Clodovil Hernandes

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Clodovil Hernandes
Clodovil em 2009.
Deputado federal por São Paulo São Paulo
Período 1º de fevereiro de 2007
até 17 de março de 2009
Vida
Nascimento 17 de junho de 1937
Elisiário, São Paulo
Morte 17 de março de 2009 (71 anos)
Brasília, Distrito Federal
Dados pessoais
Partido Partido Trabalhista Cristão (2005-2007)
Partido da República (2007-2009)
Profissão Estilista, apresentador de televisão e político

Clodovil Hernandes (Elisiário, 17 de junho de 1937[1]Brasília, 17 de março de 2009[1]) foi um estilista, ator, apresentador de televisão e político brasileiro, Atuou como estilista e apresentador de programas em diversas emissoras. Tornou-se o terceiro deputado federal mais votado do País nas eleições de 2006, com 493 951 votos ou 2,43% dos votos válidos. Foi conhecido principalmente pela postura controversa e por declarações consideradas impróprias ou indelicadas, muitas vezes dirigidas a outras personalidades famosas, incluindo acusações de racismo e antissemitismo.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família e educação[editar | editar código-fonte]

Clodovil Hernandes nasceu em Elisiário, no interior do estado de São Paulo. Ainda bebê, ele foi adotado por um casal de imigrantes espanhóis, o comerciante Domingos Hernandes, natural de Múrcia, e sua esposa Izabel Sánchez Hernandes (1908-1986), natural de Jaén. Por erro de cartório, a criança foi registrada pelos pais adotivos como Clodovir Hernandes.[carece de fontes?]

Clodovil sempre teve um relacionamento mais próximo com sua mãe, uma mulher enérgica e vaidosa, que foi “a única mulher que amou em sua vida”. Segundo Clodovil, a mãe não lhe quis quando chegou, porque não queria aquela “coisa feia”. Felizmente, porém, Isabel aprendeu a amá-lo com o convívio.

Quando Clodovil ainda era pequeno, a família vendeu a sua parte de uma fazenda e se mudou para Catanduva, residindo nessa cidade por dois anos até se transferir para Floreal, onde Domingo Hernandes estabeleceu um loja de tecidos. O negócio da família foi o primeiro contato do futuro estilista com a moda, e Clodovil, escondido do pai, costumava dar palpites de vestuário para sua mãe, suas tias e primas.

Apesar de ter poucos recursos, os pais de Clodovil não pouparam esforços para que o filho fosse educado. O pai dizia a Clodovil que a única herança que deixaria para ele seria o estudo, algo que ele jamais poderia perder. Assim, matricularam-no em um colégio interno católico em Monte Aprazível, a 49 km de Floreal. Mais tarde em sua vida, Clodovil afirmou que havia sido aliciado por um padre quando menino, mas que isso não mudou sua visão a respeito do colégio, da igreja ou de religião. Foi também nesse colégio que Clodovil recebeu, de um padre, o apelido de "Jacques Fath", um costureiro famoso da época.

Em meados de 1948 ou 1949, quando tinha onze anos de idade, Clodovil descobriu que havia sido adotado quando uma tia lhe contou do fato. Segundo o próprio Clodovil, a adoção nunca foi um problema para ele, e seus pais morreram sem saber que ele sabia. Ele também jamais soube quem foram seus pais biológicos.

Aos treze anos, Clodovil viu seu pai tendo relações sexuais com outro homem, um cunhado, irmão de Dona Izabel. Clodovil diz que nunca tocou no assunto com o pai, o qual morreu sem saber que ele vira a cena, a qual ocorreu após uma missa de domingo. Por causa desse episódio, Clodovil disse que "deveu o norte de sua vida" a seu pai.

Quando tinha quinze anos de idade, Clodovil foi indagado pelo pai se ele era homossexual, mas não chegou a responder à pergunta do pai, de modo que o assunto jamais voltou a ser discutido na família. Clodovil afirmou que certa vez, quando respondeu ao pai de maneira atravessada, levou desse um forte tapa na orelha que lhe deixou com um problema de audição. Clodovil, porém, guardava momentos felizes com o pai, o qual lhe ensinou a cozinhar, pois sua mãe era péssima na cozinha.

