Ademar Pereira de Barros
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Adhemar Pereira de Barros (Piracicaba, 22 de abril de 1901 — Paris, 12 de março de 1969) foi um aviador, médico, empresário e influente político brasileiro entre as décadas de 1930 e 1960.
Pertencente a uma família de tradicionais cafeicultores de São Manuel, no interior do estado de São Paulo, foi prefeito da cidade de São Paulo (1957 — 1961), interventor federal (1938 — 1941) e duas vezes governador de São Paulo (1947 — 1951 e 1963 — 1966). Seus seguidores são chamados de ademaristas.
Concorreu à presidência da república do Brasil em 1955 e em 1960, conquistando nestas duas eleições o terceiro lugar.
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[editar] Formação acadêmica e a Revolução de 1932
Formou-se em medicina em 1923 pela Escola Nacional de Medicina, (atualmente pertencente à Universidade Federal do Rio de Janeiro). Fez especialização no Instituto Oswaldo Cruz. Estudou nos Estados Unidos e fez residência médica em várias cidades européias, onde se tornou aviador, retornando ao Brasil em 1926.
Em 6 de abril de 1927 casou com Leonor Mendes de Barros, com quem teve quatro filhos.
Clinicou até 1932, quando se engajou nas fileiras da Revolução Constitucionalista de 1932, como grande parte dos jovens paulistas de sua época. Com a derrota do movimento constitucionalista de 1932 exilou-se no Paraguai, onde se alistou como médico na Guerra do Chaco, e na Argentina. Nos seus governos sempre procurou beneficiar os ex-combatentes de 1932 com pensões e homenagens, tendo, em 1947, iniciado a construção do Monumento do Soldado Constitucionalista, em São Paulo.
[editar] Vida pública
[editar] Primeiros passos
Foi lançado na política partidária por um tio, que fora senador estadual na República Velha, José Augusto Pereira de Resende, chefe político do Partido Republicano Paulista (PRP) da região de Botucatu.
Em 1934 elegeu-se deputado estadual constituinte pelo PRP, fazendo forte oposição ao governador Armando de Sales Oliveira, denunciando principalmente desmandos na administração do Instituto Butantã na gestão daquele governador. A nova constituição de São Paulo foi promulgada em 9 de julho de 1935.
Quando deputado estadual, defendeu a cultura do café e apoiou o candidato José Américo de Almeida à presidência da república, nas eleições que deveriam ocorrer em janeiro de 1938, defendeu presos políticos, entre eles Caio Prado Júnior e fez oposição ao governo federal de Getúlio Vargas.
Foi deputado estadual até 10 de novembro de 1937, quando Getúlio deu o golpe do Estado Novo e fechou as casas legislativas do Brasil.
[editar] Interventor federal (1938 - 1941)
Durante o Estado Novo foi nomeado interventor federal no estado de São Paulo pelo então presidente Getúlio Vargas, recomendado por Benedito Valadares. Governou São Paulo, como interventor, de 27 de abril de 1938 a 4 de junho de 1941.
Inaugurou, neste seu primeiro governo, as visitas frequentes às pequenas cidades do interior do estado, antes ignoradas pelos governadores. Foram 57 cidades do interior visitadas por Ademar somente nos dois primeiros anos da interventoria, inclusive visitando, em 1939, no extremo oeste do estado, em Andradina, o Rei do Gado, Antônio Joaquim de Moura Andrade.
Cabia a Adhemar, como interventor, nomear todos os prefeitos do estado, através do Departamento das Municipalides que prestava assessoria às prefeituras. Ademar preferiu nomear jovens técnicos para as prefeituras, renovando o quadro político de São Paulo e preterindo os políticos do antigo PRP.
Iniciou, em 1939, a construção do Edifício Altino Arantes, sede do Banco do Estado de São Paulo, que foi inaugurado por Adhemar em 1949 no seu segundo governo.
