Igreja Batista

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Igreja Batista
Orientação Protestante

Evangélica

Origem Europa, há pelo menos 400 anos
Número de membros 125 milhões no mundo
3.723.853 no Brasil (pelo censo de 2010)
Número de igrejas 455 mil igrejas no mundo
Mais de 10 mil no Brasil
Escritura(s) Bíblia Sagrada

As Igrejas Batistas são diversas denominações cristãs, com forma de governo congregacional, cuja doutrina básica se dá na salvação mediante a fé somente, tendo como regra de fé e prática a Bíblia Sagrada, e que tem como princípio primordial a separação entre Igreja e Estado[1]. Está distribuída em todo o mundo, e não possui hierarquia, tampouco governo único, visto que é princípio da maior parte das Igrejas Batistas o governo local da Igreja[2]. Os batistas reconhecem duas ordenanças de Jesus Cristo: a Ceia do Senhor e o Batismo, sendo que este último só é realizado mediante a imersão do indivíduo na água, já em idade suficiente para ter consciência do ato e desejá-lo por iniciativa própria.[3][4][5]

Igreja batista no Congo, na África.

A Igreja Batista é uma denominação histórica, cujas origens remontam à Inglaterra no início do século XVII. Tornou-se, com o tempo, uma das mais importantes denominações protestantes, com muitas igrejas na própria Inglaterra e também nos Estados Unidos, de onde missionários foram enviados a todas as partes do planeta. No Brasil, os primeiros missionários chegaram cerca de 150 anos atrás, tendo fundado, desde então, igrejas de Norte a Sul no país.

Igreja batista nos Estados Unidos

Há vários exemplos de batistas notáveis ao longo da História, dentre os quais: os missionários Adoniram Judson e William Carey (considerado o "Pai das Missões Modernas"), o ativista de direitos humanos Martin Luther King, os pregadores Billy Graham e Charles Spurgeon (considerado o "Príncipe dos Pregadores"), os presidentes norte-americanos Harry Truman, Bill Clinton e Abraham Lincoln (batista de formação), os escritores John Bunyan (autor de O Peregrino), Oswald Chambers e Israel Belo de Azevedo, os teólogos John Gill, Walter Rauschenbusch, Russell Shedd, Luiz Sayão e John MacArthur, e os atores Chuck Norris e Eddie Murphy.[6]

Igreja batista em Uganda, na África.
Igreja batista em Bangladeche, na Ásia.

A maioria das igrejas batistas escolhem associar-se em grupos de apoio mútuo e cooperação, denominados associações ou convenções, mantendo, porém, a autonomia de cada igreja local. Ou seja, não há hierarquia ou subordinação entre pastores de uma igreja e outra. Tais grupos podem ter abrangência local, regional ou até nacional. No Brasil, as principais convenções são a Convenção Batista Brasileira (a maior e mais antiga)[7], a Convenção Batista Nacional (de orientação pentecostal)[8] e a Convenção das Igrejas Batistas Independentes (de origem histórica diferente)[9]. Além disso, existe também a Aliança Batista Mundial, organização que reúne, livremente, centenas de convenções e associações ao redor do mundo.

Igreja batista em Kobe, no Japão.

No que concerne à organização interna de cada igreja local, esta é também bastante democrática. Todas as decisões importantes precisam ser aprovadas, em votação, pelos membros da igreja; assim, a assembleia dos membros tem autoridade para tratar de questões surgidas no seu dia a dia e para tomar decisões relacionadas ao desenvolvimento de seus trabalhos, inclusive para escolher um novo pastor ou eleger os diáconos.

Nome[editar | editar código-fonte]

O termo "batista" vem da palavra grega baptistés, ("batista", a mesma que descrevia João, o batista), estando relacionada ao verbo baptízo, ("batizar, lavar, imergir, mergulhar algo"), e à palavra latina baptista, que significa também "o batizador", como em "João, o batista". Como prenome, é usado na Europa nas variantes Baptiste, Jan-Baptiste, Jean-Baptiste, John Baptist e Johannes Baptiste. Também é usado como um sobrenome, cujas variações geralmente usadas são Baptiste, Baptista, Battiste e Battista. Há registros de que os anabaptistas na Inglaterra foram chamados batistas já em 1569.[10]

Rio Jordão, o rio onde João Batista batizava aqueles que haviam se arrependido de seus pecados e que aguardavam o Reino de Deus.

Tanto os católicos romanos quanto os católicos ortodoxos, há muitos séculos, realizam via de regra o batismo infantil (pedobatismo) por aspersão ou efusão; ou seja, os adeptos dessas igrejas costumam ser batizados quando ainda são bebês, derramando-se ou borrifando-se sobre eles um pouco de água. Naturalmente, tal prática continuou a ser realizada em todas as igrejas que se tornaram protestantes durante a Reforma. Os batistas são assim chamados porque foram a primeira denominação protestante significativa a adotar, como regra, o batismo adulto (credobatismo) por imersão.

Em outras palavras, entre os batistas, só se batizam aqueles que já chegaram à idade da razão, sendo necessário crer no Evangelho e decidir, por conta própria, receber o batismo, após compreender o que este ato significa. Crianças e adolescentes, portanto, também podem ser batizados; mas bebês, não (embora o batismo seja visto como um ato cerimonial, e não como condição para salvação.)

Por causa dessa compreensão da necessidade de fé pessoal para o batismo, e em conformidade com os exemplos bíblicos, o indivíduo é literalmente mergulhado na água, como era o costume na Igreja Primitiva, daí se chamar batismo por imersão. Dessa forma, pretende-se simbolizar, com o mergulho, a morte do velho homem carnal e pecador, e o surgimento do novo homem, já com uma nova natureza, espiritual, semelhante a Cristo.

