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Congonhas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Congonhas do Campo)
 Nota: Não confundir com Aeroporto de São Paulo-Congonhas, nem com Congonhas do Norte.
Congonhas
Igreja de Nossa Senhora da Conceição e parte da sede municipal
Igreja de Nossa Senhora da Conceição e parte da sede municipal
Igreja de Nossa Senhora da Conceição e parte da sede municipal
Hino
Gentílicocongonhense
Localização de Congonhas em Minas Gerais
Localização de Congonhas em Minas Gerais
Localização de Congonhas em Minas Gerais
Congonhas está localizado em: Brasil
Congonhas
Localização de Congonhas no Brasil
Mapa
Mapa de Congonhas
Coordenadas: 20° 29′ 59″ S, 43° 51′ 28″ O
PaísBrasil
Unidade federativaMinas Gerais
Distância até a capitalkm
Fundação17 de dezembro de 1938[1]
Governo
  Prefeito(a)Anderson Costa Cabido[2] (PSB)
Área
  Total [3]304,067 km²
População
  Total (Censo 2022[3])52 890 hab.
  Estimativa (2025[3])55 272 hab.
Densidade173,9 hab./km²
ClimaNão disponível
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
CEP36410-001 a 36419-999[4]
IDH (PNUD/2010[5])0,753 alto
Sítiohttps://www.congonhas.mg.gov.br/ (Prefeitura)

Congonhas é um município da região central de Minas Gerais, no Brasil. Sua sede cresceu durante a corrida do ouro no início do século XVIII e tornou-se um centro regional de peregrinação depois que a construção do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos começou em 1757.[6] O município ocupa 304,067 km² (117 mi²) e tinha 52.890 habitantes no censo de 2022.[3]

Acima da parte mais antiga da cidade, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos reúne uma igreja do século XVIII, um adro em terraços ladeado pelos doze profetas de pedra-sabão e capelas que guardam grupos escultóricos policromados da Paixão de Cristo. Grande parte das esculturas foi feita por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, junto de integrantes de sua oficina.[6][7] A UNESCO inscreveu o santuário na lista do Patrimônio Mundial em 1985, reconhecendo o conjunto arquitetônico e escultórico como uma realização excepcional da arte barroca na América Latina.[7] A peregrinação permanece presente na cidade. O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, realizado todos os anos em setembro, leva ao santuário fiéis de Minas Gerais e de outros estados.[8]

Congonhas passou também a integrar os centros de mineração de ferro do Quadrilátero Ferrífero. A extração em grande escala cresceu depois que a mina de Casa de Pedra foi incorporada à Companhia Siderúrgica Nacional na década de 1940 e voltou a aumentar rapidamente no início do século XXI.[9] A CSN Mineração e a Vale S.A. operam minas no município, e a indústria extrativa respondia por cerca de 40% do emprego formal em 2021.[10] A mineração trouxe elevada produção industrial e muitos postos de trabalho, enquanto cavas a céu aberto, pilhas de resíduos e estruturas minerárias passaram a ocupar extensas áreas em torno da cidade e de seus cursos d'água.[10][11]

Topônimo

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O nome "Congonhas" vem de congonha, arbusto que era comum nos campos em torno da cidade.[12][a] O chá preparado com suas folhas já era consumido na região antes da colonização portuguesa.[14]

O linguista Eduardo de Almeida Navarro atribui o nome da planta à língua geral paulista, com influência guarani.[15] A forma relacionada congõi é encontrada no Tesoro de la Lengua Guaraní, de Antonio Ruiz de Montoya, publicado em 1639, um dicionário de guarani antigo e espanhol.[16]

História

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Mineração de ouro e primeiros povoados

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O povoamento começou por volta de 1700, quando a mineração de ouro se espalhava pela região central de Minas Gerais. Arraiais cresceram junto aos córregos e aos caminhos percorridos por pessoas e mercadorias entre as áreas mineradoras. O município atual formou-se a partir de três povoados coloniais, Congonhas do Campo, Soledade, atual Lobo Leite, e Redondo, atual Alto Maranhão. Os três ficavam ao longo de caminhos que atravessavam a região mineradora do centro de Minas Gerais.[11]

Congonhas do Campo cresceu às margens do Ribeirão das Congonhas, mais tarde chamado rio Maranhão. O ouro era extraído dos cursos d'água e das encostas próximas, em grande parte com trabalho de pessoas escravizadas.[11] O rio também fazia parte da divisa entre as comarcas de Ouro Preto e Rio das Mortes. O lado da igreja matriz pertencia a Ouro Preto, enquanto Matosinhos, na margem oposta, pertencia a Rio das Mortes. A divisão permaneceu no século XIX, quando viajantes ainda se referiam aos dois lados como povoados separados.[11]

Uma paróquia dedicada a Nossa Senhora da Conceição foi criada na primeira metade do século XVIII, embora as datas encontradas para sua criação sejam divergentes.[17] Congonhas do Campo tornou-se distrito em 6 de novembro de 1746 e permaneceu parte de Ouro Preto.[13]

Pessoas escravizadas e irmandade do Rosário

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Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída pela população negra de Congonhas colonial

A mineração de ouro dependia do trabalho escravizado. A Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos já era utilizada em 1729, quando nela foi realizado um batizado. A data de construção não é conhecida, mas a igreja foi erguida por pessoas escravizadas de Congonhas e da área mineradora próxima.[18]

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Congonhas do Campo reunia membros negros escravizados e livres e organizava cerimônias em torno da devoção a Nossa Senhora do Rosário. Ela integrava o conjunto de confrarias católicas negras estabelecidas nas paróquias em torno de Vila Rica.[19] Congonhas tinha um capelão do Rosário em 1748. Em 1784, a irmandade contratou João Nepomuceno Correia de Castro para pintar o teto da capela e realizar outros trabalhos no edifício.[18]

