Museu da Imagem e do Som de São Paulo

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Museu da Imagem e do Som
de São Paulo
Tipo Audiovisual
Inauguração 1970
Diretor Daniela Bousso
Website www.mis-sp.org.br/
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS), é um museu público estadual, subordinado à Secretaria da Cultura, criado na cidade de São Paulo em 19701 , fruto de um projeto iniciado alguns anos antes por intelectuais e produtores culturais, como Ricardo Cravo Albin, Paulo Emílio Salles Gomes, Rudá de Andrade, Francisco Luiz de Almeida Salles e Luiz Ernesto Machado Kawall.2 3

Localizado no Jardim Europa, distrito de Pinheiros, tem por objetivo coletar, registrar e preservar o som e a imagem da vida brasileira, nos seus aspectos humanos, sociais e culturais1 . Nas décadas de 70 e 80, destacou-se como importante núcleo de difusão artística e educativa, convertendo-se em um centro de referência para a pesquisa audiovisual brasileira.4

Conserva um vasto acervo, com mais de 350 mil registros2 5 , composto por filmes (curtas, longas, vídeos e documentários), discos, gravações (depoimentos, entrevistas, debates, palestras e apresentações musicais), fotografias e um setor de artes gráficas. Promove seminários, mostras e sessões regulares de cinema, vídeo e fotografia.1 Possui biblioteca especializada e o LabMIS, um centro de pesquisa e produção voltado às novas mídias, que abriga artistas residentes e comissionados.6

Índice

Histórico [editar]

Em 3 de setembro de 1965, era inaugurado no Rio de Janeiro o Museu da Imagem e do Som, instituição cultural pioneira no Brasil, que logo se tornaria um importante centro de referência da vanguarda audiovisual brasileira.7 O museu fora idealizado pelo jornalista Carlos Lacerda, então governador do estado da Guanabara. A idéia foi encampada por diversos outros governos estaduais, que formaram comissões para instalar os MIS regionais. O musicólogo Ricardo Cravo Albin, diretor do MIS carioca, integrou as comissões organizadoras, responsáveis por criar ao todo 18 museus.8

Em São Paulo, os trabalhos visando à criação do Museu da Imagem e do Som foram iniciados em 1967, por uma comissão formada por, além de Ricardo Cravo Albin, Luiz Ernesto Kawall, jornalista, Paulo Emílio Salles Gomes, crítico de cinema e então diretor da Cinemateca Brasileira, o jornalista Maurício Loureiro Gama e o cineasta Rudá de Andrade, entre outros.9 O museu seria inaugurado três anos mais tarde, em 29 de maio de 19709 , tendo por objetivo coletar, conservar e registrar a documentação produzida por suportes novos, como a televisão, o rádio, a indústria fonográfica e a videoarte, até então ignorados pelas demais tipologias museológicas e pelas vertentes arquivísticas tradicionais, bem como por preservar imagens e sons ligados às manifestações culturais das comunidades rurais e urbanas do estado e do país.1 4

Nos cinco primeiros anos de atividade, o museu funcionaria em diversos locais inadequados. Sua primeira sede foi um edifício precário na Rua Antônio Godoy, então sede do Conselho Estadual de Cultura. De lá, passou para o Palácio dos Campos Elísios, antiga sede do governo estadual. Mudou-se em seguida para dois sobrados em ruínas na Alameda Nothmann e depois para um edifício na Avenida Paulista. Em 1973, foi novamente transferido para uma residência na Rua Oscar Pereira da Silva.10 Para resolver o problema da falta de instalações adequadas, o governo do estado desapropriou um casarão pertencente à família Giaffone, localizado na Avenida Europa, nos Jardins, para sediar o museu. Os arquitetos Roberto Fasano e Dan Juan Antonio foram responsáveis pela extensa reforma que conferiu à edificação de cinco mil metros quadrados os traços atuais. A sede definitiva do MIS foi inaugurada em 27 de fevereiro de 1975, com a exposição Memória Paulistana e apresentações musicais em seu auditório.11

Rudá de Andrade foi diretor da instituição desde a fundação até 1981. Durante sua gestão, o MIS se empenhou em produzir um abrangente acervo de registros sonoros, tornando-se primeira instituição museológica do país a ter como atividade permanente a documentação da história oral.4 Foram colhidos depoimentos de personalidades como Tarsila do Amaral, Pietro Maria Bardi, Sérgio Buarque de Hollanda, Tom Jobim, Pelé, Gregori Warchavchik, Arrigo Barnabé, Camargo Guarnieri, Cacá Rosset, José Celso Martinez Corrêa e Alfredo Volpi, entre outros, além de registros relacionados à memória política do país, como os depoimentos de veteranos da Revolução de 1932.10

