Democratas (Brasil)

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Partidos Políticos do Brasil Bandeira do Brasil
Democratas
Presidente Rodrigo Maia
Fundação 28 de março de 2007
Sede Senado Federal - Anexo I - 26° andar - Brasília/DF
Ideologia Política Liberalismo
Cores Azul, Branco e Verde
Número no TSE 25
Website www.democratas.org.br

Democratas (DEM) é um partido político brasileiro, de tendência liberal, fundado em 24 de janeiro de 1985 com o nome de Partido da Frente Liberal (PFL), a partir de uma dissidência do extinto Partido Democrático Social (PDS), que era originário da Aliança Renovadora Nacional (ARENA).

Índice

[editar] Posição ideológica

Líderes na convenção de refundação do partido
Líderes na convenção de refundação do partido

Membros de um partido político de âmbito nacional os Democratas têm como diretrizes a defesa da democracia, o exercício dos Direitos Humanos, a defesa da ética e também a economia de mercado e o liberalismo econômico. Conforme entrevista de Jorge Bornhausen à Veja em 2006 o mesmo se apresenta como um partido de centro defensor do liberalismo social sendo afiliado à Internacional Democrática de Centro e não à Internacional Liberal (que une os partidos de ideologia puramente liberal), autoclassificação controversa devido ao seu viés político de direita. Seu código eleitoral é o 25[1] e suas cores oficiais são o azul e o branco. Curiosamente os Democratas são a primeira agremiação brasileira sem "partido" no nome desde o fim do bipartidarismo em 1979 e cuja sigla não é um acrônimo.

A exemplo de seu antecessor imediato o novo partido possui raízes na política Nordestina de onde provém a maior parte de sua bancada, entrementes com a migração do clã Sarney para o PMDB e a morte de Antônio Carlos Magalhães em 2007 sua presença tanto no Maranhão quanto na Bahia foi reduzida embora ainda se faça sentir nos estados da região. Para se ter uma idéia dessa predominância metade dos senadores do partido é oriunda do Nordeste dentre os quais o ex-vice-presidente da República Marco Maciel. Na Cãmara dos Deputados um terço da bancada representa os estados nordestinos, sendo que a Bahia contribui com nove representantes, a maior da legenda. Na Região Sudeste o partido elegeu dezenove representantes. No estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o partido detém a prefeitura da capital cujo titular é Gilberto Kassab, síntese dos anseios políticos do partido no pleito de 2008. Quanto ao Rio de Janeiro o mesmo vem sendo administrado por César Maia que não concorrerá a reeleição.

O atual presidente do DEM é Rodrigo Maia, eleito em 28 de março de 2007. Sobre tal circunstância é importante observar a presença de uma nova geração de líderes que remontam aos próceres do antigo PFL: Rodrigo é filho de César Maia, Antônio Carlos Magalhães Neto remete ao passado político do avô e Paulo Bornhausen dá continuidade à linhagem política paterna.

Atualmente, o DEM compõe, junto com o PSDB, o PPS e os pequenos partidos de esquerda, a oposição ao Governo Lula.

[editar] História

[editar] Raízes arenistas

Os Democratas são herdeiros históricos da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido político fundado em 4 de abril de 1966, meses após a extinção do pluripartidarismo a partir da adesão majoritária de membros da UDN e do PSD além de legendas conservadoras de menor vulto eleitoral. Sustentáculo do Regime Militar de 1964, recebeu uma votação esmagadora nas eleições legislativas de 1966 e 1970 graças a fatores como a tibieza de uma oposição depauperada por cassações, censura e ardis para favorecer a agremiação situacionista, em especial com a criação da sublegenda, embuste que reunia sob um mesmo partido correntes políticas rivais evitando defecções rumo à legenda rival. Contudo o avanço do MDB em 1974 e 1978 forçou o governo a alterar as regras políticas de modo a forçar a divisão dos não-governistas e refrear sua sangria. Decretado o fim do bipartidarismo a ARENA é oficialmente extinta em 29 de novembro de 1979, uma semana após a reforma partidária. A antiga ARENA torna-se então o PDS e passa a ser o suporte do governo do então presidente General João Figueiredo.

