Cronologia do Escândalo do Mensalão em 2005

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A Cronologia do Escândalo do Mensalão foram fatos posteriores à divulgação do vídeo que deu origem ao escândalo do mensalão, durante o primeiro mandato do Governo Lula.

Dia-a-dia da crise[editar | editar código-fonte]

Maio[editar | editar código-fonte]

  • No dia 14 de maio, divulgação pela imprensa de uma gravação de vídeo na qual o ex Chefe do DECAM/ECT, Maurício Marinho, solicitava e também recebia vantagem indevida para ilicitamente beneficiar um falso empresário - na realidade o advogado curitibano Joel Santos Filho, o denunciante da corrupção, que para colher prova material do crime, faz-se passar por empresário - interessado em negociar com os Correios, mediante contratações espúrias, das quais resultariam vantagens econômicas tanto para o corruptor, quanto para o grupo de servidores e dirigentes dos Correios que o Marinho dizia representar.[1] Na negociação então estabelecida com o falso empresário, Maurício Marinho expôs, com riqueza de detalhes, o esquema de corrupção de agentes públicos existente naquela empresa pública, conforme se depreende da leitura da reportagem divulgada na revista Veja, com a capa "O vídeo da corrupção em Brasília", Edição de 18 de maio de 2005, com a matéria “O Homem Chave do PTB”, referindo-se a Roberto Jefferson, o homem por trás do esquema naquela estatal.[2]

Junho[editar | editar código-fonte]

Com o olho roxo, Roberto Jefferson depõe para a CPI dos Correios. Foto: Wilson Dias/ABr.

Julho[editar | editar código-fonte]

Cueca recheada de dinheiro - manifestação contra a corrupção em Brasília, em 17 de Agosto. Foto Lindomar Cruz/ABr.
Deputado Carlos Rodrigues chora ao depor no Conselho de Ética. Foto: José Cruz/ABr.
A ex-secretária de Marcos Valério, Fernanda Karina Somaggio. Foto: Wilson Dias/ABr.
  • No dia 17 de julho, Delúbio Soares afirma, em entrevista à Rede Globo, que a única irregularidade que teria cometido foi aquela apontada dois dias antes por Marcos Valério.[41]
  • No mesmo dia e no mesmo canal de televisão, vai ao ar entrevista concedida pelo presidente Lula quando de sua passagem por Paris. Durante a entrevista Lula afirma: “O que o PT fez no ponto de vista eleitoral o que é feito no Brasil sistematicamente por outros partidos”, em uma clara demonstração que caixa dois é normal. Falando a desgraça da mentira diz pensando alto: “A desgraça da mentira é que, ao contar na primeira, você passa a vida inteira contando mentira para justificar a primeira que contou”. Os analistas políticos e a oposição suspeitam que estas duas entrevistas, bem como a de Marcos Valério, exibida anteriormente, teriam sido orquestradas, tendo em vista que o teor de todas elas apontam que o tesoureiro do PT seria o único culpado. Esta seria uma estratégia orientada por advogados para que os supostos crimes fossem tidos como de menor gravidade.[42]
  • No dia 19 de julho, a quebra do sigilo bancário de Marcos Valério e de suas empresas traz à tona depósitos feitos a lideranças de diversos partidos, inclusive do PT: o então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP) aparece como beneficiado por um saque de R$ 50 mil, em dinheiro, feito pela sua esposa. Até então, João Paulo dizia que ela tinha ido à agência do Banco Rural apenas para pagar uma conta de televisão a cabo. Também são descobertos saques de R$ 320 mil feitos por Anita Leocádia, assessora do líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PT-BA), no valor de R$ 320 mil, bem como diversos outros saques por assessores de líderes do PT e da base aliada.[43]
  • Em 19 de julho, Silvio Pereira depõe na CPI dos Correios, contestando que tivesse toda a influência que lhe vem sendo atribuída quanto à indicação de pessoas e liberação de pagamentos por parte do governo e do PT. Amparado por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Sílvio Pereira nega-se a esclarecer a acusação de que teria ganho uma Land Rover, paga a vista feito por José Paulo, o qual é funcionário da GDK, presidida por César Oliveira, a quem Sílvio Pereira admite conhecer. Esta empresa ganhou, no ano de 2004, um contrato de R$ 90 milhões junto à Petrobras. Silvio Pereira, cujo salário como funcionário do PT é de R$ 9 mil, é acusado de ter renda incompatível com seu patrimônio, que inclui uma casa e uma cobertura em São Paulo, além de uma mansão em Ilhabela. Silvio Pereira ainda afirma que nunca ouviu falar da palavra "mensalão".[22]
Delúbio Soares, depõe na CPl dos Correios. Foto: Antonio Cruz/ABr.
  • Ainda em 19 de julho, uma das correntes internas do PT, chamada de Alternativa Socialista, anuncia seu desligamento do partido e filiação ao PSOL, legenda ainda em formação. Não é nem a primeira nem a última ocorrência de políticos se desligarem de um partido supostamente envolvido ser seguida da filiação de outro que acreditem possuir postura mais correta, mas, foi o primeiro ato em grupo desse tipo.
  • No dia 20 de julho é instalada a CPI do Mensalão.[44]
  • Em 20 de julho o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), comunica que desapareceram documentos relativos aos saques feitos pela esposa do deputado federal João Paulo Cunha (PT) da conta do empresário Marcos Valério.
  • No mesmo dia, Delúbio Soares depõe na CPI dos Correios, também amparado por habeas corpus. Reiterando a entrevista concedida à Rede Globo, Delúbio diz que ele é o único culpado pelo "caixa dois" (dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral) do PT, preferindo, contudo, usar o eufemismo "dinheiro não contabilizado". Delúbio nega a existência do mensalão.[45][46]
A ex-mulher do ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP), Maria Christina depõe no Conselho de Ética. Foto: Wilson Dias/ABr.
Renilda Santigago, esposa de Marcos Valério, chora na CPI dos Correios. Valter Campanato/ABr.

Agosto[editar | editar código-fonte]

