Jordânia

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المملكة الأردنية الهاشمية
Al-Mamlakah Al-Urdunnīyah Al-Hāshimīyah

Reino Haxemita da Jordânia
Bandeira da Jordânia
Brasão de armas da Jordânia
Bandeira Brasão de armas
Lema: Allah, Al-Waṭan, Al-Malik
الله، الوطن، الملك
"Deus, País, Rei"[1]
Hino nacional: As-Salam al-Malaki al-Urdoni
السلام الملكي الأردني
"Hino Real da Jordânia"
Gentílico: Jordaniano(a)

Localização da Jordânia

Localização da Jordânia
Capital Amã
31°57′N 35°56′E
Cidade mais populosa Amã
Língua oficial Árabe
Governo Monarquia constitucional unitária parlamentar
 - Rei Abdullah II
 - Primeiro-ministro Hani al-Mulki
Independência do Reino Unido 
 - Transjordânia 12 de abril de 1921 
 - Jordânia 25 de maio de 1946 
Área  
 - Total 89 341 km² (112.º)
População  
 - Estimativa para 2016 9 783 985[2] hab. 
 - Censo 2015 9 531 712 hab. 
 - Densidade 107 hab./km² 
PIB (base PPC) Estimativa de 2015
 - Total US$ 82,991 bilhões[3] (87.º)
 - Per capita US$ 12 162[3] (86.º)
PIB (nominal) Estimativa de 2015
 - Total US$ 82,210 bilhões[3] (92.º)
 - Per capita US$ 5 599[3] (95.º)
IDH (2014) 0,748[4] (80.º) – elevado
Gini (2011) 35,4[5]médio
Moeda Dinar jordaniano (JOD)
Fuso horário EET (UTC+2)
 - Verão (DST) EEST (UTC+3)
Org. internacionais Organização das Nações Unidas, Liga Árabe e Organização para a Cooperação Islâmica
Cód. ISO JOR
Cód. Internet .jo
الاردن
Cód. telef. +962
Website governamental jordan.gov.jo

Mapa da Jordânia

Jordânia (em árabe: الأردن‎‎; transl.: al-Urdunn), oficialmente o Reino Haxemita da Jordânia (em árabe: المملكة الأردنّيّة الهاشميّة; transl.: al-Mamlakah al-Urduniyah al-Hashimiyah), é um país do Sudoeste Asiático localizado na margem leste do rio Jordão. Faz fronteira com a Arábia Saudita ao leste e sul, Iraque ao nordeste, Síria ao norte, Israel e Palestina ao oeste e o mar Vermelho ao extremo sul.[6] A Jordânia está estrategicamente localizada no cruzamento da Ásia, África e Europa.[7] Sua capital e cidade mais populosa é Amã, que também é o centro econômico e cultural do país.[8]

A área da Jordânia atual é habitada por humanos desde o período Paleolítico. Três reinos estáveis surgiram ao final da Idade do Bronze: Amom, Moabe e Edom. Governantes posteriores incluíram o Reino Nabateu, o Império Romano e o Império Otomano.[9] A partilha do Império Otomano ocorreu depois da Revolta Árabe durante a Primeira Guerra Mundial. O Emirado da Transjordânia foi estabelecido em 1921 pelo então emir Abdullah I e tornou-se um protetorado do Reino Unido. A Jordânia virou um estado independente em 1946 oficialmente conhecido como o Reino Haxemita da Transjordânia. O país conquistou a Cisjordânia na Guerra Árabe-Israelense de 1948 e o nome do estado foi alterado para Reino Haxemita da Jordânia no ano seguinte.[10] A Jordânia foi um membro fundador da Liga Árabe e da Organização para a Cooperação Islâmica, além de um de apenas dois países a terem assinado um acordo de paz com Israel. Seu governo é uma monarquia constitucional, porém o rei mantém amplos poderes executivos e legislativos.[11]

A Jordânia é um país semi-árido quase sem litoral e relativamente pequeno com uma população de pouco mais de 9,5 milhões de pessoas. O sunismo é praticado por aproximadamente 92% dos habitantes, sendo a religião predominante. Há também uma minoria cristã. O país é considerado um dos lugares mais seguros do Oriente Médio, tendo conseguido evitar terrorismo e instabilidade duradouros.[12] A Jordânia tem sido muito hospitaleira mesmo em meio ao tumulto de seus vizinhos, aceitando refugiados de praticamente todos os conflitos da região desde 1948, com estimativas dizendo que 2,1 milhões de refugiados palestinos e 1,4 milhões de sírios vivem no país.[13] O reino também recebeu milhares de refugiados cristãos iraquianos que fugiram do Estado Islâmico.[14] Apesar da Jordânia continuar a aceitar refugiados, o grande fluxo recente vindo da Síria colocou uma pressão considerável nos recursos e infraestrutura nacionais.[15]