[editar] Cisão no PDS

Ver artigo principal: Partido Democrático Social

Ainda sob o efeito do crescimento oposicionista o governo manobra para garantir maioria ao PDS nas eleições de vindouras e dá o primeiro passo ao prorrogar a realização do pleito municipal de 1980 transferindo-o para 1982 quando seriam eleitos pelo voto direto os governadores de estado (pela primeira vez desde os anos sessenta) e escolhidos os integrantes do Congresso Nacional que ajudariam a compor o Colégio Eleitoral na eleição do novo Presidente da República em 1985. Fazendo uso do decurso de prazo (instrumento que garantia a aprovação de um projeto de lei do Executivo nos moldes exatos em que foi enviado ao parlamento se este não o apreciar em tempo hábil) o governo aprova em 11 de janeiro de 1982 uma lei eleitoral que proibia as coligações partidárias e instituia a obrigatoriedade do voto apenas em candidatos de um mesmo partido. Graças a esses "planos de contingência" o PDS elege o maior número de governadores, senadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores.

[editar] Partido da Frente Liberal

Ver artigo principal: Partido da Frente Liberal

O ano de 1984 ficou marcado na história brasileira por uma série de acntecimentos que pôs fim ao Regime Militar instaurado em 31 de março de 1964. Durante os quatro primeiros meses do ano uma série de comícios organizados pela oposição e com o apoio maciço da sociedade civil deu forma à campanha das Diretas Já que exigia eleições diretas para Presidente conforme previa a Emenda Dante de Oliveira. Em 10 de janeiro o PDS rejeitou tal proposição, mas em 7 de fevereiro surgiu um grupo pró-Diretas no partido. Nesse meio tempo houve um comício em Curitiba e no dia do aniversário de São Paulo 300 mil pessoas compareceram a um outro na Praça da Sé. A reação do governo foi conhecida através de um pronunciamento do presidente Figueiredo pela televisão no vigésimo aniversário do regime quando o mesmo admitiu a eleição direta, mas somente para 1988. Às vésperas da votação foi decretado estado de emergência no Distrito Federal e em alguns municípios de Goiás sendo que em 25 de abril de 1984 a ausência de 112 deputados pedessistas impediu que se alcançasse o quorum necessário para a apreciação da emenda pelo Senado Federal.

Frustrada a eleição direta as discussões sobre a sucessão presidencial se voltam para o Colégio Eleitoral. Nesse ponto o PDS se encontrava buliçoso e os embates resultaram nas candidaturas de Paulo Maluf e Mário Andreazza e na dissidência da Frente Liberal, que conversava com o PMDB em apoio a Tancredo Neves ainda antes da escolha de Paulo Maluf e Flávio Marcílio (deputado federal pelo Ceará e piauiense de nascimento) como candidatos a Presidente e a vice-presidente da República ao invés de Mário Andreazza e Divaldo Suruagy. A claque malufista, contudo, não pôde impedir a debandada de seus adversários rumo à candidatura oposicionista. Com o apoio de Aureliano Chaves, Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen e Guilherme Palmeira, dentre outros, a Frente Liberal indicou José Sarney como candidato a vice-presidente na chapa do PMDB. No dia 15 de janeiro de 1985 a chapa Tancredo/Sarney obteve 480 dos 686 votos do Colégio Eleitoral (70% do total). Nove dias depois, em 24 de janeiro de 1985, surgiu o Partido da Frente Liberal (PFL), arrimo da aliança que elegeu Tancredo Neves e sustentou a seguir o governo Sarney.

Em mais de vinte anos de história o Partido da Frente Liberal fez do Nordeste base de sua força política graças aos nomes de Antônio Carlos Magalhães na Bahia, Marco Maciel em Pernambuco e da família Sarney no Maranhão, embora o patriarca jamais tenha deixado o PMDB. Ao todo o partido elegeu o governador no Distrito Federal e em mais treze estados bem como prefeitos em onze capitais brasileiras, inclusive Rio de Janeiro e Curitiba, marco de sua incursão no Sudeste e no Sul do Brasil, respectivamente. Quanto ao Congresso Nacional e às disputas municipais, o partido sempre esteve situado entre os dois primeiros lugares.

