Assexualidade

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Assexual)
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Mergefrom 2.svg
O artigo ou secção Assexualidade cinza deverá ser fundido aqui. (desde maio de 2018)
Se discorda, discuta sobre esta fusão aqui.
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre humanos que não sentem atração sexual. Para outros usos, veja Reprodução assexuada.

Assexualidade[1][2][3] é a falta de atração sexual a qualquer pessoa, ou pequeno ou inexistente interesse nas atividades sexuais humanas.[4][5][6] Pode ser considerada a falta de uma orientação sexual, ou uma de suas variações, ao lado da heterossexualidade, da homossexualidade, da bissexualidade e da pansexualidade.[7][8][9] Também é considerado uma palavra-ônibus para caracterizar um espectro mais amplo de diferentes sub-identidades assexuais. Um estudo de 2004 descobriu que a prevalência de assexuais na população britânica era de 1%.[7][10]

A assexualidade difere da abstinência sexual e do celibato,[11][12] que são comportamentais e geralmente motivados por fatores como crenças pessoais ou religiosas.[13] Acredita-se que a orientação sexual, ao contrário do comportamento sexual, é "duradoura".[14] Algumas pessoas assexuais engajam em atividades sexuais, mesmo não tendo desejo por sexo ou atração sexual, por uma variedade de razões, como a vontade de obter ou dar prazer e a aspiração de ter filhos.[6][11]

A aceitação da assexualidade como orientação sexual e o início das pesquisas científicas em relação ao tema ainda são muito recentes,[4][6][8] ao passo em que um conjunto crescente de pesquisadores de ambas as perspectivas fisiológicas e psicológicas começou a se desenvolver.[6] Enquanto alguns especialistas reconhecem-na como orientação sexual, outros discordam.[8][9] Diversas comunidades de assexuais começaram a se formar desde o advento da World Wide Web e das mídias sociais. A mais prolífica e conhecida delas é a Asexual Visibility and Education Network (AVEN), fundada em 2001 pelo ativista David Jay.[9][15]

Debate[editar | editar código-fonte]

Bandeira assexual

Há um desacordo sobre se a assexualidade é uma orientação sexual legítima. Muitos ainda confundem assexualidade com baixa libido. Alguns argumentam que ela cai sobre o nome de distúrbio de hipoatividade sexual ou distúrbio da aversão sexual. Entre os que não acreditam ser uma orientação, outras causas sugeridas incluem abuso sexual passado, repressão sexual, problemas hormonais, desenvolvimento tardio de atração, ou não ter encontrado a pessoa certa. Muitos assexuais auto-identificados, enquanto isso, negam que tais diagnósticos se apliquem a eles; outros argumentam que, porque a sua assexualidade não lhes causa angústia, não deveria ser vista como um distúrbio emocional ou médico. Outros argumentam que no passado, foram feitas afirmações semelhantes sobre a homossexualidade e bissexualidade, apesar do fato de que muitas pessoas agora as considerem como orientações legítimas.

Entretanto, a maior parte dos argumentos contrários à assexualidade se dão tomando como base as pesquisas relacionadas à falta de atração sexual, que não é sinônimo de assexualidade, já que a falta de atração sexual possui várias causas possíveis. Já as pesquisas voltadas diretamente à área da assexualidade têm concluído que os assexuais não são portadores de patologias e de problemas psicológicos comumente atribuídos a outras pessoas que, por algum problema, não sentem ou deixaram de sentir atração sexual.

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

Um estudo feito com cordeiros chegou ao resultado de que cerca de 2% a 3% dos indivíduos estudados não tinham interesse aparente em acasalar com sexo algum. Outro estudo, foi feito com ratos e gerbils, em que até 12% dos machos não mostraram interesse nas fêmeas. Contudo, como suas interações com outros machos não foram medidas, o estudo é de uso limitado no que toca à assexualidade (Westphal, 2004).

Uma pesquisa de opinião no Reino Unido sobre sexualidade incluiu uma pergunta sobre atração sexual, e 1% dos entrevistados responderam que "nunca se sentiram atraídos sexualmente por absolutamente ninguém" (Bogaert, 2004). O Kinsey Institute conduziu uma pequena pesquisa sobre esse assunto, que concluiu que "os assexuais parecem melhor caracterizados por pouco desejo sexual e excitação que por baixos níveis de comportamento sexual ou alta inibição sexual" (Prause e Graham, 2002). Esse estudo também menciona um conflito quanto à definição de "assexual": os pesquisadores descobriram quatro definições diferentes na literatura, e afirmaram que era incerto se aquelas identificando assexual estavam se referindo a uma orientação.

