Estrada de Ferro Santos-Jundiaí

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Estrada de Ferro Santos-Jundiaí
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Abreviações EFSJ
Área de operação São Paulo
Tempo de operação 19481969
Antecessora São Paulo Railway
Sucessora Rede Ferroviária Federal
Bitola 1,600 m
Sede São Paulo, Brasil

A Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), que da sua inauguração em 1867 até ao ano de 1946 foi denominada São Paulo Railway Company (SPR), foi uma ferrovia do estado de São Paulo. Ligava o município de Santos ao de Jundiaí, tendo como principal ponto de passagem a cidade de São Paulo.

História[editar | editar código-fonte]

A São Paulo Railway[editar | editar código-fonte]

Estrada de Ferro Santos-São Paulo, 1870 (foto:Marc Ferrez).

Em 1859, Irineu Evangelista de Souza, junto com um grupo de pessoas, convenceu o governo imperial da importância da construção de uma estrada de ferro ligando São Paulo ao Porto de Santos. O trecho de 800 metros de altitude e 8 quilômetros de extensão da serra do Mar era considerado impraticável; por isso, Mauá foi atrás de um dos maiores especialistas no assunto: o engenheiro ferroviário britânico James Brunlees.

Brunless veio ao Brasil e considerou o projeto viável; para executar o projeto, foi convidado Daniel Makinson Fox, engenheiro que havia acumulado experiência na construção de estradas de ferro através das montanhas do norte do País de Gales e das encostas dos Pireneus.

Fox propôs que a rota para a escalada da serra deveria ser dividida em 4 declives, tendo cada uma a inclinação de 8%. Nesses trechos, os vagões seriam puxados por cabos de aço. No final de cada declive, seria construída uma extensão de linha de 75 metros de comprimento, chamada de "patamar", com uma inclinação de 1,3%. Em cada um desses patamares, deveria ser montada uma casa de força e uma máquina a vapor, para promover a tração dos cabos. A proposta foi aprovada por Brunless e a nova empresa foi criada: a "São Paulo Railway Company".

No alto da serra foi implantada uma estação que serviu de acampamento para os operários, denominada de Paranapiacaba. Ela possibilitava a troca de sistema pelos trens.

A estrada foi aberta sem o auxílio de explosivos, pois o terreno era muito instável. A escavação das rochas foi feita apenas com cunhas e pregos. Alguns cortes chegaram a 20 metros de profundidade. Para proteger o leito dos trilhos das chuvas torrenciais foram construídos paredões de alvenaria, variando de 3 a 20 metros de altura, o que consumiu 230.000 metros cúbicos de alvenaria.

A despeito de todas as dificuldades, a construção terminou 10 meses antes do tempo previsto no contrato, que era de oito anos. A "São Paulo Railway" foi aberta ao tráfego a 16 de fevereiro de 1867.

O grande volume de café transportado para o Porto de Santos fez com que em 1895 se iniciasse a construção de um novo trecho para transposição da serra, paralelo ao antigo. Este trecho passou a ser conhecido como "Serra Nova", em contraposição ao pioneiro, denominado "Serra Velha".

Para essa nova estrada foi utilizado um sistema endless rope, ou "sem-fim". Nesse sistema o percurso era dividido em cinco seções: em cada uma delas havia máquinas de 1000 cv instaladas em posições subterrâneas, embora estas máquinas não ultrapassassem a potência de 951 cv. Para cada composição que subia havia uma outra composição de peso próximo ou equivalente, de modo a contrabalançar as forças de subida e descida e desta maneira, permitir às máquinas fixas, um esforço mínimo.

O sistema de subida da serra seria modificado mais uma vez entre 1970 e 1974, já pela Rede Ferroviária Federal. Na ocasião o antigo sistema funicular da "Serra Velha" foi substituído por um de cremalheira, no qual três linhas paralelas dentadas (conhecido pelo nome de sistema ABT) de tungstênio eram colocadas entre os trilhos, que por sua vez se acoplavam em rodas dentadas retráteis na locomotiva. Este sistema foi organizado pela firma japonesa Marubeni, sendo que as locomotivas foram construídas pela Hitachi.

Em 1889 foram feitos os primeiros protestos contra o monopólio britânico sobre a rota do porto. Porém, este seria mantido até o ano de 1935, quando a Estrada de Ferro Sorocabana construiu um ramal próprio entre Mairinque e Santos.

