Anexo:Lista de mortes incomuns

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Alexandre I da Grécia, morto de septicemia provocada por mordidas infligidas a ele simultaneamente por um macaco e seu cão de estimação durante um passeio pelos Jardins Reais de Atenas

Esta é uma lista de mortes incomuns, relacionando cronologicamente casos de mortes registrados no decorrer da história que tenham ocorrido em circunstâncias únicas ou extremamente raras. A lista traz também casos não tão raros mas ainda assim insólitos, sucedidos a pessoas proeminentes em determinado período histórico.

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Nota: Muitas das histórias desta seção são provavelmente apócrifas
  • c. 620 a.C.: Drácon, legislador ateniense, sufocado por diversos mantos presenteados por admiradores e jogados sobre ele em um teatro em Égina.[1]
  • Século VI a.C.: Reza a lenda que o lutador grego Milo de Crotona deparou-se com um tronco de árvore dividido por uma fenda. Testando sua força, ele decidiu parti-lo, mas a fenda fechou-se, prendendo suas mãos e incapacitando-o de defender-se contra um ataque de lobos, que o devoraram.[2]
  • 272 a.C.: de acordo com Plutarco, Pirro, conquistador e origem da expressão vitória pírrica, morreu em um embate urbano em Argos após ser atingido por uma telha jogada por uma anciã. Aturdido pela pancada, ele acabou atacado e morto por um soldado argiense.[4]
  • 270 a.C.: conforme o relato de Ateneu, o intelectual grego Filetas de Cós teria estudado tão intensamente argumentos e palavras usadas erroneamente que definhou-se, morrendo de fome.[5] O estudioso Alan Cameron especulou que Filetas teria morrido de uma doença degenerativa que, de acordo com o anedotário de seus contemporâneos, fora provocada por pedantismo.[6]
  • 162 a.C.: Eleázar Avaran é esmagado na Batalha de Beth-Zechariah por um elefante de guerra; acreditando que o animal carregava o rei selêucida Antíoco V Eupator, Eleázar correu para baixo do elefante e enfiou uma lança em sua barriga, o que fez com que o paquiderme, morto, caísse sobre sua cabeça.[8]
  • 53 a.C.: O cônsul e general romano Marco Licínio Crasso teria sido morto pelos partos após sua derrota na Batalha de Carras, ao ser forçado a beber uma taça cheia de ouro derretido, símbolo de sua imensa fortuna. Outro cenário, muito mais provável, é que após a morte do general os carrascos Partos teriam colocado o ouro derretido em sua boca como uma mensagem ou símbolo representando os riscos de sua "grande sede de riquezas".[9]
  • 4 a.C.: Herodes, o Grande supostamente sofreu de febre, coceiras intensas, dores intestinais, gota, inflamação do abdômen, putefração dos genitais com produção de vermes, convulsões e complicações respiratórias antes de finalmente expirar. Mortes pavorosas como essas, no entanto, eram frequentemente imputadas por escritores a governantes impopulares, inclusive a diversos imperadores romanos.[10]
  • c. 98: Santo Hieromártir Antipas, bispo de Pérgamo, é cozido até a morte dentro de um touro de bronze durante a perseguição a cristãos imposta pelo Imperador Domiciano. Santo Eustáquio, sua esposa e filhos supostamente sofreram o mesmo destino sob o jugo de Adriano.[12]
  • 260: o imperador romano Valeriano, após ser derrotado em batalha e capturado pelos persas, foi supostamente usado como tapete pelo xá Sapor I. Depois de um longo período de castigos e humilhações, Sapor teria ordenado que o imperador fosse esfolado vivo e sua pele estufada com esterco ou palha e preservada como troféu.[14] Tal relato no entanto é alvo de controvérsias, sendo visto como uma tentativa religiosa de estabelecer que perseguidores de cristãos estavam destinados a sofrer mortes horríveis, ou como o desejo de autores romanos de passar à posteridade que os persas seriam bárbaros.[15] [16]
  • 415: Hipátia, matemática e filósofa grega pagã, assassinada por uma turba de cristãos, tendo o corpo dilacerado por conchas de ostras (ou cacos de cerâmica, segundo outra versão). Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira.[17]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

  • 1219: Reza a lenda que Inalchuk, governante muçulmano da cidade de Otrar, na Ásia Central, é capturado e morto por invasores mongóis, que derramaram prata derretida em seus olhos, ouvidos e garganta.[19]

Renascença[editar | editar código-fonte]

