Jack Kirby

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Jack Kirby
Jacob Kurtzberg
Jack Kirby (1982) (cropped).jpg

Nascimento 28 de Agosto de 1917
Nova York, Nova York
Morte 6 de fevereiro de 1994 (76 anos)
Thousand Oaks, Califórnia
Nacionalidade Povo dos Estados Unidos norte-americano
Área(s) de atuação desenhista, arte-finalista, roteirista, editor
Pseudônimo(s) Jack Curtiss
Curt Davis
Ted Grey
Trabalhos de destaque Desafiadores do Desconhecido, Capitão América, Quarteto Fantástico, Homem de Ferro, Thor, Hulk, X-Men, Os Vingadores, Quarto Mundo

Jacob Kurtzberg, mais conhecido pelo nome artístico Jack Kirby (Nova York, 28 de agosto de 1917Thousand Oaks, 6 de fevereiro de 1994) foi um renomado desenhista, arte-finalista, roteirista e editor de Histórias em quadrinhos americano de descendência austríaca, figurando entre os mais prolíferos e famosos quadrinistas de todos os tempos.

Princípio de carreira[editar | editar código-fonte]

Kirby começou a trabalhar para os Estúdios Fleischer em 1935,[1] onde fazia as sequências para o desenho "Popeye". Juntou-se ao Lincoln Newspaper Syndicate em 1936, empresa em que trabalhou até sua falência em 1938.[1]

Kirby conheceu Joe Simon enquanto ele fazia trabalho freelance para diversas editoras. Os dois jovens se uniram e começaram a produzir e vender HQs.[2] A dupla criou o herói patriótico "Capitão América" para a Timely Comics (mais tarde Marvel Comics) em 1941. As perspectivas dinâmicas de Kirby, as técnicas cinematográficas, seu uso de quebrar quadros sequenciais e um exagerado senso de ação fez do título um sucesso imediato, reescrevendo as regras das histórias em quadrinhos.[3]

Capa de Young Romance produzida por Kirby e Simon.

O nome Simon & Kirby tornou-se sinônimo de quadrinhos empolgantes de super-heróis. Depois de dez edições de "Capitain America", eles mudaram-se para a DC Comics, aonde assumiram o personagem "Sandman" na revista "Adventure Comics"; a dupla também produziria "Boy Commandos", "Newsboy Legion" (Legião Jovem) e "Manhunter".

Os quadrinhos de super-heróis decaíram em popularidade depois do fim da Segunda Guerra Mundial e Kirby e seu parceiro passaram a produzir várias histórias em outros gêneros. Eles são creditados pela criação da primeira revista de romance, "Young Romance Comics"[2] Além disso produziriam histórias de crime, horror, humor e faroeste.

A parceria Kirby & Simon terminaria em 1954 com a indústria de quadrinhos estagnada por uma auto-imposta censura (Comics Code Authority) e sua subsquente publicidade negativa. Kirby entretanto continuou escrevendo, reinventando o personagem "Green Arrow" (no Brasil "Arqueiro Verde") na revista "Adventure Comics", além de criar o clássico sobre os aventureiros desafiadores da morte Challengers of The Unknown.[1]

Stan Lee e a Marvel Comics[editar | editar código-fonte]

Kirby voltou para a Marvel Comics, desenhando uma série de histórias de terror, monstros e ficção científica. O visual bizarro de suas criaturas alienígenas foi sucesso imediato entre os leitores. A pedido do diretor Martin Goodman e do editor, diretor de arte e escritor Stan Lee, Kirby voltou a trabalhar com quadrinhos de super-heróis em 1961.[1]

Kirby teve participação na criação de praticamente todos os personagens da Marvel nos anos seguintes. Entre eles se destacam os personagens e conceitos de "Fantastic Four" (Quarteto Fantástico), Thor, Hulk, "Iron Man" (Homem de Ferro), os X-Men originais, "Silver Surfer" (Surfista Prateado), "The Avengers" (Os Vingadores), "Doctor Doom" (Doutor Destino), "Galactus", "Magneto", "Inhumans" (Inumanos) e sua cidade perdida de "Attilan", "Black Panther" (Pantera Negra) e a nação africana de "Wakanda".

