Cronologia do Escândalo do Mensalão em 2006

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox grammar.svg
Esta página ou secção precisa de correção ortográfico-gramatical.
Pode conter incorreções textuais, podendo ainda necessitar de melhoria em termos de vocabulário ou coesão, para atingir um nível de qualidade superior conforme o livro de estilo da Wikipédia. Se tem conhecimentos linguísticos, sinta-se à vontade para ajudar.

Desde o anúncio do chamado escândalo do mensalão, a imprensa brasileira passou a divulgar, diariamente, ao longo do ano de 2006, notícias ligadas ao dito esquema de corrupção política.

Janeiro[editar | editar código-fonte]

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert/Abr.
  • Em 1º de janeiro, a Rede Globo apresenta, no programa Fantástico, uma entrevista do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, concedida a Pedro Bial. O presidente Lula concede entrevista para o Fantástico, por 34 minutos, com três intervalos, sem dar nenhuma explicação sobre escândalos que aterrorizaram o país em 2005. Lula evita declarar se o mensalão existiu ou não e afirma que deseja esperar o relatório final das CPIs. Confrontado pelo entrevistador Pedro Bial com o grande número de provas apresentadas pelo relatório parcial da CPI dos Correios, no fim de dezembro do ano anterior, Lula afirma que não leu o documento, explicando: "Nem poderia ler. O presidente da República tem informações dos relatórios pelos assessores". Lula diz que houve erros, tanto que houve punições: "Genoíno saiu da presidência do PT, o Silvinho não está mais no PT e o Zé Dirceu perdeu o mandato. O Delúbio saiu do PT". Na mesma entrevista, o Presidente afirma que o processo do deputado José Dirceu ainda não fora concluído. Ao ser perguntado sobre o que faria em 1º de janeiro de 2007 e se disputaria as eleições, o presidente responde que ainda não decidiu se vai ou não disputar as eleições. Lula diz que o governo não interfere negativamente nas investigações e dá a entender que antes das denúncias, não sabia nada sobre a corrupção praticada em sua gestão. Lula ainda se recusa a dizer que os nomes das pessoas que supostamente o teriam traído e afirma que "o conjunto dos acontecimentos" soou como se fosse uma "facada nas costas".[1][2]
  • Em 3 de janeiro, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), durante reunião da comissão adverte os parlamentares sobre os perigos da ocorrência de um "acordão" e o consequente descrédito dos políticos perante a opinião pública.
  • Em 4 de janeiro, o Presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), diz que não acredita na existência de um "acordão" para abafar o caso e livrar deputados da cassação.
  • No dia 5 de janeiro, segundo o Jornal do Brasil, um relatório do Tribunal de Contas da União enviado para a CPI dos Correios aponta envolvimento da agência SNBB Novagência em pagamentos indevidos de serviços subcontratados da Caixa Econômica Federal. O documento fala em "notas fiscais de fornecedores fraudadas", sem a comprovação de execução. Entre os produtos que teriam sido fornecidos com notas fiscais frias estão: estão 200 mil canetas, no valor de R$ 313 mil, e 8,8 mil bonés, no valor total de R$ 174 mil e 100 mil camisetas superfaturadas da Sasse Camisetaria e Lure-Tex Indústria Têxtil, no valor total de R$ 787 mil.
  • No dia 6 de janeiro, O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares é demitido do cargo de professor pela Secretaria Estadual de Educação de Goiás. Delúbio não exercia o magistério de 1985, mas recebia os seus salários porque estava licenciado para atuar como sindicalista. Contudo, como Delúbio não renovou a licença depois de 9 de fevereiro de 2005, a Procuradoria-Geral do Estado concluiu que houve abandono de emprego.
  • No dia 6 de janeiro, Tribunal de Contas da União (TCU) avisa que encontrou irregularidades em contratos de informática do Banco do Brasil (BB). Segundo o TCU o BB contratou sem licitação as empresas Xerox do Brasil S/A e Cobra Computadores.
  • Em 7 de janeiro, a revista Veja do número 1938, datado no dia 11 de janeiro, denuncia a nova conta secreta do publicitário Duda Mendonça. Quem afirma é as autoridades dos Estados Unidos que descobriram a conta milionária na cidade de Miami, estado de Flórida. Dos 25 milhões de reais que cobrou cinco campanhas para o PT em 2002, entre elas o presidente Lula, 10,5 milhões reais foram depositados secreta nos Estados Unidos, em nome de uma empresa de fachada Düsseldorf. Segundo a revista, a notícia sobre essa conta foi no dia 17 de novembro do ano passado, por meio de telefone do promotor de Nova York, Adam Kaufmann, à Procuradoria da República, que havia sido descoberta a conta. Kaufmann que integra no grupo que investiga lavagem de dinheiro, afirma que a filha do publicitário Eduarda Mendonça tentou resgatar todo o dinheiro e fechar a conta, mas foi impedida por que o nome do pai constava na relação watching list, pessoas suspeitas de lavagem de dinheiro.
  • Em 14 de janeiro, a revista Veja do número 1939, datado no dia 18 de janeiro, na capa “Desvio de Dinheiro Duda Fez, Duda Faz”, denuncia o desvio de dinheiro por parte do publicitário Duda Mendonça que além de “marketing político bandido”, segundo a revista, é envolvido no caixa dois e que o Ministério Público investiga duas contas no exterior. As contas do exterior são paraísos fiscais do Caribe: a primeira é a Guaranty Trust Bank Limited, em Nassau, capital de Bahamas, com o saldo de 1 milhão e 500 mil dólares em 2004; a segunda é a JPMorgan Chase, das Ilhas Cayman, com 4 milhões e 700 mil euros, mas ainda não há provas de que essas contas existem. A revista afirma que o promotor de Nova York (Estados Unidos), Adam Kaufmann, afirmou ao Ministério Púbico brasileiro que há uma conta na Flórida e também em Bahamas, que a revista teve acesso e forneceu os dois números nas mãos do Ministério Público para o advogado do publicitário Tales Castelo Branco, que admitiu as novas contas do Duda. Kaufmann afirma que o bloqueio é temporário. O publicitário já fez campanha eleitoral na Argentina em sete candidatos, todos do Partido Justicialista (também conhecido como Partido Peronista – PJ), incluindo o ex-presidente Carlos Menen (1989-1999) e a tentativa desastrada em eleger Eduardo Duahalde em 1999, que chegou a presidência e governou entre janeiro de 2002 até abril de 2003. Duda recebeu dinheiro do governador da província de Córdoba, José Manuel de la Sota e do próprio presidente Menen em 1999. Duda até usou na campanha de Paulo Maluf em 1998 do slogan “Maluf que fez” para “Menen ho hizo”. Os dirigentes do PJ declaram na época 15 milhões de dólares, mas Duda declarou na Receita Federal apenas 2 milhões, diferença de 13 milhões, que supostamente o PJ mentiu ou simplesmente ele desviou o dinheiro.
  • Em 15 de janeiro, a revista “Isto É” do número 1891, datado no dia 18 de janeiro, traz a entrevista do ex-gerente financeiro e atual economista Laércio Pedroso. Ele que trabalhou na binacional Usina Hidrelétrica Itaipu até 1992 (que fornece 95% da energia para o Paraguai e 25% para o Brasil, que é a maior do mundo) denuncia que havia 2 bilhões de dólares “não contabilizados”, na prática é a Caixa 2, sem nenhum conhecimento do lado da fronteira com o Paraguai. Laércio Pedroso mostrou à reportagem da revista as provas de documentos da Itaipu. A denúncia atinge diretamente a administração (diretores) da brasileira Itaipu.
  • A mesma revista “Isto É” denuncia dois fatos inéditos do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT). O primeiro é o adolescente indiciado como assassinato fugiu da Febem e revelou que não foi responsável pelos disparos contra o prefeito. O segundo é que Parecer Médico-Legal 001/06 comprova com fotos as marcas de torturas que Daniel ter sofrido antes de ser morto a tiros. Também as queimaduras da pistola 9 milímetros no corpo, o que mostra que a arma foi pressionada contra o corpo após uso contínuo; o corpo apresenta estilhaços de projéteis de armas de fogo (os chamados “tiros de esculacho”) e as roupas vestidas por Celso Daniel (a camisa e a calça jeans) não apresentam sinais compatíveis com as perfurações encontradas no corpo. As duas novas revelações derrubam a tese de “crime comum” pela polícia e alguns integrantes do PT.
  • Horas depois, na sede de Curitiba, em coletiva de imprensa, o diretor-geral da Itaipu, Jorge Samek, ao lado dos antecessores, Francisco Gomilde e Euclides Scalco, acusou o denunciante Laércio Pedroso como “delinquente, falsificador e estelionatário”, ao negar o Caixa 2 garantindo: “Itaipu nunca teve Nota de Débito, nunca usou Unidade de Correção Monetária como moeda e nunca teve documento contábil conhecido como CCP” (Comprovante de Contas Pagas). Unidade de Correção Monetária tem a sigla de UCM. A denúncia contra a Itaipu repercute fortemente no Paraguai.
  • Em 17 de janeiro, O advogado e ex-funcionário da empresa de transporte aéreo Skymaster, Marcus Valerius Pinto Pinheiro de Macedo, quase homônimo do suposto operador do mensalão Marcos Valério, presta depoimento para a CPI dos Correios. Ele é preso em flagrante por desacato, enquanto presta depoimento à Comissão.
  • Em 21 de janeiro, a edição 1940, data de 25 de janeiro de 2006 da revista Veja do número 1940, datado no dia 25 de janeiro, revela que Duda Mendonça, seus familiares e sua sócia receberam pelo menos 15 milhões de dólares em cinco contas de uma agência do Bank of America em Miami, e o que o todo o dinheiro é oriundo de caixa dois, desde 1993 sem declarar contas. Há duas semanas a mesma revista revelou que dos 25 milhões de reais que cobrou cinco campanhas para o PT em 2002, entre elas o presidente Lula, 10,5 milhões reais foram depositados na conta secreta nos Estados Unidos, em nome de uma empresa de fachada Düsseldorf. Segundo a revista, Eduarda Mendonça, a filha de Duda, tornou-se suspeita de fraude nos EUA ao tentar retirar toda a quantia do banco.[3]
  • Em 26 de janeiro, o jornal O Estado de S. Paulo, publica a notícia que o Ministério Público Federal rastreou até agora US$ 528 mil dólares enviados pelo jornalista João Cerqueira de Santana Filho, de 53 anos, através de uma empresa para Ilhas Virgens Britânicas e que a movimentação ocorreu entre 1999 e 2000. O jornalista João Cerqueira é o provável sucessor do PT para a campanha de Lula e que recebe ordens de Duda Mendonça para que o Lula agisse como candidato.
  • Em 27 de janeiro, a revista Veja nº. 1941, datada no dia 1º de fevereiro, diz que o empresário que alugou para o PT o carro brindado usado para retirar os dólares de Cuba do aeroporto para a campanha de Lula em 2002, o empresário Roberto Kurzweil, confirma que se encontrou mesmo com o ministro Palocci, em Madri, Espanha, em 2003. Numa reportagem que lhe falava sobre o depoimento do Palocci, em poucas linhas no final da reportagem, ele diz que o encontro do próprio e o Palocci foi realizado no saguão do hotel Ritz.