Roberto Jefferson e José Dirceu no Conselho de Ética. Foto: Marcello Casal Jr./ABr.
Valdemar Costa Neto no Conselho de Ética. Foto: Antonio Cruz/ABr.
  • No dia 1 de agosto, ocorre a renúncia do deputado federal Valdemar Costa Neto, presidente do PL diretamente envolvido nas denúncias de Roberto Jefferson sobre recebimento do mensalão. Antes de renunciar admitiu ter recebido dinheiro indevidamente para pagar "dívidas" do partido.[62][63] Nuvola apps kaboodle.png
  • Em 2 de agosto o Presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo, afirma que sua campanha à reeleição do Governo do Estado de Minas Gerais manteve um "Caixa 2", e que recebeu dinheiro das empresas de Marcos Valério. Azeredo minimiza as acusações atribuindo-as à suposta tentativa do Governo de desviar o foco das investigações da CPI dos Correios. O parlamentar declara que "eventuais irregularidades no processo eleitoral" não podem ser confundidas com "outra coisa, mais grave e hedionda", que seria o pagamento de mesada a parlamentares para votarem em favor do Governo.
  • Em 2 de agosto, durante sessão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados do Brasil, o deputado Roberto Jefferson, reafirma na presença do ex-Ministro da Casa Civil video e deputado federal José Dirceu, a denúncia sobre o mensalão e todas as acusações que havia feito anteriormente contra a cúpula do Partido dos Trabalhadores e José Dirceu. Como novidade, Roberto Jefferson diz que sob orientação de José Dirceu, em Janeiro de 2005, emissários do PT e do PTB foram a Portugal pedir dinheiro, que seria usado para saldar as dívidas dos dois partidos, à Portugal Telecom. Durante essa sessão, Dirceu nega ter sido avisado pelo deputado federal Roberto Jefferson sobre o mensalão. O ex-ministro também nega as acusações de que ele seria o suposto mentor intelectual do esquema. A Portugal Telecom, envolvida no escândalo brasileiro, nega as denúncias de Jefferson.[64][65]
  • Em 3 de agosto a imprensa noticia que dinheiro das contas do empresário Marcos Valério foi usado para pagar os advogados de defesa do Partido dos Trabalhadores (PT) no caso do assassinato do prefeito Celso Daniel.[66][67]
  • Em 3 de agosto o ex-ministro português Antonio Mexia diz que Marcos Valério nunca apresentou-se como representante do governo brasileiro em Portugal. Mexia contradiz suas declarações feitas em julho para o jornal Expresso quando dissera que recebera Valério como "consultor do Presidente do Brasil".[68]
Brasília - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe em audiência o presidente da Portugal Telecom, Miguel Antônio Igrejas Horta Costa, no Palácio do Planalto, em 19/08/2004. Foto Ricardo Stuckert/PR.
  • Em 3 de agosto a Presidência da República do Brasil "nega enfaticamente que Marcos Valério tenha sido, em qualquer momento, autorizado a apresentar-se como "consultor do Presidente do Brasil" junto ao governo português ou em qualquer outra situação".[69]
  • Em 4 de agosto o ex-Ministro português de Obras Públicas, Transportes e Comunicações Antonio Mexia se encontra com o embaixador do Brasil em Portugal, Antônio Paes de Andrade. Mexia diz que teve "a oportunidade de manifestar ao senhor embaixador [do Brasil] o total repúdio à tentativa de envolvimento do seu nome, em questões de política interna do Brasil".[70]
  • Em 4 de agosto o então deputado Roberto Jefferson reafirmava, na CPI do Mensalão, suas denúncias e criticava duramente a atitude do colega Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. O petebista comentou em tom irônico que Valdemar é como o publicitário Duda Mendonça – conhecido apreciador de briga de galo, e ainda rasgou um documento entregue pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP)
  • Em 4 de agosto a imprensa divulga a notícia de que a agenda oficial, da época em que José Dirceu era Ministro da Casa Civil, registra que ele e o empresário Marcos Valério encontraram-se com o presidente do banco acionista da Portugal Telecom, 13 dias antes da viagem do empresário brasileiro com o tesoureiro não oficial do PTB a Lisboa, para reunirem-se com diretores da Portugal Telecom.[71][72]
  • Em 5 de agosto a Portugal Telecom repudia as insinuações de que teria algum relacionamento escuso com o empresário brasileiro Marcos Valério. O Presidente da empresa, Miguel Horta e Costa, diz que a empresa pode processar o deputado brasileiro Roberto Jefferson.[73]
Duda Mendonça chora ao lembrar a origem humilde na CPI dos Correios. Foto: Valter Campanato/ABr.
  • Em 8 de agosto Marcos Valério distribui uma nota para a imprensa em que nega a versão apresentada por Roberto Jefferson e diz que sua viagem a Portugal foi para tratar negócios com a Portugal Telecom, relacionados com a empresa Telemig Celular. Valério diz que é muito amigo do secretário e tesoureiro informal do PTB Emerson Palmieri e que este acompanhou-o em sua viagem a Lisboa para "descansar".[74]
  • Em 8 de agosto, Ricardo Machado, ex-sócio da empresa MultiAction do empresário brasileiro Marcos Valério, declara para a Polícia Federal que Valério organizava orgias com prostitutas em hotéis de luxo em Brasília. Há suspeita de que alguns políticos participaram de algumas dessas festas.[75]
  • Em 9 de agosto, Marcos Valério presta depoimento para a CPI do Mensalão. O empresário pede perdão ao povo brasileiro por ter escondido a verdade nas suas declarações anteriores. Valério nega a existência do mensalão, diz que cometeu erros, mas não reconhece ter cometido crimes. O empresário alega ter feito, a partir de 2003, seis empréstimos no Banco Rural e no BMG, no valor de R$ 55 milhões, e ter repassado os valores ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Marcos Valério declara que "Delúbio Soares e José Dirceu destruíram sua vida pessoal e empresarial".[76][77]
  • Em 10 de agosto o sócio do empresário Marcos Valério, Cristiano Paz, durante depoimento para as CPIs dos Correios e Mensalão, diz que não sabe de nada sobre as denúncias contra seu sócio.[78][79] Nuvola apps kaboodle.png
  • Em 10 de agosto o relator da CPI do Mensalão, deputado Paulo Pimenta do Partido dos Trabalhadores aparece durante uma reunião da CPI com uma lista com nomes de supostos beneficiados de Marcos Valério.[80] Os advogados de Marcos Valério dizem que a lista não é verdadeira. O presidente da comissão manda arquivar a lista devido a sérias dúvidas quanto a sua autenticidade.[81] Na mesma reunião um deputado conta que viu Pimenta encontrar-se com Marcos Valério durante a madrugada na garagem do Senado e de ter entrado no automóvel dele.[82] Nuvola apps kaboodle.png
  • Em 11 de agosto, desgastado por causa do episódio da lista apócrifa de Marcos Valério, o deputado Paulo Pimenta do Partido dos Trabalhadores renuncia ao cargo de relator da CPI do Mensalão.[81]
  • Em 11 de agosto, o publicitário Duda Mendonça depõe espontaneamente na CPMI dos Correios e acusa Marcos Valério de ter pedido para que ele abrisse uma conta num paraíso fiscal para receber o pagamento pelo seus serviços prestados ao PT nas campanhas de 2002 e 2004. O pagamento teria sido feito com dinheiro de Caixa Dois, o que comprometeria até mesmo a campanha do presidente Lula. Deputados do PT comunicam em plenário o seu desligamento da bancada petista.[83]
Em pronunciamento na televisão, Lula pede desculpas ao povo brasileiro e diz que foi traído. Foto Ricardo Stuckert/PR.
