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Os Ricos também Choram

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Disambig grey.svg Nota: Se procura pela telenovela mexicana do mesmo nome, veja Los ricos también lloran.
Os Ricos também Choram
Logotipo da novela
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Drama
Duração 60 minutos
Criador(es) Gustavo Reiz
Aimar Labaki
Baseado em Los ricos también lloran, de Inés Rodena
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Jacques Lagoa
Luiz Antônio Piá
Henrique Martins
Roteirista(s) Marcos Lazarini
Elenco Thaís Fersoza
Márcio Kieling
Felipe Folgosi
Ludmila Dayer
Mika Lins
Jonas Bloch
Françoise Forton
Glauce Graieb
Milena Toscano
Fernando Pavão
Flávia Monteiro
Thierry Figueira
Nicola Siri
(ver mais)
Tema de abertura "Pensando em Ti", Márcia
Tema de encerramento "Pensando em Ti", Márcia
Exibição
Emissora de televisão original Brasil SBT
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 18 de julho de 200514 de janeiro de 2006
N.º de episódios 153
Cronologia
Esmeralda
Programas relacionados Los ricos también lloran
María la del Barrio

Os Ricos também Choram é uma telenovela brasileira produzida pelo Sistema Brasileiro de Televisão, cuja exibição ocorreu entre 18 de julho de 2005 e 14 de janeiro de 2006, totalizando 153 capítulos, não cumprindo com o proposto inicialmente — a previsão era de 167 capítulos,[1] às 21h, substituindo Esmeralda[1][2] e sendo substituída por Mariana da Noite.[3][4] A obra é um reboot de Los ricos también lloran, uma telenovela mexicana escrita por Inés Rodena. A novela foi escrita por Gustavo Reiz e Aimar Labaki, com supervisão de texto de Marcos Lazarini, direção de Jacques Lagoa, Luiz Antônio Piá e Henrique Martins, direção de teledramaturgia de David Grimberg e direção de núcleo de Fernando Rancoletta.

Thaís Fersoza interpreta a personagem principal Mariana Martins, numa trama que narra a história da jovem expulsa da fazenda onde nasceu pela viúva do coronel, sem saber que é filha deste proprietário. Márcio Kieling e Felipe Folgosi vivem os irmãos que encaram o triângulo amoroso com a moça. O elenco ainda conta com Ludmila Dayer, Mika Lins, Françoise Forton, Jonas Bloch, Glauce Graieb, Milena Toscano, Fernando Pavão, Flávia Monteiro, Thierry Figueira e Nicola Siri nos papeis centrais.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

A trama se inicia em 1914 na Fazenda São Pedro, interior de São Paulo, onde o Coronel Evaristo Martins (Flávio Galvão) comanda um império de milhares de pés de café, sendo o maior produtor da região. Ele é casado com a amarga Esther (Mika Lins), a qual nunca amou de verdade, mas acaba se apaixonando pela camponesa Esperança (Juliana Almeida), com quem vive um tórrido amor proibido. A moça descobre que está gravida e acaba morrendo ao dar à luz Mariana (Thaís Fersoza), que cresce na fazenda como uma órfã. Após 18 anos Mariana se tornou uma moça pobre e infeliz por nunca ter conhecido os pais, mas dona de uma beleza sem igual. Profundamente amargurado pela crise que assola o mercado cafeicultor no início da década de 1930, Evaristo comete suicídio, mas deixa em testamento metade de sua fortuna para a filha bastarda, a qual registra reconhecer. Ao descobrirem a verdade, Ester e sua filha, Sofia (Ludmila Dayer), expulsam Mariana da fazenda e se mudam para a cidade de Ouro Verde, onde tentam de toda forma desfazer o testamento antes que a moça o descubra.

