Estrada de Ferro Sorocabana

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Estrada de Ferro Sorocabana
EstacaoPrestes1.jpg
Estação Júlio Prestes, em São Paulo: marco zero da linha
Abreviações EFS
Área de operação São Paulo
Tempo de operação 18751971
Sucessora FEPASA
Bitola 1,000 m
Sede Sorocaba, Brasil[1]

A Estrada de Ferro Sorocabana foi uma companhia ferroviária brasileira[2].

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Locomotiva exposta em Sorocaba, que foi usada pela ferrovia

A Companhia Estrada de Ferro Sorocabana foi criada em 2 de fevereiro de 1870 por empresários sorocabanos liderados pelo comerciante de algodão Luís Mateus Maylasky, cidadão austro-húngaro, com um capital inicial de 1 200 contos de réis, posteriormente elevado para 4 mil contos. Maylasky obteve da então província de São Paulo uma garantia de juros de 7% ao ano sobre o capital que fosse investido na ferrovia.

O primeiro trecho da ferrovia foi inaugurado em 10 de julho de 1875, formado por uma única linha em bitola métrica, entre São Paulo e a fábrica de ferro de Ipanema, a primeira metalúrgica em escala industrial da América Latina. Na região central de Sorocaba foram construídas a Estação de Sorocaba (sede da companhia), e o complexo de oficinas da ferrovia [3].

Inicialmente concebida para transportar as safras de algodão, as receitas geradas pelo transporte desse produto logo se revelaram insuficientes, levando a ferrovia a enfrentar sérias dificuldades financeiras. Em assembleia geral realizada no dia 15 de maio de 1880, Luís Mateus Maylasky foi demitido e substituído por Francisco de Paula Mayrink, que acusou seu predecessor de gestão ilegal, malversação de fundos e inclusive de desfalque.

A aquisição pelo estado de São Paulo[editar | editar código-fonte]

Logo da EFS, que era fixado nas laterais do tender ou cabine das locomotivas

A Companhia Sorocabana de Estradas de Ferro passou por inúmeras mudanças de controle acionário. Em 1892 fundiu-se com a Companhia Ytuana de Estradas de Ferro, dando origem à Companhia União Sorocabana e Ituana - CUSI.

Apesar do contínuo aumento de volume no transporte de café, as finanças da ferrovia se deterioram de tal forma que a empresa precisou ser liquidada, tendo sido leiloada e arrematada, em 1904, pelo governo federal, por 60 mil contos de réis. Em 18 de abril de 1905 o governo federal vendeu a ferrovia para o governo do estado de São Paulo por 3,25 milhões de libras esterlinas - equivalentes a 65 mil contos de réis.

O nome Ytuana desaparece dos registros oficiais, mas não da cabeça do povo da região e da própria Sorocabana, que por anos designará suas antigas linhas como Secção Ituana - agora com I.

De 1907 até 1919 a Sorocabana foi arrendada para o truste do polêmico capitalista norte-americano Percival Farquhar (um dos pivôs da Guerra do Contestado) - passando a operar sob o nome The Sorocabana Railway Co. - tendo se tornado lucrativa até 1912. Nesse ano o sindicato Farquhar começa a entrar em sérias dificuldades financeiras e praticamente abandonou a administração da ferrovia (a Brazil Railway Company, a holding de Farquhar, entrou em concordata em outubro de 1914). Sua situação se deteriorou de tal maneira que a ferrovia teve que ser encampada pelo estado de São Paulo - durante governo Altino Arantes - para assegurar a continuidade do serviço público.

No dia 9 de setembro de 1919, o governo de São Paulo assume novamente o controle da ferrovia, que passa a se chamar Estrada de Ferro Sorocabana - EFS.

