Afonso Arinos de Melo Franco
- Este artigo é sobre o escritor brasileiro nascido em 1868. Para o jurista e político nascido em 1905, veja Afonso Arinos de Melo Franco (sobrinho). Para o diplomata e escritor nascido em 1930, veja Affonso Arinos de Mello Franco.
| Afonso Arinos | |
|---|---|
Retrato de Arinos publicado na década de 1910 | |
| Pseudônimo(s) | Olívio de Barros |
| Nascimento | Afonso de Melo Franco |
| Morte | Barcelona, Espanha |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Parentesco | Afrânio de Melo Franco (irmão) Afonso Arinos de Melo Franco (sobrinho) (sobrinho) Virgílio de Melo Franco (sobrinho) Rodrigo Melo Franco de Andrade (sobrinho) Affonso Arinos de Mello Franco (sobrinho-neto) |
| Cônjuge | Antonieta da Silva Prado |
| Alma mater | Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo |
| Ocupação | escritor jornalista advogado professor |
| Gênero literário | conto romance ensaio drama |
| Movimento literário | Regionalismo |
| Magnum opus | Pelo sertão Os jagunços |
Afonso Arinos de Melo Franco (1 de maio de 1868 – 19 de fevereiro de 1916), geralmente conhecido como Afonso Arinos, foi um escritor, jornalista, advogado e professor brasileiro. Escreveu contos, romances, comentários políticos, ficção histórica e estudos de folclore. Seus livros mais conhecidos são Pelo sertão, uma coletânea de contos, e Os jagunços, romance sobre a Guerra de Canudos, ambos publicados em 1898.
Nascido em Paracatu, Minas Gerais, Arinos formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1889. Exerceu a advocacia e lecionou em Ouro Preto, onde ajudou a fundar a Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais. Monarquista após a Proclamação da República, escreveu para jornais mineiros antes de se mudar para São Paulo a fim de dirigir O Comércio de São Paulo. Seu jornalismo defendia a continuidade política e cultural com o Império e criticava o abandono do interior brasileiro pelo governo republicano.
O sertão unia o pensamento literário e político de Arinos. Em Pelo sertão, recorreu à fala, às narrativas orais, às paisagens e à vida social de Minas Gerais e Goiás. Sustentava que a literatura brasileira deveria se desenvolver a partir das histórias e dos costumes do próprio país, rejeitando a imitação de modelos europeus e a concentração na vida urbana do litoral. Seu nacionalismo conferia ao sertanejo um lugar na cultura brasileira, embora preservasse uma visão hierárquica e paternalista da autoridade social.
Arinos aplicou essas ideias a Canudos em Os jagunços, publicado inicialmente em folhetim em 1897 sob o pseudônimo Olívio de Barros. O romance retratou os seguidores de Antônio Conselheiro como integrantes de uma população rural abandonada e atribuiu o conflito à negligência governamental e ao emprego da força militar. Publicado quatro anos antes de Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi uma das primeiras narrativas ficcionais sobre a guerra. Arinos foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1901 e tomou posse na cadeira 40 em 1903. Mais tarde viveu em Paris e continuou a recolher elementos do folclore brasileiro. Retornou ao Brasil em 1915 para ministrar conferências sobre tradições populares e unidade nacional. Morreu em Barcelona no ano seguinte. As histórias da literatura o situaram entre os escritores regionalistas brasileiros, enquanto estudos posteriores também examinaram sua ficção, seu jornalismo e suas pesquisas folclóricas como parte da corrente nacionalista das letras brasileiras.
