Gabriel, o Pensador

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Gabriel o Pensador
Gabriel o Pensador em 2003.
Informação geral
Nome completo Gabriel Contino
Nascimento 4 de março de 1974 (40 anos)
Local de nascimento Rio de Janeiro, RJ
 Brasil
Gênero(s) Hip hop, rap, rap rock, pop
Ocupação(ões) Rapper, escritor, compositor
Instrumento(s) Voz
Período em atividade 1992 - atualmente
Gravadora(s) Sony-BMG (1993-2006)
Afiliação(ões) Detonautas Roque Clube,[1] Boss AC,[2] Fabio Fonseca[a], Liminha[b], Itaal Shur[c], Lulu Santos, Ana Lima
Influência(s) Bob Marley, Run-D.M.C., Beastie Boys, Chico Buarque, Lobão, Legião Urbana e vários outros
Influenciado(s) ConeCrew Diretoria[3]
Página oficial www.gabrielopensador.com.br

Gabriel Contino (Rio de Janeiro, 4 de março de 1974), mais conhecido pelo nome artístico Gabriel, o Pensador, é um rapper, compositor, escritor e empresário brasileiro. Iniciou sua carreira musical ao lançar uma fita demo com a música "Tô Feliz (Matei o Presidente)", sendo logo contratado pela Sony Music. Pela gravadora tem lançados sete álbuns: Gabriel o Pensador, Ainda É Só o Começo, Quebra-Cabeça, Nádegas a Declarar, Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo) e Cavaleiro Andante. Seu último álbum, Sem Crise, foi lançado de forma independente.

Além de cantor, Gabriel é escritor e lançou em 2001 o livro autobiográfico Diário Noturno. Quatro anos mais tarde lançou Um Garoto Chamado Rorbeto, que ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro infantil no ano seguinte. Em 2008, lançou o livro Meu Pequeno Rubro-Negro e um ano depois lança uma versão especial do mesmo livro intitulada de Meu Pequeno Rubro-Negro - Edição Especial do Hexa. Escreveu em parceria com Laura Malin o livro Nada Demais que ainda não foi publicado.

Paralelamente a isso, Gabriel também é um ativista social tendo como projetos o "Pensador Futebol" que investe em jovens jogadores que querem se profissionalizar e junto de Luís Figo e Luiz Felipe Scolari comanda o projeto de futebol chamado "Dream Football" que através do envio de vídeos via internet dá a oportunidade dos participantes serem contratados por times profissionais de futebol. Além de projetos de futebol, ainda tem um projeto social conhecido como "Pensando Junto" que atende as crianças carentes da Rocinha.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Bairro de São Conrado, onde Gabriel viveu maior parte de sua infância. Percebe-se a desigualdade social ao ver-se edíficios de luxo a frente e ao fundo o bairro vizinho da Rocinha.

Nasceu no bairro Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro,[4] após uma gravidez de alto risco, na qual existia a possibilidade de que nascesse cego, surdo ou até morto. Inicialmente se chamaria Pablo, mas sua mãe decidiu seu nome após ler o livro Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez.[5] É filho de Belisa Ribeiro e Miguel Contino,[6] que se separaram quando ele tinha apenas seis meses e a partir de então ele foi criado somente por sua mãe.[7] Possui um único irmão materno, Tiago Mocotó, além de diversos irmãos de criação de seus futuros padrastos.[5] Sua ascendência é diversificada, possuindo antepassados italianos, portugueses, espanhóis e ainda gaúchos.[5]

Foi na sua infância, na época em que estudava no colégio Senador Correia e após entrar para a banda do colégio que despertou seu interesse pela música,[5] mas a mudança para São Conrado, na Zona Sul da cidade, onde conviveu com moradores da favela da Rocinha, foi o que o aproximou ao universo do rap.[8] Com o sucesso "Thriller" de Michael Jackson descobriu o break que segundo o mesmo era "a dança inovadora da cultura hip-hop".[5] A partir de então começou a participar de rodas de break com músicas que ele traduzia de filmes.[7]

