Televisão digital no Brasil

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O Ex-presidente Lula da Silva em pronunciamento durante cerimônia de início das transmissões da TV digital no Brasil, ocorrida na Sala São Paulo em 2007.

A televisão digital no Brasil remete à implementação do sistema digital de televisão no Brasil que, entre 2006 e 2007, se definiu de maneira significativa, apesar das polêmicas quanto ao padrão adotado e alguns impasses ainda pendentes.

A primeira transmissão oficial de sinal de TV digital no Brasil ocorreu em 2 de dezembro de 2007, às 21h20, na Sala São Paulo, na cidade de São Paulo. A solenidade reuniu mais de 2000 pessoas e contou com a presença do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e de grandes empresários do setor.

A partir de maio de 2008, teve início a campanha de popularização da televisão digital brasileira, que incluía demonstrações em pontos de grande circulação.[1]

Nesta época várias cidades em quatro das cinco regiões do Brasil e suas respectivas capitais já possuíam transmissão digital antes da expectativa inicial, mesmo assim em 2008 apenas 470 mil aparelhos aptos a receber o sinal digital foram vendidos e a cifra atingia apenas cerca de 907 mil brasileiros.[2]

Desde 2009, o governo faz uma ampla divulgação sobre o que era a televisão digital, seus benefícios, além de fazer acordos com as fabricantes para baratear os preços, e a partir disso, as vendas de televisores aptos ao sistema digital melhoraram consideravelmente.[3]

No final de julho de 2012 a TV Acre e a TV Rondônia, afiliadas da Rede Globo em Rio Branco, no Acre e Porto Velho, em Rondônia, iniciam as transmissões digitais, sendo as últimas que faltavam, agora todas as capitais brasileiras passam a ter acesso à TV Digital. A partir de agosto de 2012, 44.9 milhões de brasileiros residentes nas capitais e 43.041.964 habitantes de outras cidades já têm acesso a pelo menos um dos canais digitais brasileiros.[4]

Primórdios[editar | editar código-fonte]

O Brasil foi o único país emergente em que emissoras e indústrias de equipamentos financiaram parte dos testes de laboratório e de campo para comparar a eficiência técnica dos três padrões tecnológicos existentes para transmissão e recepção dos sinais.

Desde 1994, 17 emissoras de televisão e pouco mais de uma dezena de empresas interessadas criaram o grupo SET/Abert juntamente com a Universidade Mackenzie passaram a pesquisar os três sistemas de transmissão de TV Digital: o modelo ATSC americano, o modelo DVB europeu e o modelo ISDB japonês. Desde 1996, Goiás é um dos estados diretamente empenhados na corrida tecnológica para a implementação da televisão digital. O ano de 1996 também ficou marcado pela chegada da DirecTV, primeiro sistema de TV digital no país, porém pago e inacessível à maioria da população. No final daquele ano chegou a SKY para competir nesse mercado. Em 1998 foram iniciados os trabalhos do primeiro consórcio técnico com a Universidade Mackenzie, que resultou nos primeiros testes de laboratório e de campo que duraram seis meses: entre agosto de 1999 e março de 2000.

O governo federal criou 22 consórcios técnicos envolvendo 106 universidades públicas e privadas brasileiras, institutos de pesquisa e empresas privadas. Cerca de R$60 milhões do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações foram aplicados para a criação de inovações brasileiras, incluindo o aperfeiçoamento de equipamentos e tecnologias e de softwares nacionais.

Em 2003 o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto n.º 4.901, que criou o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, ou SBTVD, e o Comitê de Desenvolvimento, responsável pela sua implementação. Após o término da primeira fase de estudos em 2006, o presidente Lula assinou o decreto de n.º 5.820 que criou Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, responsável por padronizar e harmonizar as tecnologias nacionais, desenvolvidas pelas universidades e centros de pesquisas brasileiros, com a tecnologia da ARIB (Association of Radio Industries and Businesses) do Japão e outras.

