Beto Richa

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Beto Richa
56.º Governador do Paraná
Período 1º de janeiro de 2011
até 6 de abril de 2018
Vice-governador Flávio Arns (2011-2014)
Cida Borghetti (2015-2018)
Antecessor Orlando Pessuti
Sucessor Cida Borghetti
79.º Prefeito de Curitiba
Período 1º de janeiro de 2005
até 30 de março de 2010
Vice-prefeito Luciano Ducci
Antecessor Cássio Taniguchi
Sucessor Luciano Ducci
Vice-Prefeito de Curitiba
Período 1º de janeiro de 2001
até 1º de janeiro de 2005
Prefeito Cássio Taniguchi
Antecessor Algaci Tulio
Sucessor Luciano Ducci
Secretário de Obras Públicas de Curitiba
Período 1º de janeiro de 2001
até outubro de 2001
Prefeito Cássio Taniguchi
Deputado Estadual do Paraná
Período 1º de fevereiro de 1995
até 1º de janeiro de 2001
Dados pessoais
Nome completo Carlos Alberto Richa
Nascimento 29 de julho de 1965 (53 anos)
Londrina, Paraná, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Arlete Vilela Richa
Pai: José Richa
Alma mater Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Cônjuge Fernanda Richa
Partido PSDB (1992-1994)
PTB (1994-2000)
PFL (2000-2002)
PSDB (2002-presente) [1]
Religião Católico
Profissão Engenheiro civil e político

Carlos Alberto Richa, mais conhecido como Beto Richa, (Londrina, 29 de julho de 1965) é um político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi governador do Estado do Paraná entre janeiro de 2011 e abril de 2018. Na manhã do dia 11 de setembro de 2018 foi detido pelo GAECO, a pedido do Ministério Público do Paraná, e foi alvo de busca e apreensão da 53° fase da Operação Lava Jato,[2] sendo solto em 15 de setembro de 2018, por decisão do ministro do STF Gilmar Mendes.[3]

Primeiros anos e educação[editar | editar código-fonte]

Descendente de imigrantes árabe[4]-libaneses,[5] Richa é filho de José Richa, ex-governador do Paraná (1983-1986),[6][7] e de Arlete Vilela Richa. Seus avós paternos eram imigrantes árabes de origem libanesa.[8][9]

É casado com a bacharel em direito[10] Fernanda Bernardi Vieira Richa,[5] de uma notável família paranaense, sendo filha do banqueiro Tomás Edison de Andrade Vieira e da professora Didi Bernardi.[11] Ela é neta de Avelino Antônio Vieira, político e banqueiro, dono do Bamerindus e sobrinha do senador e ministro José Eduardo de Andrade Vieira.[12] Beto e Fernanda tiveram três filhos:[13] André Richa, Rodrigo Richa e Marcello Richa, ex-presidente nacional da juventude do PSDB.[14]

Em Londrina iniciou os estudos do ensino fundamental na Escola Estadual Hugo Simas[15]. Quando adolescente mudou-se para Curitiba, onde frequentou o ensino médio no Colégio Bom Jesus[16]. Formou-se em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)[17].

Vida pública[editar | editar código-fonte]

Sua primeira disputa eleitoral foi em 1992, sendo candidato a vereador em Curitiba pelo PSDB, obtendo em sua primeira eleição 1.882 votos. Com isso não conseguiu se eleger vereador faltando 240 votos e ficou como primeiro suplente do partido. Na época, Richa tinha 27 anos.[18]

Em 1994, foi eleito deputado estadual com 22 mil votos.[19] Quatro anos mais tarde, foi reeleito com 44.839 votos, tendo recebido o dobro de votos da primeira eleição que disputou.[20]

Beto Richa foi escolhido em 2000 para ser o candidato a vice-prefeito de Cassio Taniguchi.[21] Eleito, assumiu no primeiro ano de mandato a Secretaria Municipal de Obras Públicas.[22]