  • Em 12 de agosto, a revista Época, número 378, traz uma entrevista com o ex-deputado Valdemar Costa Neto. Costa Neto diz, segundo a revista, que Lula e José Alencar sabiam sobre uma doação de R$ 10 milhões do PT para o PL formar uma aliança que resultaria na chapa que disputaria a eleição presidencial de 2002. A Presidência da República admite a negociação e afirma que ela foi uma negociação pública normal, sem nenhum irregularidade.[84]
  • Em 12 de agosto, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pronunciamento transmitido em cadeia de televisão diz: "eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas...". Sem citar nomes ele diz: “Eu me sinto traído”.[85]
  • Em 16 de agosto, o primeiro-secretário e tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, alega para a CPI do Mensalão que viajou a Portugal na companhia de Marcos Valério para testemunhar uma reunião na Portugal Telecom, em que seria pedida ajuda financeira para o PT e PTB. Ele diz que não se considera amigo de Valério.
  • Em 16 de agosto, a CPI dos Correios ouve em São Paulo Antonio Oliveira Claramunt, o doleiro "Toninho da Barcelona", condenado a 25 anos de prisão por evasão de divisas. Toninho alega ter informações sobre movimentações financeiras no exterior feitas para políticos, pede proteção e uma redução de pena através do recurso da delação premiada.[86]
  • Em 16 de agosto, o advogado Rogério Buratti é preso em Ribeirão Preto acusado de lavagem de dinheiro. Ele trabalhou como secretário municipal de Ribeirão Preto, na gestão do então prefeito Antonio Palocci, atual ministro da Fazenda.[87]
O ex-tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, enchuga uma lágrima durante depoimento na CPI da Compra de Votos. Foto: Marcello Casal Jr/ABr.
  • Em 16 de agosto, o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas depõe para a CPI de Compra de Votos. Nervoso, entre crises de riso e algumas de choro, Lamas conta que o Presidente do PL Valdemar Costa Neto usou dinheiro do partido para mobiliar sua residência em Brasília, conforme denúncia apresentada pela ex-mulher de Valdemar, Maria Christina Caldeira. Lamas diz que esteve em dois hotéis de Brasília para receber dinheiro em nome de Valdemar Costa Neto. Segundo Jacinto Lamas, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares avisava Valdemar Costa Neto por telefone e ele, Jacinto, ia buscar os recursos sem questionar valores.[88]
  • Em 17 de agosto, a Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores torna pública uma nota em que "pede desculpas" ao povo brasileiro. Segundo a nota:"os atos que nos comprometem, moral e politicamente perante os brasileiros, foram cometidos por dirigentes do PT, sem o conhecimento de suas instâncias".[89]
  • Em 18 de agosto, o esquadrão anti-bombas da Polícia Militar do Distrito Federal explode uma bolsa encontrada dentro do Senado, suspeita de conter material explosivo. Exame posterior revelou que foi alarme falso.
  • Em 19 de agosto, Buratti faz acordo com autoridades e revela suposto esquema de recebimento de dinheiro "por fora" de diversas prefeituras do interior de Minas Gerais e São Paulo. Na parte mais explosiva de suas denúncias envolve o Ministro da Fazenda Antonio Palocci, que foi prefeito (1993-1996) de Ribeirão Preto e acusa-o de receber 50 mil reais de empresas de coleta de lixo.
  • Em 20 de agosto, o empresário Marcos Valério entra na Justiça para cobrar quase R$100 milhões do PT, que ele alega serem referentes aos empréstimos que fez para o partido.[90]
  • Em 20 de agosto, a revista Veja, edição 1919, datada de 24 de agosto de 2005, traz as denúncias de Rogério Tadeu Buratti e do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona.
  • Ainda na edição 1919, datada de 24 de agosto de 2005, na secção "Lembra do dinheiro das FARC", a revista Veja recorda notícia que publicou em março de 2005, que dizia que agentes da Abin tinham investigado durante cerca de um ano uma suspeita de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) fizeram uma contribuição de 5 milhões de dólares para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
  • Em 21 de agosto, o Ministro da Fazenda Antonio Palocci faz um pronunciamento transmitido pela televisão em que nega "com veemência" todas as acusações feitas por seu ex-assessor Rogério Tadeu Buratti. O ministro desqualifica as gravações e os emails citados na edição 1919 da revista Veja, informação divulgada por outros meios de comunicação. Ele nega ter tido contato com empresários agendados por Buratti.[91]
  • Em 23 de agosto o advogado de Buratti alega que seu cliente está doente e não pode comparecer para prestar depoimento marcado pela CPI dos Bingos. A CPI ameaça enviar uma junta médica para avaliar Buratti.[92]
  • Em 23 de agosto o ex-deputado e presidente do PL, Valdemar Costa Neto diz para a CPI dos Bingos que recebeu do tesoureiro do PT, em cheques da empresa de Marcos Valério, um total de R$ 6,5 milhões, em parcelas pagas durante 18 meses, até janeiro de 2005. Segundo Costa Neto, o dinheiro foi para pagar dívidas da campanha de Lula em São Paulo. Ele também diz que o acordo entre o PT e o PL foi normal e correto.
  • Em 24 de agosto, atendendo um pedido do governo da Colômbia, a Polícia Federal prende Francisco Antonio Cadenas Collazzos, representante das FARC.[93] Colazzos participou em março de uma festa em Brasília com integrantes do PT e de outras legendas da esquerda. Segundo relatórios de agentes da Abin, Collazzos anunciou uma doação de 5 milhões de dólares das FARC para a campanha de Lula, em 2002. Essa informação foi desmentida enfaticamente pela direção da Abin e pelo governo, que comandou uma investigação e disse que não encontrou nada.
  • Em 25 de agosto, durante a 13ª Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no Palácio do Planalto, em Brasília Lula fala que não repetirá Getúlio Vargas, Jânio Quadros ou Jango, e que seguirá o exemplo do ex-presidente Juscelino Kubitschek.[94][95]Nuvola apps kaboodle.png
  • Em 25 de agosto, Rogério Buratti presta depoimento para a CPI dos Bingos e confirma suas denúncias de irregularidades na prefeitura de Ribeirão Preto durante gestão do prefeito Antonio Palocci, atual ministro da Fazenda do Brasil.
  • Em 25 de agosto a Câmara dos Deputados concede a aposentadoria a Valdemar Costa Neto do cargo de deputado, atendendo a seu pedido. Com isso Valdemar passará a receber R$ 5.542 mensais até o fim da vida, ou até que consiga se eleger novamente.[96]
  • Em 29 de agosto o deputado André Costa (PT-RJ) anuncia sua desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT) por causa das denúncias e por não concordar com a o governo e com o partido.[97]
  • Em 30 de agosto, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Severino diz que "mensalão" não existe e defende punição branda aos acusados.[98]
  • Em 30 de agosto, durante inauguração da ampliação e modernização do aeroporto de Uberlândia, em Minas Gerais, Lula diz que "é preciso ter muita paciência para não tomar nenhuma decisão precipitada". Lula volta a citar o ex-presidente Juscelino Kubitschek.[99]
  • Em 30 de agosto Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, envia à CPI do Mensalão uma carta envolvendo mais dois partidos no suposto esquema do Mensalão: PSB e PC do B.