A Jordânia é classificada como um país de "elevado desenvolvimento humano" com uma economia de "renda média alta". A economia jordaniana é atrativa para investimentos estrangeiros devido à mão de obra qualificada.[16] O país é um grande destino turístico, especialmente para viajantes europeus.[17] A falta de recursos naturais, grande fluxo de refugiados e tumulto regional afetaram o crescimento econômico.[18]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A Jordânia é nomeada em homenagem ao rio Jordão. A origem do nome do rio é incerta, porém a explicação mais comum fala que ele vem da palavra "yarad" (a descendente "Yarden" é o nome hebraico do rio), encontrada em hebreu, aramaico e outras línguas semíticas. Outros falam que o nome tem uma origem indo-ariana, combinando as palavras "yor" (ano) e "don" (rio), refletindo a natureza perene do rio. Outra teoria sugere que é a forma arábica da raiz "wrd" (ir até), como as pessoas indo até uma grande fonte de água.[19]

O nome Jordão aparece em um antigo papiro egípcio chamado de Papiro Anastasi I, datado de aproximadamente 1 000 a.C..[20] As terras da Jordânia moderna eram historicamente chamadas de "Transjordânia", significando "além do Rio Jordão". O nome foi arabizado como al-Urdune (em árabe: الأردن; transl.: al-Urdunn) durante a conquista muçulmana de Levante no século VII e tornou a se chamar "Transjordânia" (em francês: Oultrejordain) durante o governo cruzado. O Emirado da Transjordânia foi estabelecido em 1921 e ganhou sua independência em 1946, sendo chamado de "Reino Haxemita da Transjordânia". O nome foi alterado para "Reino Haxemita da Jordânia" em 1949. "Haxemita" é o nome da casa da família real jordaniana.[21]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História da Jordânia

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

As Estátuas de 'Ain Ghazal são algumas das mais antigas estátuas humanas já encontradas, datando de por volta 7 250 a.C.. Elas estão em exibição no Museu da Jordânia

A Jordânia possui muitos restos Paleolíticos que contém evidências da presença de Homo erectus, neandertais e homens modernos.[22] As evidências mais antigas da presença de humanos data de aproximadamente 250 mil anos atrás.[23] A área de Qasr Kharana no leste da Jordânia possui indícios de cabanas humanas de vinte mil anos.[24] Outros sítios Paleolíticos incluem Pela e Azraq.[25] Vários assentamentos começaram a se desenvolver no período Neolítico, mais notavelmente uma comunidade agrícola chamada de 'Ain Ghazal na área da atual Amã,[26] sendo um dos maiores assentamentos pré-históricos no Oriente Próximo.[27] Nesse local foram encontradas estátuas de gesso que datam de aproximadamente 7 250 a.C., estando entre as estátuas humanas mais antigas já descobertas na história.[28][29] Os vilarejos de Bab edh-Dhra na área do Mar Morto, Tall Hujayrat Al-Ghuzlan em Acaba e Tulailate al-Gassul no Vale do Jordão datam da Idade do Cobre.[30]

O período pré-histórico jordaniano terminou por volta de 2 000 a.C. quando nômades semíticos conhecidos como amoritas chegaram na região. A área da Jordânia atual foi na Idade do Bronze e Idade do Ferro a casa de vários reinos antigos, cujas populações falavam línguas semíticas do grupo cananeu.[31] Dentre eles estavam Amom, Moabe e Edom, que foram descritos mais como reinos tribais do que estados. Estes são mencionados em textos antigos como o Antigo Testamento. Descobertas arqueológicas mostram que Amom ficava na área da moderna cidade de Amã, Moabe controlava as terras ao leste do Mar Morto e Edom ocupava a área ao redor de Arava.[32]

A Estela de Mesa registra as glórias do rei Mesa de Moabe, ca. 840 a.C.. Está exibida no Museu do Louvre

Esses reinos transjordanianos estavam em conflito contínuo com os reinos hebraicos vizinhos de Israel e Judá, localizados ao oeste do rio Jordão, porém se sabe que Israel controlou pequenas partes da margem leste em alguns momentos da história.[33] Sucederam-se confrontos frequentes e a tensão entre os reinos cresceu. Um registro desses eventos é a Estela de Mesa erguida pelo rei moabita Mesa por volta de 840 a.C., em que ele se exalta pelos projetos de construção que iniciou em Moabe e comemora suas glórias e vitórias contra os israelitas.[34] A estela constitui um dos mais importantes relatos diretos de uma história bíblica.[35] O Império Assírio subsequentemente reduziu todos esses reinos à vassalagem. A região depois ficou sob a influência do Império Neobabilônico, com o Antigo Testamento mencionando que esses reinos participaram do saque de Jerusalém em 597 a.C..[36]

Acredita-se que esses reinos continuaram a existir ao longo das flutuações de influência e governo regionais. Eles passaram pelo controle de diversos impérios distintos, incluindo o Império Acádio (2 335 – 2 193 a.C.), Antigo Egito (1 500 – 1 300 a.C.), Império Hitita (1 400 – 1 300 a.C.), Médio Império Assírio (1 365 – 1 020 a.C.), Império Neoassírio (911 – 605 a.C.), Império Neobabilônico (604 – 539 a.C.), Império Aquemênida (539 – 332 a.C.) e o Império Macedônico (332 – 312 a.C.).[9] Entretanto, os povos de Amom, Moabe e Edom já tinham perdido suas identidades na época do domínio da República Romana na região de Levante por volta de 63 a.C. e foram assimilados pela cultura romana.[32]

Período clássico[editar | editar código-fonte]

