Ricardo Augusto Felício

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Ricardo Augusto Felício
Nome completo Ricardo Augusto Felício
Nascimento 1973 (44 anos)
São Paulo, SP, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Alma mater Universidade de São Paulo
Ocupação professor, climatologista, pesquisador e palestrante

Ricardo Augusto Felício (São Paulo, 1973) é um professor de geografia e climatologista brasileiro.[1][2][3] É reconhecido como negacionista do aquecimento global.[4][5][6]

É professor e pesquisador lotado no departamento de geografia da Universidade de São Paulo.[7] Tornou-se notório por conta de declarações controversas, nas quais contesta a teoria do aquecimento global e as inferências subjacentes, sendo listado entre os pesquisadores céticos em torno dessa temática.[8][9][10][11][12]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Ricardo Felício é natural de São Paulo. Segundo o próprio Felício, ele obteve sua graduação em Ciências Atmosféricas na área de Meteorologia pela Universidade de São Paulo em 1998, em 2003 adquiriu o seu título de mestre em Meteorologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e em 2007 obteve o seu doutorado em Geografia, na área de Geografia Física, pela Universidade de São Paulo.[1] Atualmente é Professor Doutor da Universidade de São Paulo, lotado no Departamento de Geografia.[7]

Felício tem participado regularmente de simpósios, palestras e exposições em geral pelo país, além de regularmente dar entrevistas na mídia, em que apresenta os seus posicionamentos em torno das mudanças climáticas. Nesse sentido, tem sido referência no Brasil em trabalhos e discussões voltadas ao questionamento crítico da ciência das mudanças climáticas.[10][13][3][12] Mantém com colegas céticos dois websites, o FakeClimate e o Mudanças Climáticas, em que procuram apresentar os seus pontos de vista sobre o tema.[14]

Posicionamentos[editar | editar código-fonte]

Em seu trabalho na área de climatologia, bem como em suas declarações a mídia, tem contestado a existência do aquecimento global e as inferências subjacentes.[15][10][11][16] Segundo ele, historicamente no planeta houve períodos cíclicos quentes e frios, e que hoje se vive em um período inter-glacial quente. Porém, ameno, pois, segundo alega, houve períodos em que a temperatura global chegou a 10º acima da média atual e não chegou a representar ameaça a humanidade. Ainda nesse raciocínio, afirma que no último século os anos mais quentes transcorreram nas décadas de 1930 e 1940, e no fim do século XX a temperatura ficou abaixo desses auges. Por fim, considera que hoje a Terra está a entrar em uma fase do ciclo climático em que as temperaturas médias serão mais baixas.[17]

Conforme Felício: “(...) dizer que os seres humanos conseguem mudar o clima do planeta continua a ser um enorme embuste, só sendo possível de ser provado nos modelos falaciosos de computador que só sabem simular o falso ‘efeito estufa´ e não os reais controladores do clima terrestre. Culpar o homem por qualquer coisa que aconteça no tempo e clima terrestres virou obsessão”.[13]

Questionado sobre a realização Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável Rio20+, Felício afirmou em entrevista para o Portal Terra que o aquecimento global é "história para boi dormir", que o protocolo de Kyoto "é uma grande besteira" e que Al Gore, o ex-vice-presidente americano autor do documentário "Uma Verdade Inconveniente" sobre os perigos da elevação das temperaturas no planeta, não passa de um "sem-vergonha". Na mesma entrevista alega que o filme e o livro foram proibidos no Reino Unido pela Alta Corte Britânica.[10]