Primeiros anos, família e educação
[editar | editar código]Afonso Arinos de Melo Franco nasceu em Paracatu, Minas Gerais, em 1 de maio de 1868. Seus pais eram Virgílio Martins de Melo Franco e Ana Leopoldina de Melo Franco.[1][2] A família Melo Franco vivia em Paracatu desde meados do século XVIII. Entre seus antepassados estava o médico e escritor Francisco de Melo Franco, autor do poema satírico O Reino da Estupidez. Seu pai atuou como magistrado em Minas Gerais e Goiás, exerceu mandatos nas assembleias provincial e nacional e integrou o Senado mineiro de 1892 a 1923.[3]
"Arinos" não constava do registro de batismo de Afonso. Virgílio acrescentou o nome, retirado do rio Arinos, em Mato Grosso, conforme a moda do final do século XIX de adotar nomes provenientes de línguas indígenas e da geografia brasileira. Deu nomes semelhantes aos outros filhos, mas apenas Afonso conservou o seu. Quando ingressou na faculdade de direito, em 1885, já usava Arinos como sobrenome.[4][5]
Os cargos judiciais do pai levaram a família a várias cidades de Minas Gerais e Goiás. Arinos iniciou os estudos na cidade de Goiás, e a família também passou por Barbacena. Em São João del-Rei, frequentou uma escola dirigida pelo cônego Antônio José da Costa Machado. Concluiu os estudos preparatórios no Ateneu Fluminense, no Rio de Janeiro.[1][5]
Arinos ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo em 1885 e formou-se em 1889. Começou a escrever contos enquanto ainda era estudante.[1] Paulo Prado estudou na faculdade durante os mesmos anos. Arinos casou-se posteriormente com a irmã de Prado, Antonieta da Silva Prado, filha do político paulista Antônio Prado. O tio dos dois, Eduardo Prado, era escritor e jornalista monarquista. Arinos e Antonieta não tiveram filhos.[4][6]
Depois de se formar, Arinos mudou-se com a família para Ouro Preto, então capital de Minas Gerais. Abriu ali um escritório de advocacia em 1891. Após obter o primeiro lugar em concurso para uma cadeira de História do Brasil, passou a lecionar no Liceu Mineiro.[1][5][6] Em dezembro de 1892, Arinos, seu pai e o irmão mais novo, Afrânio de Melo Franco, participaram da fundação da Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais. Arinos lecionou Direito Penal na instituição. A escola foi transferida para Belo Horizonte em 1898 e incorporada à Universidade de Minas Gerais em 1927. Atualmente é a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.[1][3][7]
Afrânio seguiu carreira como diplomata e parlamentar e foi ministro das Relações Exteriores. Era pai do jurista e político Afonso Arinos de Melo Franco (1905–1990). O Afonso mais jovem não recebeu Arinos no batismo. Adotou o nome do tio depois da morte do escritor.[8][4][5]
A irmã de Arinos, Dália de Melo Franco, casou-se com Rodrigo Bretas de Andrade. O filho do casal, Rodrigo Melo Franco de Andrade, perdeu o pai aos três anos. De 1910 a 1914, viveu com Arinos e Antonieta em Paris enquanto cursava o ensino secundário. Arinos considerava o sobrinho como um filho. Rodrigo tornou-se o primeiro diretor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, mais tarde denominado Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.[6][9]
Jornalismo e política
[editar | editar código]Arinos permaneceu monarquista depois da Proclamação da República, em 1889, embora o pai e o irmão tenham aceitado o novo regime. Julgava o governo republicano inadequado ao passado e à população do Brasil e criticou sua atuação durante a presidência de Floriano Peixoto. Enquanto trabalhava como advogado e professor em Ouro Preto, começou a publicar artigos em O Estado de Minas.[10][11]
Durante a repressão relacionada à Revolta da Armada, em 1893, escritores que haviam deixado o Rio de Janeiro buscaram refúgio em Ouro Preto, que ficava fora do estado de sítio federal. Arinos lhes abriu a casa e o escritório de advocacia. As reuniões o aproximaram de Olavo Bilac, Coelho Neto e outros escritores atuantes na imprensa carioca. A partir de 1895, seus textos passaram a ser publicados regularmente na Revista Brasileira, de José Veríssimo.[11][10]
Eduardo Prado convidou Arinos para trabalhar em O Comércio de São Paulo, diário fundado em 1893 que havia adotado uma linha editorial firmemente monarquista em 1896. Arinos mudou-se para São Paulo e assumiu a direção do jornal em 1897. Dirigiu-o de 1897 a 1900 e retornou para um segundo período entre 1902 e 1903.[12]
O jornal era um dos principais veículos da oposição monarquista em São Paulo. Publicava artigos políticos de integrantes do círculo de Prado e divulgava seus textos literários e históricos em folhetins. Sua redação foi depredada em 1897, em meio a acusações de que os monarquistas auxiliavam os seguidores de Antônio Conselheiro em Canudos. Prado deixou o Brasil pouco depois. Sob a direção de Arinos, o periódico manteve a posição monarquista, mas adotou um tom menos combativo. Ampliou a cobertura comercial, financeira e noticiosa, ao mesmo tempo que preservou o comentário político e os folhetins literários.[12][11]
Arinos defendia a monarquia, o catolicismo e a continuidade das instituições herdadas do Império. Também aceitava a modernização científica e econômica, desde que ela não descartasse os costumes brasileiros em favor de modelos europeus. A sociedade que imaginava continuava hierárquica e patriarcal, com a autoridade política orientando o desenvolvimento do país. Seu nacionalismo extraía grande parte de seu material do interior, onde acreditava que a fala e os costumes brasileiros haviam sido menos alterados pela cultura cosmopolita das cidades litorâneas.[11][10]