Modelos, sistemas e padrões de TV digital para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Para compreender alguns dos impactos sociais, culturais, políticos, econômicos e tecnológicos é importante diferenciar alguns pontos:

  • O modelo de televisão digital incorpora a visão de longo prazo e o conjunto de políticas públicas. O modelo deve articular todas as iniciativas, atividades e ações relacionadas à questão. O modelo define as condições de contorno para o estabelecimento do sistema e respectiva definição do padrão.
  • O sistema de televisão digital é o conjunto de toda a infraestrutura e atores (concessionárias, redes, produtoras, empresas de serviços, ONGs, indústrias de conteúdo e de eletroeletrônicos).
  • O padrão de televisão digital é o conjunto de definições e especificações técnicas necessárias para a correta implementação e implantação do sistema a partir do modelo definido.

Atualmente existem diferentes modelos, sistemas e padrões de TV Digital no mundo. No Brasil, a definição final do padrão adotado dependeu da harmonização de um modelo (arcabouço legal e institucional) e de diferentes sistemas (tecnologias de software e hardware). A legislação brasileira foi bastante flexível com relação a portabilidade da televisão digital no Brasil, permitindo a sua utilização nos mais variados dispositivos.

Padrão ISDB-TB[editar | editar código-fonte]

Especificações tecnicas do padrão ISDB-TB
Aplicações EPG, t-GOV, t-COM, Internet
Middleware Ginga
Compressão de áudio MPEG-4 AAC 2.0 , 5.1 canais
Compressão de vídeo MPEG-4 H.264
Transporte MPEG-2 TS
Modulação COFDM dividido em 13 segmentos da portadora de 6 MHz
Ver artigo principal: ISDB-TB

O padrão de televisão digital adotado no Brasil é o ISDB-TB, uma adaptação do ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial), padrão japonês acrescida de tecnologias desenvolvidas nas pesquisas das universidades brasileiras.

O padrão japonês foi escolhido, conforme dito anteriormente, por atender melhor as necessidades de energia nos receptores, mobilidade e portabilidade sem custo para o consumidor, diferente do padrão europeu (DVB-T), onde esta operação é tarifada pelas empresas telefônicas. A principal diferença constatada inicialmente após a decisão de se adotar o padrão japonês para ser utilizado na televisão digital brasileira, em junho de 2006, foi a substituição do formato de compressão MPEG-2 para o MPEG-4.

O formato ISDB-TB também permite, além da transmissão em alta definição, a transmissão em multiprogramação, onde é possível transmitir, no lugar de um único programa em alta definição, oito programas diferentes simultaneamente em definição padrão (720 × 480 pixels, a mesma do DVD). Para comparar, a televisão analógica, por ter perdas na transmissão pelo ar, chega a no máximo 333 × 480. Com o codec H.264 do formato MPEG-4, será possível transmitir até 2 canais HD (1080i), 4 Canais HD (720p) e/ou 8 SD (480p) pela mesma transmissora.

Padrão Ginga de Interatividade[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimentos recentes[editar | editar código-fonte]

Alguns desenvolvimentos recentes merecem destaque. Um deles é o middleware Ginga, camada de software intermediário open source que permite o desenvolvimento de aplicações NCL interativas para a TV Digital de forma independente da plataforma de hardware dos fabricantes de terminais de acesso (set-top-boxes).

Resultado de anos de pesquisas lideradas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Ginga reúne um conjunto de tecnologias e inovações brasileiras que o tornam a especificação de middleware mais avançada e, ao mesmo tempo, mais adequada à realidade do país.

O Ginga pode ser dividido em dois subsistemas principais, que permitem o desenvolvimento de aplicações seguindo dois paradigmas de programação diferentes. Dependendo das funcionalidades requeridas no projeto de cada aplicação, um paradigma possuirá uma melhor adequação que o outro.

