIAA). A gravação da faixa ocorreu em 1997 nos Larrabee Studios North em Universal City, Califórnia, juntamente com o resto do disco. Musicalmente, é uma balada eletrônica de andamento moderado com elementos da música ambiente e um som em camadas reforçado pelo uso de sintetizadores e cordas, tocadas por Craig Armstrong. Liricamente, fala sobre um homem frio e sem emoções.

"Frozen" foi aclamada por críticos musicais, que elogiaram sua produção e suas letras, bem como o novo estilo musical e os vocais de Madonna, além de terem a citado como o destaque o disco, e descrito-a como uma "obra-prima". Foi reconhecida tanto por críticos quanto por fãs como uma das melhores canções da intérprete, com a Rolling Stone a colocando na sexta colocação em uma lista do tipo. Apesar da recepção crítica positiva, um juiz belga abriu um processo contra a cantora, alegando que a canção contém amostras não autorizadas de uma canção de Salvatore Acquaviva, levando ao banimento do disco Ray of Light na Bélgica. O processo foi encerrado e arquivado a favor de Madonna em fevereiro de 2014. Comercialmente, a obra liderou as tabelas musicais da Escócia, da Espanha, da Itália e do Reino Unido, listando-se nas cinco primeiras em países como Alemanha, Austrália, Canadá, França, Nova Zelândia e Suíça. Em território estadunidense, obteve a vice-liderança da Billboard Hot 100 como melhor, tornando Madonna a artista com mais músicas a atingirem a segunda posição da parada.

O vídeo musical correspondente foi dirigido por Chris Cunnigham e filmado entre 7 e 11 de janeiro de 1998 no deserto de Mojave na Califórnia, estreando na MTV em 16 do mês seguinte. A trama retrata Madonna em uma personalidade etérea, gótica e melancólica semelhante à de uma feiticeira, transformando-se em pássaros e em um grande cachorro preto. Críticos notaram uma conexão entre as letras da faixa e a produção videográfica, que recebeu um MTV Video Music Award de Melhor Efeito Especial na edição de 1998 da premiação. A cantora apresentou "Frozen" pela primeira vez no Festival de Sanremo na Itália em janeiro de 1998, interpretando-a em programas como Wetten, dass..? durante a divulgação de Ray of Light, vindo a incluí-la no repertório de suas turnês Drowned World Tour (2001), Re-Invention Tour (2004) e Sticky & Sweet Tour (2008-09); ela também a cantou em datas selecionadas da Rebel Heart Tour (2015-16). O número foi regravado por artistas como a banda Gene Loves Jezebel, e usado no episódio "The Power of Madonna", da série Glee, constando também nas coletâneas da artista GHV2 (2001) e Celebration (2009).

Antecedentes e lançamento[editar | editar código-fonte]

Madonna performando uma versão remixada de "Frozen" durante a Sticky & Sweet Tour em 2009.

Desde 1996, Madonna passou por uma série de "experiências de mudanças de vida", o que incluiu o nascimento de sua filha Lourdes, o seu crescimento no interesse pelo misticismo e a Cabala e a interpretação da protagonista do filme Evita, adaptação do musical de mesmo nome. Um ano depois, ela começou a trabalhar em seu sexto álbum de estúdio Ray of Light, para o qual realizou sessões de composição com William Orbit, Patrick Leonard, Rick Nowels e Babyface.[1] O disco refletiu as mudanças de perspectiva da cantora sobre a vida. A escritora Carol Benson notou que este era "um álbum dançante profundamente espiritual" essencialmente baseado na carreira e jornada de Madonna e nas muitas identidades que ela adotou ao longo dos anos. A maternidade suavizou a artista emocionalmente, o que acabou sendo refletido nas canções. A artista começou a falar sobre ideias e a usar palavras que tratassem de pensamentos profundos e pessoais, ao invés de elaborar sons para pistas de dança como antes.[2] Ela começou a ter introspecções de si mesma em relação à maternidade, comentando para a revista Q: "Isso tudo foi muito catalisador para mim. Me fez sair em busca de respostas para perguntas que nunca tinha feito para mim mesma antes".[1]