Os integrantes da irmandade eram sepultados sob o piso da igreja, até que seus restos mortais foram transferidos para o cemitério de Nossa Senhora da Conceição durante uma reforma posterior.[18] Entre as imagens da igreja estão São Benedito e Santa Efigênia, santos com longa devoção entre católicos negros.[18] A Igreja do Rosário passou a receber também celebrações de Congado em Congonhas.[18]

Santuário e peregrinação

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Do outro lado do rio Maranhão, Matosinhos cresceu em torno do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Em 1757, o minerador português Feliciano Mendes começou a recolher doações para um santuário dedicado ao Bom Jesus de Matosinhos depois de se recuperar de uma doença grave. Ele recebeu autorização para o projeto e continuou arrecadando dinheiro até sua morte, em 1765. As celebrações religiosas já ocorriam no local enquanto a igreja estava em construção.[6]

Doações de peregrinos e moradores financiaram as obras do santuário. A igreja, o adro e as capelas foram construídos e decorados em etapas entre o fim do século XVIII e o início do XIX.[6] O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos recebeu autorização papal em 1779, e sua primeira celebração oficial ocorreu em 1780.[8] Com a redução da produção de ouro, peregrinos continuaram chegando de outras partes de Minas Gerais.[11]

Por volta da passagem do século XVIII para o XIX, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e integrantes de sua oficina fizeram os grupos escultóricos da Paixão de Cristo e os doze profetas de pedra-sabão diante da igreja.[6][7] O santuário estava quase concluído no início do século XIX. As peregrinações a Congonhas prosseguiram depois do fim do auge do ouro.[11]

Século XIX

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Com o declínio das antigas lavras de ouro, iniciou-se nas proximidades a produção de ferro. Em 1811, o engenheiro alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege criou a Fábrica Patriótica, em Prata, perto de Congonhas do Campo. A produção de ferro começou em 1812 e continuou até 1831. Foi a primeira siderúrgica brasileira a produzir ferro em escala industrial.[20] O local pertence ao município de Ouro Preto, embora textos do século XIX muitas vezes o situassem em Congonhas do Campo.[20][11]

Padres lazaristas chegaram em 1827 para administrar o santuário. Abriram um seminário e uma escola, levando estudantes e religiosos à cidade.[11] Fazendas nos arredores produziam alimentos e cana-de-açúcar e criavam animais, enquanto a mineração de ouro em pequena escala prosseguia.[11]

Congonhas em 1880, fotografada por Marc Ferrez

No fim do século XIX, Congonhas ainda era uma pequena localidade, com ruas concentradas em torno das igrejas e dos caminhos de peregrinação e propriedades rurais além da área construída.[11]

Ferrovia e formação do município

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A extração de ferro em Casa de Pedra começou antes da emancipação de Congonhas. O investidor dinamarquês Arn Kirstein Thun adquiriu a propriedade em 1911, e a produção começou em 1913, ainda com métodos em grande parte manuais.[21]

A Estrada de Ferro Central do Brasil chegou a Congonhas em 1914. A estação foi inaugurada em 14 de novembro. Em 1917, a linha do Paraopeba ligava a localidade a Belo Horizonte e às ferrovias que seguiam em direção ao Rio de Janeiro.[22]

Congonhas do Campo permaneceu como distrito de Ouro Preto até 1923, quando foi transferido para Queluz, depois denominada Conselheiro Lafaiete.[13] Tornou-se município em 17 de dezembro de 1938, inicialmente formado por Congonhas do Campo e Lobo Leite.[13]

A proteção federal da parte antiga da cidade veio pouco depois. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos foi tombado em 1939, e o conjunto arquitetônico e urbano da cidade antiga recebeu proteção em 1941.[7][23]

Alto Maranhão foi transferido de Conselheiro Lafaiete para Congonhas do Campo em 1943. O município passou a ter o nome abreviado de Congonhas em 1948.[13]

Mineração industrial e crescimento urbano

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A mineração de ferro cresceu rapidamente depois da Segunda Guerra Mundial. A mina de Casa de Pedra foi incorporada à estatal Companhia Siderúrgica Nacional em 1946 para fornecer minério de ferro à usina da companhia em Volta Redonda.[21] Os empregos na mina atraíram novos moradores e fizeram a área urbana avançar para além do núcleo antigo em torno das igrejas e da ferrovia.[11]

A CSN construiu cerca de 500 casas perto de Casa de Pedra. A Vila Rica alojava engenheiros, enquanto a Vila Operária recebia outros funcionários. O núcleo mantido pela empresa tinha escolas, hospital, cinema e clube.[21] Os novos bairros prolongaram a cidade em direção à mina, afastando a expansão urbana das antigas igrejas e ruas de peregrinação.[11]

A população cresceu junto com a mineração. Congonhas tinha 5.572 habitantes em 1940, 14.699 em 1960 e 30.776 em 1980.[24][25][26] Uma parcela cada vez maior dos moradores passou a viver na área urbana.[26]

A CSN foi privatizada em 1993. A produção em Casa de Pedra aumentou depois da privatização com a introdução de novas tecnologias, e a extração de ferro voltou a crescer no início do século XXI.[21][9] Cavas, plantas de processamento, instalações ferroviárias e estruturas de resíduos espalharam-se por extensas áreas em torno da sede municipal, inclusive perto de bairros já estabelecidos e da cidade colonial protegida.[9][11]

Geografia

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Vista da sede municipal

Congonhas ocupa 304,067 km² (117 mi²) no centro de Minas Gerais.[3] Seu código municipal no IBGE é 3118007.[27] Faz divisa com Belo Vale e Ouro Preto ao norte, Ouro Preto e Ouro Branco a leste, Conselheiro Lafaiete e São Brás do Suaçuí ao sul e Jeceaba a oeste.[28] O município tem três distritos, Congonhas, onde fica a sede, Alto Maranhão e Lobo Leite.[13]

