COVID-19

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a doença. Para o vírus, veja SARS-CoV-2. Para a pandemia atualmente em curso, veja Pandemia de COVID-19.
COVID-19
Imagem de viriões de SARS-CoV-2 obtida por microscópio eletrónico de varrimento, em que se observa partículas virais a emergir de uma célula
Sinónimos Doença respiratória aguda por 2019-nCoV
Especialidade Infectologia
Sintomas Febre, tosse, falta de ar[1][2]
Complicações Pneumonia, SDRA, sepse, choque séptico, morte
Início habitual 2–14 dias após exposição ao vírus[1]
Causas SARS-CoV-2
Fatores de risco Idade avançada, doenças crónicas graves como doenças cardiovasculares, diabetes ou doenças pulmonares[3]
Método de diagnóstico Exame PCR[4]
Prevenção Lavar frequentemente as mãos com sabonete ou solução à base de álcool, tapar nariz e boca com o cotovelo ou lenço ao espirrar e tossir, evitar contacto próximo com pessoas infetadas, máscara cirúrgica, evitar sair de casa[5][6]
Tratamento Sintomático e de apoio
Frequência 1 345 048[7] casos confirmados desde dezembro de 2019
Mortes 74 565[7] (3–4% dos casos confirmados)[8]
Classificação e recursos externos
DiseasesDB 60833
eMedicine 2500114
MeSH C000657245
A Wikipédia não é um consultório médico. Leia o aviso médico 

COVID-19 (do inglês Coronavirus Disease 2019) é uma doença infeciosa causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).[9][10] Os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar.[1][2] Cerca de 80% dos casos confirmados são ligeiros ou assintomáticos e a maioria recupera sem sequelas.[2][8] No entanto, 15% são infeções graves que necessitam de oxigénio e 5% são infeções muito graves que necessitam de ventilação assistida em ambiente hospitalar.[8] Os casos mais graves podem evoluir para pneumonia grave com insuficiência respiratória grave, falência de vários órgãos e morte.[2][11]

A doença transmite-se através de gotículas produzidas nas vias respiratórias das pessoas infetadas.[2][12] Ao espirrar ou tossir, estas gotículas podem ser inaladas ou atingir diretamente a boca, nariz ou olhos de pessoas em contacto próximo.[2][13] Estas gotículas podem também depositar-se em objetos e superfícies próximos que podem infetar quem nelas toque e leve a mão aos olhos, nariz ou boca, embora esta forma de transmissão seja menos comum.[2][13] O intervalo de tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é de 2 a 14 dias, sendo em média 5 dias.[1][14][15] Entre os fatores de risco estão a idade avançada e doenças crónicas graves como doenças cardiovasculares, diabetes ou doenças pulmonares.[3] O diagnóstico é suspeito com base nos sintomas e fatores de risco e confirmado com ensaios em tempo real de reação em cadeia de polimerase para deteção de ARN do vírus em amostras de muco ou de sangue.[4]

Entre as medidas de prevenção estão a lavagem frequente das mãos, evitar o contacto próximo com outras pessoas e evitar tocar com as mãos na cara.[16] A utilização de máscaras cirúrgicas é recomendada apenas para pessoas suspeitas de estar infetadas ou para os cuidadores de pessoas infetadas, mas não para o público em geral.[17][18] Não existe vacina ou tratamento antiviral específico para a doença. O tratamento consiste no alívio dos sintomas e cuidados de apoio.[19] As pessoas com casos ligeiros conseguem recuperar em casa.[20] Os antibióticos não têm efeito contra vírus.[2]