Calisto de Paula Souza, o segundo "inspetor geral" da Sorocabana nomeado pelo governo do estado, assim descreveu a situação da ferrovia em agosto de 1919: os armazéns estavam repletos de mercadorias aguardando para serem despachadas, havia frequentes interrupções de tráfego devido ao mau estado de conservação das locomotivas, os trens ficavam parados nas estações por falta de água... o leito da ferrovia não oferecia segurança...(Companhia Sorocabana; 1920, p. 3-4)

Estação da Estrada de Ferro Sorocabana no final do século XIX. Acervo do Arquivo Nacional.

Expansão[editar | editar código-fonte]

Estação Ferroviária de Sorocaba atualmente.

Sod a adminstração de Francisco de Paula Mayrink, convencido que o sucesso da ferrovia estava condicionado ao transporte do café, expandiu os trilhos da linha tronco na direção do Oeste Paulista para atingir regiões cafeeiras.

A partir de Sorocaba, a ferrovia se expandiu chegando a Botucatu e posteriormente a Ourinhos, na divisa com o estado do Paraná.

A pequena estação de Ourinhos, aberta em 1908 principalmente para atender cargas vindas da região do Norte Pioneiro do Paraná, a partir de 1924 transformou-se em entroncamento com a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, que fazia a ligação com o estado vizinho. Com o tempo, Ourinhos transformou-se em uma das principais estações de cargas e passageiros da EFS, devido ao grande fluxo trazido pela SPP, especialmente após 1932, quando esta ferrovia alcançou Jataizinho, já próxima da nascente cidade de Londrina.

A Estrada de Ferro Sorocabana serviu a inúmeras cidades do Oeste Paulista, como Assis, onde localizavam-se oficinas da ferrovia, tornando-se uma das principais cidades do interior paulista.

A extensão da linha tronco prosseguiu e em 1919, chegou até Presidente Prudente. Em 1922, chegou às margens do rio Paraná - seu ponto final - em Presidente Epitácio, limite oeste do estado paulista.

Várias cidades do oeste paulista possuem nome de presidentes do Brasil, como Presidente Prudente, Presidente Alves e Presidente Venceslau, isso se deve ao fato de que os políticos dessa região, com essas homenagens, faziam com que o governo do Estado investisse mais na região, e nessa específica, levando a Estrada de Ferro Sorocabana até essas cidades.

A descida da Serra do Mar[editar | editar código-fonte]

Foram feitas inúmeras tentativas e vários projetos para levar os trilhos da Sorocabana até o porto de Santos que era servido - em regime de monopólio - apenas pela São Paulo Railway (SPR), popularmente conhecida com A Inglesa. Muitos alegavam que A Inglesa sufocava o desenvolvimento do porto com suas altas tarifas. Mas todas essas tentativas de levar novos trilhos até o porto de Santos esbarravam no sistema de privilégios de zona. A zona por onde os trilhos teriam que passar pertencia à Southern San Paulo Railway Co. Ltd.

O governo de Altino Arantes Marques (1916 a 1920) muito se empenhou para que a Sorocabana conseguisse descer a Serra do Mar, realizando várias gestões para que o estado encampasse a Southern San Paulo Railway Company.

Em 1926, ao assumir o governo do estado, Júlio Prestes de Albuquerque, finalmente, consegiu comprar a Southern San Paulo Railway Co. Ltd., incorporando suas linhas à Sorocabana, sob a designação de linha do Juquiá.

A vila de Mairinque foi escolhida como ponto inicial do ramal, partindo da linha tronco da ferrovia e seguindo para se encontrar com a linha do Juquiá, já na Baixada Santista. O trecho ficou conhecido como Linha Mairinque-Santos.

No dia 10 de outubro de 1927 começaram as difíceis e demoradas obras de construção da ferrovia que desceria a Serra do Mar, os quais exigiram a execução de complexos serviços de cortes, aterros, túneis, viadutos e pontes.

A 2 de dezembro de 1937, correu entre São Paulo e Santos, via Mairinque, em viagem experimental, a primeira composição de passageiros, conduzindo toda a administração da Sorocabana e representantes da imprensa de São Paulo, Rio de Janeiro e Santos.

