Cláudio Taffarel

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Taffarel
Taffarel
Taffarel na Seleção Brasileira em 2018
Informações pessoais
Nome completo Cláudio André Mergen Taffarel
Data de nasc. 8 de maio de 1966 (55 anos)
Local de nasc. Santa Rosa (RS), Brasil
Nacionalidade brasileiro
italiano
alemão
Altura 1,83 m
destro
Apelido Taffa
São Taffarel
O homem das mãos santas
Informações profissionais
Equipa atual Brasil
Posição ex-goleiro
Função treinador de goleiros
Clubes de juventude
Internacional
Clubes profissionais
Anos Clubes
1985–1990
1990–1993
1993–1994
1995–1998
1998–2001
2001–2003
Internacional
Parma
Reggiana (emp.)
Atlético Mineiro
Galatasaray
Parma
Seleção nacional
1987–1998 Brasil
Times/Equipas que treinou
2011–2020
2014–
Galatasaray (treinador de goleiros)
Brasil (treinador de goleiros)
Medalhas
Jogos Olímpicos
Prata Seul 1988 Futebol
Jogos Panamericanos
Ouro Indianápolis 1987 Futebol

Cláudio André Mergen Taffarel, ou simplesmente Taffarel (Santa Rosa, 8 de maio de 1966), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como goleiro. Atualmente é o treinador de goleiros da Seleção Brasileira.

Reconhecidamente um dos maiores ídolos da história da Seleção Brasileira e considerado por muitos um dos melhores goleiros brasileiros de todos os tempos. Jogando três Copas do Mundo (1990, 1994 e 1998), Taffarel soma, pela Seleção principal, 104 jogos oficiais e 9 jogos não oficiais, além de seis jogos pela Seleção Olímpica e quatro pela seleção do Pan Americano, somando 123 jogos. Integra o Hall da Fama da seleção no Museu do Futebol Brasileiro, ao lado de jogadores como Pelé, Zico, Romário e Ronaldo.[1]

Caracterizou-se por ser um especialista em defender pênaltis, ganhando até um bordão do narrador Galvão Bueno, o "Sai que é sua, Taffarel!". Apesar da crença geral que a frase foi criada e repetida pelo locutor devido à colocação perfeita e às defesas difíceis do arqueiro, em entrevista a Pedro Bial o locutor revelou que a expressão fora criada devido ao costume do atleta em não sair de perto da trave do gol, utilizando originalmente a frase para incentivar que Taffarel fosse mais proativo nas partidas.

Origens[editar | editar código-fonte]

Pertencente a uma família pobre de descendentes de imigrantes italianos e alemães, é natural de Crissiumal e nasceu num hospital em Tuparendi, que na época pertencia ao município de Santa Rosa. Passou a infância na cidade de Crissiumal, coincidentemente a mesma onde nasceu o também ex-goleiro Danrlei.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Internacional[editar | editar código-fonte]

Começou a jogar profissionalmente no Colorado em 1985 e se tornou ídolo imediato de uma torcida acostumada com goleiros sensacionais como Manga e Benítez. Taffarel, inclusive, apareceria para o futebol sendo conhecido pelo seu primeiro nome, Cláudio.[2] Muito jovem, marcou presença no Brasileiro de 1986, quando foi uma das revelações da competição. Rapidamente se tornou uma presença nacional de destaque, com sua convocação para seleção sendo praticamente exigida por toda a torcida brasileira devido a suas grandes atuações no Inter.

Foi um dos destaques da final da Copa União de 1987 (equivalente ao Campeonato Brasileiro). No ano seguinte, levou o Inter a mais uma final de Campeonato Brasileiro, ficando com o vice-campeonato pela segunda vez consecutiva. Deixou o Internacional tendo disputado 24 "Grenais" e sem ter conquistado nenhum título.