Alexandre, o Grande conquistou o Império Aquemênida em 332 a.C. e introduziu a cultura helênica no Oriente Médio. O império estabelecido foi dividido entre os generais de Alexandre depois da morte deste em 323 a.C., com boa parte das terras da Jordânia moderna sendo disputadas pelo Reino Ptolemaico sediado no Egito e pelo Império Selêucida com base na Síria. O povo nabateu tinha um reino independente localizado ao sul e leste.[37] Diferentes generais gregos realizaram campanhas para tentar anexar o Reino Nabateu, porém todas foram mal sucedidas.[38]

Al Khazneh na antiga cidade de Petra, que foi esculpida na rocha em 312 a.C. pelos nabateus

Os nabateus eram árabes nômades que tiravam sua riqueza de sua capital Petra, cuja proximidade com importantes rotas de comércio a transformou em um centro regional.[38] Os ptolemaicos eventualmente foram despojados da região pelos selêucidas. O conflito entre os dois grupos permitiu que os nabateus expandissem seu reino para além de Petra em Edom.[37] Os nabateus eram conhecidos por sua grande habilidade de construir métodos eficientes de coleta de água nos desertos e por seu talento de esculpir estruturas em rocha sólida como o templo Al Khazneh.[38] Os nômades falavam árabe e escreviam no alfabeto nabateu, que se desenvolveu a partir do alfabeto aramaico durante o século II a.C., com este sendo considerado por estudiosos como tendo evoluído do alfabeto árabe no século IV a.C..[39]

Os gregos fundaram várias cidades na região, incluindo Filadélfia (Amã), Gerasa (Jerash), Gadara (Umm Qais), Pela (Tabaqat Fahl) e Arbila (Irbid). Mais tarde sob os romanos, essas foram complementadas com outras cidades helenísticas na Palestina e Síria a fim de formar a Decápolis, uma frouxa confederação ligada por interesses econômicos e culturais: Citópolis, Hipos, Capitólia, Canata e Damasco estavam entre seus membros.[40] O sítio helenístico mais importante na Jordânia é Araq el-Amir, ao oeste da atual Amã.[9]

Legiões romanas sob o comando de Pompeu conquistaram Levante em 63 a.C., inaugurando o período de dominação romana que duraria por séculos.[9] O imperador Trajano anexou o Reino Nabateu em 106 d.C. sem muita oposição, reconstruindo a Estrada do Rei que ficou conhecida como a Via Trajana Nova.[41] O povo nabateu continuou a florescer durante o domínio romano e substituíram seus deuses locais pelo cristianismo.[42] Restos romanos em Amã incluem o Templo de Hércules, a Cidadela e o Teatro. Jerash contém uma cidade romana bem preservada que possuía quinze mil habitantes em seu auge.[43] Jerash chegou a ser visitada pelo imperador Adriano durante sua viagem para a Palestina. O Império Romano foi dividido em 324, com o Império Romano do Oriente continuando a controlar ou influenciar a região até 636. O cristianismo foi legalizado no império em 313 e tornou-se a religião oficial em 390, logo depois do imperador Constantino ter se convertido.[42]

A cidade de Aila (atual Acaba) no sul da Jordânia também ficou sob o domínio do Império Romano do Oriente (depois conhecido como Império Bizantino). A igreja de Acaba foi construída por volta do ano 300 e é considerada a primeira igreja erguida para uma finalidade especificamente cristã.[44] Os bizantinos construíram outras dezesseis igrejas ao sul de Amã em Um er-Rasas.[45] Administrativamente a área da Jordânia ficou com a Diocese do Oriente e foi dividida entre as províncias de Palestina Secunda no noroeste e Arábia Pétrea no sul e leste. A Palestina Salutar ao sul foi divida da Arábia Pétrea no século IV.[46] O Império Sassânida ao leste tornou-se o maior rival dos bizantinos e os frequentes conflitos entre os dois fez com que os sassânidas controlassem algumas partes da região, incluindo a Transjordânia.[47]

Período islâmico[editar | editar código-fonte]

Ver também: Junde de al-Urdune

Muçulmanos da área da atual Arábia Saudita invadiram a região pelo sul.[42] Os árabes cristãos gassânidas, clientes dos bizantinos, foram derrotados mesmo contando com o apoio imperial.[48] Apesar dos muçulmanos terem sido derrotados em 629 pelos bizantinos na Batalha de Mu'tah, na área do atual província de Karak, os bizantinos acabaram perdendo o controle de Levante em 636 ao serem derrotados pelo exército do Califado Ortodoxo na Batalha de Jarmuque, ocorrida um pouco ao norte da Jordânia atual. A região foi arabizada e a língua árabe se espalhou.[42]

A Transjordânia era um território essencial para a conquista da vizinha Damasco.[9] O Califado Ortodoxo foi seguido pelo Omíada (661 – 750). Sob seu domínio, vários castelos do deserto foram construídos, como o Qasr Al-Mshatta, Qasr Al-Hallabat, Qasr Al-Kharanah, Qasr Tuba, Qasr Amra e um grande palácio administrativo em Amã.[49] A campanha do Califado Abássida para tomar o Omíada começou pela região da Transjordânia. A área passou a ser controlada pelo Califado Fatímida depois do declínio dos abássidas, sendo em seguida tomada pelo Reino de Jerusalém cruzado (1115 – 1189).[9]

O Castelo de Ajloun construído pelo líder muçulmano Saladino no século XII para uso nas guerras contra os cruzados