  • 1514: György Dózsa, homem-em-armas dos Székely e líder da revolta camponesa na Hungria, é condenado pela nobreza húngara na Transilvânia a sentar-se em um trono de ferro em brasas, com uma coroa em brasas na cabeça e um cetro em brasas na mão (uma zombaria de sua ambição em ser rei). Ainda vivo, Dózsa foi atacado e teve seu corpo parcialmente torrado devorado por seis de seus companheiros rebeldes, presos sem direito a alimentação há uma semana.[24]
  • 1556: Humayun, um imperador Mogol, estava descendo do telhado de sua biblioteca após observar Vênus quando ouviu o adhan, ou chamado à oração. Humayun tinha o costume de imediatamente curvar-se de joelhos ao ouvir o adhan, mas ao fazê-lo nesta ocasião seu pé ficou preso nas dobras de seu manto, fazendo-o cair diversos degraus da escada. Ele morreu três dias depois em consequência dos ferimentos.[25]
  • 1601: Tycho Brahe, astrônomo dinamarquês, segundo a lenda morreu de complicações decorrentes de continência urinária durante um banquete. A etiqueta da época considerava uma extrema falta de educação deixar a mesa antes da refeição terminada, e assim ele permaneceu sentado até ficar gravemente doente. Esta versão dos fatos desde então foi contestada enquanto outras causas de morte (assassinado por Johannes Kepler, suicídio e envenenamento por mercúrio, entre outras) vieram à tona.[26]
  • 1649: Sir Arthur Aston, comandante das guarnições Realistas durante o Cerco de Drogheda, é espancado até a morte com a própria perna de madeira, que soldados Cabeças Redondas pensavam ocultar moedas de ouro.[27]
  • 1671: François Vatel, cozinheiro de Luís XIV, cometeu suicídio pois sua encomenda de peixes atrasara e ele não pôde suportar a vergonha de adiar uma refeição do rei. Seu corpo foi descoberto por um estafeta que fora enviado para avisá-lo da chegada do pedido. A autenticidade desta história não foi comprovada.[30]
  • 1687: Jean-Baptiste Lully, compositor, morreu de septicemia, provocada por ele mesmo ao atingir seu pé com um bastão enquanto conduzia vigorosamente um Te Deum. A apresentação era em comemoração à recuperação de uma enfermidade que acometeu o rei Luís XIV.[32]

Século XVIII[editar | editar código-fonte]

  • 1751: Julien Offray de La Mettrie, um materialista e filósofo sensualista, autor de L'homme machine, morre após comer em excesso em um banquete realizado em sua homenagem. Seus adversários filosóficos sugeriram que, ao fazê-lo, ele contradisse sua doutrina teórica no momento em que a colocou em prática.[33]

Idade contemporânea[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

  • 1814: Dilúvio de cerveja de Londres, oito pessoas morrem afogadas quando 323.000 galões imperiais (1.468.000 litros) de cerveja da the Meux and Company Brewery estouram de suas cubas e jorram para as ruas, criando um "pequeno dilúvio".

Século XX[editar | editar código-fonte]