Setembro[editar | editar código-fonte]

Deputados comemoram a eleição do candidato do governo, Aldo Rebelo (PCdoB - São Paulo). Foto: José Cruz/ABr.
  • Em 1º de setembro as CPIs dos Correios e do Mensalão aprovam relatório que sugere a cassação de dezoito parlamentares envolvidos no escândalo. São eles Carlos Rodrigues (PL-RJ), João Magno (PT-MG), João Paulo Cunha (PT-SP), José Borba (PMDB-PR), José Dirceu (PT-SP), José Janene (PP-PR), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA), Pedro Correia (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Roberto Jefferson (PTB-RJ), Romeu Queiroz (PTB-MG), Sandro Mabel (PL-GO), Valdemar Costa Neto (PL-SP) (que já havia renunciado um mês antes), Vadão Gomes (PP-SP), Wanderval Santos (PL-SP).[100]
  • Em 1º de setembro Lula condecora diplomatas e personalidades brasileiras e estrangeiras com a medalha da Ordem do Rio Branco. Entre os agraciados está o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti.[101]
  • Em 1º de setembro João Francisco Daniel, irmão do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel, do PT, em depoimento para a CPI dos Bingos conta que o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, sabia sobre o suposto esquema de corrupção na Prefeitura administrada por seu irmão.[102]
  • Em 2 de setembro, José Alencar, vice-presidente brasileiro, se desliga do Partido Liberal.[103]
  • Em 3 de setembro, Lula assiste o jogo da seleção pela TV na Granja do Torto, ao invés no estádio de Brasília, devido à crise política.[104]
  • Em 4 de setembro, revistas brasileiras denunciam um suposto esquema de extorsão (apelidado de Mensalinho) praticado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, contra o dono de um restaurante do Congresso.[105][106][107]
  • Em 5 de setembro, o programa radiofônico de Lula, "Café com o Presidente", passa a ser semanal.[108]
  • O tradicional desfile de 7 de setembro (independência do Brasil) reúne, em Brasília, menos da metade dos que participaram da edição do ano anterior.[109][110]
  • Em 7 de setembro, Lula fala em cadeia de rádio e TV para todo o Brasil. O Presidente enaltece as realizações de seu governo e o bom desempenho da economia. Sobre a crise política, Lula afirma: "A crise política também será vencida, pelo Congresso, pelo governo e pelo povo brasileiro. Será vencida com a apuração cabal de todas as denúncias e com a punição rigorosa dos culpados. Nem eu nem vocês admitiremos qualquer contemporização, nenhum acordo subalterno. Doa a quem doer, sejam amigos ou adversários." [111]
  • Em 9 de setembro o deputado Carlos Rodrigues (do PL-RJ), também conhecido por Bispo Rodrigues), um dos dezoito que poderiam sofrer processo de cassação, decide renunciar ao mandato. A formalização do mesmo se daria na segunda-feira, de acordo com o quarto-secretário da Câmara.[112][113]
  • Em 12 de setembro é formalizada a renúncia do deputado Carlos Rodrigues.[113][114]
  • Em 13 de setembro, a criação do Partido Municipalista Renovador, legenda que Carlos Rodrigues ajuda a elaborar, é divulgada pela imprensa.[115]
Luiz Gushiken na CPI dos Correios. Foto: José Cruz/ABr.
  • Em 13 de setembro, o ex-ministro da Coordenação Política, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), declara para o Conselho de Ética que estava presente à reunião ocorrida em março de 2005, quando Roberto Jefferson avisou Lula sobre o mensalão. Segundo Rebelo, Lula ordenou uma investigação que foi arquivada por falta de provas.[116][117][118]
  • Em 14 de setembro a CPI dos Correios ouve Luiz Gushiken, ex-ministro da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica do governo (SECOM). Gushiken diz que a SECOM não exerceu nenhuma influência sobre os fundos de pensão, mas confirma ter ligações com dirigentes dessas instituições. Admite que indicou Wagner Pinheiro (da Eletros, fundo de pensão da Eletronorte) e manteve contato freqüente com Sérgio Rosa (Previ, do Banco do Brasil).[119]
  • Em 14 de setembro, a Câmara dos Deputados aprova a cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Votaram a favor da cassação: 313 deputados, contra: 156, houve 13 abstenções, 5 votos brancos e 2 votos nulos, num universo de 489 votantes.[120] Em seu último discurso na Câmara, Jefferson se defende, ataca o governo Lula, o Partido dos Trabalhadores, o Conselho de Ética e as Organizações Globo. “Tirei a roupa do rei. Mostrei ao Brasil o que é o governo Lula. Mostrei ao Brasil o que é o Campo Majoritário do PT”. “(O governo do presidente Lula) escolheu o ministro José Dirceu como uma espécie de Jeany Mary Corner. Tratou esta Casa (Congresso Nacional) como se fosse um prostíbulo”.[121]
  • Em 15 de setembro, o Partido Socialismo e Liberdade que, durante as investigações do suposto esquema de corrupção teve a sua base de políticos e simpatizantes aumentada (com destaque midiático para a corrente petista Alternativa Socialista) obtêm registro definitivo. Isso possibilita que o partido concorra nas Eleições de 2006, criando mais uma opção de oposição de "esquerda" às legendas que estariam envolvidas no Mensalão.[122]
  • Em 15 de setembro, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, nega durante uma reunião secreta da CPI dos Bingos as acusações de que integrava um esquema de arrecadação de propinas na prefeitura de Santo André.
  • Em 15 de setembro, relatório parcial da CPI dos Correios revela que oito empresas de Marcos Valério movimentaram entre 2000 e 2005 R$ 4,9 bilhões. As empresas com a maior movimentação foram a DNA (R$ 2,6 bilhões) e a SMPB (R$ 1,8 bilhão). O sub-relator da CPI deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), afirma que o resultado das investigações revela indícios de falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, improbidade administrativa e crimes contra o sistema financeiro.[123]
Toninho da Barcelona depõe para as CPIs. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr.
  • Em 15 de setembro, um dia depois se ter o mandato como deputado do PTB cassado, Roberto Jefferson dá coletiva de imprensa e diz: “Eu sabia que ia ser cassado. Só não sabia que ia ser por esse num número cabalístico. São os 300 picaretas do Lula mais 13 do PT”. Jefferson cita a frase dita por próprio Lula em 1993: “No Congresso Nacional existe os 300 picaretas” e o número 13 do partido do PT.[124]
  • Em 20 de setembro, o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, depõe para a CPI dos Correios, do Mensalão e Bingos, numa reunião conjunta. Condenado pela Justiça por crimes contra o mercado financeiro, Barcelona, descreve para as CPIs as operações de troca de dólares e lavagem de dinheiro que supostamente teria feito para o PT. Segundo Toninho da Barcelona, Marcos Valério transferia dólares de uma conta no Trade Link Bank para uma agência do Banco Rural nos EUA. Do Rural, no Brasil, o dinheiro ia para a corretora Bonus-Banval, e daí para o PT.[125][126]
  • Em 21 de setembro o Presidente da Câmara dos Deputados deputado Severino Cavalcanti renuncia. Há dias ele estava pressionado com denúncias de cobrança de propina por parte de um dono de restaurantes (ver mensalinho). Assume interinamente a Presidência o deputado José Thomaz Nonô (Partido da Frente Liberal - Alagoas).[127][128][105][129]
  • Em 21 de setembro o banqueiro Daniel Dantas afirma durante reunião conjunta das CPIs dos Correios e do Mensalão "que o governo interferiu constantemente nos fundos de pensão". Durante o depoimento os ânimos entre os políticos do governo e da oposição se exaltam.[130]

Outubro[editar | editar código-fonte]