Felício ganhou notoriedade e despertou polêmica em torno do tema das mudanças climáticas a partir de uma entrevista em que concedeu ao programa do Jô em 2012, na ocasião da realização da conferência Rio+20. Na entrevista, teceu críticas fortes à ciência do aquecimento global, afirmando que “o efeito estufa é a maior falácia científica que existe na história” e atribuiu a sua origem à pseudociência e a uma suposta conspiração entre técnicos militares que estavam subempregados com o fim da Guerra Fria.[8][18] Contudo, não tem sido o único no Brasil a fazê-lo de forma pública, a exemplo dos também professores e pesquisadores José Bueno Conti, José Carlos Parente de Oliveira, Luiz Carlos Molion, entre outros.[19][20][21][22]

Por conta de seus trabalhos e posicionamentos em torno da temática das mudanças climáticas, Felício alegou numa entrevista que vem sofrendo cerceamento de seu trabalho e perseguições veladas, por exemplo, no embaraço a realização ou publicação de trabalhos, impedimento na progressão da carreira de docente, inclusive com corte em 85% de seu salário.[15] Alegou também que, embora existam céticos da tese das mudanças climáticas espalhados por todas as universidades e instituições, estes se mantém reservados e relutam a expor os seus posicionamentos pelos riscos de perder o emprego e financiamentos para pesquisas futuras e de terem sua credibilidade questionada, a exemplo de sua própria situação.[23]

Críticas[editar | editar código-fonte]

As polêmicas que desperta se devem ao fato de que para a comunidade científica os argumentos que ele defende não refletem ou distorcem os dados coletados em múltiplas pesquisas, contradizem leis básicas da física e são uma expressão do movimento de negacionismo climático, considerado uma pseudociência[24] e um conjunto de ideologias e crenças que se opõem ao conhecimento estabelecido pelo consenso dos especialistas nas ciências do clima.[25][26][27][28] Mais de 97% dos climatologistas do mundo que publicam trabalhos em revistas especializadas concordam que o aquecimento global existe e é largamente causado pelo homem.[29] Por conta desse esmagador consenso, o discurso de Felício, um dos principais negacionistas do Brasil,[30] foi contestado por várias autoridades científicas brasileiras especializadas em temas da climatologia e da mudança climática.[25][26][27][28]

Carlos Augusto Klink, ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, ao responder a uma petição assinada por Felício e um grupo de 18 cientistas clamando por uma reorientação da política brasileira quanto ao tema, refutou os argumentos do grupo e afirmou que o país reconhece o consenso científico, permanecendo alinhado à comunidade internacional como signatário da Convenção do Clima.[25][31] Também rejeitaram o posicionamento negacionista Tércio Ambrizzi, um dos mais renomados meteorologistas brasileiros e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC),[28] Ver nota: [32] e Paulo Artaxo, coordenador da FAPESP em pesquisa sobre mudanças climáticas e também membro do IPCC, que contestou Felício em debate realizado na reunião anual da SBPC de 2010.[27][28] Para outro secretário do Ministério do Meio Ambiente, Eduardo Assad, um dos coordenadores do maior estudo feito no País sobre o impacto do aquecimento global para a agricultura, "esses céticos da USP têm pouca credibilidade e têm produtividade baixa";[33] opinião que coincide com o resultado de um trabalho do pesquisador Andre Bailão, que em uma revisão do assunto disse: "Em conjunto com os comentários que obtive em minha etnografia entre cientistas das mudanças climáticas na USP e no Inpe, a opinião geral é que o grupo dos céticos se trata de uma minoria com pouca credibilidade e baixa produtividade, que não produz em revistas científicas e o que eles dizem tem pouca base física".[25]