O SARS-CoV-2 foi identificado pela primeira vez em seres humanos em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China.[2] Pensa-se que o SARS-CoV-2 seja de origem animal.[21] O surto inicial deu origem a uma pandemia global que à data de 7 de abril de 2020 tinha resultado em 1 345 048[7] casos confirmados e 74 565[7] mortes em todo o mundo.[22] Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam várias doenças respiratórias, desde doenças ligeiras como a constipação até doenças mais graves como a síndrome respiratória aguda grave (SARS).[23] Entre outras epidemias causadas por coronavírus estão a epidemia de SARS em 2002-2003 e a epidemia de síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) em 2012.[2]

Sinais e sintomas

Sintomas mais comuns de COVID-19
Frequência dos sintomas[24]
Sintoma Percentagem
Febre 87,9%
Tosse seca 67,7%
Fadiga 38,1%
Expectoração 33,4%
Falta de ar 18,6%
Dores musculares ou nas articulações 14,8%
Garganta inflamada 13,9%
Dor de cabeça 13,6%
Calafrios 11,4%
Náuseas ou vómitos 5,0%
Congestão nasal 4,8%
Diarreia 3,7%
Tosse com sangue 0,9%
Congestão conjuntival 0,8%

A gravidade dos sintomas varia, desde sintomas ligeiros semelhantes à constipação até pneumonia viral grave com insuficiência respiratória potencialmente fatal.[25] Em muitos casos de infeção não se manifestam sintomas. Nos casos sintomáticos, os sintomas mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar.[1][26][27] Entre outros possíveis sintomas menos frequentes estão garganta inflamada, corrimento nasal, espirros ou diarreia.[28]

Entre os sinais de emergência que indicam a necessidade de procurar imediatamente cuidados médicos estão a dificuldade em respirar ou falta de ar, dor persistente ou pressão no peito, confusão, ou tom azul na pele dos lábios ou da cara.[1] Entre as possíveis complicações estão pneumonia grave, falência de vários órgãos e morte.[29][30]

O período de incubação entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é, em média, de 5 dias, embora possa variar entre 2 e 14 dias.[31][1] A doença é contagiosa durante o período de incubação, pelo que uma pessoa infetada pode contagiar outras antes de começar a manifestar sintomas.[1]

Causas

Partículas de SARS-CoV-2 (a amarelo) a emergir de uma célula humana. Imagem obtida por microscópio eletrónico de varrimento com coloração digital

A COVID-19 é causada pela infeção com o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).[32] O vírus transmite-se através de gotículas produzidas nas vias respiratórias das pessoas infetadas.[2][12] Ao espirrar ou tossir, estas gotículas podem ser inaladas ou atingir diretamente a boca, nariz ou olhos de pessoas em contacto próximo.[2][13] Estas gotículas podem também depositar-se em objetos e superfícies próximos que podem em seguida infetar quem nelas toque e leve a mão aos olhos, nariz ou boca, embora esta forma de transmissão seja menos comum.[2][13]

Os fatores de risco são idade superior a 65 anos, doenças subjacentes de elevado risco, contacto próximo com um caso confirmado, residência ou viagem para um local de transmissão comunitária ativa nos últimos 14 dias e residência num lar de terceira idade.[25] Entre as doenças subjacentes de elevado risco estão doenças respiratórias, doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e doença renal ou hepática.[25]

O SARS-CoV-2 pode manter-se ativo de várias de horas a dias em gotículas e superfícies. É detectável em aerossóis por até três horas, até quatro horas em cobre, até 24 horas em papelão e até dois a três dias em plástico e aço inoxidável.[33]

