França de Vichy

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État Français
Estado Francês

Estado fantoche da Alemanha nazista

Flag of France (1794–1958).svg
1940 – 1944 Flag of France (1794–1958).svg
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Travail, famille, patrie
(em francês: «Trabalho, Família, Pátria»)
Localização de França de Vichy
França em 1942
  •   França de Vichy
  •   França, zona de ocupação militar alemã
  •   Protetorados franceses
Continente Europa
Capital Vichy (1940-1944)
Sigmaringen (no exílio, 1944-1945)
46° 10' N 3° 24' E
Língua oficial Francês
Religião Católica
Governo Autoritarismo, Estado
Chefe de Estado
 • 1940-1944 Philippe Pétain
Legislatura Câmara de Deputados
Período histórico II Guerra Mundial
 • 1940 Fim da Batalha de França
 • 10 de Julho de 1942 de Eleição de Philippe Pétain
 • 27 de Novembro de 1942 de Vichy destrói a sua frota em Toulon
 • 2 de Junho de 1944 de {{{ano_evento3}}} Governo Provisório da República Francesa
 • 6 de Junho de 1944 Desembarque da Normandia
Moeda Franco francês

França de Vichy (em francês: Régime de Vichy) é o nome comum do Estado francês (État français), liderado pelo Marechal Philippe Pétain , durante a II Guerra Mundial. Representa a "zona livre" (Zone libre), desocupada na parte sul da França metropolitana e o império colonial francês.

De 1940 a 1942, enquanto o regime de Vichy era o governo nominal de toda a França, excepto a região da Alsácia-Lorena, os militares alemães ocuparam o norte da França. Enquanto Paris se manteve a capital de jure da França, o governo decidiu mudar-se para a cidade de Vichy, a 360| km a sul na zona livre, a qual se tornou a capital de facto do Estado francês. A seguir aos desembarques Aliados no Norte da África francês em Novembro de 1942, o sul da França também foi militarmente ocupado pela Alemanha e Itália. O regime de Pétain manteve-se em Vichy como governo nominal da França, embora claramente administrado como Estado cliente de facto da Alemanha Nazi a partir de Novembro de 1942 em diante. O governo de Vichy manteve-se, nominalmente, no papel até ao fim da guerra, embora tenha perdido toda a sua autoridade de facto no final de 1944, quando os Aliados libertaram toda a França.

Após ter sido nomeado Premier pelo Presidente Albert Lebrun, o marechal Pétain ordenou que os representantes militares do governo assinassem um armistício com a Alemanha em 22 de Junho de 1940. Em seguida, Pétain estabeleceu um regime autoritário quando a Assembleia Nacional da Terceira República francesa lhe concedeu plenos poderes em 10 de Julho de 1940. A partir daquela data a Terceira República foi dissolvida. Apelando à "Regeneração Nacional", o governo francês em Vichy anulou muitas políticas liberais e começou um controlo muito rígido da economia, tendo como característica fundamental o planeamento centralizado. Os sindicatos ficaram sob controlo apertado do governo. A independência da mulher foi revertida, com a ênfase colocada na maternidade. Os católicos conservadores ganharam um papel de destaque. Paris perdeu o seu estatuto de cidade vanguardista em termos de arte e cultura europeia. Os meios de comunicação passaram a ser rigorosamente controlados, passando a transmitir mensagens anti-semitas e, posteriormente, a partir de Junho de 1941, anti-bolcheviques.

O Estado francês manteve a soberania nominal sobre a totalidade do território francês, mas apenas tinha plena soberania na zona livre ocupada a sul. O Estado autoridade civil, e mesmo esta era limitada, na norte de zonas sob ocupação militar. A ocupação seria somente uma situação provisória enquanto se aguardava pela conclusão da guerra, o que na época parecia iminente. A ocupação também apresentava algumas vantagens, tais como manter a Marinha francesa e o império colonial francês sob controlo francês, e evitar a completa ocupação do país pela Alemanha, mantendo, assim, um grau de independência e neutralidade francesas. O governo francês em Vichy nunca se aliou ao Eixo.

A Alemanha manteve dois milhões de soldados franceses prisioneiros a realizar de trabalho forçado. Estavam como reféns para garantir que Vichy iria reduzir as suas forças militares e pagar um pesado tributo em ouro, alimentos e suprimentos para a Alemanha. A polícia francesa ordenou que reunissem judeus e outros "indesejáveis" como comunistas e refugiados políticos. Muito do público francês, inicialmente, apoiou o governo, apesar da sua natureza antidemocrática e da sua difícil posição frente-a-frente com os alemães, muitas vezes vendo-a como necessária para manter um grau de autonomia francesa e integridade territorial. Em Novembro de 1942, no entanto, a zona livre foi também ocupada por forças do Eixo, levando à dissolução do restante exército e o afundamento da restante frota da França, e terminando com qualquer sinal de de independência, com a Alemanha agora supervisionando de perto todos os funcionários franceses.