Madonna trabalhou principalmente com Orbit após Guy Oseary, sócio da Maverick Records, ter sugerido ao músico ao telefone que enviasse algumas canções para a cantora.[3][1] Orbit então enviou uma fita digital de treze faixas para a cantora, e "Frozen" era uma dessas faixas.[1] A cantora disse: "Eu era uma grande fãs dos primeiros trabalhos de William. (...) Eu também amei todos os remixes que ele fez para mim e fiquei interessada em fundir um tipo de som futurístico mas também usando várias influências indianas e marroquinas e coisas do tipo, e eu queria que parecesse antigo e novo ao mesmo tempo".[1] Para "Frozen", a intérprete se inspirou no drama ítalo-britânico The Sheltering Sky (1990), de Bernardo Bertolucci, que retrata um casal tentando salvar seu casamento durante uma viagem à África.[4] Ela queria ter "toda a atmosfera marroquina/orquestral/super-romântica/[do] homem carregando a mulher que ele ama ao longo do deserto" na obra. Ainda trabalhando com Leonard em algumas das faixas, Madonna pediu-lhe para entregar uma composição com uma "sensação tribal, algo realmente exuberante e romântico". Eles desenvolveram a melodia na fita digital e gravaram a demo, que aumentou para mais de dez minutos já que Madonna continuava realizando a composição da faixa.[3][4]

Um trecho de baixa qualidade de "Frozen" foi gravado ilegalmente por fãs em 23 de janeiro de 1998, após ter estrado antecipadamente em uma rádio da Singapura, e postado na Internet.[5][6] Eles disseram que sabiam que era errado o que estavam fazendo, mas esperavam que isso causasse interesse da parte de Madonna.[5] Segundo a MTV, também era possível ouvir no áudio a voz de um DJ da rádio anunciando a música.[5] Após o incidente, a canção começou a tocar antes do lançamento programado em rádios dos Estados Unidos, incluindo a nova-iorquina WKTU.[6] Em meio à divulgação e o grande número de downloads digitais ilegais realizados, a Warner Bros. Records acionou o programa anti-pirataria da Recording Industry Association of America (RIAA) e excluiu as versões da canção que estavam circulando na rede, com potenciais ameaças de processo judicial.[5][6] Depois de tocar a faixa em seu programa, Erik Bradley, diretor musical da rádio de Chicago B96, classificou "Frozen" como "a marca de um sucesso. Claramente, a rádio pop americana precisa de Madonna".[6] De acordo com Jon Uren, diretor de marketing da Warner Music Europe, a canção também recebeu "fantástico" apoio antecipado na Europa.[6] Pouco após a divulgação ilegal, a BBC Radio 1 tocou um remix da composição e o disponibilizou em sua página na Internet,[5] e trechos da original foram apresentados no desfile de moda da coleção primavera-verão de 1998 da Versace.[7] "Frozen" foi finalmente lançada comercialmente em 23 de fevereiro de 1998 nos Estados Unidos, servindo como o primeiro single de Ray of Light.[8] A capa foi fotografada por Mario Testino, com design de Kevin Reagan.[9]

Gravação e composição[editar | editar código-fonte]

Demonstração de 30 segundos de "Frozen", uma balada eletrônica com influências da música ambiente e letras que retratam um homem frio e sem emoções.

