Pedro Manuel de Toledo

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Pedro de Toledo
Retrato oficial de Pedro de Toledo
Governador de São Paulo
Período 10 de julho de 1932
a 2 de outubro de 1932
Interventor de São Paulo
Período 7 de março de 1932
a 10 de julho de 1932
Ministro de Viação e Obras Públicas
Período 1912
Ministro da Agricultura
Período 1910-1913
Deputado estadual de São Paulo
Período 1895-1900 e 1905-1910
Dados pessoais
Nome completo Pedro Manuel de Toledo
Nascimento 29 de junho de 1860
São Paulo, SP, Brasil
Morte 29 de julho de 1935 (75 anos)
Rio de Janeiro, DF, Brasil
Nacionalidade Brasileira
Progenitores Mãe: Ana Barbosa Toledo
Pai: Manuel Joaquim de Toledo
Alma mater Faculdade de Direito de Recife
Esposa Francisca Gama Cerqueira
Ocupação Advogado

Pedro Manuel de Toledo (São Paulo, 29 de junho de 1860Rio de Janeiro, 29 de julho de 1935) foi um advogado, diplomata e político brasileiro. Foi o quarto interventor federal a ocupar o governo do estado de São Paulo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pedro Manuel de Toledo nasceu em 29 de junho de 1860, em São Paulo, filho de Manuel Joaquim de Toledo e de Ana Barbosa Toledo. Seu avô paterno, Joaquim Floriano de Toledo, foi secretário particular do Imperador Dom Pedro I, além de deputado geral e vice-presidente da então província de São Paulo entre 1848 e 1868. Seu tio, Visconde de Ouro Preto foi também deputado geral, senador, ministro da Marinha, ministro da Fazenda, conselheiro de Estado presidente do último Conselho de Ministros do Império em 1889.[1]

Pedro de Toledo iniciou os seus estudos básicos e superior em São Paulo, mas pediu transferência para a Faculdade de Direito de Recife onde lá se diplomou em 1884. Após obter o seu bacharelado em Direito, fixou residência em São José do Além Paraíba, atual cidade de Além Paraíba-MG, onde fundou a seção local do Partido Republicano junto com outras lideranças do partido.[1]

Em 1885, foi designado procurador fiscal da Tesouraria de São Paulo por recomendação do Visconde de Ouro Preto, assim, retornando residência na capital do estado. Era maçom e participou do movimento republicano. Com a Proclamação da República em 1889, assumiu interinamente o cargo de delegado e chefe de polícia da cidade.[1]

Em 1893, durante o mandato do Presidente da República Floriano Peixoto, ocorreram dois importantes conflitos armados: a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. O presidente de São Paulo (cargo atualmente denominado de governador), Bernardino de Campos bem como o Partido Republicano Paulista apoiaram o governo federal contra os rebeldes. Pedro de Toledo, na ocasião, exercia interinamente o comando da Guarda Nacional, tendo sido comissionado coronel, e no comando dessa corporação desempenhou missões confiadas a ele por Bernardino de Campos. Assim, deslocou-se com um contingente da Guarda Nacional para a cidade paulista de Faxina (atual Itapeva), então convertida em praça de guerra. Lá, colaborou com as demais forças legalistas que atuavam no litoral sul de São Paulo e também na fronteira com o Paraná, prevenindo uma ofensiva rebelde no território paulista.[1]

Em 1895, foi deputado estadual de São Paulo pelo Partido Republicano e também fundou naquele ano o jornal A Nação, em oposição ao governo federal, então presidido por Prudente de Morais, que era líder de outra facção do mesmo partido. A separação entre as duas correntes do Partido Republicano efetivou-se em 1897. Durante o seu mandato defendeu principalmente a política de valorização do café, a organização dos municípios e a expansão das estradas de ferro no estado. Após o seu mandato, Pedro de Toledo retomou a advocacia. Porém, retornou a atividade política em 1905, se elegendo novamente deputado estadual, por influencia de Jorge Tibiriçá. Também nesse período se tornou influente na maçonaria paulista, chegando a ocupar o cargo de grão-mestre do oriente maçônico de São Paulo.[1]