Em 2002 candidatou-se ao governo do estado do Paraná pelo PSDB e obteve 888.796 votos, alcançando a terceira posição daquele pleito.[23] No ano seguinte, reassumiu a vice-prefeitura de Curitiba.[24]

Em 2004, aos 39 anos, Richa derrotou o candidato do Partido dos Trabalhadores, Ângelo Vanhoni, na eleição municipal de Curitiba, elegendo-se prefeito com 494.440 votos, 54,78% do total.[25]

Em 2008, com a elevada aprovação dos curitibanos e com o apoio de lideranças importantes do Paraná, Beto Richa foi reeleito prefeito de Curitiba ainda no primeiro turno com 778.514 votos, que equivalem a 77,27% dos votos válidos, derrotando a candidata do Partido dos Trabalhadores Gleisi Hoffmann, que ficou com a segunda colocação com 18,17% dos votos.[26][27]

Em 30 de março de 2010, renunciou ao mandato na Prefeitura de Curitiba para concorrer ao Governo do estado do Paraná[28] e em 3 de outubro de 2010 foi eleito governador do estado no primeiro turno[29], com 3.039.774 de votos.[30][31]

No dia 5 de outubro de 2014, foi reeleito governador do Estado do Paraná no primeiro turno com 3.301.322, que representam 55,67% dos votos válidos, sendo que o senador Roberto Requião ficou com 1.634.316 (27,56%) e a senadora Gleisi Hoffmann com 881.857 (14,87%).[32]

Deputado estadual[editar | editar código-fonte]

Durante dois mandatos na Assembleia Legislativa do Paraná, Beto Richa apresentou grande número de projetos, muitos deles resultaram em leis. Algumas foram exemplares para o País, como a Lei 11.255/94 que garantiu indenizações às famílias de ex-presos políticos[33]. Outra importante lei é a 11.562/96 que obriga as instituições financeiras a instalar câmeras e sistema de monitoramento nos caixas eletrônicos e manter um vigilante durante o período de funcionamento do serviço[34].

No seu segundo mandato na Assembleia Legislativa do Paraná, Beto Richa aprovou mais de 20 projetos, os quais foram transformados em leis. Também é de autoria de Richa a lei que instituiu o Fundo Estadual de Prevenção ao Uso de Drogas (Funpred).[35]

Ainda como deputado, integrou as Comissões Permanentes da Assembleia Legislativa. Foi vice-presidente da Comissão de Finanças e membro das Comissões de Constituição e Justiça, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, e de Direitos Humanos e da Cidadania. Foi suplente das Comissões de Turismo e Saúde Pública[36].

Prefeitura de Curitiba[editar | editar código-fonte]

Em sua primeira gestão, quando assumiu a frente executiva da prefeitura municipal, Richa aprofundou o acervo de políticas públicas da cidade, orientado pelo planejamento ambiental e focou na construção de convergências estruturais nas relações sociais, econômicas e culturais.

Esta nova hierarquia se rege pelo desenvolvimento sustentável e determinou uma série de investimentos em infraestrutura social e urbana. Às regiões com os menores indicadores de desenvolvimento humano foram direcionados 70% dos recursos orçamentários, destacadamente nas áreas de educação, saúde, moradia popular, segurança alimentar, proteção social, transporte público e estrutura viária.[37]

Ainda na primeira gestão, criou a Secretaria Antidrogas, que atua na prevenção e conscientização contra o tráfico e o consumo de drogas, através de programas dirigidos a jovens e adolescentes residentes nos bairros socialmente mais vulneráveis.[38]

A prioridade no combate à exclusão foi harmonizada com o desenvolvimento econômico, assim como com a preservação ambiental.