A Guerra de Canudos tornou-se o principal tema de seu jornalismo em 1897. O Comércio de São Paulo publicava notícias frequentes sobre os combates. Em 9 de outubro, pouco depois da destruição de Belo Monte, Arinos publicou o editorial "Campanha de Canudos: o epílogo da guerra". Rejeitou a afirmação de que os seguidores de Antônio Conselheiro faziam parte de uma conspiração monarquista e atribuiu o derramamento de sangue ao abandono por parte das autoridades. Em sua avaliação, o governo havia enviado soldados antes de tentar compreender a região ou as causas do crescimento do povoado.[13][14]
Arinos argumentava que o governo concentrava atenção e recursos na imigração, nas cidades litorâneas e em instituições estrangeiras, embora conhecesse pouco a população do Brasil central. Canudos havia forçado a entrada dessa população no debate nacional por meio da violência. Desejava que os sertanejos fossem incorporados ao país sem outra campanha militar, embora sua proposta ainda pressupusesse que eles seriam assimilados a uma civilização dirigida de cima para baixo.[13][12] A partir de outubro de 1897, levou o mesmo argumento para a ficção quando O Comércio de São Paulo publicou Os jagunços em folhetim, sob o pseudônimo Olívio de Barros.[15]
Em 1900, Arinos publicou Notas do dia, que reuniu textos jornalísticos escritos entre 1895 e 1899 para O Estado de Minas, O Comércio de São Paulo e a Revista Brasileira. Os artigos tratavam de política e de episódios do passado brasileiro, entre eles a monarquia, a independência e Canudos.[10][16]
Após a morte de Prado, em 1901, surgiu uma disputa pela propriedade de O Comércio de São Paulo. Arinos retornou como diretor provisório no fim de janeiro de 1902 e permaneceu até a edição de 22 de julho de 1903. Nesse segundo período, o jornal publicou em folhetim seu romance inacabado Ouro, Ouro. Em seguida, deixou São Paulo e foi para o Rio de Janeiro.[12]
Carreira literária
[editar | editar código]Contos e Pelo sertão
[editar | editar código]Arinos escreveu a maior parte dos contos posteriormente reunidos em Pelo sertão entre 1888 e 1895, durante os últimos anos da faculdade de direito e o início da vida profissional. Vários foram publicados primeiro em jornais e revistas literárias. A partir de 1895, sua obra apareceu regularmente na Revista Brasileira, então editada por José Veríssimo.[11]
Um desses contos, "A esteireira", ficou em segundo lugar em um concurso promovido pela Gazeta de Notícias em 1894, entre mais de noventa trabalhos. Um dos integrantes da comissão julgadora, o crítico Joaquim Alves, questionou a verossimilhança da violência atribuída aos personagens rurais da narrativa. Arinos respondeu no ensaio "Nacionalização da arte: parecer de um curioso". Defendeu o uso de pessoas e acontecimentos do interior brasileiro e argumentou que a literatura deveria expressar a experiência da sociedade da qual surgia.[11] A discussão expôs ideias que ele desenvolveria mais tarde na ficção e nos escritos políticos.
Pelo sertão: histórias e paisagens, seu primeiro livro, foi publicado pela Laemmert em 1898. A primeira edição reunia doze textos: "Assombramento", "A cadeirinha", "Buriti perdido", "A esteireira", "Manuel Lúcio", "Paisagem alpestre", "Desamparados", "A velhinha", "A fuga", "O contratador dos diamantes", "Joaquim Mironga" e "Pedro Barqueiro".[17][18] Em nota introdutória, Arinos reconheceu que os contos haviam sido escritos em momentos distintos e não constituíam uma narrativa unificada.[17]
A coletânea combina contos, episódios históricos, lendas e esboços descritivos. Seus cenários provêm sobretudo do interior de Minas Gerais e Goiás. Tropeiros, trabalhadores do gado, barqueiros, mineradores, proprietários rurais e trabalhadores itinerantes aparecem nas rotinas de viagem, trabalho agrícola, observância religiosa e festividades locais. Arinos reproduziu o vocabulário regional e colocou várias narrativas na voz de viajantes ou moradores idosos, conferindo ao testemunho oral uma função estrutural nos contos.[19][11]
Os temas variam ao longo da coletânea. "Assombramento" acompanha um viajante cuja estadia em uma casa abandonada se transforma em uma experiência de medo e desorientação mental, associando o espaço regional a crenças sobre assombrações e o sobrenatural. "O contratador dos diamantes" volta-se para a sociedade mineradora do século XVIII, enquanto "Buriti perdido" e "Paisagem alpestre" conferem ao ambiente físico grande parte da atenção narrativa. Outros contos examinam a violência pessoal, a honra familiar, o trabalho e a situação precária dos viajantes em territórios com pouca presença do poder público.[19][20]
O livro ingressou nas histórias da literatura brasileira como um dos primeiros exemplos de prosa regionalista. Seu método vinculava-se ao pensamento político de Arinos: a fala, as histórias e os tipos sociais do interior forneciam o material por meio do qual ele procurava definir uma literatura nacional.[21]
Os jagunços e Canudos