Fevereiro[editar | editar código-fonte]

  • Em 13 de fevereiro, no início da noite, membros do PT, incluindo 1200 pessoas, comemoram por mais 6 horas, os 26 anos da fundação do PT, que lançaram novo lema para a fundação “PT 26 Anos A Volta Por Cima”, no salão da Associação Atlética do Banco do Brasil, em Brasília. Entre os que compareceram foram, João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara, que cuja esposa foi acusada de sacar 50 mil reais do publicitário Marcos Valério no Banco Rural, que ele chegou mentir que era pagamento da TV por assinatura TVA; Professor Luizinho, que cujo assessor sacou 20 mil reais do publicitário Valério; José Mentor, ex-relator da CPI do Banestado, dono do escritório da advocacia que recebeu 220 mil reais do publicitário; Paulo Rocha, que renunciou ao mandato de deputado depois que assessores sacaram 920 mil reais do publicitário. Outros membros do PT, como as senadoras Ideli Savati (ES) e Ana Júlia (PA) e a ex-senadora Emília Fernandes (RS) foram umas das animadas da festa. O Professor Luizinho chegou fazer coro de saudação “Um, dois, três, Lula outra vez” com uísque Red Label na mão, a favor da reeleição do presidente. O presidente nacional do PT, Ricardo Bezoini chega a afirmar: “O que importa é a reeleição do presidente Lula”. Entre os convidados estava o presidente Lula, que foi uns dos mais aplaudidos, diz: “Errar é humano. Não podemos execrar quem errou. Quando cometemos erros, pedir desculpas é grandeza”, em clara intenção em proteger membros do PT em corrupção que Lula sempre pregava contra corrupção no passado. Em mais uma clara disputa à reeleição desafiou aos adversários políticos: “Vocês podem indicar outro candidato, não vou me apresentar”. O presidente Lula não gastou nada e foi saudado pelo vice-presidente José Alencar, do PRM, que subiu ao palanque dizendo: “O PT é o próprio partido do Brasil”. Os convites para o jantar, que teve pratos fortes medalhão de filé e risoto de camarão, custaram entre 200 e 5 mil reais; compareceram os 9 ministros, que a maioria solidária, pagou acima de 1 mil reais por entradas; o tesoureiro Paulo Pereira afirma que a meta de arrecadar 1 milhão de reais foi atingida; os pagamentos era cobrir o rombo de 50 milhões de reais na contabilidade partidária. Às uma hora da madrugada, depois da saída do Lula e a esposa Marisa, os convidados foram de volta para as casas.
  • Em 14 de fevereiro, a festa do promovida pelo PT pelos 26 anos de fundação, de ontem a noite que durou até início da madrugada provoca reações contrárias. Para o senador Athur Virgílio Neto (PSDB), afirma: “Foi uma festa da impunidade. O PT nos surpreende para o pior”. O senador Pedro Simon (PMDB) alertou: “Se o país mantiver as impunidades, podemos ter uma crise institucional de consequências imprevisíveis”. Não só partidos de oposição até mesmo aliados criticaram a festa, que acusam o PT ser “um partido do perdão” aos acusados de mensalão e a crise política. Até mesmo a imprensa e a opinião pública condenam a festa, já que era usada para muitos que compareceram na festa acham que a crise está superada, o que não é verdade.
  • Em 16 de fevereiro o Conselho de Ética aprova por dez votos a três o pedido de cassação do mandato do deputado João Magno (PT-MG).
  • Em 16 de fevereiro, em entrevista ao Blog de Josias de Souza, o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), admite composição PSDB-PMDB-PFL.[4]
  • Em 17 de fevereiro, o presidente Lula visita por várias horas às cidades do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Caxias do Sul e Flores da Cunha, onde participou os encontros religiosos e desfrutando a festa da uva.
  • Em 18 de fevereiro, a revista Veja,[5] datada de 22/02, divulga a matéria em que afirma que o jornalista Renato Paolielo, assessor de campanha do deputado Nilton Baiano do Partido Progressista (PP) aceitou 100 mil reais da corretora Euro (ver escândalo dos fundos de pensão). O numerário -não declarado para o Imposto de Renda- foi recebido em julho de 2004, mesma época em que Baiano concorreu à prefeitura de Vitória. A revista levanta a suspeita de o dinheiro tratar-se de mais um mensalão pago a um parlamentar.
  • Paolielo disse que a quantia foi por serviços particulares prestados para a corretora e que se esqueceu de declará-la para o IR. O deputado Nilton Baiano disse desconhecer as atividades particulares do seu assessor. Baiano disse ainda que nem ele, nem seu assessor cometeram algum crime e sustentou a tese de que o dinheiro recebido por seu assessor foi pelos serviços dele prestados a uma empresa privada.[6][7]
  • Em 20 de fevereiro o Conselho de Ética recebe laudo da Polícia Civil do Distrito Federal que afirma que a assinatura do então Presidente do PT Tarso Genro na representação que pede a cassação de Ônyx Lorenzoni (PFL-RS) é falsa. O PT pede a cassação de Lorenzoni porque que ele revelou para a imprensa informações sigilosas da CPI dos Correios da sua investigação sobre o ex-deputado José Dirceu (PT-SP).[8]
  • A juíza Tatiana Dias da Silva, da 8a. Vara Criminal de Brasília acata os argumentos da defesa e manda arquivar a representação do ex-deputado e Presidente do Partido Liberal (PL) Valdemar Costa Neto contra o jornalista Ricardo Noblat. Costa Neto renunciou em 1 de agosto de 2005 depois que teve seu nome envolvido no mensalão.[9]
  • Em 21 de fevereiro, Antônio Setti Braga, empresário de transportes de Santo André (São Paulo), afirma para a CPI dos Bingos que a sua empresa a Nova Santo André era obrigada a pagar quantias mensais para a prefeitura da cidade, durante a administração do Prefeito Celso Daniel (PT-SP).O empresário disse ainda que a extorsão era tão grande que em 2000 desistiu de ser sócio da empresa.[10][11]
  • Em 22 de fevereiro a Polícia Federal indicia o ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas sob acusação de sonegação e lavagem de dinheiro. Lamas sacou cerca de R$ 1,65 milhão das contas de Marcos Valério.[12]
  • No dia 24 de fevereiro a Câmara dos Deputados concede aposentadoria para o ex-deputado José Borba (PMDB-PR) que renunciou em 17 de outubro de 2005, depois da descoberta de que ele teria recebido R$ 1,1 milhão de Marcos Valério, suposto operador do mensalão. O parlamentar deve receber mensalmente R$ 5.500 de aposentadoria.[13]

Março[editar | editar código-fonte]