Beto Richa intensificou o diálogo com a população, promovendo, em quatro anos, 245 audiências públicas – realizadas em todos os 75 bairros de Curitiba -, nas quais as comunidades organizadas puderam participar diretamente da definição do orçamento e dos programas e políticas públicas municipais.[39]

Richa concluiu a primeira etapa da Linha Verde, obra viária de 9,2 quilômetros de extensão que integra a cidade, institui o sexto corredor de transporte público e estimulou a criação de um novo eixo de desenvolvimento econômico. A obra, planejada por governos anteriores, foi executada por Beto Richa e custou aos cofres públicos 154 milhões de reais[40].

Governador do Paraná[editar | editar código-fonte]

Beto Richa assumiu o governo do Paraná em 1 de janeiro de 2011, tendo como principais bandeiras priorizar as áreas de educação, saúde, segurança pública, proteção social, agricultura e infraestrutura.[41][42]

Já no primeiro ano de mandato anunciou a criação do programa Paraná Competitivo para incentivar o setor produtivo a atrair novas indústrias. Modernizou o parque industrial paranaense,[43] criou o programa Paraná Seguro com a contratação de dez mil policiais e forte incremento no orçamento da secretaria de segurança pública[44] e implantou medidas para minimizar os efeitos das chuvas no litoral paranaense.[45]

O programa Paraná Competitivo atraiu mais de R$ 20 bilhões para o Paraná, gerando empregos principalmente no interior do estado que representa 65% dos cerca de 280 mil novos postos de trabalho abertos.[46]

Já o programa Paraná Seguro incorporou 3.127 militares, além de novos policiais civis e bombeiros. Além também da renovação da frota de viaturas com a aquisição de 1.470 novos veículos.[47]

Lançou o programa Mãe Paranaense[48] para reforçar o atendimento a gestantes e recém nascidos, tendo como resultado a redução da mortalidade materna em 40%.[49]

O programa Família Paranaense foi criado com o intuito de desenvolver políticas públicas para atender famílias em alto risco de vulnerabilidade social. Uma das metas é resolver o problema de habitação de 100 mil famílias paranaenses até 2014.[50]

Em sua gestão, Beto Richa, destinou cerca de R$ 1,5 bilhão para os 399 municípios em repasses a fundo perdido, convênios e financiamentos, sendo considerado um governador municipalista. Com o Plano de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios (PAM), estão sendo destinados R$ 150 milhões a fundo perdido para cidades com menos de 50 mil habitantes.[51]

Em dezembro de 2011, o Ibope apontou Richa como o segundo mais popular governador do Brasil, alcançando 74% de aprovação, perdendo somente para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos[52]. Em fevereiro de 2013, o Ibope apontou sua aprovação em 73%.[53]

Sua gestão a frente do executivo paranaense ocorreu entre 1 de janeiro de 2011 e 6 de abril de 2018, renunciando ao cargo para concorrer a uma vaga ao Senado Federal nas eleições de outubro de 2018.[54]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Confronto com professores[editar | editar código-fonte]

Em 29 de abril de 2015, servidores do estado do Paraná, liderados por professores e alunos da rede estadual, se mobilizaram para uma manifestação contra o projeto de lei que promovia mudanças no custeio do Regime Próprio da Previdência Social dos servidores estaduais. No ato,[55] os manifestantes foram reprimidos pela Tropa de Choque ao permanecerem em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). 213 pessoas, entre manifestantes e policiais, foram feridas. Não se via tal episódio no Paraná desde 30 de agosto de 1988, quando os professores em greve também foram reprimidos pela polícia no governo de Álvaro Dias (PSDB).[56] A grande repercussão teve proporções nacionais e internacionais.[57] Em entrevista Richa culpou o confronto aos black blocs.[58] Um vídeo divulgado na Internet mostra a reação de pessoas de dentro do Palácio Iguaçu comemorando a ação dos policiais reprimindo os manifestantes no Centro Cívico.[59]

No sábado anterior ao ato contra o projeto, o governo solicitara reforço para a Câmara legislativa do estado, a fim de garantir que seu projeto fosse votado.[55]

