Cabombaceae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCabombaceae
Ocorrência: 115–0 Ma

Cretácico – Recente

Cabomba aquatica 1 (Piotr Kuczynski).jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Ordem: Nymphaeales
Família: Cabombaceae
Rich. ex A.Rich.[1]
Géneros
3, ver texto

Cabombaceae é uma pequena família de angiospermas herbáceas e aquáticas, nativa, não endêmica do Brasil. A família é composta por 2 gêneros, sendo Brasenia um gênero monotípico, isto é, com apenas uma espécie, e o gênero Cabomba, com seis a sete espécies. É uma família de distribuição cosmopolita, podendo ser encontradas em ambientes lênticos e lóticos aquáticos.[2]O sistema APG de 1998 inclui estas plantas na família Nymphaeaceae, assim como o sistema APG II de 2003 (opcionalmente). A família faz parte da ordem Nymphaeales, uma das mais antigas linhagens de plantas com flor. Atualmente, a  família Cabombaceae é reconhecida pelo sistema APG III de 2009. No novo sistema APG IV, de 2016, a existência da família Cabombacea foi mantida, dentro da ordem Nympheales.

Os membros desta família são todos aquáticos, vivendo em águas paradas ou com pouco movimento, em zonas tropicais e temperadas da América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia, África e Austrália. Apesar de encontrada em todos os continentes, as plantas tendem a ter distribuições relativamente restritas.[4]

A família possui um extenso registo fóssil desde o Cretáceo, com plantas que exibem afinidades com Cabombaceae ou Nympheaceae ocorrendo desde o Cretáceo Inferior.[4] Um destes prováveis membros, é o género Pluricarpellatia, encontrado em rochas com 115 milhões de anos onde hoje é o Brasil.[5]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Rizomas[editar | editar código-fonte]

Os rizomas destas plantas apresentam suas origens nos nós e são caracterizados por serem alongados e cilíndricos, ficando submersos e ancorados ao substrato.[3]

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas possuem pecíolo e são folhas simples, podendo flutuar ou ficar submersas, apresentando geralmente filotaxia verticilada ou oposta. As folhas são dimórficas, e se encontram tanto na porção submersa da planta, como na porção emersa, e possuem organização distinta. As folhas da parte submersa possuem filotaxia verticilada, com 3 folhas se desenvolvendo à partir do mesmo ponto do caule. Folhas flutuantes foram descritas em Cabomba, mas sua real função ainda está sendo discutida. Essas folhas flutuantes se desenvolvem na época da floração, de forma que estão presentes em cada flor, providenciando flutuabilidade aos ramos florais.[4] Ao final da floração, esse eixo floral, com as folhas flutuantes e os ramos florais, se desprende da parte vegetativa, e em seu lugar crescem ramos de folhas simples.[2]

O tamanho das folhas varia bastante, podendo se diferenciar entre espécies, indivíduos da mesma espécie, ou até mesmo em um único indivíduo. Folhas em lugares de baixa luminosidade, e com grande disponibilidade de água são maiores, enquanto folhas que recebem grande incidência solar e pouca umidade tem tamanho menor.[5][6]

Caule[editar | editar código-fonte]

O caule dessas plantas encontra-se totalmente submerso e consiste em um eixo frágil e fino, com 2 - 4mm de diâmetro, com tempo de vida curto, quebrando-se e caindo. O desenvolvimento da planta pode se dar através do desenvolvimento de sementes, ou através da regeneração de uma parte do rizoma.[7] O caule pode perder suas folhas e pigmentação em momentos de estresse hidríco, mas em períodos chuvosos produz raízes adventícias com a função de fixação no solo e desenvolve novos ramos, retomando sua estrutura inicial.[2]

Flores[editar | editar código-fonte]