  • 1916: Grigori Rasputin, místico russo, teria sido envenenado enquanto jantava com um inimigo político. Baleado na cabeça, recebe mais três tiros, é espancado e então jogado em um rio congelado após ter sido castrado. Quando seu corpo retornou à superfície, uma autópsia revelou que a causa da morte fora hipotermia. Existem, contudo, dúvidas acerca da credibilidade deste relato. Outra versão diz que ele foi envenenado, baleado e apunhalado, após o que teria fugido, tendo sido encontrado depois de se afogar em um rio congelado.[38]
  • 1920: Alexandre I da Grécia, caminha nos Jardins Reais quando seu cão é atacado por um macaco. O rei tenta proteger seu animal de estimação, recebendo mordidas tanto do macaco quanto do cão. Ambos estavam contaminados, provocando em Alexandre uma infecção que evoluiu para sepse. Ele morreu três semanas depois. Sua morte resultou na restauração de seu deposto pai, Constantino I.[39]
  • 1978: Janet Parker, fotógrafa médica britânica, morre de varíola dez meses depois da doença ser erradicada, quando um pesquisador no laboratório onde ela trabalhava liberou acidentalmente uma amostra do vírus no sistema de circulação de ar do prédio. Acredita-se que ela seja a última vítima de varíola da história.[40]
  • 1980: Steve Took, músico inglês, baterista da banda T. Rex, morre engasgado com a cereja de um cocktail, consequência provável de consumo de morfina e cogumelos alucinógenos.[41]
  • 1993: Garry Hoy, um advogado de Toronto, cai de um 24.º andar de um prédio. Para mostrar aos estudantes de uma universidade que os vidros do Toronto-Dominion Centre eram inquebráveis, ele decidiu atirar-se para a janela, acabando por cair de uma altura de 92 metros de altura, tendo morte imediata. Os vidros eram inquebráveis, mas os caixilhos da janela desencaixaram e Hoy perdeu a vida.[42]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. "Δράκων"
  2. The Ancient Olympics. - Spivey, Nigel Jonathan - Oxford University Press - ISBN 0-19-280433-2 (2004)
  3. "Plutarch, Life of Artaxerxes"
  4. Allusions in Ulysses - Thornton, W. - University of North Carolina Press Chapel Hill - ISBN 0807840890 (1968)
  5. Athenaeus, Deipnosophistae, 9.401e.
  6. Alan Cameron - "How thin was Philitas?" - The Classical Quarterly 41 (2): 534–8. DOI:10.1017/S0009838800004717 (1991)
  7. A History of the Literature of Ancient Greece - Donaldson, John William and Müller, Karl Otfried - John W. Parker and Son (1858)
  8. The Elephant in the Greek and Roman - Scullard, H.H - World Thames and Hudson (1974)
  9. Dião Cássio, 40.27
  10. Antiguidades Judaicas - Flávio Josefo - Livro 17, Capítulo 6
  11. "Catholic Encyclopedia on St. Peter"
  12. "Greek Orthodox Archdiocese of Australia, WA"
  13. Plínio o Velho, História Natural, vii 7
  14. Lactâncio, De Mortibus Persecutorum
  15. Emperors don't die in bed - Meijer, Fik - Routledge - ISBN 0-415-31202-7 (2004)
  16. The Near East under Roman Rule - Isaacs, Benjamin - Brill Academic Publishers - ISBN 90-04-09989-1 (1996)
  17. "Hypatia biography"
  18. "The pre-historic visitors" - BBC
  19. Genghis Khan: Life, Death, and Resurrection - John Man - Macmillan - ISBN 0312366248 (2007)
  20. The Mamluks" - History Today
  21. A History of Great Britain: 3000BC-AD1603 - Schama, Simon - BBC Worldwide(2000)
  22. "Patronage and Piety – Montserrat and the Royal House of Medieval Catalonia-Aragon" - Mirator Lokakuu
  23. Mysteries of History with Accounts of Some Remarkable Characters and Charlatans - Thompson, C. J. S. - Kessinger Publishing (2004)
  24. György Dózsa - Encyclopædia Britannica (1911)
  25. The History of Humayun (Humayun-nama) - Gulbadan Begum (trad. e ed. por Annette Beveridge) - Royal Asiatic Soc. (Londres) - ISBN 81-215-1006-6 (1902)
  26. Brahe, Tycho (1546–1601)Eric Weisstein's World of Scientific Biography
  27. "British Civil War"
  28. Rabelais in English Literature - Huntington Brown - Routledge - ISBN 0-714-620-513 (1968)
  29. The History of Scottish Poetry - Edmonston & Douglas (1861)
  30. Bartleby
  31. "Moliere,: The Imaginary Invalid" - NYU Literature, Arts, and Medicine Database
  32. "Biography of Jean-Baptiste Lully" - Vanderbilt University
  33. Julien Offray de La Mettrie Biography Encyclopedia of World Biography
  34. "Benjamin Franklin and Lightning Rods". Physics Today, janeiro de 2006
  35. The lowdown on Sweden's best buns The Local, February 2007
  36. Semlor are Swedish treat for Lent Sandy Mickelson, The Messenger, 27 February 2008
  37. The Collector: David Douglas and the Natural History of the Northwest - Nisbet, Jack - Sasquatch Books - ISBN 1570616132 (2009)
  38. "Murder of Rasputin"
  39. Kings of the Hellenes, pág. 119 - John Van der Kiste - Alan Sutton Publishing, Stroud, Gloucestershire, Inglaterra - ISBN 0-7509-0525-5 (1994)
  40. "Twenty five years on: Smallpox revisited" - Queen Mary, University of London
  41. "Steve Took" - AllMusic
  42. Alessandra Nogueira (6 de outubro de 2009). 12 Inacreditáveis mortes acidentais. hypescience. Página visitada em 3 de maio de 2013.