Professor de desenho[editar | editar código-fonte]

Clodovil trabalhou brevemente como professor no Colégio Estadual Vera Cruz, em Mandaguari, no Paraná. Ele foi admitido como professor de desenho em 1957, lecionando a matéria por dois anos, até se mudar definitivamente para a cidade de São Paulo. Foi o então prefeito de Mandaguari, Élio Duarte Dias, que pagou a passagem de avião do jovem Clodovil para a capital paulista, além de ter ajudado com as primeiras despesas. Clodovil tinha como objetivo estudar Filosofia, mas logo abandonou esse plano para se dedicar à moda, pois tinha talento para desenhar vestidos.

Moda[editar | editar código-fonte]

O interesse de Clodovil por moda começou ainda criança, quando ele dava palpites de vestuário para a mãe, as tias e as primas, escondido do pai, que não podia saber.

Quando estava estudando em um colégio interno católico, recebeu o apelido de "Jacques Fath", um costureiro francês famoso da época. No último ano do normal, aos dezesseis anos, uma colega lhe perguntou por que não desenhava vestidos, embora Clodovil sequer conhecesse a existência da profissão. Pegou então uma página de caderno e desenhou onze vestidos, dos quais vendeu seis para uma loja do centro de São Paulo, ganhando mais dinheiro do que a mesada que o pai lhe mandava.

Desistiu então da Faculdade de Filosofia e, em 1960, conquistou seu primeiro Prêmio Agulha de Ouro, e em 1961 o Prêmio Agulha de Platina, ambos concedidos pela Casa Matarazzo-Boussac. Com talento, ele conquistou clientes da alta sociedade de São Paulo. Na época também começou a chamar atenção a "rivalidade" de Clodovil com Dener Pamplona de Abreu, outro estilista conhecido da época. Na realidade, eles eram mais amigos e colegas de profissão do que competidores.

O talento de Clodovil para a moda foi reconhecido por mulheres de variadas origens sociais, desde artistas como Elis Regina e Cacilda Becker a empresárias como Hebe Alves (antiga proprietária das lojas Mappin)[4] e às famílias Diniz e Matarazzo, para as quais a linha prêt-à-porter era muito apreciada.[5] Em 1960 ganhou o primeiro Agulha de Ouro. Pioneiro, por anos seria um dos pilares da alta costura, numa sociedade que importava modelos europeus, inaugurou uma moda made in Brazil.[1] Segundo Costanza Pascolato, “Esse termo [alta costura] cabe especificamente às coleções de Paris. Podemos dizer que o Clô fez uma ‘moda de ateliê’ muito requintada e luxuosa, destinada a ocasiões específicas, como casamentos e coquetéis”, define.[6]

Clodovil formou-se professor, mas ainda jovem se tornou um estilista conhecido no país e logo passou a trabalhar também na televisão, na qual acumulou mais de 45 anos de carreira em quase todas as emissoras de televisão do país. Ficou famoso em 1976, ao ganhar o prêmio máximo no programa "8 ou 800?", apresentado por Paulo Gracindo, ao responder perguntas sobre Dona Beja.

Teatro[editar | editar código-fonte]

Clodovil atuou no teatro três vezes em sua vida. A primeira peça de que participou, Seda Pura e Alfinetadas, foi também coescrita por ele e por Leilah Assumpção. Estreou no Teatro Brigadeiro, em São Paulo, em 1981[7]. Nela, Clodovil atuou ao lado de Bruno Barroso, Hilton Have, Isadora de Faria, Lilia Cabral e Márcia Real.

A segunda peça, Sabe Quem Dançou?, de Zeno Wilde, teve Clodovil no papel principal.

A terceira e última peça de Clodovil, Eu e Ela[8], foi escrita por ele e estreou em 15 de janeiro de 2006, no Teatro Brigadeiro. Aborda, nas suas palavras, a briga entre seu "eu feminino" com seu "eu masculino". Ele revelou que os motivos que o levaram a escrevê-la foram o fato de ter ficado desempregado, após ser demitido da RedeTV!, e ter se operado de um câncer de próstata. Na peça, Clodovil apareceu usando meia-calça e salto altos, contrapondo com paletó. Além disso, Clodovil cantou seis canções de músicos renomados, dentre as quais: Gracias a la Vida, de Violeta Parra, e Ne me quitte pas, de Edith Piaf.