Gabriel apareceu pela primeira vez no cenário musical com a coletânea Tiro Inicial, na década de 1980, junto de MV Bill que também decidiu seguir carreira de rapper. Foi produzida pelo CEAP (Centro de Articulações das Populações Marginalizadas), tendo como mentor o político e ativista Ivanir dos Santos e como produtor musical Mairton Bahia.[9]

Carreira[editar | editar código-fonte]

1992-1996: Tô Feliz (Matei o Presidente) e Gabriel o Pensador[editar | editar código-fonte]

Fernando Collor de Mello, o presidente assassinado por Gabriel em "Tô Feliz (Matei o Presidente)", canção que deu início a sua carreira musical.

Gabriel frequentava aulas de comunicação social na PUC-Rio, onde se sentia terrivelmente inconformado com o conformismo,[10] quando decidiu levar às rádios do país, através de uma fita demo a música "Tô Feliz (Matei o Presidente)" que seria censurada cinco dias depois pelo Ministério da Justiça por diversos motivos que incluíam o incentivo ao assassinato do presidente[9] e conter frases ofensivas ao mesmo,[11] mas que antes disso havia sido muito pedida e chegado a ficar em primeiro lugar entre as mais tocadas.[12] A música falava do então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello, que passava por um processo de impeachment.[11] [12] Segundo ele a música não chamou a atenção da Sony Music e ainda afirmou que "as gravadoras são meio 'cabeça dura' quando você está começando". No entanto, mesmo sem fita demo e somente com letras de músicas, Sérgio Lopes empregado da gravadora disse: "A gente vai conseguir o estúdio pra você, nele você vai poder ter os recursos todos pra fazer duas músicas, a gente avaliar melhor e entender melhor o quê é isso que você está falando, que vai samplear, que vai não sei o quê, a gente não conhece bem e vai fazer esse teste".[12]

Cquote1.svg Já fui censurado pelo presidente Collor, meses antes dele ser expulso do poder, devido aos escândalos de corrupção no seu mandato. Meu disco saiu com a mesma versão censurada por ele e ele nada pôde fazer. Não cheguei a receber nenhuma ameaça direta de políticos... Cquote2.svg
Gabriel fala sobre a música "Tô Feliz (Matei o Presidente)" e a reação de Collor[13]

No ano seguinte, em 1993, contratado pela Sony-BMG e sob o pseudônimo "Gabriel, o Pensador" lançou seu primeiro e homônimo álbum, que tornou-se sucesso nas rádios com as músicas "Lôrabúrra" e "Retrato de um Playboy",[14] que incluía também "175 Nada Especial", cujo clipe mostrava Ronaldo como cobrador de ônibus, além de outras participações como Martinho da Vila, Toni Garrido, Zeca Baleiro e Neguinho da Beija-Flor.[15] [16] Além dessas músicas havia também a primeira faixa, "Abalando", que relembra a censura em "Tô Feliz (Matei o Presidente)" e a compara com a época da ditadura militar onde não havia liberdade de expressão, além de citar um trecho da música "Alagados" do álbum Selvagem? dos Paralamas do Sucesso que critica o capitalismo.[17] O álbum ganhou boa repercussão, vendendo 350 mil cópias,[18] o que fez com que Gabriel logo recebesse o 7º Prêmio da Música Brasileira como revelação masculina do ano na categoria pop rock.[19]

Seu segundo álbum, Ainda É só o Começo, foi lançado em 1995 e provocou polêmica nos meios educacionais com a música "Estudo Errado", o que levou professores e educadores a protestarem.[9] Sobre a música afirmou que "crítico a forma de aprendizagem. Decora-se e não se aprende".[20] Também gerou polêmica com "FDP³" ao criticar algumas seitas religiosas, mas disse que falava "dessas novas seitas que cobram dinheiro aos crentes" e ainda que "é uma coisa absurda: eles têm programas de televisão, teatros e cinemas e até fazem 'shows' no estádio do Maracanã. É uma coisa criminosa".[20] Com tantas polêmicas, o álbum não repetiu o sucesso do primeiro.[9] [21] "Rabo de Saia", canção desse disco levou Gabriel a ganhar o VMB de 1996 na categoria melhor videoclipe de rap,[22] que ele já havia ganho no ano anterior pelo melhor videoclipe de rap com a música "175 Nada Especial".[23]