Cria e organiza em 5 de dezembro de 1938, pelo decreto estadual 9.789, a Casa de Detenção de São Paulo, extinguindo a Cadeia Pública e o Presídio Político da Capital. Este decreto previa separação de réus primários de presos reincidentes e separação dos presos pela natureza do delito.
Iniciou, em 1939, as obras da Rodovia Anchieta, a primeira rodovia brasileira com túneis. Iniciou as obras da Rodovia Anhangüera em 1940. Ampliou o Aeroporto de Congonhas. Iniciou a retificação do rio Tietê. Iniciou a construção do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
As escolas estaduais, mesmo as rurais, recebiam, no tempo da interventoria, material escolar para as crianças.
Iniciou a eletrificação da Estrada de Ferro Sorocabana e terminou a Estação Júlio Prestes daquela ferrovia. Iniciou o prolongamento da Estrada de Ferro Araraquara de Mirassol a Santa Fé do Sul, o que foi decisivo para o povoamento daquela região, denominada Alta Araraquarense na década de 1940. O plano de Ademar era estender a Araraquarense até Cuiabá.
Construiu o Estádio do Pacaembu, em parceria com o então prefeito de São Paulo Prestes Maia, para ser utilizado na Copa do Mundo de 1942, a qual acabou não acontecendo devido à Segunda Guerra Mundial. Também, em parceria com Prestes Maia, realizou o Plano de Avenidas de São Paulo, inaugurando, em 1938, com a presença de Getúlio Vargas, o túnel da Avenida 9 de Julho.
Construiu e entregou o primeiro autódromo brasileiro, Interlagos. Organizou o Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.
Em 1940, confiscou o jornal O Estado de S. Paulo pertencente à família Mesquita e ao seu desafeto político Armando de Salles Oliveira. O jornal só foi devolvido aos seus proprietários em 1945.
Foi acusado de corrupção e exonerado do cargo de interventor federal pelo presidente Getúlio Vargas em 1941, mas conseguiu provar sua inocência no Tribunal de Contas do estado de São Paulo, em 1946.
[editar] 1945 - 1951: o PSP e o primeiro mandato como governador
Em 1945 foi permitido novamente a existência de partidos políticos, os quais haviam sido extintos em 1937. Ademar se filiou à UDN e apoiou o brigadeiro Eduardo Gomes para presidente da república nas eleições de 2 de dezembro de 1945.
Ademar porém logo se afastou da UDN e, em 1946, fundou o Partido Republicano Progressista (PRP), que pouco depois se fundiu com o Partido Popular Sindicalista e o Partido Agrário Nacional, formando o Partido Social Progressista (PSP), que se tornou o maior partido político de São Paulo do período de 1946 a 1965, com diretórios em todos os municípios do estado de São Paulo.
Foi eleito governador, em 19 de janeiro de 1947, derrotando Mário Tavares e Hugo Borghi. Governou São Paulo de 14 de março de 1947 até 31 de janeiro de 1951.
A Coligação PSP - PCB de Ademar obteve 393 mil votos. Hugo Borghi teve 340 mil votos e Mário Tavares, da coligação PSD - PR, obteve 289 mil votos. A coligação do PSP com o PCB causou protestos entre os membros da Igreja Católica paulista.
Neste período continou importantes obras iniciadas em sua época de interventor, como a construção da segunda pista da Rodovia Anhangüera e a segunda pista da Rodovia Anchieta, ambas pavimentadas e que se tornaram as duas primeiras rodovias brasileiras de pista dupla. Adhemar seguiu uma tradição de antigos governantes paulistas, como Washington Luís, que dizia que governar era "abrir estradas".
A pavimentação de estradas, com asfalto e concreto, uma inovação na época, feita por Ademar, era mal vista e criticada por muitos políticos que a consideravam um processo muito caro. Muitos políticos da época entendiam que os recursos públicos estariam melhor empregados se fossem usados na construção de novas estradas de terra e na manutenção e conservação das estradas de terra já existentes.