Outro avanço importante foi a aprovação do contrato que dá início a fabricação do primeiro chip nacional para a TV Digital. A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinou recursos não-reembolsáveis do Funtec, no valor R$ 14,6 milhões [5] para a União Brasileira de Educação e Assistência (UBEA) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (CEITEC) vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Também participam do projeto a empresa Telavo Digital que apoiou a pesquisa e o design do chip e o Instituto Ábaco, de Campinas, SP, responsável pelo hardware do projeto. O chip criado pela PUC-RS e pelo Ceitec atenderá aos três sistemas de modulação para transmissão de TV Digital internacionalmente reconhecidos.

Desligamento da Televisão Analógica[editar | editar código-fonte]

Leilão da faixa de 700 MHz[editar | editar código-fonte]

O Brasil é primeiro país no mundo a conduzir o desligamento analógico em conjunto com o leilão de parte da faixa usada pela televisão. No ano de 2014, a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), publicou o edital n°2/2014-SOR/SPR/CD-ANATEL [6], referente ao leilão de radiofrequências na faixa de 700 MHz (mais especificamente, a faixa de 708-803 MHz) para o uso do sistema de quarta geração de telefonia móvel (4G), em atendimento às políticas governamentais de desenvolvimento da banda larga no País [7], e consoante com a identificação internacional da faixa, pela União Internacional de Telecomunicações – UIT, para serviços de telefonia móvel [8]. O leilão, ocorrido em 30 de setembro de 2014, arrecadou cerca de 9 bilhões de reais [9], dos quais parte deverá ser reservada para cumprir obrigações do desligamento.

O leilão da faixa de 700 MHz trouxe consigo a necessidade de remanejamento de canais de televisão que atualmente utilizam a faixa. As emissoras analógicas e digitais que ocupam a faixa UHF compreendida entre os canais 52 ao 69 deverão ser realocadas, dentro da mesma faixa, para os canais 14 a 51. Em algumas cidades grandes, como São Paulo e Belo Horizonte, a grande ocupação do espectro impede que o remanejamento dos canais para uso pelo 4G seja feito sem que antes haja o desligamento analógico.

Arcabouço Normativo[editar | editar código-fonte]

O decreto n° 5.820, de 2006, determinou que o desligamento do sinal analógico no Brasil seja concluído até 31 de dezembro de 2018[10]. Subsequentemente, o Ministério das Comunicações expediu uma Portaria [11]. em 2014 que determinou o cronograma de desligamento dos municípios, iniciando-se em 29 de novembro de 2015 e sendo finalizado em 25 de novembro de 2018. Posteriormente, foram definidas as cidades afetadas pelo desligamento analógico, que devem desligar em conjunto com as principais cidades de forma a viabilizar o processo. A partir de 2015, foi autorizado [12]. o uso da faixa de VHF compreendida entre os canais 7 a 13 (“VHF alto”) para o funcionamento da televisão digital. Permitiu-se também que os canais analógicos desta faixa continuem operando até a data do desligamento.

No mesmo ano, o Ministério das Comunicações expediu Portaria determinando que, para permitir o desligamento da transmissão analógica das emissoras de televisão em cada município, pelo menos 93% de seus domicílios que acessem o serviço livre, aberto e gratuito por transmissão terrestre, estejam aptos à recepção da televisão digital terrestre. Consideram-se aptos os domicílios que estejam equipados com, ao menos, um televisor com receptor digital integrado ou um televisor analógico ligado a um conversor externo, além de antena apropriada para recepção de televisão digital.

Estrutura Governamental[editar | editar código-fonte]

Para dar andamento na transição à TV Digital, o governo criou alguns grupos para discutir as diretrizes do processo.

O Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV (GIRED) é o responsável pelo processo de desligamento da TV analógica. Este grupo opina sobre como deve ser feita esta migração, a distribuição dos conversores de TV digital, antenas e filtros para a população de baixa renda, e as cidades onde poderá haver a antecipação do cronograma do desligamento analógico. Esse grupo é formado pela Anatel, que o preside, pelo Ministério Das Comunicações, radiodifusores e representantes das teles vencedoras do leilão da faixa de 700MHz.