Distritos

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Alto Maranhão e Lobo Leite cresceram a partir de Redondo e Soledade, dois povoados mineradores coloniais incorporados a Congonhas.[11]

Alto Maranhão chamava-se Redondo. Recebeu o nome atual em 1918, quando ainda pertencia a Queluz, depois Conselheiro Lafaiete.[29] O distrito passou para Congonhas do Campo em 1943.[13] A Capela de Nossa Senhora da Ajuda data de 1746 e foi tombada pelo estado em 1978.[30][31]

Lobo Leite surgiu do arraial minerador de Soledade.[11] Mais tarde recebeu o nome Felipe dos Santos, antes de passar a se chamar Lobo Leite em 1926.[32] Tornou-se parte de Congonhas do Campo com a criação do município, em 1938.[13] A Igreja de Nossa Senhora da Soledade foi construída por volta do século XVIII e recebeu tombamento estadual em 1978.[33][34]

Uma estação ferroviária foi inaugurada em Lobo Leite em 1886, na linha mais tarde operada pela Estrada de Ferro Central do Brasil. O transporte de passageiros terminou, mas trens de carga ainda percorrem a linha.[35] O Caminho Velho da Estrada Real também passa pelo distrito.[36]

Geografia física

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A sede municipal ocupa terrenos ondulados nas duas margens do rio Maranhão. Congonhas fica na borda sudoeste do Quadrilátero Ferrífero, onde serras e morros arredondados se elevam acima de vales fluviais estreitos. As rochas incluem formações ferríferas, xistos, filitos e granitoides.[37] Essas formações ferríferas contêm os depósitos de minério explorados no município, entre eles a mina de Casa de Pedra, cerca de 10 km (6,21 mi) da cidade.[37]

A geologia local também pode ser observada na parte antiga da cidade. Granito e pedra-sabão da região foram empregados em igrejas, esculturas e pavimentação. O granito forma partes estruturais da fachada do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, enquanto a pedra-sabão foi usada em detalhes arquitetônicos e nas esculturas do adro. Ruas antigas receberam pavimento feito com pedras arredondadas de leitos de córregos e pedaços de pedra-sabão assentados sobre o solo.[38]

O rio Maranhão drena grande parte do município e atravessa a área urbana antes de desembocar no Paraopeba. O Paraopeba passa pelo lado oeste de Congonhas e pertence à bacia do São Francisco.[39] Os córregos Santo Antônio, Goiabeiras e Soledade deságuam no Maranhão dentro do município.[39]

Congonhas encontra-se em uma zona de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado. Restam trechos de floresta semidecidual junto a vegetação de Cerrado e campos abertos, embora mineração, pastagens, estradas e expansão urbana tenham substituído grande parte da cobertura original.[39][37]

Congonhas tem verões quentes e chuvosos e invernos mais frios e muito mais secos. As máximas médias mensais ficam em torno de 21 °C (70 °F) em junho e julho e chegam a 26 °C (79 °F) em fevereiro. As mínimas médias caem para cerca de 11 °C (52 °F) entre junho e agosto. A maior parte da chuva ocorre de novembro a março. Dezembro tem média de 313 mm (12,3 in) de precipitação, diante de 12 mm (0,472 in) em julho.[40]

Dados climáticos de Congonhas
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Máxima média (°C) 252625232221212324252425
Mínima média (°C) 171717151311111113151617
Precipitação (mm) 264173215934719122479132257313

Fonte: Climatempo, série observada de 30 anos.[40]

Mineração e meio ambiente

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A cidade e os morros ao redor vistos do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos

Minas a céu aberto, plantas de beneficiamento de minério, pilhas de resíduos e barragens de mineração ocupam extensas áreas em torno da sede e avançam em direção a Belo Vale, Ouro Preto e Ouro Branco. Algumas ficam dentro do perímetro urbano ou perto de comunidades residenciais.[11] A expansão do complexo de Casa de Pedra removeu trechos de floresta semidecidual e Cerrado. O licenciamento ambiental exigiu medidas compensatórias de conservação em outras áreas.[37]

A mineração e a cidade antiga protegida dividem os mesmos vales estreitos e encostas. Cavas, plantas de beneficiamento, estruturas de resíduos e linhas de transporte ficam perto de alguns bairros e bens protegidos da sede municipal.[11] A mineração também pode afetar as pedras do santuário. Alguns blocos de granito de sua fachada adquiriram manchas amarelo-amarronzadas. Mônica Pessoa Neves, Antônio Gilberto Costa e Úrsula de Azevedo Ruchkys propuseram como uma das causas prováveis a deposição de partículas finas com ferro transportadas pelo vento das áreas mineradoras, junto das alterações naturais dos minerais de ferro existentes na própria pedra.[38]

Os cursos d'água que atravessam as áreas mineradoras drenam para os rios Maranhão e Paraopeba. Chuvas intensas em janeiro de 2026 fizeram água e sedimentos transbordarem de áreas operacionais do complexo Fábrica, da Vale, perto da divisa entre Congonhas e Ouro Preto, e da mina Viga, em Congonhas. Sedimentos chegaram ao rio Maranhão. Autoridades estaduais determinaram a limpeza, o monitoramento do rio e a elaboração de um plano de recuperação ambiental.[41] A Agência Nacional de Mineração concluiu que não houve rompimento nem falha estrutural de barragem ou pilha de resíduos em nenhum dos dois episódios.[42]

Demografia

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Crescimento populacional e urbanização

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Congonhas tinha 5.572 habitantes em 1940, primeiro censo realizado depois da criação do município. A população ultrapassou 30 mil habitantes em 1980 e chegou a 48.519 em 2010. No censo de 2022 foram contados 52.890 habitantes, com densidade demográfica de 173,94 habitantes por quilômetro quadrado.[3] A estimativa para 2025 era de 55.272 habitantes.[3]