A estatização[editar | editar código-fonte]

A Estação da Luz na Cidade de São Paulo, a principal da ferrovia e que abrigava seus escritórios.

Em 13 de setembro de 1946 a São Paulo Railway foi encampada pelo governo brasileiro em virtude do fim da concessão dada aos ingleses para explorar a rota.

Em 27 de setembro de 1948 o nome da companhia foi alterado para Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, ainda o mais pronunciado nos dias de hoje.

A incorporação à RFFSA e o destino da malha[editar | editar código-fonte]

A Santos a Jundiaí foi uma das 18 ferrovias que formaram a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em 1957. Mesmo tendo se transformando em subsidiária de uma empresa maior, ainda seria mantida como pessoa jurídica distinta e continuou com seu tradicional nome até 1969, ocasião em que todas as integrantes da RFFSA, enfim, foram extintas.

Sua malha então passou a formar a 9ª Divisão Operacional da RFFSA, e, junto aos trilhos oriundos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (10ª Divisão), compôs o Sistema Regional Centro Sul. Em 1975, foram extintas as divisões operacionais e o que era Sistema Regional Centro Sul passou a se denominar Sistema Regional nº 4 (SR-4), com sede em São Paulo, e que também incorporou o sistema de trens de subúrbio da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil na Grande São Paulo. Em 1989 a antiga malha da NOB separou-se, formando a SR-10.

Em 1 de dezembro de 1996, no cumprimento do programa de desestatização proposto pelo Governo Federal de então, a antiga malha da Santos a Jundiaí foi entregue sob regime de concessão à MRS Logística para a operação de cargas, sendo que a concessionária tem hoje o domínio da ferrovia entre Santos e Rio Grande da Serra e a permissão para operar no entre Rio Grande da Serra e Jundiaí. Este último encontra-se sob o domínio da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que ali opera suas linhas 7 (trecho Jundiaí-Luz) e 10 (trecho Brás-Rio Grande da Serra).

A estrada de ferro hoje não funciona mais entre Santos e Jundiaí. Os trens de passageiros entre São Paulo e Santos foram extintos em 1996, meses antes da privatização, sobrando apenas o trecho entre Jundiaí e Paranapiacaba. A extensão regular a Paranapiacaba foi extinta em 2001, transformando Rio Grande da Serra no limite da linha, embora no final daquela década a CPTM tenha instituído um trem turístico quinzenal com destino àquela localidade. Desde 2011 a Linha 10 não alcança mais a Estação da Luz, eliminando da linha o trecho entre Brás e Luz. Dessa maneira, o nome Santos-Jundiaí hoje não faria mais sentido.

Percurso[editar | editar código-fonte]

A Santos a Jundiaí tinha seu quilômetro zero na cidade de Santos, mais precisamente no bairro do Valongo, na região central. Cruza os municípios de Cubatão, Santo André (Paranapiacaba), Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá, novamente Santo André (área central) e São Caetano do Sul até chegar à Capital Paulista.

Na Capital, seus trilhos ainda servem como separação entre os bairros do Ipiranga e Vila Prudente e entre Cambuci e Mooca. Cruzam os bairros do Brás, Bom Retiro, Santa Cecília, Barra Funda, Lapa, Pirituba, Jaraguá e Perus.

Seguindo pelo interior, seu trajeto também abrange os atuais municípios de Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista e Jundiaí, onde termina, no bairro de Vila Arens, quilômetro 139.

Conexões[editar | editar código-fonte]

A Estrada de Ferro Santos a Jundiaí conecta-se ou conectava-se ainda:

Dias atuais[editar | editar código-fonte]

Atualmente a EFSJ se dividiu em duas, a Linha 7 - Rubi e a Linha 10 - Turquesa, ambas da CPTM.

Esta empresa foi criada a partir do momento que o Governador do estado de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB-SP), foi à Brasília pedir ao então presidente da República, Itamar Franco (PMDB-MG), o direito de administração, pelo Estado, das linhas metropolitanas em 1992, cujo secretário dos transportes metropolitanos do Estado de São Paulo era Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), atual senador do estado de São Paulo entre 2011/2016 envolvido com os escândalos de superfaturamento dos transportes ferroviários e infraestrutura energética. Através deste foi feito estudos de compatibilização junto a FEPASA, na união das empresas e reformas superfaturadas dos trens da antiga CBTU, em 1994.