As flores em Cabombaceae são solitárias, bissexuadas, e elevam-se acima do nível da água, sustentadas por um longo pedicelo. As flores geralmente são trímeras, mas podem ser dímeras ou tetrâmeras em alguns casos. O perianto é hipógino e actinomórfico, com pétalas e sépalas ocorrendo em dois verticilos distintos. A coloração das flores pode ser amarela, amarelo-pálido, violeta ou púrpura, e o ápice ou a base contém um anel em que a coloração se apresenta de forma mais conspícua. Possuem simetria radial, e as sépalas e pétalas são separadas. Possuem de 3 à 8 pistilos separados, com ovários uniloculares superiores. O gineceu é dialicarpelar em algumas espécies, enquanto oandroceu consiste em 3 ou 6 estames de igual comprimento.[8]

O ciclo floral é semelhante em Cabomba e Brasenia. No primeiro dia de floração, há a presença de estigmas receptivos acima dos nectários. No segundo dia de floração, filamentos elevam sacos de pólen acima dos nectários, tornando a planta pronta para a polinização cruzada. Uma variedade de insetos, incluindo moscas, facilitam a polinização cruzada ao visitar essas plantas em busca de pólen. Em C. caroliniana, a polinização ocorre principalmente por intermédio de moscas-de-fruta, e forças externas, como um vento, chuva ou qualquer animal passando, pode também causar a polinização. Antes do período de floração, os botões ficam submersos.[9][10][11]

Frutos[editar | editar código-fonte]

Ao fim do seu ciclo floral de dois dias, as flores se fecham, e o pedicelo que as sustenta curva-se, submergindo a flor fechada novamente. O fruto é do tipo agregado e apresenta placentação laminar.[2] Cada flor se abre por dois indeiscentes, protegidos pelo perianto marcescente, sendo o dias consecutivos, podendo ser protogínicas ou não. A semente é liberada através da decomposição da parede do fruto, afundando posteriormente no substrato, livre de dessecação.[12][13]

Gêneros/Espécies[editar | editar código-fonte]

Gênero Cabomba[editar | editar código-fonte]

  • De acordo com o catálogo herbário do Museu Sueco de Historia Natural, as espécies do gênero Cabomba são: Cabomba aquatica Aubl. Cabomba australis Speg. Cabomba caroliniana A. Gray Cabomba furcata Schult. & Schult. f. Cabomba haynesii Wiersema.[14]

Gênero Brasenia[editar | editar código-fonte]

  • Este é um gênero monotípico, possuindo apenas uma espécie representante, sendo ela: Brasenia schreberi J. F. Gmel.[15]

Pluricarpellatia[16][editar | editar código-fonte]

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Historicamente, os gêneros Brasenia e Cabomba eram classificados dentro de Nymphaeaceae, que posteriormente foi dividida em distintas famílias incluídas na ordem Nymphaeales, sendo elas Nelumbonaceae, Nymphaeaceae sensu stricto, Barclayaceae, Cabombaceae e Ceratophyllaceae. Os gêneros Cabomba e Brasenia são frequentemente classificados junto ao gênero Ceratophyllum dentro da família Ceratophyllaceae. Entretanto, foi sugerido recentemente, devido a uma certa distância filogenética entre Ceratophyllum e os demais, demonstrada por análises moleculares, que Ceratophyllum fosse colocado em sua própria ordem, Ceratophyllaceae. Assim, por conta da íntima ligação demonstrada pela avaliação da morfologia, análise cromossômica, anatômica e filogenética, Cabomba e Brasenia são atualmente agrupadas dentro da ordem Cabombaceae.[17][18]

Importância econômica e cultural[editar | editar código-fonte]

As plantas da família Cabombaceae são cultivadas para fins ornamentais. São umas das plantas mais comercializadas, possuindo grande importância no mercado do aquarismo. Seu manejo requer custos e precauções com seu controle, já que sua proliferação pode acarretar em problemas no fluxo de hidrelétricas e canais de irrigação, além de afetar a navegabilidade de canais. Países como os Estados Unidos e Austrália gastam milhões de dólares anualmente na tentativa de minimizar os danos causados.[2]

Ocorrência no Brasil[editar | editar código-fonte]

Há ocorrências confirmadas em todos os estados do Brasil, e em todos os domínios fitogeográficos.[19] A espécie C. caroliniana var. caroliniana A. Gray, ocorre na região Sudeste e Sul do país, enquanto no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste há ocorrências da espécie C. furcata Schultes & Schultes f.[2]