Os cruzados construíram por volta de nove castelos como partes do Senhorio da Transjordânia, incluindo os de Montreal, Al-Karak e Wu'ayra (em Petra). Os cruzados foram derrotados no século XII por Saladino, o fundador do Império Aiúbida (1189–1260). Os aiúbidas construíram o novo Castelo de Ajloun e reconstruíram o antigo forte romano de Qasr Azraq. Vários desses castelos foram usados e expandidos pelo Sultanato Mameluco do Cairo (1260–1516), que dividiu a Jordânia nas províncias de Karak e Damasco. A Transjordânia foi atacada pelo Império Mongol durante o século seguinte, porém os mongóis acabaram sendo repelidos pelos mamelucos em 1260 depois da Batalha de Ain Jalut.[49]

Forças do Império Otomano conquistaram o território mameluco em 1516.[50] Vilarejos agricultores na Jordânia passaram por um período de relativa prosperidade no século XVI, porém foram abandonados. O governo otomano na região pelos séculos seguintes foi, por vezes, virtualmente ausente e reduzido apenas a coleta de impostos.[51] Isso levou à curta ocupação entre 1803 e 1812 de forças uaabitas, um movimento islâmico ultraortodoxo que surgiu no Primeiro Estado Saudita. Ibraim Paxá, filho do governador do Egito Otomano, erradicou os uaabitas entre 1811 e 1818 sob o comando do sultão Mahmud II.[37] Paxá virou-se contra os otomanos em 1833 e estabeleceu seu governo sobre Levante. Suas políticas opressivas levaram a uma mal-sucedida revolta camponesa na Palestina no ano seguinte. As cidades de Al-Salt e Al-Karak foram destruídas pelas forças de Paxá como punição por terem apoiado Qasim al-Ahmad, o líder rebelde. O domínio egípcio terminou em 1841 e o governo otomano foi restaurado.[52]

A perseguição russa dos sunistas circassianos e chechenos os fez imigrarem para a região da Transjordânia em 1867, onde atualmente fazem parte dos grupos étnicos do país.[53] A população geral diminuiu em números devido à opressão e negligência.[54] Assentamentos urbanos com pequenas populações incluíam Al-Salt, Irbid, Jerash e Al-Karak.[55] O subdesenvolvimento urbano foi exacerbado pelos assentamentos sendo ocasionalmente saqueados por beduínos.[23] A opressão otomana provocou a revolta das tribos beduínas e não-beduínas. As mais notáveis dessas rebeliões foram a Revolta de Shoubak em 1905 e a Revolta de Karak em 1910, ambas brutalmente subjugadas.[53] A localização da Jordânia na rota de peregrinação muçulmana até Meca ajudou economicamente a população quando os otomanos construíram em 1908 a Rodovia Hejaz ligando Meca com Istambul. Os otomanos anteriormente tinham construído fortalezas ao longo da rota para poderem proteger as caravanas de peregrinos.[56]

Colonização britânica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mandato Britânico da Palestina

Em setembro de 1922, o Conselho da Liga das Nações reconheceu a Transjordânia como um Estado sob o Mandato Britânico da Palestina e o memorando da Transjordânia e excluiu os territórios a leste do rio Jordão das disposições do mandato lidar com o assentamento judaico.[57] O Tribunal Permanente de Justiça Internacional e o Tribunal Internacional de Arbitragem, estabelecidos pelo Conselho da Liga das Nações, proferiram decisões em 1925 que determinaram que a Palestina e a Transjordânia fossem Estados sucessores recém-criados do Império Otomano, cuja soberania ficou suspensa até o momento em que eles seriam reconhecidos como independentes. A Transjordânia permanecido sob controle britânico até 1946.[58]

A liderança hachemita enfrentou múltiplas dificuldades para assumir o poder na região. As ameaças mais graves para a posição do Emir Abdulá na Transjordânia foram as repetidas incursões uaabitas vindas do Négede até partes do sul de seu território.[59] O emir foi incapaz de repelir esses ataques sem apoio, de modo que os britânicos mantiveram uma base militar, com um pequeno destacamento da Força Aérea Real em Marka, perto de Amã.[59] A força britânica foi também usada para ajudar o emir (e, posteriormente, o Sultão Adwan) a suprimir rebeliões locais em Kura nos andos de 1921 e 1923.[59]

Independência[editar | editar código-fonte]

Em 17 de janeiro de 1946, Ernest Bevin, o então Secretário do Exterior do britânico, anunciou em um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, que o governo britânico pretendia tomar medidas no futuro próximo para estabelecer a Transjordânia como um Estado totalmente independente e soberano.[60]

O Tratado de Londres foi assinado pelo governo britânico e o Emir da Transjordânia em 22 de março 1946 como um mecanismo para reconhecer a independência total da região após a ratificação de ambos os parlamentos. A independência iminente da Transjordânia foi reconhecida em 18 de abril de 1946 pela Liga das Nações, durante a última reunião desta organização.[61]

Em 25 de maio 1946, a Transjordânia tornou-se o "Reino Hachemita da Transjordânia" quando o cargo de "Emir" foi re-designado para "Rei" pelo parlamento da Transjordânia no dia em que ratificou o Tratado de Londres. A data de 25 de maio ainda é comemorada como o dia da independência da Jordânia, embora oficialmente o mandato para a Transjordânia tenha terminado em 17 de junho de 1946, quando, em conformidade com o Tratado de Londres, foram trocadas as ratificações em Amã e a região ganhou a independência total.[61]