Parma[editar | editar código-fonte]

O melhor goleiro brasileiro no final da década de 80 e em toda a década de 90, Taffarel era sinônimo de ser goleiro. Ídolo nacional, construiu sua carreira europeia no Parma, da Itália, que o contratou após a Copa do Mundo de 1990 na Velha Bota. Taffarel jogou pelo Parma por cinco temporadas. Sua primeira passagem foi de 1990 a 1993, período em que conquistou dois títulos importantes: a Copa da Itália, em 1992, e a Recopa Europeia, em 1993. Estreou com a camisa número 1 (um) na temporada 1990–91, jogando todas as 34 partidas do Campeonato Italiano. Repetiu o feito na temporada 1991–92.

Reggiana[editar | editar código-fonte]

Na temporada 1993–94, Taffarel foi emprestado pelo Parma para o Reggiana. O reforço do brasileiro fez com que o time permanecesse na Serie A para a próxima temporada. Defendeu um pênalti na última rodada do Campeonato Italiano de 1993–94, contra o Milan. Taffarel foi considerado um dos melhores goleiros do Campeonato Italiano de 1994, o que lhe rendeu a convocação para Copa do Mundo nos Estados Unidos naquele mesmo ano.

Atlético Mineiro[editar | editar código-fonte]

Taffarel chegou ao Atlético-MG em 1995, comprado do Parma por R$ 1,3 milhões de reais, até então a contratação de goleiro mais cara da história do futebol brasileiro. Sua chegada foi celebrada por uma grande festa pelas ruas de Belo Horizonte. O Atlético-MG organizou uma carreata com trio elétrico, que durou por cerca de três horas e levou milhares de pessoas às ruas. Taffarel fez sua estreia pelo Galo em um amistoso contra o Flamengo, em 10 de fevereiro de 1995, no qual o placar final foi de 3 a 2 para o Atlético-MG. Atuou pelo clube mineiro dos anos de 1995 até 1998, se despedindo na vitória sobre a Caldense por 2 a 0 em jogo válido pelo Campeonato Estadual. Foi para a Copa de 1998 convocado pelo técnico Zagallo, e de lá partiu para o Galatasaray, da Turquia, numa negociação que custou US$ 600 mil. Devido ao carinho que criou pela torcida atleticana, escreveu em sua saída uma carta pública a explicando os motivos que o fizeram decidir por deixar o clube. Essa carta foi publicada no jornal Estado de Minas em 12 de julho de 1998.

O ex-jogador participou de 191 jogos com a camisa alvinegra e levou 203 gols no total. Nesse tempo, Taffarel conquistou três títulos: o Campeonato Mineiro de 1995, a Copa Centenário de Belo Horizonte de 1997 e a Copa Conmebol de 1997. Taffarel é, também, o quarto goleiro que mais atuou pelo clube em sua história.

Galatasaray[editar | editar código-fonte]

Na Europa, ainda é lembrado por ter parado o grande atacante francês Thierry Henry na final da Copa da UEFA de 1999–00. Taffarel era na época goleiro do Galatasaray e esse foi o primeiro título continental do clube turco. Na final, o Galatasaray e o Arsenal se enfrentaram no Estádio Parken, na Dinamarca, num jogo bastante equilibrado, que terminou num empate em zero a zero no fim dos noventa minutos e se estendeu até ao prolongamento. Na decisão por pênaltis, o Galatasaray levou a melhor, vencendo por 4 a 1. Ergün Penbe, Hakan Şükür, Ümit Davala e Gheorghe Popescu marcaram para o Galatasaray, não possibilitando nenhuma defesa a David Seaman. Do lado do Arsenal, apenas Ray Parlour concretizou, sendo que Davor Šuker e Patrick Vieira falharam contra Taffarel.[3]