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"Frozen" foi gravada, juntamente com o resto do álbum, nos Larrabee Studios North em North Hollywood, Califórnia. Foi masterizada por Ted Jensen nos Sterling Sound em Nova Iorque. A fita digital continha a porção principal das gravações da canções, além de sessões demo preliminares feitas na casa de Madonna em Nova Iorque e no The Hit Factory, onde ela cantou a música pela primeira vez. Assim como grande parte do disco, a faixa foi gravada em um Roland Juno-106. A cantora e o produtor regeram uma sessão de bateria em Los Angeles, mas não obtiveram grandes resultados. Assim, Orbit contatou Fergus Gerrand, que tocou demonstrações de bateria para ele em Londres. Orbit as aprimorou em sua workstation e as selecionou manualmente, em vez de usar softwares de auto-edição como o ReCycle.[10]

Em termos musicais, "Frozen" é uma balada eletrônica que contém um som em camadas reforçado por sintetizadores e cordas, arranjadas por Craig Armstrong.[8][11][12][13] Além de compor a obra com Madonna e produzi-la com a artista e William Orbit, Patrick Leonard também encarregou-se dos arranjos e da re-mixagem da canção, enquanto Marius de Vries tocou teclados e forneceu a programação. De acordo com a partitura publicada no portal Musicnotes.com pela Alfred Publishing Co, Inc., a faixa está definida na assinatura de tempo comum, com um ritmo moderado de 102 batidas por minuto. É composta no tom de fá menor, com uma sequência básica formada pelas notas de fá menor, mi bemol e ré bemol servindo como sua progressão harmônica; no refrão, porém, as notas da progressão mudam-se para fá menor, si bemol menor, ré bemol e lá bemol.[14] Os vocais de Madonna abrangem-se entre a oitava interior de 3 até a alta nota de lá bemol4.[14] A canção se inicia com cordas austeras e clássicas, enquanto a progressão harmônica enfatiza acordes submediantes e estáveis, com um tom em destaque. Para a segunda frase, que inclui uma dinâmica musical dramática, efeitos eletrônicos rítmicos e com influências da música ambiente são acrescentados gradualmente.[11] Santiago Fouz-Hernández e Freya Jarman-Ivens, autores de Madonna's Drowned Worlds, comentaram que a canção é inspirada por diferentes derivações da música clássica, mais notavelmente gêneros da música clássica contemporânea como o neo-romanticismo, além de compositores e peças de ópera italianos como Madama Butterfly, de Puccini, e Aïda, de Verdi. A voz da cantora ao longo da obra carecem de vibrato, e foi comparada com vozes de canções da música medieval.[11]

Liricamente, o tema trata de um homem frio e sem emoções.[11] Em um alcance vocal médio, Madonna profere na primeira estrofe: "Você só vê o que os seus querem verem".[nota 1] Na segunda estrofe, letras mais viscerais são adicionadas, como "O amor é uma pássara, ela precisa voar".[nota 2] Durante a ponte, amplas linhas de cordas fornecem tons instrumentais para a canção. A faixa termina com uma cadeia de ostinato que simplesmente desaparece, sem concluir totalmente o refrão tônico.[11] Durante uma entrevista para o jornal The New York Times, Madonna comentou que a letra de "Frozen" é constituída em torno da "retaliação, do peso do ódio, que é o que eu lido em 'Frozen'. Todo mundo vai dizer, 'essa letra é sobre Carlos [ex-namorado da cantora], mas não é. É sobre as pessoas em geral".[15]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Desde o seu lançamento, "Frozen" foi aclamado pela crítica. Por exemplo, Sal Cinquemani, da Slant Magazine, escreveu que era "uma obra-prima pop do mesmo nível que "Like a Prayer" (1989). A letra é simples, mas a declaração é ótima (você só vê o que seus olhos querem ver / como a vida pode ser o que você quer que seja?)[nota 3] [...] Madonna e a empresa criaram o que só pode ser descrito como um dos as melhores obras de arte pop do final dos anos 90", dando a classificação A.[16][17] Para a revista Billboard, Paul Verna descreveu a faixa como 'deslumbrante', enquanto Larry Flick disse que era "uma incursão impressionante no reino da música eletrônica".[18][19] Rob Sheffield, da Rolling Stone, elogiou a sua "melancolia Ártica".[20] JD Considine, do The Baltimore Sun, disse que era uma "balada com nuances emocionais".[21] Gonzalo Cordero, da edição espanhola da revista Esquire, comentou que era "uma das músicas mais atípicas e interessantes de toda a sua discografia, [...] com sua combinação de cordas e sintetizadores clássicos, o coro remanescente do mantra oriental, a crescente orquestral e emocional que Madonna [...] conseguiu congelar nossos corações e nós não terminamos de derreter".[22] Em sua crítica a Ray of Light, Joan Anderman, do The Boston Globe, disse que em todo o álbum "apenas "Frozen" atinge um estado de balada de guerra divina" e o comparou com a outra música de Madonna, "Live to Tell" (1986).[23] Escrevendo para a revista Attitude, Matthew Barton chamou a faixa de "uma jóia magistral" e a comparou com o álbum Homogenic (1997) do cantor Björk.[24] Guillermo Alonso, da edição em espanhol da revista Vanity Fair comentou que "a voz de Madonna estava nova, bonita e irreconhecível. Mas vamos ser honestos: essa música dura mais de seis minutos [...] no final e é uma verdadeira dor".[25] Stephen Thompson, do The A.V. Club, também foi crítico ao dizer que "é um ótimo primeiro single, apesar de letras tolas como O amor é um pássaro / Ela precisa voar".[26] A revista NME foi negativo ao chamá-lo de "outra faixa de seu habitual porcaria chorosa".[27]