Conflito árabe-israelense[editar | editar código-fonte]

Pára-quedistas israelenses expulsam soldados jordanianos de trincheiras durante a Guerra dos Seis Dias

Em 15 de maio de 1948, a Jordânia invadiu a Palestina junto com outros países árabes e atacou a Jerusalém judaica.[62] Depois da guerra, a Jordânia ocupou a Cisjordânia e, em 24 de abril de 1950, o país anexou formalmente esses territórios, um ato que foi considerado ilegal e inválido pela Liga Árabe. O movimento fazia parte da política expansionista do governo jordaniano baseada no "Plano Grande Síria",[63] e, em resposta, Arábia Saudita, Líbano e Síria se juntaram ao Egito para exigir a expulsão da Jordânia da Liga Árabe.[64][65] A moção de exclusão Jordânia da Liga foi impedida pelos votos contrários do Iêmen e do Iraque.[66] Em 12 de junho de 1950, a Liga Árabe declarou a anexação era uma medida temporária, prática e que Jordan estava usando o território como uma garantia em um acordo futuro.[67][68] Em 27 de julho de 1953, o rei Hussein da Jordânia anunciou que Jerusalém Oriental era "a capital do Reino Hachemita" e constituía "parte integrante e inseparável" da Jordânia.[69]

A Jordânia assinou um pacto de defesa mútua em maio de 1967 com o Egito, e participou na Guerra de 1967 entre Israel e os Estados árabes de Síria, Egito (República Árabe Unida) e Iraque. Durante a guerra, Israel ganhou o controle da Cisjordânia e toda a cidade de Jerusalém. Em 1988, a Jordânia renunciou todas as reivindicações sobre a Cisjordânia, mas reteve um papel administrativo sob uma colonização final, e o tratado com Israel permitiu a continuidade do papel jordano nos lugares sagrados dos muçulmanos em Jerusalém. O governo dos EUA considera a Cisjordânia como um território ocupado por Israel e acredita que o estado final seja determinado através de negociações diretas entre as partes nas bases das resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU.[61]

A guerra de 1967 trouxe um dramático aumento do número de palestinos vivendo na Jordânia. A população de refugiados – 700 000 em 1966 – cresceu com outros 300 000 da Cisjordânia. O período que se seguiu à guerra de 1967 viu um aumento no poder e importância dos elementos de resistência palestina (fedayin) na Jordânia. Os fedayin fortemente armados começaram a ser combatidos pelas forças de segurança do estado hachemita, e a luta aberta eclodiu em junho de 1970. Em setembro, a continuidade das ações dos fedayin na Jordânia obrigou o governo a tomar uma ação para reaver o controle sobre sua população e território. A batalha, na qual soldados palestinos de diversas fações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foram expulsos da Jordânia tornou-se conhecida como "Setembro Negro". As batalhas mais ferozes foram travadas no norte do país e em Amã. Outros governos árabes tentaram contribuir para uma solução pacífica, porém a situação se complicou quando uma força de tanques sírios tomou posições no norte da Jordânia para apoiar os fedayin, e foi forçada a recuar. Em 22 de setembro, ministros do exterior árabes reunidos no Cairo conseguiram um cessar-fogo começando no dia seguinte. Violências esporádicas continuaram, entretanto, até que as forças jordanas lideradas por Habis Al-Majali e com a ajuda de forças iraquianas (que tinham bases no país desde a guerra de 1967), obtiveram uma vitória decisiva sobre os fedayin em julho de 1971, expulsando-os totalmente do país.[61]

Em conferência realizada na cidade de Rabat, em 1974, a Jordânia concordou, juntamente com o resto da Liga Árabe, que a OLP fosse a "única representante legítima do povo palestino", deixando definitivamente então para a organização o papel de representar a Cisjordânia. Ocorreram batalhas ao longo da linha do cessar-fogo de 1967, no rio Jordão, durante a guerra árabe-israelita de outubro de 1973, mas a Jordânia mandou uma brigada para a Síria para lutar contra as unidades israelenses. A Jordânia não participou da Guerra do Golfo de 1990-91.[61]

Aperto de mão entre Hussein da Jordânia e Yitzhak Rabin, acompanhados de Bill Clinton, durante a assinatura do Tratado de paz Israel-Jordânia, em 26 de outubro de 1994

Acordo de paz[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Tratado de paz Israel-Jordânia

Em 1991, a Jordânia aceitou, juntamente com representantes da Síria, Líbano e representantes palestinos, participar de negociações de paz diretas com Israel na Conferência de Paz de Madrid, mediadas pelos Estados Unidos e Rússia.[61]

Foi negociado o fim das hostilidades com Israel e uma declaração neste sentido foi assinada em 25 de julho de 1994 (ver Declaração de Washington).[61]

Como resultado, o Tratado de paz Israel-Jordânia foi concluído em 26 de outubro do mesmo ano. Com o início das lutas entre Israel e a Autoridade Palestina, em setembro de 2000, o país ofereceu-se como mediador para ambos os lados. Desde então, a Jordânia tem procurado ficar em paz com todos os seus vizinhos.[61]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Geografia da Jordânia

A Jordânia é essencialmente um grande planalto cuja altitude vai decrescendo desde as serras relativamente baixas da zona ocidental (altitude máxima de 1754 m no Jabal Umm ad Dami, a sudoeste) até às fronteiras orientais.[carece de fontes?]