No dia 10 de dezembro de 1937 começaram a correr, normalmente os trens de carga e passageiros, iniciando assim o tráfego regular, que pôs fim ao monopólio - por muitos considerado odioso- da São Paulo Railway.

Ramais[editar | editar código-fonte]

Além da Linha Tronco, a Estrada de Ferro Sorocabana construiu vários outros ramais.

Estrada de Ferro Sorocabana.
Estrada de Ferro Sorocabana.

Em 1909, a Sorocabana construiu o Ramal de Itararé, que ligava Iperó a Itararé, conectando a rede ferroviária paulista às estradas de ferro do Paraná, pelo antigo caminho dos tropeiros que viajavam até o sul do Brasil. A partir de Itararé, se iniciava a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande.

Em 1957, inaugurou o Ramal Dourados, no oeste paulista, que ligava Presidente Prudente a Teodoro Sampaio. Originalmente foi projetado pela Sorocabana, em 1953, para chegar a Dourados e Ponta Porã, no hoje estado de Mato Grosso do Sul, para aproveitar o potencial madeireiro da região ainda desabitada e ter um transporte mais fácil para os grandes centros.

Entre 1952 e 1957, foi construído pela Sorocabana o ramal de Jurubatuba com o proposito de encurtar a distância entre a Capital e Santos. Partindo da linha tronco na Estação Imperatriz Leopoldina, o ramal seguia até a estação Evangelista de Souza, no entroncamento com a Mairinque-Santos, no alto da Serra do Mar, para dali descer para o porto de Santos. Transportando passageiros e cargas que saíam da Estação Júlio Prestes, no centro de São Paulo, e iam até o extremo sul na Estação Evangelista de Souza, desde a abertura em 1957, o ramal acabou por se tornar uma das linhas de subúrbio da Capital. Com a criação da Fepasa, em 1971, o ramal deu origem a Linha Sul da Fepasa.

A partir dos anos 20, em seu trecho inicial - primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno - passaram a circular, principalmente, trens de subúrbio[4].

Extinção[editar | editar código-fonte]

A Sorocabana permaneceu até 1971 sob o controle direto do estado de São Paulo, quando foi incorporada à Fepasa. A partir de 1995, as linhas suburbanas da antiga Sorocabana, que foram mantidas pela Fepasa, passaram a ser administradas pela CPTM.

Em 1998, o governador de São Paulo, Mário Covas, transferiu a FEPASA para a União, dentro do processo de renegociação das dívidas do estado.[5] Posteriormente a União transferiu a empresa para a RFFSA, passando a ser denominada Malha Paulista, e com a extinção da RFFSA, as linhas foram transferidas sob regime de concessão para a iniciativa privada.[6]

Dirigentes da Sorocabana[editar | editar código-fonte]

Frota[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CANABRAVA, Alice Piffer; O desenvolvimento da cultura de algodão na província de São Paulo: 1861-1875; São Paulo; Ind. Gráfica Siqueira; 1951
  • COMPANHIA SOROCABANA; Relatorio apresentado pela directoria da Companhia Sorocabana á assembléa dos accionistas (vários anos)
  • FERROVIA PAULISTA SOCIEDADE ANÔNIMA; Dirigentes da Sorocabana e Fepasa;Gráfica Fepasa; Jundiaí;1983
  • SAES, Flávio de Azevedo Marques; As ferrovias de São Paulo: Paulista, Mogiana e Sorocabana (1870- 1940); 1974; Dissertação (Mestrado)Universidade de São Paulo, São Paulo;
  • SANTOS, Francisco Martins dos, e LICHTI, Fernando Martins;História de Santos/Poliantéia Santista;Editora Caudex Ltda.; São Vicente-SP; volume III;1996
  • SIQUEIRA, Augusto Primeiro traslado da escriptura de arrendamento da Estrada de Ferro Sorocabana; São Paulo; 1907.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]