População por censo [b]
Censo População Variação
1940 5.572
1950 9.607
1960 14.699 +53,0%
1970 20.374 +38,6%
1980 30.776 +51,1%
1991 35.364 +14,9%
2000 41.256 +16,7%
2010 48.519 +17,6%
2022 52.890 +9,0%

Fontes: 1940,[24] 1950,[43] 1960,[25] 1970–2010[26] e 2022.[3]

Congonhas também se tornou cada vez mais urbana na segunda metade do século XX. Em 1970, 13.034 habitantes viviam em áreas urbanas e 7.340 na zona rural. Em 2010, a população urbana havia chegado a 47.236, enquanto a rural caíra para 1.283.[26] A sede municipal concentrava 39.696 habitantes em 2010.[44]

População urbana e rural
Censo Urbana Rural Parcela urbana
1970 13.034 7.340 64,0%
1980 23.802 6.974 77,3%
1991 29.486 5.878 83,4%
2000 39.458 1.798 95,6%
2010 47.236 1.283 97,4%

Fonte: censos demográficos do IBGE.[26]

Características da população

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Em 2022, 27.601 habitantes declararam-se pardos, 18.376 brancos e 6.831 pretos. Outros 53 escolheram a categoria amarela e 29 declararam-se indígenas.[45]

Cor ou raça, 2022
Categoria População Parcela
Parda 27.601 52,2%
Branca 18.376 34,7%
Preta 6.831 12,9%
Amarela 53 0,1%
Indígena 29 0,1%

Fonte: Censo Demográfico de 2022.[45]

A idade mediana era de 35 anos em 2022.[46] O mesmo censo contou 140 moradores quilombolas.[47]

Religião

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Entre os moradores de 10 anos ou mais em 2022, 69,99% eram católicos romanos, 24,17% evangélicos e 3,78% declararam não ter religião.[48]

Religião, 2022
Religião Parcela
Católica romana 69,99%
Evangélica 24,17%
Sem religião 3,78%
Outras religiões ou religiosidades 1,75%
Espírita 0,19%
Umbanda e Candomblé 0,10%

As porcentagens referem-se aos moradores de 10 anos ou mais. Categorias abaixo de 0,05% foram omitidas. Fonte: Censo Demográfico de 2022.[48]

Renda e desenvolvimento humano

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A renda domiciliar mensal média por pessoa era de R$ 1.419,41 em 2022.[49] Em 2010, 34,7% dos moradores viviam em domicílios com renda nominal mensal por pessoa de até meio salário mínimo.[3]

A desigualdade de renda caiu entre os censos de 1991 e 2010. O índice de Gini da renda domiciliar por pessoa era 0,546 em 1991, 0,525 em 2000 e 0,505 em 2010.[50]

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Congonhas subiu de 0,637 em 2000 para 0,753 em 2010.[5] Os componentes de 2010 eram 0,732 para renda, 0,877 para longevidade e 0,665 para educação.[51]

A mineração de ferro responde por grande parcela do emprego e da produção econômica de Congonhas. O produto interno bruto do município foi de R$ 7,69 bilhões em 2023, equivalente a R$ 145.467,84 por habitante.[52][3] Em 2021, a indústria extrativa empregava cerca de 40% dos trabalhadores com vínculo formal. Administração pública, comércio e transporte eram os maiores empregadores fora da mineração.[10]

Setores selecionados do emprego formal, 2021
Setor Parcela
Indústrias extrativas 40,0%
Administração pública 14,9%
Comércio 11,7%
Transporte e serviços postais 7,5%
Indústria de transformação 6,8%
Construção 4,9%
Alojamento e alimentação 4,0%
Saúde e serviços sociais 3,0%

Fonte: dados da RAIS e do DataViva compilados por Alves.[10]

Mineração de ferro

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A CSN Mineração, subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional, opera a mina de Casa de Pedra. O minério é extraído e beneficiado no complexo antes de seguir em trens da MRS Logística para o Porto de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro.[53]

A Vale S.A. opera as minas Viga e Fábrica, em Congonhas, como parte de seu Complexo Paraopeba. O minério de ferro é extraído e beneficiado nas duas unidades e transportado por ferrovia em direção ao sistema portuário da empresa.[54][42]

O emprego formal na mineração cresceu rapidamente no início do século XXI. Menos de mil pessoas trabalhavam na extração mineral em 2003. Em 2021, o setor empregava cerca de 7.230 pessoas, aproximadamente 7.180 delas na extração de minério de ferro.[10]

A concentração de emprego e renda na mineração deixa a economia local sensível às mudanças na produção e nos preços do minério de ferro.[10] As empresas mineradoras também pagam a Compensação Financeira pela Exploração Mineral, conhecida pela sigla CFEM. Os royalties federais da mineração são repartidos com estados e municípios produtores e com municípios afetados pela infraestrutura minerária.[55] No primeiro trimestre de 2026, Congonhas respondeu por 4,9% da CFEM arrecadada em todo o Brasil, a quinta maior parcela entre os municípios.[56]

Comércio e agricultura

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Fora da mineração, comércio, transporte, indústria de transformação e construção empregam grande parte da força de trabalho formal.[10] O movimento de cargas das minas também sustenta o transporte ferroviário e rodoviário pelo município.[10]

A agricultura em pequena escala permanece nas áreas rurais. Agricultores familiares produzem hortaliças, frutas, leite e derivados, e algumas propriedades cultivam plantas ornamentais.[57][58]

Arte sacra e arquitetura

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O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, com os profetas nos terraços diante da basílica