O grupo também tem a função de coordenar os trabalhos da Entidade Administradora da Digitalização (EAD). A EAD é uma empresa criada pelas teles vencedoras do leilão da faixa de 700MHz e é responsável por operacionalizar, divulgar e acelerar o processo de transição dos canais analógicos para digitais, assim como, realizar a distribuição dos conversores digitais para as famílias cadastradas no bolsa família.

Políticas Públicas[editar | editar código-fonte]

Para estimular o atingimento do percentual de 93% de domicílios aptos, o Governo determinou por meio da Portaria Nº 378, de 22 de Janeiro de 2016[13] que os beneficiários do programa Bolsa Família recebam, de forma gratuita, um conversor digital com interatividade (Ginga, na sua versão C) e antena para recepção, além de garantir que medidas sejam tomadas para solucionar eventuais problemas de interferência da telefonia móvel na televisão digital.

Além disso, deverá ser promovida uma campanha publicitária, inclusive em TV aberta, para informar a toda população sobre o desligamento, ato referido na Portaria 1581 [14].. Para cumprir a estas e outras obrigações, as operadoras de telefonia móvel que venceram a licitação da faixa de 700 MHz terão disponíveis, de forma exclusiva, o montante de 3,6 bilhões de reais [15].

Cronograma do Desligamento Analógico[editar | editar código-fonte]

A data de desligamento da televisão analógica nas cidades do Brasil foi definida pelo Ministério das Comunicações, por meio da Portaria Nº 378, de 22 de Janeiro de 2016[16], conforme a lista a seguir:

Data do desligamento Agrupamento dos municípios
2016 15/02/2016 - 01/03/2016 Rio Verde
26/10/2016 - 17/11/2016 Brasília
2017 29/03/2017 São Paulo
31/05/2017 Goiânia
26/07/2017 Belo Horizonte
Fortaleza
Sobral
Juazeiro do Norte
Recife
 Salvador
27/09/2017 Campinas
Franca
Ribeirão Preto
Santos
São Paulo Vale do Paraíba
25/10/2017 Rio de Janeiro
Vitória
2018 31/01/2018 Curitiba
Florianópolis
Porto Alegre
28/03/2018 Bauru
Presidente Prudente
São José do Rio Preto
São Luís
30/05/2018 Belém
João Pessoa
Maceió
Manaus
Teresina
Aracaju
 Natal
28/11/2018 Boa Vista
 Campo Grande
Cuiabá
Macapá
Palmas
Paraná Oeste do Paraná
Porto Velho
Rio Branco
Rio de Janeiro Interior do Rio de Janeiro
Rio Grande do Sul Sul do Rio Grande do Sul
São Paulo Interior de São Paulo
05/12/2018 Blumenau
Jaraguá do Sul
Joinville
Campina Grande
 Dourados
Bandeira caruaru.jpg Caruaru
Petrolina
Rondonópolis
Feira de Santana
Vitória da Conquista
Governador Valadares
Juiz de Fora
Uberaba
Uberlândia
Imperatriz
Marabá
 Mossoró
Parnaíba
Santa Maria
2023 Todas as outras cidades

De acordo com a Portaria 378, o detalhamento das cidades afetadas por cada agrupamento será publicado posteriormente.

Desligamento Piloto[editar | editar código-fonte]

A cidade escolhida como piloto para o desligamento do sinal analógico foi Rio Verde/GO, prevista para desligar em 29 de novembro de 2015. Entretanto, a última pesquisa de conhecimento realizada pelo IBOPE nesta cidade [17]. resultou que apenas 69% da população estavam ora aptos a receber o sinal digital, percentual abaixo dos 93% necessários para o desligamento. A pesquisa concluiu que grande parte da população que não se mobilizou em favor da transição digital até a data do desligamento - adquirindo televisores ou conversores -, justificou a inação pela impossibilidade de arcar com gastos Além disso, um fenômeno observado em outros países que já passaram pelo processo é de que certo percentual da população somente toma ações de adequação após o desligamento.