Para o pesquisador e professor da Universidade Estadual do Ceará Alexandre Costa, que é membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas,Ver nota: [34] o trabalho acadêmico de Felício é uma farsa, e questionou "como alguém seria capaz de, na posição de doutor em geografia, professor da USP e 'climatologista', assassinar não apenas o conhecimento científico recente, mas leis básicas da física, conhecimentos fundamentais de química, ecologia, etc.? O que levaria alguém a insultar de forma tão grosseira a comunidade acadêmica brasileira e internacional, principalmente a nós, cientistas do clima?" [26] O negacionismo climático tem sido considerado um importante fator de confusão da opinião pública e de atraso na tomada de medidas de combate ao aquecimento global.[35][36][37][38] Neste sentido, Philip Fearnside, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, identificado pelo projeto Essencial Science Indicators como o segundo mais citado cientista no mundo na área de aquecimento global,[39] declarou que a entrevista de Felício no programa de Jô Soares "sem dúvida, foi a mais danosa para o entendimento público no Brasil, devido ao grande alcance da mídia televisiva. O entrevistado declarou que 'o efeito estufa é a maior falácia científica que existe na história', que atribuiu a uma conspiração entre técnicos militares que estavam subempregados após a Guerra Fria. Quem não conhecia o assunto por outros meios teria tido pouca ideia das dezenas de milhares de trabalhos científicos que documentam o consenso representado pelos relatórios do IPCC de que o aquecimento adicional nos últimos anos é real, é causado pela ação humana, e terá impactos negativos gravíssimos se não for contido rapidamente".[40]