O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos ocupa o Morro Maranhão, acima da parte antiga da sede municipal. Uma escadaria em terraços e um adro levam à basílica, enquanto seis capelas distribuídas pelo caminho guardam 64 figuras de cedro em tamanho natural com cenas da Paixão de Cristo. Os doze profetas da escadaria e do adro foram talhados em pedra-sabão.[7][59]

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, trabalhou no santuário com integrantes de sua oficina no fim do século XVIII e início do XIX. Eles fizeram os profetas e os grupos escultóricos das capelas da Paixão. O pintor Manuel da Costa Ataíde esteve entre os outros artistas que trabalharam no conjunto.[59] A Sala dos Milagres guarda ex-votos deixados por fiéis, entre eles 89 exemplares pintados que vão do século XVIII ao XXI.[59]

Em outra parte da cidade, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do século XVIII, tem capela-mor dourada por Manuel Francisco Lisboa e portada em pedra-sabão atribuída a Aleijadinho. A igreja e seu acervo foram tombados pela União em 1950.[60]

Centro histórico e conjunto urbano protegido

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Beco dos Canudos, passagem íngreme ao lado do santuário

Parte da cidade antiga encontra-se sob proteção federal desde 17 de março de 1941, quando o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Congonhas foi tombado pelo IPHAN.[61][23] O santuário já havia recebido tombamento federal separado dois anos antes.[7]

O antigo núcleo urbano se espalha pelas encostas nas duas margens do rio Maranhão. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o santuário ocupam elevações opostas, enquanto a Igreja de Nossa Senhora do Rosário fica entre as ruas que os separam.[23] As vias acompanham o relevo, sem formar uma malha regular. A Rua Bom Jesus e as passagens que sobem para o santuário têm casas coloniais junto de construções dos séculos XIX e XX.[23]

O Beco dos Canudos mantém um traçado estreito e íngreme ao lado das capelas da Paixão. Casas antigas ocupam um dos lados e o pavimento de pedra acompanha a subida para o santuário.[23] As ruas protegidas continuam sendo residenciais e também recebem procissões, cerimônias religiosas e encontros ligados às igrejas.[23]

Patrimônio Mundial e conservação

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O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos recebeu tombamento federal em 8 de setembro de 1939.[7] A UNESCO o inscreveu na lista do Patrimônio Mundial em 1985, cinco anos depois de Ouro Preto se tornar o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na lista.[7][62]

O bem foi inscrito pelos critérios (i) e (iv). O critério (i) baseou-se no valor artístico do conjunto arquitetônico e escultórico de Aleijadinho, enquanto o critério (iv) tratou da posição do santuário no desenvolvimento da arquitetura religiosa da América Portuguesa e do desenho rococó de sua fachada e torres.[7] O bem inscrito ocupa 2,19 ha (5,41 acre), cercado por uma zona de amortecimento de 8,77 ha (21,7 acre).[7]

Quando o bem foi inscrito, o Comitê do Patrimônio Mundial pediu uma ampla zona de proteção e registrou as garantias do município de que o crescimento urbano nos arredores seria controlado.[63] O santuário fica em uma área urbana onde moradias, estradas e mineração avançaram para perto do centro histórico.[11]

Profetas de pedra-sabão de Aleijadinho no adro do santuário

Como os profetas permanecem ao ar livre, a pedra-sabão fica exposta à ação do tempo, fungos, bactérias e vandalismo. O estado das esculturas gerou debates recorrentes sobre a transferência dos originais para um espaço fechado, embora o tratamento preventivo e o monitoramento tenham permanecido como abordagem preferida.[64]

Os doze profetas foram registrados por digitalização tridimensional. Os modelos digitais permitem comparar seu estado de conservação e podem ser usados para produzir réplicas precisas caso um original sofra danos irreversíveis.[64] O Museu de Congonhas foi aberto ao lado do santuário em 2015 e teve entre suas finalidades apoiar pesquisas e a conservação preventiva das esculturas de pedra.[64][59]

Peregrinação e tradições religiosas

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Peregrinos já visitavam o santuário enquanto ele estava em construção. O Papa Pio VI autorizou o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em 1779, e a primeira celebração oficial ocorreu em 1780.[8] O Jubileu acontece de 7 a 14 de setembro e recebe peregrinos de Minas Gerais e de outros estados.[8]

Durante o Jubileu, uma feira ocupa os acessos ao santuário. Ela nasceu do comércio destinado aos peregrinos que antes permaneciam dias em Congonhas devido à dificuldade da viagem de retorno.[8] Famílias próximas ao santuário também ofereciam quartos e refeições aos visitantes.[8]

Complexo da Romaria, próximo ao santuário

Durante parte do século XX, peregrinos pobres podiam se hospedar na Romaria, um grande alojamento ao lado do santuário. Ela fechou no início da década de 1960 e foi demolida em 1966, com exceção dos portais de entrada e de parte das fundações. O arquiteto Sylvio de Podestá projetou uma reconstrução em 1993, e a primeira etapa foi inaugurada em 1995 como Centro Cultural da Romaria.[65]

O Congado e a Folia de Reis são praticados em Congonhas junto do Jubileu e das festas paroquiais.[23] Grupos de Congado se reúnem na festa de Nossa Senhora do Rosário e em encontros com guardas de municípios vizinhos.[66] Grupos de Folia percorrem casas e igrejas no período entre o Natal e a Epifania. Alto Maranhão realiza uma festa do Menino Jesus e de São Sebastião com a participação de grupos visitantes de Folia de Reis.[67]

Os sinos das igrejas anunciam missas, procissões, funerais, festas religiosas e celebrações como a Semana Santa e o Natal. Os sineiros aprendem os diferentes toques pela escuta e pelo trabalho ao lado de praticantes mais experientes nas torres das igrejas.[68] O toque dos sinos em Minas Gerais e o ofício de sineiro estão registrados como patrimônio imaterial federal desde 2009, com os registros revalidados em 2024. Congonhas é uma das nove cidades de referência, junto de Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Diamantina e outras localidades mineiras.[68][69]