Após a data original do desligamento, o Ministro divulgou, durante um evento público, que Rio Verde terá seus serviços analógicos impreterivelmente desligados em 15 de fevereiro de 2016[18], e para que a população de baixa renda que ainda não possui os equipamentos necessários para receber o sinal digital não seja prejudicada, o GIRED autorizou a compra de conversores para serem distribuídos aos os usuários do Cadastro Único em Rio Verde-GO. Na cidade existem cerca de 25 mil inscritos no programa, sendo aproximadamente 7 mil do bolsa família [19].

No dia 15 de fevereiro de 2016, mesmo com o percentual de 93% não atingido, o Ministro das Comunicações, André Figueiredo, decidiu que não iria mais adiar o switch-off em Rio Verde, sendo assim, duas emissoras - Rede Vida e TV Canção Nova - pararam de transmitir o sinal analógico. A escolha das emissoras foi feita devido à facilidade técnica. As demais emissoras, de acordo com o ministro, deveriam ser desligadas até o dia 01 de março.[20] Neste dia, Rio Verde se tornou a primeira cidade da América do Sul a desligar o sinal analógico e realizar todas as transmissões de televisão em tecnologia digital.[21]

Datas da chegada da televisão digital às cidades brasileiras[editar | editar código-fonte]

Nota: Esta seção elenca a data da chegada da primeira - ou das primeiras, se a chegada for simultânea - emissora digital de cada cidade. Portanto, não se deve incluir emissoras que chegaram depois. Tal informação cabe somente em artigos sobre a história da televisão em cada cidade ou estado, tais como este e este.

Segundo semestre de 2007[editar | editar código-fonte]

O início da televisão digital deu-se, tal qual o início da televisão no Brasil (no ano de 1950), em apenas uma região: São Paulo e boa parte de sua região metropolitana.

  • 2 de dezembro: O presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ministro das Comunicações Hélio Costa, em uma cerimônia em São Paulo, anunciou o lançamento da tv digital no Brasil, o pronunciamento foi transmitido ao vivo para todo o Brasil. Logo após, o SBT fez a primeira transmissão digital do Brasil, exibindo o filme Alexandre, O Grande, um filme com mais de 2 horas, no qual o telespectador poderia conhecer e avaliar bem a imagem HDTV. [22]

Primeiro semestre de 2008[editar | editar código-fonte]

Quando a Televisão Digital foi inaugurada em São Paulo, imaginava-se que ela chegaria ao Rio entre fevereiro e março. O que aconteceu é que essa inauguração foi adiada para meados de abril. Tanto em Belo Horizonte quanto no Rio, os testes das emissoras começariam 15 de abril e as transmissões iniciariam formalmente em 25 de abril de 2008. Entretanto, as emissoras realizaram os testes de seus sinais independentemente uma da outra. A RedeTV! antecipou-se à Rede Globo e iniciou as transmissões digitais na capital mineira em 7 de abril, e na capital fluminense a 8 de abril,[23] fazendo com que elas fossem a segunda e a terceira metrópole brasileira a receber e transmitir os sinais, respectivamente.

Segundo semestre de 2008[editar | editar código-fonte]

Neste semestre, várias afiliadas da Rede Globo iniciaram as transmissões digitais, sendo por um bom tempo as únicas a fazê-lo. A primazia entre as afiliadas coube à TV Anhanguera de Goiânia, que começou antes de outras cidades que se julgavam aptas para começar antes, assim como também foi a pioneira na Região Centro-Oeste. Nesta época, também deu-se o início da expansão para a Região Sul, através da RPC TV de Curitiba e a Região Nordeste, com a TV Bahia de Salvador. No início de dezembro, a EPTV de Campinas passou a ser a primeira afiliada no interior com transmissão definitiva em digital.