[editar | editar código]Arinos começou a escrever sobre a Guerra de Canudos antes de publicar seu romance sobre o conflito. Em 9 de outubro de 1897, quatro dias após a destruição de Canudos, O Comércio de São Paulo publicou seu artigo "Campanha de Canudos: o epílogo da guerra". Ele rejeitou as alegações de que o povoado fazia parte de uma conspiração monarquista organizada. Atribuiu o conflito ao desconhecimento do sertão por parte do governo, ao abandono da população local e à decisão de empregar a força militar antes de examinar o povoado e suas queixas.[13][14]
Os jagunços começou a ser publicado em folhetim em O Comércio de São Paulo ainda naquele mês e continuou até novembro de 1897. Arinos usou o pseudônimo Olívio de Barros. A tipografia do jornal lançou a narrativa como livro em dois volumes em 1898, com o subtítulo novela sertaneja.[15][22] O livro antecedeu Os Sertões, de Euclides da Cunha, em quatro anos e esteve entre os primeiros tratamentos ficcionais de Canudos.[23]
O romance divide-se em duas partes. Seus quatro primeiros capítulos apresentam a vida social e religiosa do sertão por meio de personagens fictícios, sobretudo o vaqueiro Luís Pachola, e de cenas na fazenda Periperi e em uma Festa do Divino Espírito Santo. Os cinco capítulos restantes acompanham a formação de Belo Monte e a campanha militar contra o povoado, ligando essas vidas fictícias a pessoas e acontecimentos do conflito.[15][13] A mudança de escala permite que a guerra seja narrada de dentro da comunidade sertaneja, e não somente pelos movimentos e relatórios do Exército.
O livro utiliza notícias que chegavam a São Paulo, o conhecimento de Arinos sobre a vida no interior e a invenção literária. Thomas Beebee o inclui entre as três primeiras narrativas de Canudos que combinaram história e ficção, ao lado de O rei dos jagunços, de Manoel Benício, e Acidentes da guerra, de Emídio Dantas Barreto.[24] Essa forma híbrida distingue o romance das memórias militares e da correspondência jornalística, embora Arinos não tenha presenciado a campanha.
Arinos apresentou os seguidores de Antônio Conselheiro como integrantes de uma população rural abandonada, e não como um corpo estranho ao Brasil. Condenou a incapacidade do governo de compreendê-los e a dimensão da repressão. A solução que propunha continuava paternalista. O sertanejo deveria ser incorporado por meio da educação, da administração e da orientação do centro político, dentro de uma ordem social que Arinos considerava hierárquica.[13][10]
A edição em livro teve tiragem de cem exemplares e foi distribuída principalmente aos assinantes de O Comércio de São Paulo. Recebeu pouca atenção da crítica contemporânea e não voltou a ser publicada separadamente até sua inclusão nas obras reunidas de Arinos, em 1969.[15] Sua circulação limitada ajuda a explicar o maior destaque posteriormente concedido a Os Sertões nos estudos literários sobre Canudos.
Regionalismo e nacionalismo
[editar | editar código]Arinos escreveu em um período no qual a abolição da escravidão, a queda do Império e os primeiros anos da República haviam reaberto os debates sobre a população, o território e a cultura capazes de representar o Brasil. O contraste entre as cidades litorâneas e o sertão tornou-se uma das formas recorrentes pelas quais escritores e pensadores sociais abordavam essas questões.[23]
Para Arinos, o material regional servia a um propósito nacional. Seu ensaio de 1894, "Nacionalização da arte", sustentava que a literatura brasileira não poderia ser produzida pela cópia de temas europeus ou da vida social do Rio de Janeiro e de São Paulo. Buscava seu material nas histórias locais, na fala, na paisagem e na memória popular. Pelo sertão pôs essa posição em prática, enquanto Os jagunços a aplicou à exclusão política do interior.[11][10]
Carvalho argumenta que o termo "regionalista" é estreito demais para Arinos, pois pode separar sua ficção do movimento literário nacionalista do final do século XIX e início do XX. Nessa leitura, a região era o ponto a partir do qual Arinos abordava a nação. Carvalho também identifica elementos desse programa nos escritos de Olavo Bilac e nas primeiras obras de Mário de Andrade.[21]
Sua concepção de nacionalidade continha uma tensão persistente. Tratava as comunidades rurais como repositórios de língua, memória e costumes, mas também as considerava populações que necessitavam da orientação das elites instruídas. Seu monarquismo fornecia uma imagem de continuidade nacional que ele contrapunha ao federalismo e aos conflitos políticos do início da República. O nacionalismo resultante defendia o lugar cultural do sertanejo, ao mesmo tempo que mantinha uma visão conservadora da autoridade social.[11][10][13]
Arinos continuou a recolher material folclórico depois de se mudar para Paris, retornando ao Brasil para reunir elementos destinados a livros, peças e conferências. Seus interesses estendiam-se à música e às apresentações populares, incluindo os sambistas Donga e Pixinguinha. Em 1915, apresentou uma série de conferências intitulada "Lendas e tradições brasileiras" na Sociedade de Cultura Artística, em São Paulo, na qual tratou de danças, festas religiosas e tradições dramáticas como o cateretê, o reisado, a chegança e o bumba meu boi.[6] Essas atividades levaram para além dos contos a mesma preocupação com a memória regional e a cultura oral.