Mecanismo

O SARS-CoV-2 afeta principalmente os pulmões. O vírus entra no corpo pelo nariz, boca ou olhos e infeta células que produzem uma proteína denominada enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2). A ACE2 é mais abundante nas células alveolares do tipo II dos pulmões. O vírus liga-se à célula fundindo a sua membrana lipídica com a membrana da célula e em seguida começa a libertar o seu ARN. A célula lê o ARN viral e começa a produzir proteínas que inibem o sistema imunitário e ajudam a produzir novas cópias do vírus. Cada célula infetada pode produzir e libertar milhões de cópias do vírus antes de morrer, infetando novas células e causando sintomas respiratórios.[34][35] À medida que o vírus infeta cada vez mais células alveolares, a doença pode evoluir para insuficiência respiratória grave e morte.[36] O vírus pode também infetar as células do coração, abundantes em ACE2, causando doença cardíaca. Os sintomas respiratórios e o prognóstico são mais graves em pacientes com doenças cardiovasculares, o que pode estar associado a uma maior secreção de ACE2 neste pacientes em comparação com pessoas saudáveis.[37] A densidade de ACE2 em cada tecido está correlacionada com a gravidade da doença nesse tecido.[38][36]

O vírus pode também afetar os órgãos gastrointestinais, uma vez que a ACE2 é expressa em abundância nas células glandulares do epitélio gástrico, duodenal e retal[39] e nas células endoteliais e Enterócitos do intestino delgado.[40][41] O vírus foi observado em fezes, estando a ser investigada a hipótese de transmissão fecal-oral.[42][39] Cerca de 17% dos pacientes continua a apresentar o vírus nas fezes mesmo após já não o apresentar no sistema respiratório.[39][41]

Diagnóstico

Kit de diagnóstico de COVID-19 por reação em cadeia de polimerase via transcriptase reversa (rRT-PCR) em tempo real

A OMS publicou vários protocolos de diagnóstico.[43][44] A doença pode ser confirmada através de um exame de reação em cadeia de polimerase via transcriptase reversa (rRT-PCR) em tempo real.[45]

O diagnóstico da doença pode ser suspeito com base na combinação de sintomas, fatores de risco e de uma TAC ao tórax que mostre sinais de pneumonia.[46][47] O diagnóstico pode ser confirmado com um exame de reação em cadeia de polimerase via transcriptase reversa (rRT-PCR) ao exsudado nasofaríngeo ou a uma amostra de secreções do trato respiratório, ficando os resultados disponíveis após algumas horas a dois dias. Podem também ser usados ensaios imunológicos para deteção dos anticorpos numa amostra de sangue, ficando os resultados disponíveis após alguns dias.[48][49] Os resultados demoram geralmente de algumas horas a alguns dias.[50][51]

Os critérios de diagnóstico definidos pelo hospital da Universidade de Wuhan sugerem métodos de deteção de infeções com base nas características clínicas e risco epidemiológico. Os critérios consistem em identificar pacientes com pelo menos dois dos seguintes sintomas, além de historial de deslocações para a província de Wuhan ou contacto com outros pacientes infetados: febre, achados imagiológicos sugestivos de pneumonia, concentração de glóbulos brancos normal ou inferior ao normal, ou contagem de leucócitos inferior ao normal.[46]

Prevenção

Prevenir um pico de infecções, prática também conhecida como achatar a curva epidemiológica, ajuda a evitar que os serviços de cuidado com a saúde sejam sobrecarregados, e também provê mais tempo para que vacinas/tratamentos sejam desenvolvidos. O mesmo número de pessoas infectadas espalhadas por um período mais longo de tempo permite com que os serviços de saúde gerenciem melhor o volume de pacientes.[52][53]

Entre as medidas de prevenção para diminuir a possibilidade de ser infetado estão lavar frequentemente as mãos com sabão e água quente, evitar tocar nos olhos, nariz ou boca com as mãos por lavar, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel ou com o cotovelo ao espirrar e tossir e evitar o contacto próximo com pessoas doentes.[5][54][55] Recomenda-se que a lavagem das mãos demore pelo menos 20 segundos, especialmente após usar a casa de banho, antes das refeições ou após assoar o nariz, tossir ou espirrar.[54] Quando não está disponível água ou sabonete, recomenda-se o uso de solução desinfetante para as mãos com pelo menos 60% de álcool.[54] Em caso de surto, as autoridades de saúde recomendam medidas de distanciamento social, como manter-se em casa e sair apenas quando necessário, evitar o contacto próximo com outras pessoas, evitar viagens e eventos públicos e o encerramento de escolas e locais de trabalho.[5][56]