No dia 30 de abril de 2015, um dia após o conflito, e após os deputados votarem a favor do projeto, o governador sancionou o projeto de lei que promove mudanças no custeio da Paraná Previdência. Em fevereiro, ele havia retirado outro projeto apresentado na Assembleia e fez modificações antes de submetê-lo novamente à votação, após os servidores estaduais ocuparem o plenário da Assembleia em meio à votação.[60]

Condenação por uso de verbas em viagem oficial[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2018, foi condenado em segunda instância por realizar uma parada em Paris por dois dias com o uso de dinheiro público em rota para missão oficial na China.[61]

Prisão[editar | editar código-fonte]

Em 11 de setembro de 2018, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) prendeu-o a pedido do Ministério Publico do estado do Paraná. Detiveram-se também sua esposa, Fernanda Richa, e seu ex-chefe de gabinete do estado do Paraná, Deonlison Roldo.[2] Richa ainda foi alvo da Operação Lava Jato no mesmo dia. A operação investiga o envolvimento de funcionários públicos e empresários com a empreiteira Odebrecht no favorecimento de licitação para obras na rodovia estadual PR-323. [62]

Referências

  1. Gazeta do Povo (06/2012). «A nau dos incoerentes». gazetadopovo.com.br. Consultado em 29 de maio de 2015  Verifique data em: |data= (ajuda)
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  3. Ederson Hisin (15 de setembro de 2018). «Ex-governador Beto Richa deixa a prisão após decisão de Gilmar Mendes». G1. Globo.com. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  4. Chico Marés (2 de maio de 2016). «Com Temer, Brasil pode ter primeiro presidente sírio-libanês de sua história». Gazeta do Povo. Consultado em 3 de junho de 2018 
  5. a b Governo do Paraná. «Governador Carlos Alberto Richa». Casa Civil do Paraná. Consultado em 3 de junho de 2018 
  6. Mari Tortato (18 de dezembro de 2003). «Tucano José Richa morre aos 69». Folha de S.Paulo. Consultado em 3 de junho de 2018 
  7. Elizabete Castro (18 de dezembro de 2003). «Sepultamento de José Richa reúne lideranças políticas». Tribuna do Paraná. Consultado em 3 de junho de 2018 
  8. Claudio Ribeiro (28 de março de 2017). «Comunidade árabe recebe homenagem da Assembleia Legislativa». Assembleia Legislativa do Paraná. Consultado em 3 de junho de 2018 
  9. Reinaldo Bessa (10 de outubro de 2017). «Comunidade judaica apresenta projeto Sefer Torá a Beto Richa e Rafael Greca». Gazeta doo Povo. Consultado em 3 de junho de 2018 
  10. «Quem é a Secretária». Secretaria da Família e Desenvolvimento Social. Consultado em 3 de junho de 2018 
  11. Aroldo Mura G. Haygert (5 de fevereiro de 2016). «Fernanda Richa: a nova escola de promoção social». Revista Ideias. Consultado em 3 de junho de 2018 
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  13. Sandro Moser. «Família Richa custará R$ 1,5 milhão por ano aos cofres públicos». Gazeta do Povo. Consultado em 24 de dezembro de 2010 
  14. Johnny Willian Soares (30 de maio de 2011). «Marcello Richa é o novo presidente nacional da juventude do PSDB». blogdojohnny.com.br. Consultado em 10 de maio de 2013 
  15. Fábio Campana (18 de fevereiro de 2013). «Beto em Londrina». fabiocampana.com.br. Consultado em 10 de maio de 2013 
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  53. «Ibope aponta favoritismo de tucano na sucessão». Site Bem Paraná. 28 de fevereiro de 2013 
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  61. «Beto Richa é condenado em 2ª instância; PSOL pedirá impugnação da candidatura - Política - Estadão». Estadão 
  62. «Beto Richa é preso junto com esposa em Curitiba». Exame. Abril. Consultado em 11 de setembro de 2018 

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