Figurinista[editar | editar código-fonte]

Clodovil trabalhou como figurinista em diversas produções e filmes brasileiros: O Corpo Ardente (1966), um romance e drama estrelando a atriz francesa Barbara Laage; na telenovela Beto Rockfeller (1970), da extinta Rede Tupi; na comédia romântica Lua de Mel e Amendoim (1971), na qual, além de ter desenhado roupas de inspiração hippie e ufanista dos tempos do "milagre econômico brasileiro", inclusive biquínis e cangas, ele aparece interpretando o costureiro do vestido de casamento da personagem Marcinha[9]; em A Infidelidade ao Alcance de Todos (1972), uma comédia erótica; e Paranóia (1976), um drama policial.[10]

Jovem Pan[editar | editar código-fonte]

Na década de 1960, Clodovil trabalhou para a Rádio Jovem Pan, onde dava conselhos de moda durante poucos minutos. Apesar de breve, a participação de Clodovil no programa matinal atraía milhares de ouvintes, e serviu como uma experiência importante para o estilista antes de começar a trabalhar na televisão na década de 1980.

Em setembro de 1968, Clodovil teria criticado ao vivo na rádio as roupas que Iolanda Costa e Silva[11], esposa do ditador Costa e Silva, usou na ocasião da visita oficial da primeira-ministra indiana Indira Gandhi ao Palácio da Alvorada. Acabou demitido da Rádio Jovem Pam. Anos mais tarde, Clodovil desmentiu dizendo que não havia criticado a indumentária da primeira-dama, mas sim sua atitude: "Eu não critiquei a roupa dela. Não. Eu critiquei a atitude dela (...) Ela recebendo a Indira Gandhi, ela parecia uma espanhola enlouquecida, com vestido de veludo azul marinho, com sutiã azul marinho. Era uma espanhola louca. Digo, é pior do que uma brasileira enlouquecida, pelo menos ela tava de candomblé, né?"

Televisão[editar | editar código-fonte]

A equipe original do TV Mulher; Clodovil em pé, no canto superior direito.

Em 1980, já consagrado como costureiro da elite brasileira, Clodovil foi convidado pela Rede Globo para participar da equipe de apresentadores do TV Mulher, seu primeiro programa de televisão, tendo como colegas Marília Gabriela, Ney Gonçalves Dias, Ala Szerman, Xênia Bier e Marta Suplicy. O programa matinal era voltada para o público feminino, tendo sido pioneiro ao abordar temas como sexo, o que gerou protestos entre conservadores e religiosos.

No TV Mulher, Clodovil costumava ler cartas de mulheres que queriam dicas e sugestões de vestuário e desenhava ao vivo os modelos, desde vestidos de festas até roupas adequadas para o trabalho.

Em 1982, porém, Clodovil acabou demitido do TV Mulher após discutir ao vivo com Marília Gabriela, âncora do programa. De acordo com Marília Gabriela, o apresentador queria ser "o dono do programa"[12] e, após ela ter sido chamada para um especial chamado "Marília Mulher Gabriela", no qual cantava, Clodovil ficou com "muita raiva" e passou a provocá-la de forma constante nos bastidores do programa, envolvendo a equipe de produção. Conforme Ney Gonçalves Dias, quando fora do ar, os dois não se dirigiam um para o outro e eram "inimigos mortais".[13] Acabou substituído por Ney Galvão.

Demitido da Rede Globo, Clodovil migrou para a Rede Bandeirantes, onde ganhou, em 1983, um programa com seu próprio nome. Ainda no mesmo ano, Clodovil entrou para a Rede Manchete, a qual o contratou para apresentar dois programas na década de 1980: os vespertinos Manchete Shopping Show (1983-1985) e Clô para os Íntimos (1985-1988); e no início da década de 1990, o noturno Clodovil Abre o Jogo (1991-1993). O lapso entre os dois últimos programas se deu porque Clodovil foi demitido em 1988 pelo dono da Manchete, Adolpho Bloch, após ter chamado a então Assembleia Constituinte de "Prostituinte". Segundo Clodovil, Ulysses Guimarães ligou indignado a Manchete e disse para tirá-lo do ar. Com isso, Clodovil ficou quase quatro ausente na televisão, tendo sido readmitido pela emissora em 1991. Foi em Clodovil Abre o Jogo que ele lançou seu famoso bordão "Olha para a lente da verdade e me diz..." ao fazer perguntas inesperadas a entrevistados.