A utilização de máscaras cirúrgicas é apenas recomendada nos casos em que a pessoa apresenta sintomas de infeção respiratória, como tosse ou espirros, em casos suspeitos de COVID-19 ou em pessoas que prestem cuidados a suspeitos de COVID-19.[5][6]

Não existe vacina contra a doença.[5] Embora haja várias em desenvolvimento, prevê-se que só estejam disponíveis em 2021.[57] Até estar disponível uma vacina, as autoridades de saúde tentam diminuir o ritmo de contágio para diminuir o pico da curva epidemiológica, um processo denominado "achatar a curva".[53] Diminuir o ritmo de novas infeções diminui o risco de sobrecarga dos serviços de saúde, o que permite melhor tratamento dos casos em curso e atrasa casos adicionais até estar disponível um tratamento ou vacina.[53]

Prevenção em casos suspeitos ou confirmados

No caso de suspeita da doença, as autoridades recomendam que a pessoa coloque imediatamente uma máscara e telefone para uma linha de assistência antes de se deslocar a um estabelecimento de saúde.[5][56] Nos casos em que a pessoa esteja infetada ou suspeite de estar infetada, as autoridades de saúde recomendam que sejam tomadas medidas de prevenção adicionais para evitar contagiar outras pessoas.[20] Entre estas medidas de prevenção adicionais estão evitar o uso de transportes públicos, usar máscara durante o contacto com outras pessoas, permanecer numa divisão isolada caso partilhem a casa com mais pessoas e, se possível, usar instalações sanitárias separadas, evitar partilhar objetos pessoais e limpar com sabão ou detergente e depois desinfetar diariamente as superfícies frequentemente tocadas na divisão de isolamento, como telefones, comandos, bancadas, tampos, maçanetas, sanitários, teclados e mesas de cabeceira.[20] É ainda recomendado aos cuidadores que usem máscara.[20]

Tratamento

Os casos graves requerem administração de oxigénio (na imagem) e os casos críticos requerem internamento em unidade de cuidados intensivos[58]

As pessoas que suspeitem estar infetadas são aconselhadas a usar constantemente máscara e a contactar imediatamente um serviço de saúde para aconselhamento.[59][60] Não existe tratamento antiviral específico recomendado para a doença. O tratamento consiste em cuidados de apoio para o alívio de sintomas. Em casos graves podem ser necessários cuidados para manter as funções vitais.[60]

Cerca de 81% dos casos de COVID-19 manifestam apenas sintomas ligeiros ou doença não complicada que pode ser tratada em casa.[58] No entanto, cerca de 14% são casos graves que requerem internamento hospitalar e administração de oxigénio, e cerca de 5% são casos críticos que requerem internamento numa unidade de cuidados intensivos e ventilação assistida.[58]

Casos ligeiros

As autoridades de saúde recomendam que as pessoas com sintomas ligeiros permaneçam em casa, contactem os serviços de saúde e monitorizem a evolução dos sintomas.[20] Em casos ligeiros ou sem sintomas pode não ser necessária intervenção hospitalar, exceto nos casos em que se receie rápida deterioração ou a pessoa não se consiga deslocar ao hospital no caso de piorar.[58] As pessoas que se encontram a recuperar em casa são instruídas a isolar-se e a adotar medidas de prevenção para prevenir a transmissão do vírus a outras pessoas.[58] Os sintomas de casos ligeiros podem ser aliviados com antipiréticos como o paracetamol.[58]

É recomendado que a pessoa regresse ao hospital se a doença se agravar.[58] Entre os sinais de emergência que indicam a necessidade de procurar imediatamente cuidados médicos estão a dificuldade em respirar ou falta de ar, dor persistente ou pressão no peito, confusão, ou tom azul na pele dos lábios ou da cara.[1]