Lori Brotto,[16] pesquisadora britânica sobre o tema, ao iniciar a sua pesquisa de campo em grupos assexuais, acreditava que essas pessoas poderiam estar se considerando assexuais por alienação, pensamento suicida, sintomas psicopáticos, transtornos sexuais, ansiedade, stress pós-traumático, dentre outros problemas. Mas, ao aprofundar os seus estudos, percebeu que, entre os assexuais, não havia evidência dessa orientação sexual ser determinada por qualquer patologia.

Subclassificações[editar | editar código-fonte]

Alguns assexuais usam um sistema de classificação desenvolvido (e então aposentado) pelo fundador da Asexual Visibility and Education Network. Nesse sistema, assexuais são divididos em tipos de A a E:

  1. Assexual tipo A: possui atração romântica por indivíduos do sexo oposto (heterorromântico).
  2. Assexual tipo B: possui atração romântica por indivíduos do mesmo sexo (homorromântico).
  3. Assexual tipo C: possui atração romântica por indivíduos de ambos os sexos (birromântico).
  4. Assexual tipo D: possui atração romântica por todos os tipos de indivíduos (panromântico).
  5. Assexual tipo E: sem atração romântica e direção sexual (arromântico).

Note que a assexualidade não é o mesmo que celibato, que é a abstinência deliberada de atividade sexual; muitos assexuais fazem sexo, e a maioria dos celibatários não são assexuais. A AVEN não utiliza mais esse sistema por se tratar de algo muito exclusivo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Asexual» (em inglês). TheFreeDictionary.com. Consultado em 29 de janeiro de 2016. 
  2. Lynn Harris (26 de maio de 2005). «Asexual and proud!» (em inglês). Salon. Consultado em 29 de janeiro de 2016. 
  3. "Assexualidade". (em português). Dicionário Michaelis. Consultado em 7 de dezembro de 2016.
  4. a b Bogaert, Anthony F (2006). «Toward a conceptual understanding of asexuality». Review of General Psychology. 10 (3): 241–250. doi:10.1037/1089-2680.10.3.241 
  5. Kelly, Gary F. (2004). «Chapter 12». Sexuality Today: The Human Perspective 7 ed. [S.l.]: McGraw-Hill. p. 401. ISBN 978-0-07-255835-7  Asexuality is a condition characterized by a low interest in sex. 
  6. a b c d Prause, Nicole; Cynthia A. Graham (agosto de 2004). «Asexuality: Classification and Characterization» (PDF). Archives of Sexual Behavior. 36 (3): 341–356. PMID 17345167. doi:10.1007/s10508-006-9142-3. Consultado em 31 de agosto de 2007.. Cópia arquivada (PDF) em 27 de setembro de 2007 
  7. a b Bogaert, Anthony F. (2004). «Asexuality: prevalence and associated factors in a national probability sample». Journal of Sex Research. 41 (3): 279–87. PMID 15497056. doi:10.1080/00224490409552235 
  8. a b c Melby, Todd (novembro de 2005). «Asexuality gets more attention, but is it a sexual orientation?». Contemporary Sexuality. 39 (11): 1, 4–5. ISSN 1094-5725. Consultado em 20 de novembro de 2011.  The journal currently does not have a website 
  9. a b c Marshall Cavendish, ed. (2010). «Asexuality». Sex and Society. 2. [S.l.]: Marshall Cavendish. pp. 82–83. ISBN 978-0-7614-7906-2. Consultado em 27 de julho de 2013. 
  10. «Study: One in 100 adults asexual». CNN. 15 de outubro de 2004. Consultado em 11 de novembro de 2007.. Cópia arquivada em 27 de outubro de 2007 
  11. a b Margaret Jordan Halter, Elizabeth M. Varcarolis (2013). Varcarolis' Foundations of Psychiatric Mental Health Nursing. [S.l.]: Elsevier Health Sciences. p. 382. ISBN 1-4557-5358-0. Consultado em 7 de maio de 2014. 
  12. DePaulo, Bella (26 de setembro de 2011). «ASEXUALS: Who Are They and Why Are They Important?». Psychology Today. Consultado em 13 de dezembro de 2011. 
  13. The American Heritage Dictionary of the English Language (3d ed. 1992), registros de celibacy e abstinence
  14. «Sexual orientation, homosexuality and bisexuality». American Psychological Association. Consultado em 30 de março de 2013. 
  15. Swash, Rosie (25 de fevereiro de 2012). «Among the asexuals». The Guardian. Consultado em 2 de fevereiro de 2013. 
  16. Understanding Asexuality - [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]