Doutrina[editar | editar código-fonte]

Batismo por Imersão, que simboliza a regeneração: o velho homem morre, e surge o novo homem purificado pelas águas.
"Fazei isto em memória de mim": A Ceia do Senhor relembra que Cristo ofereceu seu corpo para ser macerado, e o seu sangue, para ser derramado, a fim de perdoar os pecados da humanidade.

Embora não haja uma rígida unidade organizacional ou doutrinária entre os batistas, alguns pontos de crença são comuns a todos eles:

  • Prática do batismo adulto e por imersão - assim como os anabaptistas, os batistas creem que o batismo seja uma ordenança para as pessoas adultas (credobatismo), isto é, pessoas que tenham consciência do ato (mesmo que sejam ainda bem novas). Trata-se de uma ordem que deve ser respeitada a menos que o indivíduo não tenha oportunidade de ser batizado. A diferença em relação aos anabaptistas, é que estes praticam o batismo por aspersão.
  • Celebração de apenas duas ordenanças - o batismo e a ceia do Senhor, repetindo-se o gesto de Cristo e dos apóstolos ao se partilhar o pão e o vinho entre todos os membros da congregação. Não há mais ordenanças além destas, porque estas são as únicas expressamente ordenadas pela Bíblia; as consagrações de bebês e de novos pastores não são consideradas ordenanças.
  • Realização de ordenanças em vez de sacramentos - os batistas creem que as ordenanças devem ser obedecidas, mas tratam-se apenas de atos simbólicos (e não obrigatórios) no que diz respeito à salvação.
  • Separação entre Igreja e Estado - antes mesmo do Iluminismo, já havia a consciência, entre os batistas, da necessidade de separação entre Igreja e Estado.[1]
  • Liberdade de consciência do indivíduo - o crente deve escolher, por sua própria consciência, se irá servir a Deus, e não por pressão do Estado ou de igreja estatal estabelecida.
  • Autonomia das igrejas locais - Os batistas enfatizam a autonomia total das comunidades locais, que podem agrupar-se em convenções, associações ou uniões de Igrejas. A exceção são os Batistas Reformados, que se originaram do Presbiterianismo, e dos Batistas Episcopais, que surgiram de missões anglicanas no Zaire.

História[editar | editar código-fonte]

Teorias de Surgimento[editar | editar código-fonte]

A história academicamente aceita sobre a origem das Igrejas Batistas é o surgimento como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII. Essa igreja nasceu quando um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas.[11]

Outros acreditam que os batistas se originaram dos anabatistas, que ganharam notoriedade durante a Reforma Protestante, mas que já existiam anteriormente, e que praticamente desapareceram depois, dando origem aos menonitas, aos amish e à Igreja Livre da Alemanha.

Há ainda aqueles que acreditam que as Igrejas Batistas surgiram na Europa através de vários grupos que pensavam da mesma forma. Não teria, portanto, data oficial de criação, pois teria surgido aos poucos em vários lugares diferentes da Europa. Nunca teria havido, oficialmente, uma igreja fundadora, nem um fundadoɾː a expressão apareceu em vários tempos e lugares diferentes.

Teoria Tradicional[editar | editar código-fonte]

Thomas Helwys, (1550-1616), co-fundador da Denominação Batista, advogado e estudioso da Bíblia, morreu defendendo a liberdade religiosa e de consciência. Em seu livreto, Uma Breve Declaração Sobre o Mistério da Iniquidade, escreveu: "A religião do homem está entre Deus e ele: o rei não tem que responder por ela e nem pode o rei ser juiz entre Deus e o homem. Que haja, pois, heréticos, turcos ou judeus, ou outros mais, não cabe ao poder terreno puni-los de maneira nenhuma."[12]

A denominação historicamente é ligada aos dissidentes ingleses ou movimentos de anticonformismo do século XVI. Um importante movimento batista surgiu em uma colônia inglesa na Holanda, num tempo de reforma religiosa intensa.[13]

John Smyth (1570-1612), clérigo anglicano, co-fundador da Denominação Batista.

John Smyth discordava da política e de alguns pontos da doutrina da Igreja Anglicana da qual ele era pastor; após uma aproximação com os menonitas, e examinando a Bíblia, creu na necessidade de batizar-se com consciência, e em seguida batizou os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim uma igreja batista organizada.[14] Até então, o batismo não era por imersão, só por volta de 1642 que os batistas particulares adotariam oficialmente essa prática, tornando-se comum depois a todos os batistas. A primeira confissão dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo.

Depois da morte de John Smyth e da decisão de Thomas Helwys e seus seguidores de regressarem para a Inglaterra, a igreja organizada na Holanda se desfez, e parte de seus membros uniram-se aos menonitas. Thomas Helwys organizou a Igreja Batista em Spitalfields, nos arredores de Londres, em 1612.[15]

Naqueles tempos, havia perseguição aos batistas e a outros dissidentes ingleses, por não concordarem com certas práticas e doutrinas da igreja oficial, a anglicana. Vale notar que dentre esses "dissidentes" destaca-se John Bunyan, um batista, que escreveu sua obra-prima O Peregrino enquanto estava preso injustamente. Devido a essa perseguição, muitas pessoas emigraram para a América, especificamente para as colônias da Nova Inglaterra (que viriam a formar os Estados Unidos).

Em solo americano, a primeira igreja batista nasceu através de Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em 1639, na colônia que ele fundou com o nome de Rhode Island, e John Clark, que organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rhode Island, em 1648. Os Batistas se espalharam pelas diversas colônias da América do Norte e foram influentes na formação da Constituição Americana, de 1788[16]. Atualmente, a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos conta com quase 16 milhões de membros, sendo a maior comunidade evangélica daquele país e a maior convenção batista do mundo.

Teoria Anabaptista[editar | editar código-fonte]

Michael Sattler (1495-1527), notório pregador anabatista.

A teoria anabatista afirma que os batistas descendem dos anabatistas, que pregaram sua mensagem durante a Reforma Protestante e no período anterior a ela.