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • Felício, Ricardo Augusto (2014). A Geopolítica do Ozônio. São Paulo: Independente. ISBN 9788591472239 
  • Felício e Oliveira (2012). Meteorologia para montanhismo. São Paulo: [s.n.] ISBN 9788591472222 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Ricardo Augusto Felício | Comunicação Social». comunicacao.fflch.usp.br. Consultado em 22 de julho de 2017 
  2. «Ricardo Augusto Felicio | Laboratório de Climatologia e Biogeografia». lcb.fflch.usp.br. Consultado em 23 de julho de 2017 
  3. a b Barbosa, Carlos Alves (20 de julho de 2016). ConsciÊncia EccolÓgica. [S.l.]: Clube de Autores 
  4. «Os céticos de clima no Brasil 1: colaboração da mídia». Amazônia Real. 16 de março de 2015. Consultado em 23 de julho de 2017 
  5. Silva, Ânderson Jésus da; Araújo, Wanna Santos de; Santos, Wildson L. P. (4 de julho de 2016). «A controvérsia científica como catalisadora de engajamento sociopolítico». Indagatio Didactica. 8 (1). ISSN 1647-3582 
  6. «Está aberta a temporada de céticos - Entre Colchetes». Entre Colchetes - Folha de S.Paulo - Blogs. Consultado em 23 de julho de 2017 
  7. a b «Especialistas». uspdigital.usp.br. Consultado em 22 de julho de 2017 
  8. a b «Céticos do clima na Geografia da USP». Afra Balazina 
  9. Moura Brasil, Felipe (2 de fevereiro de 2017). «Climatologista fala sobre mentiras da mudança climática». veja.abril.com.br. Consultado em 21 de julho de 2017 
  10. a b c d «"Rio+20 é mamata e aquecimento, história pra boi dormir", diz professor». Terra 
  11. a b «Aquecimento global é uma grande mentira, diz doutor em Climatologia da USP». www.dci.com.br. Consultado em 21 de julho de 2017 
  12. a b Hoje, Ciência. «Ciência Hoje - Debate aquecido». www.cienciahoje.org.br (em inglês). Consultado em 22 de julho de 2017 
  13. a b «Aquecimento global é o tema de Encontro Democrático – Espaço Democrático». espacodemocratico.org.br. Consultado em 21 de julho de 2017 
  14. «Convenção sobre o clima abre cercada de polêmicas na comunidade científica - Tecnologia e Ciência - R7». noticias.r7.com. Consultado em 23 de julho de 2017 
  15. a b «Folha de S.Paulo - Ciência + Saúde - Cético fica 'sem clima' para financiamento - 13/05/2012». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 21 de julho de 2017 
  16. «SBPC - Cientistas divergem sobre o papel do homem no aquecimento global». Site Inovação Tecnológica 
  17. «Cientista brasileiro contesta hipótese do aquecimento global». noticias.r7.com. Record News - R7 Jornal da Record News. Consultado em 22 de julho de 2017 
  18. Redação (1 de abril de 2015). «Os céticos de clima no Brasil 1: Colaboração da Mídia, artigo de Philip M. Fearnside». EcoDebate. Consultado em 22 de julho de 2017 
  19. «Não existe aquecimento global, diz representante da OMM na América do Sul - Notícias - Ciência». Ciência 
  20. «O meteorologista Luiz Carlos Molion volta a falar sobre resfriamento global... - Notícias Agrícolas». www.noticiasagricolas.com.br. Consultado em 22 de julho de 2017 
  21. Impacto, Antonio Sergio Souza, Agência. «LIVRO LANÇAMENTO: CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando? - Revista Cafeicultura». Revista Cafeicultura. Consultado em 23 de julho de 2017 
  22. «Grupo de cientistas não vê motivo de alarme para mudanças climáticas». Jornal Nacional. 19 de junho de 2012 
  23. «BBC Brasil - Planeta e Clima - Céticos do clima sem voz na imprensa brasileira». Consultado em 22 de julho de 2017 
  24. Hansson, Sven Ove (2017). «Science denial as a form of pseudoscience» (requer pagamento). Studies in History and Philosophy of Science Part A (em inglês). 63: 39–47. doi:10.1016/j.shpsa.2017.05.002 
  25. a b c d Bailão, Andre Sicchieri. "Ciências e Mundos Aquecidos: Controvérsias e Redes de Mudanças Climáticas em São Paulo". In: Anais da ReACT - Reunião de Antropologia da Ciência e Tecnologia, 2014; 1 (1)
  26. a b c Costa, Alexandre. "Jô Soares entrevista Ricardo Augusto Felício sobre mudanças climáticas + comentário de Alexandre Costa". Uma Incerta Antropologia, 2012
  27. a b c Esteves, Bernardo. "Debate aquecido". Ciência Hoje, 29/07/2010
  28. a b c d Oliveira, Fernando de. "Cientistas que creem no Aquecimento Global dizem o pensam sobre os céticos". In: Boletim da Agência Universitária de Notícias, 2012; 45 (62)
  29. NASA. Scientific consensus: Earth's climate is warming.
  30. Machado, Ricardo. "O negacionismo pueril contra as evidências científicas é a nova trincheira da guerra cultural no Brasil". Revista do Instituto Humanitas — Unisinos, 04/04/2017
  31. Costa, Bernardo Esteves Gonçalves da. As controvérsias da ciência na Wikipédia em português: o caso do aquecimento global. UFRJ, 2014, pp. 146-150
  32. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas é a maior autoridade internacional em aquecimento global.
  33. Balazina, Afra. "Céticos do clima na Geografia da USP". O Estado de São Paulo, 19/11/2011
  34. O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas é a maior autoridade sobre o aquecimento global no âmbito dos estudos relacionados especificamente ao Brasil. Já publicou um grande relatório e mantém um fórum permanente de debates.
  35. Lewandowsky, Stephan et al. "The Subterranean War on Science". In: Observer, 2013; 26 (9)
  36. Begley, Sharon. "The Truth About Denial". Newsweek Magazine, 13/08/2007
  37. Xifra, Jordi. "Climate Change Deniers and Advocacy: A Situational Theory of Publics Approach". In: American Behavioral Scientist, 2016; 60 (3): 276–287
  38. Oreskes, Naomi & Conway, Erik M. Merchants of Doubt: How a Handful of Scientists Obscured the Truth on Issues from Tobacco Smoke to Global Warming. A&C Black, 2011
  39. "An Interview with Dr. Philip Fearnside". ESI Special Topics, set/2006
  40. Fearnside, Philip. "Os céticos de clima no Brasil 1: colaboração da mídia". Amazônia Real, 16/03/2015

Ligações externas[editar | editar código-fonte]