A Semana Santa inclui procissões pelas ruas antigas. Na Procissão do Encontro, a imagem de Jesus carregando a cruz sai da Basílica do Bom Jesus de Matosinhos, enquanto a imagem de Nossa Senhora das Dores parte da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. As duas procissões se encontram diante da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.[70]

Atores também apresentam o ciclo As Cenas da Paixão Segundo Congonhas durante a Semana Santa. Cenas dos últimos dias de Cristo são encenadas pelo centro histórico, e a Paixão e a Crucificação são apresentadas diante da basílica na Sexta-Feira da Paixão.[71][72]

Museus, artes e alimentação

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Museu da Imagem e Memória
Museu de Congonhas, ao lado do santuário

O Museu de Congonhas abriu ao lado do santuário em dezembro de 2015, em um edifício projetado pelo arquiteto Gustavo Penna após concurso nacional. As exposições tratam do santuário, das peregrinações, dos ex-votos, de Aleijadinho e dos artesãos que trabalharam no conjunto.[59] O museu também guarda materiais utilizados no estudo e na conservação das esculturas de pedra expostas ao ar livre.[59]

O Museu da Imagem e Memória foi aberto em 2001, em uma antiga casa da Rua Bom Jesus. Fotografias, documentos e objetos acompanham o crescimento da cidade e aspectos da vida de seus moradores.[73] A Romaria reconstruída também recebe exposições e apresentações.[65]

Congonhas realiza anualmente um festival de inverno com concertos, teatro, dança e exposições. O evento chegou à 31ª edição em 2026.[74]

Artesãos de Congonhas trabalham com pedra-sabão, produzindo esculturas e objetos domésticos com a mesma rocha utilizada em grande parte da arte colonial da cidade.[75] As quitandas também fazem parte dos costumes locais. O Festival da Quitanda, realizado na Romaria, chegou à 25ª edição em 2025 e reúne quitandeiras e outros produtores de alimentos de Congonhas e cidades próximas.[76]

Turismo e rotas históricas

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O turismo em Congonhas se concentra no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos e na parte antiga da cidade. As igrejas, a Romaria, o Museu de Congonhas e o Museu da Imagem e Memória são outros pontos de visitação no centro histórico.[77] O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos também leva peregrinos à cidade em setembro.[8]

Congonhas pertence à IGR Ouro, região turística estadual administrada pela Associação dos Municípios do Circuito do Ouro. A associação reúne Congonhas e antigas cidades mineradoras, entre elas Ouro Preto, Mariana, Ouro Branco, Sabará e Catas Altas.[78]

Estrada Real

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Estrada Real em Joaquim Murtinho, no município de Congonhas

Congonhas fica na Estrada Real, rede de caminhos utilizada pela Coroa Portuguesa para comunicar as áreas mineradoras de Minas Gerais com portos e outros povoados. Ouro, mantimentos e viajantes percorriam essas rotas no período colonial. Trechos das antigas estradas integram o roteiro turístico da Estrada Real.[79]

O Caminho Velho, o mais antigo dos principais caminhos da Estrada Real entre a região mineradora e o litoral, atravessa Congonhas. O trajeto mapeado passa pela sede e por Lobo Leite, com um trecho que liga os dois por estradas predominantemente rurais.[80][36]

O Caminho da Estrada Real tornou-se monumento nacional por lei federal em 2023. Congonhas figura expressamente entre os municípios abrangidos pela designação.[79]

Política e governo

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Congonhas é administrada por um prefeito, um vice-prefeito e uma Câmara Municipal com 13 vereadores. Prefeito e vice são eleitos na mesma chapa, enquanto os vereadores são escolhidos separadamente e aprovam as leis municipais e o orçamento.[81] O município é regido por sua atual Lei Orgânica desde 19 de novembro de 1990.[82]

Anderson Costa Cabido, do PSB, iniciou seu terceiro mandato como prefeito em 1º de janeiro de 2025, tendo José de Freitas Cordeiro, do PSDB, como vice-prefeito.[2] Cabido venceu a eleição de 2024 com 12.193 votos, 36,01% dos votos válidos.[83] Ele já havia governado de 2005 a 2012. Cordeiro foi vice-prefeito nesses mandatos e prefeito entre 2013 e 2020.[84]

As 13 cadeiras da Câmara eleitas em 2024 ficaram distribuídas entre oito partidos. O PL conquistou três cadeiras, o maior número entre as legendas.[85] Averaldo Pereira da Silva, do PL, é presidente da Câmara no biênio 2025–2026.[86]

As primeiras administrações municipais depois de 1938 foram dirigidas por prefeitos nomeados pelo governo estadual. Nicola Falabela tornou-se o primeiro prefeito eleito em 1947.[84]

Educação

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Em 2022, 98,94% dos moradores de 6 a 14 anos frequentavam a escola.[3] Entre as pessoas com 15 anos ou mais, 96,8% eram alfabetizadas.[87]

Educação básica

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Em 2023, as escolas de ensino fundamental de Congonhas tinham 6.726 estudantes e as de ensino médio, 2.068. O município tinha 35 escolas de ensino fundamental e seis de ensino médio.[3]

Educação básica, 2023
Nível Matrículas Docentes Escolas
Ensino fundamental 6.726 432 35
Ensino médio 2.068 196 6

Fonte: IBGE.[3]

Mais de sete mil estudantes estavam matriculados na rede municipal no início do ano letivo de 2025.[88] A partir desse ano, as escolas municipais passaram a ampliar gradualmente as turmas de tempo integral na educação infantil e no ensino fundamental, prolongando a jornada com atividades escolares e extracurriculares.[89]

Em 2023, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) das escolas públicas foi 5,9 nos anos iniciais do ensino fundamental e 4,5 nos anos finais.[3]