O evento mais citado para apoiar essa teoria foi o contato que John Smyth e Thomas Helwys tiveram com os menonitas na Holanda. Todavia, além de em 1624 as cinco igrejas batistas existentes em Londres terem publicado um anátema contra as doutrinas anabatistas,[17] também os anabatistas modernos rejeitam ser denominados batistas, e há pouca relação entre os dois grupos.

Menno Simons, pregador anabatista que deu origem aos menonitas, um ramo dos anabatistas.

Entre os anabatistas e os batistas há algumas similaridades:

  • Crença no Batismo adulto e voluntário;
  • Visão do Batismo e da Ceia do Senhor como ordenanças;
  • Separação da Igreja e Estado.
  • Enfatizam a experiência da regeneração ("nascer de novo")
  • Doutrina da soteriologia.

Existem, contudo, algumas diferenças entre os batistas e os anabatistas modernos (por exemplo os menonitas)[18]:

  • Os anabatistas normalmente praticam o batismo adulto por aspersão, e não por imersão como os batistas;
  • Os anabatistas são pacifistas extremos e se recusam a jurar;
  • Os anabatistas creem em uma doutrina semi-nestoriana sobre a Natureza de Cristo, o qual não teria recebido nenhuma parte humana de Maria;
  • Os anabatistas enfatizam a vida comunal, enquanto os batistas, a liberdade individual;
  • Os anabatistas recusam a participar do Estado, enquanto os batistas podem ser funcionários públicos, prestar serviço militar, possuir cargos políticos;
  • Os anabatistas creem em um estado de "sono da alma" entre a morte e a ressurreição.

Teoria da Sucessão Apostólica[editar | editar código-fonte]

A Teoria de Sucessão Apostólica, ou JJJ (João - Jordão - Jerusalém) postula que os batistas atuais descendem de João Batista ou dos próprios apóstolos, e que este movimento teria continuado através de uma sucessão de igrejas (ou grupos) que batizavam apenas adultos, como os montanistas, novacianos, donatistas, paulicianos, bogomilos, albigenses e cátaros, valdenses e anabatistas.[19] Os batistas landmarkistas, por exemplo, utilizam este ponto de vista para se autoproclamarem a única igreja verdadeira. Geralmente os proponentes desta teoria afirmam que os pontos doutrinários que os batistas sustentam são os mesmos da igreja primitiva, transmitidos de geração em geração. Nessa perspectiva, os batistas não seriam protestantes.[20]

Essa teoria apresenta alguns problemas, como o fato de que grupos como os bogomilos e cátaros eram adeptos de doutrinas gnósticas, sendo que o gnosticismo é contrário às doutrinas batistas. Além disso, alguns desses grupos que sobrevivem até o presente, tais como os valdenses e os paulicianos, não se identificam com os batistas.

Esta teoria, assim como a Teoria Anabaptista, é rejeitada por muitos historiadores Batistas como Henry C. Vedder[21] e Robert G. Torbet,[22] mas é sustentada teologicamente por alguns ramos batistas. Para eles, várias igrejas batistas foram fundadas em diversas épocas com fundadores diferentes.[23]

Expansão mundial[editar | editar código-fonte]

William Carey, missionário considerado o Pai das Missões Modernas; colaborou diretamente para a erradicação da prática do sati (pela qual a viúva era queimada viva na pira funerária do seu marido falecido); junto com outros dois missionários, traduziu a Bíblia para nada menos que 44 idiomas indianos, o equivalente a 1/3 da população do Planeta.[24]

Em 1791, um jovem pastor inglês chamado William Carey criou a Sociedade de Missões no Estrangeiro, para dar suporte no envio de missionários, sendo a Índia o primeiro campo missionário.

Igreja Batista de Hong Kong, na China.

As Igrejas Congregacionais americanas enviaram Adoniram e Ana Judson em 1812, para evangelizar a Índia, com destino a Calcutá. O casal encontrou-se com o missionário batista William Carey e seu grupo de pastores, e aceitou a doutrina de imersão dos batistas e foram batizados pelo Pastor William Ward. Outro missionário congregacional também enviado à Índia, Luther Rice, tornou-se batista. Os Judsons permaneceram na Birmânia, atual Myanmar, e Luther Rice voltou aos Estados Unidos para mobilizar os batistas para a obra missionária.

Consequentemente, em maio de 1814, foi fundada uma Convenção em Filadélfia com o nome de "Convenção Geral da Denominação Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro". Desde então missionários batistas foram enviados à América Latina, África, Ásia e Europa.

Igrejas Batistas no Brasil[editar | editar código-fonte]

Thomas Jefferson Bowen, o primeiro missionário batista no Brasil.

Acredita-se que o primeiro missionário batista no Brasil tenha sido Thomas Jefferson Bowen. Ele era missionário americano na Nigéria, África, trabalhando entre os nativos da tribo iorubá[25]. Depois de algum tempo na África, retornou aos EUA, e foi enviado, em 1860, para o Brasil, uma vez que muitos escravos que falavam o dialeto iorubá (língua corrente entre os negros traficados) e podiam ser alcançados, isto é, aderirem ao Evangelho.

Oito meses depois, devido a problemas de saúde e porque as autoridades o impediram de pregar o evangelho, visto que sua mensagem se distanciava dos ensinos católicos (até então a religião oficial do país), Bowen precisou retornar ao seu país, desta vez em definitivo.

Os imigrantes dos Estados Unidos fundaram a primeira igreja batista do Brasil. Na foto, a Capela do Campo, no Cemitério do Campo, em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo.