Aureliano Chaves é escolhido candidato a Presidente da República em 1989 contudo a tibieza de sua campanha levou suas bases a apoiar a candidatura de Fernando Collor do PRN ainda que senadores pefelistas tenham arquitetado a candidatura do empresário Sílvio Santos numa manobra tolhida pelo Tribunal Superior Eleitoral. Aliado de Collor no segundo turno da eleição contra Luiz Inácio Lula da Silva o PFL participou de seu governo e mesmo após o impeachment integrou a coalizão que sustentou Itamar Franco. Nos anos de 1994 e 1998 apoiou Fernando Henrique Cardoso e assim garantiu a vaga de vice-presidente para Marco Maciel. Próximo ao pleito de 2002 uma operação da Polícia Federal em São Luís prejudicou a pré-candidatura de Roseana Sarney à presidência e levou ao rompimento com o governo.

Opositor indormido do governo Lula o PFL recompôs sua coligação com o PSDB com vistas à eleição presidencial de 2006 e apresentou o senador pernambucano José Jorge como vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin e nesse mesmo ano o partido assistiu à posse de Cláudio Lembo como governador de São Paulo após a renúncia de Alckmin para disputar o Planalto e à entronização de Gilberto Kassab como alcaide paulistano diante da renúncia de José Serra para disputar (e vencer) o governo do estado.

Após a derrota de Geraldo Alckmin no segundo turno das eleições presidenciais de 2006, o senador Jorge Bornhausen, presidente do partido à época, anunciou a intenção de lançar candidato próprio (talvez prefeito do Rio de Janeiro, César Maia) à Presidência da República em 2010 ao invés de apoiar novamente um tucano. Em 28 de março de 2007 a história do PFL chegou ao fim com a fundação dos Democratas.

[editar] A Era dos Democratas

O partido resolve passar um processo de "refundação", em que alterou alguns pontos de seu programa e a dar mais espaço para membros mais jovens. Em 28 de março de 2007, muda de nome para recuperar sua imagem após péssimos resultados nas eleições de 2006, em que perdeu dezenove cadeiras na Câmara dos Deputados e uma cadeira no Senado, além de conquistar apenas o governo do Distrito Federal. O primeiro nome escolhido foi "Partido Democrata" (PD). Entretanto, decidiram modificar sua sigla para DEM e seu nome para "Democratas". A eleição do deputado fluminense Rodrigo Maia como presidente do partido indica uma mudança de núcleo do Nordeste para o Rio de Janeiro.

A idéia de uma nova imagem para o antigo PFL não chegou a ser uma aspiração isolada, na verdade quando da organização da ainda Frente Liberal um dos nomes cogitados para a nova agremiação foi o de "Partido Liberal Progressista" (PLP), contudo tal ação não vingou. Segundo a Fundação Getúlio Vargas durante o governo Collor uma informação atribuida ao Ministro da Justiça Jarbas Passarinho (e por ele negada com veemência) dava conta de que o PDS e PFL teriam a intenção de se reagrupar no "Partido Social Liberal" (PSL), aliás o termo "social" surgiu como alternativa para uma mudança de nome do partido algum tempo depois, entretanto havia quem apregoasse somente a alteração na expressão "frente" de modo a preservar a sigla PFL. Durante a transição para a nova sigla foi revelado por Jorge Bornhausen que "PFL" era uma denominação provisória apesar de decorridos vinte e dois anos desde a fundação do partido e a expressão "democratas" serve como um contraponto ao que ele qualificou de "onda de populismo" na América do Sul.


Referências

  1. Tribunal Superior Eleitoral: Partidos políticos registrados no TSE, visitado em 25 de julho de 2007
CANTANHEDE, Eliane - O PFL. São Paulo: Publifolha, 2007.
Revista ISTO É: Brasil 500 Anos - Atlas Histórico. São Paulo, Editira Três, 1998.

[editar] Ligações externas


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