No ranking das 100 melhores músicas da artista, "Frozen" figurou na posição 22; Louis Virtel, criador do artigo para o site NewNowNext, a chamou de "sinistra e misteriosa".[28] Chuck Arnold, da Entertainment Weekly escreveu: "Soando muito diferente de tudo o que [Madonna] havia feito até então, e criando uma floresta mística de maravilhas sonoras, "Frozen" tem uma grandeza quase operística que nunca vai parar de lhe dar arrepios". Ele a colocou na posição 18 da sua lista dos melhores singles da cantora.[29] Também da Entertainment Weekly, David Browne chamou de "um completo melodrama que geralmente é impressionante".[30] Albert Doménech, de La Vanguardia, disse que "simbolizava uma mudança mais madura na carreira musical de Madonna".[31] Scott Kearnan, do Boston.com, colocou o single no décimo dos trinta mais proeminentes da intérprete e enfatizou que "este primeiro single do álbum Ray of Light, produzido por William Orbit, é cheio de percussão deslumbrante e elementos eletrônicos exuberantes que eram inovadores há mais de 15 anos, mas também fazem o ["Frozen"] parecer ótimo hoje".[32] Em 2012, a Rolling Stone incluiu a faixa no sexto lugar entre as dez melhores canções de Madonna de todos os tempos; nesse sentido, os editores da revista escreveram que "embora [Madonna] já tenha feito pop "maduro" com Erotica e Bedtime Stories, com "Frozen", ela e os produtores William Orbit e Patrick Leonard alcançaram o equilíbrio perfeito entre acessibilidade pop, balada sofisticada e texturas eletrônicas de ponta".[33] Em 2003, a revista Q pediu aos fãs de Madonna que votassem em seus vinte melhores singles e "Frozen" foi o décimo da lista.[34] No ranking dos melhores singles da artista, Jude Rogers, do The Guardian, a colocou na sétima posição e declarou que: "A atmosfera sombria e orquestral é um estado de espírito em que Madonna se destaca. "Frozen" combina lindamente as diferentes temperaturas pop dos anos 90: o som eletrônico arrepiante de [William] Orbit com o calor poeirento e cinematográfico das melodias e cordas do norte da África".[35]

Comercial[editar | editar código-fonte]