A maioria das colónias ultramarinas francesas estavam sob controlo de Vichy, mas, com a invasão dos Aliados do Norte de África, foi perdendo colónia após colónia para a França Livre deCharles de Gaulle. A opinião pública em algumas regiões virou-se contra o governo francês e as forças de ocupação alemãs ao longo do tempo, quando se tornou claro que a Alemanha estava a perder a guerra, e a resistência contra ela aumentou. Na sequência da invasão dos Aliados a França em Junho de 1944 e da libertação da França um ano depois, o governo Provisório da República Francesa (GPRF) da França Livre foi estabelecido pelos Aliados como governo da França, liderada por De Gaulle. Sob um gabinete de "unanimidade nacional" que unia as muitas facções da Resistência Francesa, o GPRF re-estabeleceu uma República Francesa provisória, restaurando, aparentemente, a continuidade da Terceira República. A maioria dos líderes legais do governo francês em Vichy fugiram ou foram sujeitos a julgamentos de fachada pelo GPRF, e muitos deles foram executados por "traição" numa série de purgas (épuration légale). Milhares de colaboracionistas foram sumariamente executadas pelos comunistas locais e pela Resistência nas chamadas "purgas selvagens" (épuration sauvage).

A últimos exilados do estado francês foram capturados no enclave de Sigmaringen pela 1.ª Divisão Blindada francesa de De Gaulle em Abril de 1945. Pétain, que voluntariamente regressou a França através da Suíça, foi também levado a julgamento por traição pelo novo governo Provisório, e recebeu uma sentença de morte, mas que foi comutada para prisão perpétua por De Gaulle. Apenas quatro altos funcionários de Vichy foram julgados por crimes contra a humanidade, apesar de muitos mais terem participado na deportação de judeus para o extermínio nos campos de concentração nazis, em abusos de prisioneiros, e graves os actos contra membros da Resistência.

A Guerra Franco-Alemã[editar | editar código-fonte]

A França declarou a Guerra à Alemanha a 3 de Setembro de 1939, no seguimento da invasão alemã da Polónia. Após os oito meses de "guerra de mentira", os alemães lançaram a sua ofensiva no ocidente a 10 de maio de 1940 e foram rapidamente bem sucedidos, ocupando Paris em meados de Junho desse mesmo ano.

Os líderes franceses consideraram retirar-se para os territórios franceses no norte de África, mas o vice-primeiro-ministro Henri Philippe Pétain e o chefe de estado-maior general Maxime Weygand insistiram que o governo deveria manter-se em poder na França e procurar um armistício com a Alemanha.

Acordo de rendição[editar | editar código-fonte]

Adolf Hitler e Philippe Pétain se encontrando em outubro de 1940.

O primeiro-ministro Paul Reynaud demitiu-se após esta decisão e o presidente Albert Lebrun nomeou Philippe Pétain, então com 84 anos de idade, para o substituir a 16 de Junho de 1940. Pétain iniciou as negociações e em 22 de Junho seguinte assinou o acordo de rendição com a Alemanha.[1]

A principal disposição do acordo foi a divisão da França em duas zonas - ocupada e não ocupada. A Alemanha controlaria a parte norte e ocidental da França e toda a costa atlântica. Os restantes dois quintos do país seriam administrados pelo governo francês, com capital em Vichy, liderado por Pétain. Para além disso, todos os judeus na França seriam entregues à Alemanha. O exército francês seria reduzido a apenas 100 000 homens e os prisioneiros de guerra permaneceriam em cativeiro. Os franceses tinham de pagar os custos de ocupação às tropas alemãs e evitar que os franceses deixassem o país.

Na sequência deste tratado, o Reino Unido e a França de Vichy cortaram as relações diplomáticas em 5 de Julho de 1940.

A Terceira República Francesa foi extinta por votação pela Assembleia Nacional Francesa em 10 de Julho de 1940. O regime de Vichy foi estabelecido no dia seguinte, tendo Pétain como seu chefe de Estado. A Pétain foi concedido o poder de reescrever a Constituição Francesa, mas ele não o fez. Em vez disso, insistiu em promulgar três decretos constitucionais que suspendiam a Constituição da Terceira República Francesa de 1875, transferindo ao mesmo tempo todos os poderes para si.[2]

Governo de Pétain[editar | editar código-fonte]

Pétain designou Pierre Laval como seu Vice-Presidente e sucessor designado em 12 de Julho. Pétain permaneceu na posição de Presidente até 20 de Agosto de 1944. Liberté, Egalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), o lema nacional, foi substituído por Travail, Famille, Patrie (Trabalho, Família, Pátria). Um de seus primeiros-ministros foi François Darlan.[3] O país se envolveu em crimes de guerra na época na Argélia de natureza semelhante ao nazismo no mesmo período.[4]

O ex-primeiro-ministro Paul Reynaud foi preso em Setembro de 1940 pelo governo de Vichy e sentenciado à prisão perpétua em 1941.[5]

Joseph Darnand foi nomeado chefe da milícia (Vichy Milice), a polícia em tempo de guerra. Era um oficial da SS e tinha jurado lealdade a Hitler. A milícia era responsável pela supressão da resistência francesa e dos Maquis e ainda por promulgar as leis raciais alemãs.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Robert A. Doughty, The Breaking Point: Sedan and the Fall of France, 1940 (1990)
  2. Barnett Singer (2008). Maxime Weygand: A Biography of the French General in Two World Wars. [S.l.]: McFarland. p. 111. ISBN 9780786435715. Consultado em 10 de julho de 2012. 
  3. Simon Kitson (2007, Vichy et la chasse aux espions nazis: complexités de la politique de collaboration, Paris, Autrement, 2005). The Hunt for Nazi Spies, Fighting Espionage in Vichy France (em Inglês). [S.l.]: University of Chicago Press  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  4. Aimé Césaire, le plus grand monument lyrique du XXe siècle
  5. Julian Jackson (2004). The Fall of France: The Nazi Invasion of 1940 (em Inglês). [S.l.]: Oxford U.P. p. 101-42. ISBN 9780192805508. Consultado em 10 de julho de 2012.