Casos graves

Em casos graves, a doença pode ser complicada por pneumonia grave com síndrome respiratória aguda grave, sepse e insuficiência de vários órgãos, incluindo insuficiência renal e insuficiência cardíaca.[58] Cerca de 14% dos casos confirmados são casos graves que requerem oxigenoterapia e cerca de 5% são casos críticos que requerem internamento numa unidade de cuidados intensivos.[25] O tempo médio desde o aparecimento de sintomas até ao internamento hospitalar é de cerca de 7 dias.[25]

O risco de doença grave ou morte é maior em pessoas de idade avançada e pessoas com comorbidades como hipertensão arterial, diabetes ou doenças cardiovasculares.[58] A OMS recomenda que as pessoas em grupos de risco sejam sempre observadas em ambiente hospitalar, mesmo que só manifestem sintomas ligeiros.[58]

A dor e a febre podem ser aliviadas com antipiréticos e analgésicos, embora as evidências atuais não apoiem a administração rotineira de antipiréticos no tratamento de febre em infeções respiratórias.[25] Alguns médicos têm sugerido que os anti-inflamatórios não esteroides como o ibuprofeno possam agravar a doença, embora não haja atualmente evidências fortes que apoiem esta hipótese.[25][61] No entanto, o ibuprofeno não é recomendado durante a gravidez ou em recém-nascidos.[25] Em alguns casos podem ser administrados medicamentos antimicrobianos para prevenir o aparecimento de infeções bacterianas.[25] Os corticosteroides não são eficazes nem recomendados.[25] Alguns antivirais existentes no mercado para outras doenças estão a ser usados de forma experimental no tratamento de COVID-19.[25]

Os pacientes com COVID-19 são monitorizados para sinais de rápida deterioração clínica.[58] Os sinais de emergência incluem ausência de respiração ou obstrução das vias aéreas, desconforto respiratório grave, cianose, choque, coma ou convulsões.[58] Em pessoas com com sinais de emergência, a OMS recomenda a desobstrução das vias respiratórias e administração de oxigénio.[58] Nos casos que não respondem a oxigenoterapia pode ser considerada ventilação mecânica.[25] Nos casos com deterioração aguda, a insuficiência respiratória progressiva e a sepse podem ser tratadas com hemodiálise, administração de vasopressores ou antimicrobianos, reanimação hídrica, intubação endotraqueal e ventilação mecânica.[25] Alguns pacientes podem necessitar de oxigenação por membrana extracorpórea.[25]

Prognóstico

Cerca de 80% dos casos confirmados são ligeiros ou assintomáticos e a maioria recupera sem sequelas.[2][8] No entanto, 15% são infeções graves que necessitam de oxigénio e 5% são infeções muito graves que necessitam de ventilação assistida em ambiente hospitalar.[8] Os casos ligeiros geralmente recuperam ao fim de duas semanas, enquanto os casos graves e críticos podem demorar de 3 a 6 semanas a recuperar.[62] Dos casos que resultaram em morte, a maior parte dos pacientes tinha o sistema imunitário debilitado por idade avançada ou problemas de saúde anteriores, como hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares.[63][64] As crianças apresentam geralmente sintomas ligeiros e uma probabilidade muito menor de desenvolver doença grave.[65][66]

Os casos mais graves podem evoluir para pneumonia grave com insuficiência respiratória grave, falência de vários órgãos e morte.[2][11] Entre as possíveis complicações estão sepse, coagulopatia e lesões no coração, rins e fígado.[67][68][69][70] Entre os casos que resultaram em morte, o intervalo de tempo entre o início dos sintomas e a morte tem sido de 2 a 8 semanas.[62][71] Os exames histopatológicos de autópsias revelam lesão alveolar difusa com exsudatos celulares fibromixoides em ambos os pulmões. Foram também observadas alterações citopáticas virais nos pneumócitos. A aparência do pulmão era semelhante à da síndrome respiratória aguda grave.[62] Em 11,8% das mortes reportadas pela Comissão Nacional de Saúde da China, as lesões no coração estavam associadas a níveis elevados de troponina ou parada cardíaca.[37]