Obras
[editar | editar código]Arinos publicou três livros em vida. Outros cinco volumes apareceram entre 1917 e 1921, reunindo ficção, uma peça, conferências e textos em prosa que ainda não haviam sido compilados quando morreu. Suas publicações abrangem contos, romance, comentários jornalísticos e estudos de folclore.[25][19]
Publicações em vida
[editar | editar código]Pelo sertão: histórias e paisagens. São Paulo: Laemmert, 1898. O primeiro livro de Arinos contém doze contos escritos entre 1888 e 1895. Eles já haviam circulado em jornais e revistas literárias. A primeira edição tem 199 páginas.[17][18]
Os jagunços: novela sertaneja. São Paulo: Tipografia de O Comércio de São Paulo, 1898. Publicado em dois volumes sob o pseudônimo Olívio de Barros, o romance havia aparecido em folhetim em O Comércio de São Paulo entre outubro e novembro de 1897. A edição em livro limitou-se a cem exemplares.[22][15]
Notas do dia: commemorando. São Paulo: Tipografia Andrade & Mello, 1900. O volume de 308 páginas reúne artigos publicados entre 1895 e 1899 em O Estado de Minas, O Comércio de São Paulo e na Revista Brasileira, além de conferências proferidas em Ouro Preto. Seus temas incluem a Inconfidência Mineira, Cristóvão Colombo, a Revolução Francesa, Pedro II, a morte do Visconde de Taunay e acontecimentos políticos do início da República.[26][10][19]
Publicações póstumas
[editar | editar código]O contratador dos diamantes. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1917. A peça histórica em três atos e um quadro desenvolveu-se a partir do conto de mesmo nome incluído em Pelo sertão. Ambientada no distrito minerador do Tijuco em 1752 e 1753, concentra-se no contratador de diamantes Felisberto Caldeira Brant e em seu conflito com a administração colonial portuguesa.[19][27] Foi encenada pela primeira vez no Theatro Municipal de São Paulo em maio de 1919, com música incidental de Francisco Braga. Francisco Mignone baseou na peça sua ópera de 1921, O contratador dos diamantes.[28][29]
A unidade da Pátria. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1917. O livro reproduz uma conferência proferida no Teatro Municipal de Belo Horizonte em 1915, durante um evento em benefício dos atingidos pela seca no Nordeste brasileiro. Arinos discutiu as divisões regionais, a migração pelo interior e o trabalho dos brasileiros comuns na manutenção da unidade territorial do país.[11][30]
Lendas e tradições brasileiras. São Paulo: Tipografia Levi, 1917. O livro contém conferências apresentadas em 1915 na Sociedade de Cultura Artística, em São Paulo. Arinos escreveu sobre lendas amazônicas, histórias do rio São Francisco, igrejas e santuários, devoções marianas, santos populares, superstições, festas e danças. A primeira edição, publicada como o terceiro volume das publicações da sociedade, traz prefácio de Olavo Bilac e teve tiragem de cinquenta exemplares.[31]
O mestre de campo: romance do século dezoito. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1918. Apesar de ocasionalmente classificada como peça teatral em resumos biográficos, a obra é um romance histórico. Retorna à Minas Gerais do século XVIII e às disputas em torno da autoridade régia nos distritos mineradores.[32][25]
Histórias e paisagens. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1921. A coletânea reuniu textos em prosa que haviam ficado fora de Pelo sertão. Seus contos incluem "A garupa", "Menestrel do sertão", "Feiticeira", "O mão-pelada" e "Árvore do pranto". O livro também contém "Nacionalização da arte", a defesa feita por Arinos, em 1894, dos temas regionais na ficção brasileira.[33][19][11]
Edições reunidas
[editar | editar código]O Instituto Nacional do Livro publicou Obra completa em 1969 como o segundo volume da Coleção Centenário. Organizada sob a direção de Afrânio Coutinho, a edição de 901 páginas reuniu em um único volume os livros, o jornalismo, as conferências e os textos em prosa ainda não compilados de Arinos.[34]
Em 2006, Walnice Nogueira Galvão preparou uma nova edição dos contos de Arinos sob o título Contos: Pelo sertão, Histórias e paisagens, A rola encantada. O volume contém os doze contos de Pelo sertão, cinco de Histórias e paisagens e "A rola encantada", conto manuscrito publicado pela primeira vez em 1990.[35]
Academia Brasileira de Letras
[editar | editar código]Em fevereiro de 1901, Arinos foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Em 31 de dezembro daquele ano, a Academia Brasileira de Letras o elegeu como o segundo ocupante da cadeira 40. Sucedeu ao amigo e aliado político Eduardo Prado, morto quatro meses antes. Olavo Bilac recebeu formalmente Arinos em 18 de setembro de 1903.[1][36]