"Frozen" fez sua estréia nos Estados Unidos, na posição de número oito na Billboard Hot 100,[36] e alcançou a segunda posição da tabela na edição de 4 de abril de 1998, sendo impedida de obter o primeiro lugar por "All My Life" de K-Ci & JoJo.[37] A música se tornou o sexto single de Madonna a atingir a posição de número dois, superando Elvis Presley com maior quantidade de singles em segundo lugar na história da tabela.[38] "Frozen" liderou a parada Hot Dance Music/Club Play,[39] enquanto alcançou a oitava posição da lista Adult contemporary.[40] Em 30 de abril de 1998, foi certificado como ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA), após serem registradas vendas superiores a 500 mil cópias nos Estados Unidos.[41] Os números de divulgados pela Billboard revelaram que "Frozen" vendera mais de 600 mil de unidades na nação — até janeiro de 1999 —,[42] A canção ainda foi classificada no número 32 no gráfico de final de ano do Hot 100 do mesmo ano.[43] No Canadá, a música alcançou o pico do número dois na parada de singles da RPM em sua sétima semana, sendo bloqueada da primeira posição por "Torn" de Natalie Imbruglia.[44]

Na Europa, nomeadamente no Reino Unido, "Frozen" estreou no ápice da UK Albums Chart em 7 de março de 1998.[45] Mais tarde, a emissora British Phonographic Industry o certificou como ouro pela comercialização superior a 50 mil unidades.[46] De acordo com a The Official Charts Company, a música vendeu 560,000 cópias na região até março de 2018.[47] A música atingiu o pico do número dois na Alemanha, onde permaneceu por seis semanas, antes de passar um total de dezenove semanas na parada.[48] Na região de Flandres, da Bélgica, a música estreou no número 23 em 22 de fevereiro de 1998 e atingiu o pico do número três.[49] Da mesma forma na Valônia, "Frozen" estreou no número 29 e mais tarde alcançou o número dois.[50] Nos Países Baixos, a faixa estreou no número 27 no Dutch Top 40, e atingiu um pico de dois em 7 de março de 1998.[51] Na tabela de singles da Suíça, Swiss Music Charts, "Frozen" estreou no número quatro na edição de 1 de março de 1998. Depois de uma semana, a música alcançou o número dois, permanecendo lá por oito semanas.[52] A música atingiu o número um na Espanha.[53]

Na Austrália, "Frozen" estreou no ARIA Charts em seu pico de número cinco em 1º de março de 1998. Na semana seguinte, caiu para o número nove, retornando em seu pico em 15 de março de 1998, e permaneceu por mais três semanas.[54] Ele esteve presente por um total de 16 semanas na tabela e foi certificado em ouro pela Australian Recording Industry Association (ARIA).[55] Na Nova Zelândia, a música teve um desempenho similar à da Austrália, estreando no pódio do número cinco na parada de singles da RIANZ. Ele esteve presente por um total de 12 semanas na tabela.[56]

Videoclipe[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O videoclipe de "Frozen" foi dirigido por Chris Cunnigham, com assistência de David B. Householter, e produzido por Nick Wrathall.[9] Os efeitos especiais usados na gravação foram empregados por Dirk Greene, Steve Hiam, Simon Holden, Peter Marin, Vicent Montefusco, Steve Murgatroyd, Anthony Walsham, Daniel Williams e Sean Broughton.[9] O produto foi encomendado por Randy Skinner e editado por Gary Knight, enquanto a cinematografia foi empregada por Darius Khondji, o design de produção ficou a cargo de Dominic Watkins e Alan Petherick prestou assistência à direção artística. Inspirações para o vídeo vieram do filme The English Patient (1996), dirigido por Anthony Minghella, e de trabalhos da dançarina de dança moderna e coreógrafa Martha Graham.[57][58] O longo vestido preto usado pela cantora no vídeo foi desenhado por Olivier Theyskens e concebido pela sua então nova colaboradora Arianne Phillips.[59] Joanne Gair e Peter Savic trataram da maquiagem e do cabelo da cantora, respectivamente.[9]