Kirby era frequentemente co-autor das histórias que desenhava, introduzindo elementos que não eram mencionados nos scripts de Lee; em particular, Kirby é creditado como sendo o criador do "Silver Surfer", que não foi citado no roteiro de Lee da história onde o personagem apareceu pela primeira vez.

Carreira posterior[editar | editar código-fonte]

Depois de uma briga com Lee e Goodman, Kirby voltou para a DC no princípio dos anos 70, produzindo uma série de títulos sob o selo "Jack Kirby's Fourth World". Entre eles estavam "The New Gods" (Os Novos Deuses), "Mister Miracle" (Senhor Milagre) e "Forever People" (O Povo da Eternidade), juntamente com outros títulos como "OMAC", "Kamandi", "The Demon" e uma nova encarnação de "Sandman" (este com seu ex-parceiro Joe Simon pela última vez). Vários personagens desta fase tornaram-se parte do Universo DC, incluindo o demônio "Etrigan" e seu alter-ego humano Jason Blood, o "Mister Miracle" Scott Free e o vilão cósmico "Darkseid".[1]

Mais tarde ele voltou à Marvel, retomando o título "Captain America" e escrevendo e desenhando as histórias. Entre suas outras criações para a editora no período estão "Devil Dinosaur", "The Eternals" e uma adaptação do filme "2001: Uma Odisséia no Espaço".[2] Kirby eventualmente deixaria a Marvel e os quadrinhos para trabalhar com animação, projetando os designs dos desenhos "Turbo Teen" e "Thundarr the Barbarian",[1] entre outros.

A recém criada Pacific Comics fez então um acordo inédito com Kirby para publicar sua série "Captain Victory"; ele ficaria com os direitos de suas criações ao mesmo tempo em que receberia royalties sobre elas. Isto tornou-se um precedente que ajudou outros artistas de talento a receber tratamento semelhante por seu trabalho com revistas em quadrinhos.[4]

Morte e Legado[editar | editar código-fonte]

Em 6 de fevereiro de 1994, Kirby morreu aos 76 anos de insuficiência cardíaca em sua casa em Thousand Oaks, Califórnia. Ele foi enterrado no Pierce Irmãos Valley Oaks Memorial Park, Westlake Village, Califórnia.

Kirby é conhecido popularmente entre os criadores e fãs de histórias em quadrinhos como um dos maiores e mais influentes artistas do gênero. Sua produção entrou para a história enquanto estimativas apontam que ele desenhou mais de 25,000 páginas, assim como tira de jornal e esboços. Ele também pintava, e trabalhou com inúmeras ilustrações para filmes de Hollywood.

O prêmio Kirby Awards foi nomeado em homenagem à Jack Kirby.

O grupo de rock and roll Monster Magnet cita o impacto cultural de Kirby em sua música "Melt", que incluiu os versos, "I was thinking how the world should have cried/On the day Jack Kirby died."

O grupo Interzone, do percussionista de jazz Gregg Bendiam, gravou em 2001 um álbum em tributo a ele chamado Requiem for Jack Kirby.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f John Morrow, Jack Kirby. Collected Jack Kirby Collector. [S.l.]: TwoMorrows Publishing, 2004. 1893905012, 9781893905016
  2. a b c John Morrow, Jack Kirby. Collected Jack Kirby Collector Vol. 5. [S.l.]: TwoMorrows Publishing, 2006. 1893905578, 9781893905573
  3. Staples, Brent "Editorial Observer: Jack Kirby, a Comic Book Genius, Is Finally Remembered", The New York Times, 26 de Agosto de 2007
  4. John Morrow, Jack Kirby. Collected Jack Kirby Collector vol. 1. [S.l.]: TwoMorrows Publishing, 2004. 1893905004, 9781893905009
Bibliografia
  • Marvel Visionaries: Jack Kirby (Vol. 1). (Marvel Comics, 2004). ISBN 0785115749
  • Jack Kirby: The TCJ Interviews. Milo George, Ed. (Fantagraphics Books, Inc., 2001). ISBN 1560974346
  • Ro, Ronin. Tales to Astonish: Jack Kirby, Stan Lee and the American Comic Book Revolution. (Bloomsbury, 2004). ISBN 1582343454

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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