Primeiro semestre de 2009[editar | editar código-fonte]

Neste semestre, a TV digital continuou a sua expansão por mais estados brasileiros, atingindo todas as capitais da Região Centro-Oeste, Região Sudeste e Região Sul, com o início das transmissões de algumas filiadas (tais como a TV Globo Brasília) e várias afiliadas de outras redes que não a Globo, tais como a TV Vitória, afiliada da Record, em fevereiro e a TV Cidade Verde e a TV Jornal, afiliadas do SBT, em março e maio, respectivamente. Em meados de março, a Rede Integração de Uberlândia tornou-se a primeira afiliada do interior mineiro com transmissão definitiva em digital. Vitória teve o início simultâneo de uma afiliada da Record e de uma afiliada da Globo.

Segundo semestre de 2009[editar | editar código-fonte]

Na parte final de 2009, a televisão digital continuou sua expansão pelo Brasil. Exceto pela cidade de Aracaju, que passou a ter transmissões definitivas de uma afiliada da Rede Record e da TV Canção Nova, todas as demais cidades tiveram início com afiliadas da Rede Globo. A TV digital começou sua expansão pela Região Norte, nas cidades de Belém (TV Liberal) e de Manaus (TV Amazonas). O interior paulista teve mais duas cidades: Sorocaba (TV TEM) e Ribeirão Preto (EPTV), além da geradora da Record News em Araraquara. Também houve o início da primeira cidade do interior catarinense: Joinville (RBS). Na Região Nordeste, além de Aracaju, São Luís também iniciou suas transmissões definitivas.

Primeiro semestre de 2010[editar | editar código-fonte]

Neste semestre, a televisão digital chegou a mais um estado: o Rio Grande do Norte. Também teve uma grande expansão por cidades do interior dos estados. A EPTV iniciou a transmissão efetiva em duas emissoras e 10 retransmissoras no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais; a TV Vanguarda, em duas afiliadas do lado paulista do Vale do Paraíba; a Rede Integração, em duas afiliadas no Triângulo Mineiro, a TV Bandeirantes Presidente Prudente no oeste de São Paulo e a RPC TV de Londrina foi a pioneira no interior do Paraná. Com exceção da TV Bandeirantes Presidente Prudente, filiada da Rede Bandeirantes, todas as demais emissoras e retransmissoras pioneiras em suas respectivas cidades são afiliadas da Rede Globo.

Segundo semestre de 2010[editar | editar código-fonte]

  • 20 de outubro: TV Candelária, filial da Rede Record em Porto Velho, iniciou oficialmente as transmissões digitais, sendo a TV Candelária a primeira emissora de Rondônia a iniciar a transmissão digital, na frente das demais emissoras - Globo, RedeTV e SBT[carece de fontes?].
  • 29 de outubro : TV Gazeta de Alagoas , filial da Rede Globo em Maceió , iniciou oficialmente as transmissões digitais.

Quantidade de cidades com emissoras/retransmissoras digitais[editar | editar código-fonte]

Semestre Ano Cidades Ud. federativas
2° semestre 2007 1 1
1º semestre 2008 3 3
2° semestre 2008 9 8
1° semestre 2009 20 16
2° semestre 2009 28 19
1° semestre 2010 47 20

Calendário de início das transmissões digitais[editar | editar código-fonte]