As filmagens do vídeo ocorreram no lago Cuddeback, dentro do deserto de Mojave na Califórnia, entre os dias 7 e 11 de janeiro de 1998.[60] Madonna considerou que haviam poderes mágicos e místicos no deserto, e que ele era uma lugar mágico de se estar, o que interessou-a a gravar no local.[61] Falando com a MTV sobre o seu trabalho com Madonna no vídeo, Cunningham achou que Madonna viu a gravação audiovisual de "Come to Daddy", de Aphex Twin, também dirigida por ele, na qual efeitos especiais são predominantes.[61] Originalmente, de acordo com Madonna, ela e sua equipe pensaram em filmar a produção na Islândia, já que a ideia do vídeo era ir para algum lugar frio onde houvesse neve, mas eles rejeitaram a ideia. Para a MTV, ela comentou:

A gravação do vídeo enfrentou uma série de problemas, influenciados principalmente pela condição climática do deserto; além das baixas temperaturas, choveu durante dois dias inteiros no local, fazendo com que muitas das ideias de Cunningham não fossem executáveis.[62][63] Em seu DVD da série Directors Label, ele explicou sua concepção original para o vídeo: "O tratamento original era, tipo, pilhas grandes de corpos no deserto. Todas aquelas esculturas figurativas feitas de corpos que eram múltiplas Madonnas. Elas iriam se partir e quebrar e se transformarem em corvos, e depois mudarem-se para cachorros. Apenas um vídeo de performance, mas bastante elaborado usando ela, suas roupas, e qualquer forma que saísse das roupas dela".[63]

Sinopse e recepção[editar | editar código-fonte]

Capturas em ecrã de dois momentos do videoclipe de "Frozen". Na direita Madonna com as mãos cobertas de mehndi e na esquerda ela aparece flutuando logo acima do solo.

O vídeo apresenta um lado sóbrio e contemplativo de Madonna, revelando um misticismo maduro.[64] um solo seco e rachado do deserto e, em questão de segundos, Madonna aparece, flutuando logo acima do solo ao longe. Suas mãos estão cobertas com mehndi e um símbolo enigmático na palma da mão.[57][64] No vídeo, ela gesticula lentamente e balança os braços em direção ao céu, implorando desesperadamente ao seu frio amante citado na música.[64] Em um ponto, Madonna cai para trás, bate no chão e se transforma em um bando de grandes pássaros escuros.[64] Mais tarde, ela se transforma em um cachorro preto.[64] Três Madonnas também aparecem andando e rastejando no meio do deserto ao longo do vídeo.[64] À medida que a música avança, o céu escurece e Madonna levita do chão. Sua forma então muda para um líquido preto brilhante, que corre ao longo do chão do deserto e parece ser absorvido pelas mãos tatuadas de outra Madonna, que está enrolada no chão com ameias. O vídeo termina com uma Madonna desesperada e melancólica.[64]

Jim Glauner, da MTV News, comentou que desde a primeira cena do vídeo, o espectador descobre que isso não é "Holiday" (1983).[64] Matthias Groß, da autor da biografia Madonna On the Couch: A psychoanalytic view on Madonna's music videos, argumentou que é interessante ver o vídeo como um sonho, e observou que no vídeo Madonna era apresentada como uma bruxa ou uma criatura estranha, pela técnica da perspectiva central.[65] Ele concluiu que os espectadores estão no controle de sua visão, da situação em geral, e são transmitidos a impressão de seguir uma representação realista de uma mera mulher melancólica no deserto, segundo ele.[65] Henry Keazor e Thorsten Wübbena autores de Rewind, Play, Fast Forward: The Past, Present and Future of the Music Video disseram que os grandes painéis de tecido que se juntam e enrolam em torno de Madonna ganham uma qualidade de movimento independente ainda mais óbvia.[66] A Billboard considerou o terceiro melhor vídeo de Madonna, notando que "transmite perfeitamente o triste coração da música" com a personalidade de Madonna no vídeo.[67] O vídeo pode ser encontrado nas compilações de Madonna, The Video Collection 93:99 (1999) e Celebration: The Video Collection (2009).[68][69]

Apresentações ao vivo[editar | editar código-fonte]

Madonna apresentando "Frozen" durante o segmento Geisha da turnê Drowned World Tour (2001).