  • Em 2 de março, familiares de Celso Daniel deixam o país por causa de ameaças de morte. Segundo os irmãos Bruno e João Francisco as ameaças começaram depois do depoimento de ambos para a CPI dos Bingos em 26 de outubro de 2005, quando relacionaram a morte de Celso Daniel com o esquema de corrupção montado na Prefeitura de Santo André para financiar o PT.[14]
  • Técnicos das CPIs dos Correios e dos Bingos descobrem que há 161 ligações entre o Presidente do Sebrae Paulo Okamoto e os principais investigados do mensalão. A informação foi levantada a partir da análise dos dados telefônicos de Delúbio Soares, Duda Mendonça, José Dirceu e do ex-secretário do PT Silvio Pereira, visto que o Supremo Tribunal Federal impede o acesso ao sigilo fiscal, bancário e telefônico de Okamoto.[15]
  • Em 4 de março, a revista Veja[16] (publicada no website no dia 4), denuncia na capa “O Mensalão II”, trazendo matéria com a informação de que o publicitário Marcos Valério, com medo das investigações da CPI, ameaça falar, revelar e apontar detalhes do pagamento do mensalão para deputados do PMDB. Segundo Veja, 55 dos 81 deputados do PMDB recebiam um mensalão que variava de 15 mil a 200 mil reais. O advogado Roberto Bertholdo, ex-conselheiro da hidrelétrica de Itaipu, seria o "homem da mala" do PMDB. Além dessa denúncia, mais duas. A primeira é um trecho de gravação telefônica, Betholdo conta na gravação (nas mãos da polícia que está sendo investigando) feita pelo próprio ex-sócio Sérgio Renato Costa Filho, conta ter descoberto que a Siemens pagou propina para perdoar dívida da Usina Itaipu. Costa Filho diz: “Seis paus em dólar?” e o Betholdo responde: “É, temos que pegar pelo menos três”. Segundo a polícia, seis paus seria 6 milhões de reais. A segunda é a mesma gravação em que um trecho, o mesmo Betholdo revela ao sócio Costa Filho que está intermediando um acordo entre o Carlos Massa (mais conhecido como Ratinho) e o PT, para que o apresentador do Programa do Ratinho (SBT), falasse bem do partido em 2004: “O PT topou pagar. Cinco paus”. Segundo a polícia são 5 milhões de reais. O apresentador teria usado seu programa no SBT para promover a imagem do Presidente Lula e da então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. A prova é uma foto sem data e que foi divulgada pela imprensa aparece o presidente Lula conversando Ratinho, a esposa Marisa e a dupla sertaneja Bruno & Marrone, durante o churrasco da Granja do Torto, em Brasília. Na mesma edição, a revista revela que Paulo Okamotto pagou uma dívida de cerca de R$ 34 mil da filha de Lula, Lurian, contraída durante a campanha dela para a Câmara de Vereadores de São Bernardo do Campo, em 1996.
  • Horas depois, o apresentador Ratinho, em uma nota à imprensa, nega a acusação ter recebido 5 milhões para falar bem do Lula e a prefeita Marta Suplicy em 2004, mas se contradiz na mesma nota ao referir que as acusações com ligação com o PT “são velhas”, que pretende processar a revista.[17]
  • Em 6 de março, o delegado seccional de Ribeirão Preto Benedito Antonio Valencise diz ter indícios da participação do Ministro da Fazenda Antonio Palocci no esquema de fraudes no sistema de limpeza pública na Prefeitura de Ribeirão Preto.[18]
  • Em 7 de março, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB) avisa que o Fincen (agência de inteligência financeira dos EUA) já começou a enviar ao Brasil os dados das contas bancárias de Duda Mendonça no exterior.
  • Em 8 de março, a Câmara dos Deputados do Brasil decide votar contra a recomendação do Conselho de Ética e absolve Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP). Brant foi absolvido por 283 votos a 156 e Luizinho por 253 votos a 183.[19][20]
  • No mesmo dia, o motorista Francisco das Chagas Costa, contratado por Ralph Barquet e Roberto Carlos Kurzweil (ex-assessores do ministro Antonio Palocci em Ribeirão Preto) para a CPI dos Bingos que viu Palocci "duas ou três vezes" na mansão do Lago Sul, em Brasília, onde suspeita-se ter havido negociatas protagonizadas por pessoas próximas ao ministro.
  • O motorista diz: "ele (Palocci) chegava na casa com Ralf (Ralf Barquete, ex-assessor do ministro), no Peugeot prateado dele (do Ralf). Ia sempre de dia, mas não sei o que fazia". O depoimento do motorista contraria o ministro da Fazenda que declarou diversas vezes nunca ter ido à casa. O motorista menciona ainda a existência de um caseiro, morador da mansão, que supostamente teria também presenciado as idas do ministro Antônio Palocci ao local.
  • Também em 8 de março, em depoimento a portas fechadas na CPI dos Bingos, ex-funcionários da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) confirmam a existência de esquema de superfaturamento nos contratos de limpeza urbana entre a prefeitura e a empresa Leão&Leão.[21]
  • Em 10 de março, a absolvição pela Câmara dos Deputados de Roberto Brant (PFL) e de Professor Luizinho (PT), suspeitos de participar do mensalão, provoca crise no Conselho de Ética. Alguns deputados defendem o fim do voto secreto nas votações dos relatórios do Conselho, outros defendem o fim do próprio Conselho de Ética.
O deputado, Professor Luizinho. Foto: Victor Soares/ABr.
  • Roberto Brant (PFL-MG) para O Estado de S. Paulo: " O Professor Luizinho é um homem de bem. Foi feita justiça. Quanto a mim, acho que contribuí para evitar que os processos de cassação de mandato sejam banalizados."
  • Deputado Professor Luizinho (PT-SP) em O Estado de S. Paulo: " No meu caso, foi feita justiça. Eu não peguei dinheiro de ninguém. Quanto à do Brant, acho que ajudou a fortalecer a democracia. "
  • Também em 10 de março, a cientista política Lucia Hippolito da Rádio CBN: "A Câmara mandou dizer que não está nem aí para a opinião pública. O que lhe interessa são os votos da parcela mais desinformada, mais desassistida da sociedade. O que lhe interessa é o voto de cabresto, a clientela dos mais variados tipos de programas assistencialistas, as populações despossuídas de tudo, que, infelizmente, são presa fácil de políticos populistas, clientelistas e fisiológicos. Com isso, de vexame em vexame, a Câmara dos Deputados vai alegremente, ladeira abaixo, rumo ao século XIX."
  • Em 14 de março, Francenildo Santos Costa, caseiro da mansão alugada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por amigos e ex-assessores do Ministro da Fazenda Antonio Palocci, declara para O Estado de S. Paulo, em reportagem de Rosa Costa, que Palocci (tratado pelo nome de: "chefe") costumava ir ao local. Costa diz que via Palocci chegar à casa num Peugeot prata, de vidro escuro, dirigindo sozinho.
  • O caseiro, encarregado de vigiar e limpar o local, diz que havia reuniões para organizar a distribuição de dinheiro e festas com garotas de programa. Ele alega ter visto malas e maços de dinheiro e que testemunhou o motorista da casa entregar um envelope cheio de reais a um assessor de Palocci no estacionamento do Ministério da Fazenda.
  • Ainda em 14 de março, o Conselho de Ética aprova o pedido de cassação do mandato do deputado e ex-Presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). Cunha é acusado de ter recebido R$ 50 mil de Marcos Valério e de tê-lo favorecido em contratos de publicidade com a Câmara dos Deputados na época em que presidia a Casa, entre 2003 e 2005.
  • O Ministro da Fazenda Antonio Palocci desmente o caseiro. O ministro afirma que as denúncias de Francenildo Costa não podem ser verdadeiras porque ele (Palocci) "não sabe dirigir em Brasília".
  • Em 15 de março, a Câmara dos Deputados livrou da cassação de mandato um deputado e condenou outro. O primeiro foi o deputado Pedro Henry (PP-MT), que teve seu processo arquivado com 255 votos favoráveis, 176 contrários, 20 abstenções e dois em branco. O deputado Pedro Corrêa (PP-PE) não teve a mesma sorte. O relatório que pedia a cassação do seu mandato foi aprovado com 261 votos a favor, 166 contrários, 19 abstenções e cinco em branco. Nas votações, o plenário tinha duas situações diferentes a analisar: o relatório de Henry recomendava o arquivamento do processo; já o relatório contra Corrêa recomendava a cassação do mandato do parlamentar.
  • Em 16 de março, durante sessão da CPI dos Bingos, o caseiro da mansão no Lago Sul de Brasília confirma as declarações, que havia feito há poucos dias para O Estado de S. Paulo sobre o Ministro da Fazenda Antonio Palocci.
  • O caseiro fala cerca de 40 minutos e a sessão é interrompida por causa de uma liminar do senador Tião Viana (PT) acatada pelo Supremo Tribunal Federal. Antes de ser interrompido, o caseiro diz que "confirma até morrer" ter visto Palocci na mansão umas 20 ou 30 vezes.
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Foto: Valter Campanato/ABr.
  • Em 17 de março, blog da Revista Época, da editora Globo,[22] do caseiro Francenildo dos Santos Costa onde ele aparece como beneficiário de R$ 38.860,00. A revista sugere que o caseiro foi pago para fazer as denúncias contra o Ministro da Fazenda Antonio Palocci.
  • No mesmo dia a farsa é desmontada. O caseiro apresenta recibos bancários e explica que não recebeu R$ 38.860,00, mas 3 parcelas num total de R$ 24.990,00, de seu suposto pai biológico, um empresário do Piauí, como parte de um acordo para não entrar com um processo de paternidade. O empresário e a mãe do caseiro confirmam a história.
  • O fato de a Revista Época ter tido acesso ao extrato bancário do caseiro e ele ter sido divulgado configura grave crime contra a Constituição Federal. O caso tem uma repercussão negativa e o Ministério da Fazenda, Polícia Federal e Caixa Econômica Federal são suspeitos de ter tido participação na quebra do sigilo bancário do caseiro.
  • Em 23 de março, por volta da meia-noite, a Câmara dos Deputados do Brasil, por 207 votos a 201, absolve o deputado João Magno (PT-MG) das denúncias do Conselho de Ética sobre o envolvimento dele no mensalão.
  • PSDB encaminha pedido de impeachment de Palocci.
  • Em 24 de março, a deputada do PT por São Paulo, Ângela Guadagnin, fez uma dança no início da madrugada no plenário após saber que seu colega João Magno (PT) fora absolvido. Nos dias seguintes, os jornais chamam o "espetáculo" de: "dança da pizza".[23][24]
  • Em 25 de março, diante da repercussão negativa da "dança da pizza", Ângela Guadagnin (PT) pede desculpas em entrevista para a rádio CBN. A parlamentar procura se desculpar em outras rádios, jornais e canais de televisão.
  • Em 26 de março, o PPS entra um recurso contra Guadagnin.
  • Em 27 de março, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, pede afastamento do cargo devido às denúncias de quebra ilegal de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos, seu acusador na CPI dos Bingos, sendo substituído por Guido Mantega.
  • Em 27 de março, o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, coloca o seu cargo à disposição do Presidente da República, por causa das denúncias de quebra ilegal de sigilo bancário do caseiro Francenildo, dentro da CEF. Neste mesmo dia, ele é ouvido pela Polícia Federal.
  • Em 28 de março, é publicado no Diário Oficial da União, a exoneração de Antonio Palocci e a nomeação de Guido Mantega na pasta da Fazenda. Nessa mesma edição, aparece a exoneração de Jorge Matoso da presidência da Caixa Econômica Federal.
  • Em 29 de Março, é apresentado o relatório final da CPI dos Correios preparado pelo relator Osmar Serraglio (PMDB-PR). Ele confirma a existência do mensalão e faz um diagnóstico detalhado das irregularidades praticadas principalmente nos Correios e nos fundos de pensão, e sugere os nomes de mais de 100 pessoas para indiciamento, entre elas pessoas do governo, parlamentares, empresários e diretores de banco. Sobre a participação do Presidente Lula no episódio, o documento diz o seguinte: "em sede de responsabilidade subjetiva, não parece que havia dificuldade para que pudesse lobrigar a anormalidade com que a maioria parlamentar se forjava. Contudo, não se tem qualquer fato que evidencie haver se omitido".
  • Em 30 de março, o caseiro Francenildo dos Santos aparece, na parte da manhã, como convidado na OAB em São Paulo (cidade), acompanhado de advogados e políticos da oposição. Declara não estar "acostumado com tanta gente" e ao ser inquirido por repórteres, reitera as acusações contra Antonio Palocci e exige a punição dos responsáveis pela quebra ilegal de seu sigilo bancário, salientando que a queda do ministro da Fazenda não encerra o caso.
  • A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que dançou no plenário após seu colega ter sido absolvido, perde o seu cargo na CPI dos Bingos e é impedida de discursar no plenário por 30 dias.
  • Sem a presença de Guadagnin (PT-SP), que tem sua vaga no Conselho de Ética substituída por um deputado da oposição, o Conselho aprova por 9 votos a 4 a cassação do deputado José Mentor (PT-SP).
  • O juiz federal Gilmar Fernandes nega recurso do deputado cassado José Dirceu (PT-SP) para recuperar o seu mandato.
  • O SBT exibe nos intervalos, uma entrevista do ex-deputado Roberto Jeffeson (PTB-RJ), gravada para o programa Hebe Camargo, com exibição agendada para o sábado (1 de abril).
  • Confira a lista quem sai do governo para disputar as eleições.[25]
  • Em 31 de março, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), volta do Conselho de Ética da Câmara, depois de ter sida afastada por 24 horas. O presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP) desligara a deputada depois que o PPS fez uma representação contra ela. Porém, a decisão foi revertida pela direção da Câmara. Entendeu-se que Guadagnin só poderia ter sido afastada se o PPS houvesse pedido em sua representação a pena máxima, ou seja, a perda de mandato. Como a pena encomendada foi mais leve, censura verbal ou escrita—entendeu-se que não há necessidade nem de abrir um processo formal contra a deputada nem de afastá-la de sua cadeira no Conselho de Ética. Pelo regimento, caberia à mesa da Câmara, comandada por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), decidir se o bailado de Guadagnin merece ou não uma punição. Ao saber do retorno da deputada ao Conselho de Ética, o presidente do PPS, Roberto Freire (PE) diz: "O Aldo Rebelo, mais uma vez, desmoraliza as instituições. Aquele ato chocou a sociedade. A falta de compostura não é motivo para cassação, mas não pode ficar sem punição."
  • Como previsto, o relatório do esforçado deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) dizendo que "o mensalão existiu" reforçou acusações na CPI dos Correios. Os governistas querem tirar trechos do relatório. O relatório final de quase 3 mil páginas apresentado pelo deputado Serraglio (PMDB-RS) coloca em campos opostos o relator e o presidente da comissão, Delcídio Amaral (PT-MS). Delcídio afirmou ontem que o relatório só vai sobreviver se as falhas forem corrigidas. As críticas, de acordo com a maioria da base governista, se concentram em dois pontos que compõem a essência do relatório.[26]

Abril[editar | editar código-fonte]