1997-2000: Quebra-Cabeça e grande sucesso[editar | editar código-fonte]

Estádio Cícero Pompeu de Toledo, palco do segundo show do U2 no Brasil, aberto por Gabriel, que também abriu o primeiro show da banda no Autódromo de Jacarepaguá, ambos durante a turnê PopMart Tour.[24]

Em 1997, Gabriel volta a lançar um disco que seria intitulado Quebra-Cabeça e que continha a pop "2345meia78", além de "Cachimbo da Paz" com a participação de Lulu Santos, "Festa da Música" e "Eu e a Tábua" com a participação de Evandro Mesquita. Seu novo álbum tratava de diferentes assuntos como o alcoolismo ("+ 1 Dose" com a participação do Barão Vermelho), desemprego ("Dança do Desempregado"), violência ("Bala Perdida"), saúde pública ("Sem Saúde") e o abandono de crianças ("Pátria que Me Pariu"),[25] o que fez com que o disco alcançasse a marca de cerca um milhão e meio de cópias vendidas.[18]

Com o sucesso em Portugal[21] [26] e após ganhar em 1998 os prêmios de melhor cantor no Troféu Imprensa[27] e no Prêmio Multishow de Música Brasileira, e ainda pelo melhor clipe com a música "Cachimbo da Paz",[28] além das indicações de escolha da audiência e melhor videoclipe de pop no VMB,[29] ele é escolhido pela banda irlandesa U2 para fazer a abertura de seus shows no Brasil em 1998.[30]

No ano seguinte lançou o álbum de compilação, Gabriel o Pensador: As Melhores, que por duas semanas estevem entre os 30 discos mais escutados nas rádios de Portugal.[31] Deu prosseguimento aos seus trabalhos com seu novo álbum Nádegas a Declarar, que contava com "Cachorrada" que de uma forma descontraída fala sobre a desigualdade social, "Cantão" que conta um pouco de sua história, "Brazuca" uma mistura de samba e rap que conta a história de dois irmãos com destinos diferentes, além da segunda parceria com Lulu Santos em "Astronauta"[18] que chegou a concorrer ao prêmio de melhor videoclipe de pop e na escolha da audiência no VMB de 2000.[32] Há também as participações especiais de Fernanda Abreu na faixa-título e de Daniel Gonzaga, filho do cantor Gonzaguinha, na canção "Nâo Dá Pra Ser Feliz" recriada a partir de "Guerreiro Menino (Um Homem Também Chora)", composição de Gonzaguinha gravada por Raimundo Fagner.[18]

2001-2003: Início como escritor e 10 anos de carreira[editar | editar código-fonte]

Em 2001, Gabriel lançou seu quinto disco, Seja Você Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo), que contou com músicas como "Se Liga Aí" e "Até Quando?", um samba-rock sucesso nas rádios,[33] além participações especiais como Digão, guitarrista dos Raimundos, em "Tem Alguém Aí?" que aborda o tema sobre os dependentes tanto do álcool quanto das drogas, e ainda do cantor Lenine, em "Brasa".[34] A música "Até Quando?" apenas concorreu como melhor do ano, melhor videoclipe de pop e melhor direção, ganhando somente o prêmio pela melhor edição.[35] No mesmo ano Gabriel teve seu livro Diário Noturno publicado pela Editora Objetiva, "um livro com fotos, páginas de diário, reprodução de provas escolares, poemas e crônicas, insere-se num gênero novo que vem sendo praticado nas últimas décadas a que chamaria de agenda biolírica",[7] [36] [37] o livro foi reimpresso e publicado em 2002, desta vez pela editora Dom Quixote.[10] Luis Fernando Verissimo comentou sobre o livro de Gabriel e seu início na carreira de escritor: "Pessoa pensante e artista falante', Gabriel pensa e diz, ao contrário dos que pensam que pensam e produzem ruído. Já era uma raridade musical, agora é uma raridade literária."[38]