O trecho Santos ↔ Paranapiacaba funcionou com um ramal da antiga Linha D (Atual 10) até meados dos anos 90, mas hoje nem a linha, nem o ramal vão até Paranapiacaba. Os trens da CPTM vão até Rio Grande da Serra e voltam. Porém o trecho Luz ↔ Jundiaí ainda funciona.

Assim até o momento atual funciona somente o trecho urbano da antiga EFSJ com passageiros.

O trecho que compreende Rio Grande da Serra e Paranapiacaba, é utilizado para transporte de cargas pela MRS Logística, bem como o trecho de Paranapiacaba-Santos.

Expresso Turístico[editar | editar código-fonte]

Trecho Luz ↔ Paranapiacaba (Em Implantação) O trajeto Luz – Paranapiacaba, a charmosa vila que foi testemunha de uma importante fase de expansão da tecnologia no Brasil, está nos planos do Expresso Turístico. Lá, o turista poderá conhecer as diversas atrações da vila que já se candidatou a Patrimônio Mundial da Humanidade, o Museu do Castelinho, o Centro de Documentação em Arquitetura e Urbanismo, o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, a Casa Fox, o Museu do Funicular, a Casa da Memória, o Centro de Visitantes, o Clube União Lyra Serrano e o Antigo Mercado. Além disso, em datas especiais, é possível encontrar em operação, próximo ao 5º patamar, a segunda locomotiva mais antiga do Brasil, que pertenceu à SPR e hoje integra o acervo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. No mês de julho, acontece o tradicional Festival de Inverno de Paranapiacaba, que reúne estrelas da MPB, rock, música clássica e atrações internacionais.

Também parte da primeira ferrovia paulista, a linha até Paranapiacaba proporciona ao turista uma viagem no tempo. Na passagem pelo Memorial do Imigrante é possível avistar alguns trens antigos – incluindo uma Maria Fumaça que ainda funciona. A Estação Ipiranga apresenta uma cena do Grito de Independência, retratado pela dupla de grafiteiros “OsGemeos”, conhecida internacionalmente. Já as estações Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra ainda conservam a arquitetura oitocentista da época da inauguração.

A viagem inclui uma parada na estação Prefeito Celso Daniel – Santo André, para embarque de passageiros mas este trecho esta em implantação.

trecho Luz ↔ Jundiaí Inicio da Operação 25/04/2009 A apenas 60 km da capital, Jundiaí e cidades vizinhas reservam uma série de atrações, como o Museu Ferroviário, da Cia Paulista de Estradas de Ferro, que praticamente desenhou o mapa ferroviário do interior de São Paulo, as belezas naturais da Serra do Japi com suas trilhas e caminhadas, e o Circuito das Frutas, uma viagem pelos produtores de uva, morango, caqui, figo, etc, localizados nos municípios da região. Há ainda outros aspectos de interesse turístico, como a arquitetura local, parques e feiras de artesanato.

Partindo da centenária Estação da Luz, no centro de São Paulo, o turista viajará pela primeira ferrovia paulista que ligava Santos a Jundiaí, inaugurada em 1867 e operada pela CPTM desde 1994. Durante o trajeto até Jundiaí será possível observar algumas estações cuja arquitetura da época da inauguração se mantém preservada, como Perus, Caieiras e Jundiaí. A tipologia das construções, como estações, oficinas, depósitos, residências de funcionários ao longo das linhas, bem como equipamentos complementares como passarelas, bancos, bilheterias, postes de iluminação e placas de sinalização, evidenciam um sistema tecnológico completo, tipicamente britânico. Na medida em que o trem se afasta da capital, os viajantes também têm a oportunidade de passar por áreas verdes e cenários interioranos. É necessário adquirir a passagem com três meses de antecedência devido às composições lotadas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CYRINO, Fabio; Café, Ferro e Argila: A história da implantação e consolidação da San Paulo (Brazilian) Railway Comany Ltd. através de sua arquitetura. São Paulo: Landmark, 2004
  • Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE, 1957.
  • LAVANDER Jr., Moisés; MENDES, Paulo Augusto. SPR - Memórias de uma Inglesa. São Paulo: Clanel, 2005.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]