A parte ocidental é a mais acidentada, não só devido às cadeias montanhosas, mas também à descida abrupta até à depressão que liga o mar Vermelho ao mar Morto e ao rio Jordão.[carece de fontes?]

Todo o país é desértico ou semi-desértico, sendo a zona menos árida também aquela onde se aglomera a maior parte da população: a região noroeste, separada da Cisjordânia pelo Jordão. As maiores cidades são Amã e Irbid. Na Jordânia ficava o oásis de Azrad, que se reduziu a pó após projetos de irrigação.[carece de fontes?]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima na Jordânia é semi-seco no verão, com temperatura média em 30 ° C e é relativamente frio no inverno, com média em torno de 13 ° C . A parte ocidental do país recebe maior precipitação durante a estação de inverno, de novembro a março, e queda de neve em Amã (756 m ~ 1.280 m acima do nível do mar. Excluindo-se o vale do Rift, o resto do país está inteiramente acima de 300 m.[70]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Demografia da Jordânia
Amã, capital e maior cidade do país

O Departamento de Estatística da Jordânia estimou a população em 6.249.000 habitantes em 2011.[71] Em julho de 2014, a população foi estimada em 7.930.491 pessoas.[72] Havia 946 mil famílias na Jordânia em 2004, com uma média de 5,3 pessoas por domicílio (em comparação com 6 pessoas por agregado familiar no censo de 1994).[73]

A população da Jordânia aumentou significativamente ao longo do século XX. Em 1920, a Transjordânia tinha uma população de 200 mil pessoas, que cresceu para 225 mil em 1922 e 400 mil em 1948.[74] Quase a metade da população em 1922 (cerca de 103.000) era nômade.[74] A Jordânia tinha duas cidades com mais de 10 mil habitantes em 1946: Amã (65.754) e Sal (14.479)[74] Após o afluxo de refugiados palestinos, que fugiram durante a guerra árabe-israelense de 1948, a população de Amã aumentou para 108.412 em 1952 e as cidades de Irbid e Zarqa mais do que duplicaram a sua população de menos de 10 mil pessoas para 23 mil e 28 mil habitantes, respectivamente.[74]

Um estudo publicado por Luigi Luca Cavalli-Sforza descobriu que os jordanianos são geneticamente mais próximos dos assírios, entre todas as outras nações da Ásia Ocidental.[75]

Imigrantes e refugiados[editar | editar código-fonte]

Campo Zaatari, para refugiados sírios na Jordânia

Em 2007, havia entre 700 mil e 1 milhão de iraquianos na Jordânia.[76] Desde a Guerra do Iraque, cerca de 500 mil cristãos assírios do Iraque têm resolvido mudar para o território jordaniano de forma permanente ou temporária.[77] Havia também 15 mil libaneses que emigraram para a Jordânia após a guerra de 2006 com Israel.[78] Para escapar da violência da guerra civil em seu país, mais de 500 mil refugiados sírios fugiram para a Jordânia desde 2012.[79]

A grande maioria dos jordanianos são etnicamente árabes, grupo responsável por 95-97% da população. Os cristãos assírios são responsáveis ​​por até 150 mil pessoas, ou 0,8% da população. A maioria são refugiados falantes do aramaico oriental vindos do Iraque.[80] Os curdos chegam a 30 mil pessoas e, assim como os assírios, muitos são refugiados do Iraque, Irã e Turquia.[81]

Há cerca de 1,2 milhão de trabalhadores migrantes ilegais e cerca de 500 mil legalizados no país.[82] De acordo com a UNRWA, a Jordânia era o lar de 1.951.603 refugiados palestinos em 2008, a maioria deles cidadãos jordanianos.[83] Cerca de 338 mil deles estavam vivendo em campos de refugiados da UNRWA.[84]

Religiões[editar | editar código-fonte]

Mesquita do Rei Abdulá I

O islã sunita é a religião dominante na Jordânia. Os muçulmanos constituem cerca de 92% da população do país, sendo que 93% deles se auto-identificam como sunitas (a porcentagem mais alta do mundo), de acordo com o Pew Research Center.[85] Há um pequeno número de muçulmanos ahmadi.[86]

O islã é também a religião oficial do país. A Jordânia tem leis que promovem a liberdade religiosa, mas que ficam aquém de proteger todos os grupos minoritários. Os muçulmanos que se convertem para outra religião, bem como missionários, enfrentam discriminação social e legal.[87] De acordo com o Índice de Prosperidade Legatum, 46,2% dos jordanianos participaram regularmente serviços religiosos em 2006.[88]

O país tem uma minoria cristã que compõe cerca de 6% da população, contra 30% em 1950.[89] Os cristãos tradicionalmente ocupam dois postos ministeriais e a eles são oficialmente reservados 9 das 150 vagas no parlamento.[90] A maior posição política alcançada por um cristão na Jordânia foi a de vice-primeiro-ministro, com Marwan al-Muasher em 2005.[91] Os cristãos também são muito influentes na mídia. Os árabes cristãos, ajudados por sua educação orientada para o conhecimento ocidental e de línguas estrangeiras, dominam as empresas da área. Um estudo realizado em 1987 por uma embaixada ocidental concluiu que quase metade das famílias de líderes empresariais jordanianos são cristãs.[92]

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Governo e política[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Política da Jordânia

A Jordânia é uma monarquia constitucional, baseada na constituição de 1952, mas o rei detém amplos poderes executivos e legislativos. Ele serve como Chefe de Estado e Comandante-em-Chefe, e nomeia o poder executivo, que consiste no primeiro-ministro, conselho de ministros, e os governadores regionais. O monarca atual é Abdulá II.