Em 2003, em comemoração aos dez anos de carreira lança em CD e DVD, o show MTV ao Vivo com os seus maiores sucessos como "Lôraburra" que ganhou uma levada funk e versos extras que dizem: "Escravas da moda, vocês é capaz de matar os seus próprios pais", em alusão ao assassinato tramado por Suzane von Richthofen, "Festa da Música Tupiniquim", "Cachimbo da Paz" e "Até Quando?", além das canções inéditas "Retrato de Um Playboy - Parte II", uma continuação para "Retrato de Um Playboy (Juventude Perdida)", "Mandei Avisar", "Cara Feia" e "Racismo É Burrice" que é uma nova versão de "Lavagem Cerebral" com algumas mudanças e uma nova melodia, o álbum também contou com participações especiais de Lulu Santos ("Astronauta"), Ana Lima ("FDP³") e Titãs ("Cara Feia").[39] Ainda no mesmo ano lançou o álbum Tás a Ver: O Melhor de Gabriel o Pensador exclusivo para Portugal e produzido pela Columbia com uma única música inédita "Tás a Ver?" (com participação de Adriana Calcanhoto).[40]

2004-2009: Cavaleiro Andante e Um Garoto Chamado Rorbeto[editar | editar código-fonte]

Dom Quixote por Honoré Daumier. Em "Cavaleiro Andante" Gabriel faz alusões a Dom Quixote e aproxima sua imagem a seu heroísmo romântico.[38]

Dois anos depois voltou com Cavaleiro Andante, seu sexto disco, sendo este gravado em Nova Iorque e no Rio de Janeiro e mixado por Troy Hightower.[41] No novo trabalho, Gabriel recria "Pais e Filhos" da banda Legião Urbana, em "Palavras Repetidas", em "Bossa 9" usa os versos de Garota de Ipanema de Tom Jobim e Vinicius de Moraes e utiliza do refrão de "Imunização Racional (Que Beleza)" de Tim Maia em "Rap do Feio". Compunham o álbum também "Tudo na Mente", "Sem Neurose", "Sorria" (com participação dos Detonautas), "Tempestade" e a canção "Tas À Ver?" antes lançada somente em Portugal foi lançada no Brasil pela primeira vez nesse álbum.[40] A música "Palavras Repetidas" ganhou dois prêmios no VMB de 2005: melhor videoclipe de pop e melhor fotografia em videoclipe.[42] Outra música do disco, "Deixa Rolar" (feat. Negra Li) compôs a trilha sonora da décima segunda temporada de Malhação, série de televisão da Rede Globo.[43] Após o lançamento desse disco foi dispensado pela gravadora Sony-BMG, que estava em processo de redução e reestruturação de seu elenco.[44]

Ainda, em 2005, Gabriel lança seu segundo livro Um Garoto Chamado Rorbeto publicado pela editora Cosac & Naify, que fala sobre o analfabetismo e aceitação das diferenças, o livro foi escrito pelo mesmo e foi ilustrado por Daniel Bueno. O lançamento do livro em São Paulo aconteceu no dia 12 de outubro, dia das crianças, na Fnac Paulista.[45] O livro foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, ganhando no ano seguinte a sua publicação o prêmio mais importante da literatura brasileira o Prêmio Jabuti de melhor livro infantil e ainda a atribuiação de "altamente recomendável" entregue pela FNLIJ.[46] [47] [48] O livro também virou uma peça teatral que teve como roteirista o próprio Gabriel, foi dirigida por Sura Berditchevsky e a direção musical foi feita por ele e seu irmão Tiago Mocotó e a composição musical por André Gomes.[49]

Cquote1.svg Olha, sou fã ardoroso do rapaz e fiquei feliz de vê-lo aventurar-se agora pelo mundo da literatura destinada às crianças. Ia acabar acontecendo com o Gabriel o resultado exato de seu talento e de sua criatividade. A história que conta aqui é, como ele, originalíssima, narrada com alegria, e inventiva. Cquote2.svg
Ziraldo elogia Gabriel em sua carreira literária[50]