Niterói, RJ (10/10/2005) - Lula durante lançamento do Programa de Modernização e Expansão da Frota de Petroleiros da Petrobras Transporte S/A - Transpetro. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
  • Em 2 de outubro a Folha de S.Paulo publica entrevista com o ex-secretário-geral do Partido dos Trabalhadores (PT) Silvio Pereira. Na entrevista Pereira diz que ele e outros integrantes da Executiva Nacional do PT sabiam sobre o dinheiro ilegal ("caixa dois") usado pelo partido.[140]
  • Em 3 de outubro, Silvio Pereira desmente a sua entrevista publicada pela Folha de S.Paulo no dia anterior e acusa o jornal de distorcer suas declarações. A Folha alega que a entrevista, que foi gravada, reproduz fielmente as declarações de Pereira.[141]
  • Também em 3 de outubro, Valter Pomar, terceiro vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, desmente Silvio Pereira. Pomar diz: "Silvio Pereira não é mais petista. Ele próprio afirmou que se afastava quando se comprovou um ato de corrupção dele, automóvel, quatro rodas, bonitinho." Pomar ainda diz: "Ele deveria reconhecer que já produziu um estrago muito grande no partido e ponto. Não levo a declaração a sério".[142]
  • Em 4 de outubro uma equipe da Polícia Federal reúne-se com Promotores Distritais de Nova Iorque a fim de obter documentos que auxiliem na investigação das conexões internacionais do caso do mensalão e do Banco Banestado.
O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Foto:Roosewelt Pinheiro/ABr.
O chefe do gabinete pessoal de Lula, Gilberto Carvalho na CPI dos Bingos.
O doleiro Najun Turner na CPI. Foto: Wilson Dias/ABr.
O juiz afastado João Carlos da Rocha Mattos na CPI dos Bingos. Foto: Antonio Cruz/ABr.
  • Em 25 de outubro, o juiz afastado João Carlos da Rocha Mattos declara para a CPI dos Bingos que não houve interesse das autoridades na apuração do assassinato do prefeito Celso Daniel. Rocha Matos afirma que ouviu as fitas com diálogos telefónicos entre integrantes do PT e pessoas supostamente envolvidas no assassinato do prefeito. Nas fitas, o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, supostamente orienta outras pessoas como se manifestar para a imprensa no que diz respeito ao caso Celso Daniel. Rocha Matos afirma que Gilberto Carvalho "é a chave para elucidar a morte de Celso Daniel".[168]
  • Em 26 de outubro, o Senador Geraldo Mesquita Júnior anuncia a sua desfiliação temporária do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Mesquita Júnior é acusado por um ex-funcionário de recolher todo mês 40% dos salários dos servidores de seu gabinete de Brasília.[169]
  • Em 26 de outubro há a acareação entre João Francisco e Bruno, irmãos de Celso Daniel, e o chefe de gabinete do Presidente, Gilberto Carvalho, na CPI dos Bingos.[170][171]
  • Em 26 de outubro o presidente do sindicato dos profissionais em processamento de dados do Distrito Federal Avel de Alencar, filiado ao PT, declara para a Polícia Federal ser o autor dos cartazes apócrifos contra o senador Jorge Bornhausen. De acordo com o diretor da polícia civil do DF, o funcionário da assessoria de imprensa do PT na Câmara Legislativa do Distrito Federal, Marcos Wilson, e o irmão de Avel, Avelmar, também ajudaram na produção dos cartazes. Os três disseram que fizeram os cartazes sozinhos, sem a participação do Ministro do Trabalho, Luiz Marinho e do PT. Foram confeccionados cerca de 3 mil cartazes a um custo total de R$ 1060.[172]
  • Em 27 de outubro o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) acusa o PT do Distrito Federal de estar por trás dos cartazes nazistas apócrifos. O PT do DF nega.[173][174][175]
O então Ministro da Casa Civil José Dirceu ao telefone em 31/07/2003. Foto: Marcello Casal Jr/ABr.
Brasília, 1/1/2003 - Fidel Castro, participa da cerimônia de posse de Lula. Foto: Rose Brasil/ABr.
  • Em 30 de outubro, o governo de Cuba diz que a denúncia de Veja é "caluniosa" e trata-se de uma "manobra do imperialismo contra Cuba e Lula" para desviar a atenção dos problemas enfrentados pelo Presidente George W. Bush.[181]
  • Em 31 de outubro, o cubano Sérgio Cervantes, dirigente do Partido Comunista Cubano (PCC) citado na matéria de Veja sobre a suposta doação de Cuba ao PT, deixa o Brasil sem fazer qualquer comentário oficial sobre a reportagem.
  • Em 31 de outubro, o líder do PSDB senador Arthur Virgílio (Amazonas) diz que ele e sua família estão sendo investigados e ameaçados por um suposto ex-policial contratado pelo PT. Virgílio ameaça “dar uma surra em Lula” se descobrir que o Presidente está por trás da suposta operação.[182]

Novembro[editar | editar código-fonte]