Antes do lançamento de Ray of Light, Madonna apareceu em vários programas de televisão e eventos para promover o álbum, e às vezes tocava a música. Madonna realizou pela primeira vez "Frozen" no Festival de Música de Sanremo em 24 de janeiro de 1998.[70] No mês seguinte, em 21 de fevereiro, ela cantou a música no The National Lottery Show da BBC 1.[71] Além disso, no mesmo mês, ela apareceu e tocou a música no programa de TV alemão Wetten, dass..?.[72] Em 29 de abril de 1998, Madonna fez uma aparição sem aviso prévio no 9º Concerto Anual de Benefícios da Rainforest Foundation em Carnegie Hall em Nova Iorque, onde ela tocou "Frozen" com o East Harlem Violin Project, enquanto usava um vestido Versace. Jon Pareles, do The New York Times, sentiu que, durante essa apresentação, Madonna "se transformou na resposta americana a Björk".[73] Mais tarde naquela ocasião, ela usava um chapéu de cowboy e se juntou a vários artistas em uma versão de "With A Little Help From My Friends" e "Twist & Shout" dos The Beatles.[73]

"Frozen" também foi incluído em quatro das turnês de Madonna. Para a Drowned World Tour de 2001, "Frozen" foi incluída no segundo segmento da série, conhecido como GeishaAnime. Quando o interlúdio do vídeo "Paradise (Not for Me)" terminou, Madonna apareceu no palco como uma figura semelhante ao kabuki, usando uma peruca preta curta e vestindo um quimono vermelho e preto pintado à mão, criado pelo designer Jean-Paul Gaultier, com mangas enormes, criando um espaço de cerca de quinze metros. À medida que a música avança, ela gradualmente se solta das mangas e dança, com o karatê sincronizado movimentos distribuídos por todos os lados do palco, sozinha e com seus dançarinos. Uma dançarina de samurai também apareceu em uma plataforma elevada acima dela durante a performance, enquanto os cenários exibiam silhuetas de árvores em chamas contra nuvens vermelhas e sangrentas.[74][75] MusicOMH elogiou a performance, por "ter uma batida reconhecível ao contrário da gravação em estúdio".[76] A apresentação da música em 26 de agosto de 2001, no The Palace of Auburn Hills, foi gravada e lançada no álbum de vídeo ao vivo, Drowned World Tour 2001.[77]

Na Re-Invention World Tour em 2004, "Frozen" foi apresentada como a última música do segmento de abertura da turnê French Baroque–Marie Antionette. Depois de uma enérgica performance de "Nobody Knows Me", Madonna tocou a música sozinha no meio do palco, usando um espartilho incrustado de jóias de ouro criado pelo designer Christian Lacroix,[78] enquanto as telas de fundo exibiam o vídeo de uma mulher nua, homem e mulher nus lutando, acariciando e entrelaçando-se na água, com o rosto e os órgãos genitais escurecidos pelas sombras para preservar sua androginia. Sal Sinquemani da Slant Magazine deu uma crítica negativa à performance, comentando que Madonna nunca deveria fazer uma performance como essa.[79]