No ano de 2007 lançou seu primeiro disco voltado ao público infantil, Gabriel o Pensador para Crianças[51] que seria lançado em outubro de 2006, mas foi adiado[52] e também participou do single "Exttravasa", que mais tarde seria lançado no álbum Ao Vivo em Copacabana de Claudia Leitte[53] e ainda do álbum ao vivo Cidade do Samba na música "Boca Sem Dente" junto do grupo Fundo de Quintal.[54] No ano seguinte lançou seu terceiro álbum de compilação, Como um Vício,[51] e o livro Meu Pequeno Rubro-Negro que fazia parte de uma série de livros infantis em que diversos autores contam como nasceram suas paixões por clubes de futebol, o livro foi publicado pela editora Belas-Letras e ilustrado por Mario Alberto.[55] [56] Ainda em 2008, sua música, "Deixa Quieto", que não foi lançada em nenhum disco do cantor, fez parte da trilha sonora da novela da Rede Globo, Negócio da China.[57] Em 2009, lançou Meu Pequeno Rubro-Negro - Edição Especial do Hexa.[58] [59] Ainda no mesmo ano, a música "Tudo Certo" de Gabriel serviu de tema musical para a décima sexta temporada de Malhação.[60]

2010-presente: Sem Crise[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2010, Gabriel cantou pela primeira vez em público a música "Nunca Serão", inspirado no filme Tropa de Elite, no palco da Fundição Progresso[61] e uma semana depois lançou o videoclipe com cenas do filme dirigido por José Padilha no YouTube.[62] No mesmo ano, a música "Só Tem Jogador" em parceria com a banda Bloco Bleque, foi escolhida para compor a trilha sonora do Video game simulador de futebol, FIFA 12, pela Electronic Arts.[63] No ano seguinte, a música "Sim Não Indiferente" escrita por André Moraes e Gabriel fez parte da trilha sonora do filme Assalto ao Banco Central.[64]

Em 22 de agosto de 2012, lançou em parceria de Jorge Ben Jor o single, "Surfista Solitário", que faria parte de seu próximo álbum.[65] Dois meses depois, e após sete anos sem lançar um disco, Sem Crise, cujo lançamento inicial estava previsto para março 2009,[49] mas que foi adiado devido a outros projetos em que o cantor se envolveu,[21] [66] foi lançado de forma independente.[67] [68]

A pedido do Comitê Olímpico Brasileiro, em 2011, Gabriel anunciou que escreveria um livro sobre o espírito esportivo em parceria da escritora Laura Malin.[69] Em 2013, o livro intitulado Nada Demais já estava escrito e esperando para ser publicado.[70]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Gabriel se casou com a atriz e cantora Ana Lima em 1999, a mesma chegou a ser sua backing vocal em algumas músicas e junto a ela teve dois filhos, Tom (em homenagem a Tom Jobim[71] ) em 2002 e Davi em 2005, e depois de uma duração de dez anos o casamento foi encerrado em 2009.[72] [73] Gabriel afirmou que "foi uma separação amigável".[73]

Cquote1.svg Realmente, estamos separados, mas continuamos amigos. Não houve briga, nem nada. Foi um momento e resolvemos assim. Continuaremos criando nossos filhos juntos, com muito amor, como eles foram feitos, com muito amor. Estamos tendo todo o cuidado com esta separação por causa dos meninos. Acredito muito em Deus e as coisas vão acontecer da maneira que tem que ser. Cquote2.svg
Ana Lima explica como foi sua separação com Gabriel[73]

Polêmicas[editar | editar código-fonte]

Em 1995, o Coliseu do Porto possivelmente seria vendido a Igreja Universal do Reino de Deus, mas Gabriel, Helena Sá e Costa, os GNR, o Coro do Círculo Portuense de Ópera, António Pinho Vargas, Pedro Abrunhosa, Sérgio Godinho e outras personalidades ligadas à cultura, às artes e à autarquia local, promoveram uma manifestação de repúdio à eventual transação.[74] [75]

O escárnio uma característica das poesias trovadorescas pode ser observada na canção "Fala Sério" de Gabriel o Pensador.[76]