  • Em 1 de novembro, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL- BA) diz que ele, sua família e outros integrantes das CPIs são vítimas de espionagem por parte da Abin. Tal qual o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), Magalhães Neto ameaça “dar uma surra em Lula”, caso o Presidente mexa com sua família. A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) junta-se ao deputado e senador e afirma que também é capaz de “dar uma surra em Lula” se ele mexer com sua família.[183]
  • Em 1 de novembro, o Conselho de Ética decide por unanimidade o fim do processo movido pelo PTB contra o líder do PL, deputado Sandro Mabel (Goiás). Mabel é acusado pela deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) de oferecer propina para ela trocar de partido. O Conselho alega que não há provas contra Sandro Mabel e que é a palavra de um deputado contra a de outro.[184]
  • Em 2 de novembro, o presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), declara à Folha de S.Paulo que encontrou uma escuta telefônica em seu escritório.[185]
  • Em 3 de novembro, outros deputados declaram que são vítimas de escuta telefónica: o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) e o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ).[186]
  • Em 3 de novembro, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), anuncia parte do relatório parcial das atividades da CPI. Segundo Serraglio, cerca de 10 milhões de reais foram desviados do Banco do Brasil através da Visanet para as contas do empresário Marcos Valério, que por sua vez, repassou essa quantia para o PT.[187][188]
  • Em 3 de novembro, o empresário Roberto Colnaghi informa que emprestou seu avião Seneca prefixo PT-RSX, em 31 de Julho de 2002. Colnaghi não revela exatamente para quem emprestou o avião e afirma que a "identidade está implícita". O empresário diz que não sabe no que o avião foi usado.[189][190]
Lula no Roda Viva. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
  • Em 5 de novembro, o piloto Alécio Fongaro diz para Folha de S.Paulo e Veja que no dia 31 de Julho de 2002 levou no avião Seneca prefixo PT-RSX, Vladimir Poleto e mais três caixas de papelão lacradas, numa viagem de Brasília até Campinas. A rota do avião é confirmada pelo DAC.
  • Em 7 de novembro, Lula concede entrevista para a milésima edição do Programa Roda Viva da TV Cultura.[191] Lula declara que o mensalão nunca existiu e que é "folclore do Congresso Nacional" e defende o ex-ministro José Dirceu e os acusados do mensalão: “E quem tem a magnitude política é o Zé Dirceu”.[192] “O que houve foi que o Partido dos Trabalhadores, segundo nosso Delúbio, fez acordos para que a parte daquilo que a gente arrecadasse fosse dado proporcionalmente, em função da bancada dos partidos”, justificando o “repasse” de 10 milhões de reais do PT fez ao PL em 2002, deixando escapar o tesoureiro expulso do partido por “gestão temerária”. Lula muda a opinião sobre o caixa dois: “Não posso admitir que companheiros, em nome da facilidade, comecem a terceirizar campanha financeira de um partido. Por isso eu acho que fui traído por todos os que fizeram essa prática condenada pelo PT e pela sociedade brasileira”.[193]
  • Em 9 de novembro O ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (PL) declara para a CPI do Mensalão que usou caixa dois (recursos de origem não declarada) em 11 campanhas eleitorais. Adauto também confirma ter recebido R$ 410 mil de Marcos Valério por intermédio do ex-tesoureiro Delúbio Soares.[194][195]
  • Em 9 de novembro a Câmara dos Deputados aprova parecer do relator do Conselho de Ética deputado Benedito de Lira (PP-AL) pelo arquivamento da representação do PTB que pedia a cassação do mandato do deputado Sandro Mabel (PL-GO). São 340 votos a favor do arquivamento, 108 contrários e 17 abstenções.[196][197]
  • Em 9 de novembro a assessoria de imprensa da Presidência da República admite que Lula assistiu ao filme Dois Filhos de Francisco num DVD pirata. Segundo a assessoria houve uma falha da ajudância de ordens do Presidente.[198]
Rogério Buratti na CPI dos Bingos. Foto: Wilson Dias/ABr.
  • Em 10 de novembro, Rogério Buratti declara para a CPI dos Bingos que em 2002 foi consultado por Ralf Barquete (que morreu de câncer em 2004) sobre como fazer para trazer dólares do exterior. Segundo Buratti, Barquete disse que estava agindo em nome do então Prefeito Antonio Palocci, do qual era uma pessoa muito próxima. Buratti afirma que pela informação passada por Barquete, os dólares vieram e foram usados na campanha de Lula em 2002.
  • Em 10 de novembro Lula monta uma mega-operação para evitar a aprovação do requerimento que pede a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios. O governo promete liberar até R$ 1,2 bilhão em verbas para deputados e senadores que resolverem retirar suas assinaturas do requerimento que pede a prorrogação da CPI. Uma contagem feita pela Mesa da Câmara mostra que há 170 assinaturas de deputados a favor da prorrogação. Sendo 171 o número mínimo, aparentemente o governo conseguiu o seu intento de barrar a prorrogação da CPI.[199][200]
Vladimir Poleto na CPI. Foto: Wilson Dias/ABr.
  • Em 11 de novembro uma nova contagem feita pela Mesa da Câmara mostra que há 171 assinaturas de deputados a favor da prorrogação. A Secretaria-Geral da Mesa do Senado confirma a prorrogação da CPI dos Correios, por mais 120 dias. Com isso a CPI pode continuar até 11 de Abril ou 10 de Junho de 2006 (caso seja respeitado o recesso parlamentar).[201]
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  • Em 11 de novembro a CPI dos Bingos ouve Vladimir Poleto, que foi assessor do Ministro da Fazenda Antonio Palocci, em Ribeirão Preto. Poleto depõe sobre as denúncias dos dólares cubanos e de tráfico de influência junto ao Ministro da Fazenda. Protegido por um habeas corpus, Poleto declara que a entrevista dada por ele à Revista Veja (em que alega ter sido usado para transportar dólares escondidos em caixas de bebida) é falsa. Poleto diz que quando concedeu a entrevista estava completamente embriagadoNuvola apps kaboodle.png e fora de si, e que fora ameaçado pelo repórter. Poleto confirma que transportou 3 caixas de bebida de Brasília a Campinas, porém nega o transporte de dinheiro.[202][203][204][205]
  • Ainda em 11 de novembro, no mesmo instante em que Vladimir Poleto é ouvido pela CPI dos Bingos, a Revista Veja coloca em seu website a gravação da entrevista dada pelo ex-assessor de Antonio Palocci. A CPI exibe a gravação da entrevista e desmascara Vladimir Poleto. Os senadores indignados aprovam requerimento que pede ao Ministério Público a prisão de Vladimir Poleto por ele ter mentido à CPI.[206]
  • 14 de novembro, segunda-feira e véspera de feriado. Muitos deputados e senadores saem de Brasília e viajam para passar o feriado em suas terras natais. Envolvido nas denúncias de corrupção contra seus colaboradores, entre eles: Rogério Buratti e Vladimir Poleto, o ministro da Fazenda Antonio Palocci passa o dia em casa, e evita contacto com os jornalistas.
  • 15 de novembro, feriado, dia da Proclamação da República. Palocci fica em casa e recebe assessores. Ele se prepara para o depoimento que pretende fazer no dia seguinte na Comissão de Assuntos Econômicos.
  • Em 16 de novembro, pela manhã, Lula fala na 3ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília. Sem citar o nome do ministro da Fazenda Antonio Palocci, Lula elogia o atual momento da economia brasileira: "Nunca tivemos uma conjugação de fatores tão positivos neste País desde a época de JK".[207]
Ministro Antonio Palocci fala na CAE. Foto: José Cruz/ABr.