  • Em 1 de abril, a revista Veja nº. 1950, datada do dia 5 de abril, denuncia na capa “Golpe Sujo”, afirmando que a Caixa chegou a oferecer R$ 1milhão de reais para os funcionários a assumir a culpa pela quebra do sigilo do caseiro Francenildo; quem estava em casa de Palocci quando recebeu o extrato do caseiro; o pai de Francenildo teve o sigilo bancário quebrado; o advogado foi convocado para forjar versão da quebra do sigilo do caseiro. A revista reproduz uma longa história: Jorge Mattoso recebeu pessoalmente de Antonio Palocci a ordem para quebrar o sigilo do caseiro. Deu-se na tarde de 16 de março, numa sala do Planalto. Palocci assistia pela TV ao depoimento de Fracenildo na CPI dos Bingos; Às 23h30 do mesmo dia, ao chegar à residência de Palocci para entregar um envelope contento o extrato do caseiro, Mattoso encontrou outros dois integrantes do governo: o assessor de imprensa do Ministério da Fazenda, Marcelo Netto, e o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, subordinado e braço direito do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Pouco antes, deixara a casa o chefe-de-gabinete de Bastos, Cláudio Alencar; O que faziam os auxiliares de Thomaz Bastos na casa? Foram chamados por Palocci, que queria deflagrar uma operação da Polícia Federal para desbaratar o que se acreditava ser uma armação política contra ele. Os alvos eram o caseiro Francenildo e o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Alencar, o chefe de gabinete do ministro da Justiça, chegou a mandar um pedido formal de diligência policial sobre o caso. Um policial federal veterano da cúpula da corporação recebeu o pedido, examinou-o e respondeu que aquilo levaria quinze dias para produzir algum efeito prático; Na manhã seguinte, 17 de março, sem saber que o front policial estava parado, Palocci comentou com um ministro: "Vamos ter uma notícia boa hoje". No início da tarde, além de Palocci, outras autoridades do governo já tinham visto cópias do extrato de Francenildo Costa. Três dias antes, o senador Tião Viana (PT-AC) espalhava pelo Senado a informação de que um jardineiro ouvira Francenildo dizer que recebera um bom dinheiro e planeja comprar um terreno ou uma casa; Na noite em que recebeu o extrato do caseiro em casa, das mãos do presidente da Caixa, Palocci ouviu de uma das testemunhas da cena um alerta: embora o documento pudesse incriminar o caseiro, sua obtenção fraudulenta abria um telhado de vidro sobre a operação. Como fazer para encobrir a quebra do sigilo? Surgiu e prosperou a ideia de produzir uma reclamação contra o caseiro no âmbito do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A estratégia daria a impressão de que existia uma investigação legítima. Porém, impacientes, Palocci e seu assessor Marcelo Netto divulgaram o extrato logo no dia seguinte, antes mesmo de "esquentá-lo" com a farsa no Coaf. O jornalista Matheus Leitão, repórter da revista Época e filho do assessor Marcelo Netto, circulava pela CPI dos Bingos tentando confirmar se o número do CPF que aparecia no extrato retirado na Caixa Econômica Federal era o mesmo do caseiro Francenildo Costa. A CPI mantém o registro do CPF e do RG dos depoentes; Na noite daquele dia, Lula, que estava em viagem a Santa Catarina, foi informado por um assessor que a Época publicaria a matéria com base no extrato bancário de Francenildo Costa. Um pouco mais tarde, Márcio Thomaz Bastos, que vinha de uma viagem a Rondônia, fez um pouso na base aérea de Brasília, antes de decolar para São Paulo. Recebeu uma cópia da notícia, veiculada no blog da revista. Achou que se tratava de um fato alentador. Mudou de ideia no fim de semana, diante da comoção contra a violação. Daquele momento em diante, a estratégia de desacreditar o caseiro foi substituída, dentro do governo, por uma faxina destinada a apagar as provas do crime e preservar o então ministro Antonio Palocci e seu assessor Marcelo Netto. O governo tentou convencer Jorge Mattoso a assumir a responsabilidade pela violação. No dia 23 de março, uma quinta, Mattoso voltou à casa de Palocci. Encontrou o advogado Arnaldo Malheiros, amigo de Thomaz Bastos. Circulou a ideia de oferecer dinheiro vivo (R$ 1 milhão) a algum funcionário da Caixa que se dispusesse a assumir a culpa pela quebra do sigilo. Ouvido por Veja, o advogado confirma o encontro mas nega as discussões em torno da oferta financeira.
  • A Polícia Federal torna como principal suspeito o ex-Ministro da Fazenda, Antonio Palocci no caso da quebra ilegal do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. Sob reserva, os investigadores do caso dizem ter reunido indícios que apontam para o envolvimento direto do ex-ministro da Fazenda na encomenda da ilegalidade. Afirmam estar próximos de provar que a participação de Palocci não se limitou ao recebimento do extrato do caseiro das mãos de Jorge Mattoso, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. A hipótese com que trabalha a PF é a de que Palocci tenha ordenado diretamente a violação dos dados bancários de Francenildo. Mattoso e Marcelo Netto podem depor na PF nos próximos dias, pois suspeita-se que ambos falaram verdades e mentiras.
  • Em 2 de abril, em entrevista ao jornal Página 12, de Buenos Aires, Argentina, o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) disse que vai “ajudar muito na reeleição de Lula”. Perguntou-se ao ex-chefão do Gabinete Civil se houve “uma manobra da direita para derrubar Antonio Palocci”. E Dirceu: “Sim, a direita já havia dito que iria derrubá-lo para incriminar Lula. Também disseram que iam incriminar o filho de Lula, para chegar a ele. Há um centro político que busca impedir a reeleição do presidente com o pretexto de combater a corrupção”. Dirceu tratou de restringir as perversões do petismo ao caixa dois, comum a todas as legendas: “A oposição quer acabar com o caixa dois no financiamento de campanhas, mas não faz a reforma política (...)”. Quem lê pensa que o governo e o PT pegaram em armas pela reforma política, evitada pelas barricadas da oposição. Em outro trecho, Dirceu pontificou: “A cidadania acabou entendendo que o objetivo da direita não era a ética, mas derrubar Lula do governo. Se desmascarou. Quando chegou a hora de fazer justiça, de investigar esses partidos, não permitiram. O eleitorado do PT está convencido disso, agora ainda mais”. Não há citações sobre as acusações dos ex-dirigentes do PT envolvidos no mensalão, a crise política e a quebra ilegal do sigilo do caseiro.[27]
  • Em meio à ofensiva da oposição, que passou a levantar dúvidas quanto à sua atuação no “caseirogate”, o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, diz que "não houve demora, deslize, nem lentidão da Polícia Federal”. Disse que “a PF teve toda amplitude para investigar". PSDB e PFL passaram a questionar a ação de Bastos a partir do noticiário do final de semana, que informou sobre a presença de dois de seus auxiliares (o secretário de Direito Econômico Daniel Goldberg e o chefe de gabinete Cláudio Alencar) na casa de Antonio Palocci no dia em que o sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa foi violado, 16 de março. Bastos diz que o então Ministro da Fazenda pediu-lhes que mobilizassem a PF para investigar Francenildo, o que foi negado. E faz uma ressalva: "Eles não são testemunhas de nenhuma irregularidade. Eles simplesmente foram lá [na casa de Palocci], receberam o pedido [de investigação], que não quiseram atender". Como evidência da correção da pasta que dirige, Bastos diz que a investigação do caso "foi feita num tempo absolutamente compatível, com dificuldade, mas num tempo muito rápido. Numa semana, praticamente 80% da questão foi resolvida em termos de materialidade e autoria. Resta agora continuar essa investigação. Posso dizer que o governo federal cumpriu sua obrigação desde o primeiro momento". Um detalhe intriga a oposição: "Por que, afinal, a PF passou a considerar o caseiro Francenildo de vítima em investigado?" Eis uma questão que ainda carece de uma boa explicação. Segundo o repórter da Folha OnLine, Felipe Recondo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMBD-AL), reúne os líderes partidários para discutir um requerimento de convocação de Thomaz Bastos para explicar-se no plenário. O autor da proposta é o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). O governo é contra.
  • Segundo o reportér da Folha de S.Paulo, Kennedy Alencar, afirma que uma semana antes de demitir Antonio Palocci, Lula ouviu do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) que ele considerava o então colega da Fazenda o principal suspeito de ter quebrado o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. A convicção de Thomaz Bastos vinha da conversa que tivera com dois assessores que conversaram com Palocci no dia da quebra do sigilo da conta de Francenildo (16 de março), e no dia seguinte, quando os dados do caseiro foram divulgados no blog da revista Época. Os auxiliares de Thomaz Bastos que se reuniram com Palocci foram o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, e o chefe de gabinete da pasta da Justiça, Cláudio Alencar. Um deles, Goldberg, testemunhou a chegada de Jorge Mattoso, presidente da Caixa, à casa de Palocci na noite em que o crime da quebra do sigilo foi praticado. Goldeberg e Alencar disseram a Thomaz Bastos que Palocci queria que colocassem a PF no encalço do caseiro. Falava de uma movimentação atípica na conta de seu algoz. Mencionava a existência de um jardineiro que testemunharia o recebimento de alta soma em dinheiro por Francenildo. A despeito de ter sido informado de tudo isso, Lula demorou-se em afastar Palocci. Alega, segundo contam seus auxiliares, que chamou o ex-chefe da Fazenda para uma conversa. E ele negou que houvesse encomendado a violação da conta do caseiro. O presidente diz que, sem uma prova cabal, não poderia ter afastado Palocci. Essa prova só teria surgido na segunda-feira passada. Nesse dia, em depoimento à PF, Jorge Mottoso disse que entregou pessoalmente a Palocci o envelope contendo o extrato de Francenildo. A oposição, que não perde tempo, elevou vez mais o tom das críticas, contra agora Thomaz Bastos e todo o governo, informam Adriano Ceolin e Fábio Zanini (Folha de S.Paulo). PFL, PSDB e PPS ontem sustentam que a violação do sigilo do caseiro foi uma decisão de governo. Enxergam, no mínimo, omissão do ministro da Justiça. "As informações de envolvimento de assessores do ministro da Justiça na quebra do sigilo mostram que há corrupção sistêmica no governo. Todos os que estão ao redor de Lula estão contaminados", disse o líder da oposição na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA). Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), está claro que a violação do sigilo do caseiro foi uma decisão política do governo. "Até agora, está implícito que o presidente Lula tinha conhecimento." Ele lembra que Palocci deu expediente numa sala a poucos metros do presidente na semana em que a crise foi deflagrada-entre os dias 17 e 27 de março. "Isso nos dá o direito de fazer a ilação de que Lula pelo menos ficou sabendo do que havia acontecido", disse.
  • Os procuradores da República, Gustavo Pessanha Velloso e Lívia Nascimento, revelaram a um colega de Ministério Público que decidiram mover ações judiciais contra o ex-ministro Antonio Palocci, o ex-presidente da Caixa Econômica, Jorge Mattoso e o ex-assessor de imprensa da Fazenda, Marcelo Netto. Os três serão responsabilizados civil e penalmente pela violação e divulgação da conta bancária de Francenildo dos Santos Costa. Pessanha Velloso e Lívia Nascimento acham que o inquérito da Polícia Federal sobre o caso já reúne elementos suficientes para a transformação de Palocci, Mattoso e Netto em réus. A situação dos três complicou-se ainda mais depois de dois novos depoimentos colhidos pela PF. Foram inquiridos o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg, e o chefe de gabinete do ministro Marcio Thomaz Bastos (Justiça), Cláudio Alencar. Ambos confirmaram ter ido à casa de Palocci na noite de 16 de março, dia em que o sigilo do caseiro foi quebrado ilegalmente. Alencar teria ido embora. Goldberg ficou. O então ministro da Fazenda pediu-lhe que mobilizasse a Polícia Federal para investigar Francenildo. Disse-lhe que dispunha de informações de que o caseiro tinha uma movimentação bancária atípica. Goldberg informou à polícia ter testemunhado a chegada de Jorge Mattoso à casa de Palocci. Ouvido pela PF há sete dias, Mattoso já havia confessado ao delegado Rodrigo Gomes, chefe do inquérito na PF, que fora à casa de Palocci naquele dia para entregar-lhe um envelope contendo o extrato extraído ilegalmente dos computadores da Caixa. Os dois assessores de Thomaz Bastos contaram à polícia que, no dia seguinte, informaram a Palocci que não havia elementos para investigar o caseiro, como ele desejava. Teriam informado a Thomaz Bastos acerca dos contatos mantidos com Palocci. Curiosamente, na semana seguinte, o caseiro Francenildo converteu-se de vítima em investigado da PF. Além de ser acusado de mandante da violação do sigilo bancário do caseiro, Palocci será implicado em outra irregularidade. Será acusado de montar uma farsa para transformar o caseiro em suspeito de “lavagem de dinheiro”. O então ministro acionou indevidamente contra Francenildo a estrutura do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.
  • Em 4 de abril, começa na manhã, a acareação entre o presidente da Sebrae amigo do Lula, Paulo Okamoto, e o ex-militante do PT (expulso em 1997) Paulo de Tarso, mas Okamoto tem liminar do Supremo Tribunal da Justiça – STJ, com direto de não ter que responder as acusações. O ex-militante do PT reintegrou as acusações contra Okamoto, que fala uma nova acusação de que contra o presidente do Sebrae, de receber quantias de dinheiro em 2004, que é negado pelo Okamoto. Okamoto é acusado de ter liquidado um empréstimo de R$ 29,4 mil de Lula com ao PT e uma dívida de R$ 26 mil da filha de Lurian, filha do presidente. Venceslau acusou o bom nipônico de ser o responsável pelas finanças de Lula: "Eu nego que seja responsável pelas finanças pessoais de qualquer pessoa", redargüiu Okamotto. Instado a abrir o seu sigilo bancário, o amigão de Lula, que tem as contas protegidas por uma liminar do STF disse o seguinte: "Nós temos direitos individuais que a Constituição garante. Se tiver alguma acusação grave contra mim, estou disposto sim [a abrir os sigilos]".[28] Paulo de Tarso é ex-militante do PT e que em 1997 fez as 1ªs acusações sobre o pagamento de mesadas na prefeitura de São José do Rio Preto, com o envolvimento do alto escalão do PT; no entanto, ele foi atacado com críticas por petistas que o acusam de mentiroso, mas outros 3 membros do PT, entre eles Hélio Bicudo (ex-vice-prefeito de São Paulo entre 2001-2004), pediram para que investigasse as denuncias para não ser arquivada; no fim do caso, Paulo de Tarso foi expulso do PT de maneira stalinista: foi tachado como traidor como se fosse ameaça ao PT já que as investigações não foram adiante, pois o presidente do PT na época era José Dirceu e líderes do PT derrubados pelo escândalo do mensalão. Se tivesse sido investigado na época, as todas as denúncias e tragédias do PT teriam sido evitadas hoje. Okamoto é acusado de ter liquidado um empréstimo de R$ 29,4 mil de Lula com ao PT e uma dívida de R$ 26 mil da filha de Lurian, filha do presidente. Venceslau acusou o bom nipônico de ser o responsável pelas finanças de Lula: "Eu nego que seja responsável pelas finanças pessoais de qualquer pessoa", redargüiu Okamotto. Instado a abrir o seu sigilo bancário, o amigão de Lula, que tem as contas protegidas por uma liminar do STF disse o seguinte: "Nós temos direitos individuais que a Constituição garante. Se tiver alguma acusação grave contra mim, estou disposto sim [a abrir os sigilos]".