Para a segunda etapa européia da Sticky & Sweet Tour em 2009, a performance de "Hung Up" foi removida do setlist e substituída por uma versão otimista de "Frozen". Esta performance foi incluída no quarto e último segmento Rave, onde foi realizada entre as performances de "Like a Prayer" e "Ray of Light". Os cenários de vídeo usados ​​para esta performance apresentaram sucessos do videoclipe original da música, dirigido por Chris Cunningham. Madonna gravou o single "I'm Not Alone" em 2009 com Calvin Harris na performance. Harris elogiou a versão dizendo:" Eu nunca imaginei, quando chegasse ao meu pequeno quarto púrpura em Glasgow, em meu apartamento, que chegaria tão longe quanto antes – é sempre um privilégio".[80] Seis anos mais tarde, em 01 de outubro de 2015, Madonna executou uma versão acústica de "Frozen" na Rebel Heart Tour em Detroit.[81] Ela repetiu o desempenho para os shows da turnê em San José e San Antonio.[82] Na turnê Madame X Tour de 2019-20, Madonna tocou "Frozen" quando sua filha Lourdes apareceu nas projeções da tela. Chuck Arnold, do New York Post chamou de destaque do show.[83]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2005, um juiz belga sentado em Mons decidiu que o tema de abertura de quatro compassos para "Frozen" foi plagiado pela música "Ma vie fout le camp", composta por Salvatore Acquaviva. Posteriormente, o juiz ordenou a retirada das vendas de todos os discos restantes e proibiu qualquer reprodução adicional da música na TV e no rádio belgas. O juiz também ordenou a Warner Bros., EMI e Sony difundir a decisão dentro de quinze dias aos meios de comunicação, sob pena de 125,000 euros por não cumprimento da ordem judicial. O advogado de Acquaviva, Victor Vicent Dehin, disse: "Tentamos chegar a um acordo amigável ... mas eles não queriam negociar, então eu processei por plágio. Eles roubaram uma música e, portanto, pagaram o valor da música". Nenhum dano de prêmio pela música foi concedido.[84] Salvatore Acquaviva havia explicado ao tribunal que Madonna ouviu "Ma vie fout l'camp" durante uma viagem a Mouscron no final da década de 1970. Ela foi recrutada para dançarina durante uma turnê com o cantor francês Patrick Hernandez, cujos discos foram produzidos em Mouscron.[85] Dehin também afirmou que o processo foi apenas o primeiro passo, e a próxima discussão seria sobre os ganhos de direitos autorais que Madonna obteve com "Frozen".[85] Posteriormente, a música foi omitida na lista de faixas nas prensas belgas do Celebration em 2009.[86][87] No entanto, Madonna apresentou a música durante a Sticky & Sweet Tour em Werchter, com Bert Bieseman, gerente de marketing da Filial belga da Warner Bros. afirmando que "Madonna não tem medo de mais ou menos tumultos".[88] Acquaviva comentou sobre o caso:

Madonna planejou fazer "Frozen" em Werchter? Eu não esperava mais nada, você sabe. Eu nem me importo, seria bom porque eu finalmente receberia dinheiro depois de todos esses anos, porque o caso ainda está em andamento. Eu certamente não vou ao show. Meu advogado está acompanhando o caso. Eu realmente vou acompanhar o show de Madonna com interesse, porque ela realmente não consegue interpretar a música. No entanto, acho que não tomaremos medidas imediatamente. A decisão do tribunal está sujeita a várias interpretações. A música não pode ser tocada no rádio ou vendida, mas temos argumentos suficientes para encerrar o show? Não faremos mais show do que já é um show. Escândalos desnecessários, é algo garantido com Madonna.[88]

Em fevereiro de 2014, um tribunal belga revogou o veredicto do caso e proclamou que Madonna não plagiou o trabalho de Acquaviva em "Frozen". O tribunal falou de uma "nova ofensa capital" no arquivo: o compositor Edouard Scotto Di Suoccio e as sociedades Tabata Atoll Music and Music, em Paris, também apresentaram uma queixa por plágio. Segundo eles, "Ma vie fout le camp" e "Frozen" se originaram na música "Blood Night", que eles compuseram em 1983.[89] Depois que todas as três faixas do caso foram comparadas, a decisão final foi que as músicas "não eram suficientemente 'originais' para afirmar" que algum plágio havia ocorrido.[90] Esta decisão acabou com a proibição de oito anos da música que estava em vigor na Bélgica desde 2005.[90]

Lista de faixas e formatos[editar | editar código-fonte]

Créditos e equipe[editar | editar código-fonte]

Créditos e pessoal adaptados das notas da capa do álbum Ray of Light.[99]

Desempenho nas tabelas musicais[editar | editar código-fonte]