Arinos dedicou grande parte do discurso de posse a Prado. Apresentou o monarquismo de Prado como uma defesa dos costumes brasileiros e da continuidade política e empregou o termo "americanismo" para o trabalho de formar nações nas Américas a partir de suas populações, territórios e costumes existentes. O discurso levou para a Academia as ideias políticas compartilhadas pelos dois escritores.[37] Bilac respondeu que a ficção de Arinos lhe havia conquistado a cadeira. Destacou os contos "Pedro Barqueiro" e "Assombramento" e rejeitou a afirmação modesta de Arinos de que sua amizade com Prado explicava a eleição.[38]
Em 9 de novembro de 1907, Arinos recebeu o almirante Artur Jaceguai na cadeira 6. Sua resposta recorreu ao serviço de Jaceguai na Guerra do Paraguai e a seus escritos sobre a história naval brasileira. Arinos também advertiu que uma academia poderia tornar-se refúgio de ideias já rejeitadas por uma geração mais jovem e argumentou que a instituição deveria permanecer aberta a trabalhos situados fora das belas-letras.[39][40]
Últimos anos e morte
[editar | editar código]Arinos mudou-se para Paris em 1904 e abriu uma empresa de importação e exportação. Ele e Antonieta recebiam escritores brasileiros de passagem pela cidade, entre eles Graça Aranha e o jovem Alceu Amoroso Lima. Seu sobrinho Rodrigo Melo Franco de Andrade viveu com o casal de 1910 a 1914, enquanto cursava o ensino secundário. Arinos não tinha filhos e considerava Rodrigo como um filho.[5][6]
Arinos visitava o Brasil quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, e permaneceu no país. Entre fevereiro e dezembro de 1915, ministrou seis conferências sobre lendas e tradições populares brasileiras em São Paulo. A Sociedade de Cultura Artística recebeu quatro delas, enquanto o Theatro Municipal de São Paulo recebeu duas. Arinos organizou um sarau musical no teatro em 28 de dezembro para encerrar o curso. Os músicos vieram do Rio de Janeiro sob a direção do violonista João Pernambuco. Mário de Andrade, então aluno do conservatório de música da cidade, compareceu ao sarau.[5]
Também proferiu a conferência A unidade da pátria em Belo Horizonte, em 1915. Arinos apresentou o deslocamento de pessoas entre as regiões do Brasil e pelo sertão como a força que mantinha o país unido, ao mesmo tempo que criticava as elites instruídas por ignorarem esse trabalho.[11][5]
No início de 1916, Arinos embarcou para a Europa. Adoeceu a bordo e morreu depois de chegar a Barcelona, Espanha, em 19 de fevereiro de 1916. Tinha 47 anos.[1][2]
Grande parte de seus escritos ainda permanecia inédita. Três livros foram publicados em 1917: o drama histórico O contratador de diamantes, a conferência A unidade da Pátria e Lendas e tradições brasileiras. Este último resultou das conferências de 1915 e foi publicado pela Sociedade de Cultura Artística. O romance histórico O mestre de campo apareceu em 1918, seguido de Histórias e paisagens, em 1921.[25][31]
Recepção
[editar | editar código]Reações contemporâneas
[editar | editar código]Os contos de Arinos atraíram atenção antes da publicação de Pelo sertão. "A esteireira" obteve o segundo lugar entre mais de noventa trabalhos em um concurso promovido pela Gazeta de Notícias em 1894. Joaquim Alves, escrevendo em A Semana, considerou excessivamente violenta e inverossímil sua história de ciúme e assassinato. Arinos respondeu com o ensaio "Nacionalização da arte", no qual argumentou que a crítica decorria do desconhecimento do sertão e que a ficção brasileira deveria extrair seus temas do próprio país.[11]
A recepção de "Pedro Barqueiro" foi mais calorosa. Depois que o conto apareceu na Revista Brasileira em janeiro de 1895, Bilac escreveu a Arinos que o havia lido três vezes e o incluía entre as melhores obras de ficção então escritas no Brasil.[21] Bilac voltou a esses contos em seu discurso na Academia, em 1903, quando chamou Arinos de escritor nacional e fundamentou esse juízo em Pelo sertão, sobretudo em "Pedro Barqueiro" e "Assombramento".[38]
Avaliação crítica e edições
[editar | editar código]O rótulo regionalista orientou grande parte da crítica sobre Arinos. Lúcia Miguel Pereira elogiou sua capacidade de escrever personagens humanos e o mundo natural como partes da mesma cena.[1] Alfredo Bosi valorizou a precisão e a contenção dos contos de Pelo sertão, sobretudo nas representações de tropeiros, trabalhadores rurais e feitores, embora tenha considerado algumas passagens excessivamente ornamentadas.[41]