Clodovil apresentou "Noite de Gala" no Ópera de Arame no início dos anos 90.

Em 1993, com a crise enfrentada pela Manchete, Clodovil mudou para a CNT (Central Nacional de Televisão), sediada no Paraná. Essa emissora lançou Clodovil em dois programas que tiveram pouca duração: o Frente e Verso e Clodovil em Noite de Gala. Esse último era gravado ao vivo dentro do teatro do Ópera de Arame, em Curitiba. Segundo Clodovil, o custo desse último programa era de cerca de 150 mil dólares.

Em 16 de novembro de 1994, Clodovil foi demitido da CNT após "desrespeitar a hierarquia e os assuntos internos da emissora", além de desentender-se constantemente com a equipe de trabalho e ofender publicamente o presidente da empresa.[14] Em agosto de 1996, porém, ele retornou para CNT, para apresentar "Retratos", também muito brevemente. Na ocasião, ele falou que havia saído da CNT dois anos antes por "autopunição"[15], por conta de uma relação amorosa fracassada. Na mesma época de sua readmissão, a CNT estudou a possibilidade de voltar a transmitir "Noite de Gala" com o apoio do governo paranaense e da prefeitura de Curitiba.

Em 1998, Clodovil voltou para a Rede Bandeirantes, após quinze anos, para comandar o programa Clodovil Soft[16], no qual cozinhava, fazia ginástica e dava dicas de etiqueta e moda. "Cansado de ficar parado", em razão do impasse do pagamento de seu salário com a emissora CNT, foi Clodovil quem pediu para trabalhar para a Bandeirantes. Em março de 1999, ele apresentou "Clodovil" na Rede Mulher, mas o novo programa ficou menos de um mês no ar — o mais curto de todos na carreira do apresentador —, e ele atribuiu sua demissão à compra da emissora pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Clodovil passou a virada para a década de 2000 desempregado, mas em 2001 ele aceitou a proposta de voltar a apresentar "Clodovil Frente e Verso" novamente na CNT. O projeto não durou muito. Subsequentemente, Clodovil concordou em coapresentar o programa Mulheres na Rede Gazeta, ao lado de Christina Rocha. Alguns meses após a estreia, a parceira entre os dois apresentadores terminou, e Clodovil se despediu de Christina, que saiu do programa, chamando-a de "jararaca do brejo". Ele continuou apresentando o programa até 2002, passando a apresentar um talk show noturno com seu nome, no qual preparava receitas para receber convidados. Todavia, o horário nobre na Gazeta acabou sendo arrendado para televendas.

Em novembro de 2003, Clodovil estreou na RedeTV! com A Casa é Sua, seu penúltimo programa de televisão, substituindo Leonor Corrêa, que havia saído em outubro daquele ano. Ao longo de 2004, mesmo advertido e aconselhado, Clodovil criou diversas polêmicas com personalidades e colegas de trabalho, fazendo críticas e provocações ao vivo no programa. Fez ataques verbais contra Luciana Gimenez, sua colega na Rede TV[17]; passou três meses fugindo e evitando a equipe do Pânico na TV, que queriam que ele calçasse as "sandálias das humildade", uma espécie de "troféu" para celebridades tidas como arrogantes; ofendeu a pessoa da então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, sua ex-colega do programa TV Mulher, o que resultou em um processo judicial por calúnia e difamação; e criticou também o presidente da Band, Johnny Saad, o que fez com que seu programa deixasse de ser ao vivo por decisão dos diretores da emissora. O último dos conflitos criados por Clodovil na RedeTV! foi o que justificou sua demissão: no dia 12 de janeiro de 2005, o apresentador afirmou que Luísa Mell, que havia sido entrevistada pela Playboy, terminaria seus dias como "atriz pornô, assim como Rita Cadillac". O episódio acabou indo ao ar, mas sem o trecho polêmico, de maneira que, dois dias depois, Clodovil acabou demitido.