Mariana acaba indo para Ouro Verde também, onde conhece o doce e bondoso Bernardo (Felipe Folgosi), que a ajuda e promete cuidar dela, lutando contra todos que tentarem prejudicá-la. Apesar de não ama-lo, Mariana fica encantada por ele e decide dar uma chance aos bons sentimentos do rapaz. Porém, alguns dias depois, ela conhece Alberto (Márcio Kieling), um conquistador que não se prende a mulher nenhuma e pretende usá-la também, mas a qual acaba se apaixonando e ela por ele. Antes que possa explicar a situação Bernardo apresenta a moça para a família como sua noiva. Nesta ocasião ela descobre que Alberto é, na verdade, irmão de Bernardo. Neste mesmo tempo explode a Revolução Constitucionalista de 1932 e Aberto parte para a guerra na tentativa de fugir dos sentimentos por Mariana e não magoar o o irmão, sem saber que ela está esperando por sua volta.

Bernardo e Alberto são filhos do Coronel Antônio Domingues (Jonas Bloch), um dos mais poderosos homens da cidade de Ouro Verde. A maior rivalidade do Coronel é Arabela Guedes (Françoise Forton), uma viúva forte e decidida, herdeira dos negócios e da política do seu falecido marido, que tem pretensão de concorrer com ele pela liderança da cidade. Uma rivalidade temperada pelo amor que eles compartilharam na juventude, até o coronel decidir deixá-la e se casar com a rígida Maria José (Glauce Graieb). Outro ponto crucial da cidade é a pensão de Dona Gênova (Marcela Muniz), que reúne os mais diversos tipos de pessoas, incluindo o médico Ulisses (Fernando Pavão) e os golpistas Samuel (Joaquim Lopes) e Hugo (Celso Bernini), que estão disfarçados como mulheres – Daphne e Josefina – para fugirem da polícia. É lá que Mariana vai morar e onde se torna grande amiga de Martina (Milena Toscano), que a ajuda a descobrir mais sobre seus pais e seu passado.

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Produção[editar | editar código-fonte]

A arquitetura de São Paulo na década de 1930 foi utilizada como base para a cenografia da novela.

A obra é um reboot de Los ricos también lloran, telenovela mexicana escrita por Inés Rodena, que também serviu de inspiração para a trama mexicana Maria do Bairro. A gravação era para ser iniciada em 2003, mas a emissora teve dificuldades de adquirir os direitos da novela, conseguindo-o apenas no final de 2004.[5] Gustavo Reiz e Aimar Labaki ficaram responsáveis por escrever a versão brasileira, tendo ainda a supervisão de texto de Marcos Lazarini – originalmente a supervisão seria de Doc Comparato, que acabou sendo dispensado pela emissora após diversas problemáticas.[5] A direção geral ficou por conta de Jacques Lagoa, Luiz Antônio Piá e Henrique Martins, enquanto a direção de teledramaturgia por David Grimberg e direção de núcleo por Fernando Rancoletta.[5] Diferentemente da original mexicana, que se passava na atualidade, a versão foi adaptada como uma trama de época. Na sinopse original, os autores pretendiam ambientada-la na década de 1920 e abordar a Semana de Arte Moderna, a chegada do cinema ao Brasil, a expansão da fotografia e a ebulição que São Paulo estava passando.[5] Porém como esses temas acabaram sendo abordados um ano antes na minissérie Um Só Coração, da Rede Globo, a equipe alterou a ambientação para os anos 1930 e mostrou a Crise de 1929 provocada pelo crash da bolsa de Nova Iorque, que atingiu as fazendas de café.[5]

