Aristolochiaceae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaAristolochiaceae
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Piperales
Família: Aristolochiaceae

Aristolochiaceae consiste em uma família de plantas angiospérmicas a qual abrange sete gêneros conhecidos e cerca de 600 espécies. Podem ser herbáceas, lenhosas ou então arbustivas, de fruto seco, sementes achatadas, e apresentam flores solitárias de estrutura tubular semelhante a um cachimbo.[1]

Os indivíduos dessa família são distribuídos por regiões temperadas tropicais e subtropicais. Algumas espécies possuem ácidos aristolóquicos, óleo etéreo, óleo resinoso e substâncias aromáticas voláteis, motivo pelo qual essas plantas são utilizadas para fins medicinais por populações tradicionais.[2] Os princípios ativos são empregados mais comumente como antissépticos, diuréticos e estimulantes, e promovem melhor funcionamento dos órgãos de secreção interna.  

Aristolochiaceae ocorre predominantemente em áreas abertas com vegetação rasteira, como savana ou floresta decídua temperada.

Características[editar | editar código-fonte]

Os exemplares desta Família são encontrados na forma de ervas, lianas ou, eventualmente, arbustos. Podem exibir estruturas subterrâneas de reserva.[1]

Os agentes polinizadores das flores da Família Aristolochiceae são, usualmente, moscas. As flores desenvolveram, durante o curso evolutivo, mecanismos especializados para a captura do inseto e fixação do pólen neste culminando em otimização da polinização.  Nesta família, as flores liberam fragrâncias para a atração dos polinizadores (podendo estas serem adocicadas como a de uma fruta ou fétidas como uma carcaça em putrefação), além de produzir néctar pelas glândulas no tubo do cálice, funcionando como recompensa açucarada para o díptero. Uma vez atraído até a flor, o cálice floral, altamente modificado, atua como uma armadilha, prendendo o inseto. Durante a primeira fase da vida da flor, o pólen é depositado no estigma o qual circunscreve o gineceu, projetando-se além das anteras. Depois da polinização, o estigma murcha e se torna ereto, expondo as anteras deiscentes. As moscas ficam cobertas por pólen e saem da armadilha, podendo, portanto, pousar em outra flor e fecundá-la.

As sementes desta família são aplainadas e muito leves. Estas características permitem que sejam dispersas pelo vento, tal qual um paraquedas. Entretanto, algumas oscilações morfológicas observadas em outras espécies adaptaram-nas para a dispersão pela água ou por animais (ao grudar-se no pelo de vertebrados mediante uma secreção pegajosa ou por formigas).

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Aristolochia clematitis. Forma tubular característica da família Aristolochiaceae.

As folhas são alternas, pecioladas, simples, inteiras ou (raramente) lobadas e com venação palmada. Nesta Família as estípulas geralmente são ausentes. Já as flores são bissexuais além de exibirem simetria radial ou bilateral, dependendo da espécie. As pétalas geralmente são ausentes ou vestigiais, entretanto, são encontradas (bem desenvolvidas, amarelas e imbricadas) no Gênero Saruma. As flores possuem 3 sépalas de simetria bilateral. Quanto a aparência, estas podem apresentar-se de forma tubular, em S ou em formato de cachimbo. As sépalas são delimitadas por limbos (1 a 3 limbos) os quais são vistosos, de cor avermelhada (verdes em Saruma), valvares e decíduas. As flores exibem de 6 a 12 estames ligados ao estilete. Com exceção ao Gênero Saruma, cujo grão de pólen é classificado como monossulcado, o pólen produzido nos estames não apresenta aberturas. As flores possuem de 4 a 6 carpelos conatos e retorcidos. Os frutos são frequentemente secos e deiscentes, com abertura partindo desde a base. As sementes, por sua vez, são achatadas, com embrião pequeno, basal ou indiferenciado. Estas podem ser aladas ou com associações de tecidos carnosos.[1]

Distribuição e diversidade taxonômica[editar | editar código-fonte]