Em 2005, ele e Ronaldo na época atacante do Real Madrid, foram intimados a depor sob acusação de uso de drogas, mais especificamente da maconha, segundo o delegado que assumiu o caso os dois foram citados por criminosos em conversas telefônicas interceptadas pela polícia como participantes de uma festa em que houve consumo de drogas, o caso investigava uma quadrilha de distribuição de ecstasy em boates, por telefone e pelo Orkut.[77] [78] Sobre o caso o delegado responsável disse que "Ronaldo e Gabriel serão intimados como testemunhas. São [citados em] declarações deles [os traficantes], e é importante que esclareçam se a festa de fato ocorreu e se sofreram assédio da quadrilha".[77] Mais tarde em resposta as acusações de envolvimento com o tráfico, Gabriel no programa Altas Horas da emissora Rede Globo ironiza as acusações a ele feitas em sua nova música intitulada "Fala Sério" e relembra o escândalo do mensalão de 2005, ocorrido durante o governo do presidente Lula.[76] [79]

Dois anos após sua separação com Ana, Gabriel e sua ex-mulher sofreram um golpe de uma estelionatária, estimado em quarenta mil reais. Eles alugaram um apartamento em São Conrado, durante quatro meses para um homem que Tânia Soares dos Santos Dillon, uma mulher que se dizia corretora apresentou a eles, mas logo descobriram que quem estava morando no apartamento era Tânia e que ela não tinha pago as taxas de condomínio, IPTU, além das contas de gás, luz e TV a cabo. Diogo Souza, advogado de Gabriel afirmou que ele iria pedir indenização por danos materiais e por danos morais.[80] [81] [82]

No início de 2012, foi escolhido para ser o patrono da Feira do Livro de Bento Gonçalves,[83] mas logo após a divulgação do pagamento que ele receberia o escritor Fabrício Carpinejar criticou o alto valor, e em forma de protesto ele cancelou sua participação na Feira através de uma carta onde ele contestava o "cachê absolutamente excessivo de R$ 170 mil".[84] Após a repercussão do caso, o cantor se manifestou alegando que o dinheiro recebido seria usado para a compra de duas mil unidades de seus livros que seriam distribuídos pela prefeitura e que a outra parte seria pelo show, passagens para sua banda e hospedagem, somado aos impostos.[85] Pouco tempo depois ele anunciou o cancelamento do show e da distribuição dos livros, e também, havia renunciado a qualquer tipo de pagamento, dizendo que apenas se manteria como patrono do evento.[86] [87] Oficialmente o contrato entre a prefeitura e a Hip Hop Empreendimentos Artísticos Ltda, empresa de Gabriel, foi desfeito em 3 de maio de 2012 e foi determinado que os valores por ele recebido deveriam ser devolvidos e que o prefeito Roberto Lunelli, deveria dar publicidade aos documentos relativos à contratação do músico.[88] Uma semana depois, em resposta a polêmica, o cantor publicou no site de compartilhamentos de vídeos YouTube a música "Linhas Tortas".[89]

Outras atividades[editar | editar código-fonte]

Luís Figo que ao lado de Gabriel e Felipão lançou o projeto "Dream Football" no Brasil.

Além da carreira como rapper e escritor, Gabriel também participa de outros projetos. Entre eles estão uma ONG chamada "Pensando Junto" que foi criada após ele se surpreender com a quantidade de evasão escolar entre um grupo de garotos que ele ajudava na Rocinha, inicialmente o projeto não era uma ONG. Entre os serviços prestados pelo projeto estão: reforço escolar, aulas de música, português, matemática, cidadania, breakdance, rap, curso de DJ e artes plásticas. Além das aulas o projeto fornece auxílio odontológico e uma cesta básica a cada criança. A atriz Grazielli Massafera é a madrinha do projeto.[90] [91]

