Coração humano

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Vista anterior do coração humano.

O coração humano é o órgão responsável pelo percurso do sangue bombeado através de todo o organismo, que é feito em aproximadamente 45 segundos em repouso. Bate cerca de 109.440 a 110.880 vezes por dia, bombeando aproximadamente 5 l de sangue.[1]

Neste tempo o órgão bombeia sangue suficiente a uma pressão razoável, para percorrer todo o corpo nos sentidos de ida e volta, transportando assim, oxigênio e nutrientes necessários às células que sustentam as atividades orgânicas.

Anatomia e morfologia[editar | editar código-fonte]

Visão posterior do coração humano.

O coração é o órgão central da circulação, e pode localizar-se em 3 posições no corpo:[2]

  • Levocardia - posicionamento normal do coração do lado esquerdo do torax.
  • Mesocardia - anomalia que faz com que a pessoa nasça com o coração no centro do torax.
  • Situs inversus - anomalia que faz com que a pessoa nasça com o coração do lado direito do tórax.

Normalmente fica localizado na caixa torácica, levemente inclinado para direita e para baixo (mediastino médio). Porém, existe uma anomalia chamada Dextrocardio que faz com que o indivíduo nasça com o coração levemente inclinado para esquerda e para baixo.

É constituído por uma massa contráctil - o miocárdio - revestido interiormente por uma membrana fina - o endocárdio - e envolvido por um saco fibro-seroso, o pericárdio.

O coração é constituído por duas porções: a metade direita ou coração direito, onde circula o sangue venoso e a metade esquerda, onde circula sangue arterial. Cada uma destas metades do coração é constituída por duas cavidades, uma superior - a aurícula - e uma inferior - o ventrículo. Estas cavidades comunicam entre si pelos orifícios aurículo-ventriculares. As duas aurículas encontram-se separadas pelo septo interauricular e os dois ventrículos pelo septo interventricular.

Na cavidade atrioventricular esquerda encontra-se a valva mitral, e no orifício atrioventricular direito a valva tricúspide (são valvas que se abrem em direção ao ventrículo e se fecham para evitar o refluxo do sangue).

A circulação sanguínea é assegurada pelo batimento cardíaco, ou seja, o batimento do coração, que lança o sangue nas artérias.

O coração é um órgão muscular que, no ser humano, tem o tamanho aproximado de um punho fechado.

Câmaras do coração[editar | editar código-fonte]

O coração apresenta quatro câmaras: dois átrios e dois ventrículos. As câmaras superiores (átrios) encontram-se separados pelo septo interarterial e as câmeras inferiores (ventrículos) que são separadas pelo septo interventricular [3] . Os átrios funcionam como câmaras receptoras do sangue de várias partes do corpo; os ventrículos funcionam como câmaras bombeadoras [3] . Na metade direita do coração só circula sangue venoso, na esquerda sangue arterial. A circulação do sangue nestas quatro cavidades está controlada pelas válvulas. As válvulas também servem de meio de comunicação entre os átrios e os ventrículos.

O átrio direito forma a porção direita superior do coração. Possui uma espessura média de 2 a 3 mm, e apresenta paredes anterior e posterior com texturas muito diferentes. A parede posterior é lisa e a anterior é enrugada. O sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito através de uma valva tricúspide, também chamada de valva atrioventricular direita[4] .

O átrio esquerdo possui aproximadamente a mesma espessura do átrio direito e compõem a maior parte da base do coração. Esta câmara recebe sangue vindo dos pulmões. Apresenta uma parede posterior lisa e diferentemente do átrio direito sua parede anterior também é lisa. O sangue é transportado do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo pela valva atrioventricular esquerda (bicúspide ou mitral)[4] .

O ventrículo direito apresenta por volta de 4 a 5 mm e compõe a maior parte anterior do coração. O interior do ventrículo direito apresenta cristas que são compostas por fibras musculares cardíacas elevadas conhecidas como trabéculas cárneas. As valvas da válvula atrioventricular direita estão conectadas a cordas tendíneas e estas estão conectadas as trabéculas coniformes chamadas de músculos papilares. O sangue passa do ventrículo direito pela valva do tronco pulmonar, para a artéria chamada de tronco pulmonar, que se bifurca em artérias pulmonares esquerda e direita[4] .

O ventrículo esquerdo é a câmara com maior espessura do coração, e mede em entre 10 a 15 mm, formando o ápice do coração. Assim como o ventrículo direito, apresenta também trabéculas cárneas e possui cordas tendíneas que sustentam as válvulas atrioventriculares esquerdas aos músculos papilares. O sangue passa do ventrículo direito, pela valva da aorta, para a parte ascendente da aorta. Um pouco desse sangue flui das artérias coronárias para a parede do coração e o restante para a parte descendente da aorta que levam o sangue para o resto do corpo[4] .