Seu lema era "São Paulo não pode parar", que tempos depois seria reiterado por Paulo Maluf. Este lema tornou-se ideal da maioria dos políticos de São Paulo, a tal ponto que, em 1973, o então prefeito de São Paulo, e ex secretário de obras de Ademar, José Carlos de Figueiredo Ferraz, foi exonerado pelo governador Laudo Natel por ter dito que São Paulo tinha que parar de crescer.
Neste seu segundo governo estadual, o prefeito da capital paulista era de livre nomeação do governador do estado, o que fez com que Ademar controlasse também a prefeitura de São Paulo. Em 1947, Ademar nomeou para a prefeitura de São Paulo, Paulo Lauro que foi o primeiro negro a ocupar o cargo.
Cria o Plano Hidrelétrico de São Paulo, base da atual infraestrutura energética de São Paulo. Este plano foi convertido em lei, em 1955. Cria o Ceasa, Centrais de Abastecimento de São Paulo, para distribuição de alimentos no atacado, administrado atualmente pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP).
É criada, depois de uma violenta greve nos transportes na capital, a Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), empresa estatal de linhas de ônibus urbano, em 1947.
É inaugurado o Museu de Arte de São Paulo (MASP) em 1948. É instalada em 1949, na capital paulista, a primeira linha de trólebus do Brasil. É inaugurada a TV Tupi em 1950. Inaugurado, em 1951, o primeiro trecho da rodovia Presidente Dutra.
Investindo muito em sanatórios, Ademar torna Campos do Jordão um centro de tratamento da tuberculose. Os sanatórios eram importantes naquela época porque não havia ainda a vacina BCG contra a tuberculose.
Foram desapropriados imóveis e executados projetos para a construção da cidade universítária da USP. Criada a Fau da USP. Através da Lei Estadual nº 161, de 24 de setembro de 1948, leva a USP para o interior de São Paulo, criando, entre outras, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, e a Escola de Engenharia de São Carlos, origem do Pólo Tecnológico de São Carlos.
Oficializou o Palácio do Horto Florestal de São Paulo como residência de verão do governador do estado. Criou o salário-família para o funcionalismo público estadual em 1948. Iniciou a construção do Aeroporto de Viracopos que foi terminado no seu segundo mandato como governador.
Criou, em 1948, a Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo, composta inicialmente por 60 ex-pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Criou, em 1949, a primeira Polícia Ambiental da América do Sul. Criou em 1950 a Delegacia da Polícia Militar, atual Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Acusado de corrupção na Estrada de Ferro Sorocabana e em obras viárias, por deputados estaduais, entre eles Caio Prado Júnior do PCB, fez sua defesa, na Assembléia Legislativa de São Paulo, o seu secretário de viação e obras públicas, Caio Dias Batista, em 19 de janeiro de 1948, o qual qualificou de caluniosas as acusações.
Às vezes agia diretamente no plano social, como quando recebeu, no Palácio do Governo, segundo depoimento da senhora Irene Silveira, de Penápolis, ela e seu marido, que eram pais de uma menina que sofria de hidrocefalia e ordenou, Ademar, pessoalmente exames e tratamentos nos hospitais públicos. Também enviava, junto com a primeira-dama Dona Leonor, cartas, agasalhos e presentes para os pacientes dos sanatórios que construiu.
Em 1950, Ademar não se candidatou à presidência. E deu seu apoio, como governador, ao candidato Getúlio Vargas, o foi decisivo para a eleição direta de Getúlio à Presidência da República em 3 de outubro daquele ano. Getúlio, teve em São Paulo, 25% do total de seus votos. Ademar esperava, que em contrapartida, Getúlio o apoiasse nas eleições presidenciais de 1955.
Outro motivo de Ademar não se candidatar à presidência em 1950, era que teria que deixar o governo de São Paulo com seu vice governador e adversário político Luís Gonzaga Novelli Júnior.
Ademar consegui eleger como seu sucessor, em 1950, o engenheiro Lucas Nogueira Garcez, que governou São Paulo de 1951 a 1955. Durante seu governo, Lucas Garcez rompeu politicamente com Ademar, não o apoiando na sua tentativa de voltar ao governo de São Paulo, nas eleições de 1954, as quais foram vencidas por Jânio Quadros.