  • Em 16 de novembro, à tarde, o ministro da Fazenda Antonio Palocci comparece à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado. A ida de Palocci à CAE é antecipada visto que ela estava agendada para o dia 22 de novembro. Os senadores fazem perguntas relacionadas à Economia e não levantam questões relacionadas às denúncias de corrupção, por entender que a CPI seria o fórum mais adequado para isso.[208]
  • Em 17 de novembro chega ao fim a CPI do Mensalão, sem mesmo ter sido aprovado o seu relatório final. Os parlamentares não conseguiram obter o número de votos mínimos para a prorrogação dos trabalhos desta CPI. O relatório final lido pelo relator deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) não foi considerado válido porque foi lido um dia depois do prazo máximo para funcionamento da CPI. No relatório, Abi-Ackel declara que houve pagamentos indevidos a parlamentares, contudo prefere não chamar isso de mensalão, sob a justificativa de que nem todo os pagamentos foram mensais, sendo alguns semanais, outros quinzenais, etc.[209][210]
O "Sombra". Foto: Wilson Dias.
  • Em 17 de novembro, o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como "Sombra", depõe para a CPI dos Bingos. Ele é suspeito, segundo o Ministério Público de ter sido o mandante do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Bastante nervoso, Gomes da Silva nega seu envolvimento na morte do prefeito e na corrupção na prefeitura Nuvola apps kaboodle.png. Diz que está sendo perseguido, porém não consegue explicar aos senadores a sua movimentação bancária, nem convencê-los sobre a sua versão para o sequestro de Celso Daniel.[211]
  • Em 21 de novembro, o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP) suspende o processo movido pelo PT contra o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS). O motivo é que um laudo pericial elaborado pelo Instituto Del Picchia, em São Paulo apontou que a assinatura do então presidente do PT Tarso Genro no documento que pede o processo contra Lorenzoni é falsa. O PT moveu o processo contra Lorenzoni porque este acusou José Dirceu de omitir um empréstimo de R$ 14 mil em suas declarações de renda. O PT alega que Lorenzoni nunca deveria ter divulgado essa informação porque ela viola o direito de Dirceu ao sigilo bancário e fiscal.[212]
  • Em 21 de novembro, o deputado Roberto Brant (PFL-MG) nega para o Conselho de Ética ter alguma relação com o esquema de corrupção montado pelo empresário Marcos Valério. Brant também declara que está "sepultando a sua vida pública" e que não pretende mais se candidatar a cargos públicos.
  • Brant é o único político da oposição cujo nome aparece na lista de saques da empresa SMPB de Marcos Valério. Nela consta um saque de R$ 102 mil feita por Nestor Francisco de Oliveira, coordenador político da campanha de Brant à Prefeitura de Belo Horizonte em 2004. Segundo o assessor a doação é uma doação não contabilizada feita pela empresa siderúrgica Usiminas. Roberto Brant declara que a culpa pela irregularidade fiscal é da Usiminas e que a SMPB apenas repassou a verba.[213]
  • Em 22 de novembro, o assessor da liderança do PP João Cláudio Genu declara para o Conselho de Ética que fez saques no Banco Rural no valor total de R$ 700 mil. Ele alega que o deputado Pedro Henry (MT), para quem trabalha, não soube sobre a operação e que ela foi autorizada pelos deputados José Janene (PR) e Pedro Corrêa (PE). Na lista entregue à CPI do Mensalão pelo empresário Marcos Valério consta o nome de Genu como sacador de R$ 4,1 milhões. Genu nega ter sacado este valor e se responsabiliza pela retirada de apenas R$ 700 mil em quatro saques.[214]
  • Em 22 de novembro o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), alega para o Conselho de Ética que nunca recebeu mensalão. Corrêa afirma que recebeu apenas R$ 600 mil das contas de Marcos Valério em saques feitos no Banco Rural pelo assessor João Cláudio Genu, mais R$ 100 mil em espécie pagos pela directora financeira da agência de publicidade SMPB, Simone Vasconcelos. Segundo Corrêa, o dinheiro foi usado para pagar a defesa do deputado Ronivon Santiago (PP-AC) que responde por 36 processos judiciais no Acre. Corrêa explicou que o pagamento foi negociado entre o líder do partido na Câmara José Janene (Paraná) e o então tesoureiro do Partido dos Trabalhadores Delúbio Soares.
  • Em 22 de novembro, Paulo Okamoto, o presidente nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), explica de forma pouco convincente para a CPI dos Bingos como pagou uma dívida do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A suspeita da CPI é que Lula usou recursos públicos dos Fundo Partidário do Partido dos Trabalhadores para pagamento de contas pessoais. O PT declara que a dívida se refere a adiantamentos por viagens de Lula na condição de representante político do partido, contudo não tem nenhuma prova para mostrar, nem especifica os valores e as datas das viagens.[215][216]
  • No dia 23 de novembro há empate no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre recurso do deputado e ex-ministro José Dirceu. A defesa de José Dirceu alega que o Conselho de Ética não respeitou o direito de defesa ao não permitir que as testemunhas de defesa fossem ouvidas depois das testemunhas de acusação. Falta ainda o voto de desempate do ministro Sepúlveda Pertence que não compareceu ao STF por causa de problemas de saúde, segundo informou.[217][218]
  • No dia 24 de novembro os deputados da oposição e Conselho de Ética protestam contra o Supremo Tribunal Federal e alegam que o Poder Judiciário está a interferir no Poder Legislativo.[219]
  • Em 24 de novembro o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) declara para o Conselho de Ética que sacou R$ 50 mil da conta da agência de publicidade SMPB, do empresário Marcos Valério, no Banco Rural, sob orientação do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. Cunha alega que não sabia de nada sobre a origem ilegal do dinheiro e responsabiliza Delúbio Soares.
  • Em 24 de novembro, Lula elogia o Ministro da Fazenda Antonio Palocci e compara-o ao jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho. Lula afirma ter convicção de que a morte do prefeito Celso Daniel foi um acidente e um crime comum.[220]
  • Em 24 de novembro o senador José Sarney (PMDB-AC) telefona a vários deputados para convencê-los a votar contra a cassação de José Dirceu (PT-SP).
  • Em 26 de novembro, pelo menos 2.000 pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram de uma manifestação contra o presidente Lula na orla da zona sul do Rio pela manhã. Clarissa de Matheus, de 23 anos, organizadora do protesto batizado de "Fora, Lulla" (com ele duplo, imitando o símbolo da campanha de Fernando Collor em 1992), disse à Folha de S.Paulo ter convocado 800 integrantes da juventude do partido para o ato. Os manifestantes pediram o impeachment de Lula.[221]
  • Em 28 de novembro, Integrantes da CPI dos Bingos ouvem em São Paulo os envolvidos no assassinato do prefeito de Santo André (São Paulo), Celso Daniel. Uma nova testemunha apresenta uma nova versão para o assassinato.
  • Em 29 de novembro um popular que passeava pela Câmara dos Deputados agride o deputado José Dirceu com golpes de bengala[222] Nuvola apps kaboodle.png .
  • Em 30 de novembro o Supremo Tribunal Federal ordena a retirada do depoimento da Presidenta do Banco Rural dos autos do processo do Conselho de Ética. O Tribunal contudo autoriza a continuidade do processo do Conselho contra o deputado José Dirceu (PT-SP).[223]
  • Em 30 de novembro ocorre a sessão para votação do processo do Conselho de Ética que pede a cassação do mandato do deputado José Dirceu (PT-SP).