No Vale do Ribeira, o museu conduziu um abrangente projeto de caráter antropológico, registrando a organização social, o folclore e as demais manifestações culturais locais4 , o que resultou em um conjunto composto por milhares de slides e negativos, 60 rolos de fita magnética, 12 relatórios de pesquisa e três curtas-metragens.12 Ainda na vertente antropológica, destacou-se a documentação sobre a arte rupestre no Piauí e sobre as transformações sofridas pela população no eixo Rio-Santos.4

O MIS esteve entre as primeiras instituições culturais do Brasil a organizar e sediar festivais de vídeo, mostras audiovisuais e de fotografia, como a Mostra do Audiovisual Paulista, o Festival Internacional de Curtas e as primeiras exibições dos vídeos experimentais do norte-americano Bill Viola. Foi também precursor na exibição de filmes fora do circuito comercial, transformando-se em uma referência cultural da cidade e em um ponto de encontro de produtores, estudantes e profissionais da área audiovisual e interessados em geral.4

Em 1983, o MIS sediou a primeira edição do Festival de Vídeo Brasil, mostra competitiva que premiou o diretor de teatro José Celso Martinez Correa, por seu documentário abordando as relações ente o teatro e as artes plásticas.13 O então diretor do museu, Ivan Negro Isolda, que permaneceria no cargo até 1987, buscou enfatizar as políticas estruturais e consolidar uma agenda fixa de eventos culturais e atividades didáticas.14 No começo da década de 1990, o museu criou o setor de artes gráficas, após a organizar a mostra Gráficos Brasileiros - Antes de Hards e Softs, em julho de 1991, e buscou dar continuidade a uma agenda cultural fixa. Não obstante, a multiplicação de espaços culturais na cidade e o aumento da oferta de eventos ligados à produção audiovisual contribuiriam, nos anos seguintes, para uma queda significativa no número de visitantes, em comparação às décadas de 70 e 80.

Em 2007, o MIS foi alvo de investigação do Ministério Público por emissão de notas frias e por uso inadequado do edifício.15 O governo do estado então estabeleceu uma parceria público-privada, transferindo a gestão do museu para a Organização Social de Cultura Paço das Artes. Daniela Bousso substituiu Graça Seligman na direção. O museu foi fechado para a realização de uma reforma orçada em 7,2 milhões de reais e reinaugurado em agosto de 2008. O governo também dobrou o orçamento da instituição.5 O MIS foi reaberto com o espaço expositivo ampliado, com um segundo auditório e dotado de novos equipamentos, visando agregar novas mídias tecnológicas e experimentações artísticas em suportes não convencionais. O museu também inaugurou o LabMIS, um laboratório de novas mídias, que funciona como centro de pesquisa e produção para artistas residentes ou comissionados, responsável também por ministrar cursos, palestras e workshops.6 Com as medidas, o museu esperava ressumir a posição de referência cultural da cidade, que possuia nos anos 70 e 80.5 Apesar disso, a visitação permanece pouco expressiva quando comparada a de museus de maior apelo popular, como o MASP ou a Pinacoteca do Estado.15

Acervo [editar]

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo conserva um acervo com mais de 350 mil itens5 , entre filmes, vídeos, discos, registros sonoros, fotografias, cartazes e outros objetos relacionados à história da produção audiovisual brasileira, disponíveis para consulta mediante agendamento.2 Parte da coleção é disponibilizada ao público na midiateca do museu, por meio de cópias de difusão, publicações para consulta e salas de pesquisa.16

Rua da Estação (Região da Luz - São Paulo, SP) (ca. 1887). Fotografia de Militão Augusto de Azevedo no acervo do museu.

O núcleo de fotografias é composto por exemplares produzidos pelo próprio museu, adquiridos ou recebidos em doações. Possui autocromos, cartes-de-visite, ferrótipos, negativos e estereoscópios, diversas coleções especializadas em cinema, rádio e televisão e uma coletânea de trabalhos de fotógrafos contemporâneos.17 É particularmente relevante a coleção relacionada à iconografia paulistana, com obras de Militão Augusto de Azevedo, Guilherme Gaensly, Valério Vieira, Alice Brill, Hildegard Rosenthal e Hans Gunter Flieg, entre outros.10

O acervo de vídeo conta com mais de 5.000 títulos, produzidos a partir de 1970. São documentários, obras de ficção, videoclipes, animações, exemplares de videoarte, programas de televisão, peças publicitárias, gravações de festivais e musicais. Há significativas coleções relacionadas à produção brasileira e internacional, incluindo títulos do Japão, França, Argentina, Estados Unidos e Alemanha. Um dos destaques do acervo são as produções internas do museu, como os registros da conquista do tricampeonato de futebol em 1970, das comemorações do sesquicentenário da Independência (1972) e das demolições para a construção do metrô de São Paulo (1975).10