[editar] Derrotas sucessivas, prefeito de São Paulo
Em 1954, Ademar foi candidato derrotado ao governo do estado de São Paulo. Jânio Quadros foi o eleito, com 18 mil votos a mais que Ademar.
Em 1955, candidatou-se à presidência da república pelo PSP, sendo novamente derrotado. O presidente da república Café Filho, que também era do PSP, não apoiou Ademar. Juscelino Kubitschek foi eleito presidente.
Acusado de corrupção pelo "Caso dos Chevrolet", exilou-se, pela segunda vez, na Bolívia. Inocentado pela Justiça, voltou ao Brasil. O promotor público deste caso foi o jurista Hélio Bicudo.
Em 24 de março de 1957, Ademar foi eleito prefeito da cidade de São Paulo, derrotando Francisco Prestes Maia. Foi eleito para o mandato de 1957 a 1961, sucedendo o prefeito Vladimir de Toledo Piza.
Governou a cidade de São Paulo de 8 de abril de 1957 até 7 de abril de 1961, em uma época que a cidade de São Paulo era chamada de "a cidade que mais cresce no mundo".
Encontrou a prefeitura de São Paulo com grande déficit orçamentário e excesso de funcionários. Ademar demitiu funcionários públicos e recuperou as finanças da prefeitura de São Paulo. Foram destaques nesta gestão de Ademar na prefeitura de São Paulo:
- O seu secretariado formado por nomes como Amador Aguiar, José Carlos de Figueiredo Ferraz e Goffredo da Silva Telles Júnior.
- O plano tapa-buracos e a ampliação de avenidas.
- A reforma da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.
- A construção de um pequeno túnel no Vale do Anhangabaú, no cruzamento com a Avenida São João - o Buraco do Ademar.
- A visita de Fidel Castro, em 1958, pedindo apoio à Revolução Cubana.
- A inauguração da Ponte aérea Rio-São Paulo em 6 de julho de 1959.
- A Construção da Estação Rodoviária de São Paulo pelos empresários Carlos Caldeira Filho e Octávio Frias de Oliveira, inaugurada em 1961 e desativada em 1981.
- Ademar tentou iniciar a construção de um Metrô na capital paulista mas teve que desistir por falta de apoio dos governos estadual e federal.
Em 1958, afastou-se do cargo de prefeito, e candidatou-se novamente ao governo do estado de São Paulo, sendo derrotado por Carvalho Pinto, que tinha o apoio de Jânio Quadros.
Em 1960, licenciou-se, novamente da prefeitura de São Paulo para concorrer novamente à presidência da república, quando foi novamente derrotado. Jânio Quadros foi o eleito. Intitulando sua postulação como "candidatura de protesto", obteve o terceiro lugar, com 20% dos votos válidos.
Em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros à presidência da república, foi um dos poucos políticos a apoiar o movimento a favor da posse de João Goulart na presidência. Em 1962, concorre ao governo do estado novamente e é eleito.
[editar] 1963 - 1966: o segundo mandato como governador
Foi eleito, em 1962, pela segunda vez, governador de São Paulo, derrotando Jânio Quadros, com 20 mil votos de diferença, obtidos nas pequenas cidades do interior de São Paulo, que Jânio se recusou a visitar, alegando que não precisava de seus votos.
Sucedeu, em 31 de janeiro de 1963, o governador Carvalho Pinto, para governar até 31 de janeiro de 1967, porém governando somente até 6 de junho de 1966.
Ademar voltou a governar em parceria com Prestes Maia que novamente era prefeito de São Paulo (1961-1965). Prestes Maia fora prefeito de São Paulo quando Ademar era interventor no estado de São Paulo (1938-1941).
No ínicio do governo, em 2 de abril de 1964, lançou a Aliança Brasileira para o Progresso, visando incentivar o desenvolvimento econômico atráves de planejamento e financiamento à ciência e à tecnologia.