Ensino técnico e superior

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O Centro de Educação Tecnológica Edmundo Macedo Soares (CET), mantido pela Fundação CSN, foi inaugurado em abril de 1961. A instituição oferece do 6º ao 9º ano, ensino médio e cursos técnicos.[90]

Uma escola técnica federal foi inaugurada em Congonhas em 13 de março de 2006 como unidade descentralizada do CEFET Ouro Preto. Tornou-se campus do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) com a reorganização da rede federal em 2008.[91] O campus oferece cursos técnicos em edificações, mecânica e mineração. Na graduação há cursos de engenharia de produção, engenharia mecânica, física e licenciaturas em língua portuguesa e língua inglesa.[91]

Um polo local da Universidade Aberta do Brasil para ensino a distância foi aprovado em 2023.[92] O polo começou a matricular alunos em 2024, inclusive para a licenciatura gratuita em química oferecida pela Universidade Federal de Juiz de Fora.[93]

Os moradores recebem atendimento rotineiro nas unidades de atenção primária da sede, dos bairros afastados, de Alto Maranhão, Lobo Leite e comunidades rurais. Equipes de Saúde da Família oferecem consultas médicas e de enfermagem, vacinação, pré-natal, odontologia e acompanhamento de doenças crônicas.[94]

Pacientes que precisam de consultas, exames ou tratamentos indisponíveis em Congonhas podem ser encaminhados para hospitais e centros especializados de outras cidades de Minas Gerais. O programa municipal de Tratamento Fora do Domicílio, o TFD, organiza o transporte para essas viagens.[95]

Hospital e atendimento de urgência

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O Hospital Bom Jesus é o principal hospital geral de Congonhas e recebe pacientes da microrregião de saúde ao redor. Na rede regional de urgência, é classificado como hospital geral de porta aberta e maternidade para gestações de risco habitual.[96] O hospital tem 89 leitos, dos quais 56 são reservados a pacientes do SUS. Há internação em clínica médica, cirurgia, ortopedia, obstetrícia e pediatria, além de uma unidade de terapia intensiva adulta com dez leitos.[97]

Uma UPA 24h atende casos urgentes que não exigem internação hospitalar imediata.[94] O atendimento por ambulância é realizado pelo SAMU 192. A base de Congonhas dispõe de uma ambulância de suporte básico e outra de suporte avançado, em funcionamento 24 horas por dia.[98]

Saúde mental

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O atendimento de saúde mental é organizado por serviços comunitários para adultos, crianças e adolescentes. O CAPS II atende adultos com transtornos mentais graves ou persistentes, enquanto o CAPS IJ trabalha com crianças e adolescentes.[99] O CAPS AD trata transtornos relacionados ao consumo de álcool e outras drogas e funciona 24 horas por dia desde novembro de 2025.[100]

Atendimento regional e indicadores de saúde

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Congonhas forma uma microrregião de saúde dentro da macrorregião Centro Sul de Minas Gerais. O Hospital Bom Jesus atende grande parte da demanda hospitalar geral da microrregião, enquanto pacientes que precisam de tratamentos mais especializados podem ser encaminhados a centros maiores da região.[96]

A taxa de mortalidade infantil foi de 12,2 mortes antes de um ano de idade por mil nascidos vivos em 2025.[3]

Transportes

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Rodovias e mobilidade urbana

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A BR-040 é a principal rodovia de Congonhas. Segue para o norte em direção a Belo Horizonte, cuja área central fica a cerca de 78 km (48,5 mi) da sede municipal, e para o sul por Conselheiro Lafaiete e Barbacena, rumo a Juiz de Fora.[28] O trecho Belo Horizonte–Juiz de Fora é administrado pela EPR Via Mineira desde agosto de 2024, por meio de concessão federal de 30 anos.[101]

A concessão prevê a duplicação de cerca de 10 km (6,21 mi) da BR-040 em Congonhas, entre o km 602, perto de Pires, e o km 612, próximo à entrada da cidade. Em 2026 estavam em andamento obras preparatórias, entre elas a implantação de estruturas de um sistema de pesagem em movimento na região dos quilômetros 606 e 607.[102]

A MG-030 atravessa o município por Lobo Leite e comunica o distrito com o corredor da BR-040.[103] A MGC-383 segue para o sul a partir da região de Congonhas, passando por São Brás do Suaçuí em direção a Entre Rios de Minas.[104]

O tráfego pesado das minas divide as vias com ônibus e veículos locais. O relevo íngreme, os cruzamentos ferroviários e a BR-040 deixam poucas alternativas de deslocamento entre algumas partes da cidade, concentrando o trânsito em poucos corredores.[105] Caminhões ligados à mineração acrescentam tráfego de carga à BR-040 e às estradas nos arredores das minas.[106]

Estação ferroviária de Congonhas do Campo, inaugurada em 1914

Congonhas não é mais atendida por trens de passageiros, mas a ferrovia continua muito utilizada para cargas.[107] Os trilhos que atravessam a sede pertencem à malha operada pela MRS Logística, que transporta cargas por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.[108]

O minério de ferro está entre as principais cargas transportadas pelo município. O minério do complexo de Casa de Pedra é carregado em trens da MRS para o Porto de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, e a Vale também utiliza a ferrovia em suas operações mineradoras na região.[53][54]

A linha passa por áreas urbanizadas de Congonhas e cruza ruas em nível. A renovação da concessão da MRS prevê melhorias nas passagens ferroviárias e uma passarela para pedestres no município.[109] Uma proposta para restaurar o serviço ferroviário de passageiros entre Congonhas e Conselheiro Lafaiete estava em discussão preliminar em agosto de 2026.[110]

Transporte público

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Ônibus municipais circulam pela área urbana e atendem Alto Maranhão, Lobo Leite e outras comunidades afastadas.[111] Itinerários e tarifas são definidos pelo município.[112]