O Parlamento da Jordânia consiste de duas câmaras: Câmara dos Representantes (Majlis an-Nuwāb) e Câmara do Senado (Majlis al-'Aayan).

O rei Abdulá II sucedeu seu pai Hussein, após a morte deste último, em fevereiro de 1999. Abdulá moveu-se rapidamente para reafirmar o tratado de paz da Jordânia com Israel e suas relações com os Estados Unidos. Durante o primeiro ano no poder, ele reorientou a agenda do governo sobre a reforma econômica.

Forças armadas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Forças Armadas da Jordânia

Os militares jordanianos gozam de um forte apoio dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França. Isto é devido à posição crítica do país entre Israel, Cisjordânia, Síria, Iraque e Arábia Saudita, e muito próximo ao Líbano e ao Egito. O desenvolvimento das Forças de Operações Especiais tem sido particularmente significativo, aumentando a capacidade das forças jordanianas de reagir rapidamente às ameaças à segurança do Estado.[93]

Há cerca de 50 mil soldados jordanianos que trabalham com as Nações Unidas em missões de manutenção da paz em todo o mundo. Estes soldados fornecem tudo, desde a defesa militar e treinamento da polícia local, à assistência médica e ajuda humanitária. A Jordânia ocupa a terceira posição no mundo em participação de missões de paz da ONU,[94] com um dos mais altos níveis de contribuições de tropas para missões deste tipo entre os membros das Nações Unidas.[95]

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

A Jordânia tem seguido uma política externa pró-Ocidente e manteve relações estreitas com os Estados Unidos e o Reino Unido. Estas relações foram danificadas depois da Jordânia ficar neutra e manter relações com o Iraque durante a primeira Guerra do Golfo. Após o conflito, o país restaurou em grande parte as suas relações com os países ocidentais através da participação no processo de paz do Sudoeste da Ásia e da execução das sanções das Nações Unidas contra o Iraque. As relações entre a Jordânia e os países do Golfo Pérsico melhoraram substancialmente após a morte do rei Hussein em 1999. A Jordânia é um aliado-chave dos Estados Unidos e do Reino Unido e, ao lado do Egito, é um dos dois únicos países árabes que têm tratados de paz assinados com Israel.[96][97]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Subdivisões da Jordânia
Jordan governorates named.png

A Jordânia está subdividida em 12 "governorados":

Governorado População (2008)[98] Área (km²) Densidade (/km²) Capital População (2008)[99]
Amã 1,939,405 8231 246,3 Amman 1.135.733
Irbid 950,700 1621 570,3 Irbid 650.000
Zarqa 838.250 4080 205,5 Zarqa 447.880
Balqa 349.580 1076 324,9 Salt 96.700
Mafraq 245.671 26435 9,3 Mafraq 56.340
Karak 214.225 3217 66,6 Karak 68.810
Jerash 156.680 402 379 Jerash 39.540
Madaba 135.890 2008 67,7 Madaba 83.180
Ajloun 118.496 412 287,1 Ajloun 55.000
Aqaba 107.115 6583 16,3 Aqaba 95.408
Ma'an 103.920 33163 3,1 Ma'an 50.350
Tafilah 81.000 2114 38,3 Tafilah 30.000

Economia[editar | editar código-fonte]

Amã, o centro financeiro do país
Exportações da Jordânia
Ver artigo principal: Economia da Jordânia

A Jordânia é classificada pelo Banco Mundial como um país de "renda média-alta".[100] A economia cresceu a uma taxa média de 4,3% ao ano desde 2005.[101] Aproximadamente 13% da população vive com menos de 3 dólares por dia.[101]

O PIB per capita aumentou 351% em 1970, diminuiu 30% na década de 1980, e aumentou 36% na década de 1990.[102] O país tem um acordo de livre comércio com a Turquia[103] e tem uma relação próxima com a União Europeia.[104]

A economia jordaniana é assolada pelo abastecimento insuficiente de água, petróleo e outros recursos naturais.[105] Outros desafios incluem déficit orçamental elevado, a alta dívida pública, os altos níveis de pobreza e desemprego.[101] A taxa de desemprego registrada em 2012 foi de cerca de 13% , mas muitos analistas consideram que um quarto da população em idade ativa esteja desempregada.[106] O desemprego juvenil é de quase 30%.[106] Além de ter poucos recursos naturais, a Jordânia também tem uma pequena base industrial.[106] A corrupção é particularmente pronunciada e a prática de nepotismo é generalizada.[106] O país também sofre de uma fuga de cérebros dos seus trabalhadores mais talentosos.[106] As remessas dos expatriados jordanianos são uma importante fonte de divisas.[107]

