Eleições estaduais na Bahia em 2002

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1998 Brasil 2006
Eleições estaduais na Bahia Bahia em 2002
6 de outubro de 2002
(Decisão em primeiro turno)
Paulo Souto.jpg Jaqueswagner09022007.jpg
Candidato Paulo Souto Jaques Wagner
Partido PFL PT
Natural de Caetité, BA Rio de Janeiro, RJ
Vice Eraldo Tinoco Nilza Lima
Votos 2.871.025 2.057.022
Porcentagem 53,69% 38,47%


Brasão do estado da Bahia.svg

Governador da Bahia

Titular
Otto Alencar
PFL

Eleito
Paulo Souto
PFL

As eleições estaduais na Bahia em 2002 ocorreram em 6 de outubro simultaneamente às eleições gerais no Distrito Federal e em 26 estados brasileiros.[1] Foram eleitos então o governador Paulo Souto, o vice-governador Eraldo Tinoco e os senadores Antônio Carlos Magalhães e César Borges, ambos do PFL, detentor das maiores bancadas entre os 39 deputados federais e 63 deputados estaduais eleitos. Conforme a Constituição, o vencedor teria quatro anos de mandato a começar em 1º de janeiro de 2003.[nota 1]

Eleito deputado federal em 1966, Antônio Carlos Magalhães lançou as sementes políticas do carlismo ao chegar à prefeitura de Salvador por via indireta no ano seguinte e em 1970 tal mecanismo o levou ao Palácio de Ondina como aliado do Regime Militar de 1964, honraria repetida em 1978.[2] Com o retorno das eleições diretas para governador apontou Clériston Andrade como o seu sucessor, entretanto a morte do mesmo num acidente aéreo em Caatiba (BA) durante a campanha de 1982 obrigou Antônio Carlos Magalhães a apoiar a candidatura, afinal vitoriosa, de João Durval Carneiro.[3] Diante do ocaso dos militares, o carlismo aderiu à Nova República e seu líder regressou ao governo por voto direto em 1990 e desde então venceu mais três eleições, a última das quais este ano ao derrotar novamente o petismo.

Diante deste retrospecto a vitória na eleição para governador foi do geólogo Paulo Souto. Graduado em 1966 na Universidade Federal da Bahia, o mesmo é baiano de Caetité e trabalhou como radialista em Ilhéus e na Rádio Sociedade da Bahia Salvador. Em 1973 tornou-se Doutor pela Universidade de São Paulo e ao retornar para Ilhéus trabalhou na indústria cacaueira. Em 1979 assumiu a Secretaria de Minas e Energia a convite do Antônio Carlos Magalhães e manteve o cargo sob João Durval Carneiro. Em 1987 o presidente José Sarney o escolheu para dirigir a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Após ingressar no PFL foi eleito vice-governador na chapa de Antônio Carlos Magalhães em 1990, a quem serviu como Secretário de Indústria e Comércio. Renunciou juntamente com o titular para disputar o pleito de 1994 sendo eleito governador da Bahia e em 1998 foi eleito senador.[4]

O vice-governador eleito é Eraldo Tinoco. Nascido em Ipiaú (BA), é diplomado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia, instituição onde lecionou. Funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, trabalhou em órgãos do Ministério da Educação assumindo a Secretaria de Educação no segundo governo Antônio Carlos Magalhães e no governo César Borges, além de ocupar a Secretaria de Energia no primeiro governo Paulo Souto.[5] Integrado ao PFL foi reeleito em 1986, 1990, 1994 e 1998, assumindo o Ministério da Educação nos últimos meses do Governo Collor.[5]

Na disputa para senador havia duas cadeiras em jogo e o mais votado foi o médico Antônio Carlos Magalhães. Graduado pela Universidade Federal da Bahia, transitou da UDN até a ARENA e deu suporte ao Regime Militar de 1964. Eleito deputado estadual em 1954 e deputado federal em 1958, 1962 e 1966, nasceu em Salvador, cidade onde foi nomeado prefeito em 1967 nos últimos dias do governo Lomanto Júnior e manteve o cargo no governo Luís Viana Filho.[6] Também jornalista e empresário, foi escolhido governador da Bahia em 1970 e 1978 e presidiu a Eletrobras no Governo Ernesto Geisel. Dissidente do PDS, apoiou Tancredo Neves na eleição presidencial de 1985 e ocupou o Ministério das Comunicações no Governo Sarney firmando-se como liderança nacional do PFL. Ao sair do cargo elegeu-se governador da Bahia em 1990 e senador em 1994. Presidente do Senado Federal por duas vezes, renunciou ao mandato em 2001 para evitar um processo de cassação.[7]