Dezembro[editar | editar código-fonte]

  • Em 1 de dezembro, a Câmara dos Deputados aprova o processo do Conselho de Ética contra o deputado José Dirceu (PT-SP). José Dirceu é cassado com 293 a favor da cassação e 192 contra. O voto que deu fim o mandato do Dirceu foi às 00h03min (dia 1º de dezembro). Em 30 de novembro, os horários foram: 23hs03min (Regiões Nordeste e parte do Norte), 22hs03min (Norte e Centro-Oeste) e 21hs03min (Acre e sudoeste de Amazonas), em estados que não estão no horário de verão.[224][225][226]
  • Em 1 de dezembro, o Tribunal Superior Eleitoral condena Lula a pagar uma multa no valor de R$ 30 mil por ter divulgado propaganda eleitoral antecipada. O motivo foi ter apresentado números em que compara o governo FHC (1995-2002) que eram piores e do Lula ser melhor do que o governo anterior.[227]
  • Em 1 de dezembro, o deputado João Magno (PT-MG), que aparece na lista de beneficiados de Marcos Valério diz para o Conselho de Ética que não recebeu mensalão. Ele confirma ter recebido 426 mil reais do Partido dos Trabalhadores por intermédio de Valério seguindo determinação do então tesoureiro Delúbio Soares. Magno diz que o dinheiro corresponde a "recursos não contabilizados" usados nas suas campanhas políticas.[228][229]
Marcos Valério.
  • Em 1 de dezembro, a Polícia Federal disponibiliza laudos de perícia que atestam a falsidade de 80 mil notas fiscais na contabilidade das agências de publicidade DNA Propaganda e SMPB, de propriedade de Marcos Valério.[230]
  • Ainda em 1 de dezembro, o sócio da MM Consultoria Jurídica, Valter Santos Neto, ao tentar explicar para a CPI dos Bingos o destino de R$ 5 milhões que recebeu da empresa multinacional Gtech alega ser um gastador compulsivo que precisa de tratamento psiquiátrico. Segundo Santos Neto, boa parte do dinheiro foi gasta com frivolidades, mulheres e jogo. Para a maioria dos senadores da CPI, Santos Neto era distribuidor de recursos financeiros usado a fim de subornar funcionários públicos para a Gtech.
  • Em 2 de dezembro, durante inauguração Pólo Tecnológico da TIM, em Santo André, Lula diz que até o final de sua gestão serão gerados no Brasil 5 milhões de empregos.[231]
  • Em 4 de dezembro, a imprensa informa que o PT fez um depósito de R$ 1 milhão na conta da empresa Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), de propriedade da família do Vice-Presidente e Ministro da Defesa José Alencar. O depósito, que aparece num relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foi confirmado pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares, contudo não aparece na documentação apresentada à CPI dos Correios pelo empresário Marcos Valério. A atual direção do PT não reconhece o pagamento.[232]
  • Em 6 de dezembro, a CPI dos Bingos ouve a jornalista Mara Gabrilli, que teria denunciado ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Março de 2003, na presença da primeira-dama e de assessores, todo o esquema de corrupção em Santo André. Segunda ela, as irregularidades não cessaram mesmo depois do assassinato do então prefeito Celso Daniel, em 2002. Mara acusou ainda o ex-secretário de Serviços Municipais de Santo André Klinger Luiz de Oliveir e os empresários Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva (o Sombra) de comandar o esquema de corrupção, cuja arrecadação era destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT).[233]
  • Lula afirma que levaria o deputado cassado José Dirceu no palanque, em uma afirmação direta à reeleição de 2006, defendendo o ex-deputado: “Eu levaria o José Dirceu para o palanque, até hoje nada foi provado contra ele”, em uma declaração em que o presidente ignora as acusações pesadas contra Dirceu.[234][235]
  • Em 7 de dezembro, o presidente da Coteminas Josué Gomes da Silva, que é filho do Vice-Presidente José Alencar, entrega documentos sobre o pagamento de R$ 1 milhão registrado em nome do PT para a Polícia Federal, o Ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos e para a CPI dos Correios. A CPI suspeita que pode ter havido outras fontes, além do esquema de Valério, que abasteceu o fundo ilegal (caixa dois) do PT.[236][237]
  • Em 8 de dezembro, O ex-superintendente de compliance (espécie de auditoria) do Banco Rural Carlos Roberto Godinho diz que os empréstimos do banco a Marcos Valério eram feitos "para não serem pagos". Ele disse que relatórios do banco apontavam indícios de lavagem de dinheiro na movimentação da conta da empresa de Marcos Valérios, SMPB, porque ela era pelo menos dez vezes maior que o faturamento da empresa.
  • Em 8 de dezembro, o Ministro da Fazenda Antonio Palocci recusa o convite para comparecer à CPI dos Bingos.[238]
  • Em 8 de dezembro, a Câmara Estadual de Ceará inicia o processo de cassação ao ex-presidente da câmara, José Janene. Ele é o irmão do José Genoino, acusado de receber 250 mil dólares de Marcos Valério; o assessor foi preso em julho no aeroporto por tentar embacar para Fortaleza, Ceará, os doláres na cueca e reais em mala com fundo falso sem declarar.
  • Em 9 de dezembro, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar aprova por 12 votos a 2, o pedido de cassação do mandato do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), acusado de desrespeitar a legislação eleitoral ao intermediar recursos não declarados de campanha ("caixa dois") do PT para o PTB.[239]
  • Em 13 de dezembro, a CPI dos Bingos decide ouvir o Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início de 2006.[240]
  • Em 14 de dezembro, O Plenário da Câmara dos Deputados rejeita a cassação do mandato do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG). Votaram pela cassação 162 deputados e contra 252, outros 22 parlamentares optaram pela abstenção, 8 votaram em branco e um voto foi nulo.[241]
  • Em 14 de dezembro, Roberto Jefferson entra com um recurso na Justiça para reaver o mandato.[242]
  • Em 15 de dezembro, o deputado Mauro Passos (PT-SC) entra com representação na Mesa Diretora da Câmara contra o deputado Osvaldo Biolchi (PMDB-RS). Passos acusa Biolchi de fazer "boca de urna" para Queiroz e de distribuir cédulas prontas contra a cassação entre os parlamentares.[243]
  • Em 15 de dezembro, o tesoureiro da campanha do deputado João Magno (PT-MG) à Prefeitura de Ipatinga (MG) em 2004 diz para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que recebeu R$ 350 mil da empresa SMPB, do empresário Marcos Valério.[244]
  • Em 15 de dezembro, o assessor do deputado João Magno (PT-MG) diz para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que recebeu 10 mil reais de Marcos Valério para o pagamento de fornecedores da campanha do deputado.[244]
  • Em 16 de dezembro, tem início o período de autoconvocação extraordinária do Congresso Nacional, em virtude do das CPIs e do Conselho de Ética.[245]
  • Em 16 de dezembro, no lançamento da pedra fundamental da Refinaria de Petróleo Abreu e Lima, em Ipojuca (PE), ao lado do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Lula relembra a trajetória dos ex-presidentes brasileiros Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas. Lula diz que é mais perseguido pela imprensa no Brasil do que Chávez na Venezuela.[246]
  • Em 20 de dezembro, a Câmara dos Deputados do estado brasileiro do Ceará não aceita o pedido de cassação do mandato do deputado estadual José Nobre Guimarães do Partido dos Trabalhadores (PT). Nobre Guimarães recebeu recursos do esquema de Marcos Valério além de ter tido seu assessor preso no mês de julho no Aeroporto de Congonhas com U$ 100 mil escondidos na cueca.[247]
  • Em 20 de dezembro, parlamentares do Congresso Nacional entregam para o presidente da Câmara cartão de Natal criticando a possível não punição dos envolvidos no escândalo do mensalão. O cartão tem cinco metros de comprimento e cerca de mil assinaturas e foi enviado por moradores do Rio de Janeiro. O cartão, que foi colocado na árvore de Natal do gabinete da presidência da Câmara, contém os dizeres: "Pare. Não ao valerioindulto de Natal e ao mensalão legal. Em 2006 lembraremos bem do que cada um fez".[248]
  • Em 20 de dezembro, o vice-líder do PPS deputado Raul Jungmann (PE) entrega ao presidente da Câmara requerimento que pede anulação da sessão do Plenário que resultou na absolvição do deputado Romeu Queiroz. Jungmann levanta suspeita sobre a existência de um "acordão" para abolver Queiroz e outros deputados envolvidos no mensalão.[249]
  • Em 20 de dezembro, o empresário Marcos Valério entra na Justiça de Brasília para cobrar do PT o pagamento de cerca de R$ 100 milhões referentes aos supostos empréstimos que ele alega ter feito nos bancos Rural e BMG. Valério já tinha cobrado o PT na Justiça em Agosto, mas o partido não se pronunciou, segundo informou um dos advogados do empresário.
  • Em 21 de dezembro, a CPI dos Correios divulga relatório que aponta para a existência do mensalão. O relatório identifica quatro padrões de funcionamento do esquema: pagamentos semanais para o PL, dinheiro para trocas de partido, compra de votos de parlamentares e pagamentos para o PP. Apesar de detalhar o funcionamento do esquema o relatório deixa de fora os nomes de alguns políticos do PMDB e do PT que teriam recebido dinheiro do esquema.[250]
  • Em 22 de dezembro, o presidente da CPI dos Correios senador Delcídio Amaral (PT-MS) sugere a Lula que leia o relatório da CPI: "Seria importante que o Presidente tomasse conhecimento, lesse o relatório, porque as informações são relevantes". Delcídio diz: "O relatório é muito forte. É muito difícil negar a tese de que houve o mensalão".[251]
  • Em 22 de dezembro, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) diz que não acredita na existência do mensalão: "Não acredito que os parlamentares tenham recebido dinheiro para votar matérias a favor ou contra o governo. Essa convicção eu tenho até hoje". Aldo diz que o mensalão não foi provado em nenhum lugar.[252]
  • Em 23 de dezembro, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, diz: "Não há nenhuma prova que saiu da CPI que confirme o mensalão."[253] No mesmo dia, Marcos Valério divulga nota para a imprensa negando que tenha recebido algum mensalão.[254]
  • Em 23 de dezembro, em São Paulo, Lula diz que é vítima de "inveja", enxerga "rancor" na oposição e prevê uma "guerra-santa" em 2006.[255]
  • Em 27 de dezembro, a CPI dos Correios analisa uma lista de 400 funcionários da Câmara que podem estar ligados ao esquema que alimentou o mensalão.[256]
  • Em 31 de dezembro, o deputado cassado José Dirceu passa o ano-novo junto com o escritor Paulo Coelho em Paris, França.[257]

Referências

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