Em pessoas com menos de 50 anos de idade, o risco de morte é inferior a 0,5%, enquanto em pessoas com mais de 70 é superior a 8%.[65][66] A mortalidade é influenciada pelos recursos médicos e socioeconómicos de determinada região.[72] As estimativas da taxa de mortalidade da doença variam significativamente, devido não só às diferenças regionais nos cuidados de saúde[73] mas também devido a dificuldades metodológicas. Muitos dos casos ligeiros ou assintomáticos não chegam a ser contabilizados, o que pode fazer com que a taxa de mortalidade seja sobrestimada.[74] Por outro lado, o facto de as mortes serem o resultado de infeções contraídos no passado pode significar que as taxas de mortalidade atuais são subestimadas.[75][76]

Embora ainda não haja dados específicos para a COVID-19, com base nos dados de outros vírus semelhantes, como o da SARS ou MERS, é possível que as grávidas estejam em maior risco de desenvolver infeção grave.[77][78] É provável que fumar esteja associado a pior prognóstico.[79]

Desconhece-se ainda se contrair uma infeção proporciona ou não imunidade eficaz e a longo prazo em pessoas que recuperam da doença.[80]

Taxa de mortalidade do COVID-19 por grupo etário por país
Idade 80+ 70-79 60-69 50-59 40-49 30-39 20-29 10-19 0-9
China (à data de 11 de fevereiro)[81] 14,8 8.0 3,6 1,3 0,4 0,2 0,2 0,2 0,0
Itália (à data de 9 de março)[82] 13,2 6,4 2,5 0,2 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0
Coreia do Sul (à data de 12 de março)[83] 8,2 4,8 1,4 0,4 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0
Taxa de mortalidade de COVID-19 em casos com outras doenças pré-existentes[84]
Doença Hipertensão arterial Diabetes Doenças cardiovasculares Doença respiratória crónica Cancro Sem outras doenças
Mortalidade 6,0 7,3 10,5 6,3 5,6 0,9

Epidemiologia

A taxa de letalidade da COVID-19 depende da qualidade dos serviços de saúde, da resposta das autoridades, da média de idades e saúde da população e do número dos casos não diagnosticados.[85][86][87] Num relatório de 6 de março, a OMS estimava a taxa bruta de mortalidade (número de mortes divididas pelo número de casos confirmados) em 3–4%.[8] Um artigo com revisão por pares publicado em 19 de março estima a taxa de letalidade entre todos os casos sintomáticos em 1,4% (IQR 0,9–2,1%).[88]

A velocidade de transmissão do vírus é maior em situações em que as pessoas estão em contacto próximo ou viajam para outras regiões. As restrições de viagens permitem diminuir o número básico de reprodução de 2,35 para 1,05, o que permite controlar a epidemia.[89]

Um estudo observacional com nove pessoas não encontrou evidências de transmissão vertical entre mãe e recém-nascido.[90] Um estudo descritivo em Wuhan não encontrou evidências de transmissão através de sexo vaginal, embora os autores fizessem notar que fosse possível transmissão por outras vias.[91]

História

Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam várias doenças respiratórias, desde doenças ligeiras como a constipação até doenças mais graves como a síndrome respiratória aguda grave (SARS).[23] Entre outras epidemias causadas por coronavírus estão a epidemia de SARS em 2002-2003 e a epidemia de síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) em 2012.[2]

O SARS-CoV-2 foi identificado pela primeira vez por autoridades da cidade de Wuhan, capital da província de Hubei na China, entre pacientes que tinham desenvolvido pneumonia sem causa identificável.[92] O surto inicial deu origem a uma pandemia global que à data de 7 de abril de 2020 tinha resultado em 1 345 048[7] casos confirmados e 74 565[7] mortes em todo o mundo.[22]