Com esta vitória na Copa da UEFA, o Galatasaray fez história ao conquistar quatro troféus numa só época, juntando esta conquista ao Campeonato Turco, a Copa da Turquia e a Supercopa da UEFA de 2000. A decisão da Supercopa, disputada em agosto de 2000 no Stade Louis II, reunia o Galatasaray, campeão da Copa da UEFA e o Real Madrid, campeão da Liga dos Campeões. O Galatasaray venceu por 2 a 1, conquistando assim o quarto título da temporada, um recorde não superado até hoje no futebol turco. A contribuição de Taffarel naquela temporada, foi espetacular, levando o Galatasaray a ser o segundo no ranking da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol), ficando atrás apenas do clube madrilenho. Sua atuação pelo time de Istambul entre 1998 e 2001 foi intensa, e Taffarel foi considerado um verdadeiro fenômeno entre a garotada turca.

Idolatrado pela fanática torcida do Galatasaray, em 2011 Taffarel foi contratado para ser o treinador de goleiros no clube turco.[4]

Retorno ao Parma[editar | editar código-fonte]

Seu retorno ao clube aconteceu já no final de sua carreira, na temporada 2001–02, com tempo de conquistar mais um título no seu currículo: a Copa da Itália de 2002, após boas defesas na vitória na final contra a Juventus. Nessa época, Taffarel era sondado por vários clubes do Brasil como Corinthians, Cruzeiro e Fluminense. Entretanto, em 2003, aos 37 anos, o brasileiro preferiu encerrar sua carreira em território italiano.[5]

Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

Olimpíadas[editar | editar código-fonte]

Começou a se destacar nas Olimpíadas de Seul em 1988, quando espantou o mundo, fechando o gol do Brasil na semifinal contra a Alemanha. Naquela partida, Taffarel defendeu três pênaltis, um na prorrogação e, mais dois na decisão das penalidades. Com o feito, levou o Brasil a grande final contra a antiga União Soviética, porém, na grande final, deixou escapar o ouro, perdendo o jogo por 2 a 1 de virada, se tornado vice-campeão olímpico, com a medalha de prata. A partir dali, Taffarel começava a aparecer no cenário do futebol mundial; grandes atuações no Internacional e na Seleção fizeram com que os italianos o levassem ao Parma, sendo o primeiro goleiro brasileiro a jogar no futebol italiano.

Seleção principal[editar | editar código-fonte]

Pela Seleção Brasileira, Taffarel tem o maior número de jogos de um goleiro da história. Foram 123 aparições, com 113 jogos pela seleção principal. Cláudio Taffarel soma quatro jogos oficiais restritivos pela seleção dos Jogos Pan-Americanos de 1987 em Indianápolis e seis jogos nos Jogos Olímpicos de Verão de 1988. Jogou também as Copas do Mundo de 1990 na Itália, 1994 nos Estados Unidos e 1998 na França. Taffarel sofreu 15 gols nos 18 jogos em que defendeu o Brasil nas Copas do Mundo. Seu grande ápice na Seleção Brasileira foi a campanha rumo ao título na Copa do Mundo de 1994, defendendo a cobrança de Daniele Massaro na disputa por pênaltis contra a Itália em plena final. Também disputou a final de 1998, perdida para a França, após defender dois pênaltis, de Phillip Cocu e Ronald de Boer, na disputa por pênaltis na semifinal contra a Holanda.[6]

O bordão "Sai que é sua, Taffarel!" foi criado pelo narrador Galvão Bueno para as defesas do goleiro na Copa do Mundo de 1994.[7]

O ponto forte: defesa de pênaltis[editar | editar código-fonte]

Começou a ser destaque nesse quesito no Campeonato Mundial Sub-20, na conquista do título em 1985. Ele defendeu um pênalti no tempo normal na semifinal contra a Nigéria, garantindo a vitória por 2 a 0 ao Brasil. O goleiro sofreu apenas um gol durante todo o torneio. Nas Olimpíadas de Seul, em 1988, foi novamente a grande estrela do Brasil, defendendo três pênaltis na semifinal contra a Alemanha.