  • O caseiro depõe na polícia como investigado por causa da quantia encontrada na conta bancária, por suspeita de lavagem de dinheiro.
  • É aprovada no Conselho de Ética 10 a 1, a recomendação da cassação do deputado Josias Gomes, acusado de receber 100 mil reais, em um relatório do deputado Mendes Thame; o único voto contra é a Neide Aparecida (PT), suplente da deputada Ângela Guaigni, do mesmo partido, afastada por ter dançado após a absolvição do colega do PT pelo presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar.[29]
  • O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, enfrenta a primeira crise como ministro. Mantega insiste nomear para o cargo de procurador-geral da Fazenda o advogado Luis Inácio Lucena Adams. A Procuradoria da Fazenda Nacional é contra. Embora tenha ingressado na carreira pública por meio de um concurso da Procuradoria da Fazenda, Adams só atuou na repartição por dois anos. Foi trabalhar na Advocacia Geral da República. Depois, foi levado para o Ministério do Planejamento na época em que a pasta era comandada por Mantega. Agora, está cotado para substituir Manoel Felipe Brandão, atual procurador-geral da Fazenda Nacional. O nome de Adams enfrenta enorme resistência entre os procuradores da Fazenda. É rejeitado por nacos da corporação em todos os Estados. Atualmente, Adams ocupa o posto de secretário-executivo adjunto do Ministério do Planejamento. Ele teve na semana passada uma primeira conversa com Mantega. Foi sondado pelo ministro. Informado sobre a reação da categoria dos procuradores, o ministro demora-se na substituição. Segundo o blog Josias Gomes, o blog teve acesso a uma série de mensagens eletrônicas que vêm sendo trocadas na rede interna de computadores do órgão, o teor das mensagens é contra a nomeação.[30] Dois fatores inspiram a reação contra Adams: 1. o advogado, afirmam os procuradores da Fazenda, não tem familiaridade com a rotina da Procuradoria da Fazenda; 2. Adams sempre se posicionou favoravelmente à unificação da carreira de procuradores no serviço público. Acha que os advogados fazendários deveriam compor os quadros da Advocacia Geral da União. Uma ideia que é ferozmente combatida pela corporação.
  • O advogado do ex-Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, José Roberto Batochi, anuncia na tarde para imprensa, que pode comparecer na imprensa às 17h com “uma notícia bombástica”; cerca de centenas de jornalistas esperaram por até ele aparecer às 22hs30min, a anunciar que Palocci foi interrogado pela Polícia dentro da residência por causa de problemas de saúde. Horas depois, o delegado que investiga a responsabilidade da quebra do sigilo bancário do caseiro, afirma que Palocci teria recebido pelo ex-presidente da Caixa o extrato de bancário do caseiro, mostra a quantia de mais 20 mil reais, mas rasgou 4 dias depois ter recebido, mas foi indiciado por quebra ilegal e pode ser condenado a 4 anos de prisão. A simples perspectiva de explosão da “bomba” de Batochio balançou os alicerces de Brasília. Especulou-se que o advogado estaria a serviço de Marcelo Netto, o ex-assessor de imprensa de Palocci. Suspeito de ter vazado o extrato de Francenildo, Netto detonaria o Ministério da Justiça. Qual nada. Tudo não passou de uma cilada, urdida para desviar as atenções do depoimento de Palocci. Muita gente engoliu a isca. O advogado de Palocci só deu as caras perto das dez da noite. A “bomba” que prometera era, na verdade, um traque. Nada de Marcelo Netto, cujo advogado se chama Eduardo Toledo. Nada de petardos contra a pasta da Justiça. Batochio era portador apenas das potocas de Palocci. Em suma, uma palhaçada protagonizada pelo ex-primeiro-ministro, envergonhado da nova condição. A condição de primeiro-indiciado.
  • Em depoimento de três horas à Polícia Federal, o ex-Ministro da Fazenda Antonio Palocci nega que tenha ordenado a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa e de também qualquer tipo de envolvimento na divulgação do extrato bancário do caseiro para a imprensa. O depoimento aconteceu na manhã, mas os detalhes só foram divulgados de noite. A PF deu de ombros para as palavras do ministro. Ao final do depoimento, o ex-ministro foi formalmente indiciado pelo crime de quebra do sigilo funcional. Para a polícia, há no inquérito evidências de que a ordem para a violação do sigilo do caseiro partiu, sim, de Palocci. Com o auxílio da polícia e do seu advogado, José Roberto Batochio, o ex-ministro da Fazenda armou uma mega-operação para evitar o constrangimento de ter que comparecer à sede da PF. Ele depôs secretamente, na residência oficial de ministro, que ainda não desocupou. Na condição de ex-ministro, não tinha direito a tal deferência.[31]
  • Em 5 de abril, segundo o blog de Josias de Souza, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estuda pedir o impeachment do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.[30]
  • O jornalista Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda, Antonio Palocci, presta depoimento à Polícia Federal. Como foi ouvido na condição de investigado, ele se negou a responder às perguntas da polícia. Deixou o prédio da PF sem ser indiciado. Netto é suspeito de ter vazado para a revista Época o extrato bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Na entrada da PF, o advogado Eduardo Toledo, que defende o jornalista, disse que seu cliente é inocente. Toledo tentou justificar a presença do Netto na casa de Palocci na noite de 16 de março, dia em que Palocci recebeu o envelope contendo o extrato da conta de Francenildo: "Meu cliente era assessor de imprensa do ministro. A presença dele no ministério ou na casa do ministro se justificava pela função que exercia no momento".
  • O Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, aparece no Congresso Nacional para se defender das acusações em que os próprios assessores tiveram ligação e o acesso da conta bancária do caseiro Francenildo.
  • Em 8 de abril, a revista Veja nº. 1951, datada do dia 12 de abril, denuncia na capa “Golpe Sujo II”, afirmando que o Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, ajudou o ex-ministro Palocci na defesa e acusa como cúmplice. Segundo a revista, o ministro teria ordenado a operação para tentar abafar a desastrada quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo, para não envolver desde funcionários até altas autoridades. Horas depois, o ministro divulga a nota à imprensa, negando as acusações, dizendo no final da nota que as afirmações da Veja “são fantasiosas”.
  • Em 10 de abril, o Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos aparece no Planalto e se encontra pessoalmente com o presidente Lula, para se defender das denuncias da revista Veja do dia 8/4, datada no dia 12/4, revela que o ministro “Foi Cúmplice” (título da reportagem) da operação para tentar abafar a desastrada quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Além dessa denúncia, inclui a tentativa de pagar R$ 1 milhão de reais a algum funcionário da Caixa a assumir ter quebrado o sigilo do saldo bancário do caseiro e também aponta que ele se reuniu há uma semana com o ex-ministro Palocci. Tanto os governistas e a oposição queriam que Bastos fosse dar depoimento à CPI dos Correios antes do feriado da Semana Santa que começa na sexta-feira, mas não há um documento da própria CPI que obrigue o ministro a fazer. Apesar de o ministro querer se defender do Plenário da Câmara e sabendo a proximidade do feriado, decide faze-lo só na próxima semana, um gesto interpretado para oposição para o governo “ganhar tempo” como afirma alguns. A nova denuncia constrange até os ministérios da Fazenda e Fazenda, admitindo a reunião feita pelos ministros, mas negam a nova denuncia.
  • O Presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP) divulga o documento aberto que acusa o PT, PSDB, PFL e parte do PMDB, por fazer “acordão para livrar os políticos do mensalão”, mas isenta o PTB, o primeiro partido ser envolvido no mensalão; líderes do PSDB e PFL negam o PT e PMDB não comentam.
  • Em 11 de abril, Antonio Fernando de Souza, Procurador-Geral da República, diz na coletiva de imprensa, que os acusados do mensalão estão envolvidos na “organização criminosa”; ele pede o indiciamento dos 40 envolvidos do mensalão, entre eles os ex-ministros José Dirceu e Luís Gushikein (por corrupção ativa). Henrique Pizolato, os 13 deputados (entre eles Roberto Jeffeson, João Paulo Cunha, Pedro Azeredo, Abreu Adauto). Núcleo Político: a antiga cúpula do PT (Delúrbio Soares, Sílvio Pereira e José Genoíno). Núcleo Publicitário: Duda Mendonça e Marcos Valério. Núcleo Político: José Borba, João Paulo Cunha, Professor Pedro, Paulo Rocha, João, Wanderval, Pedro Henry.
  • Em 12 de abril, o Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos anuncia que no dia 18/4 vai aparecer no Congresso Nacional para se defender das acusações em que ele e assessores estiveram envolvidos no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, que derrubou Palocci ao declarar que ele participou reuniões na casa 25. O ministro nega as acusações que teria defendido Palocci e que estaria saindo do ministério.
  • Um dia depois que o Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, ter divulgado a lista para indiciar 40 envolvidos do mensalão e dizer que eles estão envolvidos na “organização criminosa”, ele pede o indiciamento de todos envolvidos, “mesmo que escapem da cassação”.
  • Em 13 de abril, o ex-Ministro da Fazenda, Antônio Palocci é indiciado por mais 2 crimes, no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo: prevaricação (por receber o extrato bancário do caseiro, que dá 3 anos) e denuncia (ou denunciação) caluniosa (por acusar o caseiro sem provas que dá 8 anos). Ele já foi indiciado por outros 2 crimes: quebra de sigilo funcional e bancário. O anúncio foi feito pelo delegado Rodrigo Gomes que preside o processo contra Palocci. O ex-assessor de imprensa de Palocci, o jornalista Marcelo Netto é acusado de ter divulgado à revista Época o extrato do caseiro Francenildo da Costa, como uma “denuncia” para contra o caseiro.
  • Em 14 de abril, mais um relatório sobre o Mensalão aponta mais 4 deputados envolvidos.
  • Em 17 de abril, o advogado do caseiro Francenildo dos Santos, entra com o recurso de indenização ao cliente de 21 milhões de reais (17,5 contra a Caixa e 4,0 contra a revista Época). Os 17,5 equivale 50 mil salários-mínimos, a Caixa por ter quebrado o sigilo bancário e a revista por ter divulgado o extrato sigiloso bancário. A Caixa diz que vai recorrer a decisão e os diretores da Época não quis comentar sobre a indenização.
  • Membros de deputados do PFL perdem o impeachment contra o presidente Lula, devido aos casos do mensalão e a quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo da Costa.
  • Wlicio Macedo, advogado de Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa do Palocci, diz em coletiva de imprensa, que o seu cliente se apresentou à polícia, para se defender a acusação da quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo, mas saiu da delegacia indiciado. Macedo diz que o delegado não se convenceu às afirmações do Netto, saindo da delegacia com a acusação de quebra de sigilo bancário ilegal.
  • É prorrogado para o dia 20/3, o depoimento do Ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos, que era previsto para o dia 18/4.
  • Em 18 de abril, o advogado Roberto Texeira, amigo pessoal do Lula, não comparece na delegacia para prestar depoimento; o delegado que esperava o depoente, exige que ele compareça.
  • Os membros da OAB se reúnem com o presidente Lula em Brasília, em que analisam e dizem que há uma possibilidade de pedir o processo de impeachment contra o presidente Lula; o presidente da OAB, Henrique Bursarto, diz que “não servirá a serviço ao governo e que a OAB não servirá nem aos políticos e partidos”.
  • O PPS e membros do PFL perdem um processo de impeachment contra Lula.
  • A deputada do PT, Ângela Guadagni, recebe notícia pública que receberá o pedido de censura no plenário (por 30 dias), devido à dança dela após saber da absolvição do colega do PT, no mês anterior; agora só falta o presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B) a aceitar a censura.
  • A Câmara arquiva o processo contra o deputado Onyx Lorenzoli (PFL-RN) acusado pelo PT por divulgar documentos sigilosos sobre a cassação do ex-deputado José Dirceu (PT-SP).
  • A Câmara rejeita o pedido de aposentadoria do deputado Pedro Henry, único deputado acusado do mensalão que ainda não teve o pedido de cassação ainda não aprovado; ele tentava aposentar para escapar da cassação, devido aos problemas cardíacos.
  • Na véspera da Câmara votar o pedido de cassação do José Mentor, dezenas de deputados carregam nas faixas “O Fim do Voto Secreto” nos corredores da Câmara, o único poder político federal onde existe o voto secreto.
  • Em 19 de abril, a Polícia diz que o ex-Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, “é sim” o responsável pela ordem da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa dos Santos, em um processo de 7 volumes com 31 testemunhas; o relatório não inclui o Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, que se reuniu com ex-ministro Palocci, 10 dias depois da operação para desacreditar o caseiro na quebra de sigilo; Marcelo Netto ex-assessor de comunicação de imprensa do Palocci foi indiciado com a acusação da quebra do sigilo, o ex-presidente da Caixa, Jorge Martoso, foi indiciado com a acusação de quebra do sigilo e a divulgação do extrato. O advogado do Palocci, Rodrigo Gomes, anuncia que vai recorrer a decisão.
  • Um dia depois que o Roberto Texeira, amigo pessoal do Lula, não ter comparecido na delegacia para prestar depoimento, o delegado que esperava o depoente, anunciou que marcou o novo dia para ele depor e se caso ele não comparecer, vai depor à força na delegacia.