Aristolochiaceae tem ocorrência catalogada em inúmeras regiões de todo o mundo. Divide-se este grupo, habitualmente, em duas subfamílias distintas: Asaroideae e Aristolochioideae. A primeira conta com 85 espécies distribuídas, em sua maioria, ao Norte da Ásia, em regiões de clima, predominantemente, temperado. Já a segunda subfamília, Aristolochioideae, é amplamente difundida em regiões tropicais e subtropicais do mundo.[3]

Quando referente ao território nacional, tal Família é encontrada em todo o Brasil, com exceção dos Estados do Espírito Santo, cuja ocorrência é incerta, e Roraima, ausente. No Brasil, são encontradas 92 espécies, todas pertencentes ao Gênero Aristolochia e registradas nos domínios fitogeográficos: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.[4]

Distribuição da Família Aristolochiaceae em território brasileiro[4]

Ocorrência no Brasil[4][editar | editar código-fonte]

  • São Paulo: 16 espécies
  • Rio de Janeiro (capital): 8 espécies
  • Santa Catarina: 14 espécies
  • Parque Estadual das fontes de Ipiranga (SP): 2 espécies
  • Tocantins: 8 espécies
  • Goiás: 8 espécies
  • Distrito Federal: 3 espécies
  • Grão-Mogol (MG): 1 espécie
  • Serra do cipó (MG): 3 espécies
  • Bahia: 1 espécie

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Há divergências na classificação do grupo taxonômico quanto a mono, para ou polifilia. Aristolochiacea é considerada como pertencente ao clado Piperales, no entanto, apesar de este ser monofilético, a relação dos grupos dentro da ordem gera controvérsias devido à posição Lactoris fernandeziana.[3] A Família Aristolochiaceae é comumente considerada parafilética devido a estudos de sequenciamento de DNA que indicam o Gênero Lactoris como pertencente a ela. Entretanto, pode também ser classificada como monofilética, quando tomado em conta características morfológicas tais quais: ovário ínfero, sépalas conatas, morfologia do tegumento da semente entre outros.

Na primeira possível representação filogenética, a Família Aristolochiaceae abrangeria as subfamílias Asaroideae e Aristolochiaoideae, tendo o Gênero Lactoris divergido da linhagem que deu origem a segunda subfamília. Todo o clado Aristolochiaceae seria, então, grupo irmão do emparelhamento [Piperaceae + Saururaceae]. A Família Piperaceae incluiria os Gêneros Zippelia, Manekia, Piper, Peperomiae Verhuelia. [1]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Os gêneros reconhecidos são:[5]

Lista de espécies brasileiras[editar | editar código-fonte]

As espécies catalogadas em território nacional tratam-se de:[4]