Referências

  1. Angiosperm Phylogeny Group (2009), «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III», Botanical Journal of the Linnean Society, 161 (2): 105–121, doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x, consultado em 10 de dezembro de 2010. 
  2. a b c d e f Francisco, Lucas (2007). «Cabomba Aubl. (Cabombaceae): caracterização morfoecológica e delimitação entre as espécies ocorrentes no Brasil». Revista Brasileira de biociências. 5 – via Periódicos UFRGS 
  3. The genus Cabomba (Cabombaceae)–a taxonomic study. doi:10.1111/j.1756-1051.1991.tb01819.x/full https://sci-hub.cc/http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1756-1051.1991.tb01819.x/full  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. Ørgaard, Marian (1991). «The genus Cabomba (Cabombaceae- A taxonomic study». Nordic Journal of Botany. v. 11, n. 2, p. 179-203 – via Wiley online library 
  5. Flowering Plants · Dicotyledons | SpringerLink (em inglês). [S.l.: s.n.] doi:10.1007/978-3-662-07255-4 
  6. «Cabombaceae» (PDF) 
  7. Godfrey, Robert K. (1 de janeiro de 1981). Aquatic and Wetland Plants of Southeastern United States: Dicotyledons (em inglês). [S.l.]: University of Georgia Press. ISBN 9780820305325 
  8. Williamson, P. S.; Schneider, E. L. (1993). «Cabombaceae». Springer, Berlin, Heidelberg. Flowering Plants · Dicotyledons (em inglês): 157–161. doi:10.1007/978-3-662-02899-5_16 
  9. Williamson, P. S.; Schneider, E. L. (1993). «Cabombaceae». Springer, Berlin, Heidelberg. Flowering Plants · Dicotyledons (em inglês): 157–161. doi:10.1007/978-3-662-02899-5_16 
  10. Ørgaard, Marian (1 de junho de 1991). «The genus Cabomba (Cabombaceae)–a taxonomic study». Nordic Journal of Botany (em inglês). 11 (2): 179–203. ISSN 1756-1051. doi:10.1111/j.1756-1051.1991.tb01819.x 
  11. «Angiosperm families - Cabombaceae A. Rich.». delta-intkey.com. Consultado em 3 de novembro de 2017. 
  12. Flowering Plants · Dicotyledons | SpringerLink (em inglês). [S.l.: s.n.] doi:10.1007/978-3-662-07255-4 
  13. Williamson, P. S.; Schneider, E. L. (1993). «Cabombaceae». Springer, Berlin, Heidelberg. Flowering Plants · Dicotyledons (em inglês): 157–161. doi:10.1007/978-3-662-02899-5_16 
  14. Ørgaard, Marian (1 de junho de 1991). «The genus Cabomba (Cabombaceae)–a taxonomic study». Nordic Journal of Botany (em inglês). 11 (2): 179–203. ISSN 1756-1051. doi:10.1111/j.1756-1051.1991.tb01819.x 
  15. «Detalha Taxon Publico». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 3 de novembro de 2017. 
  16. Stevens, Peter F. «Cabombaceae». APWeb. Consultado em 1 de dezembro de 2013. 
  17. Ito, Motomi (1 de março de 1987). «Phylogenetic systematics of the nymphaeales». The botanical magazine = Shokubutsu-gaku-zasshi (em inglês). 100 (1): 17–35. ISSN 0006-808X. doi:10.1007/BF02488417 
  18. Zeng, Liping; Zhang, Qiang; Sun, Renran; Kong, Hongzhi; Zhang, Ning; Ma, Hong (24 de setembro de 2014). «Resolution of deep angiosperm phylogeny using conserved nuclear genes and estimates of early divergence times». Nature Communications (em inglês). 5: ncomms5956. doi:10.1038/ncomms5956 
  19. «Flora do Brasil 2020». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 3 de novembro de 2017. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Simpson, M.G. Plant Systematics. Elsevier Academic Press. 2006.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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