Pensa-se que o SARS-CoV-2 tenha origem zoonótica.[32] A primeira transmissão para seres humanos ocorreu em Wuhan, na China, em novembro ou dezembro de 2019. No início de janeiro de 2020, a principal fonte de infeção era já a transmissão entre seres humanos.[93][94]

Em janeiro de 2020, cientistas chineses publicaram a sequência de ácidos nucleicos do SARS-CoV-2 para que os laboratórios de todo o mundo pudessem desenvolver testes PCR para detectar infecção pelo vírus.[95][96] Em 18 de março de 2020 foi publicado o primeiro teste serológico para deteção de anticorpos no sangue.[97] Em 21 de março, a FDA aprovou o primeiro teste no ponto de atendimento.[98]

Sociedade e cultura

Desinformação

Durante a pandemia de 2019 começaram a circular nas redes sociais vários boatos, mitos e desinformação relativos à nova doença.[99] À data de março de 2020, não existiam ainda quaisquer medicamentos comprovadamente eficazes para o tratamento de COVID-19, embora estivessem vários em fase de testes.[99] É falsa a informação de que as vacinas contra a pneumonia, como a vacina contra a doença pneumocócica ou a vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b, possam proteger contra o novo vírus.[99] Não há evidências de que lavar o nariz com solução salina ou comer alho ofereçam qualquer proteção contra o novo coronavírus.[99] Os antibióticos destinam-se a tratar infeções com bactérias e não são eficazes contra vírus. No entanto, podem ser necessários em casos graves que desenvolvam outras infeções pulmonares.[99]

É falsa a informação de que apenas as pessoas idosas contraem o vírus. Embora idosos e pessoas com outras doenças crónicas como hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares sejam mais susceptíveis à infeção, o vírus pode infetar pessoas de qualquer idade.[99] É falsa a informação de que o vírus não se transmite em climas quentes. O vírus pode ser transmitido em qualquer região do mundo, incluindo regiões com clima quente e húmido.[99] É falsa a informação de que o tempo frio mate o vírus. A temperatura corporal mantém-se por volta dos 37º, independentemente do tempo ou temperatura exterior.[99] Tomar um banho quente também não previne nem mata os vírus, dado que a temperatura do corpo se mantém inalterada.[99] É falsa a informação de que os coronavírus possam ser transmitidos pela picada de mosquitos. Os coronavírus são vírus respiratórios que se transmitem por gotículas ao tossir ou espirrar.[99]

É falsa a informação de que os secadores de mãos possam matar os vírus.[99] Não devem ser usadas lâmpadas ultravioleta para esterilizar as mãos, as quais podem causar irritações na pele.[99] Os scanners térmicos são apenas eficazes para detectar pessoas com febre e não detectam pessoas infetadas que ainda não desenvolveram sintomas. O período de incubação da doença, entre a exposição ao vírus e a manifestação de sintomas como febre, é de 2 a 14 dias.[99] Espalhar álcool ou cloro pelo corpo não mata os vírus que já entraram no corpo e pode causar lesões nas mucosas.[99]

Investigação

A investigação de potenciais tratamentos teve início em janeiro de 2020, embora o desenvolvimento de novas terapêuticas possa só estar concluído em 2021.[100] No fim de janeiro, as autoridades de saúde chinesas começaram a testar os atuais tratamentos para a pneumonia em doenças causadas por coronavírus.[101] Está também a ser investigada a potencialidade terapêutica do remdesivir, um inibidor da polimerase do ARN,[102][103][104][105] e de interferão beta.[105]

Dado o seu papel na transmissão e progressão da doença, o foco de grande parte da investigação tem sido a enzima ACE2.[36]