Início previsto das transmissões da TV digital no Brasil através de frequências UHF[60][61]
2007
Mês Estado Cidade
Dezembro  São Paulo São Paulo
2008
Estado Cidade
Abril  Minas Gerais Belo Horizonte
 Rio de Janeiro Rio de Janeiro
Agosto  Goiás Goiânia
Outubro Pará Pará Belém
 Paraná Curitiba
 Piauí Teresina
Novembro  Alagoas Maceió
 Rio Grande do Norte Natal
 Rio Grande do Sul Porto Alegre
Dezembro Bahia Bahia Salvador
 Mato Grosso Cuiabá
 São Paulo Campinas
2009
Estado Cidade
Janeiro  São Paulo Santos
 Sergipe Aracaju
 São Paulo Ribeirão Preto
 Roraima Boa Vista
 Santa Catarina Florianópolis
 Amapá Macapá
 Rondônia Porto Velho
 Acre Rio Branco
 Mato Grosso do Sul Campo Grande
Fevereiro  Paraíba João Pessoa
 Minas Gerais Uberlândia
 Espírito Santo Vitória
 Amazonas Manaus
 Ceará Fortaleza
 Pernambuco Recife
 São Paulo São Carlos
Março  São Paulo São José do Rio Preto
Abril  Maranhão São Luis
 São Paulo Pirassununga
 São Paulo São José dos Campos
 São Paulo Taubaté
 Minas Gerais Ituiutaba
 São Paulo Araraquara
 Distrito Federal Brasília
Maio Bahia Bahia Feira de Santana
 São Paulo Itapetininga
 São Paulo Sorocaba
 São Paulo Presidente Prudente
 São Paulo Bauru
 Rio de Janeiro Campos dos Goytacazes
 Paraná Londrina
 Minas Gerais Juiz de Fora
 Santa Catarina Joinville
 Paraíba Campina Grande
 Rio Grande do Sul Caxias do Sul
 São Paulo Franca
 São Paulo Rio Claro
As geradoras das demais cidades
2010
2011
Retransmissoras nas capitais e Distrito Federal
2012
2013
O sinal estender-se-á a todo o território nacional.
2014
2016
Inicio do desligamento do sinal analógico.[62]
2023
Fim do desligamento do sinal analógico.


Medição de audiência[editar | editar código-fonte]

Com a chegada do novo sistema de transmissão, é necessária também uma nova forma de se medir a audiência televisiva das emissoras. Para isso, o Ibope, maior instituto de pesquisa desta área do país, adotará o aparelho DIB 6,[63] nova versão do aparelho medidor DIB 4, utilizado na forma de medição de televisão analógica People Meter. De acordo com o Ibope, esta tecnologia permite conhecer também a preferência dos telespectadores no computador e no celular através de um software instalado nos mesmos.[63] Os testes da nova tecnologia começaram em 2007 e a previsão é que a nova tecnologia de medição esteja implementada em 2009.