Na Eleição Presidencial em março de 1910, Hermes da Fonseca foi eleito Presidente da República e Pedro de Toledo foi reeleito deputado estadual. Pedro de Toledo passou a integrar um grupo do Partido Republicano que apoiou o então presidente eleito, assim, não chegou a assumir o novo mandato parlamentar estadual uma vez que convidado por Hermes da Fonseca para ocupar o Ministério da Agricultura de seu governo, empossado em 15 de novembro de 1910. O então Ministro da Agricultura, durante sua gestão, elaborou o regulamento das estações sericícolas, criou o Serviço de Consultas, criou a Diretoria Geral de Contabilidade e reformulou o regulamento do ministério e de órgãos subordinados, como o Serviço de Inspeção e Defesa Agrícolas e o Serviço Geológico e Mineralógico. Contudo, entre janeiro e fevereiro de 1912, assumiu interinamente o Ministério da Viação e Obras Públicas substituindo José Joaquim Seabra. Em maio daquele ano, retomou a pasta da Agricultura e permaneceu no Ministério da Agricultura até 18 de novembro de 1913.[1]

Em maio de 1914, foi nomeado embaixador extraordinário e ministro plenipotenciário do Brasil na Itália. Nesse cargo, conseguiu a revogação da lei que impedia a imigração italiana para o Brasil. Entre outubro de 1917 e abril de 1919, foi transferido para a embaixada do Brasil na Espanha e exerceu as mesmas funções na Argentina entre novembro de 1919 e abril de 1926.[1]

Na década de 1923, passou a defender o voto secreto e reformas no sistema eleitoral do país, chegando a publicar livro que viria a ser publicado mais tarde pelo Partido Democrático (PD) de São Paulo com o título O voto secreto.[1]

Pedro de Toledo e Ibrahim Nobre discursando ao povo a partir da sacada do Palácio dos Campos Elíseos, então sede do governo estadual, na noite de 23 de maio de 1932

Desagradou o então presidente da República, Artur Bernardes, por seu tratamento cordial aos exilados da Revolução de 1924 na Argentina, o que lhe rendeu retaliações e a determinação de retorno ao Brasil, em abril de 1926. Na ocasião, com 66 anos de idade, afastou-se então da vida pública e voltou a exercer a advocacia em São Paulo.[1]

Em 7 de março 1932, foi nomeado interventor federal em São Paulo. Nesse cargo, participou do movimento constitucionalista de 1932, que culminou na Revolução Constitucionalista ocorrida entre 9 de julho e 2 de outubro de 1932, tendo sido Pedro de Toledo o comandante civil do movimento, após o episódio de 23 de maio de 1932, quando foram mortos Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, durante manifestações que reivindicavam a Reconstitucionalização do país e a saída de Getúlio Vargas da Presidência da República, cujas iniciais deram origem ao movimento MMDC. Em 10 de julho, após a deflagração do levante, Pedro de Toledo renunciou ao cargo de Interventor de São Paulo e logo na sequência foi então aclamado pelo povo Governador de São Paulo, cargo que exerceu até o fim do conflito. Após três meses de combates nos quatro cantos do estado, São Paulo foi derrotado militarmente e Pedro de Toledo foi deposto em 2 de outubro pelo Comandante Geral da Força Pública de São Paulo, Herculano de Carvalho e Silva, que naquele dia já cumpria ordens de Getúlio Vargas, na sequencia foi preso e exilado em Portugal, somente retornando ao Brasil após a anistia geral concedida em maio de 1934.[1]

Foi fundador e membro da Academia Paulista de Letras, titular da cadeira nº 39.[1]

Era casado com Francisca Barbosa da Gama Cerqueira.[1]

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1935. Em 9 de julho de 1957, os seus restos mortais foram transladados para o Monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista no Parque Ibirapuera, em São Paulo.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m De Abreu, Alzira Alves (2015). Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930). Rio de Janeiro: CPDOC. ISBN 978-85-225-1658-2 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda
Ministro da Agricultura do Brasil
1910 — 1913
Sucedido por
Manuel Edviges de Queirós Vieira
Precedido por
José Joaquim Seabra
Ministro dos Transportes do Brasil
1912
Sucedido por
José Barbosa Gonçalves
Precedido por
Manuel Rabelo
Interventor de São Paulo
1932
Sucedido por
Pedro Manuel de Toledo
Precedido por
Pedro Manuel de Toledo
Governador de São Paulo
1932
Sucedido por
Herculano de Carvalho e Silva


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