  • Aristolochia acutifolia Duch.
  • Aristolochia albertiana Ahumada
  • Aristolochia angustifolia Cham.
  • Aristolochia arcuata Mast.
  • Aristolochia assisii J. Freitas, Lírio & F. González
  • Aristolochia bahiensis F.González
  • Aristolochia birostris Duch.
  • Aristolochia brevifolia (Cham.) Hauman
  • Aristolochia brunneomaculata I.Abreu & Giul.
  • Aristolochia brunneomaculata I.Abreu & Giul.
  • Aristolochia burchellii Mast.
  • Aristolochia burelae Herzog
  • Aristolochia cauliflora Ule
  • Aristolochia ceresensis Kuntze
  • Aristolochia chamissonis (Klotzsch) Duch.
  • Aristolochia cornuta Mast.
  • Aristolochia curviflora Malme
  • Aristolochia cymbifera Mart. & Zucc.
  • Aristolochia cynanchifolia Mart. & Zucc.
  • Aristolochia dalyi F.González
  • Aristolochia deltoidea Kunth
  • Aristolochia didyma S.Moore
  • Aristolochia disticha Mast.
  • Aristolochia elegans Mast.
  • Aristolochia eriantha Mart. & Zucc.
  • Aristolochia esperanzae Kuntze
  • Aristolochia filipendulina Duch.
  • Aristolochia fimbriata Cham.
  • Aristolochia floribunda Lem.
  • Aristolochia fragrantissima Ruiz
  • Aristolochia gardneri Duch.
  • Aristolochia gehrtii Hoehne
  • Aristolochia gibertii Hook.
  • Aristolochia gigantea Mart. & Zucc.
  • Aristolochia ginzbergeri Ahumada
  • Aristolochia gracilipedunculata F.González
  • Aristolochia guentheri O.C.Schmidt
  • Aristolochia hilariana Duch.
  • Aristolochia hispida Pohl ex Duch.
  • Aristolochia hoehneana O.C.Schmidt
  • Aristolochia holostylis F.González
  • Aristolochia hypoglauca Kuhlm.
  • Aristolochia insolita J.Freitas & M.Peixoto
  • Aristolochia ipemi Parodi
  • Aristolochia iquitensis O.C.Schmidt
  • Aristolochia jauruensis Hoehne
  • Aristolochia juruana Ule
  • Aristolochia klugii O.C.Schmidt
  • Aristolochia labiata Willd.
  • Aristolochia lagesiana Ule
  • Aristolochia lanceolatolorata S.Moore
  • Aristolochia limai Hoehne
  • Aristolochia longispathulata F.González
  • Aristolochia lutescens Duch.
  • Aristolochia macrota Duch.
  • Aristolochia manaosensis Ahumada
  • Aristolochia marianensis Ahumada
  • Aristolochia melastoma Silva Manso ex Duch.
  • Aristolochia mishuyacensis O.C.Schmidt
  • Aristolochia mossii S.Moore
  • Aristolochia nevesarmondiana Hoehne
  • Aristolochia odora Steud.
  • Aristolochia odoratissima L.
  • Aristolochia papillaris Mast.
  • Aristolochia paulistana Hoehne
  • Aristolochia pilosa Kunth
  • Aristolochia pohliana Duch.
  • Aristolochia pubescens Willd.
  • Aristolochia raja Mart. & Zucc.
  • Aristolochia ridicula N.E.Brown
  • Aristolochia robertii Ahumada
  • Aristolochia rojasiana (Chodat & Hassl.) Hosseus
  • Aristolochia rugosa Lam.
  • Aristolochia ruiziana (Klotzsch) Duch.
  • Aristolochia rumicifolia Mart. & Zucc.
  • Aristolochia sepicola Mast.
  • Aristolochia sessilifolia (Klotzsch) Duch.
  • Aristolochia setosa Duch.
  • Aristolochia silvatica Barb.Rodr.
  • Aristolochia smilacina (Klotzsch) Duch.
  • Aristolochia sprucei Mast.
  • Aristolochia stomachoides Hoehne
  • Aristolochia subglobosa J. Freitas, Lírio & F. González
  • Aristolochia tamnifolia (Klotzsch) Duch.
  • Aristolochia theriaca Mart. ex Duch.
  • Aristolochia triangularis Cham. & Schltdl.
  • Aristolochia trilobata L.
  • Aristolochia trulliformis Mast.
  • Aristolochia urbaniana Taub.
  • Aristolochia urupaensis Hoehne
  • Aristolochia warmingii Mast.
  • Aristolochia weddellii Duch.
  • Aristolochia wendeliana Hoehne
  • Aristolochia zebrina J. Freitas & F. González

Referências

  1. a b c d Judd, Walter (2009). Sistemática Vegetal: Um Enfoque Filogenético. Porto Alegre: Artmed. p. 612. ISBN 978-85-363-1755-7 
  2. Nascimento, Dilma Silva do; Cervi, Armando Carlos; Guimarães, Olavo Araújo (2010-6). «A família Aristolochiaceae Juss. no estado do Paraná, Brasil». Acta Botanica Brasilica. 24 (2): 414–422. ISSN 0102-3306. doi:10.1590/S0102-33062010000200012  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. a b Neinhuis, C. (2004). Phylogeny of Aristolochiaceae based on parsimony, likelihood, and Bayesian analyses of trnL-trnF sequences. (PDF) (Tese). Consultado em 26 de novembro de 2018 
  4. a b c d Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (ed.). «Flora do Brasil 2020: Algas, Fungos e Plantas». Consultado em 26 de novembro de 2018 
  5. «Aristolochiaceae» (em inglês). The Plant List. 2010. Consultado em 10 de setembro de 2014 
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