Gabriel também está associado a dois projetos ligados ao futebol. O primeiro é o "Pensador Futebol", que começou após o filho de uma empregada da família que jogava bem precisar de uma oportunidade, e com amigos no futebol graças à música, levou o garoto até um empresário de Porto Alegre, algum tempo depois soube do Duquecaxiense e começou a administrar as categorias de base da equipe da Baixada Fluminense como empresário.[92] Além do próprio projeto também é o embaixador/padrinho do "Dream Football" ao lado de Luiz Felipe Scolari, projeto que é organizado pelo ex-atacante português Luís Figo, onde o mesmo seleciona vídeos de jovens que sonham em ser jogadores de futebol, e cujo o objetivo é promover aos jogadores de comunidades carentes a inclusão social e dar oportunidades em clube profissionais.[93]

Cquote1.svg Vamos fazer uma rede e proporcionar oportunidades para o início de carreira em alguns clubes do Brasil. Será útil para todos. Nenhum garoto terá obrigação comigo, Felipão ou Figo. Vamos avaliá-los e abrir possibilidades. O meu papel é mais para ampliar a rede de relacionamentos com os novos atletas. Cquote2.svg
Gabriel comente o seu papel dentro do projeto "Dream Football"[93]

Gabriel também já foi jurado do concurso Soletrando (em sua segunda edição) do programa Caldeirão do Huck[21] e em uma participação especial na novela Caminho das Índias cantou a música "Pimenta e Sal" (parte da trilha sonora da novela) junto da banda Grupo Cultural Afro Reggae.[94] Participou de um comercial do serviço social autônomo Sebrae, que contou a história do ex-pedreiro que virou empresário do ramo de sabão, assim como os também músicos Nando Reis e Arlindo Cruz.[95] Além disso também se tornou garoto propaganda da campanha da Convenção 151 da OIT.[21] Gabriel o Pensador também é garoto propaganda da UNISUAM[96] e costuma ministrar palestras educativas em universidades.[96] [97] [98]

Influências e estilo musical[editar | editar código-fonte]

Bob Marley, um dos influenciadores de Gabriel.

Gabriel iniciou sua paixão pela música na década de 80, quando conheceu o breakdance, o grafitti e o rap, este último através de grupos como Run-D.M.C. e Beastie Boys e até filmes como Beat Street. E aos dezesseis anos, começou a escrever letras de músicas, influenciado por bandas como Public Enemy e Boogie Down Productions.[13] Outros artistas que o influenciaram incluem KRS-One, Bob Marley,[99] Grandmaster Flash, Kurtis Blow, Doug E. Fresh e Ice-T, além de grupos e artistas nacionais como Luiz Gonzaga,[99] Chico Buarque, Eduardo Dusek, Gilberto Gil, Titãs, Martinho da Vila, Legião Urbana, Blitz, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Raul Seixas, Lobão e Léo Jaime.[5] [13] Gabriel também disse gostar da música de Eminem e afirmou "gosto do som, do jeito como ele faz as rimas. Isso não posso negar. Mas não gosto do cara, da proposta, do conteúdo da letras, do discurso até de preconceito contra os gays".[100] Além de músicos Gabriel teve influências de escritores e dramaturgos como Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Nelson Rodrigues.[101] [102]

Em seu estilo musical prevalece o rap, também há influências do pop, hip-hop, rock, funk, samba[33] e até o reggae.[99] Gabriel costuma usar da sátira, da ironia, do humor, de metáforas e ainda de paradoxos em suas músicas,[13] [41] alguns de seus temas são a desigualdade social, a corrupção, a liberdade, a igreja, a polícia, a pobreza, a violência e o racismo.[33] [102] [103] Seu trabalho critica conceitos comportamentais que se tornaram padrões aceitos do comportamento adulto. Seus principais "alvos" são alguns estereótipos como os playboys, filhos de pais da classe média alta que dependem do dinheiro dos mesmos e que não fazem nenhuma tentativa de conseguirem algo por conta própria, e ainda, as "loiras burras", que podem ser tantou homens ou mulheres atraentes que são bem sucedidos na vida por conta de sua aparência, mas que se recusam a pensar criticamente sobre o seu comportamento.[102]