Ademar recebou o presidente Charles de Gaulle em 1964, em sua visita ao Brasil, visita sugerida por Ademar quando este visitou De Gaulle em 1961 em Paris.
No segundo mandato focou a construção de usinas hidrelétricas, sanatórios e hospitais, iniciando as seguintes obras e medidas administrativas:
- Projeto básico do Metrô de São Paulo, e a liberação de recursos, em 1963, para o início das obras do Metrô. Ademar contou, no discurso de lançamento do Metrô paulistano, que desconsiderou os conselhos de seus assessores técnicos que não queriam que, em São Paulo, se construisse um Metrô por considerarem muito cara a sua construção.
- Início da construção da maior usina hidrelétrica paulista: a Usina hidrelétrica de Ilha Solteira e a Usina hidrelétrica de Jupiá, em 1965.
- Elaboração dos planos de unificação das companhias hidrelétricas paulistas para a criação da CESP, o que foi implementado pelo seu sucessor, Laudo Natel.
- Rodovia do Oeste, atual Rodovia Castelo Branco, obra considerada, na época, pelos seus adversários, como sendo: "outra loucura do Ademar, cara e desnecessária", segundo o depoimento do engenheiro-chefe da obra, entre 1963 e 1971, Raul Renato Tucunduva Filho, que também informou que a Rodovia Castelo Branco foi, na sua época, a maior obra viária da América Latina, a primeira rodovia brasileira com 3 faixas de rolamento de cada lado e a primeira a usar faixas pintadas refletivas.
- A Faculdade de Medicina de Campinas, que daria origem à implantação da Unicamp nos governos seguintes de Laudo Natel e Abreu Sodré. Em 19 de março de 1964 é doado ao Estado, 25 alqueires da Fazenda Santa Cândida em Campinas para formação do campus da Unicamp. Ademar nomeou, em 1965, a Comissão Organizadora da Unicamp presidida por Zeferino Vaz que foi o responsável pela implantação da Unicamp.
- Construção da residência oficial de inverno do governador, o Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão.
- Construção do balneário de Águas de Santa Bárbara.
- Criação do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo para gerir os aeroportos estaduais.
- Criação das regiões administrativas do estado de São Paulo.
- Início da construção do Instituto do Coração de São Paulo.
- Transferência da sede do governo do estado de São Paulo do Palácio dos Campos Elísios para o Palácio dos Bandeirantes (que permanece como tal até hoje).
- Criação do Conselho Estadual de Educação, em 1963.
- Criação da Secretaria de Estado dos Negócios de Economia e Planejamento, em 1964. Ademar foi um dos pioneiros no Brasil em planejamento governamental. Cria, em 1963, a Secretaria de Transportes, e a organiza em 1966.
- Organizou através da lei 8.092 de 28 de fevereiro de 1964, a divisão política e administrativa do estado em municípios e distritos. Lei que, com algumas alterações, ainda vige até hoje.
Embora tendo apoiado a posse, em 1961, de João Goulart na presidência para que seu rival Jânio Quadros não voltasse ao poder, Ademar participou ativamente da conspiração que resultou na Revolução de 1964, liderando a Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo, em 19 de março de 1964.
Entretanto, isto que não impediu que, em 6 de junho de 1966, fosse afastado do cargo de governador, pelo presidente da república Castelo Branco, e tivesse seus direitos políticos cassados por dez anos, sob a acusação de corrupção, e tivesse confiscadas todas as suas condecorações.
O pretexto para a cassação de Ademar, que vinha fazendo oposição ao regime militar, foi a acusação que Ademar tinha feito nomeações de funcionários públicos em número excessivo. No dia 4 de junho, dois dias antes de ser cassado, Adhemar publicou no Diário Oficial do Estado, uma nota, garantido que as nomeações eram legais e uma necessidade administrativa. Foi substituído pelo vice-governador Laudo Natel que conclui seu mandato e governa até 15 de março de 1967.
[editar] Exílio, morte e homenagens
Exilou-se, pela terceira vez em sua carreira, em Paris, logo depois de ter sido cassado seu mandato de governador, o qual foi seu terceiro mandato político a ser cassado.