Valvas cardíacas[editar | editar código-fonte]

De acordo com a contração de cada câmara do coração, esta empurra um volume de sangue para o ventrículo ou para uma artéria. As valvas se abrem e se fecham conforme às alterações de pressão quando ocorre a contração e o relaxamento do coração. Cada uma das quatro valvas do coração abrem-se e deixam o sangue passar e fecham-se para evitar o seu refluxo[4] .

As valvas atrioventriculares estão localizadas entre um átrio e um ventrículo, por isso são denominadas valvas atrioventriculares (AV). Quando estas valvas estão abertas, as suas extremidades arredondadas projetam-se para o ventrículo. Quando ocorre o relaxamento dos ventrículos, os músculos papilares também encontram-se relaxados e as cordas tendíneas frouxas e o sangue vem dos átrios (pressão elevada) para os ventrículos (pressão mais baixa), por meio das valvas atrioventriculares que encontram-se abertas. Quando os ventrículos se contraem, a pressão exercida pelo sangue empurra as válvulas para cima e elas fecham-se. No mesmo momento, ocorre a contração dos músculos papilares e puxa assim, as cordas tendíneas, evitando a abertura da valva em direção aos átrios em resposta à alta pressão ventricular[4] .

Camadas do coração[editar | editar código-fonte]

O coração está envolvido pelo pericárdio, um saco membranoso composto por duas camadas. Entre essas duas camadas acha-se um espaço que contem um líquido seroso, que lubrifica a superfície do coração, protegendo-o de traumas e atritos. Separa o coração dos pulmões e das paredes do tórax.

A parede do coração propriamente dito consiste de três camadas:

  1. o pericárdio é a camada externa lisa;
  2. o miocárdio é a camada muscular média, espessa; é responsável pela ação de bombeamento cardíaco; é capaz de trabalhar ininterruptamente;
  3. o endocárdio é a membrana que reveste o interior do coração, entra em contato com o sangue.

Externamente, encontramos a circulação coronariana, formada pelas artérias e veias coronárias, sendo estas primeiras originárias da aorta, levam o sangue oxigenado para toda a musculatura do coração.

Ciclo cardíaco[editar | editar código-fonte]

Ciclo Cardíaco Ventrículo Esquerdo

O coração contrai e relaxa constantemente, em um processo chamado de ciclo cardíaco e composto por sístole e diástole, respectivamente. Nesse processo, bombeia todo o sangue do nosso corpo. É uma bomba hidráulica, em que os tubos de saída são as artérias e os tubos de entrada as veias; o líquido que anda a circular é o sangue. Seu sincronismo atua como se fossem duas bombas trabalhando simultaneamente[5] . Uma das bombas engloba a átrio direito e o ventrículo direito e a outra a átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. A função do átrio e do ventrículo direitos é arrastar o sangue para os pulmões, onde se liberta o dióxido de carbono e se fornece de oxigênio. Por outro lado, o átrio e o ventrículo esquerdos têm o trabalho de arrastar o sangue enriquecido de oxigênio para todas as partes do corpo.

O coração exibe um ciclo ritmo definido de contração (sístole) e relaxamento (diástole). “Um único ciclo cardíaco compreende todos os eventos associados a um batimento cardíaco. Portanto em cada ciclo cardíaco, consiste em sístole e diástole dos átrios, mais a sístole a diástole dos ventrículos”[4] , e os ventrículos se contraem e relaxam de forma alternada, de modo geral, há uma diferença de pressão em determinados momentos do ciclo para que o sangue passe dos átrios para os ventrículos e depois seja ejetado.

Wikcionário
O Wikcionário possui o verbete diástole.
Wikcionário
O Wikcionário possui o verbete sístole.

Geração do impulso cardíaco[editar | editar código-fonte]

Existem potenciais elétricos através das membranas de praticamente todas as células do corpo. Algumas células, como as células nervosas e musculares, são capazes de gerar e conduzir impulsos eletroquímicos com rapidez em suas membranas. Esses impulsos são transmitidos por potenciais de ação, rápidas alterações do potencial de membrana que se propagam com grande velocidade por toda a membrana da fibra muscular. Cada potencial de ação começa por alteração repentina do potencial de membrana normal negativo para um potencial positivo, terminando com retorno quase tão rápido para potencial negativo. Para conduzir o impulso, o potencial se desloca ao longo da célula.

  • Estágios do potencial de ação
  1. Estágio de repouso: O potencial de membrana é equivalente ao potencial de repouso. Diz-se que a membrana está “polarizada” (concentração de cargas negativas no meio intracelular e positiva no meio extracelular) durante esse estágio, no qual esta age como capacitor.
  2. Estágio de despolarização: Nesse estágio a membrana encontra-se subitamente muito permeável aos íons sódio e cálcio, permitindo que grande número de íons positivamente carregados se difunda para o interior da célula.
  3. Estágio de repolarização: após a membrana ter ficado muito permeável aos íons sódio, os canais começam a se fechar, resultando em aumento a permeabilidade ao potássio. A rápida difusão dos íons potássio para o exterior reestabelece o potencial de repouso negativo da membrana.

