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Disambig grey.svg Nota: Se procura o presidente de Mato Grosso, veja Estêvão Ribeiro de Resende, barão de Lorena.


Estêvão Ribeiro de Resende
Marquês de Valença, Museu Paulista
Nascimento 20 de julho de 1777
[Fazenda da Cachoeira, na época pertencente à freguesia de Prados/MG, mas atualmente do município de Lagoa Dourada/MG] Brasil Colônia Vice-Reino do Brasil
Morte 8 de setembro de 1856 (79 anos)
Rio de Janeiro Flag of Brazil (1870–1889).svg Império do Brasil
Nacionalidade Flag of Brazil (1870–1889).svg brasileiro
Ocupação Proprietário rural, desembargador, político

Estêvão Ribeiro de Resende, primeiro barão com grandeza, conde e marquês de Valença, (Lagoa Dourada, 20 de julho de 1777Rio de Janeiro, 8 de setembro de 1856) foi um proprietário rural, desembargador e político brasileiro. Ocupou inúmeros cargos políticos importantes durante o período imperial. Nasceu na Fazenda da Cachoeira, da então Capela de Santo Antônio da Lagoa Dourada, termo de Prados. Foi batizado em 5 de agosto de 1777, na Ermida de Nossa Senhora da Conceição. Casou-se com a filha do homem mais rico da província da sua época, tornando-se um dos grandes Barões do Café.

Família[1][editar | editar código-fonte]

Seus pais eram Severino Ribeiro e Josefa Maria de Resende. Severino nasceu na freguesia de Santa Maria de Loures e se dedicou à vida militar. Veio ao Brasil e casou-se, aos 38 anos, com Josefa. Ela nasceu na fazenda de seus pais, a famosa e lendária fazenda do Engenho Velho dos Cataguases, sendo batizada na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Prados, Minas Gerais. Eles se casaram em 26 de novembro de 1764, no Oratório da Nossa Senhora da Conceição, no sítio de Carandaí. Ele tinha treze irmãos: Severino (nascido em 1767 e falecido na infância), Antônio Ribeiro de Resende (nascido em 1769 e que se tornou padre), João Ribeiro de Resende (nascido em 1770), Geraldo Ribeiro de Resende (nascido em 1771 e que se tornou coronel), Helena Maria de Santa Ana (nascida em 1772), José (nascido em 1774 e falecido na infância), Leonarda Maria de Resende (nascida em 1776), Manoel de Jesus Ribeiro de Resende (nascido em 1777 e irmão gêmeo de Estevão), Joaquim Fernando (ou Fernandes) Ribeiro de Resende (nascido em 1778) e Maria Clara de Resende (nascida em 1780).[2]

Início[editar | editar código-fonte]

Quando muito jovem, após demonstrar muita aptidão nos estudos primários e terminar os estudos preparatórios, partiu para Lisboa e, em seguida, para Coimbra, onde se formou no curso de direito. Era aplicado nos estudos e mereceu a consideração de seus professores e demais pessoas de seu relacionamento Em função dos bons serviços prestados por seu pai, foi escolhido, após a morte deste, para receber o Hábito da Ordem de Cristo e uma tença de dois mil réis de pensão, além da propriedade do Ofício de Tabelião Público Judicial e Notas da Vila de São João del Rei. Quem o ofereceu tais honras foi Dom João VI. Assim, as portas de sua carreira na magistratura foram abertas. Veio ao Brasil, mas novamente retornou a Portugal, onde fez sua leitura no Desembargo do Paço e logo foi nomeado pelo rei, em 21 de junho de 1806, Juiz de Fora de Palmela, vila sul de Lisboa, onde permaneceu até 1808. Durante esse período, ocorreu a invasão francesa na Península Ibérica, durante o período de Napoleão Bonaparte. A família real portuguesa se transferiu para o Brasil e Estevão, aproveitando-se desta situação, retornou ao Brasil. No entanto, visando o melhor para o reino, as autoridades receberam instruções para continuarem em seus postos. Ele permaneceu em Palmela, mas fugiu às pressas após perseguições do general Junot, que o acusava de não cumprir ordens do governo francês. Junot mandava fuzilar facilmente os rebeldes. Estevão se safou dessa situação graças ao seu amigo Gomes Freire de Andrade e à proteção que lhe dispensava o general francês Degrandorge. Partiu clandestinamente para Lisboa e retornou ao Brasil definitivamente no ano de 1810.[3]

Retorno ao Brasil[4][editar | editar código-fonte]