Ademar foi operado em janeiro de 1969, de hérnia e litíase. Em 7 de março, Ademar tentou se curar em Lourdes na França, onde teve uma síncope. Faleceu em Paris em 12 de março de 1969, aos 68 anos, metade dos quais dedicados à vida pública.
Seu corpo foi transladado para o Brasil. Do Aeroporto de Viracopos que ele construíra, até São Paulo, pela Via Anhanguera que ele construíra, houve um grande cortejo fúnebre que chegou a 10 quilômetros de extensão. Foi enterrado no Cemitério da Consolação, na região central da capital paulista, em 16 de março, com grande presença de público. Foi executado o toque de silêncio para o veterano da Revolução de 1932.
Recebeu uma condecoração póstuma, em 1982, pelo governo de São Paulo, através do decreto nº 18.732, de 23 de abril de 1982, pelo então governador Paulo Maluf, um ademarista, quando foi admitido no grau de Grã-Cruz, no Quadro Regular da Ordem do Ipiranga. A Lei estadual nº 2.457, de 1980, também da época do Dr. Paulo Maluf, dá o nome de Dr. Adhemar Pereira de Barros, ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Foi homenageado, também, dando-se o seu nome à rodovia SP-340 - Rodovia Governador Doutor Adhemar de Barros, que liga Campinas a Águas da Prata, pela lei nº 1382, de 6 de setembro de 1977. Em 1978, na capital paulista, a Escola Municipal de 1º Grau do Jardim Ipê, tornou-se EMPG Prefeito Adhemar de Barros. A Lei estadual nº 4.369, de 9 de novembro de 1984, institui, no estado de São Paulo, a Semana Doutor Adhemar de Barros, a ser comemorada, anualmente, de 22 a 28 de abril.
Em 2001, foi comemorado o centenário de nascimento de Ademar, tendo sua família doado seu arquivo particular ao Arquivo do Estado de São Paulo e lançado um site e um livro sobre sua vida e obra.
Um projeto de lei, do senador Henrique de La Rocque, de 1980, visando a anistia a Ademar, devolvendo-lhe suas condecorações, não prosperou, sendo arquivado em 1984.
[editar] O estilo Adhemar de governar
Construiu muitas rodovias de grande porte, continuando a tradição de Washington Luís, do qual Ademar era admirador confesso, e usinas hidrelétricas. Por outro lado realizou também muitas obras e ações de caráter social, construindo escolas, hospitais e sanatórios, afirmando, no seu manifesto de candidato à presidência em 1960, que:
| "Por onde passar a energia elétrica, passarão o transporte, o médico e o livro" | — Ademar de Barros
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Uma característica fundamental de Ademar era a ênfase no planejamento das ações de governo, no qual foi um dos pioneiros no Brasil.
O estilo político "tocador de obra" e seu visual característico de mangas de camisa arregaçadas e suspensórios, se opunha ao populismo conservador e moralizante de Jânio Quadros. Esse estilo "tocador de obra" retornaria posteriormente, nas gestões de outros governadores, como Paulo Maluf e Orestes Quércia que, em alguns casos, incorporaram partes desse figurino ademarista de tocar obras, arregaçar a camisa e amassar barro.
Ademar era capaz de grandes frases de efeito, e uma das suas frases mais conhecidas foi chamar, por ter grande concentração de comunistas, a atual Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo de "O abacaxi deixado pelo doutor Armando de Sales Oliveira".
Suas campanhas eleitorais eram bem elaboradas, sendo que Ademar e Hugo Borghi são considerados os pioneiros do Marketing eleitoral no Brasil.
Um dos slogans de campanha eleitoral de Ademar de Barros, não assumido abertamente, era: "Ademar rouba mas faz", que foi o lema de sua campanha eleitoral para prefeito de São Paulo, em 1957, se promovendo em cima das inúmeras acusações de corrupção, na época chamadas de negociatas.