A contração da musculatura cardíaca, essencial para que o coração desempenhe sua função de bomba, é dependente da despolarização ordenada das células musculares cardíacas[6] .

Se uma única célula cardíaca despolarizar-se além do limiar, inicia um potencial de ação que irá se propagar de célula a célula. Essa propagação do potencial de ação causa a contração cardíaca como um todo. Poucas células especializadas cardíacas têm a propriedade de despolarizar espontaneamente em direção ao limiar para a formação de potenciais de ação[6] .

Quando uma célula dessas atinge seu potencial de ação o resultado é o batimento do coração. Estas células são conhecidas como células marcapasso, porque iniciam o batimento cardíaco e determinam a frequência, ou o passo do coração[6] .

Condução do impulso cardíaco[editar | editar código-fonte]

A cada ciclo cardíaco é desencadeado por um potencial de ação que se inicia no nodo sino-atrial. Este nodo situa-se na parte superior do átrio direito, perto da abertura da veia cava superior. Ele quase não contém filamentos contráteis, de modo que se conectam diretamente com as fibras atriais. Qualquer potencial de ação originado no nodo sino-atrial e propaga imediatamente pelos átrios, pelo feixe atrioventricular até atingir os ventrículos[4] .

Nas fibras do nodo sinusal, devido a sua negatividade muito menor, a maioria dos canais rápidos de sódio ficam bloqueados. Consequentemente, só os canais lentos de cálcio e sódio podem se abrir e, assim, produzir o potencial de ação. Este, por sua vez, tem desenvolvimento mais lento que o do músculo ventricular[6] .

Devido à alta concentração de íons sódio no líquido extracelular e à carga elétrica negativa no interior das fibras do nodo sinusal em repouso, os íons positivos de sódio tendem a vazar para o interior das fibras. Como resultado, o influxo de íons sódio produz um potencial de membrana menos negativo. Desse modo, o potencial de repouso fica menos negativo entre dois batimentos consecutivos e, quando atinge um limite, os canais de cálcio e sódio são ativados, causando o fluxo desses íons, gerando o potencial de ação. Posteriormente, os canais de cálcio e sódio se fecham e, quase ao mesmo tempo, um grande número de canais de potássio se abre. Assim, o influxo de íons cálcio e sódio são interrompidos, enquanto que grande quantidade de íons potássio se difunde para fora da célula, finalizando o potencial de ação. Os canais de potássio ficam abertos por mais algum tempo, transferindo um excesso de cargas positivas de potássio para fora da célula, gerando temporariamente, excessiva negatividade no interior da fibra (hiperpolarização)[6] .

Transmissão do impulso cardíaco pelos átrios[editar | editar código-fonte]

As terminações das fibras do nodo sinoatrial se fundem com as fibras musculares atriais circundantes através de canais iônicos, por meio dos quais os potenciais de ação originados no nodo passam para essas fibras. Assim, o potencial de ação se propaga por toda a massa muscular atrial, até o nodo atrioventricular (nodo A-V, situado na parte posterior do átrio direito). O impulso cardíaco não passa dos átrios para os ventrículos de forma muito rápida, na verdade sofre um retardo de pouco mais de um décimo de segundo pelo simples fato de as fibras condutoras serem extremamente delgadas e conduzirem com muita lentidão[6] . Essa demora é suficiente para que os átrios esvaziem seu conteúdo de sangue nos ventrículos, antes que comece a contração ventricular.

O sistema de Purkinje é um sistema especial de condução de impulso cardíaco. Apesar do impulsopoder ser propagado perfeitamente pelas próprias fibras da musculatura do coração, o sistema Purkinje possibilita maior eficiência na condução, permitindo impulsos com velocidade 5 vezes maior do que a do músculo cardíaco normal. Esse sistema tem origem no nodo sinoatrial. Dele saem feixes muito delicados de fibras de Purkinje (as vias internodais) que passam pela parede dos átrios até o nodo atrioventricular. É justamente nesse caminho até o nodo AV que o átrio é excitado pelas fibras de Purkinje[6] .

Referências

  1. RAFFA, Robert B. et. al. Farmacología Ilustrada. Barcelona: Elsevier, 2008
  2. saude.hsw.uol.com.br Mesocardia, Levocardia e situs inversus Acessado em 22/05/2012.
  3. a b {citar livro|autor=Stanley W Jacob, Clarice Ashwort Francone, Walter J Lossow|título=Anatomia e fisiologia humana|ano=2011|editora=Guanabara-Koogan|local=Rio de Janeiro, RJ|edição=5ª |isbn=8527714116}}
  4. a b c d e f g h Gerard Jerry Tortora, Bryan Derrickson. Princípios de anatomia e fisiologia. 12ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. 1256 p. ISBN 8527716534
  5. Walter Hartwig. Fundamentos da anatomia. [S.l.]: Artmed, 2008.
  6. a b c d e f g A. C. Guyton, J. E. Hall. Tratado de fisiologia médica. 11ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 1115 p. ISBN 8535216413

Ver também[editar | editar código-fonte]