Piperaceae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaPiperaceae
Piper nigrum
Piper nigrum
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Piperales
Família: Piperaceae
Subfamílias

Piperoideae
Peperomioideae
(conforme APG)

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Piperaceae
Classificação Filogenética (APG)


Piperaceae é uma das 3 famílias botânicas pertencentes à ordem Piperales[1]. São predominantemente encontradas em regiões tropicais e subtropicais. O grupo apresenta 5 gêneros, contendo ao todo cerca de 3600 espécies (a maioria pertencente aos gêneros Piper e Peperomia). No Brasil estão presentes 4 gêneros, distribuídos em todas as regiões, totalizando 464 espécies, das quais 292 são endêmicas[2].

Muitas espécies da família são utilizadas no mundo todo como aromatizantes, plantas medicinais, ornamentais, condimentos, inseticidas (Piper tuberculatum) etc. Piper nigrum é a fonte da pimenta-do-reino, também conhecida como pimenta-redonda e pimenta-preta; seus frutos, secos e moídos, produzem esse tempero, considerado uma das especiarias mais antigas de que se tem conhecimento. O gênero Peperomia contém diversas espécies cultivadas como ornamentais devido a sua folhagem (e.g., Peperomia spp.).[3] A espécie Piper umbelatta, conhecida no Brasil como pariparoba, caapeba, capeba e malvisco é muito utilizada na medicina popular para tratamento de epilepsia, doenças relacionadas ao fígado e como antimalárica. Outra espécie com propriedades medicinais e também usada como estimulante é a pimenta betel (Piper betle).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Piperaceae é um nome derivado do termo sânscrito pippali, que era utilizado ao se referir aos pimentões longos asiáticos (e.g.: Piper longum)[4].

Características Botânicas[editar | editar código-fonte]

Folhas[editar | editar código-fonte]

A família apresenta folhas simples, alternas ou espiraladas, às vezes opostas, com venação palmada ou peninérvea; podem também ser cordadas. As estípulas são ausentes ou adnatas ao pecíolo, geralmente envolvendo o caule.

Flores[editar | editar código-fonte]

A inflorescência ocorre em forma de espigas, com flores pequenas, unissexuais ou bissexuais (monoicas ou dioicas, respectivamente), actinomórficas, ou seja, com simetria radial, perianto ausente e podem ou não apresentar brácteas peltadas. Quanto às estruturas reprodutivas das flores, os estames do tipo 3 + 3 (dois verticilos trímeros), com anteras longitudinalmente deiscentes, sendo ditecal ou monotecal, caso este em que as tecas são fundidas. O gineceu é sincárpico e consiste em um único pistilo com ovário súpero, tendo 1 ou 3-4 carpelos e 1 lóculo; o estilete é ausente ou solitário, estigma 1 ou 3-4. A placentação (que se refere à disposição da placenta e consequentemente à região onde se inserem os óvulos) é basal, com óvulos ortótropos (quando micrópila, chalaza, megaprotalo e funículo estão no mesmo eixo), bitegumentadas ou unitegumentados (como em Peperomia); cada ovário armazena 1 único óvulo. As flores não têm nectário e acredita-se que a polinização ocorra por insetos.

Frutos[editar | editar código-fonte]

O fruto geralmente é do tipo drupa, um endocarpo carnoso originado da parede interna do ovário que envolve uma única semente.

Caule[editar | editar código-fonte]

O crescimento da planta é monopodial (ocorre a partir de apenas uma gema apical), ou seja, possui um caule central com crescimento vertical, que se ramifica na parte aérea.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

As espécies da família Piperaceae são divididas atualmente em 5 gêneros[5]:

Piper

Peperomia

Manekia

Zippelia

Verhuellia

Distribuição[editar | editar código-fonte]

De maneira geral, esta família é amplamente distribuída pelo Brasil, sendo encontrada e todas as regiões, domínios fitogeográficos e tipos de vegetação do país.[6]

Gênero Nº de espécies no Brasil Formas de vida Substratos Regiões Geográficas Domínios Fitogeográficos Tipos de vegetação
Manekia[7] 1 Liana/trepadeira Terrícola Sul e Sudeste Mata Atlântica Floresta Ombrófla (Floresta Pluvial)
Ottonia[8] 1 Arbusto Terrícola Sudeste Mata Atlântica Floresta Ombrófla (Floresta Pluvial).
Peperomia[9] 171 Erva Epífita, Rupícola, Terrícola Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica

Campinarana, Campo de Altitude, Campo Rupestre, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Igapó, Floresta de Terra Firme, Floresta de Várzea, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial), Floresta Ombrófila Mista, Vegetação Sobre Afloramentos Rochosos

Piper[10] 291 Arbusto, Árvore, Erva, Liana/volúvel/trepadeira, Subarbusto Rupícula, Terrícola Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal Área Antrópica, Caatinga (stricto sensu), Campinarana, Campo de Várzea, Campo Limpo, Campo Rupestre, Cerrado (lato sensu), Floresta Ciliar ou Galeria, Floresta de Igapó, Floresta de Terra Firme, Floresta de Várzea, Floresta Estacional Decidual, Floresta Estacional Perenifólia, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila (= Floresta Pluvial), Floresta Ombrófila Mista, Palmeiral, Restinga, Savana Amazônica, Vegetação Sobre Afloramentos Rochosos

Filogenia[editar | editar código-fonte]

As Piperaceae são angiospermas, ou seja, plantas com flores. Seus ancestrais fazem parte de um nó basal neste grupo que, em termos evolutivos, se ramificaram antes do surgimento das eudicotiledônias e monocotiledônias, os dois principais grupos de angiospermas.[11] A relação filogética entre os gêneros desta família pode ser conteplada no cladograma abaixo:



Verhuellia




Zippelia



Manekia





Piper



Peperomia




De acordo com o sistema botânico de classificação APG IV [1], Piperaceae está inserida na ordem Piperales juntamente com outras duas famílias (Saururaceae e Aristolochiaceae). Ao longo dos anos, a organização dessa ordem passou por várias mudanças, entretanto Piperaceae sempre permaneceu como grupo irmão de Saururaceae desde a atualização do sistema de Engler, em 1964.

Alterações na classificação interna de Piperales ao longo do tempo
Engler (1964) Cronquist (1981) APG I (1998) APG II (2003) APG III (2009) APG IV (2016)
Chloranthaceae, Lactoridaceae, Piperaceae, Saururaceae Chloranthaceae, Piperaceae, Saururaceae Aristolochiaceae, Lactoridaceae, Piperaceae, Saururaceae Aristolochiaceae, Hydnoraceae, Lactoridaceae, Piperaceae,Saururaceae Aristolochiaceae (incluindo Lactoridaceae), Hydnoraceae, Piperaceae, Saururaceae Aristolochiaceae, Saururaceae, Piperaceae



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Referências

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