Crise dos mísseis de Cuba

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Crise dos mísseis de Cuba
Parte da(o) Guerra Fria
Soviet-R-12-nuclear-ballistic missile.jpg
Fotografia da CIA do míssil núclear "SS-4".
Data 16 de outubro de 1962 - 28 de outubro de 1962
Local Cuba
Desfecho
  • Retirada dos mísseis soviéticos de Cuba
  • Retirada dos mísseis americanos da Turquia e Itália
  • Acordo de que nunca haveria invasão americana à Cuba
  • Criação de uma linha direta entre Moscou e Washington, D.C.
Status Encerrada
Combatentes
 Estados Unidos
 Turquia
 Itália

Apoio:

Flag of NATO.svg OTAN

 União Soviética
 Cuba

Apoio:

Logo The Warsaw Pact.jpg Pacto de Varsóvia

Principais líderes
Estados Unidos John F. Kennedy
Estados Unidos Robert McNamara
Estados Unidos Maxwell D. Taylor
Estados Unidos Curtis LeMay
Estados Unidos George W. Anderson, Jr.
Turquia Cemal Gürsel
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Nikita Khrushchev
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Rodion Malinovsky
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Issa Pliyev
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Georgy Abashvili
Cuba Fidel Castro
Cuba Raul Castro
Cuba Che Guevara
Vítimas
1 aeronave destruída, 1 aeronave danificada e 1 piloto morto

A crise dos mísseis de Cuba (em inglês, Cuban Missile Crisis; em russo, Карибский кризис, transl. Karibskiy krizis: 'Crise do Caribe'; em espanhol, Crisis de los misiles en Cuba e, em Cuba, Crisis de Octubre), ocorrida em outubro de 1962, foi um dos momentos de maior tensão da Guerra Fria.

Início[editar | editar código-fonte]

Alcance dos mísseis soviéticos instalados em Cuba.

A crise começou quando os soviéticos, em resposta à instalação de mísseis nucleares na Turquia, Grã-Bretanha e Itália[1] em 1961 e à invasão de Cuba pelos Estados Unidos no mesmo ano, instalaram mísseis nucleares em Cuba. Em 14 de Outubro, os Estados Unidos divulgaram fotos de um voo secreto realizado sobre Cuba apontando cerca de quarenta silos para abrigar mísseis nucleares. Houve uma enorme tensão entre as duas superpotências pois uma guerra nuclear parecia mais próxima do que nunca. O governo de John F. Kennedy, apesar de suas ofensivas no ano anterior, encarou aquilo como um ato de guerra contra os Estados Unidos.

Nikita Kruschev, o Primeiro-ministro da URSS à época, afirmou que os mísseis nucleares eram apenas defensivos, e que tinham sido lá instalados para dissuadir outra tentativa de invasão da ilha. Dezoito meses antes, em 17 de abril de 1961, o governo Kennedy já havia empreendido a desastrada invasão da Baía dos Porcos, usando um grupo paramilitar constituído por exilados cubanos, apoiados pela CIA e pelas forças armadas dos Estados Unidos, na tentativa de derrubar o governo socialista de Fidel Castro). A situação rapidamente evoluiu para um confronto aberto entre as duas potências.

Segundo o governo Kennedy, os Estados Unidos não poderiam admitir a existência de mísseis nucleares daquela dimensão a escassos 150 quilômetros do seu território. O presidente Kennedy avisou Khruschev de que os EUA não teriam dúvidas em usar armas nucleares contra Cuba, se os soviéticos não desativassem os silos e retirassem os mísseis da ilha.[carece de fontes?]

Sábado Negro[editar | editar código-fonte]

Vista aérea mostrando base de lançamento de mísseis em Cuba, novembro de 1962

O ponto culminante da crise foi o “sábado negro”, 27 de outubro, quando um dos aviões-espiões americano foi abatido sobre Cuba e seu piloto morreu. A guerra parecia cada vez mais iminente e as negociações se tornaram dificílimas.

Foram treze dias de suspense mundial devido ao medo de uma possível guerra nuclear, até que em 28 de Outubro Kruschev, após conseguir secretamente uma futura retirada dos mísseis norte-americanos da Turquia e um acordo de que os EUA nunca invadiriam a ilha vizinha, concordou em remover os mísseis de Cuba.

Na televisão, todos os canais federais dos EUA interromperam os programas e transmitiram o comunicado urgente de Kruschev, que dizia:

"Nós concordamos em retirar de Cuba os meios que consideram ofensivos. Concordamos em fazer isto e declarar na ONU este compromisso. Seus representantes farão uma declaração de que os EUA, considerando a inquietação e preocupação do Estado soviético, retirarão seus meios análogos da Turquia".

Consequências[editar | editar código-fonte]

Na década de 1960, havia uma clara tendência à proliferação dos arsenais nucleares. Por esta razão, e ainda sob o impacto da crise dos mísseis de Cuba, os Estados Unidos, a União Soviética e a Grã-Bretanha assinaram, em 1963, um acordo que proibia testes nucleares na atmosfera, em alto-mar e no espaço (assim, apenas testes subterrâneos poderiam ser legalmente realizados). Em 1968, as duas super-potências e outros 58 países aprovaram o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. O objetivo desse acordo era tentar conter a corrida armamentista dentro de um certo limite. Com ele, os países que já possuíam artefatos nucleares se comprometiam a limitar seus arsenais e os países que não os continham ficavam proibidos de desenvolvê-los, mas poderiam requisitar dos primeiros tecnologia nuclear para fins pacíficos.

Participação brasileira[editar | editar código-fonte]

Segundo documentos revelados pelo National Security Archive em 2012, o Brasil participou secretamente das negociações durante a crise, ajudando a conter "o momento mais perigoso da história da Humanidade", chegando a enviar um representante à Havana em 19 de outubro de 1962. Antes, o Departamento Americano solicitou uma aproximação com Castro, mediante intercessão brasileira.[2]

Referências

  1. Carlos Federico Dominguez Ávila. Ensaio geral do fim Revista de História.
  2. "Brasil agiu secretamente para tirar mísseis de Cuba, revela dossiê dos EUA", UOL, 12-10-2012. Página visitada em 13-10-2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALLISON, Graham, e ZELIKOW, Philip. Essence of Decision: Explaining the Cuban Missile Crisis. 2ªed. Nova York: Longman, 1999.
  • BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. De Martí a Fidel: A Revolução Cubana e a América Latina. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
  • FRANCO, Álvaro da Cunha (compilador). Documentos da Política Externa Independente. Brasília: Funag, 2008.
  • GADDIS, John Lewis. História da Guerra Fria. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2006.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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