Em abril de 2007, Clodovil voltou à televisão com o programa Por Excelência, na TV JB. O nome do programa, que foi o último do apresentador, faz referência à sua então condição de deputado federal. Pediu demissão por causa de problemas de saúde.

Programas[18][editar | editar código-fonte]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

A despeito da vida de glamour e fama, fazia questão de demonstrar sua espiritualidade e sempre evidenciar o amor recíproco entre ele e seu grande amor, citando Deus de forma recorrente nos diálogos e entrevistas: "Eu não sou briguento. Como eu poderia ser? Eu sou temente a Deus."[19]

Na RedeTV![editar | editar código-fonte]

Em 2004, já na RedeTV!, passou por uma fase polêmica devido ao desentendimento com integrantes do programa Pânico na TV. Um dos quadros do programa propunha que personalidades consideradas arrogantes pela equipe calçassem as "sandálias da humildade", e em certo momento Clodovil tornou-se o alvo dos humoristas. O apresentador se esquivou de duas investidas dos repórteres do Pânico. Na terceira tentativa, foi perseguido por dois carros, um helicóptero e um trio elétrico. Seguido desde os estúdios da emissora, em Barueri, na Grande São Paulo, o veículo do apresentador foi fechado no meio da Marginal Pinheiros, e acabou por escapar. No dia seguinte à apresentação de todo o incidente no Pânico, Clodovil fez um desabafo ao vivo em seu próprio programa, A Casa é Sua, que apresentava desde 2003. Seu programa passou a ser gravado. Meses depois, ao criticar uma apresentadora da casa pelo modo que aparecera vestida em uma festa, foi demitido.

Clodovil em Brasília após ser eleito Deputado federal.

Acusação de racismo[editar | editar código-fonte]

Em 2004, durante o programa A Casa é Sua, Clodovil chamou a vereadora Claudete Alves de "macaca de tailleur metida a besta". A vereadora entrou com uma queixa-crime e o apresentador respondeu por dois processos criminais no Tribunal de Justiça de São Paulo. Clodovil alegou em sua defesa que a palavra "macaca" foi usada com o intuito de demonstrar que a vereadora "gostava de aparecer", e não com conotação racista. O apresentador, porém, foi condenado a pagar indenização por danos morais.[20]

Acusação de antissemitismo e novamente de racismo[editar | editar código-fonte]

Em uma entrevista à Rádio Tupi, em 27 de outubro de 2006, Clodovil declarou que os judeus teriam manipulado o Holocausto e forjado o atentado de 11 de setembro contra o World Trade Center. Na mesma entrevista, referiu-se a um negro como "crioulo cheio de complexo". Para suportar suas opiniões, disse à rádio carioca que existe um "poder escuso, que está no subsolo das coisas". Segundo o apresentador, "As pessoas são induzidas a acreditar. Quando houve aquele incidente com as torres gêmeas lá não tinha americano nenhum e nem judeu".

O presidente da Federação Israelita do Rio, Osias Wurman, declarou-se indignado com as declarações, sobretudo por virem de uma pessoa advinda de uma minoria que também sofre preconceito. Wurman entrou com uma interpelação judicial contra Clodovil, acusando-o de racista, além de enviar cópias do áudio da entrevista à Secretaria Estadual de Direitos Humanos, a deputados estaduais e a organizações não-governamentais ligadas ao movimento negro.[21]

Com Cida Diogo[editar | editar código-fonte]

Em 2007, envolveu-se em nova polêmica no Congresso, após discutir com a deputada Cida Diogo, do PT do Rio de Janeiro.[22] A discussão iniciou por conta das declarações de Clodovil de que "as mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone" e ainda que atualmente "as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé".[22] Ao ser questionado pela deputada quanto à declaração, respondeu: "Digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é uma mulher feia".[22]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Clodovil durante um pronunciamento na Câmara dos Deputados em 2007.