A crítica posterior questionou as histórias literárias que descartavam a escrita regionalista da passagem do século como pitoresca ou maneirista. Juliana Santini argumenta que essa abordagem deixa pouco espaço para as tensões sociais e os experimentos formais encontrados nos escritores do período.[42] Ricardo Souza de Carvalho também considera o regionalismo uma categoria estreita demais para Arinos. Lê os contos, os ensaios políticos e as conferências de 1915 como partes da corrente nacionalista das letras brasileiras e examina sua recepção por Bilac e Mário de Andrade.[21]
Alceu Amoroso Lima publicou em 1922 o primeiro estudo em livro sobre Arinos, sob o nome Tristão de Athayde. A obra elogiava a escolha do sertão como matéria literária e apresentava Arinos como um dos primeiros defensores de uma literatura nacional.[43][11] O Instituto Nacional do Livro publicou Obra completa em 1969, sob a direção de Afrânio Coutinho. O volume reuniu a ficção, o teatro, os discursos e os textos em prosa ainda não compilados.[44] Walnice Nogueira Galvão preparou a introdução de uma nova seleção de seus contos, publicada pela Martins Fontes em 2006.[5]
Leituras de Os jagunços
[editar | editar código]A publicação de Os jagunços em 1898, quatro anos antes de Os Sertões, de Euclides da Cunha, inseriu a obra nas discussões críticas sobre as primeiras respostas literárias a Canudos. O romance havia aparecido primeiro em folhetim em O Comércio de São Paulo e foi publicado em dois volumes pela tipografia do jornal sob o nome Olívio de Barros.[22]
Flávio Raimundo Giarola lê o romance como uma tentativa de observar o Brasil a partir do interior e como um ataque a uma república que excluía a população sertaneja. Arinos atribuiu a destruição de Canudos ao abandono governamental e à força militar e escreveu com simpatia por seus habitantes. A solução que propunha ainda era a assimilação. Esperava que os sertanejos ingressassem na civilização e na ordem nacional que, em sua avaliação, a República não conseguira estender até eles.[13]
A cronologia levou críticos a examinar possíveis relações entre Os jagunços e Os Sertões. César Gonçalves de Oliveira estuda materiais de Arinos e Bilac que podem ter chegado a Euclides antes da publicação de seu livro.[45] Leopoldo Bernucci também discute relações intertextuais entre as duas obras. Suas formas diferem: Arinos escreveu abertamente um romance, enquanto Euclides reuniu argumentação científica, narrativa histórica e prosa literária em um livro cujo gênero permanece em discussão.[46]
Homenagens
[editar | editar código]O antigo arraial de Barra da Vaca, no noroeste de Minas Gerais, recebeu o nome de Arinos em 1923, quando passou à condição de distrito de São Romão. A denominação homenageava Afonso Arinos. O distrito foi elevado à categoria de município em 1962 e sua administração foi instalada em 1º de março de 1963.[47]
No atual município de Comendador Levy Gasparian, no estado do Rio de Janeiro, a antiga estação ferroviária e localidade de Barra Longa também recebeu o nome de Afonso Arinos em homenagem ao escritor. A localidade tornou-se o segundo distrito do município quando Comendador Levy Gasparian foi criado em 1991.[48][49]
Na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte, encontra-se um monumento ao escritor executado pelo escultor Celso Antônio de Menezes e inaugurado em 1º de agosto de 1929. A obra consiste em uma coluna de granito encimada por um medalhão com o retrato de Arinos. Suas faces apresentam representações de um buriti solitário, em referência ao conto “Buriti perdido”.[50]
Em 2011, uma lei estadual deu o nome Centro Estadual de Educação Continuada Afonso Arinos à instituição pública de ensino fundamental e médio situada no município de Arinos. [51]
Ver também
[editar | editar código]- Regionalismo, movimento literário associado à ficção de Arinos
- Literatura do Brasil, tradição literária na qual Arinos atuou
- Guerra de Canudos, tema do romance Os jagunços de Arinos
- Afonso Arinos de Melo Franco (sobrinho), sobrinho e homônimo
- Affonso Arinos de Mello Franco, sobrinho-neto e homônimo
- Afrânio de Melo Franco, irmão mais novo
- Rodrigo Melo Franco de Andrade, sobrinho
Referências
[editar | editar código]Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «Afonso Arinos: biografia». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 13 de maio de 2026
- 1 2 «Afonso Arinos». Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Itaú Cultural. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 10 de junho de 2025
- 1 2 «Afrânio de Melo Franco» (PDF). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, Fundação Getulio Vargas. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 5 de junho de 2026