Vacina

Ver artigo principal: Pesquisa de vacina para COVID-19

Embora não esteja ainda disponível uma vacina, várias organizações têm tentado desenvolver uma. Uma vez que tanto o SARS-CoV-2 como o SARS-CoV usam a ACE2 para invadir as células humanas, grande parte da investigação atual assenta sobre o trabalho de investigação anterior do SARS-CoV.[106] O primeiro ensaio clínico para uma vacina teve início em 16 de março de 2020 em Seattle.[107] Também a PittCoVacc, abreviação de Pittsburgh Coronavirus Vaccine, planeja solicitar a aprovação de medicamentos sob investigação do FDA antes de iniciar um ensaio clínico humano em fase I em maio ou junho de 2020.[108]

Antivirais

A OMS ainda não aprovou qualquer medicamento para o tratamento de infeções por coronavírus em seres humanos, embora as autoridades de saúde chinesa e coreana recomendem alguns.[109] À data de março de 2020 tinham já sido iniciados ensaios para determinar a eficácia de vários antivirais, entre os quais oseltamivir, lopinavir/ritonavir, ganciclovir, favipiravir, baloxavir marboxil, umifenovir e interferão alfa. No entanto, não existiam ainda dados que apoiassem a sua administração.[25]

O remdesivir e a cloroquina são eficazes a inibir coronavírus in vitro.[110] O remdesivir está atualmente em fase de ensaios nos Estados Unidos e na China.[25] Os resultados preliminares de um ensaio multicêntrico sugerem que a cloroquina é eficaz e segura no tratamento da pneumonia associada a COVID-19.[111]

Um estudo em 80 pacientes que comparou a eficácia do favipiravir em relação ao lopinavir/ritonavir, observou que o favipiracivir eliminou a presença de vírus em apenas 4 dias, em comparação com os 11 dias do grupo de controlo, e que 91,43% dos pacientes apresentavam melhorias nas TAC com poucos efeitos secundários. No entanto, as conclusões deste estudo são limitadas, por não ter sido um ensaio aleatorizado controlado com dupla ocultação.[112][113]

Um ensaio clínico não randomizado conduzido na França, testou o uso da hidroxicloroquina isolada, ou em combinação com azitromicina, comparado com um grupo de pacientes positivos que não receberam esses fármacos.[114] Apesar de os resultados demonstrarem benefícios, os problemas metodológicos gerados enfraquecem a evidência científica.[114]

Imunidade passiva

À data de março de 2020 estava a ser investigada enquanto método de imunização a transferência de sangue doado com anticorpos produzidos pelo sistema imunitário de pessoas que recuperaram de COVID-19.[115] A mesma estratégia tinha sido já tentada para a SARS.[115][116] Antecipa-se que o mecanismo de ação pelo qual a terapia com anticorpos possa mediar a defesa contra o SARS-CoV-2 seja a neutralização viral, embora possam ser possíveis outros mecanismos, como a citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos ou a fagocitose.[115] Estão também em desenvolvimento outras formas de terapia de imunidade passiva, entre as quais o uso de anticorpos monoclonais.[115]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g h i «Symptoms of Coronavirus Disease 2019 (COVID-19)». Centers for Disease Control and Prevention (CDC). 13 de março de 2020. Consultado em 14 de março de 2020 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p «COVID-19: Perguntas Frequentes». Direção-Geral da Saúde. Consultado em 14 de março de 2020 
  3. a b «People at Risk for Serious Illness from COVID-19». Centers for Disease Control and Prevention. 12 de março de 2020. Consultado em 14 de março de 2020 
  4. a b «Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença por novo coronavírus (COVID-19)». Consultado em 15 de março de 2020 
  5. a b c d e f «Coronavírus: perguntas e respostas». Direção-Geral da Saúde. Consultado em 10 de março de 2020 
  6. a b «When and how to use masks». www.who.int (em inglês). Consultado em 8 de março de 2020 
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Ligações externas

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