Posteriormente, por força da Guerra Civil Americana de 1865, confederados do Sul dos Estados Unidos começam a buscar outras terras de potencial agrícola. O Brasil foi um dos países escolhidos. Logo, em 1867, grupos de estadunidenses que somaram mais de 50.000 pessoas desembarcam nos portos brasileiros em busca de refúgio e terra fértil, vasta e barata. Avançando para o continente, escolhem a cidade de Santa Bárbara d'Oeste para adquirirem terras e fixarem residência. Entre os emigrados, a maioria professava o protestantismo, muitos eram batistas. Já em 1870, fizeram publicar um "Manifesto para Evangelização do Brasil." Tal manifesto, assim que publicado contou com assinaturas de Presbiterianos, Metodistas, Congregacionais e, por um batista, o jovem Pastor Richard Raticliff, um dos emigrados, cuja família havia convertido através de Thomas Jefferson Bowne nos Estados Unidos. Em 1871, Batistas emigrados dos Estados Unidos organizam a Primeira Igreja Batista no Brasil Para Estrangeiros em Santa Bárbara d'Oeste. Anos mais tarde, em 1879, outro grupo de emigrados faz surgir a segunda Igreja Batista em solo brasileiro, em Santa Bárbara d'Oeste, no bairro da Estação, onde, atualmente, se localiza a cidade de Americana. Os Batistas de então, em Santa Bárbara d'Oeste, se unem para solicitar, à Junta de Richmond, dos Estados Unidos, o envio de missionários ao Brasil. O trabalho de evangelização foi intenso e os brasileiros tornaram-se menos preconceituosos quanto à nova doutrina. Em 1881, chegam William Buck Bagby e Ana Luther Bagby; Zacarias Taylor e Katarin Taylor. Os primeiros missionários são recebidos em Santa Bárbara d'Oeste e logo filiam-se à Igreja Batista existente e começam a estudar a língua portuguesa, tendo Antonio Teixeira de Albuquerque como professor.

William Buck Bagby e sua esposa, Anne (Ana) Luther Bagby, pioneiros batistas nos trabalhos evangelísticos no Brasil.

Pouco tardou para que os dois casais de missionários, unindo-se a Antonio Teixeira de Albuquerque rumassem para o Estado da Bahia, onde em 1882, organizaram a primeira congregação formada por brasileiros e a chamou de Primeira Igreja Batista do Brasil Para Brasileiros em Salvador (seria, oficialmente, a primeira igreja Batista do Brasil, embora já houvesse duas outras Igrejas Batistas, organizadas por imigrantes norte-americanos, residentes na região de Santa Bárbara do D'Oeste e Americana, em São Paulo.[16]). Em um ano, aquela igreja já contava setenta membros. Salvador também possuía uma comunidade de estadunidenses que fugiram da Guerra de Secessão. Enquanto isto, no Recife, o missionário batista William Buck Bagby participa da conversão do sacerdote católico Antônio Teixeira de Albuquerque. Por causa de perseguição, Teixeira de Albuquerque tentou refugiar-se em Maceió, sua terra natal, mas acabou mais tarde escolhendo Capivari, no Estado de São Paulo. Vindo a conhecer os batistas em Santa Bárbara d'Oeste, batiza-se, é ordenado pastor e ajuda a comandar a evangelização que se iniciava entre brasileiros, franceses, ingleses e estadunidenses.O Pastor Antonio Teixeira de Albuquerque, casado, rumou a Maceió, onde organiza a Primeira Igreja Batista e prega para seus pais. A vida de Teixeira de Albuquerque foi curta, vindo a falecer aos 46 anos de idade.

Antônio Teixeira de Albuquerque, primeiro brasileiro a ser pastor batista.

De Salvador, os missionários seguiram para outras capitais, plantando igrejas. De volta a São Paulo, com outros missionários recém-chegados foram organizando outras novas igrejas a partir de 1899 em São Paulo, Jundiaí, Santos, Jacareí, Campinas, São José dos Campos, entre outras cidades. Já em 1904, eram sete Igrejas Batistas no Estado de São Paulo. Essas, reunindo-se em Jundiaí, organizaram, em 1904, a Convenção Batista do Estado de São Paulo, então chamada de União Baptista Paulistana. Entretanto, vale destacar que o missionário Salomão Luiz Ginsburg havia sido o primeiro a sugerir a organização de uma convenção de âmbito nacional dos batistas brasileiros, ideal este que viria a se concretizar em 1907.[16]

Salomão Luiz Ginsburg, missionário de origem judaico-polonesa que fundou igrejas de São Paulo a Pernambuco, traduziu 102 hinos para o Português, e criou o Cantor Cristão, hinário dos batistas.

Antes da Proclamação da República, a religião oficial do Brasil era a Católica Romana, conforme estabelecido na Constituição Imperial de 1824, e havia limitações à liberdade de culto, embora o culto e a divulgação (pregação) fossem permitidos. Cumpre destacar que D. Pedro II tinha o casal missionário Kalley em alta estima, e nunca se opôs ao surgimento do protestantismo no país; muito pelo contrário, era um leitor ávido da Bíblia Sagrada, e até mesmo ouvia os missionários pessoalmente, tendo-se encantado pelas Sagradas Escrituras. Há registros, inclusive, de que quando um colportor (vendedor de Bíblias) protestante foi preso, em razão da atividade que exercia, por um delegado no Sergipe, o imperador prontamente mandou soltá-lo, apontando que não havia justificativa nenhuma para a prisão, visto que as leis do Império não proibiam aquela atividade.

Não obstante, havia entre a população forte intolerância contra os protestantes; o missionário batista Salomão Luiz Ginsburg, por exemplo, chegou a correr perigo de morte, por causa de uma multidão que veio com enxadas e paus na direção dele, acreditando que ele era um dos anticristos dos últimos dias, conforme o padre local havia dito[26]. Todavia, em 1891 a liberdade religiosa estaria consagrada na nova Constituição (ainda que, por ora, apenas no papel), porém ainda passariam muitas décadas até que os batistas e outros grupos evangélicos fossem mais bem aceitos pela sociedade.