Os ônibus intermunicipais utilizam o Terminal Rodoviário de Congonhas, na Avenida Mauá. Há ligações diretas com Belo Horizonte, Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco e São João del-Rei.[113][114][115] Ônibus de longa distância também seguem diretamente para São Paulo, utilizando o Terminal Rodoviário Tietê, e para o Rio de Janeiro, pelo Terminal Rodoviário Novo Rio.[116]

Acesso aéreo

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Congonhas não possui aeroporto público de passageiros. Passageiros de voos regulares costumam chegar à região pelo Aeroporto Internacional de Belo Horizonte-Confins, em Confins. Congonhas comunica-se com a região de Belo Horizonte pela BR-040, e a sede fica a cerca de 78 km (48,5 mi) do centro da capital mineira.[117][28]

Serviços públicos e comunicações

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A maior parte das residências de Congonhas recebe água potável pela rede pública de distribuição. No censo de 2022, 91% dos habitantes utilizavam a rede geral como principal forma de abastecimento, enquanto parcelas menores dependiam de poços ou outras fontes.[118] A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) opera os principais sistemas públicos de água e esgoto.[118]

O serviço público de esgotamento sanitário alcançava 67,9% dos moradores em 2024. Cerca de 60% do esgoto produzido no município era coletado, mas naquele ano não havia registro de tratamento do material coletado.[118] A rede de esgoto passou por expansão. Coletores e interceptores estavam em construção em bairros do município em julho de 2025. Uma segunda etapa previa estações elevatórias, linhas de recalque e uma estação de tratamento de esgoto, com início das obras previsto para 2026.[119]

A coleta domiciliar de resíduos alcançava 99,2% dos moradores no censo de 2022.[118] Congonhas, Conselheiro Lafaiete e Ouro Branco mantêm em conjunto o sistema regional de aterro sanitário Ecotres. O lixo doméstico recolhido é pesado antes de ser depositado em células impermeabilizadas, onde passa por compactação e cobertura.[120]

A energia elétrica é distribuída pela Cemig.[121] Até 2024, o acesso gratuito à internet sem fio oferecido pelo município havia chegado a prédios e espaços públicos na sede, em Alto Maranhão, Lobo Leite e outras comunidades afastadas.[122]

A radiodifusão na cidade começou em 19 de novembro de 1961, quando a Rádio Congonhas entrou em operação como emissora arquidiocesana.[123] A emissora permanecia ativa em 2025.[124] A fundação cultural municipal opera a Rádio Educativa FM,[125] enquanto a Colonial FM 104,7 transmite de um estúdio na sede municipal.[126]

Segurança pública

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Congonhas é atendida pela Polícia Militar de Minas Gerais e possui uma delegacia da Polícia Civil.[127][128] A Guarda Municipal patrulha prédios municipais e espaços públicos e atua com as polícias estaduais e órgãos de trânsito.[129]

Um posto do Corpo de Bombeiros Militar funciona em Congonhas desde 2017. Antes de sua abertura, as equipes que atendiam emergências no município partiam de Conselheiro Lafaiete.[130]

Encostas íngremes e cursos d'água que atravessam áreas urbanizadas deixam partes de Congonhas sujeitas a enchentes e deslizamentos em períodos prolongados de chuva. A Defesa Civil municipal monitora encostas, taludes de estradas e níveis dos rios no período chuvoso.[131]

A mineração exige um sistema separado de alerta de emergência. Áreas inseridas em zonas de emergência de estruturas minerárias têm sirenes, rotas de fuga sinalizadas e pontos de encontro.[132] Moradores participam de testes de sirenes e simulados de evacuação. Um exercício integrado em abril de 2026 testou os sistemas de alerta e os caminhos utilizados para chegar aos pontos de encontro designados.[133]

Parques e lazer

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Parque da Cachoeira

A Cachoeira de Santo Antônio fica a cerca de 5 km (3,11 mi) do centro da sede municipal. O Parque da Cachoeira possui piscinas abastecidas por água corrente, uma piscina natural abaixo da queda d'água, áreas esportivas, trilhas, locais para piquenique e espaço para acampamento.[134] Ao lado da área de lazer, o Parque Natural Municipal da Cachoeira de Santo Antônio protege 85,66 ha (212 acre) ao redor da cachoeira. Foi criado como Parque Municipal da Cachoeira em 1983 e recebeu o nome e os limites atuais em 2015.[135]

O Parque Natural da Romaria Hélvio Vitarelli abriu ao lado da Romaria e do Museu de Congonhas em dezembro de 2025.[136] Trilhas e passarelas de madeira atravessam a área arborizada e trechos plantados com espécies nativas. O parque também possui espaços para educação ambiental e apresentações ao ar livre.[136]

O Torneio de Férias de Futsal de Congonhas chegou à 47ª edição em 2026, com partidas no Ginásio Poliesportivo Monteirão.[137]

Provas de mountain bike utilizam as ruas íngremes próximas ao santuário e trilhas do Parque da Cachoeira. Congonhas recebeu a etapa final da Copa do Mundo de Mountain Bike Eliminator da Union Cycliste Internationale em novembro de 2018, primeira realização da competição na América do Sul. Os ciclistas largaram e chegaram ao lado do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.[138] A Copa Internacional de Mountain Bike também realiza provas de cross-country no Parque da Cachoeira. Sua vigésima edição em Congonhas ocorreu no local em 2025.[139][140]

Personalidades

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Ver também

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  1. O município teve oficialmente o nome "Congonhas do Campo" até 1948, quando passou a se chamar "Congonhas".[13]
  2. Os limites municipais mudaram entre os censos de 1940 e 1950. Alto Maranhão foi transferido para Congonhas do Campo em 1943, de modo que os dois totais correspondem a territórios diferentes.[13]

Referências

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