Estavam previstos 167 capítulos, ao custo de aproximadamente R$ 75 mil cada um,[1] O investimento no total, cerca de R$ 13 milhões.[6] As gravações começaram no dia 20 de maio de 2005 em uma fazenda em Amparo (130 km da capital paulista).[1] Para dar características mais nacionais, os nomes dos personagens foram trocados. O sobrenome da protagonista na versão mexicana, era Villareal e foi modificado para Martins na produzida no Brasil.[5] Teodoro Cochrane, Sabrina Greve, Kelen Varella, Patrícia Winceski e Marina Filizola fizeram testes para o elenco, mas não passaram.[7]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2004, Doc Comparato tinha sido contratado pelo SBT como consultor de teledramaturgia. Promoveu oficinas de atores, adaptou o primeiro capítulo da telenovela e trabalhava no projeto de uma minissérie chamada O Palácio, mas devido a desentendimentos acabou demitido. Marcos Lazzarini foi convocado a adaptar a trama no lugar de Doc.[5] O SBT o demitiu em 18 de março de 2005. Comparato foi "escoltado" por seguranças até a portaria da emissora, "Nunca fui tão humilhado, ofendido e repudiado. Tenho prêmios internacionais", disse.[8] A emissora alegou justa causa por uma carta de rescisão por descumprimento contratual e cobrando do autor a multa contratual. O documento o acusa de se recusar a "promover a adaptação de novela" (Os Ricos Também Choram) e de provocar "dificuldades e conflitos de relacionamentos" com "discussões verbais" de "conteúdo ofensivo".[8] Comparato negou que tenha se recusado a adaptar a novela, "É mentira, já entreguei dois capítulos", também afirmou que a crise foi causada pela falta de roteiristas que ele formou na emissora que foram para a Rede Record e que a contratação de Marcos Lazarini — vindo da Record e que no SBT foi o autor da adaptação de Seus Olhos — não foi de seu gosto.[8]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Thaís Fersoza Mariana de Sá Martins
Márcio Kieling Alberto Domingues
Felipe Folgosi Bernardo Domingues
Ludmila Dayer Sofia Ribeiro Martins
Mika Lins Esther Ribeiro Martins
Françoise Forton Arabela Guedes
Jonas Bloch Coronel Antônio Domingues
Glauce Graieb Maria José Domingues
Milena Toscano Martina
Fernando Pavão Dr. Ulisses Gava
Flávia Monteiro Olga
Thierry Figueira Pedro
Nicola Siri Nino
Joaquim Lopes Samuel / Daphne
Celso Bernini Hugo / Josefina
Marcela Muniz Gênova Rios (Dona Gênova)
Jiddu Pinheiro Agustin
Karla Tenório Inês
César Pezzuoli Sr. Salgado
Ildi Silva Kemi
Magali Biff Otávia
Carla Fioroni Nenê
Guilherme Trajano Luís Carlos
Phil Miler Adolfo Coimbra
Ana Paula Vieira Rita
Fernando Neves Epitácio Moreira
Débora Gomez Gina
Manuela Duarte[9] Joana
Graça Andrade Tiana
Walter Cruz Juvenal da Costa
Vanessa Guimarães Aparecida
Ana Fuser Solange
Guga Dalla Vecchia Ricardo
Anastácia Custódio Lia
Patrícia Gaspar Tolosa
Edson Montenegro Aldeniy
Nany di Lima Mira

Participação especial[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Flávio Galvão Coronel Evaristo Martins
Juliana Almeida Esperança de Sá
Rafinha Bastos Médico

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

Horário # Eps. Estreia Final Temporada Classificação geral
Data Primeiro

capítulo

Data Último

capítulo

Segunda - Sábado 20:30
153 18 de julho de 2005 17 14 de janeiro de 2006 9 2005 - 2006 9

Os Ricos também Choram teve boa recepção e seu primeiro capítulo registrou 17 pontos, 11 pontos a mais que o primeiro capítulo de sua antecessora, Esmeralda.[2] Porém a novela teve uma gradativa queda na audiência e, em agosto, marcava 7 pontos.[10][11][12] Por conta dos índices, o SBT resolveu encurtar a telenovela.[6][13] Em seu último capítulo alcançou 9 de média, tendo uma queda de 11 pontos em comparação ao final de Esmeralda, que marcara 18 pontos.[14][15]

Avaliação em retrospecto[editar | editar código-fonte]