Em 2006 entrou para a política após candidatar-se e eleger-se deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), possuindo inclusive o terceiro maior número de votos em São Paulo, estado por onde se candidatou. Usou bastante ironia em sua campanha, como a frase: "Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver…"[23] Tornou-se então o primeiro homossexual assumido a ser eleito deputado federal.[24] Apesar disso, declarava-se contra a Parada do Orgulho GLBT, o casamento homossexual e o movimento LGBT brasileiro.[24]

Em setembro de 2007 o deputado decidiu trocar de partido e filiou-se ao Partido da República (PR), correndo desde então o risco de perder o mandato por infidelidade partidária, pois o TSE decidiu no dia 27 de março de 2007, que o mandato pertence ao partido e não ao eleito. No entanto, em 12 de março de 2009, foi absolvido por unanimidade dos votos[25]. Clodovil deixou o partido alegando ter sido abandonado pela legenda desde a eleição, quando não recebeu material de campanha, e posteriormente, quando não recebeu assessoria jurídica do partido. Devido a isso, os ministros do TSE concordaram que houve perseguição interna, uma das condições que permitem que o parlamentar troque de legenda.

Ele desconversava quando indagado sobre candidatar-se à Prefeitura de São Paulo em 2008.[26]

Projetos propostos[editar | editar código-fonte]

Em julho de 2008, apresentou proposta de emenda constitucional pretendendo reduzir o número de deputados de 513 para 250.[27] Em que nenhuma Unidade de Federação, poderia ter menos de 4 deputados, nem mais de 35. Hoje, a menor representação tem 8 e a maior 70. Se a PEC passasse haveria o corte de 263 deputados, e a redução de gastos. Só em despesas com parlamentares são gastos 26,3 milhões de reais por mês. - O Estado de S. Paulo.

Em 27 de março de 2009, dez dias depois da sua morte, três de seus projetos foram aprovados na Comissão de Constituição e Justiça:[28]

  • a obrigatoriedade das escolas divulgarem a lista de material escolar 45 dias antes da data final para a matrícula
  • a criação do Dia da Mãe Adotiva, uma homenagem à sua mãe adotiva Isabel Hernandes
  • a obrigatoriedade da menção dos nomes dos dubladores nos créditos das obras audiovisuais dos quais eles tenham participado

Além de outros, como:

  • assegurar direitos morais aos dubladores de obras audiovisuais. Explicação: Garante ao dublador de obra audiovisual a menção de seu nome ou sinal nos créditos da obra e o direito de participarem dos resultados de exibição, nos termos previstos no contrato de trabalho que vierem a negociar.

Problemas financeiros[editar | editar código-fonte]

Em vida, Clodovil Hernandes ganhou muito dinheiro como estilista e apresentador de televisão, mas também perdeu muito dinheiro devido a perdas em processos judiciais, a investimentos pouco rentáveis e, sobretudo, aos gastos com o estilo de vida extravagante a que estava habituado. Ao falecer, ele deixou inúmeras dívidas, as quais passaram a ser respondidas por seu espólio. Em seu testamento, Clodovil havia nomeado sua advogada, Maria Hebe Pereira de Queiroz, sua inventariante.

Antes de ser demitido da RedeTV! em janeiro de 2005, Clodovil recebia um salário de R$ 15 mil, acrescidos de R$ 130 mil de comissão por merchandising.

Em 1999, quando enfrentava um situação difícil, Clodovil recebeu do apresentador Faustão um buquê de flores com cerca de R$ 40 mil em notas, presas em um grampo de ouro, e com um cartão anexado que dizia: "Não é dinheiro. É um presente de um amigo".[29]

Em São Paulo, Clodovil alugava um apartamento no Edifício São Carlos, na Avenida República do Líbano, em frente ao Parque do Ibirapuera.

Mansão em Ubatuba[editar | editar código-fonte]

Em 1980, Clodovil começou a construir um retiro particular em Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo. Ele adquirira três lotes que somavam 3.200 m², na Rua das Rosas, num local conhecido como "Sertãozinho do Léo". Abrangida pelo Parque Estadual da Serra do Mar, a propriedade cercada pela Mata Atlântica está numa área de proteção ambiental.