A coleção de cinema é composta por 13.000 títulos, entre curtas, médias e longas-metragens, em Super 8, 16 e 35 mm, dos mais variados gêneros e épocas. Foi formada com exemplares coletados pela Comissão Nacional de Cinema do Conselho Estadual de Cultura, aos quais se somaram produções internas do museu, doações de particulares e de instituições culturais estrangeiras, títulos adquiridos por meio do Prêmio Estímulo de Curtas Metragens, curtas apresentados no Festival de Gramado e o acervo de produções norte-americanas da Castle Films. Destaca-se o núcleo relativo à produção cinematográfica paulista, com títulos como Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Héctor Babenco, O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade, Cidade Oculta, de Chico Botelho, bem como títulos da Companhia Cinematográfica Vera Cruz.10 2

O museu também conserva uma coleção de mais de 3000 registros sonoros de depoimentos, entrevistas, debates e palestras. Essas gravações foram realizadas no âmbito de um projeto pioneiro de história oral desenvolvido pelo MIS, dedicado a coletar material sonoro de brasileiros famosos e anônimos, divididos nos núcleos “Histórias de Vida”, “Projetos Políticos, Sociais e Trabalhistas”, “Memória e Tradição Oral”. Estão representados nos depoimentos personalidades como Pietro Maria Bardi, Pelé, Gregori Warchavchik, Arrigo Barnabé, Cacá Rosset, José Celso Martinez Corrêa, Alfredo Volpi, Tarsila do Amaral, Camargo Guarnieri, Sérgio Buarque de Hollanda e Tom Jobim, entre muitos outros.10 4 2

O departamento de artes gráficas é o mais recente do acervo do museu. Reúne catálogos, folhetos, embalagens, adesivos, selos, calendários, capas de livros, revistas, cartazes e materiais impressos em geral, agregando trabalhos de mais de 120 designers. A formação dessa coleção se iniciou em 1991, após a organização da exposição Gráficos Brasileiros – Antes de Hards e Softs.10

Por fim, o museu conserva uma amostra de mais de 300 equipamentos de imagem e de som, atestando a linha evolutiva da tecnologia de produção e reprodução audiovisual, incluindo câmeras fotográficas, filmadoras, projetores de filme, aparelhos de rádio e televisão, toca-discos, etc.10

Diretores [editar]

Desde sua criação o MIS contou com os seguintes Diretores Técnicos:

Referências

  1. a b c d Comissão de Patrimônio Cultural da USP, 2000, pp. 437-438.
  2. a b c d e Bravo! Guia de Cultura, 2005, pp. 158.
  3. Museu de Imagem e do Som de São Paulo (MIS) no bairro Jardins - São Paulo.
  4. a b c d e f g Institucional. Museu da Imagem e do Som. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  5. a b c d Martí, Silas. Após reforma, Museu da Imagem e do Som reabre com foco na tecnologia. Folha Online. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  6. a b LABMIS. Museu da Imagem e do Som. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  7. Histórico. Fundação Museu da Imagem e do Som. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  8. Gollo, Luiz Augusto. Nova fase do Museu da Imagem e do Som do Rio deixa de lado seu fundador. Agência Brasil. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  9. a b Museu da Imagem e do Som de São Paulo reabre com casa modernizada, de olho na contemporaneidade. Jornal Local. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  10. a b c d e f g h Revista Cultural, outubro de 2002, pp. 14.
  11. Histórico. Museu da Imagem e do Som. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  12. Museu do Índio - Cadastro Nacional de Museus. Museu do Índio. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  13. 1º Videobrasil. Associação Cultural Videobrasil. Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  14. Revista Cultural, outubro de 2002, pp. 15.
  15. a b Martí, Silas (6 de agosto de 2009). Som, imagem e silêncio. Canal Contemporâneo (originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo). Página visitada em 1 de novembro de 2009.
  16. Acervo. Museu da Imagem e do Som. Página visitada em 6 de maio de 2010.
  17. Revista Cultural, outubro de 2002, pp. 13.

Bibliografia [editar]

  • Comissão de Patrimônio Cultural da Universidade de São Paulo. Guia de Museus Brasileiros. São Paulo: Edusp, 2000. 437-438 p.
  • MIS de cara nova. In: Revista Cultural. Publicação mensal da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, São Paulo, outubro de 2002. 12-15 p.
  • Vários autores. Bravo! Guia de Cultura: São Paulo. São Paulo: Abril, 2005. 158 p.

Ligações externas [editar]