  • O deputado do PMDB-SE, Almeida Lima anuncia que protocolou as assinaturas de uma nova “CPI do Lula” ou “CPI da Família do Lula” para investigar as atividades do governo sobre os escândalos da dívida paga pelo amigo do presidente Paulo Okamoto; uma dívida paga pelo presidente do Telemar, o filho Lulinha, de origem desconhecida; a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Ele diz que hoje já tem 34 assinaturas no Senado.
  • O Plenário inicia no fim de tarde o processo de cassação do deputado José Mentor, acusado de receber R$ 120 mil reais de Marcos Valério. Antes da apuração dos votos, deputados mostraram o “sim” pela cassação, num gesto interpretado que são contra o voto secreto. Às 21h, o deputado do PT-SP, Jorge Mentor escapa da cassação, 249 contra e 175 favor; faltavam 16 votos para que ele perdesse o mandato. A absolvição do Jorge Mentor, considerada como o 2º menor comparecimento do quorum, leva o presidente do congresso Aldo Rebelo (PC do B-SP) a cortar o ponto dos 81 parlamentares que não compareceram até que apresentem o atestado médico.
  • Em 20 de abril, o advogado Roberto Texeira, o “compadre do Lula”, depõe na CPI dos Correios, negando todas as acusações, entre que mais pesa é a acusação de ter emprestado por quase 10 anos (8 anos de 1995-2002) à casa ao Lula. Ele admite a amizade ao Lula e por ser padrinho dos filhos do presidente, mas nega de ter usado a amizade do Lula para fazer tráfico de influência. Admite que o irmão, Dirceu Texeira se encontrou com o presidente da Sebrae, Paulo Okamoto.
  • O ex-militante do PT, Tarso Vencelau de Tarso, depõe no Conselho de Ética aos deputados, sendo transmitido ao vivo pela TV Câmara, mas é suspenso por várias vezes com confusões, entre eles é a confusão de 2 deputados do PT e PFL, ambos de Pernambuco, com troca de acusação do deputado do PT contra outro PFL de se envolver “com a ditadura” militar que responde com ofensas ao deputado do PT. O presidente responde com “a seção do Conselho de Ética ser suspenso pó 5 minutos”; Outro deputado, falando sem saber que estar ao vivo diz “ainda bem que não tem televisão filmando”. Estava também unas das blindagens de defesa ao Márcio Thomas, é o Sigmaria Seixas (PT-DF).
  • O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, entra com o recurso no Conselho de Ética contra o Ministro da Justiça, Macio Thomas Bastos, pelo fato de ter escolhido o advogado Jorge Matoso para o ex-ministro Palocci, que é amigo do Bastos.
  • Membros do PSDB e PFL acusam o uso do depoimento do Ministro da Justiça, Macio Thomas Bastos, como político e que vão depor-lo no Senado, onde os oposicionistas são a maioria.
  • A casa de luxo 25, o número da residência, que ficou conhecida em todo o país como “República do Ribeirão Preto” com denuncias do caseiro Francenildo da Costa, onde se reuniam Wadimir Poleto e Rogério Burati antes das denuncias contra o Ministro da Fazenda, Antônio Palocci em 2005, está para alugar para novo proprietário, com 14 mil reais por mês. A casa tem 4 salas, 4 cozinhas, 4 banheiros e 2 cozinhas.
  • Os partidos PSDB e PFL entram um recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o PT, por “propaganda presidencial antecipada” antes do dia 5 de maio. O motivo é o intervalo de TVs, mostram várias propagandas do PT no dia anterior, comparando melhor do que o governo anterior do PSDB, como defesa do Lula de propaganda inteiramente social, com o governo desgastado pela crise política desde maio do ano passado em denuncias do mensalão e a quebra ilegal do caseiro Francenildo.
  • Segundo o jornal diário Folha de S.Paulo, baseado em relatos de petistas, ministros e parlamentares, diz que o ex-Ministro da Casa Civil e ex-deputado do PT-SP, José Dirceu ainda participa na vida política apesar de estar cassado até 2015. Ele já está trabalhando para promover eleição dos candidatos do PT à governador de estados e também promover a reeleição do Lula, conversou com o ministro Tasso e Lula sobre eleições e teria dito a um deputado do PMDB falando a candidatura do ex-governador Orestes Quécia, que iria telefonar a ele, mas nem porta-vozes do PMDB e assessores de Quécia negam que o candidato ter recebido ligação de telefone de Dirceu.
  • Em 24 de abril, denuncias do jornal O Globo e o Tribunal de Contas da União (TCU) após detectar irregularidade, mostra que os 5 deputados gastaram um total de 42 milhões de reais de combustíveis em 2005, em viagens no Brasil, entre os gastadores é o deputado Francisco Rodrigues (PFL-RR). Os gastadores citados são: 2 do PT (Professor Luizinho PT-SP, o petista que mais gastou) e outro é o PMDB. A maior surpresa é o envolvimento do deputado acusado de mensalão José Mentor, que apesar de tentar se aposentar para escapar da cassação, mas que gastou R$ 38.600 reais apesar de afastado.
  • O deputado Jorge Bornhausen (PFL-SC), diz que o perdão do presidente Lula aos países da Ásia “é o mensalão asiático” para tentar ganhar votos no Conselho de Segurança da ONU.
  • Em 25 de abril, o doleiro Richard Waterloo, após depor em troca de redução de pena, acusa o deputado recém-absolvido José Mentor de receber suborno pago por ele mesmo, para que seu nome seja isentado na CPI do Banestado, encerrada há 1 ano e meio, sem a redação final que envolve o doleiro e o Paulo Maluf. O doleiro afirma no depoimento à Polícia que recebeu em “espécie (reais) 300 mil sob intermédio de Flávio Maluf”, filho de Paulo Maluf, “para não ser incluído na redação final” e que “recebeu de Mentor por disquete, a cópia da redação final por antecipação, que não incluía o meu nome”, pois o Mentor era o redator da CPI. O documento do depoimento foi divulgado em exclusividade dela TV Globo. O delegado José Flávio Castelo Neto diz à TV Globo que teve resistência na época da investigação, dos membros que compõe na CPI do Banestado. Paulo Maluf e Flávio Maluf são acusados de terem contas fora do país sem declaração, lavragem de dinheiro, formação de quadrilha, desvio de recursos públicos e sonegação fiscal. Eles já foram presos por mais de 40 dias entre setembro e outubro de 2005, que na época de ser solto, Paulo Maluf afirmou que a prisão dele e o filho “são uma tentativa de desviar a atenção das maracutárias de Brasília”, citando a atual crise política.
  • O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), arquiva o pedido de CPI que investigue a família Lula e o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto. O deputado Almeida Lima (PMDB-SE) tinha protocolado as assinaturas na semana passada. Ao contrário de outras CPIs, não houve confusão e os 32 deputados que assinaram, não deram o coro a favor. A única a se manifestar a senadora e candidata à presidência Heloísa Helena do PSOL-AL, que si diz “surpresa” pelo arquivamento e o “silêncio dos deputados”. O nome da CPI era “Apocalipse”.
  • A Câmara estadual de Paraná rejeita o pedido de aposentadoria do deputado estadual José Janene (PP-PR), que estava afastado desde 17 de outubro de 2005, como forma de evitar a cassação. Ele é acusado de receber R$ 3 milhões de Marcos Valério. O suplente do Janene é o João Venedic (PDT-PR).
  • É aprova pela maioria dos deputados, uma lei que restringe a interferência do Poder Judiciário no Poder Legislativo. A nova lei restringe a interferência da justiça na política, no caso de um réu recorrer contra a acusação. Isso foi usado pelo deputado cassado José Dirceu (PT-SP) na tentativa de salvar o mandato após renunciar no Ministério da Casa Civil diante das denuncias bombásticas de Jeffeson em 16 de junho de 2005; Duda Mendonça (principal responsável da propaganda de marketing na campanha eleitoral de Lula) e o Paulo Okamoto (presidente do Sebrae acusado de pagar dívida de Lula em dinheiro de origem desconhecida) para não responder às perguntas que poderiam se acusar.
  • O ex-presidente da Câmara e atual deputado, Severino Calvacante (PP-PE), que renunciou o mandato diante do “Escândalo do Mensalinho” em outubro de 2005, afirma na rádio de notícias, ser contrário a decisão da Câmara que restringiu ontem para R$ 4.500 por mês os gastos de parlamentares de gasolina, depois da repercussão negativa de que eles gastaram R$ 42 milhões em 2005. Calvacante afirma que a restrição prejudicaria os deputados que viajam mais no estado ou em várias partes do Brasil.
  • O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, anuncia no plenário a “censura verbal” contra a deputada do PT-SP, Ângela Guadagni, que dançou após saber da absolvição do colega do mesmo partido, o ex-presidente da Câmara e atual deputado João Paulo Cunha (PT-SP): “a Câmara federal anuncia a censura verbal contra a deputada do PT, Ângela Guadagni. Também o afastamento dela em discursar no plenário da Câmara”.
  • O presidente Lula se encontra por 3h com os presidentes da Argentina (Nestor Khishinguer) e da Venezuela (Hugo Chavéz) sobre a construção de um futuro gasoduto que começará ser construído em 2010, que ligaria os três países. O futuro gasoduto sai do sudeste da Venezuela, passa pelo Brasil (Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul), indo até Buenos Aires (Argentina). Depois vai à noite ao lançamento de livro do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), faz uma entrevista rara aos jornalistas; ela fala sobre o livro e a crise política, mas se irrita aos jornalistas para comentasse sobre o caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos, dizendo que “conversa com milhares de pessoas e que nunca perguntaram sobre isso” e que “esse assunto é investigado pela CPI e a Polícia”.
  • Em 27 de abril, o ex-ministro Palocci chega de manhã na Polícia Federal em um carro com vidros escuros, sendo acompanhado por outro carro, para não ser visto pela imprensa, mas sai da PF indiciado em mais 4 crimes, mas desta vez a Polícia indicia ex-ministro por crimes no 2º mandato de prefeito de São José do Rio Preto de 2001 até 2002: falsidade ideológica, peculato (uso do cargo para fins pessoal), formação de quadrilha e lavragem de dinheiro. Ele já foi indiciado por outros crimes no caso da quebra do sigilo do caseiro: quebra de sigilo funcional e bancário; prevaricação (por receber o extrato bancário do caseiro, que dá 3 anos) e denuncia caluniosa (por acusar o caseiro sem provas, que dá 8 anos) (dia 13/4). Ele já foi acusado de promover na famosa residência de luxo “casa 25” de Brasília, festas de lobistas e garotas de programas (prostitutas). O indiciamento só foi possível por que na época de acusação do ex-assessor Rogério Buratti que começou em agosto/2005, Palocci tinha foro privilegiado por ser ministro, com a renuncia perdeu esse privilégio e voltou ser cidadão comum. O advogado do Palocci, Batochio, diz à imprensa na rua, ser “uma heresia” as novas acusações do ex-ministro e que vai recorrer, que ele não assinou os contratos da empresa Leão&Leão e que acha que o indiciamento de mais crimes é “Absurdo com A maiúsculo” as acusações.
  • Membros da polícia da seccional de São José do Rio Preto dizem que o delegado que investiga ex-ministro Palocci, teria sido instado pela cúpula da polícia estadual a “não apertar muito” o ex-ministro. O delegado era Benedito Valentisi, uns dos investigadores mais agressivos na investigação de Palocci. Valentisi se mantém em silêncio por vários dias e, surpreendentemente, envia as perguntas para que ex-ministro respondesse, em vez de ir a Brasília pessoalmente.
  • Moracy Alves Filho depõe na CPI dos Bingos, para responder as falcatruas da prefeitura de S. J. do Rio Preto, em que Palocci fora prefeito (1997-2002) e sobre Paulo Okamoto, presidente do Sebrae e amigo pessoal de Lula. Membros da CPI dos Bingos não descartam a possibilidade de quebrar o sigilo do Okamoto. No entanto depois de um mês, os trabalhos da CPI não avançam.
  • No dia da posse da nova juíza, Ellen Gracie (em substituição ab Edson Vidigal, que disputava eleição no estado do Maranhão pelo PSB), aparecem, como convidados, desde os políticos (alguns adversários), inclusive o presidente Lula, para acompanhar a posse da primeira mulher no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Ellen diz que “o papel da justiça é responder ao povo” e elogia as mulheres que conquistam direitos. O presidente do STJ reage às absolvições por motivos políticos e à defesa dos acusados pelo governo. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Henrique Bursarto, também aproveita a presença do Lula, não poupando críticas ao presidente: “Os cidadãos brasileiros se perguntam: perdemos a compostura?”. Horas depois, membros do PT reclamam os termos da fala do presidente do OAB.
  • Em 28 de abril, o presidente Lula visita na inauguração a freira de exposição da Caixa Econômica Federal. O presidente dá mais uma entrevista à imprensa como faz nos últimos dias de ficar avesso às entrevistas há 3 anos, elogiando a freira e os jornalistas que compareceram e dá resposta em variados assuntos. Ao perguntar sobre o ex-ministro Palocci, diz que “o indiciamento ao Palocci não significa que ele seja culpado”. Sobre a candidatura, diz que só no dia 30 de junho “é que a convenção nacional do PT vai decidir”. Sobre a empresa aérea em crise Varig diz que “a empresa virou uma nacional, mas que a empresa é privada”. Sobre a polêmica retirada da empresa petrolífera brasileira EBX de Bolívia, ordenada pelo presidente boliviano Evo Morales, com acusações de que não respeita leis ambientais e nem a autorização no país, que é da empresa Petrobrás, diz que “não falou com o presidente Evo Morales, não falou com com o governo boliviano, não falou com os membros da EBX e não falou com a Petrobrás”, apesar de ser noticiário há vários dias. A freira de exposições fica na Zona Norte de São Paulo e que vai até o domingo dia 30/4. Horas depois na noite, Lula se encontra com os militantes do PT no 13º encontro para convenção eleitoral, entre os participantes estava o deputado cassado José Dirceu que foi aplaudido; o presidente Lula deu 75 minutos de discurso e encerra o discurso com ameaça aos todos os candidatos que vão enfrentar na eleição, apesar não se assumir candidato, “que venham contra mim que estou pronto e muito obrigado!” que é aplaudido; Dirceu é que está na campanha na reeleição do Lula.
  • Membros da CPI dos Bingos, afirmam que a CPI não é mais a mesma ameaçava como alguns meses atrás, que a maior prova disso é o início da campanha eleitoral, a Copa do Mundo 2006 que começa no dia 9 de junho e os feriados que caem de segunda à sexta no dia do expediente da Câmara. A CPI dos Correios chegou a ser apelidada pelos governistas como “CPI do Fim do Mundo”, pois desafiava abertamente e que pode ter (segundo suspeitas) o fim melancórnio.
  • O Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, é obrigado a depor na semana que vem diante das suspeitas do Ministério Público que ele seja suspeito de estar envolvido no caso da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro. Bastos se encontrou com Palocci no dia 23/3, dez dias antes ter o extrato do caseiro recebido por 2 funcionários da Caixa ao Palocci. A maior dúvida da investigação é como Bastos escolheu o advogado ao ex-ministro que é amigo do Ministro da Justiça.