Número de canais da TV digital brasileira[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Relançamento da TV digital terá "degustação", diz "Outro Canal" Folha Online - visitado em 20 de março de 2008.
  2. TV digital completa um ano no Brasil, mas somente 0,5% da população tem acesso UOL Tecnologia - Acesso em 15 de dezembro de 2008
  3. Conversor digital custará R$120 Jornal do Site - Acesso em 26 de julho de 2012
  4. Sinal de TV Digital já chega a todos os estados brasileiros PC World - Acesso em 26 de julho de 2012
  5. "BNDES aprova recursos para criação do primeiro chip nacional para TV Digital" BNDES 15/02/2007
  6. Edital de Licitação para autorização de uso da faixa de 700 MHz, publicado no DOU em 21 de agosto de 2014
  7. Portaria n° 14, de 6 de fevereiro de 2013, Anatel - visitado em 7 de janeiro de 2016
  8. Atos Provisionais Finais da Conferência Mundial de Radiocomunicação de 2015 da União Internacional de Telecomunicações (UIT), UIT - acessado em 7 de janeiro de 2016
  9. Leilão de 700 mhz arrecada r$ 5,85 bi, queda de 29% ao que esperava o governo, Telessíntese - visitado em 7 de janeiro de 2016
  10. DECRETO Nº 5.820, DE 29 DE JUNHO DE 2006. Presidência da República- Visitado em 08/01/2016
  11. Portaria nº 1.581, de 09 de abril de 2015 Diário Oficial da União de 13 de abril de 2015
  12. Portaria nº 1.581, de 09 de abril de 2015 Diário Oficial da União de 13 de abril de 2015
  13. Portaria nº 378, de 22 de Janeiro de 2016
  14. Portaria nº 1.581, de 09 de abril de 2015 Diário Oficial da União de 13 de abril de 2015
  15. Edital de Licitação para autorização de uso da faixa de 700 MHz, publicado no DOU em 21 de agosto de 2014
  16. Portaria nº 378, de 22 de Janeiro de 2016
  17. Governo deve adiar switch-off em Rio Verde, Telesíntese - visitado em 07 de janeiro de 2016.
  18. Rio Verde: TV analógica será desligada até 15 de fevereiro, Abert - visitado em 07 de janeiro de 2016.
  19. TV Digital: Teles e tevês adiam costura de acordo por 45 dias, Tela Viva - visitado em 07 de janeiro de 2016.
  20. «MiniCom inicia transição da TV digital com desligamento de três emissoras em Rio Verde». TeleSíntese. Consultado em 2016-03-01. 
  21. «Rio Verde é a primeira cidade da América do Sul com TV 100% digital». Portal Brasil. Consultado em 2016-03-02. 
  22. Confira os bastidores da estreia da TV digital em São Paulo Acesso em 18 de junho de 2009
  23. a b c Televisão Digital é antecipada em Belo Horizonte Terra - visitado em 11 de abril de 2008.
  24. Televisão Digital chega à Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro através da RedeTV! UOL ComputerWorld - visitado em 11 de abril de 2008.
  25. RedeTV! deixa as outras emissoras para trás. Info Online - visitado em 11 de abril de 2008.
  26. Globo inicia transmissões no Rio EPTV - visitado em 16 de junho de 2008.
  27. Globo passa a transmitir sinal digital na Bahia G1 - visitado em 1 de dezembro de 2008.
  28. Campinas será a primeira cidade com TV digital longe das capitais visitado em 2 de dezembro de 2008
  29. TV digital chega a MT em 16 de dezembro visitado em 15 de dezembro de 2008
  30. RBS TV é a primeira emissora a exibir programação em HD visitado em 5 de fevereiro de 2009
  31. [rd1audienciadatv.wordpress.com/2009/02/08/record-e-globo-lancam-tv-digital-em-vitoria/ Record e Globo lançam TV Digital em Vitória] visitado em 6 de agosto de 2009
  32. - TV Digital chega a Uberlândia visitado em 16 de março de 2009
  33. a b Sinal da TV Digital chega a mais 5 cidades brasileiras em março visitado em 8 de março de 2009
  34. TV Tribuna lança sinal digital em 30 de março
  35. Ministro das Comunicações vem a MS para lançamento da TV Digital Acessado em 22 de abril de 2009.
  36. SBTVD: Fortaleza inicia as transmissões Acessado em 12 de maio de 2009.
  37. Ministro oficializa emissão da TV Jornal Digital Acessado em 27 de maio de 2009
  38. Ministro assina autorização do canal digital da TV Cabo Branco Acessado em 17 de junho de 2009
  39. TV TEM recebe autorização para operar em sistema digital Acessado em 20 de julho de 2009.
  40. PC WORLD - TV Digital chega aos municípios paulistas de Sorocaba e Mogi das Cruzes Acessado em 16 de julho de 2009.
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  42. Estações de Canais de TV Consignados - última atualização 31/08/09 ANATEL, acesso em 10 de setembro de 2009.
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  46. RBS TV Joinville inaugura era de imagens e som em alta definição na região Norte de SC Diário Catarinense, 08/10/2009, acesso em 13 de outubro de 2009
  47. Governador participa do lançamento da TV Atalaia 100% Digital visitado em 25 de janeiro de 2009
  48. TV Digital chega a Aracaju Ministério das Comunicações, acesso em 17 de novembro de 2009.
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  60. "O que é TV digital e quando ela chega à minha cidade" UOL Tecnologia 30/11/2007
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  63. a b Novo sistema de medição do Ibope vai monitorar conteúdo da TV digital WNews - 4 de dezembro de 2007

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Lista de canais digitais das principais cidades dos Brasil

  1. NSet Comunicação (2015). «Web Serie sobre TV Digital no Brasil (15 episódios) - Youtube». Consultado em 2015.