A outra vaga foi entregue ao engenheiro civil César Borges. Natural de Salvador e formado pela Universidade Federal da Bahia, onde lecionou. Oriundo da iniciativa privada, foi presidente da Junta Comercial da Bahia e chefe de gabinete da Secretaria da Indústria e Comércio no governo João Durval Carneiro. Eleito deputado estadual pelo PFL em 1986 e 1990, pediu licença para assumir a Secretaria de Recursos Hídricos no terceiro governo Antônio Carlos Magalhães. Eleito vice-governador em 1994, assumiu o poder em 1998 quando Paulo Souto renunciou para concorrer ao Senado Federal. No mesmo ano foi reeleito ao Palácio de Ondina e agora é senador.[4]

Para a vaga decorrente da saída de Paulo Souto foi efetivado Rodolfo Tourinho Natural de Salvador, ele trabalhou no Banco Econômico e no Grupo OAS. Secretário de Fazenda da Bahia e Ministro das Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardoso, é membro do PFL e exerce seu primeiro mandato político.[8]

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral foram apurados 5.346.942 votos nominais.[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Paulo Souto
PFL
Eraldo Tinoco
PFL
25
Ação, competência, moralidade
(PFL, PPB, PL, PTB, PSL, PTN, PHS)
2.871.025
53,69%
Jaques Wagner
PT
Nilza Lima
PT
13
A Bahia vai ser melhor
(PT, PCdoB, PPS, PV, PMN)
2.057.022
38,47%
Prisco Viana
PMDB
Saulo Pedrosa
PSDB
15
Sou livre, voto Prisco
(PMDB, PSDB, PSC)
226.217
4,23%
Itaberaba Lyra
PSB
Aurélio Macedo
PSB
40
Coligação Dois de Julho
(PSB, PGT)
122.428
2,29%
Rogério da Luz
PAN
Valmir Matos
PAN
26
Força do povo
(PAN, PRTB)
32.069
0,60%
Ricardo Grey
PTC
Paulo Muniz
PTC
36
PTC (sem coligação)
27.595
0,52%
Zacarias Sena
PSTU
Gilvani dos Santos
PSTU
16
PSTU (sem coligação)
7.329
0,14%
Antônio Eduardo
PCO
Ednailda dos Santos
PCO
29
PCO (sem coligação)
3.257
0,06%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral foram apurados 9.791.705 votos nominais.[1]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Antônio Carlos Magalhães
PFL
Antônio Carlos Júnior
PFL
251
Ação, competência, moralidade
(PFL, PPB, PL, PTB, PSL, PTN, PHS)
2.995.559
30,59%
César Borges
PFL
Djalma Bessa
PFL
252
Ação, competência, moralidade
(PFL, PPB, PL, PTB, PSL, PTN, PHS)
2.731.596
27,90%
Waldir Pires
PT
José Ivaldo Ferreira
PT
133
A Bahia vai ser melhor
(PT, PCdoB, PPS, PV, PMN)
1.803.228
18,41%
Haroldo Lima
PCdoB
Rui Oliveira
PCdoB
651
A Bahia vai ser melhor
(PT, PCdoB, PPS, PV, PMN)
1.266.734
12,94%
João Durval Carneiro
PDT
Carlos Eduardo Sodré
PDT
123
Frente Trabalhista da Bahia
(PDT, PPS, PSD, PSDC, PHS, PRP, PTdoB)
783.637
8,00%
Maria del Carmem
PSDB
Gismária dos Santos
PSDB
451
PSDB (sem coligação)
96.449
0,99%
Ruy Corrêa
PSB
Manuel dos Santos
PSB
401
Coligação Dois de Julho
(PSB, PGT)
83.863
0,86%
Luís Carlos França
PSTU
Eulina Sacramento
PSTU
161
PSTU (sem coligação)
14.416
0,15%
José Silva Gazar
PAN
Luiz Rátis Martins
PAN
261
Força do povo
(PAN, PRTB)
10.974
0,11%
Alberto Nunes
PCO
Carlos Nunes
PCO
299
PCO (sem coligação)
5.249