O musicólogo brasileiro Ricardo Cravo Albin em seu livro O livro de ouro da MPB: a história de nossa música popular de sua origem até hoje define a música de Gabriel o Pensador como "poética sincopada e perspicaz",[104] enquanto o editor Luis Maio do jornal Público caracteriza seu rap como "fraseado, gráfico e fluído".[20] O escritor Affonso Romano de Sant'Anna afirma que se pode ouvi-lo de duas forma diferentes, "o ouvinte espontâneo e ingênuo associa-se ao seu agressivo protesto político e social satirizando a corrupção, as drogas, a alienação de ricos e políticos. Já o ouvinte culto pode ouvi-lo na pauta de nossa produção cultural e fazer algumas correlações. Por exemplo: a relação entre o seu rap e os repentistas nordestinos. Posso até sugerir um termo de confluência - 'rapentista'" e ainda diz que em sua música "Gabriel procura a fala plena, o discurso cheio, contra o minimalismo alienado e alienante, porque não adianta só reclamar bramando".[37]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Gabriel o Pensador em sua carreira musical recebeu dezoito indicações e venceu onze, ou seja, 61,11% delas. Entre as dezesseis indicações recebidas, a maior parte delas veio do prêmio MTV Video Music Brasil, mais precisamente quatorze, das quais sete foram vencidas, resultando em 50%, prêmios esse recebidos em 1995,[23] 1996,[22] 1998,[29] 2000,[32] 2001[35] e 2005.[42] Gabriel também foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira, Troféu Imprensa e Prêmio Multishow de Música Brasileira, ganhando todos prêmios nas categorias em que foi indicado.[19] [27] [28] Além de prêmios musicais ganhou também o prêmio literário mais importante do Brasil, o Prêmio Jabuti de Literatura.[46]

Ano Premiação Resultado Nomeação Categoria Ref.
1993 Prêmio da Música Brasileira Venceu Gabriel o Pensador Revelação Masculina de Pop rock [19]
1995 MTV Video Music Brasil 175 Nada Especial Melhor videoclipe de rap [23]
1996 "Rabo de Saia" Melhor videoclipe de rap [22]
1998 Troféu Imprensa Gabriel o Pensador Melhor cantor [27]
Prêmio Multishow de Música Brasileira Melhor cantor [28]
"Cachimbo da Paz" Melhor clipe
MTV Video Music Brasil Indicado Escolha da audiência [29]
Melhor videoclipe de pop
2000 "Astronauta" Escolha da audiência [32]
Melhor videoclipe de pop
2001 "Até Quando?" Melhor videocliep do ano [35]
Melhor videoclipe de pop
Melhor direção
Venceu Melhor edição
Melhor edição
2002 "Tem Alguém Aí?" [105]
2005 "Palavras Repetidas" Melhor videoclipe de pop [42]
Melhor fotografia em videoclipe
Prêmio Jabuti Um Garoto Chamado Rorbeto Melhor livro infantil [46]

Notas[editar | editar código-fonte]

a. ^ Produziu dois discos do cantor: Gabriel o Pensador e Ainda É Só o Começo.[106] [107]

b. ^ Produziu três discos: Nádegas a Declarar, Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo) e MTV ao Vivo - Gabriel o Pensador.[108] [109] [110]

c. ^ Produziu os discos: Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo) e Cavaleiro Andante.[109] [111]

Referências

  1. Detonautas Roque Clube, ufanistas da música. MTV (7 de outubro de 2003). Página visitada em 23 de setembro dec 2012. "Tive que sair da banda do Gabriel, mas ele aceitou numa boa porque é nosso padrinho."
  2. AC Para os Amigos é o novo disco do Boss. Destak (6 de fevereiro de 2012). Página visitada em 25 de janeiro de 2013. "O Gabriel Pensador, que também é um amigo de longa data."
  3. Cone Crew celebra sucesso, defende maconha e diz já poder pagar motel. Terra Networks (19 de setembro de 2012).
  4. Autores - Gabriel o Pensador. Belas-Letras. Página visitada em 18 de março de 2012. Cópia arquivada em 6 de janeiro de 2010.
  5. a b c d e f Biografia. www.gabrielopensador.com.br. Página visitada em 18 de dezembro de 2011. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2010.
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