Após retornar ao seu país de origem, recebeu de D. João VI a nomeação para o cargo de Juiz de Fora de São Paulo em 13 de maio de 1810, função que foi encarregado de criar na cidade. Aos 35 anos, mediante um decreto assinado em 11 de abril de 1812, comprometeu-se a se casar com Ilidia Mafalda de Souza Queiroz, que na época tinha apenas sete anos de idade. Eles viriam a se casar apenas em 1825, portanto, treze anos depois. Em 17 de dezembro de 1813, desligou-se do juizado de São Paulo por ter sido nomeado na mesma data para o cargo de Fiscal dos Diamantes no Serro Frio, em Minas Gerais. Porém, deixou tal incumbência no ano seguinte, após ser nomeado Desembargador da Relação da Bahia. Em todas as funções que ocupava, suas ações angariavam confiança e estima, possibilitando que gradativamente galgasse postos mais elevados na política nacional. Posteriormente, exerceu, em 29 de março de 1817, o cargo de Intendente-geral da República e, em 1818, iniciou o trabalho como Desembargador da Casa da Suplicação.[5]

Início de novos tempos[editar | editar código-fonte]

Três anos depois, em 1821, foi nomeado Superintendente-geral dos Contrabandos, época em que prestou relevantes serviços ao Brasil. Tornou-se procurador da província de Minas Gerais e merecedor da estima e consideração do então príncipe Dom Pedro I. Em 6 de abril de 1822, foi elevado ao cargo de Secretário de Estado, encarregado de todas as partes, para acompanhar Dom Pedro I a Minas Gerais. Nessa missão, Estevão teve a função de intermediar e apaziguar os movimentos sediciosos desorganizados que iniciavam em Vila Rica. Após a independência, em 7 de setembro de 1822, um pacto nacional foi julgado como necessário no Brasil. Diante disso, o Imperador convoca a Assembleia Constituinte, que evidenciou que seria preponderante a escolha de um alto funcionário.[6] Estevão, então, foi nomeado para o cargo de deputado. Posteriormente, em 17 de janeiro de 1823, foi nomeado por Dom Pedro I Intendente-geral da Política. Com seu carisma, influência e confiança geral, sem usar armas e ameaças de prisões e perseguições, Estevão conseguiu controlar a situação ainda efervescente no Brasil. Em 14 de outubro de 1824, Dom Pedro I chamou-o aos Conselhos da Coroa, encarregando-o da pasta do Império, da qual ficou à frente até 21 de novembro de 1825, quando recebeu o decreto de sua demissão, com muitos elogios do imperador, que lhe agradeceu pelos bons serviços prestados. Ainda no ano de 1824, Estevão foi nomeado, em 1º de dezembro, Desembargador Honorário do Paço. Em 15 de outubro de 1825, incluiu em seu currículo, por meio de uma nomeação do Imperador, o título e grandezas de Barão de Valença.[7]

Foi ao mesmo tempo Deputado por Minas Gerais e Senador pelo mesmo estado e também por São Paulo. Entre as duas províncias, optou pela de Minas, tornando-se Senador por carta imperial de 19 de abril de 1826. Nesse mesmo ano, em 12 de outubro, passou ser Desembargador do Paço efetivo, aposentando-se a seu pedido. Mas, no dia 30 do mesmo mês e ano, o seu título de Barão foi elevado a Conde de Valença. Em 18 de maio de 1827, entrou novamente o então Conde de Valença para os Conselhos da Coroa e, desta vez, coube-lhe cuidar da pasta de Ministro da Justiça, no qual permaneceu até 20 de novembro de 1827, quando foi extinta. Porém, Estevão havia sido nomeado para outro cargo, o de Conselheiro de Estado Honorário. Retirado de cena política, o Conde de Valença ocupou-se exclusivamente dos deveres de Senador do Império.[8]

Encerrando a carreira[editar | editar código-fonte]

Quando Dom Pedro II empossou-se como Imperador, Estevão chegou à conclusão que era a hora de se dedicar à vida privada.[9] Foi sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio efetivo da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, sócio efetivo da Instrução Elementar, membro da Sociedade de Agricultura do Reino da Suécia, dignatário honorário da ordem imperial do Cruzeiro por carta de 16 de agosto de 1830, cavalheiro do hábito de Cristo, grão-cruz da mesma ordem e fidalgo cavalheiro da ordem imperial. Na política da Independência, ficou conhecido como "um dos mais estrênuos campeões", tornando parte ativa nos sucessos políticos desses tempos.[10] Foi vulto de grande realce, especialmente na memorável viagem feita em 1822 à província de Minas Gerais por Dom Pedro, então príncipe regente, que o levaria como seu ministro de todas as pastas.[11]

Brasão de armas[editar | editar código-fonte]

Escudo ibérico partido:

  • o primeiro de blau com um leopardo rampante de argente, armado de jalde, e chefe do mesmo carregado de três estrelas de goles alinhadas - Armas de Damião Dias da Ribeira;
  • o segundo de jalde, com duas cabras de sable, gotadas do campo e passantes, uma sobre a outra - Armas dos Resendes. Coronel de marquês.
  • Timbre: o leopardo das armas, com uma estrela de goles na espádua; e por diferença, uma brica de blau com um lírio de jalde.(Brasão passado em 29 de Novembro de 1829.Reg.no Cartório da Nobreza,Liv.VI,fls.1).