Nos primeiros vinte e cinco anos de trabalho (desde 1882), Bagby e Taylor, auxiliados por outros missionários, e por um número crescente de brasileiros, evangelistas e pastores, já tinham organizado 83 Igrejas, com aproximadamente 4.200 membros. A. B. Deter, Zacarias Taylor e Salomão Ginsburg concordaram, então, em dar prosseguimento ao plano de criar uma convenção de âmbito nacional. Em seguida, eles conseguiram a adesão de outros missionários e de líderes brasileiros, inclusive Francisco Fulgêncio Soren. Em 1907, em Salvador, com a presença e apoio de 43 delegados, mensageiros e representantes de 39 igrejas e organizações, é realizada, em sessão solene, a primeira Assembleia da Convenção Batista Brasileira.[16]

A motivação básica da criação da Convenção foram missões, e falava-se na evangelização de Portugal, Chile e África. Foram criadas duas Juntas Missionárias: a de Missões Nacionais e a de Missões Estrangeiras (hoje Missões Mundiais). Além dessas, foram criadas várias outras Juntas; ao todo, sete. As áreas de Missões, Educação Religiosa e Publicações, Educação Teológica e Educação (em geral), foram as que receberam maior atenção dos convencionais.[16]

Em 1914, eclode a Primeira Guerra Mundial, que faria ferver, até 1918, toda a Europa. A Europa, destruída, vê muitos de seus habitantes saírem em busca de novas terras. O Brasil e, principalmente, o Estado de São Paulo, com um grande avanço na agricultura (café, cana-de-açúcar e cereais), torna-se alvo de muitos desses europeus. Fugindo da guerra, aportam, no Brasil, muitos protestantes. Somaram-se, a eles, as dezenas de casais de missionários dos Estados Unidos que continuavam chegando...

Batistas em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal os Baptistas estão presentes desde o século XIX, quando missionários e expatriados britânicos fundaram a igreja no país. Em 1888, o missionário inglês Joseph Charles Jones (1848-1928) organiza uma comunidade baptista de comunhão aberta no Porto.[27] Em 1920, já havia congregações baptistas o bastante para fundar a Convenção Baptista Portuguesa.[28]

Estão agrupados na Associação das Igrejas Baptistas Portuguesas (19 igrejas); Convenção Baptista Portuguesa (90 igrejas, pouco mais de 4 mil membros, filiada à WBA); (Campo Missionário das Igrejas Baptistas de Carreiros, Rio Tinto Gondomar, Trofa (Valderigo), Santo Tirso (Cavadas) e Sequeirô (Rosal, Santo Tirso), constituída por 4 Igrejas e 10 Missões e Núcleos e um Templo em Água Longa Agrela.); Associação das Igrejas Baptistas para o Evangelismo Mundial (AIBEM) (10 igrejas); Igrejas Baptistas Independentes (grupo pentecostal-batista de origem sueco-brasileira, 7 igrejas) e outras congregações e igrejas.

Igreja Batista em Benim, na África.

Organização[editar | editar código-fonte]

Igreja Batista no oeste do Canadá.

Em termos de organização, a maior parte das igrejas batistas operam no sistema de governo congregacional, isto é, cada igreja batista local possui autonomia administrativa, regida sob o regime de assembleias de caráter democrático. A grande maioria das igrejas batistas são associadas a "convenções", que são, na verdade, associações de igrejas batistas que procuram auxiliar umas às outras em diversos aspectos, como jurídico, financeiro e formacional (criação de novas igrejas). Essas associações não possuem qualquer poder interventor nas igrejas, pois uma das características da maioria dos batistas é a autonomia de cada igreja local.

Igreja Batista na Suécia.

Os batistas tradicionalmente evitaram o sistema hierárquico episcopalista como é encontrado na Igreja Católica Romana ou Igreja Anglicana, entre outras, como entre os metodistas. Todavia, existem exceções, tais como a Igreja Episcopal Batista (de governo, obviamente, episcopal), presente em vários países da África, ou a Igreja Batista Reformada, de governo presbiterial, e ainda, em algumas igrejas independentes, formas de episcopalismo, de orientação pentecostal.

Igreja batista no Haiti, América Central.

A maior parte das igrejas batistas e suas associações encontra-se filiada à Aliança Batista Mundial, fundada em 1905, reunindo atualmente pouco mais de 42 milhões de membros em cerca de 121 países, mas importantes organizações como a Southern Baptist Convention (Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos) com 16,6 milhões de membros, se desligaram da Aliança, ou simplesmente, centenas de convenções e associações remanescem sem filiação internacional (quase 1 milhão de batistas no Brasil não participam da organização), então estima-se que o número de batistas no mundo esteja em cerca de 125 milhões de membros, dos quais cerca de 48 milhões são simplesmente batistas, 49 milhões são batistas pentecostais/carismáticos, e 26 milhões são batistas independentes.[29][30]

Associações Batistas no Brasil[editar | editar código-fonte]

Estas são as principais convenções batistas no Brasil:

  • A Convenção Batista Brasileira foi organizada em 1907. Em 2018, possuía 8.753 igrejas, 4.944 congregações e missões espalhadas em todo o território nacional, e 1.706.003 membros;[31] a mesma também possui vários colégios, faculdades, seminários, acampamentos, lares de crianças, lares de idosos, hospitais, centros de recuperação para usuários de drogas, todos mantidos em convênios com as convenções estaduais[32] e regionais, e igrejas locais. Desde 2008 um dos grandes destaques são as Cristolândias: Programa permanente de prevenção, recuperação e assistência a dependentes químicos e codependentes, que busca a transformação destas vidas por meio do Evangelho de Jesus Cristo, para que sejam livres do vício e aptas a reinserção social e familiar. Atualmente a Cristolândia desenvolve seu trabalho em 6 estados e o DF. São 37 unidades de atendimento que apoiam diariamente milhares de pessoas. Existem também duas juntas missionárias ligadas à CBB: a Junta de Missões Nacionais e a Junta de Missões Mundiais, que dão suporte ao trabalho de milhares de missionários, a partir da contribuição de igrejas locais e contribuintes individuais. A CBB está filiada à Aliança Batista Mundial.
    Culto na Igreja da Lagoinha, em Belo Horizonte.
  • A Convenção Batista Nacional (renovada) nasceu em 1958, quando foi aceito o batismo pentecostal por alguns batistas em Belo Horizonte, ocorrendo então um desmembramento parcial da CBB. Em 1967, o pastor Enéas Tognini organizou a CBN, reunindo 60 igrejas. Grande parte dessas igrejas denominam-se "Batistas Renovadas". Hoje, a CBN conta com 2.271 igrejas organizadas, quase 2 mil congregações e missões, e 412.750 membros espalhados pelo Brasil (dados de 2015). A Convenção adota o pentecostalismo, mas continua filiada à Aliança Batista Mundial.[33]
  • A Convenção das Igrejas Batistas Independentes tem a sua origem no trabalho da Missão de Örebro, um movimento na Suécia. O missionário Erik Jansson veio em 1912 para atender colonos suecos residentes no município de Guarani, Rio Grande do Sul, mas mais tarde o grupo espalhou-se por outros estados. Conta com pelo menos 68 mil membros filiados à CIBI, com grande presença nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, em pouco mais de 800 igrejas, dados de 2013, e também são filiados à Aliança Batista Mundial.[34]
  • A partir da década de 1930, surgiram grupos de cunho mais conservador e fundamentalista, como a Convenção Batista Conservadora fundada em Bagé, Rio Grande do Sul, que não teve origem e nem possui ligação direta com a de mesmo nome norte-americana, trata-se de divisão ocorrida no início dos anos 1980, onde um grupo de igrejas oriundas da Convenção das Igrejas Batistas Independentes (CIBI), formaram a União Conservadora Batista Independente (UCBI), e posteriormente adotou sua atual denominação; há também a Comunhão Batista Bíblica Nacional, organizada em 1973, contando com cerca de 100 igrejas e congregações; a Igreja Batista Fundamentalista e a Igreja Batista Regular que são pouco numerosos, correspondendo-se aos de sua denominação norte-americana e canadense. Os Batistas Regulares possuem quase 700 igrejas no país, sendo 400 ligadas à sua Associação (AIBREB) e à Associação Geral (GARBC).
  • Embora a Convenção Batista Brasileira aceite as doutrinas da eleição, há igrejas batistas que se proclamam também calvinistas, e são filiadas a diversas convenções ou simplesmente, independentes. No Brasil, há um grupo cujo objetivo é estreitar laços de comunhão entre seus membros, em geral filiados a igrejas batistas reformadas: trata-se da Comunhão Reformada Batista no Brasil.
  • Há, também, no Brasil, os chamados Batistas do Sétimo Dia (têm o sábado como dia de santificação). Eles vieram de um grupo de Adventistas do Sétimo Dia de Curitiba/PR que não concordou com vários pontos doutrinários da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foram organizados de forma autônoma, passaram a ter comunhão doutrinária com a Igreja Batista do Sétimo Dia de Hamburgo, Alemanha e depois foram afiliados à Federação Mundial Batista do Sétimo Dia, na década de 1960. Hoje, há igrejas batistas do Sétimo Dia nas cinco regiões do Brasil. A diferença deles para os Adventistas quanto à guarda do sábado é que o dia de descanso é um sinal da aliança com Deus e não são fundamentalistas ao ponto de relacionar a salvação com a observância do sábado como dia de descanso. Parte das Igrejas Batistas do Sétimo Dia são, também, filiadas à Aliança Batista Mundial.
  • Existem também centenas de igrejas batistas sem filiação, muitas delas de orientação carismático-pentecostal. Todas essas igrejas batistas independentes, e pequenas convenções, somam hoje mais de 1 milhão de membros em todo o país, conforme dados do censo do IBGE de 2010. Boa parte destas Igrejas independentes adotaram sistema episcopal, mantém filiais ao invés de igrejas associadas, e não são filiadas a qualquer associação ou convenção.
  • Em 1953, várias Igrejas Batistas de orientação landmarkista, afiliadas à Associação Batista Missionária da América, formaram a Associação Batista Brasileira. Esta associação é presidida pelo Pastor Osvaldo de Andrade Freitas desde 2012.
  • Uma das convenções que surgiram embaladas pela renovação espiritual que as igrejas batistas brasileiras experimentavam foi Convenção Batista Missionária do Brasil (CBMB), que tem a sua origem em 1979 a partir de um grupo de igrejas batistas liderado pelo pastor Valdomiro Luiz de Souza, tornando-se convenção em 1987. Hoje a CBMB está presente em pelo menos igrejas seis estados Brasileiros e sustenta missionários em outros países, e o seu atual presidente é o reverendo Manoel Jorge de Lima.
  • Ainda no Brasil, uma das mais jovens convenções é a Convenção Batista Renovada [nota 1], anteriormente denominada de Conbras-IBR, que também reúne Igrejas Batistas Renovadas em pelo menos 40 cidades brasileiras.
  • Por fim, há a Aliança de Batistas do Brasil,[35] que foi fundada em 2005 em Maceió, na Igreja Batista do Pinheiro, contando atualmente com a subscrição de dezoito pastores. Afirma ser um organismo de identidade batista e caráter ecumênico, cujo objetivo seria a "formação de uma rede de indivíduos e instituições visando à concretização da liberdade e dos princípios que historicamente identificam o movimento batista". Entretanto, apresenta viés liberal moralmente e teologicamente[36] e alinhado à perspectiva marxista[37], o que a difere de todas as outras convenções.

Cronologia[38][editar | editar código-fonte]

John Smyth, co-fundador da Igreja Batista.