0,05%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[9] Ressalte-se que os votos em branco não seriam considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral a partir de 1997.[10]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Antônio Carlos Magalhães Neto PFL 400.275 6,72% Salvador Bahia Bahia
Nelson Pelegrino PT 257.438 4,32% Salvador Bahia Bahia
Fábio Souto PFL 236.067 3,96% Salvador Bahia Bahia
Paulo Magalhães PFL 191.619 3,21% Salvador Bahia Bahia
Walter Pinheiro PT 183.916 3,08% Salvador Bahia Bahia
Félix Mendonça PTB 156.695 2,63% Conceição do Almeida Bahia Bahia
Fernando de Fabinho PFL 150.545 2,52% Santa Bárbara Bahia Bahia
Gedel Vieira Lima PMDB 149.606 2,51% Salvador Bahia Bahia
José Carlos Aleluia PFL 125.836 2,11% Salvador Bahia Bahia
Alice Portugal PCdoB 121.043 2,03% Salvador Bahia Bahia
Zezéu Ribeiro PT 115.656 1,94% Salvador Bahia Bahia
Luiz Carreira PFL 113.509 1,90% Salvador Bahia Bahia
Gerson Gabrielli PFL 110.863 1,86% Salvador Bahia Bahia
Jutahy Magalhães Júnior PSDB 102.748 1,72% Salvador Bahia Bahia
José Rocha PFL 100.514 1,68% Coribe Bahia Bahia
Guilherme Menezes PT 100.041 1,68% Iguaí Bahia Bahia
Jorge Khoury PFL 97.829 1,64% Juazeiro Bahia Bahia
João Leão PPB 97.448 1,63% Recife  Pernambuco
Aroldo Cedraz[nota 2] PFL 97.224 1,63% Valente Bahia Bahia
Daniel Almeida PCdoB 95.485 1,60% Mairi Bahia Bahia
Cláudio Cajado PFL 95.480 1,60% Salvador Bahia Bahia
Mário Negromonte PPB 88.916 1,49% Recife  Pernambuco
João Almeida PSDB 76.098 1,27% Brejões Bahia Bahia
Robério Nunes PFL 76.092 1,27% Macaúbas Bahia Bahia
Luiz Bassuma PT 75.600 1,26% Iguaí Bahia Bahia
Josias Gomes PT 75.338 1,26% Amaraji  Pernambuco
Jairo Carneiro PFL 65.782 1,10% Feira de Santana Bahia Bahia
Reginaldo Germano PFL 65.607 1,10% Rio de Janeiro  Rio de Janeiro
Luiz Alberto PT 62.322 1,04% Maragogipe Bahia Bahia
José Carlos Araújo PFL 61.455 1,03% Salvador Bahia Bahia
Jonival Lucas Júnior PMDB 60.095 1,00% Sapeaçu Bahia Bahia
Colbert Martins PPS 59.704 1,00% Feira de Santana Bahia Bahia
Coriolano Sales[nota 3] PMDB 56.041 0,94% Santa Teresinha Bahia Bahia
Marcelo Guimarães Filho PFL 52.389 0,88% Salvador Bahia Bahia
Zelinda Novaes PFL 51.196 0,86% Iguaí Bahia Bahia
Pedro Irujo PFL 47.905 0,80% Navarra Flag of Spain.svg Espanha
Milton Barbosa PFL 47.661 0,80% Itaberaba Bahia Bahia
Severiano Alves PDT 43.328 0,72% Antas Bahia Bahia
Edson Duarte PV 39.401 0,66% Juazeiro Bahia Bahia

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Estavam em jogo 63 vagas na Assembleia Legislativa da Bahia.[1]

Notas

  1. A posse dos governadores eleitos em 1990 no Amapá, Distrito Federal e Roraima aconteceu em 1º de janeiro de 1991 conforme o Art. 28 da Carta de 1988 que estabeleceu o primeiro dia do ano para a posse de todos os governadores eleitos a partir de 1994.
  2. Renunciou ao mandato em favor de João Carlos Bacelar nos últimos dias da legislatura a fim de assumir uma cadeira no Tribunal de Contas da União.
  3. Renunciou ao mandato em favor de Roland Lavigne em 2006 para evitar um eventual processo de cassação.

Referências

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