Genealogia[editar | editar código-fonte]

  • Ascendência: O marquês era filho do Coronel Severino Ribeiro (de família lisboeta) e de Josefa Maria de Resende; neto paterno de Estêvão Ribeiro e de Leonarda Maria; neto materno de João de Resende Costa e de Helena Maria de Jesus, a “Terceira Ilhoa”.
  • Descendência: Casou-se com Ilídia Mafalda de Sousa Queirós, dama de honra da Imperatriz, filha do brigadeiro Luís Antônio de Sousa Queirós e de Genebra de Barros Leite. Engajou noivado quando Ilídia tinha apenas 7 anos de idade, por carta de procuração, contraindo matrimônio 7 anos depois.

De seu casamento com a marquesa, teve:

  • Ilídia Mafalda de Resende (falecida em 1847) c.c. seu tio materno Comendador Luís Antônio de Sousa Barros.
  • Capitão Luís Ribeiro de Sousa Resende (1827-1891) a 1ª vez c.c. sua prima Genebra de Sousa Queirós e a 2ª vez c.c. Maria Ambrosina da Mota Resende;
  • Leopoldina de Sousa Resende (Faleceu solteira, em 1848);
  • Amélia de Sousa Ribeiro de Resende,
  • Francisca de Sousa Resende c.c. Victor Marie Hippolyte - Marques de Palarin e Conde de Cambolas;
  • Pedro Ribeiro de Sousa Resende, segundo barão de Valença (1939-1894) c.c. Justina Emerich;
  • Estêvão Ribeiro de Sousa Resende, barão de Resende e senador (1840-1909) , c.c. Ana Cândida da Conceição Resende, filha do Barão de Serra Negra;
  • Maria de Sousa Resende (falecida em 1874) c.c. José da Costa Lima e Castro;
  • Severino Ribeiro de Sousa Resende – “Moço Fidalgo” (falecido em 1894);
  • Elisa de Sousa Resende (falecida solteira, em 1864)
  • Geraldo Ribeiro de Sousa Resende, Barão Geraldo de Resende (1846-1907);

Teve, também, os filhos legitimados:

  • Estêvão Ribeiro de Resende, barão de Lorena e presidente de Mato Grosso (falecido em 1878);
  • Capitão Virgílio Ribeiro de Resende c.c. Mariana Policena de Assis Resende;
  • Conselheiro Teófilo Ribeiro de Resende c.c. Laura Cândida das Chagas de Resende
  • Delfina Henriqueta Júlia a 1ª vez c.c. o Coronel Francisco Antônio de Carvalho e a 2ª vez c.c Silvestre Antônio de Carvalho (2º casamento).
  • Josefina Augusta de Resende, que foi a 1ª mulher de Silvestre Antônio e Carvalho. Josefina morreu assassinada por um escravo, num domingo, enquanto seus familiares assistiam à missa no povoado.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 28 
  2. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 44 
  3. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 91 
  4. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 109 
  5. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 125 
  6. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 158 
  7. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 173 
  8. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 155 
  9. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 260 
  10. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. p. 274: [s.n.] 
  11. BUZATTI, Dauro José. Estevão Ribeiro de Resende - O Marquês de Valença. [S.l.: s.n.] pp. p. 258 
  12. Nobreza Brasileira de A a Z. http://www.sfreinobreza.com/Nobv.htm Nobreza Brasileira de A a Z. Verifique valor |url= (ajuda)  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
Precedido por
João Severiano Maciel da Costa
Ministro dos Negócios do Império do Brasil
e
Administrador do Rio de Janeiro

1824 — 1825
Sucedido por
Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta
Precedido por
José Feliciano Fernandes Pinheiro
Ministro da Justiça do Brasil
1827
Sucedido por
Lúcio Soares Teixeira de Gouveia
Precedido por
Francisco Vilela Barbosa
Presidente do Senado do Império do Brasil
1841
Sucedido por
José da Costa Carvalho