1608 -- Fuga de John Smyth (1570-1612) e Thomas Helwys (1550-1616), junto com outras pessoas da congregação puritana de Lincolnshire, para Amsterdã (Holanda).

1609 -- Autobatismo e batismo de toda a congregação, por aspersão, realizado por Smyth, em Amsterdã, por entenderem que não era válido o batismo anterior à regeneração.

1611 -- Publicação da primeira declaração de fé batista, escrita por Thomas Helwys, sob o título: "A declaration of faith of English people remaining at Amsterdam in Holland" ("Declaração de fé do povo inglês permanecendo em Amsterdã, Holanda"). Helwys morreu na prisão por causa deste livro.

1612 -- Volta de alguns membros da igreja à Inglaterra, estabelecendo em Spitalfield (Londres) a primeira igreja batista em solo inglês, com teologia geral (arminiana). Em 1624, havia 7 igrejas; em 1647, 47 igrejas batistas gerais autônomas.

1612 -- Publicação, por Helwys, do livrete "A Short Declaration of the Mystery of Iniquity" ["Breve Declaração sobre o Mistério da Iniquidade"], para defender a liberdade religiosa.

1616 -- Surge a primeira igreja batista de confissão particular (calvinista, predestinista), pastoreada por Henry Jacob (1616-1622), John Lathrop (1624-1634) e Henry Jessey (1637-1639). Desta igreja surgiram outras quatro.

Roger Williams, fundador da primeira igreja batista nas Américas e fundador da Colônia de Rhode Island, pioneira mundial no estabelecimento da liberdade religiosa.[42]

1638 -- Surgimento da primeira igreja batista nos Estados Unidos, sob a liderança de Roger Williams (1603-1684).

John Bunyan, autor do livro O Peregrino

1641 -- Início da prática da imersão (em função da leitura e discussão de Colossenses 2:12 e Romanos 6:4, discussão principiada em 1610, com Henry Jacob), com Richard Blunt batizando Samuel Blacklock, e estes, aos outros 53 membros da igreja.

1644 -- Publicação da primeira confissão de fé dos batistas particulares ("First London Confession"  -- "Primeira confissão de Londres), assinada por sete igrejas formando uma Associação.

1644 -- Primeira referência ao nome "batistas", apelido dado por adversários, e que recusavam, preferindo ser chamados de "Irmãos" ou "Irmãos do Caminho Batizado" ou ainda membros das "Igrejas Batizadas".

1650 -- Organização da pequena congregação batista do Tabernáculo, em Londres, cujo primeiro pastor foi William Rider, a qual viria a ser, dois séculos depois, a maior igreja não-anglicana da Inglaterra.[43][44]

1660 -- Organização da Associação dos Batistas Gerais de Londres.

1673 -- Introdução de hinos nos cultos (uma iniciativa pioneira entre os evangélicos ingleses, que só cantavam os salmos).

1678 -- Publicação de "O peregrino" ("Pilgrim's Progress"), de John Bunyan (1628-1688), traduzido em mais de 200 idiomas.

1689 -- Publicação da "London Baptist Confession of Faith" (Confissão Batista de Fé, de Londres), de orientação teológica calvinista.

1707 -- Organização da Associação Batista da Philadelphia, a primeira nos Estados Unidos, que adota a confissão calvinista de 1689.

1787 -- Envio de pedido ao parlamento inglês para abolição da escravidão pela Assembléia Geral dos Batistas Gerais.

Guilherme Carey, considerado o Pai das Missões Modernas.

1792 -- Fundação entre os batistas particulares, por William Carey (1761-1834) e outros, da Sociedade Batista para a Propagação do Evangelho entre os Pagãos (depois, Sociedade Missionária Batista).

1793 -- Nomeação de William Carey e John Thomas como missionários à Índia.

Adoniram Judson, missionário por 40 anos na Birmânia, traduziu a Bíblia para o birmanês.

1812 -- Envios dos casais Adoniram e Ann Judson e Samuel e Harriet Newell à Índia.

1845 -- Surgimento da Southern Baptist Convention (Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos).

Charles Haddon Spurgeon, o "Príncipe dos Pregadores".[45][46]

1857 -- Em 7 de outubro, o pastor Charles Haddon Spurgeon prega a 23.654 pessoas no auditório do Crystal Palace, em Londres, sem auxílio de microfone.[47]

O projeto foi construído sem as torres originalmente planejadas devido ao alto custo que exigiriam para sua construção.
Projeto original do Tabernáculo Metropolitano de Londres, a igreja de Charles Spurgeon (1834-1892).

1861 -- Inauguração do templo do Tabernáculo Metropolitano, igreja onde Spurgeon exporia seus sermões por décadas.[47]

1866 -- Criação do Livro sem Palavras, de Spurgeon, um método simplíssimo de evangelismo que seria expandido por Moody e utilizado para explicar o Evangelho a milhões de pessoas, principalmente crianças e incultos.[48]

1871 -- Organização da primeira igreja batista no Brasil, em 10 de setembro, na cidade de Santa Bárbara (SP).

1880 -- Batismo e ordenação ao ministério de Antônio Teixeira de Albuquerque (1840-1887), o primeiro pastor batista brasileiro.

1882 -- Fundação da segunda igreja batista no Brasil, em 15 de outubro, em Salvador (BA).

1884 -- Fundação da terceira igreja batista no Brasil, em 24 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ).

1888 -- Organização, em Portugal, de uma comunidade baptista de comunhão aberta na cidade de Porto, pelo missionário inglês Joseph Charles Jones (1848-1928), que viria a ser, em 1908, a primeira igreja batista naquele país.[27]

Salomão Luiz Ginsburg, missionário que fundou igrejas em seis Estados brasileiros (de São Paulo ao Pernambuco) e que propôs a criação de uma associação batista de âmbito nacional.[16]

1891 -- Aparecimento do Cantor Cristão, com 16 hinos, editada por Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927), "o judeu errante", nomeado neste ano como missionário no Brasil.