Na Copa do Mundo de 1994, Taffarel foi um dos principais responsáveis pela conquista do Tetra, defendendo o pênalti de Daniele Massaro na final contra a Itália. No ano seguinte, na semifinal da Copa América de 1995, contra a Argentina, defendeu duas cobranças. Na Copa do Mundo de 1998, na França, Taffarel mostrou ao mundo que era mesmo o maior pegador de pênaltis de sua época. Fechou o gol na semifinal contra a Holanda, acertou o canto nas quatro cobranças e defendeu duas, garantindo a vitória ao Brasil por 4 a 2 e levando o país a sua segunda final de Copa do Mundo consecutiva. A última disputa por pênaltis da sua carreira foi na final da Copa da UEFA, em 17 de maio de 2000, quando defendia as cores do Galatasaray.

Prêmios e recordes[editar | editar código-fonte]

A IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol) retrata Taffarel como um dos melhores da história. Entre 1989 e 2013, Taffarel já esteve presente em 13 listas. Quando ainda era jogador, destacou-se por oito vezes entre os dez melhores do mundo. Com a carreira finalizada em 2003, aos 37 anos, Taffarel ainda foi considerado o 10º melhor goleiro do mundo na história da IFFHS por cinco anos consecutivos (2009, 2010, 2011, 2012, 2013).

Taffarel é o único goleiro campeão mundial da história a defender um pênalti numa final de Copa do Mundo. Tornou-se também o único jogador da Seleção Brasileira a nunca ser substituído em três Copas do Mundo consecutivas: 1990, 1994 e 1998, num total de 18 jogos como titular absoluto. Taffarel é dono do recorde em jogos de um goleiro brasileiro na história da Copa América com 25 partidas em cinco edições disputadas: 1989, 1991, 1993, 1995 e 1997. Foi bicampeão, vencendo em 1989 e 1997.

Seleção Brasileira[editar | editar código-fonte]

Seleção Ano Jogos Gols
Seleção Brasileira 1987 4 0
1988 16 0
1989 16 0
1990 7 0
1991 10 0
1992 2 0
1993 15 0
1994 9 0
1995 5 0
1996 0 0
1997 15 0
1998 15 0
Jogos não-oficiais 9 0
Total 123 0

Títulos[editar | editar código-fonte]

Parma
Atlético Mineiro
Galatasaray
Seleção Brasileira

Campanhas de destaque[editar | editar código-fonte]

Seleção Brasileira
Internacional

Prêmios individuais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Rogério Micheletti. «Taffarel - Que fim levou?». Terceiro Tempo. Consultado em 26 de abril de 2021 
  2. «11 jogadores que "mudaram de nome" durante a carreira». UOL. 15 de outubro de 2016. Consultado em 26 de abril de 2021 
  3. «Taffarel é campeão da Copa da Uefa com o Galatasaray, da Turquia». Folha de S.Paulo. 17 de maio de 2000. Consultado em 26 de abril de 2021 
  4. «Herói do tetra, Taffarel vive idolatria na Turquia: 'Isso aqui é o paraíso'». GloboEsporte.com. 9 de fevereiro de 2014. Consultado em 26 de abril de 2021 
  5. «Taffarel se aposenta e quer ter restaurante em Parma». GloboEsporte.com. 25 de setembro de 2003. Consultado em 26 de abril de 2021 
  6. Felipe dos Santos Souza (8 de maio de 2016). «Taffarel, 50 anos: Entre o céu e o inferno, o goleiro fez história na Seleção». Trivela. Consultado em 26 de abril de 2021 
  7. Márcio Donizete (27 de junho de 2017). «Galvão Bueno revela origem do famoso bordão 'Sai que é sua, Taffarel'». Torcedores.com. Consultado em 26 de abril de 2021 
  8. «Taffarel, em 10º, é eleito o melhor goleiro brasileiro dos últimos 25 anos pela IFFHS; Ceni é o 33º». UOL. 17 de janeiro de 2013. Consultado em 26 de abril de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Cláudio Taffarel