Devido ao lento crescimento interno, a alta energia, os subsídios de alimentação e um setor público inchado, a Jordânia geralmente tem déficits orçamentais anuais. Estes são parcialmente compensados ​​pela ajuda internacional.[106]

A economia da Jordânia é relativamente bem diversificada.[107] O comércio e as finanças combinados representam cerca de um terço do PIB; transporte e comunicação, serviços de utilidade pública e construção, [[mineração] e fabricação constituem o restante da economia local.[107] Apesar dos planos para aumentar o setor privado, o Estado continua a ser a força dominante na economia.[107] O governo emprega entre um terço e dois terços de todos os trabalhadores.[106]

Turismo[editar | editar código-fonte]

O turismo foi responsável por entre 10% e 12% do PIB jordaniano em 2006. Em 2010, 8 milhões de pessoas visitaram a Jordânia. O resultado foi 3,4 bilhões de dólares em receitas do turismo, 4,4 bilhões de dólares se o turismo médico for incluído.[108]

A Jordânia oferece desde locais históricos e culturais, como Petra e Gérasa, até polos de entretenimento em áreas urbanas, mais notavelmente Amã. Além disso, a recreação à beira-mar está presente em Aqaba e no Mar Morto através de inúmeros resorts internacionais. Eco-turistas têm inúmeras reservas naturais para escolher, como Reserva Natural de Dana, enquanto turistas religiosos visitam locais como o Monte Nebo e a cidade de Madaba.[carece de fontes?]

Boates, discotecas e bares existem em grandes cidades como Amã, Irbid, Aqaba, e muitos hotéis de 4 e 5 estrelas. Além disso, clubes de praia também são oferecidos no Mar Morto e em Aqaba. A Jordânia foi o palco do Petra Prana Festival em 2007, que comemorou a vitória de Petra como uma das sete maravilhas do mundo moderno, com DJs de renome mundial, como Tiesto e Sarah Main. O festival anual "Distant Heat", em Wadi Rum e Aqaba, foi classificado como uma das 10 melhores raves do mundo.[carece de fontes?]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

A Jordânia se orgulha de seu serviço de saúde, um dos melhores da região.[109] Os gastos totais em saúde feitos pelo governo em 2002 atingiram cerca de 7,5% do PIB de acordo com estatísticas oficiais, mas organizações internacionais de saúde estimam um número ainda mais elevado, de cerca de 9,3% do PIB. O CIA World Factbook estima a expectativa de vida na Jordânia em 80,18 anos, a segunda mais alta na região, após Israel.[110] A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, calculou em 73 anos a expectativa de vida dos jordanianos em 2011.[111] Havia 203 médicos para cada 100 mil habitantes nos anos 2000-2004.[112]

Cerca de 70% da população tem seguro de saúde.[113] As taxas de imunização infantil têm aumentado de forma constante ao longo dos últimos 15 anos; até 2002, imunizações e vacinas atingiram mais de 95% das crianças menores de cinco anos.[114]

A água e o saneamento básico estavam disponíveis para apenas 10% da população em 1950, enquanto que atualmente a cobertura chega a 99% dos jordanianos, de acordo com estatísticas do governo.[115]

Educação[editar | editar código-fonte]

A taxa de alfabetização de adultos em 2013 era de 97%.[116] O sistema educacional jordaniano é composto por um ciclo de dois anos de educação pré-escolar, dez anos de ensino básico obrigatório, e dois anos de ensino secundário ou formação profissional.[117] A UNESCO classificou o sistema de ensino da Jordânia na 18ª posição entre 94 nações por fornecer igualdade de gênero na educação.[118] Cerca de 20,5% do total das despesas do governo vão para a educação, em comparação com 2,5% na Turquia e 3,86% na Síria.[119][120] O número de matrículas nas escolas secundárias aumentou de 63% para 97% dos estudantes e entre 79% e 85% dos estudantes do ensino médio passam para o ensino superior.[121]

Há 2.000 pesquisadores por milhão de pessoas, em comparação com 5.000 pesquisadores por milhão para os países com melhor desempenho na área.[122] De acordo com o Índice Global de Inovação de 2011, a Jordânia é a terceira economia mais inovadora no Oriente Médio, atrás de Qatar e Emirados Árabes Unidos]. O país tem 10 universidades públicas, 16 universidades privadas e 54 faculdades comunitárias, dos quais 14 são públicas, 24 privadas e outras filiadas com as forças armadas jordanianas, o Departamento de Defesa Civil, do Ministério da Saúde e da UNRWA.[123] Existem mais de 200 mil estudantes matriculados em universidades jordanianas a cada ano. Um adicional de 20 mil jordanianos prosseguiram para o ensino superior no exterior, principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido.[124]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Mansaf, o prato tradicional do país[125]

A religião e a tradição desempenham um papel importante na moderna sociedade jordaniana. A sociedade local é relativamente tradicional, mas cada vez mais aberta aos efeitos da globalização. A Jordânia é considerado um dos países mais cosmopolitas do mundo árabe.[126]

De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos, 90% dos jordanianos muçulmanos se descrevem como "religioso" ou "relativamente religioso", sendo que 52% dos jordanianos afirmam que práticas religiosas são "assuntos privados que devem ser diferenciadas da vida social e política".[127]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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