Era acusado também de desvio de verbas públicas nos períodos em que era chefe do executivo paulista. E quanto a desvio de verbas, seus adversários diziam que existia a "Caixinha do Ademar" para financiar as campanhas eleitorais de Ademar.
O mais comentado processo contra Ademar foi, em 1956, o "Caso dos Chevrolets", que lhe valeu uma fuga para a Bolívia, segundo Paulo Canabrava Filho. Ademar logo voltou, dizendo que queria ser absolvido pelo povo nas urnas. Acabou sendo eleito prefeito de São Paulo em 1957. O promotor do caso foi o jurista Hélio Bicudo. Adhemar foi defendido pela advogada Esther de Figueiredo Ferraz, que se tornaria a primeira mulher a ocupar o cargo de ministro de estado no Brasil.
Ademar gostava muito de eleição e disputava todas que podia, mesmo quando tinha poucas chances de ganhar. Foi alvo constante de caricaturistas e humoristas e do bom humor do povo, que chamava um pequeno túnel por ele construído no centro da cidade de São Paulo de o buraco do Ademar. A dupla caipira Alvarenga e Ranchinho, parodiando um anúncio radiofônico do remédio Melhoral, cantava:
| "Ademá, Ademá, é mió e num faz má". | — Alvarenga & Ranchinho
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Também provocava risos quando, já nos tempos do Palácio dos Bandeirantes, uma amante telefonava para ele e Ademar atendia: - Como vai, Doutor Rui!... Um beijo Dr. Rui!., segundo depoimento do jornalista Percival de Souza.
Estava sempre se revezando na prefeitura de São Paulo e no governo do estado de São Paulo com Jânio Quadros, seu eterno rival, e cuja política era sempre suspender suas obras. Curiosamente, ambos, Ademar e Jânio, eram adeptos da maçonaria, como se vê na lista de maçons famosos nos sítios da maçonaria brasileira.
A visão dos ademaristas sobre a ascensão do janismo na política paulista é explicada assim por um líder ademarista da região de Bauru:
| O Brasil parou de se desenvolver quando deixaram de votar neste homem (Ademar) para votarem em Jânio Quadros! | — José Manuel Álvares
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A rivalidade entre o Ademarismo e o janismo marcou época em São Paulo nas décadas de 1950 e 1960. Essa rivalidade e os comícios (meetings) pelo interior de São Paulo entraram para o folclore político do estado de São Paulo e do Brasil, e se tornaram acontecimentos inesquecíveis para os paulistas daquela época.
Três exemplos deste folclore político:
- Em um comício em Bauru, Ademar, batendo a mão no bolso, exclamou: - Neste bolso nunca entrou dinheiro do povo!. -Está de calça nova Doutor!, gritou alguém na multidão, segundo depoimento de Paulo Silveira.
- Em São José dos Campos, segundo depoimento de Sr. Mário Carvalho de Araújo, Ademar não hesitou em descer do palanque, interrompendo seu comício, e se dirigir a um homem que estava encostado em uma árvore com um charuto e fumá-lo com o homem, deixando todos surpresos e rindo.
- Em Penápolis, houve um acontecimento inusitado: Sempre ligado ao social, Adhemar escutou prostitutas, no palanque, em um comício, onde elas reclamaram de suas más condições de vida, segundo depoimento da moradora Luciana de Castro.
[editar] O caso do cofre do Ademar
Mesmo depois de falecido, Ademar foi alvo de escândalo: em 18 de junho de 1969, membros do movimento guerrilheiro VAR-Palmares assaltaram, no Rio de Janeiro, um suposto cofre de Ademar, localizado na casa de sua ex-secretária Anna Gimel Benchimol Capriglione, que teria sido sua amante. O episódio ficou conhecido como o "Caso do Cofre do Ademar", e entre os participantes da ação estaria, segundo algumas versões, a ministra Dilma Roussef e o ministro Carlos Minc.
[editar] Empresário
Foi proprietário da fábrica de chocolates Lacta, além de possuir interesses na área imobiliária.