Os Ricos também Choram teve uma avaliação negativa de público e crítica. A novela enfrentou o protesto de telespectadores que assistiram à versão original na década de 1980. A queixa mais constante do público é que o folhetim não segue o roteiro original e que as tramas paralelas criadas para dar tempero brasileiro ao enredo não surtiram efeito. O fato de transportar a história - originalmente ambientada em 1979 - para os anos 30 também não agradou.[6] As críticas chegaram até mesmo na maquiagem, onde o uso de pó de arroz e o batom, que eram pesados na época em que se passa a trama, foram alvos de comentários do colunista da Veja, Ricardo Valladares, que escreveu, "Mulheres bonitas são um atrativo de qualquer novela. Essa regra de ouro parece ter sido esquecida pela direção de Os Ricos Também Choram, do SBT. Em vez de ressaltarem os encantos das atrizes do folhetim das 9 - e elas certamente os têm -, iluminação e maquiagem estão conspirando para enfeá-las. A emissora argumenta que na década de 30, quando se passa a história, era exatamente daquele jeito que as mulheres se vestiam e se pintavam. O pó-de-arroz e o batom eram pesados mesmo, e a novela só está oferecendo aos seus telespectadores uma reconstituição de época fiel. Louvável e verdadeiro - mas aí está um ponto em que um pouquinho de infidelidade não faria mal. Se a trama é dos anos 30, as atrizes não precisam dar a impressão de que nasceram todas naquela década. A mais prejudicada talvez seja Ludmila Dayer, que interpreta uma vilã, a arrogante Sofia. Há quem diga que ela pulou diretamente do papel de "Ninfa Bebê" - sua personagem ultra-sensual na novela Senhora do Destino, da Rede Globo - para o de "Ninfa Vovó". Detalhes às vezes fazem toda a diferença".[16]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Os Ricos também Choram
Trilha sonora de Vários artistas
Lançamento 4 de novembro de 2005[17]
Gênero(s) Vários
Idioma(s) Português
Gravadora(s) SBT Music / Universal
Lista de faixas
Ouça o artigo (info)
Este áudio foi criado a partir da revisão datada de 17 de janeiro de 2013 e pode não refletir mudanças posteriores ao artigo (ajuda com áudio).

Tema de abertura

Márcia interpretou o tema de abertura "Pensando em Ti", cuja abertura recebeu o prêmio Promax realizado nos Estados Unidos.

Referências

  1. a b c d Mary Persia (16 de julho de 2005). «Repaginada, "Os Ricos Também Choram" estréia na 2ª». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  2. a b «"Os Ricos Também Choram" tem boa audiência». Agência Estado. Estadão. 20 de julho de 2005. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  3. «SBT encurta 'Os ricos também choram' e estréia novela mexicana». O Globo. Gazeta do Povo. 30 de dezembro de 2005. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  4. Andréia Takano (16 de janeiro de 2005). «SBT estréia Mariana da Noite». Ofuxico. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  5. a b c d e f g «Bastidores de Os Ricos Também Choram». 27 de dezembro de 2012 
  6. a b c Keila Jimenez (15 de outubro de 2005). «Silvio Santos também chora». O Estado de São Paulo. TV-Pesquisa. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  7. Daniel Castro (10 de março de 2005). «Net quebra exclusividade dos canais HBO». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 29 de janeiro de 2014 
  8. a b c Daniel Castro (21 de março de 2005). «SBT demite autor Doc Comparato por 'justa causa'». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 29 de janeiro de 2014 
  9. «Atores Talentos». Monte Negro e Raran. 27 de novembro de 2014. Consultado em 28 de novembro de 2014 
  10. «"Os Ricos Também Choram" despenca audiência do SBT». Terra Networks. 14 de setembro de 2005. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  11. «Ladeira». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa. 16 de novembro de 2005. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  12. Daniel Castro (14 de setembro de 2005). «Novela despenca e SBT perde 13% à noite». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  13. Daniel Castro (14 de outubro de 2005). «Aborto». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  14. «Último capítulo de Os Ricos Também Choram garante boa audiência para o SBT». Área Vip. 16 de janeiro de 2006. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  15. «Esmeralda bate recorde de audiência no último capítulo». Área Vip. 16 de janeiro de 2006. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  16. Ricardo Valladares (31 de agosto de 2005). «A conspiração do pó-de-arroz». Veja. TV-Pesquisa. Consultado em 12 de setembro de 2015 
  17. «"Os Ricos Também Choram" ganha CD com trilha sonora». Área Vip. 4 de novembro de 2005. Consultado em 12 de setembro de 2015