1891 -- Surgimento da União Batista da Grã-Bretanha, unificando os batistas particulares e gerais.

1892 -- Fundação da Fraternidade do Reino, por Walter Rauschenbusch (1861-1918) e seus amigos, para uma compreensão do reino do cristianismo que fosse além da salvação individual.

1901 -- Fundação de O Jornal Batista.

1902 -- Fundação do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife.

1905 -- Organização da Aliança Batista Mundial em Londres. Os batistas somam 50 milhões de membros de igrejas no mundo, sendo 1,2 milhão no Brasil.

Billy Graham (1918-2018), pregador de reputação ilibada que anunciou o Evangelho a centenas de milhões de ouvintes.

1907 -- Organização da Convenção Batista Brasileira, em Salvador (BA).

1908 -- Fundação do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro.

1908 -- Recomendação de Crispiano Dario da Silva como o primeiro missionário ao interior do país (Acre).

1911 -- Envio do primeiro missionário brasileiro ao estrangeiro (João Jorge de Oliveira, para Portugal).

1916 -- Tradução e adaptação da Confissão de Fé de New Hampshire como a declaração doutrinária dos batistas brasileiros, que só seria substituída em 1986.

1920 -- Organização da Convenção Batista Portuguesa.[28]

1935 -- Publicação do livro devocional My Utmost for His Highest, de Oswald Chambers (1874-1917).[49]

1940 -- Publicação da primeira edição da tradução de Almeida da Bíblia, pela Imprensa Bíblica Brasileira.

1949 -- Primeira grande campanha evangelística de Billy Graham, em Los Angeles.[50][51]

1955 -- Início do boicote de Montgomery (Alabama, EUA) por Martin Luther King Jr. (1929-1968), símbolo da luta batista pela justiça social.

1960 -- Realização de conferência evangelizadora no estádio do Maracanã (Rio de Janeiro), com a presença de perto de 200 mil pessoas, tendo Billy Graham (1918-2018) como pregador.

Pr. Rubens Lopes, que liderou a Campanha Nacional de Evangelização em 1965.

1965 -- Realização da Campanha Nacional de Evangelização (com o seguinte alvo: 1 +1 = 500 mil), sob a liderança de Rubens Lopes.

1969 -- Fundação do Seminário Teológico Baptista, em Queluz (Portugal), destinado a ser uma instituição estável e permanente.[52]

1974 -- Publicação da primeira declaração doutrinária elaborada no Brasil por iniciativa e execução do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

Russel Shedd (1929-2016), teólogo amplamente reconhecido por sua profunda devoção a Deus, formidável conhecimento bíblico e valioso legado doutrinário-educacional à igreja brasileira.

1976 -- Publicação da primeira Bíblia de Estudo, evangélica, em Português, por obra de Russell Shedd.[53]

1986 -- Publicação da Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, preparada no Brasil.

1991 -- Publicação do Hinário para o Culto Cristão.

2008 -- Publicação do Novo Testamento em Xerente, preparada por Guenther Carlos Krieger.

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Leonard, Bill J. Baptist Ways: A History (2003)
  • John H. Y. Briggs (ed.): A Dictionary of European Baptist Life and Thought. Paternoster, Milton Keynes u.a. 2009 (564 p.), ISBN 978-1-84227-535-1.
  • H. Leon McBeth: A Sourcebook for Baptist Heritage. Broadman Press, Nashville (Tennessee) 1990.
  • Ernest A. Payne: The Fellowship of Believers – Baptist Thought and Practice Yesterday and Today. London 1944.
  • Ian M. Randall: Communities of Conviction. Baptist Beginnings in Europe. Neufeld Verlag, Schwarzenfeld 2009, ISBN 978-3-937896-78-6.
  • Albert Wardin: Baptists Around the World – A Comprehensive Handbook. Nashville, USA, 1995.
  • Charles Willams: The Principles and Practices of the Baptists – A Book for Inquirers. London 1880.
  • Roger E. Olson: The Story of Christian Theology - Downers Grove, Illinois, EUA 1999

Notas

  1. Não confundir com a Convenção Batista Nacional, cujas igrejas são também "renovadas".

Referências

  1. a b Macri, Sylvio. «A Separação entre Igreja e Estado, um Princípio Distintivo dos Batistas». Prazer da Palavra. Consultado em 31 de julho de 2018. 
  2. Igreja Batista da Redenção. «Os Tipos de Governo da Igreja». Consultado em 20 de dezembro de 2016. 
  3. «Princípios Batistas». Convenção Batista Brasileira. Consultado em 26 de junho de 2018. 
  4. «Manual Básico Batista Nacional: Princípios Batistas» (PDF). Convenção Batista Nacional. Consultado em 26 de junho de 2018. 
  5. Frank S. MEAD e Samuel HILL. Handbook of Denominations 9th Edition. [S.l.: s.n.] pp. p. 36 
  6. «Famous Baptists (página em Inglês)». Adherents.com. Consultado em 26 de junho de 2018. 
  7. «Convenção Batista Brasileira» 
  8. «Convenção Batista Nacional» 
  9. «Convenção das Igrejas Batistas Independentes» 
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  13. Romaryw Borges. «Sobre a doutrina e a origem da Igreja Batista». Consultado em 20 de dezembro de 2016. 
  14. Lee, Jason (2003). The Theology of John Smyth: Puritan, Separatist, Baptist, Mennonite. Macon, GA: Mercer University Press. p. 41.
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  23. «Estudo sobre a HISTÓRIA DAS IGREJAS CRISTÃS por Pastor Gilberto Stefano». www.palavraprudente.com.br. Consultado em 22 de maio de 2016. 
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  51. Rasmussen, Cecilia (2 de setembro de 2007). «Billy Graham's star was born at his 1949 revival in Los Angeles». Los Angeles Times. Consultado em 31 de julho de 2018. 
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