Ajudou a desenvolver parte do bairro do Morumbi em São Paulo, na década de 1960, quando o governo do estado comprou o Palácio dos Bandeirantes e seu vice-governador Laudo Natel, então presidente do São Paulo Futebol Clube, construiu o Estádio do Morumbi. Na década de 1940, a construção do Estádio do Pacaembu por Ademar, tinha dado também origem ao bairro homônimo.
Foi sócio da Rádio Bandeirantes, que mais tarde daria origem à Rede Bandeirantes de rádio e televisão, hoje presidida por seu neto Johnny Saad, e que se localiza no bairro do Morumbi na capital paulista.
Foi presidente das Fábricas Redenção e Nossa Senhora Mãe dos Homens, proprietário de fazendas no interior do estado de São Paulo, da Fábrica de Produtos Quíjicos Vale do Paraíba, da Sociedade Extrativa de Taubaté, com plantação de cacau para a Lacta, e da Sociedade Extrativa Limitada de Itapeva.
[editar] Lacta
A empresa Lacta, fabricante brasileira de chocolates, conhecida por produtos de sucesso, foi de propriedade de Ademar de Barros.
Após sua morte, a gestão da empresa passou a seu filho, o também político Ademar de Barros Filho. Em 1996, após brigas entre a família, a empresa foi vendida à Kraft Foods.
[editar] Herdeiros políticos
Cientistas políticos não conseguem estabelecer claramente uma espécie de herdeiro político do Ademarismo. O estilo de governo Paulo Maluf pode ter sido influenciado em alguns aspectos pelo estilo de Ademar, porém eles não foram aliados políticos. A carreira política do governador Paulo Maluf começou com sua nomeação para prefeito de São Paulo, justamente no dia do falecimento de Ademar: 12 de março de 1969.
A influência do ademarismo na política paulista continuou mesmo depois de extinto o PSP, sendo que em 1972, 60% dos prefeitos eleitos naquele ano no estado de São Paulo eram oriundos do PSP.
Ademar de Barros Filho seguiu carreira política e chegou a se eleger deputado federal várias vezes, entre 1966 e 1994, e foi também secretário de estado em São Paulo na década de 1970. Seus filhos o impediram de fazer empréstimos em dinheiro para as campanhas políticas.
[editar] Biografia sumária
- Deputado estadual em São Paulo (1935-1937)
- Interventor federal em São Paulo (1938-1941)
- Governador de São Paulo (1947-1951 e 1963-1966)
- Prefeito de São Paulo (1957-1961)
[editar] Bibliografia
- ________, Planejamento Prefeito Ademar de Barros 1957 - 1961, Editora Departamento de Urbanismo - Secretaria de Obras - Prefeitura Municipal de São Paulo, 1961.
- ________, Ademar e Ademarzinho: Passado e Presente do ademarismo, Editora Três.
- ________, O Estado ajuda a Prefeitura a resolver o problema crucial da cidade: o metrô, Diário Oficial do Estado de São Paulo, 14 de fevereiro de 1963, página 1.
- BARROS, Ademar Pereira de, Arrazando Calúnias Contra o Govêrno Ademar de Barros, Editora Assembléia Legislativa, São Paulo, 1948.
- Ídem, Diretrizes da Politica Agrária Paulista, Editora São Paulo, 1963.
- Ídem, 24 Vinte e Quatro Realizaçoes de Governo , Editora Serp, 1949.
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[editar] Ligações externas
| Precedido por Francisco José da Silva Júnior |
Interventor federal em São Paulo 1938 — 1941 |
Sucedido por Fernando de Sousa Costa |
| Precedido por José Carlos de Macedo Soares |
Governador de São Paulo 1947 — 1951 |
Sucedido por Lucas Nogueira Garcez |
| Precedido por Vladimir de Toledo Piza |
Prefeito de São Paulo 1957 — 1961 |
Sucedido por Prestes Maia |
| Precedido por Carvalho Pinto |
Governador de São Paulo 1963 — 1966 |
Sucedido por Laudo Natel |