Ao longo dos anos, o próprio Clodovil projetou, sem requerer serviços de arquitetos e engenheiros, um complexo de casas interligadas por alamedas e passeios ajardinados, todas minuciosamente decoradas com seu gosto pessoal e, como tido por muitos, excêntrico.

À medida que ampliava irregularmente seus aposentos na propriedade, Clodovil recebeu muitas denúncias por degradação ambiental.

Problemas de saúde e morte[editar | editar código-fonte]

Clodovil Hernandes foi diagnosticado em 2005, com um tumor maligno na próstata. Ele retirou o tumor em uma cirurgia e não precisou fazer tratamentos complemantares, porém apresentou quadro de incontinência urinária.[30] Em 2007, o deputado sentiu fortes dores no corpo e febre, com princípio de infarto. Depois, Clodovil voltou a passar mal na Câmara dos Deputados e teve um derrame cerebral e ficou com o lado direito do corpo paralisado. Em agosto de 2008, o deputado passou por mais uma cirurgia em decorrência das deficiências na próstata. Após a cirurgia, durante a recuperação o estilista sofreu uma embolia pulmonar. Clodovil morreu em 17 de março de 2009, após ser registrada sua morte cerebral causada por um acidente vascular cerebral (AVC). O velório ocorreu no Salão Nobre da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e o sepultamento teve lugar no dia seguinte à morte no Cemitério do Morumbi na capital paulista, onde já se encontravam os restos mortais de sua mãe adotiva.[31]

Referências

  1. a b c «Clodovil foi um dos pilares da "alta costura brasileira"». BOL. UOL. 
  2. «Federação Israelita intima Clodovil Hernandes por racismo». O Globo. Globo.com. 
  3. «Clodovil Hernández». Isto é gente. Terra. Consultado em 11 de novembro de 2011. 
  4. «Só aceitei a homossexualidade aos 60 anos». Isto é Gente. Terra. 
  5. «Equipe médica confirma morte cerebral de Clodovil». Estadão.com.br. 
  6. «Clodovil Hernandes foi pioneiro na ‘alta-costura brasileira’». G1. Globo. 
  7. Enciclopédia Itaú Cultural - Seda Pura e Alfinetadas
  8. Candidato a deputado, Clodovil volta ao teatro em SP
  9. "101 Filmes para quem ama moda", Editora SENAI-SP, página 104"
  10. Internet MovieDatabase - Clodovil
  11. [1]
  12. Em entrevista, Marília Gabriela diz: "O Clodovil era muito cruel"
  13. Ney Gonçalves Dias lembra "TV Mulher": "Gabi e Clodovil eram inimigos"
  14. [2]
  15. Clodovil terá 2 programas, por Mônica Santanna, da Agência Folha, em Curitiba.
  16. [http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tvfolha/tv23089812.htm ESTRÉIA Clodovil volta à TV em versão "light']
  17. Cansada de ironias, Luciana Gimenez dá uma "dura" em Clodovil
  18. «Trajetória de Clodovil na TV é marcada por declarações polêmicas e demissões». Portal na TV. WordPress. 2009 mar 18. 
  19. «Só córneas de Clodovil serão doadas». Época. Globo. 
  20. «Clodovil Hernandes é condenado por racismo». Consulte já. 
  21. «Clodovil nega Holocausto e 11 de setembro». Estadão.com.br. 
  22. a b c «Deputada acusa Clodovil de agressão verbal». G1. Globo. 
  23. «Artistas aproveitam notoriedade para conseguir votos». Folha de S. Paulo. UOL. 
  24. a b «Com quase 500 mil votos, Clodovil é o primeiro gay eleito para o cargo de Deputado Federal». A capa. 
  25. «Diário de Pernambuco». 2009 mar 13. 
  26. «Clodovil e seu gabinete». Época. Globo. 
  27. «Clodovil Hernandes apresenta nova emenda constitucional». Ministério do planejamento. 
  28. «CCJ aprova três projetos de Clodovil Hernandes». Câmara dos deputados. 
  29. Isto É Gente - Vale Quanto Pesa
  30. «Em entrevista a Amaury Jr, Clodovil diz ter tumor maligno». Folha Online. UOL. 
  31. «Clodovil tem morte cerebral confirmada; polêmica marcou carreira na televisão e na política». Universo Online. UOL. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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