Maio[editar | editar código-fonte]

  • Em 1º de maio, em cadeia nacional da TV de 9 minutos na noite, o presidente Lula, diz sobre o dia que é feriado no mundo inteiro, elogia os feitos dos trabalhadores em que pode comemorar ou não pela situação atual e também as ações do governo atual. Ele ressalta os feitos positivos do governo: aumento do salário mínimo acima da inflação, a menor inflação de 5% nos últimos anos, a alto-suficiência do petróleo anunciada no dia 21/4 e a economia positiva do país.
  • A Câmara inicia na tarde, o processo de cassação do deputado Josias Gomes (PT-BA), pedida pelo Conselho de Ética. Horas antes da votação, os deputados carregaram o cartaz “Pelo fim do voto secreto”. Antes da votação, Josias Gomes se defende da acusação de ter recebido 100 mil reais de Marcos Valério, dizendo que o PT pediu que recebesse o dinheiro e que “não sou corrupto”, a defesa dele é o mesmo dos deputados do PT envolvidos no mensalão. Às 20h e 35min, o deputado Josias Gomes é absolvido da cassação: na recontagem dos votos, dos 443 deputados que compareceram 228 votaram a favor da cassação, 190 contra, 19 abstenções, 5 brancos e 1 nulo. Era preciso 257 votos pela perda de mandato. Ele é o 10º mensaleiro a escapar da cassação. Ao mesmo tempo, o Conselho de Ética rejeita por 8 a 5, a cassação de Vadão Gomes (PMDB-SP); o conselho estava com a maioria de deputados que pertencem a partidos acusados de mensalão. O único envolvido no mensalão, José Janene, ainda não foi julgado.
  • Em 4 de maio, a absolvição do deputado Josias Gomes (PT-BA) e a rejeição do Conselho de Ética de aprovar a cassação de Vadão Gomes (PMDB-SP), além dividir as opiniões contrárias de deputados e opinião pública, provoca protestos entre que votaram a favor da cassação.
  • Em 6 de maio, o “Globo Notícia” anuncia no fim de tarde que o jornal diário "O Globo" vai publicar amanhã uma nova denuncia do ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, que renunciou em 4 de junho de 2005, depois de ser acusado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o “gerente do mensalão”. É a primeira vez que Pereira quebra o silêncio de quase 1 ano, dizendo a entrevista realizada há 2 dias pelo jornal, que o empresário Marcos Valério iria arrecadar do governo Lula “1 bilhão de reais” e diz que o mesmo esquema de corrupção ainda continua apesar do escândalo do mensalão. O jornal diz que depois da entrevista, se desequilibrou e quebrou objetos da própria residência.
  • Em 7 de maio, o jornal diário “O Globo” publica o conteúdo total da entrevista com o ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, na qual o mesmo garante que Marcos Valério juntamente com dirigentes do PT pretendiam arrecadar R$ 1 bilhão em operações com bancos em liquidação e com passivos agrícolas. Sílvio Pereira renunciou a secretária em 4 de junho do ano passado, depois de ser acusado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o “gerente do mensalão”. A entrevista do Sílvio Pereira, realizada há 3 dias pelo jornal, quebra o silêncio que durava há quase 1 ano, com uma nova entrevista-denúncia em dizia que o empresário Marcos Valério iria arrecadar do governo Lula “1 bilhão de reais”, citando 4 bancos poderiam lucrar, mas não deu certo e diz que o mesmo esquema de corrupção ainda continua apesar do escândalo do mensalão. Sílvio diz quem mandava no PT de fato era Lula, José Genoíno, José Dirceu e Aloízio Mercadante; que existia no governo “mais de 100 Marcos Valérios”; dizia que houve o chamado “mensalão”. O jornal diz que depois da entrevista, se desequilibrou e quebrou objetos da própria residência. Em coletiva de imprensa no interior de Minas Gerais de férias, o presidente Lula ainda não pode comentar “pois ainda não leu a reportagem”.
  • A entrevista do ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, além de provocar polêmica, traz novas acusações e versões que até então o que se conhecia sobre o mensalão. Os candidatos nas eleições de 2006 reagem: Geraldo Alkmin (PSDB) diz que “o presidente diz que não sabe, não leu nos jornais, não viu na televisão, não tem o assessor. Isso é mentira!”, Eduardo Freire (PDT) diz que novas denuncias “são graves e trazem novas revelações e o presidente Lula teria que ir discursar à nação sobre a gravidade”, Heloísa Helena diz que as denuncias são graves “e é hora depor Sílvio Pereira e investigar o caso”; Antony Garotinho, em greve de fome na sede do PMDB do Rio de Janeiro há 7 dias, diz em nota, sobre a denuncia é grave “de um ex-membro do PT”.
  • O senador Eduardo Suplicy, ao contrário de outros membros do PT que reagiram negativamente à entrevista do Sílvio Pereira, diz que vai protocolar a denuncia na CPI dos Bingos e o Ministério Público para investigar
  • O Conselho Federal da OAB rejeita por 27 a 9 o perdido de impeachment contra o presidente Lula, mas aprova por 17 a 15 o indiciamento criminalmente Lula como notícia-crime.
  • A entrevista polêmica do ex-secretário Sílvio Pereira, leva a imprensa e vários membros de partidos políticos já falam que a entrevista do ex-Secretário do PT ressurgiu o mensalão.
  • Os líderes de oposição ao governo, Tasso Gereisaiti (PSDB-CE), Jorge Bonhaussen (PFL-SC) e Paulo Freire (PDT), se reúnem para se unissem para obrigar a depor o ex-secretário Silvio Pereira e ameaçam uma nova CPI contra o governo.
  • A Polícia Federal intimida o ex-secretário do PT, Sílvio Pereira, depor na CPI dos Bingos, sob pena de ser preso para depor à força. Ele já foi chamado 2 vezes no ano passado, mas nunca compareceu.
  • O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) rejeita a acusação do Ministério Público de São Paulo que queria depor e processar o ex-deputado José Dirceu, suspeito de envolver a suposta corrupção da prefeitura de Santo André, do prefeito Celso Daniel morto a tiros em 2002. A decisão é uma vitória de Dirceu. O STJ rejeitou a acusação do MP-SP contra Dirceu, alegando que não há provas contra ex-deputado que naquela época era presidente regional do PT-SP. O MP-SP acusava o ex-deputado pelo suposto recurso de corrupção na prefeitura, sob base das acusações do irmão do prefeito assassinado. O advogado de José Dirceu, José Luiz Oliveira Lima, diz que não havia provas contra o cliente.
  • O ex-secretário do PT, Sílvio Pereira, entra na tarde o recurso para não depor na CPI dos Bingos, alegando que tem problemas emocionais e mentais, mas no início da noite, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, juiz Marco Aurélio, nega o recurso do Sílvio Pereira.
  • Às 19h e 20min, a imprensa flagra o ex-secretário do PT, Sílvio Pereira, chegando do Aeroporto Internacional de Brasília, o que contraria o advogado do ex-secretário que afirmava na tarde que ele estava na cidade de São Paulo.
  • Em 10 de maio, depõe o ex-secretário do PT, Sílvio Pereira, por mais de 6 horas (manhã e tarde) na CPI dos Bingos. Sílvio Pereira, que apesar não ter um habeas-corpus, não assina o compromisso de dizer a verdade. Durante o depoimento, o ex-secretário irrita os senadores com algumas respostas não explicadas e diz que tudo que foi falado na reportagem “não se lembra ter dito”. Também fala sobre os aliados do PT, que agora são desafetos para ele com fortes críticas e acusações contra eles, mas isenta o presidente Lula das acusações.
  • O deputado cassado José Dirceu (PT-SP) é vaiado e xingado fortemente por mais de 500 universitários em Belo Horizonte de “ladrão”, “corrupto”, “quero meu mensalão” citando o escândalo do mensalão. Dirceu estava na universidade para falar sobre a crise política, mas quando era perguntado nem conseguia terminar de falar, mas se negou falar sobre as declarações do ex-secretário do PT, Sílvio Pereira que deu no jornal “O Globo”.
  • O ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, depõe às 8h e 30min da manhã na Polícia Federal em Brasília, ao delegado Flávio Luiz que investiga sobre o escândalo dos Correios que estourou há quase 1 ano. Por volta das 13h e 30min termina o depoimento, pois o ex-secretário vai ao depoimento no Ministério Público – MP. No fim de tarde, sai do MP, sem dar muitas declarações à imprensa, mas o advogado do ex-secretário, Iberê Bandeira de Mello diz que ele confirmou a triagem dos nomes tanto do PT e do governo, o empresário Marcos Valério.
  • A Polícia Federal anuncia que vai iniciar a acareação entre o ex-deputado Carlos Rodrigues, conhecido como Bispo Rodrigues (que renunciou o cargo em outubro/2005 por envolvimento do mensalão), e outro empresário, ambos envolvidos no caso da máfia do escândalo das ambulâncias.
  • O Supremo Tribunal Federal (STF) manda suspender por um tempo indeterminado o “Jornal da CUT”, que circula em São Paulo, por ter circulado no dia 1º de maio os ataques contra o ex-governador de São Paulo e atual candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, os elogios e o apoio ao presidente Lula. A CUT distribuiu naquele dia panfletos na cidade e vendia jornais os ataques contra Alkmin e apoio ao Lula e no dia 9 de maio, foi multada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por “propaganda política antecipada”, por considerar que começa no dia 6 de julho.
  • Na madrugada, o ex-secretário do PT, Sílvio Pereira, depõe na Corregedoria da República. No fim do depoimento, Pereira negou ter feito lobby de assinatura dos nomes do governo federal e diz que apenas fazia parte do governo.
  • A revista Veja, do dia 13 de maio, datada do dia 17 de maio, divulga que o ex-presidente do Oppotunity, Daniel Dantas, acusa políticos e outros até então eram isentos da crise política: o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, o Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos e outros, uma surpresa: o presidente Lula, de terem contas no exterior. Dantas baseia de um documento de 2003 e 2004, para usarem contra ex-membros e os que estão no governo Lula, alegando perseguição deles. O presidente Lula, que se preparava para voltar para país, nega as acusações e acusa a revista e o jornalista que escreveu a matéria “de não serem jornalistas”.
  • Em 14 de maio, o Ministro de Relações Institucionais, o deputado Tasso Genro (PT-SP) divulga a nota à imprensa que o Lula vai processar a revista Veja, por ter denunciado ontem que o presidente e os ex e atuais membros do governo que “terem contas secretas no exterior”. O presidente Lula já negou a acusação.
  • Começa a investigações sobre as supostas contas de ex e atuais ministros e o presidente Lula, entre eles, José Dirceu, Luiz Gushikein, Márcio Thomas Bastos. A denuncia foi feita em 13 de maio pela revista Veja, dizendo que membros do governo Lula têm contas no exterior sem declaração; Lula negou a acusação dizendo que “é mentira” e que a revista e o repórter que fizeram e publicaram a matéria “não são jornalistas”.
  • A Justiça derruba liminar que dava a favor ao ex-secretário do PT, Delúbio Soares, em que ele não comparecer na CPI dos Bingos. Por causa da decisão, o ex-secretário é obrigado a comparecer amanhã e responder todas as perguntas.
  • Em 23 de maio, o ex-secretário do PT, Delúbio Soares, depõe pela 4ª vez por 4 horas, na CPI dos Bingos, negando as acusações já evidentes. Ele diz que o governo Lula não recebeu dos bingos dinheiro na campanha de 2002 e nem o governo ter recebido 50 milhões de reais com o presidente da Oppotunity (Daniel Dantas), o que irrita os oposicionistas, já que ele continuar em defender o PT e as acusações. “Nunca entrei em casa de bingo. Nem em quermesse eu jogava bingo”, diz ex-tesoureiro negando as acusações já evidentes. Debúbio não esclareceu o principalmente “se agiu sozinho com o publicitário Marcos Valério”. Apesar de algumas negações, admitiu que houvesse encontro com Carlos Rodenburg. No entanto, com a maioria de componentes da CPI seja de governistas, fez que impedisse hoje que fosse depor o presidente da Oppotunity, Daniel Dantas e o publicitário Marcos Valério. O próximo objetivo da CPI é depor Elza Burati, esposa de Roberto Burati, que é o responsável pelas denúncias contra dirigentes do diretório nacional do PT antes do estouro do mensalão em junho/2005 e contra o ex-Ministro da Fazenda, Antonio Palocci desde agosto/2005, que ambos levaram a queda de todos. Buratti era ex-assessor de Palocci na prefeitura do Ribeirão Preto (1993-1997 e 2000-2002).
  • Em 29 de maio, o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso volta assumir sozinho a responsabilidade pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, ao ser depor em São Paulo ao delegado da Polícia Federal, Ricardo Carneiro Gomes, responsável pelo inquérito que apura a violação do sigilo do caseiro. Em novo depoimento para a PF, Mattoso disse que mandou seu ex-assessor Ricardo Schummann emitir o extrato da conta do caseiro. Num depoimento considerado "evasivo", Mattoso não atribuiu nem dividiu a responsabilidade por esse ato com o ex-ministro Antonio Palocci, suspeito de ser o mandante da quebra do sigilo. Mattoso foi indiciado pela PF por quebra de sigilo bancário e funcional. Ele repassou para o ex-ministro Antonio Palocci o extrato da movimentação bancária de Francenildo.[32]