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- ↑ «Histórico». Faculdade de Direito da UFMG. Universidade Federal de Minas Gerais. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 16 de abril de 2026
- ↑ «Afonso Arinos». Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, Fundação Getulio Vargas. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 20 de julho de 2026
- ↑ «Rodrigo Melo Franco de Andrade». Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Itaú Cultural. Consultado em 20 de julho de 2026
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- ↑ Pimenta, Fernando Januário (2022). «O conto Assombramento, de Afonso Arinos: o medo, a mente e o horror entre símbolos e sombras». Literartes. doi:10.11606/issn.2316-9826.literartes.2022.188028. Consultado em 20 de julho de 2026
- 1 2 3 4 Carvalho, Ricardo Souza de (2008). «Através do Brasil com Afonso Arinos». Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (46): 201–216. doi:10.11606/issn.2316-901X.v0i46p201-216. Consultado em 20 de julho de 2026
- 1 2 3 «Os jagunços». Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Universidade de São Paulo. 1898. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 20 de maio de 2025
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- 1 2 Bilac, Olavo (18 de setembro de 1903). «Discurso de recepção a Afonso Arinos». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 20 de julho de 2026
- ↑ «Artur Jaceguai». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2025
- ↑ Afonso Arinos (9 de novembro de 1907). «Discurso de recepção a Artur Jaceguai». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 17 de março de 2026
- ↑ Bosi, Alfredo (2006). História concisa da literatura brasileira 43 ed. São Paulo: Cultrix. p. 210
- ↑ Santini, Juliana (2011). «A Formação da Literatura Brasileira e o regionalismo». O Eixo e a Roda: Revista de Literatura Brasileira. 20 (1): 69–85. doi:10.17851/2358-9787.20.1.69-85. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 27 de novembro de 2025
- ↑ «Bibliografia: Alceu Amoroso Lima». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 19 de maio de 2026
- ↑ «Obra Completa: Afonso Arinos». Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos. Universidade Federal de Santa Catarina. 1969. Consultado em 20 de julho de 2026
- ↑ Oliveira, César Gonçalves de (2009). «Estilhaços literários da Guerra de Canudos». Em Tese. 13: 14–23. doi:10.17851/1982-0739.13.14-23. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 29 de abril de 2025
- ↑ Bernucci, Leopoldo M. (1998). «A ontologia discursiva de Os sertões». História, Ciências, Saúde – Manguinhos. 5 (suplemento): 57–72. doi:10.1590/S0104-59701998000400004. Consultado em 20 de julho de 2026
- ↑ «História da cidade de Arinos-MG». Prefeitura Municipal de Arinos. 30 de maio de 2019. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 13 de junho de 2024
- ↑ «Afonso Arinos». Estações Ferroviárias do Estado do Rio de Janeiro. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 10 de fevereiro de 2026
- ↑ «Lei nº 1.923, de 23 de dezembro de 1991» (PDF). Governo do Estado do Rio de Janeiro. Consultado em 20 de julho de 2026
- ↑ «Monumento à Affonso Arinos». Portal Oficial de Belo Horizonte. Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte. Consultado em 20 de julho de 2026. Cópia arquivada em 15 de março de 2026
- ↑ «Lei nº 19.506, de 19 de maio de 2011». Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Consultado em 20 de julho de 2026
Leitura adicional
[editar | editar código]- Carvalho, Ricardo Souza de (2008). «Através do Brasil com Afonso Arinos». Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (46): 139–159. doi:10.11606/issn.2316-901X.v0i46p139-159. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2025
- Lazzari, Alexandre (2004). «Longe do sertão: literatura, política e nacionalismo em Afonso Arinos». Topoi
- Sertão e identidade nacional em Afonso Arinos (Tese). Universidade Federal do Espírito Santo
- «Pelo sertão». Literatura Brasileira: Textos Literários em Meio Eletrônico. Universidade Federal de Santa Catarina. Cópia arquivada em 15 de novembro de 2025
Ligações externas
[editar | editar código]- Afonso Arinos na Academia Brasileira de Letras
- Afonso Arinos na Enciclopédia Itaú Cultural
- Pelo sertão na coleção digital Literatura Brasileira, da Universidade Federal de Santa Catarina
- Os jagunços no catálogo da Fundação Biblioteca Nacional
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1901 — 1916 |
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- Mortos em 1916
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