Junho[editar | editar código-fonte]

  • Em viagem ao Manaus, Amazonas, Lula ataca fortemente e desafia a oposição: "Quero que eles coloquem CPI na televisão todo dia, toda hora. Que coloquem as torturas que fizeram com muita gente lá", afirmou Lula, ao querer que mostrema TV as sessões das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) criadas para investigar o "mensalão", entre outras denúncias contra o Planalto.[33] O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, diz que "O presidente Lula fez uma bravata, desafiou a oposição a divulgar as imagens das CPIs do mensalão na televisão. Cometeu um cinismo imperdoável e mostra que não aprendeu com a crise".[34] A declaração do Lula repercute negativamente, entre governistas e oposição.[33]
  • Em 2 de junho, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), diz que o Lula parece estar "com os pés um pouco fora do chão", em um comentários às declarações dele, que pediu para a oposição passar "todo dia" as imagens das CPIs que investigam o escândalo do "mensalão". "Ele não deve, em razão das pesquisas eleitorais que a ele são favoráveis agora, tripudiar sobre a sociedade. Ele pode, na verdade, ter um retorno do qual não gostaria", afirmou ele.[35] O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) diz que oposição vai usar no horário eleitoral as imagens de televisão das CPIs que investigaram o escândalo do "mensalão". A declaração de Fortes é mais uma reação de parlamentares à declaração de Lula, que pediu ontem para as imagens fossem mostradas "todo dia" para que a população assista "as torturas que eles fizeram com muita gente lá".[36]
  • O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, disse que a entidade vai entregar na segunda-feira pela manhã o pedido de notícia-crime ao Ministério Público contra o presidente Lula, para que o órgão aprofunde as investigações sobre o suposto envolvimento do presidente no escândalo do mensalão. O pedido já está pronto, mas ainda deve ser analisado por Busato, que retorna do Paraná.[37]
  • Em 6 de junho, 1 ano do aniversário do "mensalão", denunciado pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-deputado está em campanha para eleger a filha Cristiane Brasil, que é vereadora no Rio de Janeiro, sua sucessora na Câmara dos Deputados.[38]

Julho[editar | editar código-fonte]

  • O PT escolhe como secretário do partido, José de Filipi Jr., ex-prefeito por 10 anos de São Caetano, no lugar de Delúbio Soares, que foi expulso do partido depois do escândalo de valerioduto, cargo que estava vago há um ano. Mal assume o cargo, ele é envolvido em problemas das contas da prefeitura e a dívida de 200 mil reais paga do próprio bolso e dos amigos sem declarar a dívida.
  • O presidente Lula nomeia de tarde, o presidente e as três vices-diretorias da estatal de Correios, todos nomeados pela ala governista do PMDB, o mesmo local onde começou a pior crise política do governo Lula, que dura até hoje. A nomeação substitui os interinos que assumiram após a antiga diretoria caíram depois que foi divulgado o vídeo em que aparece o então Chefe do Departamento de Contratação dos Correios, Maurício Marinho, denunciado pela revista e o site Veja no dia 14 de maio do ano passado, subornando 3 mil reais aos dois supostos advogados que filmaram numa câmera escondida na mala. No dia 7 de junho, toda a diretoria de Correios e do IRB (Instituto de Reserguros do Brasil) foram afastados. A denúncia da Veja foi que começou a crise política, instensificada a partir das denúncias de Roberto Jefferson ao jornal Folha de S.Paulo em 6 de junho sobre o mensalão. Marinho foi afastado horas depois dessa denúncia e demitido formalmente no dia 9 de setembro. A nomeação dos diretores de Correios, provoca fortes críticas de toda a oposição do governo Lula. Para o presidente nacional do PMDB, Athur Virgílio, afirmou: “Isso não é governabilidade, isso é baganha!”. Mas para a Ministra da Casa Civil, Dilma Rouself, afirma que as críticas da oposição “são em época eleitoral”. Correios tem o faturamento anual de 9 bilhões de reais e gasta 900 mil para publicidade.

Referências

  1. «Escândalo envolvendo o PT foi uma 'facada nas costas', diz Lula ao 'Fantástico'». Globo Online. 1 de janeiro de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  2. «Mensalão foi "facada" nas costas, diz Lula». Último Segundo. 1 de janeiro de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  3. «Índice: Edição 1940». VEJA on-line. 5 de março de 2016. Consultado em 4 de março de 2017 
  4. «Relatório final da CPI diz que mensalão existiu». Folha Online - Blogs - Josias de Souza. 18 de fevereiro de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  5. «Índice: Edição 1944». VEJA on-line. 26 de março de 2016. Consultado em 4 de março de 2017 
  6. Mendes, Vannildo (28 de setembro de 2007). «Deputado do PP é suspeito de ter recebido R$ 100 mil de corretora». O Estado de S. Paulo. Consultado em 4 de março de 2017 
  7. Souza, Leonardo (28 de março de 2006). «CPI dos Correios listará mais 50 suspeitos». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. Consultado em 4 de março de 2017 
  8. «Conteúdo em: "Camisa de 11 varas"». Blog do NOBLAT. 26 de março de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  9. «Conteúdo em: Calçada da Fama - Para Freddy». Blog do NOBLAT. 26 de março de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  10. «Empresário confirma pagamento de propina a ex-secretário do prefeito Celso Daniel». Senado Federal - Agência Senado. 21 de fevereiro de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  11. Mazenotti, Priscilla (21 de fevereiro de 2006). «Outro empresário de Santo André diz ter pago propina à prefeitura durante gestão de Celso Daniel». Portal da Cidadania. Consultado em 4 de março de 2017 
  12. «PF indicia Jacinto Lamas por sonegação e lavagem de dinheiro». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 22 de fevereiro de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  13. «Deputado que renunciou por causa de "mensalão" consegue aposentadoria». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 24 de fevereiro de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  14. «Alegando ameaças, familiares de Daniel deixam País - Crise no Governo». noticias.terra.com.br. Terra. 2 de março de 2006. Consultado em 4 de março de 2017 
  15. «Okamotto trocava telefonemas com acusados do mensalão». Tribuna da imprensa online. 27 de setembro de 2007. Consultado em 5 de março de 2017 
  16. «Índice: Edição 1946». Veja. 9 de março de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  17. «Ratinho se Defende de Acusações da Revista Veja». 9 de março de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  18. Pagnan, Rogério (6 de março de 2006). «Delegado diz ter indícios da participação de Palocci em esquema de fraudes em Ribeirão». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de março de 2017 
  19. Piovesan, Eduardo (8 de março de 2006). «Câmara absolve Roberto Brant por 283 votos a 156». Câmara dos Deputados do Brasil. Consultado em 5 de março de 2017 
  20. Piovesan, Eduardo (8 de março de 2006). «Câmara rejeita perda de mandato de Professor Luizinho». Câmara dos Deputados do Brasil. Consultado em 5 de março de 2017 
  21. Castro, Augusto (8 de março de 2006). «Ex-funcionários da Prefeitura de Ribeirão Preto confirmam superfaturamentos em contratos». Senado Federal - Agência Senado. Consultado em 5 de março de 2017 
  22. «Extratos revelam depósitos para caseiro». Revista Época. 17 de março de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  23. «Em 23/03/2006, a deputada Ângela Guadagnin comemora absolvição de colega no escândalo do Mensalão». topicos.estadao.com.br. Estadão. 23 de março de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  24. «Escândalo do "mensalão"/A hora da impunidade: Almoço em Brasília reúne mensaleiros do PT». www1.folha.uol.com.br. Folha de S.Paulo. 7 de abril de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  25. «Saiba quem deixa o governo Lula para disputar as eleições». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 30 de março de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  26. Moura, Renata (22 de dezembro de 2009). «Relatório provoca confronto: Delcídio Amaral faz críticas a Osmar Serraglio e diz que mensalão não configura compra de consciências». JB Online. Consultado em 5 de março de 2017 
  27. Scardamaglia, Virginia. «Voy a ayudar mucho a la reelección». www.pagina12.com.ar (em espanhol). Página/12. Consultado em 5 de março de 2017 
  28. «Okamotto nega ser pagador de contas de Lula e não abre sigilo». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 4 de abril de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  29. «Conselho de Ética aprova pedido de cassação de Josias Gomes». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 4 de abril de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  30. a b «Idéias e fatos: No Planalto». Blogs da Folha de S. Paulo - Josias de Souza. 8 de abril de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  31. «Palocci presta depoimento à Polícia Federal e é indiciado». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 4 de abril de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  32. «Mattoso volta a assumir culpa pela violação do sigilo do caseiro». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 29 de maio de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  33. a b «Petistas e tucanos antecipam debate eleitoral e trocam farpas em público». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 1 de junho de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  34. Matais, Andreza (1 de junho de 2006). «Lula fez "bravata" ao desafiar oposição a mostrar imagens das CPIs, diz Alckmin». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de março de 2017 
  35. «Presidente Lula está com "pés fora do chão", diz Aécio». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 2 de junho de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  36. «Oposição vai mostrar imagens de CPI na TV, diz Heráclito Fortes». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 2 de junho de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  37. «OAB deve entregar na segunda-feira pedido para investigar Lula por mensalão». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 2 de junho de 2006. Consultado em 5 de março de 2017 
  38. «Cassado, Jefferson agora se empenha em eleger sua filha para a Câmara». www1.folha.uol.com.br. Folha de S. Paulo. 6 de junho de 2006. Consultado em 5 de março de 2017